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Caiado oficializa apoio a Flávio Bolsonaro em ato que reúne lideranças em Goiânia

6 October 2026 at 21:48

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) oficializou nesta terça-feira (6), em Goiânia, seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O encontro reuniu também o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de parlamentares, prefeitos e outras lideranças políticas.

A declaração ocorreu após Caiado terminar o primeiro turno na quinta colocação da disputa presidencial. O ex-governador havia afirmado que discutiria a posição antes de definir seu apoio. Com a decisão, passou a integrar formalmente a campanha de Flávio na segunda etapa da eleição.

Durante o ato, Caiado afirmou que pretende mobilizar sua base política em Goiás para ampliar a votação de Flávio no Estado. “Proporcionalmente, Goiás vai dar maior vitória a Flávio Bolsonaro nesta eleição. Mobilização vai ser em tempo integral”, declarou.

Caiado também entregou ao candidato uma agenda com sugestões de prioridades para um eventual governo. Entre os temas defendidos pelo ex-governador estão o combate ao PT e ao crime organizado, mudanças no Judiciário e a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O apoio também foi acompanhado de uma aproximação programática. Flávio afirmou que pretende trabalhar ao lado de Caiado para “encerrar com essa era do Lula” e disse haver ampla convergência entre as propostas apresentadas pelo ex-governador. “Esse rol de critérios programáticos ele sabe que nem precisava, porque a gente concorda em quase 115%”, afirmou.

Caiado na segurança píublica

Nos bastidores da articulação política, também circula a possibilidade de Ronaldo Caiado assumir o futuro Ministério da Segurança Pública em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A hipótese já foi mencionada por interlocutores da campanha, mas não há confirmação oficial de que o cargo tenha sido formalmente oferecido ou definido.

Flávio também sinalizou que pretende ampliar os investimentos federais em Goiás caso seja eleito. Ao se dirigir a Daniel Vilela, declarou: “Vilela, conte comigo. Eu, como presidente, vou estender tapete verde e amarelo para trazer investimentos para Goiás”.

A presença de Tarcísio de Freitas deu dimensão nacional ao encontro. O governador de São Paulo participou do ato em Goiânia ao lado de Flávio, Caiado e das demais lideranças que integram a articulação política para o segundo turno.

A adesão de Caiado ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para a segunda etapa da eleição, marcada para 25 de outubro. O PSD não adotou uma posição nacional em favor de nenhum dos dois candidatos e liberou seus diretórios e filiados para definirem individualmente seus apoios.

Em Goiás, o apoio de Caiado se soma à posição de Daniel Vilela e de outras lideranças estaduais favoráveis à candidatura de Flávio. O ato desta terça-feira consolidou o palanque político do candidato do PL no Estado para a reta final da disputa presidencial.

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As contradições de Lula finalmente cobram o preço

By: A A
6 October 2026 at 18:00

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade.

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A perspectiva sobre as eleições brasileiras após o 1º turno é unânime: Lula e o Partido dos Trabalhadores foram varridos e humilhados, e as perspectivas de uma virada nas eleições presidenciais é mínima.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu 56 milhões de votos, ou aprox. 47% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53,8 milhões de votos, ou aprox. 45% dos votos válidos – o resultado leva ao 2º turno, a ser realizado no dia 28 de outubro. O problema para Lula é que o eleitorado dos candidatos que ficaram em 3º, 4º e 5º têm uma maior tendência para votar em Flávio Bolsonaro do que no próprio Lula.

Lula só tem como puxar votos tentando converter os que não foram votar, ou os que votaram nulo. São 30 milhões de eleitores nessas condições, portanto não é pouca gente. Mas historicamente, a tendência é que essa fatia do eleitorado aumente do 1º para o 2º turno, em vez de diminuir.

O revés de Lula, porém, não é apenas em sua própria disputa com Bolsonaro.

Em número de governadores estaduais, o seu partido, o PT, cai de 4 para 3 governadores. E o partido até conseguiu preservar seus assentos no Senado e somar 1 deputado federal a mais na Câmara, mas os seus rivais bolsonaristas do PL ganharam mais 13 cadeiras no Senado e 21 cadeiras na Câmara. Em outras palavras, mesmo que Lula ganhasse, não conseguiria governar.

