Samsung se ha propuesto actualizar la gran mayoría de smartphones de su porfolio, incluidos los dispositivos de gama media y de entrada, a One UI 9.0, la última versión de la capa de personalización basada en Android 17, antes de que acabe el año.
One UI 9 llega a los Samsung Galaxy A07 de Irán y a los Galaxy A16 y Galaxy M16 de Corea
Tal como nos confirman los compañeros del medio especializado SamMobile, Samsung ha empezado a liberar la actualización estable a One UI 9.0 en los Samsung Galaxy A07, Galaxy A16 y Galaxy M16 de diferentes lugares del globo.
Así, en primer lugar, la variante 4G del Samsung Galaxy A07 está recibiendo esta actualización a One UI 9 en Irán con la versión de firmware A075FXXU7DZJ5. Esta compilación tiene un tamaño de descarga de 2.833,43 MB y se espera que llegue a los modelos del resto de regiones del mundo durante estos próximos días y/o semanas.
Woww‼️
Galaxy A16, A16 5G & M16 have also received One UI 9 stable in South Korea
Por su parte, tal como desveló el conocido filtrador Mohammed Khatri en X ayer mismo, las versiones 4G y 5G de los Samsung Galaxy A16 de Corea del Sur también se están actualizando con la versión más reciente de One UI con los números de compilación A165NKSU9EZJ3, A165NOKR9EZJ3 y A165NKSU9EZJ3 y A166LKSU8DZJ5, A166LLUC8DZJ5 y A166LKLU8DZJ5, respectivamente.
Finalmente, Khatri también confirmó que los Samsung Galaxy M16 de país surcoreano se están actualizando a la versión estable de One UI 9.0 mediante las versiones de firmware M166SKSU8DZJ5, M166SSKC8DZJ5 y vM166SKSU8DZJ5.
One UI 9 es una variante renovada de la capa de software de la marca para sus dispositivos con Android que destaca por contar con una nueva interfaz de usuario con un diseño más cuidado y con más opciones de personalización en el Panel Rápido. Asimismo, One UI 9 también incorpora mejoras en apps nativas como Samsung DeX y Samsung Notes, nuevas funciones de accesibilidad y un nuevo indicador de privacidad de ubicación.
Cuando esta actualización llegue a los Samsung Galaxy A07, Galaxy A16 y Galaxy M16 del resto de regiones del mundo, incluida Europa, podrás comprobar si ya la tienes disponible accediendo al menú de Ajustes de tu terminal y entrando en la sección Actualización de software.
Una vez que ya te aparezca este nuevo firmware dentro de dicho apartado, simplemente tendrás que tocar, primero, en el botón Descargar e instalar y posteriormente, en la opción Instalar ahora para actualizar tu móvil con la novena versión de One UI.
António Costa governou durante anos um país onde a habitação se tornava cada vez mais inacessível. Hoje, a factura chegou às famílias. A Geringonça não construiu casas. Construiu uma desculpa.
O DN escreve que contrair crédito para comprar uma casa está cada vez mais caro. No Público, o ministro da Defesa defende um serviço militar voluntário para os jovens já no próximo ano.
Mudanças recentes no calendário vacinal dos Estados Unidos, impulsionadas por discursos antivacinação do governo Donald Trump, ajudam a explicar por que o país está passando pelo pior surto de sarampo em mais de três décadas. Mais de 4,4 mil casos já foram confirmados este ano, com três mortes. Entre os infectados, 98% não estavam totalmente vacinados.
"O governo americano, além de chancelar discursos negacionistas, tem um secretário de Saúde, que é o equivalente ao nosso ministro, declaradamente antivacina", destaca.
"Espero que o mundo não olhe isso como exemplo. Eles estão colhendo frutos. A vacina contra o sarampo é uma vacina de bloqueio. Quem se vacina não pega nem transmite. O descontrole de casos lá [nos EUA] está muito relacionado a esse discurso crescente negacionista", complementa o diretor do PNI.
Placa de alerta sobre o sarampo afixada na entrada do Cohen Children's Medical Center, em New Hyde Park, Nova York REUTERS/Shannon Stapleton/Proibida reprodução
Casos importados
O aumento da ocorrência em outros países aumenta a pressão sobre o Brasil, que registrou 61 casos da doença este ano, a maioria com origem importada. Como não há transmissão sustentada da doença em território nacional desde 2024, o país permanece certificado como área livre do sarampo, mas a manutenção desse status tem sido desafiadora.
"O nosso certificado foi conquistado em 2016 e perdido em 2019, porque houve a reintrodução da doença na região Norte. Ela se espalhou pelo país e teve um grande surto em São Paulo, com 19 mil casos", lembra Eder Gatti.
"Há uma diferença de postura e resposta muito evidente, que se observa pelos resultados", ele garante.
Em 2023, ano anterior à reconquista do certificado, os índices de vacinação da tríplice viral, dentro do calendário básico infantil, foram de 88% na primeira dose e de 66% na segunda. Já em 2024, a cobertura subiu para 96% e 78%, respectivamente. Neste ano, as taxas preliminares são de 95% na primeira dose e 80% na segunda.
"Apesar do contexto internacional, o Brasil segura a sua certificação e espero que a gente consiga manter esse cenário, porque a gente está falando de uma doença que mata crianças, causa abortos e complicações obstétricas. É uma doença que tem um índice de letalidade muito maior para as populações mais vulneráveis, indígenas e pessoas em situação de pobreza", alerta Gatti.
De acordo com o diretor do PNI, a reconquista do certificado só foi possível graças a um trabalho coordenado pelo Ministério da Saúde, com governos estaduais e municípios, para melhorar a vigilância e os índices de vacinação.
Criança com sintomas de sarampo. Foto: OMS
Perda de confiança
Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para todas as crianças. Trump também estipulou que a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, aplicada desde a década de 1970, seja separada em três imunizantes distintos, um para cada doença, administrados em ocasiões diferentes.
De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, as novas recomendações foram motivadas por questões políticas e não têm base científica, além de serem inviáveis. As vacinas individualizadas contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, já não são fabricadas há quase 20 anos. Mesmo assim, o dano é imediato.
"Isso leva a uma grande confusão na população, porque a Academia Americana de Pediatria continua recomendando as vacinas exatamente como eram antes, e, por outro lado, tem um órgão governamental fazendo uma série de mudanças. E a confiança é fundamental para a gente ter sucesso na vacinação", avalia o diretor da SBIm.
O diretor da SBIm também enfatiza o risco trazido pelo aumento da ocorrência nos Estados Unidos e em outros países americanos. De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), os casos no continente já passam de 56 mil, com pelo menos 80 mortes.
"O sarampo é uma das doenças com a maior facilidade de transmissão quando encontra alguém suscetível, que não foi adequadamente vacinada, e existem pessoas, recém-nascidos, ou com algum problema de imunidade, que não podem tomar essa vacina. Mas, se 95% das pessoas ao redor estiverem vacinadas, eu tenho um ambiente protegido, uma imunidade coletiva", ele explica.
Cunha considera que a vigilância no Brasil tem respondido muito rapidamente aos casos, para bloquear a transmissão. Mas esse esforço tem um custo enorme.
Sempre que há suspeita de sarampo, as autoridades sanitárias são acionadas para confirmar a infecção, isolar o doente e monitorar todas as pessoas com quem ele teve contato. Também é feito um bloqueio vacinal, com reforço da vacinação em toda a comunidade.
No estado de São Paulo, onde a maior parte dos casos foi confirmada, quase 4 milhões de doses extras de vacina foram aplicadas somente este ano. No Amazonas, que teve casos confirmados em setembro e outubro, chegando a 17 no total, já foram quase 192 mil doses aplicadas.
O diretor da SBIm destaca que a vacinação contra a doença precisa ser mantida com cobertura de 95%, não apenas em situações de risco.
"Muitas vezes, a vacina é vítima do próprio sucesso. Ela diminui tanto a doença, que as pessoas acham que não precisam mais se vacinar. A gente chama isso de complacência, que é a falsa sensação de segurança".
Vacina tríplice viral previne contra o sarampo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
Desinformação
Mesmo que as mudanças promovidas pelo governo Trump não tenham sido reproduzidas pelo Brasil de nenhuma forma, Juarez Cunha pondera que elas reverberam entre a nossa população, especialmente pelas redes sociais, além de estarem relacionadas a discursos de desinformação propagados no mundo todo.
Ao justificar a ordem de fracionamento da tríplice viral, Donald Trump disse que isso acarretaria redução nos casos de autismo. No entanto, a associação entre as vacinas e transtorno do espectro autismo já foi descartada por diversos estudos científicos.
Outra decisão do governo americano também já está causando problemas isolados no Brasil. Pela ordem executiva dada em agosto, a vacina contra a hepatite B, dada logo após o nascimento, deixou de ser recomendada para todos os bebês americanos e passou a ser aplicada apenas em crianças de alto risco, ou por decisão combinada do médico e da família.
"A gente já observa, em especial nas maternidades particulares, pais não autorizando a fazer a vacina da hepatite B ao nascer. Se nós, adultos, nos infectarmos com esse vírus B, temos 90% de chance de não ter uma doença crônica, que pode se tornar cirrose e câncer de fígado. Na criança, é exatamente o contrário: a chance de se tornar crônica é de 90%", alerta Cunha.
Setenta años de tele no caben en un telediario; de hecho no caben en casi nada, hasta el punto de que cuando se viven dejan los cuerpos maltrechos y las mentes agotadas (menos, al parecer, en el caso del centenario Eduardo Sancho y su pacto con el diablo), pero el lunes pasado RTVE intentó comprimirlos en apenas unos minutos. Desfilaron por la pantalla los rostros familiares que nos dieron las noticias determinantes de nuestra vida, y revivimos a Franco vivo y muerto, el 23-F, el Muro de Berlín, ETA, el 11-M y el 11-S, la pandemia. La llegada a la Luna, Iniesta de mi vida, los Nobel de literatura y las libertades conquistadas.
