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Bet Blaze funcionou em endereço de empresas ligadas a Willer Tomaz, investigado pela PF

22 October 2026 at 00:50

Um relatório de análise da nuvem associada ao celular do advogado Willer Tomaz de Souza, produzido pela Polícia Federal (PF), revela que a Foggo Entertainment Ltda, empresa responsável pelas operações da plataforma de apostas Blaze no Brasil, utilizou o mesmo endereço comercial que já havia sido registrado anteriormente por empresas ligadas a Willer Tomaz e a seus ex-sócios. Tomaz ganhou manchetes de todo o país em agosto devido a seu processo contra a própria Blaze, tentando reaver R$ 163 milhões que teria apostado na plataforma, o que chamou a atenção da PF e do Ministério da Fazenda por suspeita de lavagem de dinheiro.

O imóvel localizado na Alameda Prudente de Moraes, nº 86, no bairro Mercês em Curitiba, consta nos registros cadastrais da Foggo Entertainment — CNPJ que recebeu transferências milionárias enviadas por Willer — e já havia sido sede da RioPag S/A, processadora de pagamentos de apostas da Loterj, além de outras sociedades vinculadas a um ex-sócio de Willer.

A análise do iCloud do aparelho celular e Willer Tomaz foi possível a partir de quebra de sigilo autorizada pela Justiça após operação de busca e apreensão contra o advogado e empresário no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS. A apuração da PF aponta que o advogado realizou diversas transferências bancárias fracionadas e sistemáticas de R$ 100 mil para a conta da Foggo Entertainment. Ao rastrear a estrutura societária e operacional da empresa de apostas, os investigadores identificaram a sobreposição de endereços entre a operadora da Blaze e a Riopag S.A.

Para os investigadores, a coincidência de endereços “reduz a força de uma leitura puramente casual e justifica aprofundar a investigação sobre eventuais vínculos societários, comerciais ou operacionais entre o investigado, antigos parceiros e a estrutura responsável pela atividade de apostas”.

Uma das suspeitas da PF é que a plataforma de apostas não fosse utilizada apenas para apostas recreativas, mas como meio de circulação intensiva, pulverização do dinheiro e eventual retorno de capital. A análise dos extratos de Willer Tomaz revelou movimentações diárias na plataforma que chegaram a superar R$ 35 milhões em dias específicos, acumulando registros contábeis de perdas na ordem de R$ 40,83 milhões entre junho e outubro de 2025.

Com o cruzamento do endereço em Curitiba e a identificação de saques em cassinos no exterior, as autoridades buscam determinar se as perdas registradas na conta de apostas eram efetivas ou se retornavam ao patrimônio do grupo por meio de estruturas empresariais interpostas.

Dinheiro que circula em várias etapas/empresas

Até o momento, o “amigo advogado” de Flávio Bolsonaro (PL) tem negado ser sócio ou acionista de várias empresas, inclusive as ligadas à operação de bets que funcionavam legalmente no estado do Rio de Janeiro até a primeira semana de outubro. No entanto, um email extraído do iCloud do aparelho celular do empresário, enviado pelo próprio Willer Tomaz para a instituição Magnum Bank, indicam, segundo a PF, “o controle ou vínculo de fato” de Tomaz sobre uma longa lista de empreendimentos, incluindo a RioPag S/A, que opera o meio de pagamento de prêmios da Loterj desde 2023.

Na mensagem em questão, Willer “declara ser sócio ou acionista” de uma lista de companhias, incluindo Rio Pag S/A e Embrasis. “Inclusive daquelas em que seu nome não consta formalmente do quadro societário”, escreve a PF.

Materiais obtidos pela Agência Pública e o relatório da PF ajudam a desenhar a estrutura entre as companhias ligadas à RioPag até chegar a Tomaz, um arranjo que envolve empresas atualmente registradas no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

Certidões emitidas pelas Juntas Comerciais do Distrito Federal e do Rio de Janeiro mostram que a RioPag tem uma única acionista, uma empresa atualmente chamada Capital Pretium S/A (antes chamada de Pixs Holding SA). Por sua vez, a Capital Pretium também possui apenas uma sócia, a Empresa Brasileira de Sistemas de Computação (Embrasis S/A). Até 6 de outubro de 2026, quando houve alteração de diretoria e do estatuto social da empresa, os dois únicos acionistas da Embrasis S/A eram Willer Tomaz (82,5%) e sua irmã, Christine Tomaz de Souza (17,5%).

Oficialmente, o advogado amigo de Flávio Bolsonaro não exerceu papel de gestão ou direção em nenhuma delas. A PF conseguiu estimar o fluxo financeiro entre a teia de empresas até que o dinheiro chegasse a Willer Tomaz. Segundo a investigação, a RioPag repassava aproximadamente 15% de seus recursos à atual Capital Pretium. A Pretium passava à Embrasis cerca de 90%, enquanto a Embrasis, dos irmãos Christine e Willer Tomaz, fazia o repasse “quase integral”, segundo a PF, de seus volumes financeiros.

Segundo relatórios mensais apresentados pela RioPag ao governo do Rio de Janeiro obtidos pela Pública, entre março de 2024 (quando assumiu o controle da operação) e agosto de 2026, a RioPag registrou mais de R$ 185 milhões em receitas. O valor dizia respeito a serviços como o pagamento de prêmios de produtos lotéricos, de bilhetes de ‘raspadinha’ a apostas esportivas (bets). A PF identificou ainda que Willer teria recebido ao menos R$ 67,7 milhões da Embrasis ao longo de 2024, conforme declaração de Imposto de Renda Pessoa Física reproduzida no relatório da operação.

Para SPA, Blaze não cumpriu requisitos para o combate à lavagem de dinheiro

Willer Tomaz de Souza foi a pessoa com o “maior volume total de depósitos” em bets no país em 2025, segundo uma nota técnica assinada em 1º de outubro de 2026 pelo subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Ainda assim, WTS, como é citado no documento, teria sido enquadrado pela Blaze como um cliente de risco “médio” ao invés de risco “crítico”. O exemplo é utilizado para ilustrar uma série de “indícios de infrações administrativas” por parte da bet – entre as quais constam “ausência de seleção e análise de operações suspeitas” de lavagem de dinheiro.

“Uma rápida pesquisa em fontes abertas na internet mostra que o cliente já esteve detido sob suspeita de corrupção”, aponta a pasta, que alega que Willer Tomaz deveria ter sido avaliado como um cliente de risco “crítico” para que fossem tomadas “medidas especiais importantes” como “comunicações ao Coaf” em relação às movimentações do advogado.

Segundo a nota técnica, o amigo de Flávio Bolsonaro “girou cerca de R$ 5 bilhões em apostas no período, e somou quase R$ 200 milhões acumulados em saques” na Blaze somente naquele ano. Para a SPA, tais valores “deveriam ao menos haver passado por seleção e análise, ainda que a análise concluísse pela ausência de indícios” de lavagem de dinheiro.

Para a Fazenda, “operações do mesmo cliente [Willer] também chamam a atenção” pelo volume de dinheiro movimentado, pela frequência da movimentação e também pela multiplicidade de operações simultâneas. De acordo com a nota técnica assinada pelo subsecretário Carlos Renato Xavier de Resende, as operações poderiam ser enquadradas em práticas proibidas pela legislação que regulamentou a atividade das bets no país – tais como “possível uso de ferramenta automatizada” e “depósitos ou saques em curto espaço de tempo, sugerindo fracionamento ou dissimulação”.

Houve diversas situações em que múltiplos depósitos ou saques ocorreram num curtíssimo espaço de tempo, como, por exemplo, um mesmo dia (30/10/2025) em que foram realizados cinco depósitos de R$ 500 mil em uma mesma hora da manhã, outros cinco do mesmo valor em uma mesma hora da tarde, e outros quatro do mesmo valor em uma mesma hora da noite, totalizando R$ 7 milhões em depósitos em um único dia”, segundo a SPA. A pasta aponta ainda que, no dia seguinte, houve “doze saques de R$ 500 mil realizados em um espaço de 18 minutos”
somando R$ 6 milhões.

A nota técnica destaca ainda que a Blaze “falhou em evidenciar uma devida avaliação do perfil econômico desse cliente [Willer Tomaz]” e que “a observação do extrato de operações dele (em especial os vários depósitos e saques em períodos curtíssimos descritos anteriormente) levantam a possibilidade – sujeita a análise, naturalmente – de operações estruturadas (aquelas em que as movimentações financeiras são divididas em várias partes menores, visando-se a não disparar gatilhos de alerta e/ou chamar a atenção dos responsáveis pelo monitoramento, fiscalização ou persecução criminal)”.

Para basear seus argumentos, a SPA afirma que a Blaze comunicou ao Coaf a existência de apenas sete operações suspeitas na plataforma em 2025 e outras nove em 2026, e nenhuma delas envolvia valores acima de R$ 15 mil.

“Chama a atenção o fato de uma empresa identificar, selecionar, analisar e comunicar ao Coaf atividade atípica em operações de valores comparativamente irrisórios, enquanto a atividade de um cliente que fez 629 apostas individuais de valor igual ou superior a R$ 500 mil (cada uma) ao longo de um ano (sendo quatro delas de R$ 1 milhão, e 394 delas de exatos R$ 500 mil) – o cliente sobre cuja atividade se discorreu anteriormente – sequer tenha sido objeto de análise pela mesma empresa”, segundo a nota técnica da Fazenda.

Procurado pela Pública, a assessoria de imprensa de Willer Tomaz informa que “todos os pontos levantados repetem informações já divulgadas e reiteradamente esclarecidas nas últimas semanas”: “Requentá-los às vésperas do segundo turno, a partir de dados sigilosos vazados, tem o evidente propósito de interferir no processo eleitoral. O advogado Willer Tomaz não cometeu nenhuma irregularidade. Nunca dividiu conta bancária com o senador Flávio Bolsonaro, tema que já motivou queixa-crime por difamação; as viagens foram convites entre famílias, sem contrapartida; e as questões de natureza pessoal estão sob análise dos tribunais.”

Procurada, a operadora da Blaze no Brasil, a Foggo Entertinment, ainda não respondeu aos questionamentos da Pública. Anteriormente neste mês, ao UOL, a empresa informou que nunca manteve relação societária com Willer Tomaz, Edson Antônio Lenzi Filho ou empresas a eles vinculadas e que nenhum deles teria participação, direta ou indireta, no capital ou controle da companhia. Assim que houver manifestação oficial sobre o assunto à reportagem, este espaço será atualizado.

Flávio Bolsonaro e a conta de holding

Ainda no âmbito da operação Sem Desconto, a PF mapeou uma rede de relações operacionais, financeiras e pessoais entre o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. Os apontamentos  apresentados no relatório mostram desde a inclusão do senador como usuário com plenos poderes em conta bancária empresarial até o custeio de viagens familiares em aeronaves privadas por uma offshore vinculada a negócios de apostas esportivas.

De acordo com o relatório, Flávio Bolsonaro esteve cadastrado com perfil de usuário master na conta bancária da Alcazar Holding mantida junto ao Banco Santander. A condição permitia o gerenciamento da conta até 22 de maio de 2025, quando uma secretária do escritório de Willer Tomaz encaminhou e-mail à instituição financeira solicitando expressamente a remoção do acesso do parlamentar e do próprio advogado.

A Alcazar Holding detinha, inclusive, 33,33% do capital social da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade proprietária de um jato executivo Legacy 650. A Fraction ganhou projeção pública por ter sido utilizada como pagadora em operações de cessão de ativos vinculadas a investigações sobre o Banco Master e o grupo Viking Participações, ambos de Daniel Vorcaro.