A reação do partido de Lula e de seus militantes é a pior possível: responsabilizam o povo por “não saber votar” ou por “ser fascista”, os candidatos de micropartidos de esquerda por não terem desistido de suas candidaturas, alegam narrativas fantasiosas de “manipulação” por parte dos EUA e das redes sociais – tudo, menos admitir que o governo de Lula padecia de problemas sérios e foi incapaz de dialogar com a população e entender as suas demandas.

Pior: abraçam uma ilusão na qual o governo de Lula teria sido, na verdade, excepcional e no qual todos os índices econômicos seriam maravilhosos, e “os pobres” deveriam agradecer a Lula de joelhos e votar nele para sempre.

A realidade, porém, é que excetuando na região nordeste, onde Lula nasceu, o PT virou o partido da classe média progressista e dos centros urbanos, enquanto as cidades pequenas e médias e uma parte significativa dos setores populares abraçou o bolsonarismo. E por que?

No que concerne a economia, a percepção de melhora é falsa. O governo Lula criou ou aumentou mais de 30 impostos e taxas de todos os tipos, voltados em sua maioria contra a classe média e trabalhadora. Para piorar, apertou a regulamentação dos microempreendedores, dificultando a sua vida no que concerne questões tributárias.

Os empregos criados foram principalmente no setor de serviços e no extrativismo, para não falar nos trabalhos autônomos e precários. Em contrapartida, o governo multiplicou ao infinito os “benefícios sociais”, concedidos principalmente para a camada lúmpem da sociedade, parasitária e odiada pelos setores positivos. Aliás, apenas os setores mais ricos ligados às finanças receberam tantos benefícios quanto o lumpemproletariado no governo Lula. E não casualmente, as classes de apoio ao PT foram a classe A e a classe E, as duas pontas do sistema parasitário e improdutivo, que esmagam as classes produtivas (B, C e D) por cima (através da usura) e por baixo (através da criminalidade).

Não se pode subestimar ademais, o problema da segurança pública, para o qual temos alertado há muito tempo. O discurso de Lula sobre soberania é vazio quando ¼ da população brasileira (segundo estudo da Cambridge University Press) vive em território controlado por organizações narcotraficantes. A tolerância do brasileiro por essa situação acabou.

Mas a leniência do governo não. Ao contrário, o Brasil vive a situação esquizofrênica de ser suave com criminosos perigosos e extremamente repressivo contra quem diz coisas politicamente incorretas na internet. Tornou-se corriqueiro no Brasil que pessoas comuns seja presas e condenados por “crime de ódio” ao recusarem a entrada de alguma pessoa “trans” num banheiro feminino.

E num erro de julgamento crasso, o PT decidiu associar a própria sorte ao STF, exatamente o núcleo de poder liberal que garante a implementação de todas as pautas globalistas no Brasil e que opera um aparato draconiano de repressão e silenciamento. Lula se esqueceu de que ele próprio foi perseguido e preso pelo Judiciário brasileiro, e decidiu se aliar a este setor para tentar impor a mesma sina a Bolsonaro.

O tiro, porém, saiu pela culatra. A disputa de Lula é com Flávio Bolsonaro. Mas quem venceu essa eleição, estando condenado, preso, adoecido e censurado é Jair Bolsonaro.

Especulações sobre “interferência estrangeira” nas eleições são fúteis e pueris posto que desnecessárias. Todas as causas da derrota de Lula estão em seu próprio governo.

Nem na política externa – área mais elogiada pelos colegas estrangeiros – escapamos das contradições: condenação da Nicarágua no Conselho de Direitos Humanos da ONU, veto ao ingresso da Venezuela nos BRICS e deslegitimação da reeleição de Nicolás Maduro, aliança tácita com a França de Macron, Acordo UE-Mercosul, colaboração da ABIN com as inteligências da França e da Alemanha, pressão para tentar desacelerar o crescimento dos BRICS, e poderíamos continuar longamente.

É por isso que dentro do Brasil, o elemento da política externa não pode ser visto, nessas eleições, da maneira “dualista” como ele é visto de fora para dentro (em que se tem o mito de um “Lula multipolarista” e um “Bolsonaro atlantista”). Na verdade, tanto Lula quanto Bolsonaro jogam com os dois lados do campo geopolítico, são apenas seus discursos que são levemente divergentes. Naturalmente, os propagandistas de ambos os lados jurarão que não é assim, mas é o que a análise fria dos fatos aponta.