Más allá de la dulzura de la nostalgia y de cómo el pecho se entibia cuando nos reconocemos parte de la historia, esos setenta años comprimidos nos confirman que, al contrario de lo que nos dicta la memoria, nunca estuvimos a salvo. Conviene recordarlo siempre, y más ahora, cuando una parte de la política europea nos vende el pasado como una urbanización cerrada, un paraíso sin serpiente del que nos expulsaron. Ah, cuando las familias eran familias, las calles seguras, los trabajos para toda la vida, las fronteras funcionaban, la autoridad se respetaba y cada cual sabía quién era y qué lugar ocupaba. La ultraderecha ha comprendido mejor que nadie la potencia electoral de esa Arcadia: el pasado es su espacio natural y, a falta de un plan para el futuro, promete la devolución de lo robado.
Pero los archivos, en este caso el de RTVE, aguan la fiesta. En aquellos años tranquilos de orden y paz había terrorismo, miedo nuclear, dictaduras, reconversiones, paro, heroína, violencia doméstica, ley de vagos y maleantes. Unos años antes hubo hambre, emigración, tuberculosis, niños obreros y una esperanza de vida consecuente con los valores tradicionales.
Oh, sí, también se dieron los domingos felices, aquellos veranos interminables de sandía y sangría y abuelos jóvenes y padres aún más jóvenes. No falla. En esa trampa de la memoria, el pasado privado se superpone al histórico y contagiamos al país entero la seguridad que sentíamos cuando otros decidían por nosotros, cuando otros pagaban las facturas y nos daban la paga a escondidas. Toma, cómprate algo, que no se entere tu madre.
La hemeroteca ejerce siempre una forma áspera de justicia y nos recuerda que cada generación creyó vivir al borde del desastre, que convivió con el sufrimiento, la muerte y la pobreza y que, pese a ello, siguió adelante con mayor o menor fortuna. Qué remedio. Que ellos mismos se alejaban todo lo que podían de esa realidad. No caigan en esa falacia; no existe el pasado prometido.
As consultas por lesões pré-cancerígenas no colo do útero em adolescentes caíram quase 78% após o início da vacinação contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com pesquisa publicada na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, esta é mais uma evidência da eficiência e importância do imunizante.
O papilomavírus humano, ou HPV, é o principal causador do câncer de colo do útero, que se desenvolve a partir de lesões não tratadas, as chamadas neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau. Ao prevenir a infecção pelo vírus, a vacinação contra o HPV também impede o surgimento das lesões que podem evoluir para câncer.
Desde 2014, o SUS oferece a vacina contra o HPV para crianças e adolescentes do sexo feminino. A cobertura foi ampliada também para o sexo masculino em 2017. Atualmente, ela é aplicada na faixa etária dos 9 aos 14 anos. A pesquisa mostra que essa inclusão mudou radicalmente a incidências das lesões.
Em 2011, 474 adolescentes de 15 a 19 anos foram atendidas no SUS por causa da doença, número que subiu para 603 em 2015, logo após o início da vacinação. No entanto, a queda foi vertiginosa nos anos seguintes, passando para 299 consultas em 2019 e para 136 em 2023.
A taxa de consultas a cada 100 mil adolescentes, indicador que equilibra as mudanças no tamanho da população, também caiu drasticamente de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023. Os pesquisadores salientam que esta é a única faixa etária que registrou quedas tão expressivas, o que coincide com o público vacinado em massa pelo SUS.
Os pesquisadores também avaliaram as primeiras consultas por causa de outras infecções sexualmente transmissíveis, e identificaram um movimento contrário. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de procura de serviços médicos saltou de 1,7 em 2015 para 10,8 em 2023.
"Esse resultado reforça que a redução dos casos de lesões de alto grau entre as adolescentes provavelmente não é consequência de mudanças seculares na saúde sexual ou na utilização dos serviços de saúde", avaliam.
A pesquisa também traz estimativas de quantas lesões podem ter sido evitadas, considerando a curva de casos antes da vacinação. De 2011 a 2019, foram 2.620 primeiras consultas em adolescentes. Mas esse total poderia ter sido de 7.688, se o SUS não oferecesse a vacina, cerca de 5 mil casos a mais.
Os dados analisados pelos pesquisadores da farmacêutica MSD foram coletados do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde e se referem a primeiras consultas registradas com códigos de diagnóstico específicos para essas lesões, acompanhadas de pelo menos um procedimento pertinente.
O câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 19 mil novos casos diagnosticados por ano. Também é um dos tipos mais mortais, com cerca de 7 mil óbitos registrados anualmente.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença pode ser erradicada em alguns anos, desde que os países consigam oferecer a vacinação com altas coberturas, exames de rastreamento na faixa etária indicada, para identificar a presença do vírus ou de lesões, e o tratamento adequado das neoplasias, antes que elas evoluam para câncer.
O estudo "representa um indicador promissor do impacto precoce da vacinação contra o HPV", reforçam os pesquisadores, mas "a manutenção desses avanços exigirá a preservação de altas coberturas vacinais", além do resgate dos jovens que não se vacinaram na época correta.
Eles também sugerem que o governo considere ampliar gradualmente a faixa etária coberta. Por enquanto, o Ministério da Saúde tem feito campanhas de resgate para jovens de até 19 anos que ainda não se vacinaram, e também disponibiliza o imunizante para públicos mais vulneráveis como pessoas que já tiveram lesões pré-cancerígenas, vítimas de violência sexual e usuários de profilaxia pré-exposição para prevenir o HIV.
O HPV também é uma causa importante de outros tipos de câncer, como de pênis, ânus, vagina e orofaringe. O vírus é bastante prevalente na população, e estima-se que 80% das pessoas terão contato com ele em algum momento da vida, mas apenas alguns subtipos têm potencial cancerígeno.
A vacinação é a melhor estratégia para prevenir o contágio, mas exames preventivos, como o papanicolau, e a avaliação adequada de verrugas e outros sinais pode evitar que lesões pré-cancerígenas evoluam para câncer.
Os jovens do Algarve, entre os 16 e os 30 anos, podem candidatar-se a partir desta segunda-feira, 19 de outubro, à quinta edição da Academia Próxima Geração. O programa de formação em liderança cívica e política dispõe de 25 vagas para candidatos de todas as regiões do país.
As candidaturas decorrem até 9 de novembro, através do site aproximageracao.com. A formação realiza-se entre fevereiro e maio de 2027, combinando sessões semanais online com quatro fins de semana presenciais em diferentes regiões portuguesas.
Na mensagem enviada ao POSTAL, Manuel Caldeira, vice-presidente da Próxima Geração, destaca o potencial do projeto para os jovens algarvios, que considera estarem muitas vezes afastados de outros mecanismos de envolvimento cívico e democrático.
Potencial de intervenção na comunidade orienta seleção
A organização procura participantes com vontade de aprender e capacidade para contribuir para as suas comunidades, valorizando o autoconhecimento e o sentido de propósito, em vez da proximidade ao poder ou de percursos políticos já consolidados.
“Não procuramos quem está mais perto do poder, mas quem tem potencial para ter impacto positivo na sua comunidade. A política faz-se também fora dos cargos eletivos”, afirma Fabiana Fernandes, presidente da Próxima Geração.
A metodologia assenta na diversidade dos participantes, na valorização de diferentes experiências profissionais, académicas e cívicas e na empatia. A academia pretende reunir jovens de vários contextos socioeconómicos e orientações ideológicas.
Missões semanais, debates e projetos práticos
O programa está organizado em três blocos — Refletir, Capacitar e Mobilizar — e trabalha competências de liderança, comunicação e pensamento crítico através de missões semanais, debates com especialistas e projetos práticos.
Nas edições anteriores, participaram oradores como Marcelo Rebelo de Sousa, Carlos Guimarães Pinto, Marta Temido, David Elrich, Inês Franco Alexandre, José Maria Pimentel e Rita Saias.
Apresentada pela organização como a primeira academia multipartidária do país dedicada à participação cívica e política dos jovens, a iniciativa conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República. A quinta edição tem também o apoio da Movy.
Cem participantes formados desde 2022
A academia formou 100 jovens nas quatro edições realizadas desde 2022. Segundo os resultados divulgados pela organização junto dos antigos participantes, um ano depois do programa a percentagem dos que se consideram bem informados sobre política passou de 30% para 79%.
Cerca de 80% afirmam que a formação aumentou a sua motivação para atuar na política e intervir na comunidade, enquanto 95% dizem ter adquirido novas perspetivas políticas. Os indicadores traduzem as avaliações reportadas pelos próprios participantes.
Entre os antigos alunos encontram-se membros de partidos com representação na Assembleia da República, assessores parlamentares, eleitos de assembleias municipais e candidatos a câmaras municipais. Há também fundadores de associações e jovens sem filiação partidária que participam nas suas comunidades e em debates públicos.
A Próxima Geração é uma associação sem fins lucrativos e multipartidária, fundada em 2022, que integra a rede internacional Better Politics Foundation. A sua atividade centra-se na capacitação de jovens para a participação cívica e política.
A Mercadona, cadeia de supermercados que conta já com mais de 75 lojas e uma equipa de 7.500 trabalhadores em Portugal, vai reforçar a presença no Algarve com a abertura de um novo supermercado em Olhão, prevista para 2027. A futura loja será a terceira da empresa na região, depois da abertura de Portimão, a 15 de outubro, e da inauguração de Faro, marcada para 12 de novembro. A empresa encontra-se já a recrutar operadores de loja para Olhão, oferecendo contratos sem termo desde o primeiro dia e salários que podem chegar aos 21.000 euros brutos anuais.
Além do contrato efetivo de trabalho desde o primeiro dia e de uma evolução contínua da remuneração anual bruta, complementada com os subsídios de alimentação, feriados e domingos, a empresa oferece até 29 dias de férias por ano, horários de trabalho conhecidos com um mês de antecedência e o reconhecimento do desempenho através do pagamento do prémio anual, que a partir do primeiro ano civil completo é equivalente a um salário extra e, a partir dos 4 anos de antiguidade, é de dois salários extra. Todas as ofertas de emprego contam com um período de formação, com alojamento, refeições e transporte pagos pela empresa, sendo, também, remuneradas desde o primeiro dia.
Os interessados em trabalhar na nova loja de Olhão, podem candidatar-se aqui.
Para a loja de Olhão, a empresa está a contratar para Operador de Supermercado, com as seguintes jornadas:
40 horas semanais – 5 dias, com turnos rotativos, com um vencimento anual de 15.293€ brutos anuais, com progressão até aos 20.915€ brutos anuais aos quais acrescem os subsídios de alimentação, domingos e feriados.