Os arquivos examinados pela PF expõem, ainda, um histórico de deslocamentos internacionais realizados em conjunto por integrantes das famílias de Willer Tomaz e de Flávio Bolsonaro. Os relatórios de voos em jatos executivos para destinos como Cascais (Portugal) e Nice (França), apontam que a aquisição de passagens e a logística de transporte foram intermediadas pela Cathedral Holding.

Segundo a PF, a Cathedral Holding não atuava apenas na esfera patrimonial ou no custeio de despesas pessoais do grupo. A empresa figura no organograma do grupo de Willer Tomaz como sócia da Rede Loto Ltda – primeira operadora a obter credenciamento junto à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para explorar apostas esportivas no estado por meio do domínio BestBet.

Conversas secretas e limpeza na Googlesfera

O relatório da PF com base no iCloud do aparelho celular do advogado Willer Tomaz registra ainda que Flávio Bolsonaro era um dos contatos favoritados pelo advogado no aplicativo Confide. A plataforma é um aplicativo que oferece troca de mensagens privadas de vida curta, que desaparecem após pouco tempo, sem histórico aparente no aparelho.

Os peritos identificaram ainda planilhas e comprovantes de pagamentos efetuados por Willer Tomaz a prestadores de serviços encarregados de remover reportagens e desindexar links do buscador Google. A ideia era tentar controlar o que a plataforma apresentava entre os resultados ao público que buscasse os nomes de Willer Tomaz ou do amigo Flávio Bolsonaro, evitando conteúdos negativos ou indesejados pelo empresário.

Entre os conteúdos que deveriam ser excluídos estava uma reportagem que abordava a atuação política de Flávio Bolsonaro em relação ao projeto de lei dos jogos de azar e sua presença em reuniões com operadoras de cassinos em Las Vegas.

A Pública buscou a equipe de Flávio Bolsonaro, que não respondeu aos questionamentos até o momento. Em caso de resposta, este espaço será atualizado.

Flávio Bolsonaro é suspeito de ser sócio oculto de bet

21 October 2026 at 17:27

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar se o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, tem participação não declarada na BestBet, plataforma de apostas online licenciada pelo governo do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela revista Piauí.

A apuração tem como principal alvo o advogado Willer Tomaz, apontado como sócio ostensivo da empresa de apostas, amigo de Flávio e responsável por movimentações de aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas, segundo as informações divulgadas. A investigação busca esclarecer suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e à estrutura societária das empresas envolvidas.

Tomaz e familiares concentram a maior parte das ações da Cathedral Holdings, companhia portuguesa que figura como única acionista da Rede Loto, empresa responsável pelo controle da BestBet. Essa estrutura empresarial está no centro das suspeitas sobre uma possível participação indireta do senador no negócio.

Documentos apontam movimentações entre empresas

Os registros contábeis das holdings acrescentaram elementos à apuração. Segundo documentos obtidos pela Piauí, a Cathedral informou ter R$ 984 mil? Não. Em sua contabilidade, o valor registrado foi de 984 mil euros a receber em 2025, ante 7,8 mil euros no ano anterior.

No mesmo período, os registros da Alcazar Holdings apontaram aumento da dívida de 8,1 mil euros para 824 mil euros. A proximidade entre os valores registrados pelas duas companhias levanta questionamentos sobre as relações financeiras entre elas.

A Alcazar também aparece na apuração por causa de uma conta conjunta que Flávio teria mantido com Willer Tomaz por meio da empresa, conforme informações publicadas pelo UOL e confirmadas pelo jornal Diário da Manhã. A revista Piauí identificou indícios de que a Cathedral teria financiado a Alcazar, apontada como supostamente ligada ao senador.

Outro registro empresarial pode ser relevante para a investigação. Em ata protocolada na Junta Comercial de São Paulo em 3 de fevereiro, a Rede Loto aprovou a distribuição dos lucros acumulados até 31 de dezembro de 2025. O documento não informa o montante, mas o estatuto da companhia estabelece a Cathedral como única beneficiária.

Voos internacionais e relação com o advogado

A relação entre Flávio e as empresas também envolve uma aeronave utilizada pelo senador em deslocamentos internacionais. A Cathedral possui participação de 6,25% em um avião vinculado ao programa de propriedade compartilhada da NetJets, adquirido em 2025. Flávio utilizou a aeronave em voos entre Portugal e França.

Quando a Folha de S.Paulo revelou que a Cathedral havia pago viagens aéreas do senador, sua campanha afirmou que a relação com Willer Tomaz é exclusivamente de amizade.

Em manifestação divulgada à época, a campanha declarou que associar a proximidade pessoal a possíveis irregularidades seria uma ilação sem fundamento nos fatos.

Procurada por e-mail às 9h30 desta quarta-feira (21), a campanha de Flávio Bolsonaro não havia respondido até a publicação das informações pela reportagem que serviu de base para este texto.

Empresa nega operação de apostas

Willer Tomaz sustenta que a BestBet nunca iniciou efetivamente suas operações de apostas. Registros públicos, entretanto, indicam que o endereço eletrônico da plataforma estava disponível pelo menos desde dezembro de 2023, conforme arquivos preservados pelo Internet Archive.

Além disso, documentos regulatórios da Loterj, órgão responsável pelo licenciamento de plataformas de apostas no Rio de Janeiro, registram desde junho de 2023 o pagamento de taxas de outorga variável equivalentes a 5% da receita da empresa com jogos de azar.

A documentação pode ajudar a esclarecer a atividade efetiva da plataforma e a natureza das receitas relacionadas ao negócio.

Em nota, Tomaz negou irregularidades e acusou a revista Piauí de apresentar ilações e distorcer documentos para sustentar acusações falsas. O advogado também afirmou que a publicação já responde judicialmente pela divulgação de informações que considera falsas.

A eventual participação de Flávio Bolsonaro na BestBet ainda depende de esclarecimento pelas autoridades. O pedido de abertura de inquérito busca justamente apurar os fatos e verificar se existem elementos que sustentem as suspeitas.

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PF faz operação contra fraudes em concurso público no Rio

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A Polícia Federal (PF) faz, nesta quarta-feira (21), operação para reprimir possíveis fraudes cometidas por candidatos de um concurso público para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Operação Gabarito cumpre 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Federal Criminal do Rio, em três bairros da zona oeste da capital fluminense.

A PF iniciou a investigação depois de receber notícia-crime encaminhada pela própria empresa organizadora do concurso público para cargos de técnico administrativo em educação da UFRJ. A Selecon, organizadora do processo seletivo, constatou a presença de um padrão de respostas suspeito entre as provas de diversos candidatos.

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A suspeita é que tenha havido um esquema coletivo dos candidatos para fraudar os resultados e beneficiar alguns concorrentes. De acordo com a PF, investigados poderão responder pelo crime de fraude em certame de interesse público.

O concurso teve o edital foi lançado em dezembro de 2025, para preencher 243 vagas para cargos administrativos de nível médio e superior na instituição federal. As provas, objetivas e discursivas, foram realizadas no início de março deste ano.

PF investiga Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro e faz busca contra ex-secretário do STJ

20 October 2026 at 14:35

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de compartilhar informações sigilosas de processos com o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e investiga possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato eletrônico e violação de sigilo funcional.

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Pradera deixou o cargo na sexta-feira (16), após a abertura de um procedimento interno no STJ. A suspeita é de que ele tenha antecipado decisões judiciais e repassado documentos ainda não publicados ao advogado. A investigação ganhou força depois que a PF analisou dados extraídos do celular de Willer Tomaz e identificou comunicações entre os dois.

Um dos elementos reunidos pelos investigadores é uma fotografia enviada por Pradera que mostra um documento jurídico aberto na tela de um computador. Segundo a apuração, o material ainda não havia sido assinado nem divulgado oficialmente. As mensagens também indicariam que o então servidor compartilhava informações sobre assuntos internos do tribunal.

Investigação alcança relações financeiras de Flávio Bolsonaro

A apuração sobre o suposto vazamento se conecta a uma investigação mais ampla sobre movimentações financeiras de Willer Tomaz e sua relação com Flávio Bolsonaro. A PF encontrou e-mails que apontariam o senador como usuário master de uma conta bancária vinculada a uma empresa ligada ao advogado.

O relatório policial também menciona encontros, festas e reuniões entre os dois, além do custeio de viagens do senador. Para os investigadores, a movimentação financeira atribuída a Willer é incompatível com as atividades econômicas declaradas pelo advogado.

O caso teve origem em uma investigação da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, que apurava inicialmente suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao uso de plataformas de apostas. A análise dos dados do celular de Willer levou a PF a identificar outros elementos e a aprofundar a apuração sobre suas relações com o senador.

Como Flávio Bolsonaro tem foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado ao STF e distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A busca contra Pradera é a primeira medida autorizada por Moraes para aprofundar os fatos relacionados ao advogado nesse procedimento. A diligência teve como alvo o ex-servidor do STJ, e não o senador.

Flávio também é investigado em outro inquérito no Supremo, relacionado a suspeitas de financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.

STJ abre procedimento e investigados contestam suspeitas

Em nota, o Superior Tribunal de Justiça informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e vazamento de informações. A Corte também abriu procedimentos administrativos para apurar possíveis infrações. As medidas criminais seguem sob sigilo.

Willer Tomaz negou ter obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais e pareceres do Ministério Público Federal. O advogado também rejeitou a acusação de interferência em manifestações do órgão.

A defesa afirmou desconhecer o relatório da PF citado nas notícias e criticou a divulgação seletiva de informações durante a campanha eleitoral, com referências a terceiros que, segundo os advogados, não teriam relação com os fatos investigados.

A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que o vínculo entre o senador e Willer Tomaz é de amizade. Segundo a nota, qualquer tentativa de associar essa relação a irregularidades seria uma ilação sem fundamento nos fatos.

Os advogados também negaram que Flávio tenha mantido conta bancária na qual Willer Tomaz ou empresas dele figurassem como usuário master.

As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam, por si só, comprovação de prática criminosa.

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Mulher e filho de Marcinho VP são presos em operação da PF no Rio

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A empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam, foi presa pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (19), na Operação Backbone.

Na ação, que visava desarticular uma estrutura ligada ao Comando Vermelho, também foi preso um outro filho do casal, Lucas dos Santos Nepomuceno.

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Os dois estavam entre os alvos dos 23 mandados de prisão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Eles foram levados para a sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Até o início desta tarde, a PF tinha cumprido 20 mandados de prisão, o que inclui um contra o próprio Marcinho VP, que já cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Em 2026, o traficante completou 30 anos de detenção.

Segundo a PF, o grupo criminoso investigado impõe o monopólio do fornecimento de internet nos conjuntos de favelas do Alemão, na Penha, e do Chapadão, que se estende aos bairros da Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe, na Zona Norte do Rio.

De acordo com as investigações, o esquema alvo da operação utiliza empresas provedoras para lavar os recursos obtidos com a atividade.

Defesa

O advogado Flávio Fernandes, que defende Márcia, disse que não teve acesso aos autos da investigação e do processo e, por isso, não podia opinar sobre a prisão.

“O que a gente sabe é que se trata de uma investigação, acredito que não seja processo, que investiga empresas que forneceriam sinais clandestinos de TV, de internet e que essas empresas repassariam valores para familiares da minha cliente”, informou à Agência Brasil, por meio de áudio no WhatsApp, ressaltando que é advogado apenas de Márcia.

Flávio Fernandes descartou o envolvimento de Márcia Nepomuceno neste esquema.

“Márcia não tem nenhum envolvimento com empresas deste tipo de atuação. As empresas com o nome da Márcia são todas legalizadas. Ela emite notas, está em dia com o fisco, com as obrigações na Receita Federal. Essas empresas aí, Márcia desconhece. Não tem envolvimento com qualquer tipo de empresa clandestina de fornecimento de sinal de internet”, afirmou ainda no áudio.

A Agência Brasil não conseguiu contato com a defesa de Lucas.