No fim das contas, estamos às portas do “fim da Era Lula”, e dos momentos finais de uma carreira política que marcou a história do Brasil, que teve seus altos e baixos, seus pontos positivos e negativos, mas que termina de um modo agridoce, pela ausência de um projeto de nação e pela obsessão oportunista de se perpetuar no poder a qualquer preço – inclusive ao preço de trair os princípios da época da fundação do Partido dos Trabalhadores.

Lula deixará o PT órfão. Não houve preocupação com formar um sucessor à altura de Lula. Pior: a práxis do PT o levou a esmagar os partidos de esquerda menores e a absorver seus principais quadros para podá-los e controlá-los antes que eles pudessem se tornar maiores que Lula.

Nesse sentido, com o fim da carreira política de Lula morre a esquerda. Ou pelo menos UMA esquerda. A esquerda liberal-progressista da Sexta República e da Constituição de 88. Resta saber se o que triunfará na inevitável disputa por seu legado é uma esquerda ainda mais radicalmente progressista, ou se retornará uma esquerda nacionalista, tal como já existiu no Brasil em outras épocas.

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade. Não só da esquerda, mas também do Brasil.

O que muda com Lula ou Flávio?

By: A A
6 October 2026 at 17:30

Considerações realistas sobre as eleições brasileiras.

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As eleições presidenciais brasileiras estão chegando. E com elas estão chegando também as controvérsias, os debates e os diferentes pontos de vista sobre o que esse evento representa para o Brasil, para os BRICS e para o futuro do mundo multipolar.

Em um artigo recente, o respeitado analista político brasileiro Valdir Bezerra advogou a tese de que as eleições de 2026 representam um ponto de inflexão na história brasileira, podendo definir o papel do Brasil no mundo. Para Bezerra, a eleição opõe, de um lado, a vertente “autonomista”, representada por Luiz Inácio Lula da Silva, e, de outro, a vertente “ocidentalista”, representada por Flávio Bolsonaro.

Demostrando todo o devido respeito ao trabalho de Bezerro, que é um dos analistas mais bem conceituados no debate político russo-brasileiro, gostaria de apresentar aqui uma visão crítica sobre sua opinião. Não tenho como intenção “refutar” a posição de Bezerra, mas apenas expor as razões pelas quais não considero essa oposição entre autonomismo e ocidentalismo como um pressuposto válido para analisar a atual disputa eleitoral. Ademais, gostaria também de explicar por que não considero a eleição de 2026 como um momento decisivo na definição do papel internacional do Brasil.

Flávio é um ocidentalista, mas Lula não é um autonomista

Os termos guarda-chuvas usados para definir estas duas “tradições” da política brasileira não parecem minimamente aplicáveis na realidade atual. Os termos nos quais muitos pensadores brasileiros definiam a oposição entre aqueles que apoiam a soberania e o desenvolvimento nacional e aqueles que advogam por uma posição subordinada em relação ao eixo atlântico há muito tempo se tornaram obsoletos na alta política institucional brasileira – onde não há hoje qualquer figura digna do título de “autonomista”.

Não é preciso comentar aqui sobre a natureza ocidentalista de Flávio Bolsonaro, que, como seu pai antes dele, defende uma política externa de alinhamento total aos EUA e a Israel, ademais de uma agenda hostil aos BRICS e às plataformas multipolaristas. O ponto central, porém, é tentar entender em que posição, entre ocidentalistas e autonomistas, está Lula.

O atual presidente do Brasil governou o país em três ocasiões e protagonizou alguns dos eventos mais marcantes da política internacional no século XXI. Foi cofundador dos BRICS, articulou alianças com governos soberanistas nas Américas (Venezuela, Bolívia, Cuba) nos anos 2000, manteve laços amigáveis com o Irã e, mais recentemente, estreitou parcerias com a Rússia em pleno regime de sanções imposto pelo Ocidente, além de condenar abertamente o genocídio em Gaza.

Tudo isso é extremamente louvável, mas, para uma análise justa de Lula, é preciso apresentar o outro lado de sua figura: Lula nunca foi um “multipolarista”, apenas um articulador habilidoso no âmbito do multilateralismo da era Obama nos anos 2000. Isso se soma ao fato de Lula ter sido descaradamente apoiado pelo establishment Democrata nas eleições de 2022. Aliás, o terceiro governo Lula foi marcado por controvérsias dignas de um líder “ocidentalista” clássico: Lula não reconheceu as eleições venezuelanas, iniciou tensões com a Nicarágua, vetou o acesso da Venezuela aos BRICS, escanteou as negociações de um acordo Mercosul-China para priorizar um pacto de livre-comércio com a Europa extremamente negativo para os países sul-americanos (um acordo até mesmo neocolonial, pode-se dizer, colocando os países do Mercosul como exportadores de commodities e importadores de tecnologia). Isso tudo para não falar nas relações próximas, quase de alinhamento total e irrestrito, com o regime Macron na França.