20h semanais – 5 dias, com turnos rotativos. Para estas, a remuneração começa nos 7.646€ brutos anuais e tem progressão até ao 10.457€ brutos anuais, aos quais acrescem os subsídios de alimentação, domingos e feriados.
15h semanais – sábados e domingos, com uma remuneração que começa nos 5.734€ brutos anuais e poderá ascender até aos 7.843€ brutos anuais, aos quais acrescem os subsídios de alimentação, domingos e feriados.
Não é uma questão de ser socialista ou liberal. É uma questão de decidir para onde queremos canalizar o investimento para a criação de mais habitação:
• Reservar a compra de imóveis com licença de habitação a pessoas singulares. As empresas poderiam investir em terrenos, ruínas e projetos de construção e reabilitação, contribuindo para aumentar a oferta.
Solução de curto prazo, se não for suficiente: Empresas e Fundos de Investimento terem de vender para pessoas singulares os seus imóveis residenciais com licença de habitação em 3 anos.
• Facilitar a construção de hotéis e limitar alojamentos locais. O crescimento do turismo deve ser acompanhado por capacidade de alojamento turístico própria.
Solução de curto prazo se não for suficiente: duplicar o IMI especial a ALs e canalizar esse montante apenas para a construção de habitação pública.
• Aumentar o IMI de proprietários não residentes, com salvaguardas para emigrantes e situações justificadas, e reforçar a tributação de casas de luxo. A receita adicional ficaria expressamente destinada à construção e reabilitação de habitação pública.
Solução de curto prazo se não for suficiente: Duplicar o IMI para as residências de extremo luxo.
• Agravar progressivamente o IMI de casas habitáveis mantidas devolutas, salvaguardando obras, heranças em resolução e impedimentos comprovados.
Solução de curto prazo, se não for suficiente: expropriar para habitação jovem ao preço de mercado, caso não haja resposta em 1 ano útil. Jovens que emigram têm retirados os direitos à habitação jovem.
• Reduzir a carga fiscal sobre quem coloca imóveis no arrendamento de longa duração a preços acessíveis.
Solução de curto prazo se não for suficiente: Reduzir mesmo o IRS.
• Acelerar o licenciamento, para dias e não anos, e mobilizar terrenos e edifícios públicos sem utilização, com metas de execução e prestação pública de contas.
Solução de curto prazo se não for suficiente: Não-Objecção por defeito.
• Investir em transportes e infraestruturas para tornar mais zonas atrativas para viver.
Solução de curto prazo, se não for suficiente: transporte sem custo.
Estas propostas exigem enquadramento jurídico e uma avaliação dos seus efeitos.
Mas o princípio é claro: os incentivos públicos devem premiar quem constrói, recupera e disponibiliza habitação.
O investimento deve ajudar a criar mais casas.
E a receita fiscal gerada pelo património deve contribuir para que mais pessoas tenham acesso a uma.
Simples. Concordas? Agora deseduca toda a gente para esquecer as suas ideologias que só nos torna cegos. E educa como devemos andar para a frente.
A fabricante espanhola Talgo pretende apresentar à CP uma proposta de comboios de alta velocidade capazes de circular em bitola ibérica e internacional. Embora o concurso não exija essa capacidade, a empresa considera que a solução daria a Portugal maior flexibilidade perante uma eventual mudança da largura das vias ou a operação noutros mercados.
A intenção foi avançada pelo presidente executivo da Talgo, Ricardo Chocarro, em declarações em Madrid a meios de comunicação portugueses, incluindo a Lusa. A fabricante espanhola e a francesa Alstom foram as duas empresas escolhidas em setembro para apresentar propostas à CP – Comboios de Portugal.
Tecnologia já permite mudar de bitola em Espanha
O concurso destina-se à ligação de alta velocidade entre Lisboa e Porto em bitola ibérica, uma característica que Chocarro descreveu como uma “especificidade absoluta” do procedimento.
Segundo o responsável, os comboios de alta velocidade da Talgo já circulam em Espanha nas duas bitolas. A tecnologia permite passar entre vias de diferentes larguras sem necessidade de parar as composições ou de fazer descer os passageiros.
“O concurso não o exige, o concurso não o valoriza, mas acreditamos que é uma grande vantagem para Portugal dispor dessa capacidade de bitola variável, caso se decida, no futuro, adotar a bitola europeia ou caso se pretenda, no futuro, operar noutros contextos, noutros mercados. É isso que vamos colocar em cima da mesa no concurso de Portugal”, afirmou.
Circulação poderá combinar linhas de alta velocidade e vias regionais
Chocarro destacou os 25 anos de experiência da Talgo na alta velocidade espanhola, num contexto que considera semelhante ao português. Ressalvou, porém, que a proposta terá de responder às características específicas da rede nacional.
Além da circulação em bitola ibérica, que classificou como pouco habitual na alta velocidade, o responsável apontou a necessidade de utilizar diferentes tipos de linha enquanto decorrem as obras.
“O comboio vai ter de circular por vias de alta velocidade e, provavelmente, também por vias que atualmente se utilizam nos transportes mais regionais”, explicou, acrescentando que a empresa dispõe de uma “tecnologia multivia”.
Compra de 12 automotoras com opção de mais oito
Com um preço base de 504 milhões de euros, o concurso prevê a aquisição de 12 automotoras de alta velocidade, respetivas peças de parque e ferramentas especiais. Inclui ainda a opção de compra de mais oito automotoras.
O contrato abrange também a manutenção integral durante os dois anos seguintes à receção do primeiro comboio.
As próximas etapas serão a apresentação e análise das propostas, seguindo-se a decisão. O calendário prevê a assinatura do contrato no primeiro trimestre de 2027 e a entrega do primeiro comboio nos primeiros três meses de 2031.
Talgo prevê contratar e formar trabalhadores em Portugal
A empresa pretende “desenvolver capacidade local, tanto para o fornecimento como para a manutenção”, nomeadamente através da contratação e formação de trabalhadores em Portugal, adiantou Chocarro.
O presidente executivo não revelou os custos da proposta que será apresentada à CP nem valores de um eventual investimento no país.
Fundada em 1942, a Talgo apresenta-se como uma empresa especializada no desenho, fabrico e manutenção de comboios de alta velocidade e longa distância. Tem uma carteira de encomendas de cerca de 6.500 milhões de euros, em contratos de produção e manutenção em vários continentes.
A companhia é maioritariamente privada, contando com duas participações públicas: 7,9% do Estado espanhol e 7,8% do executivo regional do País Basco.
O português Miguel Trindade, que já treinou no Algarve, conquistou o título mundial de pesos-pena do Glory, em kickboxing, no sábado, 17 de outubro. O atleta de 25 anos venceu o turco Deniz Demirkapu na Lotto Arena, em Antuérpia, na Bélgica, segundo o Diário de Notícias.
Treinos no Algarve
A Kickboxing Fight Tavira pretende, há algum tempo, trazer Miguel Trindade a Tavira para orientar um treino. Para Miguel Pires, da associação tavirense, a conquista do título mundial era um desfecho que já se adivinhava, tendo em conta a qualidade e o talento demonstrados pelo atleta ao longo do seu percurso.
“Este título já se adivinhava, pois o Miguel é um atleta extraordinário e merece, sem qualquer dúvida, este título e todo o reconhecimento do mundo”, afirma Miguel Pires, da Kickboxing Fight Tavira.
A ligação do campeão mundial ao Algarve passa também pelos treinos que tem realizado ocasionalmente na região, incluindo uma sessão de sparring com Fábio Medinas, atleta da associação tavirense.
Micael Rodrigues, da Top Team Briceno (E), o campeão mundial de kickboxing Miguel Trindade (C) e Fábio Medinas, da Kickboxing Fight Tavira (D), numa fotografia de 2025
A fotografia que documenta esta ligação resultou de um convite feito por Micael, da Top Team Briceno, a Fábio Medinas. O encontro aconteceu algumas semanas depois de um treino de sparring com Uisma Lima, pugilista profissional que, nas palavras de Miguel Pires, “já deu e dará ainda muito que falar, e pela positiva”.
Nesse contexto, Micael também foi convidado, tendo o clube de kickboxing do Campinense cedido gentilmente o espaço e o ringue para a realização do treino.
Miguel Pires revela ainda que acompanhou, através das redes sociais, a presença de Miguel Trindade na Top Team Albufeira, onde também realizou treinos, reforçando assim a ligação do campeão mundial à região algarvia.
Apesar de reconhecer que a conquista do título mundial poderá dificultar a disponibilidade do atleta para novos compromissos, a Kickboxing Fight Tavira mantém a intenção de o receber na cidade.
“Sabemos que agora será mais difícil ter o Miguel em Tavira, mas será uma realidade muito em breve”, garante Miguel Pires, manifestando confiança na possibilidade de o campeão mundial vir a partilhar a sua experiência e os seus conhecimentos com os atletas tavirenses.
Três quedas decidiram o combate
O triunfo chegou por knockout técnico no terceiro assalto, depois de três quedas do adversário provocadas por pontapés baixos, descreve o DN.
Para atingir os 65 quilogramas da categoria, Trindade explicou ao jornal que segue uma preparação alimentar de oito a dez semanas.
De Loures aos ringues internacionais
Nascido nas Torres da Bela Vista, em Loures, viveu depois em Sintra. Aos 19 anos, deixou Geografia, na Universidade de Lisboa, para apostar no desporto. Trabalhou no McDonald’s e deu aulas antes de rumar a Espanha.
Conquistou um título europeu em 2021. Após uma lesão em 2022, passou a trabalhar com Diego Vazquez e regressou aos combates em 2023, chegando depois ao Glory.
Ao DN, resumiu a ambição que acompanha o percurso: “Mais do que ganhar ou perder, o que fica é a marca que deixamos nas pessoas”.
A mensagem de confiança antes da conquista
Antes do combate, numa publicação no Facebook de 1 de outubro, acompanhada por um vídeo, Miguel Trindade tinha deixado uma mensagem sobre as suas origens e o significado que atribuía à presença naquele patamar competitivo.
“Quando um português filho de emigrantes moçambicanos está neste patamar, lembrem-se bem de que ele está a representar-vos a todos”, escreveu.
O atleta dirigiu-se a quem enfrenta dificuldades para concretizar os seus objetivos, seja pela origem, pelas circunstâncias de vida ou pela falta de apoio.