Mandados de busca

Além dos 23 mandados de prisão preventiva, havia 24 mandados de busca e apreensão também expedidos pelo STF. 

Os alvos estavam na capital fluminense e nos municípios de Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé, na Baixada Fluminense; Teresópolis, na Região Serrana; e Maricá, na Região Metropolitana do Rio.

“Parte dos mandados de prisão será cumprida no sistema prisional, inclusive em unidade do Sistema Penitenciário Federal”, informou a PF.

De acordo com a corporação, também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas.

A Justiça também ordenou a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada que eram utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.

A PF informou que a Operação Backbone se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal.

O objetivo é “combater organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635”.

Policía Federal de Brasil abre investigación contra Flávio Bolsonaro por presunto lavado de dinero

19 October 2026 at 15:22
El expediente se tramita en el Supremo Tribunal Federal y vincula al candidato derechista con una red de apuestas ilegales que movió unos 1.800 millones de dólares, a seis días del balotaje frente a Lula.

PF faz ação para prender 23 envolvidos com facção criminosa no Rio

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A Polícia Federal (PF) cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nesta segunda-feira (19). A operação Backbone mira pessoas acusadas de impor monopólio sobre a exploração de serviço de internet em áreas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. Até as 9h15, 19 pessoas já haviam sido presas.

De acordo com a PF, a facção criminosa impõe o monopólio sobre a oferta de serviço de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, por meio do uso de armas e de ameaças contra os moradores.

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Segundo a PF, o grupo também lava o dinheiro obtido com a atividade criminosa, por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro e criptoativos.

Estratégia

As investigações mostraram que criminosos armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de provedores de internet concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar o serviço de internet controlado pela facção.

Segundo a PF, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo criminoso no Complexo da Penha, mostrando que a exploração desse serviço tornou-se uma das principais atividades da facção criminosa, o que fomenta a guerra pelo controle de territórios.

Mandados

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte dos mandados de prisão está sendo cumprida no sistema prisional, inclusive em uma unidade do Sistema Penitenciário Federal, onde está detido um dos acusados de liderar o grupo criminoso.

A Justiça determinou também o bloqueio de bens e valores de 40 pessoas e 42 empresas, no valor total de R$ 558 milhões. Foi determinada ainda a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada.

De acordo com a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

Autorizações

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados por essas empresas, além de ter que adotar providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.

Força Nacional vai atuar por 90 dias na região de Belo Monte

19 October 2026 at 12:27

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou a atuação da Força Nacional de Segurança Pública por 90 dias na região da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A medida prevê apoio aos órgãos de segurança pública federais e estaduais.

O trabalho será voltado à preservação da ordem pública e à proteção das pessoas e do patrimônio. Segundo a Portaria nº 1.321/2026, publicada nesta segunda-feira (19), a ação tem caráter temporário e planejado.

Atuação

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A Força Nacional atuará em conjunto com os órgãos de segurança pública do Pará, sob coordenação da Polícia Federal.

O número de agentes empregados na operação será definido pela Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública, vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério.

O órgão que solicitou a atuação da Força Nacional ficará responsável pelo apoio logístico e deverá fornecer a infraestrutura necessária para a operação.

Década

Este ano, a inauguração oficial da Usina Hidrelétrica de Belo Monte completou uma década este ano. O empreendimento foi pensado em meados da década de 1970 e ganhou repercussão internacional desde que surgiu a proposta de desviar 80% do fluxo do Rio Xingu, em um trecho de 130 quilômetros, para abastecer o reservatório de Belo Monte.

Para marcar a data, a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e outras entidades divulgaram carta aberta em defesa das comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadoras artesanais de todo o médio curso do Rio Xingu.

O documento destacou o agravamento das violações contra esses povos, ao longo dos anos, por causa das mudanças climáticas.

Sob administração da empresa concessionária Norte Energia, maior acionista do empreendimento, desde 2010, a usina no Rio Xingu atende a uma média de 5% da demanda por energia elétrica do país ao ano, em todos os estados. Segundo a Norte Energia, mais de R$ 8 bilhões foram investidos nos compromissos socioambientais assumidos no licenciamento.

PF suspeita que Willer Tomaz recebia decisões sigilosas do STJ

O advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes contra a Previdência e amigo do candidato Flávio Bolsonaro (PL), recebia minutas de decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e de manifestações do MPF (Ministério Público Federal) antes da publicação, aponta investigação da Polícia Federal, segundo reportagem do UOL.

A reportagem afirma que o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares era um dos interlocutores de Tomaz. Em 2019, Soares era citado pelo entorno do então presidente Jair Bolsonaro (PL) como favorito para ser indicado à Procuradoria-Geral da República e como ligado a Flávio, o que o procurador negava.

Segundo o UOL, os investigadores suspeitam que Tomaz recebeu documentos vazados do STJ por meio de Soares, além de outros interlocutores.

Ainda de acordo com a reportagem, a apuração da PF aponta que o escritório alterava a estratégia conforme os documentos que recebia.

Em nota, Tomaz negou “categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em manifestações”. “Sua atuação sempre observou a legislação e as prerrogativas da advocacia, valendo-se exclusivamente das vias institucionais e processuais legítimas. As insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da profissão e configuram desinformação”, afirmou o advogado.

Tomaz também disse que “causa estranheza” que um material sigiloso, “ignorado até mesmo pela defesa, venha a público de forma seletiva em pleno período eleitoral e mencione terceiros sem nenhuma relação com os fatos investigados”. “Serão adotadas as providências cabíveis para obter acesso ao relatório, demonstrar a improcedência das alegações e identificar a origem do vazamento”, afirmou.

A campanha de Flávio também foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre as suspeitas contra Tomaz. A reportagem não conseguiu ainda localizar Soares.

Viagens de Flávio Bolsonaro

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada na quinta (15) mostrou que uma holding de apostas online de Willer Tomaz pagou voos entre Portugal e França em 2025 para o candidato à Presidência pelo PL, de acordo com uma investigação da Polícia Federal.

Willer é investigado sob a acusação de fazer repasses financeiros de dinheiro obtido em fraudes contra a Previdência no escândalo do INSS. Junto com Jorge Barbosa Dias, ele é dono da Rede Loto, a primeira bet a conseguir uma licença de operação no país ainda em 2023, emitida pelo governo fluminense.

Questionado pela Folha de S.Paulo sobre as viagens, Flávio Bolsonaro disse que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.

Segundo a investigação, ao menos três trechos de viagem em jato executivo foram contratados para Flávio e Willer por meio da Cathedral, empresa registrada na Ilha da Madeira. Única acionista da Rede Loto, a Cathedral tem como sócios Willer e Dias.

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PF pede prorrogação de inquérito sobre financiamento do Dark Horse

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A Polícia Federal (PF) pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação, por 90 dias, do inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o delegado responsável pela apuração, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, a prorrogação é necessária para conclusão de perícias contábeis e para aguardar a tramitação do pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido repasses.

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Os investigadores da PF também avaliam documentos repassados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Master.

Os documentos comprovariam repasses para o fundo de investimentos Havengate Development, criado nos Estados Unidos para receber os pagamentos para o filme.

O caso chegou ao Supremo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a investigação sobre o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a Vorcaro para o custeio das gravações.

O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.

Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.

Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e também passou a ser investigado.

PF faz nova ação contra suspeitos de lavagem de dinheiro em postos

Logo Agência Brasil

A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (15), seis mandados de prisão preventiva contra acusados de integrar organização criminosa armada envolvida com lavagem de dinheiro em postos de combustível. Entre os alvos presos na operação estão o ex-secretário de Polícia Civil, Marcus Amim, e o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella.

A Justiça também determinou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e valores e suspensão das atividades econômicas de 112 empresas suspeitas de integrarem o esquema de lavagem de dinheiro. Os mandados estão sendo cumpridos na capital fluminense e em mais seis municípios do estado.

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Entre as empresas suspeitas de lavagem de dinheiro estão 96 postos de combustível. De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo, que contaria com a participação de policiais civis, é suspeito de movimentar mais de R$ 7,6 bilhões.

Além dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa armada, os acusados respondem por corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.

A ação desta quinta-feira é parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, que já tinha prendido Canella em julho deste ano, na sexta etapa. Amim também foi alvo daquela fase da Unha e Carne. A operação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil.

CCJ conclui votação da PEC da Segurança Pública, bandeira eleitoral de Lula

14 October 2026 at 17:43

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu nesta quarta-feira (14) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto segue para análise do plenário, onde precisará ser aprovado em dois turnos antes de avançar na tramitação constitucional.

A conclusão ocorreu após o presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA), considerar prejudicados três destaques que propunham mudanças na proposta. Os autores das emendas não estavam presentes para encaminhar a votação, e os trechos não chegaram a ser analisados separadamente.

O texto-base havia sido aprovado pela CCJ em setembro. Com o encerramento dessa etapa, a decisão sobre o conteúdo da PEC passa ao plenário do Senado, que poderá iniciar a discussão após a votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

Destaques tratavam de agentes de trânsito e polícias municipais

Entre as alterações que deixaram de ser analisadas estava a proposta do senador Eduardo Gomes (PL-TO) para incluir os agentes de trânsito entre os integrantes da segurança pública previstos na Constituição.

Outro destaque, apresentado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), tratava da possibilidade de utilização de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública em determinadas operações das Forças Armadas relacionadas à defesa civil, ao combate a delitos transfronteiriços e ambientais e à garantia da lei e da ordem.

A terceira emenda, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), buscava retirar a exigência de autorização periódica dos conselhos estaduais de segurança pública para o funcionamento das polícias municipais. O objetivo era evitar que órgãos estaduais tivessem poder de interferência sobre estruturas de segurança organizadas pelos municípios.

PEC amplia integração entre forças de segurança

A PEC 18/2025 tem como um de seus principais objetivos incluir o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal. A proposta busca fortalecer a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, com compartilhamento de informações e atuação conjunta no enfrentamento à criminalidade.

O texto também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que poderá atuar nos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário federais. A proposta prevê ainda o fortalecimento da atuação da Polícia Federal contra organizações criminosas e milícias com alcance interestadual ou internacional.

Outro ponto é a criação de regras constitucionais para o Sistema de Políticas Penais, com medidas relacionadas à atuação das polícias penais e à administração dos estabelecimentos prisionais.

A proposta estabelece, ainda, mecanismos de proteção dos recursos destinados à segurança pública e ao sistema penitenciário, restringindo o bloqueio e o uso dessas verbas para finalidades diferentes das previstas.

Recursos das apostas esportivas ficaram fora do texto

Durante a análise na CCJ, o relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), retirou da proposta o dispositivo que destinava 30% da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de Segurança Pública e Penitenciário.

A mudança foi justificada pela ausência de discussão aprofundada sobre a regra durante a tramitação na Câmara dos Deputados. O relator também argumentou que não seria adequado incluir na Constituição uma vinculação de receitas das apostas sem uma avaliação mais ampla de seus efeitos.

Por outro lado, foi mantida a previsão de destinação de parte do superávit financeiro do Fundo Social do pré-sal para o financiamento da segurança pública.

Texto precisa passar por dois turnos

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado. O regimento prevê sessões de discussão e intervalo mínimo entre as etapas.

O presidente da CCJ, Otto Alencar, afirmou que conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a possibilidade de acelerar a análise da matéria. A intenção manifestada por lideranças é votar a proposta antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

A aprovação na CCJ, entretanto, não altera imediatamente a Constituição. A proposta ainda depende da votação em plenário e da conclusão das etapas constitucionais necessárias para entrar em vigor.

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Mensagens de Vorcaro citam Kassio e relatam quarto com cinco mulheres em festa

13 October 2026 at 17:33

Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relatam a presença de um ministro em uma festa realizada em fevereiro de 2025, em um imóvel de luxo em São Paulo. Em uma das conversas, um funcionário afirma ter cedido um quarto ao convidado acompanhado de cinco mulheres. Dias depois, uma intermediária cobrou R$ 10 mil de Vorcaro e disse que uma das convidadas havia ficado com alguém identificado como “Kassio”.