“Está a demonstrar que, embora seja duas vezes mais difícil, todos nós podemos”, afirmou, evocando pessoas de bairros sociais, pequenas localidades do interior ou países em guerra, assim como quem não tem o apoio que gostaria de receber.
“Admirem, valorizem e orgulhem-se”, apelou.
A publicação terminava com uma frase de confiança na data em que viria a conquistar o título mundial: “Por isso e por muito mais, dia 17 será um dia para a História”.
Mensagem de Miguel Trindade a 13 de abril deste ano: “Não tinha nada, não sou predestinado nem sou mais que ninguém… Tudo veio à base de obsessão e MUITO sacrifício. Espero que sintam a mensagem”.
A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) está a promover “miniassembleias da saúde” em escolas básicas e secundárias para esclarecer os jovens sobre infeções sexualmente transmissíveis. As iniciativas envolvem mais de 1.000 alunos entre os 14 e os 18 anos, que participam no debate e na transmissão de informação aos colegas.
As sessões integram a campanha #semvergoha, com o apoio científico da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida (APECS). Em declarações à Lusa, a presidente da SPLS, Cristina Vaz de Almeida, defendeu que os jovens devem ser “os protagonistas da mudança”.
A iniciativa surge num contexto em que quase 30% dos novos casos de VIH registados em 2024 ocorreram em pessoas com menos de 30 anos. No conjunto dos novos diagnósticos, 53,9% foram identificados numa fase avançada da infeção, segundo os dados citados pela Lusa.
Informação simples e discussão em pequenos grupos
As miniassembleias são desenvolvidas com os próprios alunos. Médicos ou enfermeiros começam por transmitir informação em linguagem simples, seguindo-se a divisão dos participantes em grupos para debater temas como a sífilis, o VIH e a sida, a transmissão das infeções e a utilização correta do preservativo.
“Para haver desenvolvimento de competências nestes jovens, não pode ser uma ação meramente expositiva. Temos de adaptar ao perfil”, explicou Cristina Vaz de Almeida.
A responsável associa o aumento das infeções sexualmente transmissíveis entre os jovens a “comportamentos de risco e falta de literacia em saúde”, tanto dos adolescentes como das famílias.
A abordagem procura reduzir o estigma e “normalizar os comportamentos protetores”, permitindo que a informação circule de forma simples e que os alunos transmitam mensagens corretas entre si.
No final, as miniassembleias são publicadas e os participantes podem rever-se. “Gostam de ver que são eles os atores da mudança”, afirmou a presidente da SPLS.
Saber aceder à internet não significa saber usar informação de saúde
Cristina Vaz de Almeida alertou que a familiaridade dos jovens com o meio digital não garante capacidade para compreender e utilizar informação sobre saúde.
“Têm literacia digital, sabem aceder ao digital, mas não têm literacia em saúde digital, não sabem usar o conhecimento quando estão dentro do digital”, observou.
Perante a dificuldade de mudar comportamentos, a responsável considera as escolas um espaço privilegiado de intervenção.
“Promover a literacia em saúde nas escolas é investir na capacidade dos jovens para compreenderem a informação, avaliarem as suas opções e tomarem decisões informadas sobre a sua saúde e o seu bem-estar”, defendeu.
Para isso, acrescentou, é necessário “criar espaços de confiança, onde os jovens possam falar sem vergonha, esclarecer dúvidas sem receio de julgamento e aceder a informação clara, rigorosa e adequada à sua idade”.
Sessões previstas em Lisboa, Peniche, Felgueiras e Lousada
Em outubro, as miniassembleias passam pela Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, nos dias 20 e 22, e pela Escola Básica Marquesa de Alorna, também na capital, no dia 29.
Em Peniche, a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Atouguia da Baleia recebe a iniciativa em 28 de outubro.
No dia 18 de novembro, estão previstas sessões nas escolas secundárias de Felgueiras e de Lousada.
Há violências que irrompem nas ruas, de punho erguido e rosto descoberto, e outras que preferem a penumbra dos gabinetes, a respeitabilidade das instituições e a linguagem asséptica dos regulamentos. Umas empunham armas; outras manejam despachos, multiplicam procedimentos e invocam, com a fleuma dos irrepreensíveis, as inevitabilidades do sistema. Umas ameaçam pela força; outras exercem-na sem levantar a voz. Todas, porém, se tornam perigosas quando a razão capitula, o medo se instala e a força, perdida a vergonha, reclama para si o direito de governar.
O século XX, com a sua indústria triunfante, a massificação dos desejos e a burocratização da existência, deixou-nos uma lição que o nosso otimismo tecnológico parece obstinado em esquecer: o progresso das máquinas não obriga ao progresso dos homens. Aperfeiçoámos os instrumentos, multiplicámos as necessidades, catalogámos a vida em repartições cada vez mais minuciosas e construímos, em nome da eficiência, prodigiosas maquinarias estatais para administrar pessoas. Mas, nem por isso, aprendemos a viver melhor uns com os outros. A sociedade cresceu em organização e perdeu em comunidade; o indivíduo ganhou em informação, mas ficou-se pelo anonimato e pelo emudecimento da voz, e descobriu que entre o direito de participar e o poder efetivo de decidir se espraia, tantas vezes, um abismo regulamentado com todo o cuidado.
Não admira, pois, que os apelos à não violência sejam hoje recebidos, em certos círculos, como uma ingenuidade de salão, própria de quem nunca teve de enfrentar a brutalidade do mundo. Discute-se, com a desenvoltura de quem não arrisca a pele no argumento, a legitimidade dos meios violentos de resistência à opressão, como se a nobreza dos fins pudesse lavar a infâmia dos meios. Em tempos de violências acampadas à porta da razão, insistir na distinção entre poder e violência parece, por vezes, uma excentricidade académica. E, no entanto, é precisamente quando essa distinção começa a ser tratada como um luxo que mais importa defendê-la — sem confundir o poder político com o monopólio estatal da violência legítima, na formulação clássica de Max Weber.
Convém, a este propósito, regressar a Hannah Arendt. Para a pensadora, o poder nasce quando os homens agem em conjunto, sustentados pelo consentimento e pela capacidade de construir um espaço público comum. A violência, pelo contrário, é instrumental: precisa de armas, de máquinas, de dispositivos de coerção; carece, em suma, de meios que substituam aquilo que já não consegue obter pela adesão. Onde o poder vacila, a violência oferece-se como sucedâneo. Promete restaurar a autoridade, mas corrói-lhe os fundamentos; impõe obediência, mas não fabrica legitimidade. É capaz de calar uma praça D. João I ou um concentrado de Rossio, não de conquistar a confiança de quem nelas é calado. E pode destruir o poder com uma eficácia que nunca conseguirá reproduzir na sua construção.
Curem-se da ilusão, pois, os devotos do tacão, que tentam mascarar a fragilidade do poder elevando o tom da ameaça e a vulgaridade da coação, seja apelidando os outros de arruaceiros, seja ordenando que os encostem à parede. Repete-se à exaustão, entre o senso comum e certas teorias políticas, que o poder nasce do fuzil. Trata-se de um chavão de fácil encanto para quantos preferem a obediência cega ao acordo mútuo e o medo ao trabalho paciente do convencimento.
Uma arma pode impor silêncio, produzir submissão e espalhar terror. Mas o silêncio não é consentimento, a submissão não é adesão e o terror não é poder político. Quando uma autoridade precisa de recorrer incessantemente à força para provar que ainda manda, talvez já tenha perdido aquilo que a legitimava: a capacidade de ser reconhecida sem ter de se impor a cada instante.
De Paris ao Porto, de Lisboa a Moscovo, esta verdade não deveria carecer de demonstração. E, contudo, continuamos a comportar-nos como se a violência pudesse resolver aquilo que a política deixou por dirimir. Como se o estrondo dispensasse o argumento, a confrontação poupasse o trabalho de diálogo e a destruição fosse uma expedita forma de construção. Como se a cólera, pelo simples facto de ter uma causa por base, adquirisse o privilégio de todas as razões. A indignação pode ser justa; os seus instrumentos, porém, não ficam por isso absolvidos. Há causas legítimas defendidas por meios que acabam por as desfigurar — e há revoltas que, de tanto combaterem a opressão, começam a aprender-lhe os métodos.
A História oferece-nos um inventário eloquente destas frustrações. Da guerra do Vietname aos movimentos estudantis de maio de 1968, dos protestos contra a burocracia estatal às revoltas juvenis em França, reaparece, sob circunstâncias diversas, uma inquietação comum: a de cidadãos que se sentem afastados dos lugares onde o seu destino coletivo é decidido. A juventude protesta, por vezes com desordem e violência, contra sistemas que lhe exigem paciência, mas lhe recusam influência; que lhe prometem participação, mas que apenas lhe entregam formulários; que a convocam para a democracia e depois se espantam quando ela pretende exercer o direito de intervir. As instituições, entretanto, recomendam serenidade, abrem um processo, nomeiam uma comissão e aguardam que a indignação, por cansaço ou falta de expediente, acabe por desaparecer.
Já em 1981, Pierre Rosanvallon chamava a atenção para o facto de a crise do Estado social não se esgotar nas contas públicas nem no equilíbrio financeiro. Era também uma crise cultural e de legitimidade. A questão não consistia apenas em saber quanto custava o Estado, mas em compreender por que razão tantos cidadãos deixavam de reconhecer nele um instrumento da sua vontade coletiva. Quando a palavra parece inútil, a participação se converte em ritual e a ação política se reduz à escolha periódica de representantes, a violência insinua-se como atalho para a mudança. Promete chegar depressa onde o diálogo parece não chegar nunca. Esquece-se, porém, de que os atalhos também conduzem a becos sem saída — e de que o caminho de regresso é, muitas vezes, mais penoso do que aquele que nos levou até lá.
A violência possui, sem dúvida, uma racionalidade instrumental: escolhe meios, calcula efeitos, procura alcançar fins imediatos. O seu perigo começa quando os meios se emancipam dos fins, quando a destruição deixa de ser uma exceção e se transforma em linguagem, quando a brutalidade, de tanto se repetir, adquire a enganadora aparência da normalidade. Nesse momento, já não é apenas a ordem pública que está ameaçada. É a própria capacidade de uma sociedade se reconhecer como comunidade política, isto é, como lugar onde as diferenças podem coexistir sem que cada divergência se converta numa batalha.
É então que a política fica suspensa — e com ela a suspensão da possibilidade de resolver o conflito sem o entregar à brutalidade da força. Na sua expressão mais nobre, a política transforma antagonismos em debate, interesses em negociação e conflitos em decisões partilhadas. Não elimina a divergência, nem promete a harmonia fácil dos discursos oficiais; impede, isso sim, que a divergência tenha de acabar no esmagamento do adversário. A violência dispensa o argumento e exige a submissão. Uma vez aceite como método habitual, alimenta-se de si própria: cada golpe reclama uma resposta, cada resposta legitima um novo golpe, cada vítima descobre no sofrimento a justificação para a represália. No fim, todos se declaram ofendidos, todos reclamam justiça e quase ninguém se reconhece responsável pelo incêndio.
Talvez resida aqui uma das contradições mais inquietantes do nosso tempo: queremos viver em democracia, mas nem sempre aceitamos a disciplina interior que ela exige. Reclamamos autoridade, desde que não nos contrarie; exigimos liberdade, desde que não nos incomode; defendemos o diálogo, até ao instante em que o outro começa a falar. Somos tolerantes enquanto não somos contrariados, democratas enquanto a decisão nos favorece, pacifistas enquanto a indignação alheia não perturba a nossa tranquilidade. Depois, surpreendemo-nos com a violência, como se ela tivesse chegado de um mundo estranho e não fosse também, por vezes, o resultado das nossas renúncias, das nossas cumplicidades e da nossa incapacidade de escutar.
E assim vamos acampando violências, nas ruas e nas consciências, diante das instituições e dentro delas, convencidos de que a força poderá realizar aquilo que a razão, a justiça e a política não conseguiram. Esquecemo-nos de que a violência pode conquistar um espaço, impor uma vontade, derrubar uma porta ou silenciar uma multidão. O que não consegue, por si só, é construir uma casa comum. Para isso são precisos outros instrumentos, menos espetaculares e mais exigentes: confiança, responsabilidade, justiça, liderança e a difícil disposição de reconhecer no adversário alguém com quem teremos, a inevitabilidade de continuar a viver.
O confronto físico até pode ditar quem sai vitorioso, mas nunca definirá quem tem razão ou quem tem legitimidade. Afinal, a violência destrói, mas não tem a competência para reconstruir uma vida digna nos dias que se lhe seguirão.
E talvez seja essa a pergunta que deveríamos fazer antes de cada confronto, antes de cada palavra incendiária e de cada gesto que se julga irreversível: quando a violência toma o lugar da política, quem ganha verdadeiramente o poder — e quem fica, afinal, sem ele?
Fernando Alexandre afirmou, na China, que as novas orientações para utilizar a inteligência artificial (IA) nas escolas não terão caráter vinculativo. O ministro da Educação, Ciência e Inovação defende uma abordagem pedagógica que permita acompanhar a evolução da tecnologia, tendo como prioridade melhorar as aprendizagens.
“São orientações”, sublinhou à Lusa, em declarações prestadas na sexta-feira, 16 de outubro, à margem da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino Profissional e Técnico, em Tianjin.
O governante reconheceu que a IA oferece oportunidades para desenvolver as competências dos alunos e melhorar as práticas pedagógicas, mas também apresenta riscos que mudam com o aparecimento de novas aplicações.
“Uma das mensagens nas orientações é precisamente a capacidade de adaptação àquilo que são as novas aplicações que vão surgindo, as novas possibilidades”, explicou.
Documento em consulta pública após um ano de trabalho
As orientações resultam de um trabalho desenvolvido ao longo do último ano, com a auscultação de várias entidades e a recolha de centenas de contributos.
O documento foi colocado em consulta pública em 15 de outubro, procurando agora receber novas contribuições das escolas e da comunidade educativa.
Fernando Alexandre adiantou que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que acompanha a reforma do sistema educativo português, deverá também contribuir para o texto, nomeadamente na área da transformação digital.
Ministro defende avaliação dos benefícios das ferramentas digitais
O desenvolvimento das competências digitais ocupa um lugar central na estratégia do Governo, afirmou o ministro. Ressalvou, contudo, que a introdução de ferramentas nas escolas deve ser acompanhada de regras e de uma avaliação dos seus benefícios.
Como exemplos, apontou a regulamentação do uso dos telemóveis nas escolas e a diminuição do recurso aos manuais digitais nos últimos dois anos.
“Aquilo que aconteceu nos últimos dois anos foi uma redução até significativa do uso dos manuais digitais, precisamente porque a evidência do seu benefício não era óbvia”, declarou.
Inteligência artificial também coloca desafios à avaliação
Questionado sobre a possibilidade de reforçar as provas orais e presenciais, numa altura em que muitos trabalhos são realizados com recurso à IA, Fernando Alexandre considerou que essa preocupação é particularmente relevante no ensino superior.
“No básico e no secundário, isso não tem uma grande relevância”, afirmou, referindo-se ao peso dos trabalhos realizados fora da sala de aula na avaliação dos estudantes.
O governante reconheceu, porém, que a utilização da tecnologia tem consequências nas duas vertentes: “Estas orientações afetam não apenas o ensino, como também a avaliação”.
Recordou ainda que, enquanto professor universitário, já tinha alterado o modelo de avaliação de uma disciplina em resposta à utilização destas ferramentas.
“Em 2022, mudei no próprio semestre a avaliação, porque tinha um ensaio e ele foi alterado para apresentações orais”, afirmou.
A mobilização em Faro foi destacada pela porta-voz do movimento pela habitação, Cristiana Leal, num balanço em que classificou a semana de protestos no Porto como o “despertar de um povo”. Em declarações à Lusa no sábado, 17 de outubro, assegurou que o movimento continuará depois de terminar a autorização municipal para se manifestar na Praça D. João I.
“Em Faro também está a haver muita mobilização e eu acredito que vão ser grandes manifestações”, afirmou, sublinhando que “isto não é uma luta só do Porto, isto é uma luta do país inteiro”.
Questionada sobre as ações previstas para esse dia noutras cidades, a porta-voz referiu também informações positivas sobre a mobilização na Madeira e destacou os preparativos em Lisboa, tanto para a manifestação como para a acampada anunciada para depois.
Participantes recebidos com palmas na manifestação da CGTP
Cerca de uma centena de pessoas do movimento integrou a manifestação da CGTP, que reuniu milhares de participantes no Porto. A marcha partiu da Praça da Batalha e terminou na Praça D. João I, centro dos protestos pela habitação ao longo da semana.
À chegada, os elementos do movimento foram recebidos com palmas.
“Fomos recebidos com todo o carinho, as pessoas sabem que nós estamos a lutar pelo mesmo que elas, estamos todos a lutar pelo mesmo e é só isso que importa”, afirmou Cristiana Leal.
A porta-voz, identificada pela Lusa como uma das vítimas da carga policial que terminou com a acampada na madrugada de quinta-feira, considerou que a mobilização alcançada representa uma vitória.
“Nós, numa semana, conseguimos mobilizar todas estas pessoas, conseguimos que outras cidades se mobilizassem para se juntar a nós”, salientou.
Movimento quer prosseguir depois de 20 de outubro
Na mesma intervenção, Cristiana Leal apelou à participação na assembleia popular então agendada para as 19:00 de sábado, na Praça D. João I.
A autorização da Câmara do Porto para os protestos naquele espaço é válida até 20 de outubro, mas a porta-voz garantiu que o seu termo não determinará o fim do movimento.
“Este movimento começou e não vai parar, porque as condições de vida são as que são, ainda não mudaram e enquanto elas não mudarem o movimento não para”, declarou.
Caráter apartidário não impede aproximação a outras causas
Questionada sobre uma eventual associação a outras causas por ter participado na marcha da CGTP, Cristiana Leal respondeu que não se opõe a essa ligação quando estão em causa “a melhoria das condições de vida e o aumento dos salários”.
“Nós somos um movimento apartidário, mas os partidos são formados por pessoas e essas pessoas estão connosco e estão com o nosso movimento”, afirmou.
A porta-voz criticou ainda o presidente da Câmara do Porto, que acusou de ter “agredido e atacado” os manifestantes.
Apesar de participarem na marcha, os membros do movimento não foram autorizados a discursar, uma situação que Cristiana Leal desvalorizou. Depois de entoarem o hino nacional, os jovens gritaram “Pedro Duarte, demissão”.
Uma roda de ferro, feita por um ferreiro para um menino brincar, pode parecer um episódio pequeno. Nas palavras de Arménio Aleluia Martins, torna-se memória de uma pessoa, de um ofício e de uma terra. O menino era ele; o ferreiro, José Martins.
Talvez esteja aqui uma das qualidades mais bonitas do seu percurso: reconhecer grandeza onde outros poderiam ver apenas uma história sem importância. Aos 86 anos, o jornalista e escritor publica Cidadãos que Conheci em Paderne, o seu 13.º livro. Reúne 63 biografias, cruzando recordações com fotografias, documentos e testemunhos. Mas faz mais do que guardar o passado: devolve presença às pessoas que ajudaram a construir a comunidade.
A entrevista publicada nesta edição mostra um homem para quem o afeto não dispensa o rigor. A gratidão, explica, não autoriza a acrescentar qualidades ou acontecimentos. É uma lição de jornalismo e também de respeito: homenagear alguém exige conhecer a sua vida, não inventar-lhe uma grandeza conveniente.
Esse compromisso atravessa um percurso que merece reconhecimento. Dirigiu A Avezinha, Hora de Albufeira e Diário do Algarve, trabalhou na rádio e nas agências noticiosas e fundou a Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha. Ao jornalismo juntou o associativismo, o teatro, a música e o desporto. Não se limitou a contar a vida da sua terra: participou nela.
Ao recordar Maria da Conceição Elói e Maria Feliciana Marim Marques, entre as fundadoras de A Avezinha, dá também lugar às mulheres que escreveram e fizeram a história local.
Paderne pode orgulhar-se deste trabalho. E o Algarve deve reconhecer ne-le uma forma de serviço público: preservar aquilo que nenhuma estatística consegue substituir, a experiência concreta das pessoas. Uma região também se conhece pela atenção que dedica a quem a construiu, longe da notoriedade.