Os diálogos foram divulgados nesta terça-feira (13) pelo portal UOL, em reportagem da colunista Daniela Lima. Investigadores da Polícia Federal e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que as referências podem estar relacionadas ao ministro Kassio Nunes Marques, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As mensagens, porém, não identificam expressamente o magistrado como o homem mencionado no episódio.

A festa ocorreu em 28 de fevereiro de 2025, em um triplex de propriedade de Vorcaro, na capital paulista. As conversas revelam que o evento envolveu a organização de convidados, a contratação de um chef e orientações para recolher os celulares das mulheres que chegavam ao local.

Funcionário relatou presença de ministro

Durante a noite, Vorcaro acompanhou os acontecimentos à distância e recebeu atualizações de um funcionário identificado como Michael. Em uma das mensagens, enviada às 20h56, o empregado relatou que havia emprestado um quarto próximo para um ministro acompanhado de cinco mulheres. Ele também afirmou que tentou obter autorização do empresário, mas não conseguiu contato.

Mais tarde, às 22h58, Michael voltou a informar sobre a permanência do convidado. Segundo a mensagem, o ministro não demonstrava pressa para deixar o local e teria dito que estava renovando para começar tudo novamente. Por volta das 23h17, o funcionário comunicou que ele estava indo embora.

Em outra conversa relacionada à organização do evento, Vorcaro afirmou estar “fazendo graça pra ministro em SP”. A reportagem do UOL informa que a festa foi planejada inicialmente para cerca de 15 pessoas e que um registro de despesas apontou gastos de R$ 62,3 mil com alimentos, bebidas, materiais e equipe.

Mulher cobrou R$ 10 mil dias depois

Uma semana após a festa, em 7 de março, uma mulher identificada como Rayanna procurou Vorcaro para tratar de um pagamento. Ela havia intermediado a presença de convidadas no encontro.

Na conversa, Rayanna perguntou se havia dado certo o encontro de uma amiga e afirmou que ela havia ficado com “Kassio”. A mulher acrescentou que a convidada estava cobrando o valor combinado.

Vorcaro pediu que ela encaminhasse os dados e o valor. Rayanna respondeu que seriam R$ 10 mil e voltou a afirmar que a amiga havia ficado com ele.

Os diálogos divulgados não esclarecem se o pagamento chegou a ser realizado. Também não comprovam, isoladamente, que o “Kassio” citado pela mulher seja o ministro do STF.

Celulares das convidadas foram recolhidos

As mensagens mostram ainda que Vorcaro orientou um funcionário a recolher os aparelhos celulares das mulheres que chegavam à festa. Às 14h25 daquele dia, o empresário perguntou a Michael se ele deveria pegar os telefones das convidadas, e o funcionário confirmou que sim.

A orientação aparece entre as conversas sobre a preparação do evento, que incluía a contratação de um chef para servir um churrasco e a coordenação da chegada dos participantes.

O conteúdo das mensagens passou a chamar atenção pela referência a um ministro e pela cobrança posterior relacionada a uma das convidadas. A identificação do homem citado, contudo, depende de esclarecimentos adicionais e não pode ser estabelecida apenas com base nos trechos divulgados.

Procurada pelo UOL, a assessoria de Kassio Nunes Marques ainda não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.

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PF indicia Gorete Pereira e mais 28 por suspeita de fraude no INSS

A Polícia Federal indiciou a deputada Gorete Pereira (MDB-CE) e mais 28 pessoas na Operação Sem Desconto, que mira retiradas não autorizadas em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) por associações para aposentados e pensionistas.

Gorete foi indiciada sob suspeita dos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário qualificado e lavagem de dinheiro. De acordo com o relatório final da PF obtido pela reportagem, empresas de fachada em nome de familiares e prepostos da deputada teriam recebido ao menos R$ 11 milhões.

Suspeita de articulação política

Ainda segundo o documento, a parlamentar teria exercido o papel de articuladora política da fraude, utilizando sua influência pessoal junto ao alto escalão do INSS para viabilizar e proteger os ACTs (Acordos de Cooperação Técnica) com as associações fraudulentas.

Procurado, o advogado de Gorete, Waldir Xavier, disse que ela ainda não foi oficialmente cientificada de qualquer indiciamento e, por essa razão, não tem como se manifestar sobre a sua natureza delitiva.

Também disse que tem confiança na apuração dos fatos, sob a supervisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e “certeza de que a conduta por ela adotada foi pautada na licitude de seus atos”.

A PF afirma que a deputada tratava o então presidente do INSS Alessandro Stefanutto como amigo e, segundo análise de material apreendido pela polícia, foi chamada por ele de irmã. Ela também manteria contatos sistemáticos com outros funcionários do INSS.

Campanha eleitoral e tornozeleira eletrônica

A parlamentar é suplente de Yuri do Paredão (MDB-CE), que está licenciado. Até janeiro deste ano, ela era filiada ao PL. Gorete tentou se eleger deputada federal nestas eleições, mesmo com medidas restritivas impostas por Mendonça, que incluíam o uso de tornozeleira eletrônica.

Em seu perfil no Instagram, é possível vê-la participando de atos de campanha em Fortaleza usando calças compridas. A defesa da deputada chegou a pedir a Mendonça que fosse dispensado o uso de tornozeleira na campanha, mas o ministro negou.

No entanto, ele permitiu que ela atuasse fora da área da comarca fixada na decisão e a liberou para circular pelo estado. Ela recebeu 3.615 votos e não se elegeu, ficando como suplente.

De acordo com dados do DivulgaCand, plataforma da Justiça Eleitoral, Gorete recebeu R$ 670 mil para utilizar em sua campanha e gastou R$ 669,2 mil. Seu perfil na rede social ainda mostra que ela recebeu o apoio do presidente estadual do partido, o deputado federal Eunício Oliveira (MDB), em sua candidatura.

Tanto a PF quanto o Ministério Público Federal chegaram a pedir que Gorete fosse presa, mas Mendonça negou a medida em março, determinando que ela fosse monitorada por tornozeleira eletrônica, com limitação de deslocamento.

Advogada é suspeita de operacionalizar propina

A polícia também indiciou sob suspeita dos mesmos crimes, além de falsidade ideológica, a advogada Cecília Rodrigues Mota, que presidiu a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). A reportagem não localizou a defesa de Cecília.

Segundo o relatório, Cecília atuou nas entidades no período em que se iniciaram as filiações fraudulentas e os descontos associativos não autorizados sobre benefícios previdenciários. As associações teriam conseguido um novo ACT por meio do pagamento de vantagens indevidas a servidores do INSS.

Ainda de acordo com o documento, Cecília operacionalizava a propina por meio da conta de sua sociedade de advocacia e de sua própria conta bancária.

Filho de ex-diretor do INSS teria recebido R$ 2,4 milhões

Um dos pagamentos teria sido feito ao escritório de Eric Fidelis, filho de André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS. Ele teria recebido R$ 2,4 milhões em 2024. Eric foi indiciado sob suspeita dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Seu pai foi responsabilizado pelos menos crimes, além de corrupção passiva.

A polícia também apontou que André Fidelis assinou, somente em 2024, pelo menos sete ACTs que juntos promoveram descontos de R$ 142 milhões por associações investigadas.

Também procurada, a defesa de Eric e André informou que não teve acesso ao relatório e, por isso, não tinha condições de se posicionar. (Constança Rezende/FOLHAPRESS)

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Diretor da Fórum denuncia que Flávio negociava delação de Vorcaro contra Lula

9 October 2026 at 17:45

A divulgação de um áudio em que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirma ter financiado o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, ampliou a disputa política entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O episódio ganhou novos contornos após o diretor de redação da Fórum, Renato Rovai, denunciar um suposto acordo no qual Flávio negociaria uma delação de Vorcaro contra Lula e, em contrapartida, se comprometeria a proteger o banqueiro caso fosse eleito. A denúncia ainda precisa ser comprovada.

A revista Veja publicou nesta sexta-feira (9) trechos de uma gravação atribuída a Vorcaro, na qual ele afirma ter colocado dinheiro na produção do documentário sobre Lula e diz que o financiamento teria ocorrido de maneira irregular. Segundo a publicação, os pagamentos envolveriam cerca de R$ 30 milhões em espécie, além de repasses ao Instituto Lula. Até o momento, os valores mencionados não foram comprovados publicamente.

Antes da publicação da Veja, Rovai afirmou, em publicação na rede X nesta quinta-feira (8), que o vazamento estaria relacionado a um suposto entendimento entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Segundo o diretor da Fórum, o banqueiro teria interesse em divulgar informações contra Lula, enquanto o senador se comprometeria a protegê-lo caso fosse eleito presidente.

Celular de Vorcaro não registra o suposto pagamento

Uma apuração publicada pelo UOL nesta sexta-feira acrescentou informações ao caso. Segundo o veículo, as conversas extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025, não apresentam registros de pagamentos ou patrocínios ao documentário de Oliver Stone. O aparelho contém, porém, referências a investimentos em produções sobre Jair Bolsonaro e Michel Temer.

O UOL também informou que o documento com o relato detalhado dos pagamentos de R$ 30 milhões em espécie, citado pela Veja, não aparece nas três propostas de delação apresentadas pela defesa do banqueiro. Uma dessas propostas, entretanto, mencionava o patrocínio a filmes sobre Lula e Michel Temer. Fontes ouvidas pelo UOL na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na PF disseram desconhecer a gravação e o documento específico descrito pela revista.

A PGR rejeitou a proposta de colaboração de Vorcaro por considerar que ela não apresentava novidades relevantes em relação às provas já obtidas. Segundo o UOL, o banqueiro não chegou a prestar depoimento oral no âmbito das tratativas. A defesa de Vorcaro afirmou que ele teria elementos para sustentar suas declarações.

Relação de Flávio com Vorcaro entra no radar da PF

A relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro também aparece nas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Reportagens do Intercept Brasil revelaram mensagens relacionadas à negociação de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões, para financiar a produção. Segundo informações publicadas pelo UOL, ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos para custear o projeto. Os valores negociados não devem ser confundidos com os recursos efetivamente transferidos.

Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025, e afirmou que a reunião tratou do encerramento de sua participação no projeto. As movimentações financeiras relacionadas ao filme são objeto de investigação da Polícia Federal.

Campanha de Lula anuncia medidas judiciais

A controvérsia ganhou força às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. A campanha de Lula negou as acusações relacionadas ao documentário e anunciou medidas judiciais contra Vorcaro e a revista Veja. Também acusou os envolvidos de tentar interferir no processo eleitoral. Entre as providências anunciadas estão pedidos de investigação e medidas judiciais contra os responsáveis pela divulgação das acusações.

O Grupo Prerrogativas também acionou a Polícia Federal para pedir a investigação de uma suposta articulação envolvendo Vorcaro e a campanha de Flávio Bolsonaro. A representação solicita que sejam verificadas informações sobre negociações para uma entrevista do ex-banqueiro a uma emissora de televisão e sobre a existência de uma gravação atribuída a ele. O grupo afirma que não teve acesso ao áudio e pede que as informações sejam apuradas pela polícia.

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Grupo Prerrogativas aciona PF para investigar suposta articulação entre Vorcaro e campanha de Flávio Bolsonaro

O Grupo Prerrogativas acionou a Polícia Federal (PF) na quinta-feira (8) para solicitar a investigação de uma possível articulação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

A notícia de fato foi apresentada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. O documento pede que sejam apuradas informações sobre negociações para uma entrevista de Vorcaro a uma emissora de televisão e a existência de uma gravação de depoimento atribuída ao ex-banqueiro.

Segundo os relatos mencionados na representação, o suposto material conteria referências a adversários de Flávio na disputa presidencial e a integrantes do governo federal.

Os representantes do grupo afirmam que as alegações ainda não foram comprovadas. No documento, sustentam que as informações poderiam ter sido elaboradas para produzir efeitos políticos na reta final da eleição. Eles ressaltam que não tiveram acesso à gravação e que apresentam o caso à PF para que os fatos sejam verificados.

Advogados pedem apuração de gravação e negociações

Entre as solicitações encaminhadas à Polícia Federal estão a análise prioritária do caso e a confirmação da existência do áudio mencionado. Os advogados também pedem a identificação das pessoas que estariam negociando a participação de Vorcaro em uma entrevista televisiva.

A representação ainda solicita que, caso sejam divulgadas novas declarações atribuídas direta ou indiretamente ao ex-banqueiro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou integrantes do governo, seja verificada a origem do conteúdo e sua correspondência com o material citado no pedido, respeitando os limites relacionados à atividade jornalística.

O grupo também quer que os fatos sejam comunicados ao relator da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, e ao procurador-geral eleitoral.

Na madrugada desta sexta-feira (9), a revista Veja publicou uma reportagem sobre um áudio e documentos atribuídos a Vorcaro. Segundo a publicação, o ex-banqueiro teria afirmado que liberou recursos para a produção do documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, em uma operação que envolveria um ex-tesoureiro do PT e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A CNN tenta contato com os citados.

Repasse para filme sobre Jair Bolsonaro também é mencionado

Na representação, os advogados também fazem referência a mensagens e áudios divulgados anteriormente sobre uma negociação financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

O caso envolve um suposto repasse de US$ 24 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões. Flávio afirmou que buscava recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Documentos apontam que ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido transferidos por meio de diferentes operações bancárias para custear o projeto.

Os advogados do Prerrogativas argumentam que a divulgação de acusações envolvendo terceiros, às vésperas do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, poderia desviar a atenção dos repasses relacionados ao filme e de outras linhas de investigação do caso Master.

Na avaliação apresentada ao órgão policial, essa movimentação também poderia criar um ambiente político favorável à soltura de Vorcaro e à impunidade dos envolvidos. Essas afirmações integram os argumentos da representação e ainda dependem de apuração pelas autoridades.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução

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Daniel Vorcaro negocia entrevista exclusiva com Globo e Record, diz Folha

8 October 2026 at 17:23

Preso no Distrito Federal, Daniel Vorcaro estaria articulando uma entrevista para falar publicamente sobre as investigações envolvendo o Banco Master. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, pessoas próximas ao ex-banqueiro procuraram a Globo para discutir a possibilidade de uma conversa exclusiva. A Record também teria sido consultada e demonstrado interesse.

Entre as possibilidades avaliadas, Vorcaro teria preferência por uma entrevista com o jornalista Roberto Cabrini, da Record. A escolha estaria relacionada à possibilidade de uma conversa mais longa, diante da maior flexibilidade da emissora para acomodar esse tipo de conteúdo em sua programação.

A eventual entrevista, porém, não depende apenas das negociações com as emissoras. Como Vorcaro está custodiado em uma unidade prisional, qualquer gravação precisaria ser submetida à análise e autorização da Justiça, que deverá considerar as condições de segurança e os procedimentos necessários para a realização do encontro.

A movimentação ocorre enquanto avançam as discussões sobre uma possível colaboração de Vorcaro com as autoridades que investigam o Banco Master. O ex-banqueiro prestou um novo depoimento no mês passado e voltou a manifestar interesse em colaborar com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

Até o momento, entretanto, não há acordo de colaboração premiada oficialmente anunciado.

Uma eventual entrevista poderia colocar Vorcaro diante das câmeras para apresentar sua versão sobre as investigações e os fatos relacionados ao Banco Master. A possibilidade de exibição em horário nobre também ampliaria o alcance de suas declarações, caso a Justiça autorize a gravação e uma das emissoras avance nas negociações.

Até o momento, Globo e Record não confirmaram oficialmente as tratativas. A defesa de Vorcaro também não se manifestou sobre a possibilidade de entrevista.

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Empresa de ex-secretário de Esportes de Mogi recebeu dinheiro de emenda Pix de Mario Frias

1 October 2026 at 18:00

A Pulsa Uniformes que recebeu R$ 457 mil vindos de uma Emenda Parlamentar Individual, conhecida como Emenda Pix, do deputado federal candidato à reeleição Mario Frias (PL/SP), tem entre seus sócios o ex-jogador da seleção brasileira de basquete dos anos 1980 Nilo Guimarães. Ele foi secretário de esportes de Mogi da Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, por 12 anos (2009-2020). 

O cargo foi ocupado por dois mandatos do prefeito Marco Bertaiolli que se elegeu pela primeira vez pelo DEM e depois migrou para o PSD (2009-2016) e seguiu durante a gestão de Marcus Melo do PSDB, de 2017 até 2020. Guimarães também presidiu a Liga Nacional de Basquete em 2020, cujo torneio conta com a presença do Mogi Basquete, time em que Guimarães foi dirigente.  

A Pulsa Uniformes é uma confecção sediada no bairro Jardim Camila, em Mogi das Cruzes (SP). A quantia recebida em 26 de maio seria para quimonos, tatames e outros 14 itens para um projeto social de lutas marciais para crianças, mas não há comprovação de que o material foi entregue. Segundo a Controladoria Geral da União, “a execução física do projeto não foi integralmente comprovada”.  

A casa cinza, mais à esquerda da imagem, é a sede da Pulsa Uniforme em Mogi das Cruzes e não apresenta placa de identificação
A casa cinza, mais à esquerda da imagem, é a sede da Pulsa Uniforme em Mogi das Cruzes e não apresenta placa de identificação

O dinheiro foi pago à Pulsa, à vista, pelo Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama, que recebeu o dinheiro da emenda. Karina Gama é a produtora executiva da cinebiografia de Jair Bolsonaro Dark Horse. Já o deputado Mario Frias foi Ministro da Cultura do governo Jair Bolsonaro e é roteirista do filme. O material esportivo teria como destino o projeto social Lutando pela Vida, em Pirassununga (SP). 

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU) investigam a real destinação de emendas dos deputados Mario Frias, Marcos Pollon (PL/MS) e Bia Kicis (PL/DF) para as organizações de Karina Gama. O caso está sob a relatoria do ministro Flavio Dino, no STF, uma vez que há deputados federais envolvidos. Pollon e Kicis, por exemplo, sequer poderiam destinar recursos para emendas fora de suas bases eleitorais. 

A investigação da PF que tramita no STF apura 10 crimes, entre eles peculato (desvio ou má aplicação de dinheiro público), fraude em licitação, falsificação, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

A Pulsa tem foco na venda de uniformes de times de basquete, vôlei, handebol e futsal. Apesar de ter recebido à vista o pagamento pelos uniformes de artes marciais e 120 placas de tatame, a Pulsa informou à CGU em julho deste ano que ainda não havia entregado nenhum material previsto para o projeto Lutando pela Vida e disse que os itens estavam “em fabricação”. Em abril, aponta o relatório, o ICB teria comprado os tatames de outro fornecedor por R$ 58 mil com recursos de outro contrato. O material teria sido entregue ao projeto em Pirassununga, em maio, segundo o instituto de Karina da Gama afirmou à CGU. 

“Essa cliente é do Luiz”

Na quinta-feira, 24 de setembro, a reportagem da Agência Pública foi até a sede da Pulsa, que ocupa uma casa de dois andares, em Mogi das Cruzes. No imóvel, pintado de cinza na frente e preto na lateral, não há placas ou qualquer outro sinal mais ostensivo de que uma empresa funciona ali.  

Na entrada lateral, há um escritório com um show-room dos produtos da marca. Uma gerente atendeu a reportagem na calçada e informou que somente o sócio-gestor, Luiz Fernando da Silva, que estaria no Rio de Janeiro, poderia falar sobre o contrato com o ICB. “Essa cliente é do Luiz”, disse a funcionária. 

Por mensagem no WhatsApp, o sócio-diretor afirmou que os itens foram entregues, mas alegou que não tinha como confirmar se já teria sido uma entrega total ou parcial, pois estava viajando. “Se precisar de algo mais detalhado, eu te peço e te mando. Prezamos pela transparência”, escreveu em uma mensagem de WhatsApp quando também elogiou o trabalho realizado pela CGU. 

As mensagens não foram mais respondidas por Silva depois que a reportagem pediu que ele informasse a data da entrega e fornecesse alguma comprovação, como recibos ou fotos. Ele também não informou, ao ser questionado, qual foi o pedido completo do ICB à Pulsa, com as quantidades que deveriam ser fornecidas de cada item.

Nilo Guimarães também foi procurado, mas não respondeu o contato. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de manifestação.

O projeto Lutando pela Vida é uma ação de ensino de lutas marciais para 500 crianças cuja vigência começou em 31 de dezembro de 2024 e termina em 28 de agosto de 2027. Dos R$ 1,5 milhão da emenda de Frias foram liberados R$ 1 milhão pelo Ministério dos Esportes para o ICB de Karina Gama, para “Implementação e Desenvolvimento do Projeto Lutando Pela Vida no Estado de São Paulo/SP”, conforme o termo de fomento publicado em 14 de janeiro de 2025. 

Até julho crianças estavam sem quimonos

A partir daquele momento, o ICB já poderia iniciar a execução do projeto, mas a CGU constatou que até 12 de junho a emenda não havia sido completamente executada. Até o final de julho, dos R$ 521 mil gastos no projeto administrado pelo ICB a maior despesa foi com a Pulsa: R$ 427 mil. 

Ainda assim, o Instagram do projeto Lutando pela Vida exibe vídeos e fotos, publicados em julho, que mostram crianças sem quimono numa academia de lutas. Para a CGU, nem mesmo essas publicações podem ser consideradas como prova conclusiva, uma vez que não são georreferenciadas e foram feitas em um local fechado, o que impede a Controladoria de aferir se são mesmo da academia que recebe o projeto. 

Dos recursos pagos pelo ICB, os R$ 94,5 mil restantes foram usados para pagar instrutores, monitores e outros profissionais envolvidos com as aulas de lutas para crianças. Segundo a CGU, as planilhas de frequência das crianças foram preenchidas pela equipe do projeto, mas não têm assinatura dos responsáveis pelos menores, o que não atende às determinações do Ministério dos Esportes para comprovar a frequência em projetos dessa natureza. 

Doador de campanha virou professor

Aliado político de Mario Frias, Rudyge Alex Scatolini Boldrini, doou R$ 4 mil para a campanha do ex-ator de Malhação à deputado federal em 2022 e em 2026 foi contratado para o projeto. Boldrini abriu este ano uma MEI para receber o dinheiro e emitiu uma nota fiscal para o ICB em 9 de março, antes mesmo de assinar com o instituto, o que só ocorreu no dia seguinte. Até o momento, ele recebeu R$ 13,7 mil. Uma das monitoras do projeto, aponta a CGU, era recepcionista contratada via CLT pela prefeitura de Pirassununga. A íntegra do relatório de apuração 2007711, que analisa o projeto Lutando pela Vida, citado pelo STF, segue sob segredo de Justiça, segundo informações da CGU enviadas à Pública. 

O pagamento de R$ 427 mil da ICB à Pulsa não é o único da empresa de uniformes sob o escrutínio da CGU, conforme se verifica na plataforma e-CGU.Outros dois projetos financiados com emendas parlamentares, o Circuito Suzano de Esportes e Lazer, realizado pela Associação Cultural Quântica, e o Circuito Cultural e de Lazer, realizado pelo Instituto Mogiano de Pesquisa, Educação e Cultura, ambos realizados em Suzano (SP), foram analisados pela CGU entre 2024 e 2025 no âmbito da investigação sobre a constitucionalidade das Emendas Pix. 