Esta homenagem não pretende encerrar um percurso. Pretende agradecer uma presença e acompanhar o trabalho que continua. Quem dedicou tantas páginas aos outros merece encontrar, nestas páginas, o reconhecimento da comunidade.
A roda do ferreiro sobreviveu na memória do menino. Arménio transforma agora essa memória numa herança partilhada.
Ernesto Nuno Cabrita, empresário e guia turístico ligado à divulgação da história e do património de Faro, morreu na sexta-feira, 16 de outubro. O seu falecimento motivou, este sábado, mensagens de pesar do município, de associações e de amigos, que recordam os passeios pela cidade, a paixão pelas motas e a boa disposição com que recebia quem se cruzava consigo.
A morte ocorreu na sequência de um acidente de mota em Caliços. Como o POSTAL noticiou, o alerta para o despiste foi dado às 20h22, segundo o oficial de dia ao Comando Nacional da GNR, citado pela Lusa. A mesma fonte indicou que a vítima mortal era o condutor do motociclo e que não houve feridos.
Município recorda um homem que vivia Faro com orgulho
Numa publicação nas redes sociais, o Município de Faro lamenta o falecimento “prematuro e inesperado” de Ernesto Cabrita, destacando o seu trabalho como empresário e guia turístico e a ligação à cidade cuja história, identidade e memórias partilhava com os visitantes.
A autarquia sublinha o espírito empreendedor e a forma entusiasta como promovia Faro, contribuindo, através da sua atividade, para dar a conhecer o concelho.
“Ficando a memória de um homem que vivia Faro com genuíno orgulho e paixão”, escreve o município, que apresenta condolências à família, aos amigos e às pessoas que acompanharam o seu percurso pessoal e profissional.
Os passeios turísticos em tuk-tuk e, mais recentemente, numa réplica do Ford T surgem também nas recordações partilhadas por quem o conhecia.
“O Ernesto era Faro”
O deputado Cristóvão Norte recorda uma relação construída ao longo de muitos encontros, desde os tempos do liceu até à participação em listas autárquicas, passando pelas conversas no café e na rua.
Na homenagem, evoca ainda Ernesto Cabrita como copiloto de ralis de Rui Ginjeira e uma expressão que se tornou a saudação entre ambos: “Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe!”
“O Ernesto estava sempre por aí, como se fizesse parte da paisagem humana de Faro. Para mim, fazia”, escreve Cristóvão Norte, que lembra também o orgulho com que o guia lhe explicou os pormenores da réplica do Ford T.
O testemunho destaca a generosidade, o entusiasmo e a capacidade de proporcionar bons momentos a quem o rodeava. “Tinha essa raríssima qualidade de distribuir boa disposição”, afirma, encerrando a despedida com as palavras: “Até sempre, Ernesto. O Ernesto era Faro.”
Moto Clube, confraria e comerciantes prestam homenagem
O Moto Clube de Faro confirmou o falecimento do seu sócio e membro, descrevendo-o como “uma pessoa especial, de sorriso fácil, sempre alegre e bem-disposto”.
Na nota de pesar, o clube recorda um profundo conhecedor de Faro, das suas gentes e memórias, que gostava de partilhar esse conhecimento. Destaca igualmente a sua companhia nas viagens de mota, “sempre pronto a partilhar a estrada e os bons momentos”.
A Confraria Marinha da Ria Formosa, da qual Ernesto Nuno Cabrita também fazia parte, assinala o seu compromisso com a preservação e valorização do património marítimo, cultural e ambiental da região.
A organização, que indica 16 de outubro como a data do falecimento, recorda o guia turístico e responsável pelo projeto Look Al – Cultural Experience como um membro dedicado. “A sua partida priva-nos de um homem de causas, de um amigo e de um confrade exemplar”, escreve.
Também a Associação do Comércio da Baixa de Faro salienta o contributo de Ernesto Cabrita para divulgar a riqueza cultural e patrimonial da cidade. Na sua mensagem, descreve-o como “um defensor incansável do nosso património, de um amigo e de um dinamizador exemplar”.
A equipa das Ruínas Romanas de Milreu juntou-se às manifestações de pesar, recordando Ernesto Nuno Cabrita como “um farense orgulhoso da história da sua terra e amigo de Milreu”.
Na publicação, a equipa refere que, ao longo de mais de duas décadas, Ernesto e o seu tuk-tuk levaram centenas de visitantes ao monumento. Destaca a simpatia e a boa disposição que marcaram essa relação, bem como “uma alegria que iremos recordar com carinho”.
A nota de pesar termina com a apresentação de condolências à família e aos amigos.
Das voltas de mota às histórias contadas aos visitantes
As homenagens de amigos recuperam episódios de convivência e diferentes facetas do guia turístico.
Jorge Carvalho da Silva partilhou a recordação de um passeio de mota ao Alto do Malhão e destacou a capacidade de Ernesto Cabrita para contar histórias e prender a atenção de quem o ouvia.
“Conhecias Faro como poucos e, ao volante do teu Tuk Tuk, levavas os turistas a descobrir a nossa cidade”, escreveu. Na mesma publicação, recordou os encontros em Bordeira, nas charolas, e o início do ano vivido entre rimas.
Marta Correia evocou o empreendedor farense ligado à Look-Al e aos passeios em tuk-tuk, associando-lhe a expressão “#AskErnesto”. Na sua homenagem, escreveu que deixou “um legado de histórias, paixões, sorrisos e abraços”.
Manel DaCulatra recordou a amizade com Ernesto e o contributo do guia turístico para dar a conhecer a história de Faro. Na sua publicação, descreveu-o como um homem inteligente, culto e apaixonado pelo que fazia.
“No turismo histórico de Faro, deixaste a tua marca, partilhando o teu conhecimento e ajudando a dar vida à história da nossa terra”, escreveu.
Para além do percurso profissional, a homenagem destaca o caráter, a humildade e a amizade sincera de alguém que deixou uma marca na vida de quem o conheceu. “Faro perde alguém que conhecia e valorizava a sua história. O turismo perde um homem que fazia a diferença. E eu perco um amigo de quem gostava muito e cuja ausência vou sentir”, afirmou.
“Parte o homem, fica a memória. Parte a presença, fica a saudade”, acrescentou, encerrando a despedida com as palavras: “Faro ficou mais pobre. Eu também. Até sempre, pequeno grande homem.”
O restaurante “O David”, em Faro, juntou-se às manifestações de pesar, lembrando alguém que passou de cliente a amigo e ajudou a divulgar o estabelecimento junto de outras pessoas.
“Tu foste muito mais do que um cliente, Ernesto”, lê-se na publicação. O restaurante agradece a amizade e o apoio, descrevendo a morte como uma perda inesperada.
Paulo Castro, numa outra mensagem, recorda o sorriso e o contentamento com que Ernesto Cabrita saía para trabalhar no seu “Ford T”, levando a cultura farense aos turistas que visitavam a cidade.
Publicações questionam lomba, mas causas do despiste não estão esclarecidas
Além das homenagens, algumas publicações nas redes sociais levantam dúvidas sobre a segurança rodoviária no local.
Paulo Castro e Augusto José Guerreiro associam o acidente a uma lomba que descrevem como estando instalada numa curva. Guerreiro, numa publicação identificada com a localização de Caliços, questiona também a inclinação da via e o desgaste do piso, defendendo que as lombas deveriam ter sido colocadas nas retas anteriores, para obrigar os veículos a reduzir a velocidade antes da curva.
Nos comentários surgem opiniões divergentes. Alguns participantes contestam a localização da lomba e questionam a sinalização, enquanto outros defendem a sua função de redução da velocidade e salientam a necessidade de adaptar a condução às condições da estrada.
Estas apreciações não constituem uma conclusão sobre as circunstâncias do acidente. A informação da GNR divulgada pelo POSTAL confirma o despiste e a morte do condutor, mas não identifica as causas nem estabelece uma ligação entre a lomba e o acidente ou atribui responsabilidades.
Não me seduz o hábito, tão português como a sardinha assada e a indignação de café, de distribuir qualificações às personalidades políticas como quem distribui cartas num serão de província. Também não é de dar crédito à ideia de que a simples ocupação de um cargo transforme um cidadão numa figura providencial. Se a cadeira ministerial tem a vantagem de permitir que uma pessoa se sente, não consta que lhe acrescente inteligência, carácter ou visão.
Ainda assim, seria razoável exigir de quem aspira a governar os outros algumas qualidades que o distingam dos demais. Chamam-lhes líderes. A palavra, outrora associada à autoridade, à visão e à capacidade de mobilização, parece hoje designar, por vezes, um campeão da resistência passiva, aquele que chegou ao lugar e conseguiu permanecer nele sem que ninguém o desalojasse.
A oposição é, por natureza, um terreno propício ao surgimento de líderes. Quando o poder hesita, pode propor; quando o Governo falha, pode apresentar alternativas; quando o país se inquieta, pode demonstrar que existe outro caminho. É, pois, desconcertante olhar para um dos partidos fundadores da democracia portuguesa e encontrar tamanha dificuldade em fazer emergir uma figura capaz de lhe devolver ambição, entusiasmo e sentido de futuro.
O espetáculo é, por vezes, confrangedor. De um lado, um espanto burocrático; do outro, uma espécie de fofura política, tão embalada na sua moderação que até as críticas parecem pedir licença antes de sair. Uma política de pantufas, sem arestas, sem sobressaltos e sem o inconveniente de acordar alguém.
Sobre a Administração Interna, os protagonistas e as polémicas ocupam o seu espaço. Sobre a TAP, foi Pedro Santos quem veio esclarecer. Sobre a Economia, Centeno continua a ser uma referência incontornável no confronto e na clarificação. Quando chega a vez da liderança da oposição, instala-se uma mornice de discursos redondos, declarações prudentes e ideias previamente submetidas a uma comissão de segurança.
Fala-se de alternativa, mas nem sempre se percebe qual; fala-se de futuro, mas o caminho permanece envolto em neblina; fala-se de liderança, mas pratica-se uma cautelosa administração das expectativas. O país pede um rumo e recebe uma intenção, pede uma ideia e recebe uma promessa de reflexão.
Ora, ser líder não consiste em comparecer com pontualidade, apertar mãos com urbanidade e pronunciar frases convenientemente vagas para que todos possam concordar.