Em ambos os casos, a Pulsa forneceu material esportivo, recebendo R$ 112.800 no primeiro e R$ 2.710 no segundo circuito. Nas fiscalizações de ambos os projetos, a CGU verificou “inconformidades”, “impropriedades” e “irregularidades”. 

A investigação em torno das emendas que favoreceram organizações de Karina Gama e que podem ter sido desviadas para o esquema que supostamente financiaria o filme Dark Horse ganhou dois novos capítulos, nos dias 10 e 12 de setembro. 

No dia 10, a PF realizou a operação Make Up em endereços ligados a Mario Frias e Karina Gama. O celular do deputado foi apreendido. No dia 12, o ministro Dino determinou a quebra do sigilo de todo o material apreendido nas investigações até então conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre o contrato do ICB com a prefeitura de São Paulo para fornecimento de wifi. O material está sob análise da Polícia Federal e novas perícias estão sendo realizadas. 

O que dizem Mario Frias e Karina Gama

O deputado Mario Frias não foi localizado em seu gabinete na Câmara dos Deputados. A reportagem ligou para lá várias vezes nos últimos dois dias e não obteve resposta. A comunicação do Partido Liberal também não conseguiu encaminhar os questionamentos ao deputado e informou que os contatos eram apenas os do gabinete. Quando a PF realizou busca e apreensão em endereços ligados à ele, Frias negou irregularidades e disse que a operação era uma “cortina de fumaça” em meio a eleição.  

O advogado Ricardo Sayeg, que defende Karina Gama, não respondeu aos questionamentos da Pública enviados por e-mail e aplicativos de mensagem. Em nota à imprensa no dia 13 de setembro, o defensor disse que a produtora nega atos ilícitos, que ela está colaborando com as autoridades, tendo apresentado mais de 20 mil páginas de documentos. A defesa ressaltou que “investigação não é acusação, muito menos, condenação” e que a repercussão política do caso não pode substituir o devido processo legal. O espaço segue aberto e a reportagem será atualizada em caso de manifestação.

Como funciona uma emenda parlamentar? 

As emendas parlamentares são recursos do orçamento federal que deputados e senadores indicam para financiar obras, projetos e serviços nos estados que os elegeram. Atualmente, as emendas consomem 22% do orçamento discricionário (verbas para custeio e investimentos) do Governo Federal. 

Depois que o orçamento da União é aprovado pelo Congresso, deputados e senadores apresentam propostas para incluir ou modificar os gastos. 

As emendas dos deputados e senadores são impositivas. Uma vez aprovado o orçamento, o ministério a que cabe o tipo de investimento libera o recurso conforme determinado pelo parlamentar. Em 2026, as emendas do orçamento consumiram R$ 61 bilhões. 

No caso tratado nessa reportagem, o deputado federal Mario Frias (PL/SP) aprovou a emenda 202444230014 , no valor total de R$ 1.499.949, dos quais R$ 1 milhão foram destinados ao projeto Lutando pela Vida, cuja gestão é do Instituto Conhecer Brasil (ICB). Como era um projeto de iniciação esportiva, a emenda foi para o Ministério dos Esportes que firmou com o ICB um termo de fomento e encaminhou o recurso à ONG. A partir de então, os pagamentos e contratações foram feitas pelo ICB. 

Família de condenado por garimpo na terra Yanomami bancou vida de Ramagem nos EUA

29 September 2026 at 08:00

“Oii Pri, boa noite. Você tem como me enviar uma conta do apartamento de vocês no nome do meu pai? Água, luz, telefone, internet… Vamos tentar tirar a driver license do Alexandre amanhã no DMV”, diz a primeira mensagem. E a seguir: “Fiz o contrato aqui também para ele levar como se tivesse alugado o quarto. Vamos ver como vai ser”.

Essas mensagens de WhatsApp fazem parte da investigação da Polícia Federal (PF) sobre a fuga de Alexandre Ramagem para os Estados Unidos em setembro do ano passado. Elas foram enviadas por Celso Rodrigo de Mello, filho de Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, para a esposa de seu pai em 15 de setembro de 2025. Cataratas foi condenado em fevereiro deste ano a mais de 16 anos de prisão por liderar uma organização criminosa responsável pela mineração ilegal de cassiterita e ouro dentro da Terra Indígena Yanomami. Em resposta, Priscila Freitas de Melo diz apenas “Oi 🙋‍♀️ Deixa eu ver aqui”. DMV é o departamento estadual de trânsito da Flórida.

As mensagens fazem parte de uma série de diálogos, fotos e notas recuperados do celular de Priscila aos quais a Agência Pública teve acesso. Elas comprovam que a família de Rodrigo Cataratas ciceroneou, forneceu auxílio material e hospedou Ramagem logo na sua chegada à Flórida, foragido do Brasil. A apuração foi feita com apoio do ICIJ, Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante o governo Bolsonaro, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 11 de setembro de 2025 a 16 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. Os ministros consideraram que ele utilizou a estrutura da Abin para monitorar adversários e apoiar a trama golpista do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, ele também perdeu o seu mandato como deputado federal (PL-RR) e o cargo que tinha na Polícia Federal. Desde 21 de novembro, antes da condenação, o STF já havia decretado sua prisão preventiva por suspeita de fuga. Ele segue foragido da Justiça brasileira.

A família de Cataratas, incluindo Priscila e Celso, é investigada por ter ajudado a fuga de Ramagem do Brasil através do município de Bonfim, em Roraima, que faz fronteira com a cidade de Lethem, na Guiana, em 9 de setembro de 2025. Da Guiana, Ramagem pegou um avião para os Estados Unidos, onde teria chegado no dia 11 de setembro, segundo a PF. Ramagem estava proibido de sair do Brasil desde junho de 2025 por medida cautelar determinada por Moraes, que também o obrigou a entregar todos os seus passaportes.

O ex-diretor da Abin chegou a ser detido pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, motivado por uma infração de trânsito. Entretanto, ele foi liberado dois dias depois com ajuda direta da Casa Branca. Ele teria feito um pedido de asilo aos EUA “por perseguição política” e o ICE disse à época que ele poderia esperar os trâmites em liberdade.

A reportagem não encontrou Alexandre Ramagem, Rodrigo Cataratas e Celso de Mello para comentar. O espaço permanece aberto.

“Nosso amigo Ramagem”

Segundo as mensagens analisadas, Priscila era o principal elo de ligação entre a família e a administração do Condomínio Sole Mia, residencial de luxo no norte de Miami onde Ramagem ficou hospedado durante três meses. Foi ela a encarregada, em 17 de setembro, de enviar uma mensagem pedindo um “cartão de acesso” ao estacionamento. A mensagem, assinada por Priscila e dirigida à administradora do condomínio, se referia a Ramagem como um “amigo nosso” – dela e do então marido, Rodrigo Cataratas.

“Estou escrevendo para te pedir gentilmente um cartão de acesso para o portão, já que infelizmente perdemos o originalmente designado para nosso apartamento. Como estamos viajando, não vamos conseguir retirá-lo. Portanto, autorizamos um amigo nosso, Alexandre Rodrigues Ramagem, a coletar o novo cartão em nosso nome”.

O pedido pretendia resolver um problema que Ramagem enfrentou assim que chegou nos EUA. O filho Celso estava contestando duas multas que o “amigo” teria tomado no Sole Mia por estacionar na vaga errada.

O Sole Mia é um residencial de luxo mesmo para os padrões de Miami. Os moradores e hóspedes podem usufruir de uma piscina e um lago artificial de 28 mil metros quadrados, com areia e coqueiros plantados ao redor, além de campo de futebol, quadras esportivas, playground, pista de cooper, trilhas para caminhadas e spa. O apartamento de Cataratas tem 96 m², dois quartos e dois banheiros, uma enorme varanda com vista para o majestoso lago, além de cozinha montada com pia, fogão e geladeira em aço inoxidável. O valor do aluguel começa em cerca de 20 mil reais por mês (3,7 mil dólares).

  • O condomínio Sole Mia, em Miami, onde a família de Cataratas hospedou Ramagem, tem apartamentos que custam mais de R$ 20 mil por mês
  • O condomínio Sole Mia, em Miami, onde a família de Cataratas hospedou Ramagem, tem apartamentos que custam mais de R$ 20 mil por mês
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  • O condomínio Sole Mia, em Miami, onde a família de Cataratas hospedou Ramagem, tem apartamentos que custam mais de R$ 20 mil por mês
  • O condomínio Sole Mia, em Miami, onde a família de Cataratas hospedou Ramagem, tem apartamentos que custam mais de R$ 20 mil por mês

Em 17 de novembro, a esposa de Ramagem e as filhas chegaram a Miami, onde também ficaram no apartamento dos Martins de Mello. Antes disso, Rebeca Ramagem, que hoje concorre a uma vaga de deputada federal (PL-RJ), chegou a ser parada pela PF no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e teve o celular e computadores apreendidos, mas conseguiu seguir viagem.

Para a PF, Cataratas, Priscila e Celso desempenharam “papel de protagonismo na manutenção clandestina de Alexandre Ramagem em Miami/EUA, porquanto estão viabilizando a sua moradia em condomínio luxo, além de estarem auxiliando o foragido a ludibriar as autoridades americanas com documentos falsos a fim de obter a chamada driver license (carteira de motorista)”.

A revelação complica ainda mais o grupo ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos que atua em lobby na construção de ataques ao STF e contra a investigação sobre o 8 de janeiro de 2023. Desde que chegou aos EUA, Alexandre Ramagem tem apresentado o programa da Revista Timeline no Youtube, ao lado de Allan dos Santos, onde Eduardo é convidado frequente. Ramagem também tem participado de eventos com a extrema direita norte-americana junto com o filho 02 de Jair Bolsonaro.

O financiamento de Eduardo nos EUA tem sido investigado desde a revelação que ele teria orientado a captação e uso de recursos do filme Dark Horse, financiado por doação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro através de uma empresa acusada de lavagem de dinheiro, a Entre Investimentos. 

Agora, a manutenção dos Ramagem na Flórida passa a estar associada a pessoa ligada a outro grupo criminoso, investigado por uma série de crimes ambientais.

Crimes contra os Yanomami e a Amazônia

Rodrigo Martins de Mello foi condenado em fevereiro deste ano a 16 anos e sete meses de prisão por liderar uma organização criminosa responsável pela mineração ilegal de cassiterita e ouro dentro da Terra Indígena Yanomami. Rodrigo Cataratas era responsável pela logística, com uma frota de helicópteros adulterados que faziam o trânsito do pessoal, de combustível e dos minerais. Seu filho Celso também foi condenado a oito anos de prisão por atuar na gestão financeira e logística do grupo. Ambos estão recorrendo em liberdade.

Cataratas foi também denunciado por financiar a destruição de uma caminhonete Hillux pertencente ao Ibama e por patrocinar a invasão da superintendência de Roraima na tentativa de queimar um helicóptero do órgão como retaliação a operações de combate ao garimpo em 2021. Além disso, ele também foi denunciado criminalmente e responde a uma ação civil pública que pede reparação de danos e multa, dentro da Operação Forja de Efestos, por conta da extração e comercialização de cassiterita proveniente de terra indígena.

Cataratas, Celso e Priscila também são investigados pelo STF por terem dado apoio à fuga de Ramagem para a Guiana. Celso chegou a ser preso em Manaus em dezembro do ano passado, mas hoje responde em liberdade, com uma tornozeleira eletrônica. Procurado, o STF afirmou que o caso está sob sigilo e não poderia passar mais detalhes. 

“O garimpo geralmente é uma organização criminosa que, em regra, trabalha com os familiares. O Cataratas trabalha também nesse sentido: os filhos trabalham junto”, explica o procurador Alisson Marugal, do Ministério Público Federal (MPF) de Roraima.