Um líder precisa de comunicar com clareza, estabelecer prioridades, inspirar confiança e assumir responsabilidades. Precisa de empatia genuína, de capacidade para agregar vontades e, sobretudo, de coragem. Não se exige um incendiário, mas alguém que tenha a ousadia de defender uma ideia, a firmeza de tomar decisões.
A moderação é uma virtude quando nasce do discernimento. Quando nasce do medo de desagradar, não passa de uma apagada prudência eleitoral de gravata bem ajustada.
Também a apresentação conta. Não porque a política deva transformar-se num concurso de elegância, embora alguns pareçam acreditar que um fato bem cortado constitui meia reforma do Estado, mas porque a postura e a expressão devem transmitir confiança e autoridade. O problema surge quando a embalagem se transforma no principal argumento de venda e o conteúdo fica adiado para a próxima legislatura.
Há pessoas que entram numa sala e mexem com o ambiente. Outras entram, sentam-se e deixam tudo exatamente como estava. Ambas podem ser excelentes pessoas; nenhuma se torna líder apenas por isso.
Entretanto, a sociedade portuguesa parece bloqueada num estranho impasse. À esquerda, à direita ou ao centro, multiplicam-se as hesitações e os cálculos. Os problemas acumulam-se, os cidadãos tornam-se mais exigentes, mas uma parte da classe política continua a comportar-se como se cumprir o ritual democrático bastasse para merecer confiança.
Não basta. O eleitor já não procura apenas alguém que saiba falar; procura alguém que tenha alguma coisa para dizer. Há discursos pronunciados de forma tão impecável que não deixam vestígios na memória, nem vincos no espaço público: entram pelo ouvido, atravessam a expectativa e desaparecem sem produzir sequer a perturbação de uma ideia.
É certo que a liderança se aprende e aperfeiçoa. Mas uma coisa é aprender a liderar; outra é passar anos no lugar à espera de que a competência se manifeste, como um milagre administrativo.
E o entusiasmo? Onde está ele?
Não falo da agitação artificial dos comícios, mas daquela energia capaz de transformar uma ideia numa vontade coletiva. Quando ela falta, sobra a gestão do quotidiano: uma declaração num canal de TV, uma reunião acolá, uma promessa embrulhada com cuidado e a esperança de que a conjuntura resolva aquilo que a personalidade não consegue resolver.
E assim chegamos ao nosso moderado: bem-comportado, gravata impecável, voz serena e uma louvável preocupação de não partir um prato. É possível que venha a ser um bom ministro, competente na gestão de dossiers e prudente na decisão. Não seria justo negar-lhe essas virtudes. Mas há uma diferença entre administrar uma pasta e conduzir um partido, entre gerir uma estrutura e inspirar uma comunidade.
Nas aldeias, costuma dizer-se que as pessoas são para aquilo para o que nascem. Não será uma sentença definitiva, pois há capacidades que se conquistam com trabalho. Mas a política parece ter esquecido uma verdade elementar: nem todos os lugares servem a todas as pessoas, e nem todos os que chegam ao topo estão preparados para ocupá-lo.
Talvez o drama da nossa classe política resida justamente na facilidade com que confunde a ausência de escândalo com a presença de mérito, a prudência com a visão e a sobrevivência partidária com a capacidade de mobilização.
Continuamos, assim, a assistir ao desfile dos que bem dominam a arte de não desagradar a ninguém. Falam sem se comprometer, prometem sem se expor e permanecem sem transformar. Uma qualidade preciosa para quem pretende passar despercebido.
Para quem pretende liderar o país, já é outra história.
Preservar a memória de quem ajudou a construir Paderne é o propósito de Cidadãos que Conheci em Paderne, o 13.º livro de Arménio Aleluia Martins. Publicada pela Arandis Editora, a obra reúne 63 biografias de pessoas que o jornalista e escritor conheceu, cruzando recordações pessoais com fotografias e testemunhos de familiares e amigos. Das oficinas às associações, da poesia à imprensa, estes percursos ajudam a compreender a história da freguesia e a transmiti-la às novas gerações.
Das recordações pessoais à memória coletiva
Em Cidadãos que Conheci em Paderne, reúne 63 biografias de pessoas com quem conviveu. O que tornou necessário transformar essas relações pessoais numa memória partilhada da terra?
Foi a vontade de preservar a memória de pessoas que deram muito a Paderne, cada uma à sua maneira. Conheci-as, convivi com elas e guardei episódios que não dizem respeito apenas à minha vida. Através dessas pessoas, também podemos conhecer melhor a terra: o trabalho, as atividades culturais, as associações, as relações familiares e os gestos de solidariedade.
Quando comecei a escrever estas crónicas, estava longe de imaginar que um dia formariam um livro. O trabalho foi aproximando recordações e testemunhos, permitindo reunir histórias que fazem parte da identidade da nossa freguesia. Como escrevi na nota de abertura, foi, acima de tudo, um exercício de gratidão.
Também reconheço que ficaram pessoas por biografar. O tempo não permitiu registar todas as vidas que mereciam estar nestas páginas. Por isso, não apresento este livro como uma história completa de Paderne. É um contributo para que algumas dessas vidas continuem a ser conhecidas e para que outras possam ainda ser contadas.
“Escrever este livro foi, acima de tudo, um exercício de gratidão.”
Arménio Aleluia Martins. Fotos DR
Define este livro como um “exercício de gratidão”. Como conciliou o afeto pelos biografados com o rigor do jornalista, sobretudo ao cruzar as suas recordações com os testemunhos das famílias?
O afeto é uma razão para escrever, mas não deve substituir a informação. Conhecer uma pessoa permite recordar um gesto ou uma conversa; não significa conhecer todos os momentos da sua vida. Neste trabalho, a minha memória juntou-se à colaboração dos familiares e amigos dos biografados.
Essas pessoas facultaram-me informações, documentos e fotografias que foram fundamentais para construir os retratos. Não são apenas elementos que acompanham o texto: ajudam a situar as pessoas nas suas famílias, nas suas atividades e na comunidade. A disponibilidade e a confiança de quem colaborou deram uma dimensão mais ampla às recordações que eu tinha guardado.
Entendo a gratidão como o reconhecimento do que alguém fez, e não como uma licença para lhe acrescentar qualidades ou acontecimentos. O respeito por estas pessoas pede que a homenagem permaneça ligada às suas vidas concretas. Foi esse património humano que procurei preservar, com a ajuda de quem também o conheceu.
O valor dos gestos e das vozes menos ouvidas
No retrato do ferreiro José Martins, recorda uma roda que ele lhe fez para brincar. O que torna alguém digno de figurar na história de uma terra, para além dos cargos ou da notoriedade?
A marca que deixa na vida dos outros. No caso de José Martins, guardo a recordação de um homem que, na sua oficina, transformou um pedaço de ferro numa roda com a qual percorri as ruas da aldeia. É um episódio simples, mas permite recordar uma pessoa através das suas mãos, do seu ofício e da relação que estabeleceu comigo.
Um cargo pode ajudar a compreender um percurso, mas não o resume. Uma terra também se constrói com o trabalho de quem mantém uma oficina, ensina, toca numa banda, escreve versos ou participa numa associação. É importante olhar para essas contribuições sem medir todas as vidas pela mesma forma de reconhecimento.
No retrato de José Martins, acompanho também a família e o percurso das filhas, ligadas ao ensino, à poesia, à economia, ao teatro e à solidariedade. Essa continuidade ajuda a perceber que uma biografia não termina na atividade profissional de uma pessoa: prolonga-se nas relações que criou e na vida da comunidade.
Conta que Amélia da Silva Júdice rasgava os próprios poemas por receio de não serem aceites. Que dificuldades encontrou ao recuperar o contributo das mulheres para a vida cultural de Paderne?
A história de Amélia mostra logo uma dificuldade: uma parte da criação não chegou a conservar-se. Os poemas que rasgou deixaram de poder ser lidos. Ficou, porém, o testemunho desse receio e ficou a obra que mais tarde partilhou. Depois da morte do marido, começou a escrever com maior frequência e a publicar em A Avezinha. Os filhos promoveram depois, no Brasil, a edição dos seus livros.
É importante não confundir a falta de oportunidade ou de reconhecimento com a ausência de talento. No livro, refiro as limitações que Amélia encontrou no acesso aos estudos. Outro percurso é o de Albertina Coelho Rodrigues, que não frequentou a escola e cuja poesia guardada na memória encontrou ajuda para chegar à escrita. São experiências diferentes, mas ambas mostram quanto dependia de alguém escutar, incentivar e conservar.
Quero, neste contexto, dar especial relevo a Maria da Conceição Elói. Apesar de não ter prosseguido os estudos depois da escola primária, continuou a aprender através da leitura dos clássicos e do contacto com pessoas que lhe proporcionaram conhecimentos de francês e de piano. Ao longo de cerca de setenta anos, escreveu poesia, contos, novelas e crónicas jornalísticas. A sua atividade literária esteve também ligada à vontade de ajudar os mais desfavorecidos, preocupação que esteve na origem do jornal manuscrito A Avezinha, em 1921.
Quero igualmente destacar Maria Feliciana Marim Marques, uma das quatro fundadoras do jornal, que assinava com o pseudónimo “Violeta”, enquanto Maria da Conceição Elói usava “Madressilva”. Recordá-las é reconhecer que as mulheres não foram apenas tema das páginas da imprensa local: estiveram também na sua origem, tomando a iniciativa de escrever e de comunicar com a comunidade.
Ao recuperar estas vidas, interessa-me que as mulheres sejam conhecidas pelo que criaram e fizeram, e não apenas pelas suas relações familiares. O que sobreviveu merece ser lido; o que se perdeu deve lembrar-nos a importância de dar atenção às vozes que ainda podemos ouvir.
“Cada conversa foi uma descoberta; cada memória partilhada, uma peça indispensável do património humano de Paderne.”
Trabalho, mudança e imprensa regional
A história de José Cordeiro Bispo e da sua família passa da cerâmica ao turismo. Como ajudam estes percursos a compreender as mudanças de Paderne e do Algarve para além da imagem de destino de férias?
Ajudam a perceber que, por detrás de uma transformação económica, existem pessoas, decisões, trabalho e relações familiares. José Cordeiro Bispo chegou a Paderne em 1960, com António Simões Vicente, para negociar uma pequena fábrica de tijolos e telhas em Mem Moniz. A atividade começou em arrendamento e passou depois à propriedade. Naquele espaço, onde tinham existido um lagar e uma moagem, desenvolveu-se o trabalho da cerâmica.