Foto de perfil de Cataratas em rede social mostra o empresário ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro

Ele detalha que a atuação da família Martins de Mello na exploração da terra Yanomami levou não apenas à destruição de grandes partes da floresta, mas também à deterioração da vida e da saúde dos indígenas. Aquelas cenas que o mundo todo acompanhou na TV, de crianças desnutridas sendo hospitalizadas em situação de emergência circularam pelo mundo. Este foi o fruto mais visível do garimpo ilegal, que inclui corrupção, aliciamento de indígenas, violação sexual de adolescentes e mulheres e a transmissão de doenças. Na época, reportagem do site Sumaúma mostrou que 570 crianças indígenas morreram por doenças evitáveis entre 2018 e 2022.

“O garimpo alcança pontos mais distantes do território, nessas comunidades ainda mais sensíveis, mais desprotegidas, de recente contato, mais vulneráveis do ponto de vista epidemiológico, e toma conta do território muito rápido”, explica Marugal. Para a exploração de cassiterita, na qual se especializaram os Martins de Mello, o garimpo desvia água dos rios e destroi suas encostas. “O garimpeiro, quando chega na terra indígena, paga para deixar que eles instalem o garimpo. E aí vem uma dependência também dos indígenas, que passam a trabalhar nos garimpos de cassiterita e deixam de cultivar a sua roça’’, diz.

“Destruíram todos os rios, corromperam os indígenas, fecharam postos de saúde. A situação de segurança pública se deteriora rapidamente, os profissionais de saúde não vão mais às comunidades. As crianças começam a ficar doentes… foi o caos nesse período entre 2021 e 2022”, lembra o procurador.

Atualmente, o MPF em Roraima investiga um potencial genocídio do povo indígena Yanomami a partir da invasão deliberada de suas terras e a ação do garimpo entre 2021 e 2022. Ao menos 23 aeronaves foram empregadas no esquema de extração ilegal de ouro e cassiterita no território.

Meses antes de ser condenado, Rodrigo Cataratas, que chegou a anunciar que concorreria ao Senado (PRD-RR), mudou-se para a Guiana, onde segue operando no garimpo. Na época, ele pagou um publieditorial no jornal Folha de Boa Vista anunciando que, “com coragem e ação”, estava levando sua retroescavadeira para o país vizinho. Segundo a Repórter Brasil, ele chegou a anunciar um projeto em parceria com o país, com investimento de 10 milhões de dólares, levando a um alerta da organização local Rede Anticorrupção na Guiana. Seu Instagram tem como foto de perfil uma imagem abraçado a Jair Bolsonaro com a mensagem “anistia já”. 

Apagando os rastros

Tanto Alexandre Ramagem quanto Rodrigo Martins de Mello admitem que se conhecem. Eles estiveram juntos em 31 de março de 2025, ocasião em que Cataratas postou uma imagem nas redes: “Tive a honra de receber em Boa Vista o deputado federal Alexandre Ramagem, grande aliado do presidente Jair Bolsonaro e defensor incansável da liberdade e da soberania nacional”, escreveu Cataratas.

Post de 31 de março de 2025 em que Cataratas (à direita) celebra encontro com Ramagem em Boa Vista

Ele negou, entretanto, que a família tenha auxiliado na fuga. “Nos últimos dias, meu nome apareceu ligado ao caso do deputado Alexandre Ramagem”, escreveu em novembro do ano passado nas redes sociais, atribuindo a notícia à “perseguição” à direita. “Quando o Ramagem esteve comigo, ele não tinha qualquer condenação ou impedimento legal que o proibisse de sair do Brasil.”

Por sua vez, em vídeo postado no Instagram depois da prisão de Celso por facilitar a fuga, Ramagem afirmou que não conhecia “uma tal de” Priscila e nem Celso. “Prenderam um jovem, um rapaz, que só me conheceu quando eu já estava nos EUA. Eu não conhecia no Brasil. Inclusive esse rapaz é americano”.

Uma foto obtida pela Pública, que segundo investigadores estava no celular da Priscila, desmente a versão de Ramagem sobre não conhecer os familiares de Rodrigo Cataratas. Trata-se de uma imagem sua, sorridente, em um prédio público na Guiana em 10 de setembro de 2025, provavelmente em um posto de imigração. A foto foi tirada um dia depois de Ramagem chegar à Guiana e um dia antes de partir para os EUA, e segundo a PF teria sido tirada por Rodrigo Cataratas.

Celso de Mello tem cidadania dos Estados Unidos e tem, inclusive, registro de eleitor. Por conta disso, a família “notificou” o consulado dos EUA, segundo Rodrigo publicou em suas redes.

Foto de Ramagem que, segundo os investigadores, estava no celular da filha de Cataratas

Ramagem e sua família tiveram que sair às pressas do apartamento de luxo da família de Cataratas em Miami no final de novembro de 2025. No dia 19 daquele mês, Rebeca e Alexandre foram flagrados pela coluna do jornalista Guilherme Amado caminhando tranquilamente no condomínio sob o sol da Flórida, trajando roupas esportivas.

Foto publicada no site PlatôBR mostra Ramagem, foragido, e sua mulher Rebeca no condomínio em Miami

Dois dias depois, em 21 de novembro, Priscila teria enviado uma nova mensagem à gerente do La Sole Mia, desta vez tentando dissociar o nome do seu marido da família Ramagem. A anotação sobre a carta foi encontrada no bloco de notas do celular de Priscila.

“No meu apartamento localizado no Sole Mia, tem atualmente um visitante, Sr Alexandre Ramagem. No entanto, eu descobri através da imprensa que este indivíduo não tem permissão de deixar o Brasil por causa de questões judiciais. Não consegui contato com ele para pedir que ele saia do apartamento. Portanto, para evitar quaisquer problemas para o condomínio ou para mim mesmo, eu peço que o Condomínio notifique-o IMEDIATAMENTE da minha determinação de que ele deixe minha propriedade. Sinceramente, Rodrigo Martins de Mello”.

Desta vez, a carta foi assinada pelo próprio Rodrigo. As duas comunicações ao Sole Mia, contraditórias entre si, revelam um cuidado de Rodrigo Cataratas em relação ao condomínio e às autoridades norte-americanas. Afinal, pelos diálogos fica claro que seu filho Celso tinha acesso direto à Ramagem.

Para a PF, Rodrigo e Priscila redigiram o texto após a imprensa nacional vincular o seu apartamento à fuga de Ramagem como medida de precaução.

A vida da família de Cataratas na Flórida

Conforme apurou a Agência Pública, a família de Rodrigo Martins de Mello está frequentemente na Flórida.

Na época em que Alexandre Ramagem chegou nos Estados Unidos, seu filho Celso e a esposa Mariana Poerschke de Mello estavam morando em Coral Bay, subúrbio a menos de uma hora de Miami. A mulher, que é influenciadora digital, chegou a promover eventos de consultoria em marketing nos EUA e conquistou o status de cidadã legal em fevereiro de 2025. 

A realidade mudou no final de 2025 – depois do apoio aos Ramagem. Em novembro, Rodrigo Cataratas anunciou que seu filho estava de volta ao Brasil. No mês seguinte, em 15 de dezembro, Celso foi preso em Manaus por facilitar a fuga do ex-diretor da Abin. Questionado, o STF não pode compartilhar informações sobre o pedido de prisão e o andamento das investigações, pois o inquérito está em sigilo.

Poucos dias antes, Mariana já havia anunciado a seus seguidores que a família estava se mudando de volta para o Brasil em uma publicação em parceria com uma consultoria de transporte internacional de animais de estimação, responsável pelo transporte do cachorro do casal, um pit bull caramelo, à Boa Vista.

Post da mulher de Celso, em dezembro, anuncia transporte do cachorro dos EUA para o Brasil

Até meados deste ano, no entanto, ficaram entre Miami e Boa Vista, segundo apurou a Pública. A casa em que ambos moravam foi vendida por 519 mil dólares em maio (aproximadamente R$ 2,6 milhões na cotação da época), segundo classificados de imóveis.

Hoje grávida do segundo filho, a influenciadora vive em uma mansão recém-reformada em Boa Vista enquanto o marido cumpre medidas cautelares – nas postagens no Instagram é possível ver fotos de Celso usando uma tornozeleira eletrônica.

Durante chá revelação da gravidez de sua esposa em Boa Vista, Celso de Mello aparece com tornozeleira eletrônica

Nos EUA, Ramagem segue fazendo política com Bolsonaros

Mais do que fugir da lei brasileira, a ida de Alexandre Ramagem aos EUA representa a continuidade de seus atos contra a democracia do Brasil.

Condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-diretor da Abin segue disseminando desinformação sobre as eleições e ataques a instituições brasileiras do território americano.

Desde dezembro do ano passado, ele apresenta o programa Conversa TimeLine ao lado do também foragido Allan dos Santos. Nele, frequentemente Ramagem nega que tenha havido tentativa de golpe de estado no Brasil e afirma que o país vive em uma “ditadura da toga”.

A ofensiva não se limita a publicações nas redes sociais. Desde que chegou aos EUA, em setembro de 2025, Ramagem já se encontrou ao menos quatro vezes com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo e ex-apresentador da Jovem Pan que tem liderado ao lado de Eduardo Bolsonaro o lobby por retaliações da Casa Branca contra o Brasil.

Em março, ele participou de evento fechado organizado pela think tank de extrema direita Heritage Foundation. O Miami Security Forum contou com a presença de políticos republicanos como a deputada Maria Elvira Salazar, aliada de Figueiredo e Eduardo – Figueiredo chegou a fazer doação para sua campanha, segundo revelou a Pública.

Na ocasião, o empresário participou de uma mesa intitulada “Realinhamento político das Américas: implicações para o futuro da segurança hemisférica”, ao lado de congressistas do Chile, Colômbia e Honduras. “Falamos de PCC, CV, narcoterrorismo e até Foro de São Paulo”, revelou em post no X. O evento influenciou a política externa de Donald Trump para países latino-americanos que levou à inclusão das facções brasileiras no rol de organizações terroristas.

No mesmo mês, Ramagem e Allan fizeram uma cobertura ao vivo do CPAC, sigla em inglês para Conferência de Ação Política Conservadora, evento que reuniu líderes da extrema direita mundial em Dallas, no Texas. O cadastro garantiu acesso dos influenciadores a palestrantes e organizadores do evento, entre eles o Eduardo Bolsonaro e o candidato à presidência Flávio Bolsonaro.

Em abril, depois de ser detido pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, Alexandre Ramagem recebeu mais uma visita de Eduardo Bolsonaro em Miami. A detenção de Ramagem, que durou dois dias, foi motivada por uma infração de trânsito e foi revertida com ajuda direta da Casa Branca.

Depois disso, Rebeca Ramagem foi anunciada como candidata a deputada federal pelo PL no Rio de Janeiro. Sua campanha tem como mote a anistia aos condenados pela tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro, em especial, seu marido. No lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, na praia de Copacabana, a candidata enviou totens de papelão dela e do marido em tamanho real – exibidos pela esposa de Flávio Bolsonaro – e fez camisetas estampadas com a frase “Tragam a família Ramagem de volta, façam Justiça”, exibida pelo próprio candidato à Presidência.

Flávio Bolsonaro mostra camiseta com a estampa "Tragam a família Ramagem de volta, façam justiça!"
Flávio Bolsonaro mostra camiseta com a estampa “Tragam a família Ramagem de volta, façam justiça!”
Mulher de Flávio Bolsonaro posa com totens da candidata Rebeca Ramagem e do marido
Mulher de Flávio Bolsonaro posa com totens da candidata Rebeca Ramagem e do marido

A campanha, que recebeu R$ 1,5 milhão do fundo partidário do PL, usou recursos para contratar associados de Alexandre Ramagem, entre eles ex-funcionários de seu gabinete na Câmara dos Deputados que foram desligados após a cassação de seu mandato, e a irmã do influenciador Allan dos Santos, seu parceiro de bancada no canal Revista TimeLine.