O seu percurso estendeu-se a outros investimentos, e a família deu continuidade aos projetos turísticos em Albufeira. Essa continuidade é importante: não se trata apenas da história de um empresário, mas de um caminho prosseguido por diferentes gerações.
Quando acompanhamos estas vidas, encontramos um Algarve de agricultores, oficinas, fábricas, comércio e associações, e percebemos como essas atividades se relacionaram com o turismo. A região não pode ser compreendida apenas através daquilo que oferece a quem a visita. É também o lugar onde as pessoas trabalham, constituem família e constroem o seu futuro. As biografias permitem dar nomes e percursos a essa história.
A imprensa regional e a memória das suas fundadoras
Recorda a oferta de décadas de exemplares de A Avezinha por uma assinante. Que parte da história de Paderne e do Algarve ficaria por contar sem o trabalho da imprensa regional?
Ficaria muito mais difícil conhecer a vida quotidiana das comunidades. A imprensa regional dá espaço a pessoas, iniciativas e acontecimentos que, muitas vezes, não encontram lugar noutros jornais. E aquilo que parece pequeno quando é publicado pode tornar-se indispensável para compreender uma época.
A oferta foi feita por D. Paula Trindade Anacleto, uma assinante dedicada de A Avezinha, quando o jornal regressou à publicação. Entregou-me exemplares desde a fundação até 19 de dezembro de 1949. No livro, recordo essa documentação, guardada na Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha e integrada no Arquivo Municipal de Albufeira. Foi um gesto de preservação com valor para toda a comunidade.
Preservar o jornal é também preservar a memória de quem lhe deu vida. Por isso, faço questão de lembrar Maria da Conceição Elói e Maria Feliciana Marim Marques entre as suas fundadoras. Quando A Avezinha retomou a publicação, em maio de 1977, Maria da Conceição Elói assumiu a direção. Havia nessa continuidade uma ligação entre a origem do jornal e a vontade de o devolver aos leitores de Paderne.
A ligação à poetisa teve ainda outra expressão importante: depois da sua morte, A Avezinha promoveu a publicação dos seus versos em livro, concretizando um desejo que ela não realizara em vida. Com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, Ecos da Minha Voz saiu em janeiro de 1983, com o título que a própria autora escolhera. É um exemplo concreto de como um jornal pode ajudar a preservar e a divulgar a criação literária de uma comunidade.
O próprio livro mostra também o papel do jornal na divulgação da poesia de Amélia da Silva Júdice e de Maria de Lurdes, filha do ferreiro José Martins. A imprensa não guardou apenas notícias: ajudou a tornar visível uma criação que podia ter permanecido nas gavetas. É essa ligação entre informação, cultura e proximidade que considero tão importante conservar.
“Porque uma terra vive das suas paisagens, mas perdura sobretudo pela memória das suas gentes.”
Uma herança para continuar
Escreve que uma terra perdura pela memória das suas gentes. O que gostaria que um jovem de Paderne fizesse com este livro, para que ele não se limitasse a guardar o passado?
Gostaria que o usasse como ponto de partida para fazer perguntas. Que procurasse saber quem foram as pessoas cujos nomes encontra nas ruas, nas associações ou nas conversas da família. Que olhasse para uma fotografia antiga e tivesse vontade de identificar os rostos, o lugar e a ocasião.
Não lhe pediria que vivesse voltado para trás, nem que repetisse o caminho destas pessoas. Cada geração tem a sua vida para construir. Mas conhecer o que outros fizeram pode ajudar a perceber melhor aquilo que recebemos e a responsabilidade de lhe dar continuidade.
Há também histórias que não couberam neste livro. Um jovem pode encontrar, na sua própria família ou entre os vizinhos, testemunhos que acrescentem outras páginas à memória de Paderne. Gostaria que a leitura despertasse essa curiosidade e esse cuidado.
Se este trabalho levar alguém a ouvir uma pessoa mais velha, a conservar um documento ou a contar uma história que ainda não foi registada, já estará a fazer mais do que guardar o passado. Estará a preparar aquilo que as gerações seguintes poderão conhecer de nós.
Arménio Aleluia Martins: uma vida entre a imprensa, a cultura e Paderne
O jornalismo, a música, o teatro, o desporto e o associativismo cruzam-se no percurso de Arménio Aleluia Martins. Aos 86 anos, o escritor padernense publica Cidadãos que Conheci em Paderne, o seu 13.º livro, dando continuidade a uma atividade em que a informação, a criação cultural e a memória da comunidade ocupam lugares centrais.
A sua formação passou pelos cursos de Guia-Intérprete, pelo SNI, e de Direito do Trabalho, pelo ITE, a que se juntou o curso de Jornalismo e Gestão do Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. Em França, estagiou no diário Le Progrès, em Lyon, antes de regressar a Portugal e desenvolver uma carreira ligada a jornais, rádios e agências noticiosas.
Dos jornais à rádio
Arménio Aleluia Martins dirigiu os jornais regionais A Avezinha, Hora de Albufeira e Diário do Algarve. Na rádio, foi diretor de informação da Rádio Albufeira e da Rádio Barrocal e colaborou com a RDP.
Foi também correspondente do Diário de Notícias e delegado no Algarve da agência noticiosa ANOP e do jornal O País. A estas funções somam-se colaborações com outros jornais e estações de rádio, regionais e nacionais. A ligação à preservação documental tem expressão na Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha, em Paderne, de que é fundador. O novo livro prolonga esse interesse pela memória: reúne biografias acompanhadas de fotografias, num trabalho que contou com informações e documentos facultados pelas famílias.
Uma presença nas associações e na vida cultural
No movimento associativo, presidiu à Associação de Imprensa Regionalista do Algarve, ao Clube de Golfe da Comunicação Social, ao Padernense Clube, à Sociedade Musical e Recreio Popular de Paderne e ao Imortal Basket Club.
A nota biográfica fornecida ao POSTAL identifica-o ainda como presidente da direção do Grupo de Amigos de Paderne e das assembleias da Casa do Povo de Paderne, da Casa do Benfica em Albufeira e da Associação Prime Skills, além de dirigente da Associação de Pesquisa e Estudo da Oralidade.
A participação cultural não se limitou às funções diretivas. Foi ator e diretor de grupos de teatro, músico na banda da Sociedade Musical de Paderne e monitor de cursos de teatro e jornalismo. É autor e coordenador editorial de livros e revistas, tendo também proferido palestras e apresentado trabalhos em congressos.
Reconhecimento pelo trabalho desenvolvido
Entre as distinções recebidas encontram-se a Medalha de Honra Municipal de Grau Ouro, atribuída pela Câmara Municipal de Albufeira, e o Louvor de Mérito Jornalístico da Comunicação Social Regional e Local, atribuído pelo Secretário de Estado do Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.
Foi igualmente homenageado pelo Governo Civil de Faro e distinguido como Profissional do Ano pelo Rotary Club de Albufeira.
Com Cidadãos que Conheci em Paderne, publicado pela Arandis Editora, com prefácio de Nuno Campos Inácio e apoio da Junta de Freguesia de Paderne, volta a centrar a escrita nas pessoas da sua terra. As 63 biografias recuperam percursos que conheceu e acompanhou, acrescentando ao registo dos nomes as atividades, as relações e as histórias que os ligaram à comunidade.
A mobilização em Faro foi destacada pela porta-voz do movimento pelo direito à habitação, Cristiana Leal, que considera que os protestos assumem uma dimensão nacional. Em declarações à Lusa este sábado, 17 de outubro, garantiu que o movimento continuará depois de terminar a autorização municipal para se manifestar na Praça D. João I, no Porto.
“Em Faro também está a haver muita mobilização e eu acredito que vão ser grandes manifestações”, afirmou, sublinhando que “isto não é uma luta só do Porto, isto é uma luta do país inteiro”.
A porta-voz referiu também ter informações positivas sobre a mobilização na Madeira e apontou “uma grande mobilização” em Lisboa, tanto para a manifestação como para a acampada prevista a seguir.
Semana de protestos foi “o despertar de um povo”
Cristiana Leal fez o balanço após participar na manifestação da CGTP, que reuniu milhares de pessoas no Porto. A marcha partiu da Praça da Batalha e terminou na Praça D. João I, centro dos protestos do movimento ao longo da última semana.
Cerca de uma centena de pessoas do movimento integraram a manifestação e foram recebidas com palmas à chegada à praça.
“Esta última semana foi uma vitória e foi o despertar de um povo”, afirmou a porta-voz, destacando a capacidade de mobilizar participantes, envolver outras cidades e manter os protestos durante uma semana.
“Fomos recebidos com todo o carinho, as pessoas sabem que nós estamos a lutar pelo mesmo que elas, estamos todos a lutar pelo mesmo e é só isso que importa”, acrescentou.
Segundo a Lusa, Cristiana Leal foi uma das vítimas da carga policial que pôs fim à acampada na madrugada de quinta-feira.
Assembleia popular marcada para as 19:00
A porta-voz apelou à participação na assembleia popular agendada para as 19:00 deste sábado, na Praça D. João I.
A autorização da Câmara do Porto para os protestos naquele espaço termina em 20 de outubro, mas Cristiana Leal assegurou que isso não determinará o fim da mobilização.
“Este movimento começou e não vai parar, porque as condições de vida são as que são, ainda não mudaram e enquanto elas não mudarem o movimento não para”, declarou.
Movimento reafirma caráter apartidário
Questionada sobre a possibilidade de a participação na marcha da CGTP associar o movimento a outras causas, a porta-voz respondeu que não se opõe a essa ligação quando estejam em causa “a melhoria das condições de vida e o aumento dos salários”.
“Nós somos um movimento apartidário, mas os partidos são formados por pessoas e essas pessoas estão connosco e estão com o nosso movimento”, afirmou.
Cristiana Leal criticou ainda o presidente da Câmara do Porto, que acusou de ter “agredido e atacado” os manifestantes.
Apesar de participarem na marcha, os membros do movimento não foram autorizados a discursar, uma situação que a porta-voz desvalorizou. Depois de entoarem o hino nacional, os jovens do movimento gritaram “Pedro Duarte, demissão”.