Valéria Linhares nega relação com Cezinha de Madureira mas foi sócia de seu filho em rádio

28 September 2026 at 18:00

A Operação Transparência, deflagrada este mês pela Polícia Federal (PF), teve entre os alvos um possível casal: o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e a advogada Valéria Rodrigues Linhares. Ela é apresentada como mulher ou esposa de Cezinha em diversas reportagens, como essa do portal Metrópoles, sobre a operação, que investiga, entre outros crimes, suspeitas de tráfico de influência junto a tribunais superiores e lavagem de dinheiro. A assessoria da advogada, porém, nega que os dois mantenham relação conjugal.

Valéria Linhares, alvo da Operação Transparência da Polícia Federal
Valéria Linhares, alvo da Operação Transparência da Polícia Federal

O deputado federal e pastor da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira  também aparece nas revelações recentes do caso Master como intermediário que apresentou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mensagens obtidas pela PF indicam que Cezinha articulou um encontro entre os dois, realizado em março de 2025, em São Paulo. Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro, mas alegou que a conversa tratou de uma disputa sobre precatórios em análise no Supremo e que sua atuação posterior no processo foi contrária à posição defendida pelo então controlador do Master.

Embora negue a relação afetiva, a advogada tem proximidade documentada com a família dele. Filiada ao PSD e candidata não eleita a deputada distrital (DF) em 2018, Linhares foi sócia de Allan Sousa Vieira Freire, filho do parlamentar, na Exclusive Music Radiodifusão Ltda.

Documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) mostram que Allan entrou na empresa em 3 de julho de 2024, com R$ 25 mil, equivalentes a 50% do capital, e permaneceu formalmente na sociedade até 26 de fevereiro de 2025. Linhares detinha os outros 50% do capital da empresa.

A entrada de Allan ocorreu no mesmo período em que a concessionária avançava no processo de migração para a frequência modulada (FM). Dois dias antes de seu ingresso na sociedade, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) havia editado o Ato nº 10.010, de 1º de julho de 2024, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 15 de julho, que autorizou a Exclusive Music a usar radiofrequência FM em Osasco. A concessão abriga atualmente a Rádio Z FM. 

Também em 2024, o deputado federal  e a advogada estiveram em pelo menos cinco ocasiões no Ministério das Comunicações (MCom) nos mesmos dias para encontros com Wilson Diniz Wellisch, então secretário de Comunicação Social Eletrônica, responsável pela área de rádio e televisão, segundo reportagem publicada pelo UOL que cita Wellisch como uma indicação política de Cezinha. Registros de acesso obtidos pelo portal mostram que o deputado do PL esteve 17 vezes no Ministério desde o início do governo Lula até fevereiro de 2025.

Por que isso importa?

  • A fase 3 da Operação Transparência investiga se os envolvidos negociaram o pagamento de “valores expressivos” com outras pessoas, afirmando que “poderiam influenciar decisões judiciais”.

Procurado, o MCom afirmou que a nomeação do servidor seguiu “critérios técnicos, como experiência profissional robusta e formação acadêmica especializada, além de um processo seletivo com diversas entrevistas”. Em outubro de 2023, entretanto, a então chefe de gabinete de Wellisch deixou o Ministério para trabalhar com Cezinha, enquanto uma assessora parlamentar do deputado passou a trabalhar com o secretário.

A proximidade entre os gabinetes também envolveu auxiliares. Caroline Menicucci Salgado, então chefe de gabinete de Wellisch, deixou o Ministério das Comunicações e foi nomeada em 4 de outubro de 2023 secretária parlamentar no gabinete de Cezinha, segundo registros oficiais da Câmara dos Deputados. No sentido inverso, segundo o UOL, uma assessora parlamentar de Cezinha assumiu a vaga de Caroline no gabinete de Wellisch.

No período em que Valéria Linhares e o filho de Cezinha de Madureira eram sócios na rádio, a Anatel registrou o processo nº 53500.083361/2024-94  que solicitava a alteração das características técnicas do canal 243 de Osasco, correspondente aos 96,5 MHz. O registro apresenta a configuração técnica proposta como classe A4 e contém a observação “estação fora do município de outorga”. 

Para viabilizar essa mudança técnica, necessária para o crescimento da emissora,  o governo federal e a Exclusive Music firmaram um termo de parcelamento referente à outorga pela alteração das características da estação. O Extrato de Termo de Parcelamento Administrativo, referente ao processo nº 53500.083361/2024-94, registra que o documento foi assinado em 6 de dezembro de 2024 por Wellisch, pela União, e por Valéria Linhares, identificada como sócia-administradora da Exclusive Music. 

O valor da transação foi de R$ 6,7 milhões, divididos em 120 parcelas. Por causa de uma regra transitória definida pelo MCom, o total da transação teve uma redução de mais de R$ 2 milhões e poderia ter chegado a R$ 8,8 milhões. A regra provisória prevê o pagamento sem a correção pelo IPCA, mas a empresa deve se comprometer a quitar posteriormente uma eventual diferença. Segundo o Ministério, a regra não foi criada especificamente para a Exclusive Music e estava disponível às demais emissoras nas mesmas condições. 

Antes da entrada do filho de Cezinha na sociedade, a empresa de Valéria Linhares já tinha recebido decisão favorável  do MCom. A Portaria nº 11.609, de 14 de dezembro de 2023, transferiu para a Exclusive Music a concessão originalmente outorgada à Rádio Iguatemi Ltda., posteriormente denominada Rádio Comunicação Brasil Ltda., para executar serviço de radiodifusão sonora em onda tropical em Osasco, na Grande São Paulo. A portaria foi publicada no DOU em 18 de dezembro de 2023.

Naquela época, a Exclusive Music pertencia à Linhares e ao advogado e corretor de imóveis Douglas dos Anjos. A ficha cadastral da Jucesp registra que a empresa foi constituída em dezembro de 2021, com capital de R$ 40 mil. Valéria detinha R$ 20,4 mil e Douglas, R$ 19,6 mil. Ambos figuravam como administradores, e o objeto social incluía atividades de rádio e televisão aberta.

A migração da antiga emissora de ondas tropicais para o FM tornou-se possível após mudanças nas regras federais de radiodifusão. O Decreto nº 11.739, de 18 de outubro de 2023, autorizou a adaptação facultativa das outorgas de serviços de radiodifusão sonora em ondas curtas e ondas tropicais para FM. Inicialmente, os canais deveriam ser incluídos na faixa estendida do FM, entre 76 e 88 MHz.

No dia seguinte à publicação do decreto, a emissora de Valéria Linhares solicitou a migração. O processo, porém, esbarrou na falta de viabilidade técnica na faixa estendida. Em junho do ano seguinte, o Decreto nº 12.050, de 11 de junho de 2024, alterou a norma e permitiu que, em caso de comprovada inviabilidade técnica de inclusão na faixa estendida, o canal da emissora migrante fosse incluído na faixa convencional do FM, entre 88 e 108 MHz.

A emissora de Osasco foi a primeira migrante de ondas tropicais do país a obter licenciamento para operar na faixa convencional do FM. Tais alterações e publicações de decreto também ocorreram no período das visitas de Cezinha de Madureira e Linhares ao aliado  Wilson Diniz Wellisch. 

Como deputado federal, Cezinha sempre atuou em pautas relacionadas ao setor de radiodifusão e na defesa de sua modernização. O deputado é o coordenador da Frente Parlamentar em defesa da radiodifusão, criada em maio de 2023 por um requerimento assinado por ele. A Frente reúne atualmente 212 deputados federais e 17 senadores.    

Allan Freire deixou formalmente a sociedade em 26 de fevereiro de 2025. Na mesma alteração contratual, Alanna Gabrielle Linhares e Silva, filha de Valéria Linhares, entrou na empresa, e a sede da Exclusive Music foi transferida para a avenida Paulista, em São Paulo. A frequência passou a abrigar oficialmente a Rádio Z FM 96,5 em maio de 2026.

Procurada pela Agência Pública, a Rádio Z informou por telefone que Allan Freire não participa da gestão da emissora e que o seu diretor-geral é o radialista Nelo Rodolfo. Jornalista, radialista, publicitário e advogado, Nelo Rodolfo teve uma extensa carreira política. Foi vereador em São Paulo pelo PMDB entre 1993 e 1996, reelegeu-se pelo PPB e foi presidente da Câmara Municipal de São Paulo em 1997 e 1998, durante a gestão do prefeito Celso Pitta. Nelo também foi deputado federal e voltou posteriormente à Câmara paulistana pelo PMDB. 

Outro lado

Valéria Linhares afirmou, por meio de sua assessoria, que o processo de migração da emissora Exclusive Music “ocorreu em estrita observância aos procedimentos e prazos legais aplicáveis” e que atualmente “não é sócia e tampouco possui qualquer relação comercial ou profissional com Allan Freire”. 

O deputado federal Cezinha de Madureira, Allan Freire e Nelo Rodolfo também foram procurados pela Pública, mas não responderam aos contatos até o fechamento desta matéria. Alanna Linhares e Silva não foi localizada. O espaço segue aberto e será atualizado caso haja manifestação dos citados. 

PF apreendeu R$ 510 mil com Valéria Linhares

Antes de ser investigada por suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Operação Transparência da PF, a advogada Valéria Linhares foi detida no aeroporto de Congonhas, na capital paulista, em agosto. Foram apreendidos, na ocasião, R$ 510 mil em dinheiro durante a passagem de sua bagagem pelo Raio X. Como a origem do dinheiro não foi comprovada naquele momento, os valores foram apreendidos, Linhares prestou esclarecimentos à PF e foi liberada.

A defesa de Linhares afirmou que não havia ilegalidade, que o dinheiro tinha origem lícita e era proveniente da atuação profissional da advogada. Também informou que pediria a devolução dos valores.

Em setembro, quando a Operação Transparência foi deflagrada, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Cezinha de Madureira, Valéria Linhares e outros investigados. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF. A corporação afirmou também que não havia, naquele momento, elementos indicando participação de integrantes do Judiciário nos crimes investigados.

Quatro dias mais tarde, a PF cumpriu novo mandado no endereço de Valéria Linhares e apreendeu seu telefone celular, também por determinação de Dino. A jornalistas, Cezinha de Madureira afirmou, sobre a operação da PF, que não cometeu irregularidades. Sua defesa declarou que os fatos serão esclarecidos com acesso integral aos elementos da investigação e respeito ao contraditório.

Cezinha intermediou encontro de Vorcaro com André Mendonça

A relação entre Cezinha de Madureira e André Mendonça tem origem na igreja evangélica. O deputado é pastor, em São Paulo, e foi presidente da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara Federal em 2021. No Congresso, participou ativamente da campanha que aprovaria no Senado Federal a indicação de André Mendonça ao Supremo no mesmo ano. 

Em março de 2025, Cezinha intermediou um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, então controlador do banco Master, em São Paulo, na sede do Instituto Iter, fundado pelo ministro do STF, e que não constou da agenda oficial de Mendonça.

Mensagens apreendidas pela PF mostram a participação de Cezinha na articulação da reunião. Mendonça confirmou o encontro e afirmou que recebeu Vorcaro a pedido de pessoas próximas à Igreja Batista da Lagoinha. Segundo o ministro, a conversa durou entre 20 e 30 minutos e tratou de uma questão jurídica envolvendo precatórios.

Segundo Mendonça, ele se limitou a ouvir o empresário e receber memoriais e que sua atuação posterior foi contrária ao interesse defendido por Vorcaro. Na época do encontro, o Banco Master ainda não era alvo da investigação que posteriormente levaria à prisão do ex-banqueiro.

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