Lula certamente teve vários acertos, mas, se formos voltar um pouco no tempo, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro também os teve: se recusou a sancionar a Rússia e a condenar a Operação Militar Especial (ao contrário de Lula, aliás, que repetidamente a condenou), fortaleceu as parcerias com a China, preservou a estrutura dos BRICS e abandonou o alinhamento à política externa estadunidense pós-Trump, se tornando um alvo de Joe Biden.

No fim, acertos por acertos e erros por erros, ambos os lados parecem muito distantes de qualquer ideal “autonomista”.

Então, como definir Lula e Flávio?

Podemos resumir este tópico em uma única frase: tanto Lula quanto Bolsonaro são, cada um a seu jeito, ocidentalistas.

Em diversas outras ocasiões comentei em minha coluna sobre como vejo a Sexta República brasileira (o atual regime constitucional fundado em 1988) como uma espécie de “revolução colorida permanente”. De um lado, uma direita liberal abertamente pró-EUA e pró-Israel, de outra uma esquerda liberal institucionalista, ligada ideológica e financeiramente a um grande lobby internacional que vai desde os Democratas estadunidenses até a União Europeia.

As tensões atuais parciais que ocorrem agora entre Lula e Trump não são uma novidade. Bolsonaro se tornou uma figura extremamente incômoda nas relações entre Brasil e EUA assim que Biden chegou ao poder. O que muitos analistas falham em perceber é que as relações entre Brasil e EUA se definem pela dialética entre esquerda e direita no Brasil e Democratas e Republicanos nos EUA. Lula era amigo de Biden, como Bolsonaro era amigo de Trump. Se Lula vencer as eleições de 2026, terá muitos problemas – pelo menos até um eventual retorno Democrata nos EUA. Se Flávio vencer, Brasil e EUA estarão em alinhamento total – mas apenas enquanto Trump estiver na Casa Branca.

É essa dinâmica que permite aos EUA manter a política brasileira sob controle de forma estável. Washington não precisa fazer um Maidan no Brasil. Aliás, a fórmula “golpe + ditadura” não tende a funcionar em países continentais e diversos como o Brasil – e a maior prova disso é a própria experiência brasileira de regime militar, que foi inicialmente patrocinada pelos EUA, mas posteriormente se tornou um regime autônomo não-alinhado após um autogolpe interno entre os militares. Não por acaso, os EUA endossaram a redemocratização do Brasil, ajudando a criar precisamente o regime político atual.

De um lado, uma direita que apoiada pelos Republicanos, por Israel e pelo lobby neocon transnacional; de outro, uma esquerda que obedece aos Democratas e aos europeus. Lula foi um grande multilateralista numa época em que Washington, com Obama, incentivava esse tipo de verniz à unipolaridade estadunidense; Bolsonaro foi uma marionete aberta dos EUA numa época em que Washington, com Trump, exigia isso. A diferença é muito pouca – ou nula.

E o que a eleição de 2026 realmente representa?

A nível internacional, nada ou muito pouco.

Se vencer, Lula será pressionado enquanto Trump estiver no poder. E Lula ao longo dos últimos quatro anos já mostrou que compensa a hostilidade estadunidense sendo ainda mais aliado aos europeus. Por outro lado, se Flávio vencer, teremos pelo menos algum período de alinhamento total com os EUA, o que pode mudar numa eventual vitória Democrata nas próximas eleições presidenciais. É uma escolha muito clara entre Republicanos-Israel e Democratas-UE. “Autonomismo” não faz parte do jogo.

A nível interno, contudo, muitos fatores estão em jogo.

É no cenário interno que o debate sobre a eleição deve se concentrar. Afinal, nenhum brasileiro vai votar em um candidato ou outro por causa de Palestina ou BRICS – que, embora sejam causas legítimas, são realidades distantes para o cidadão comum. No plano interno, temos um Lula cada vez mais enfraquecido devido aos efeitos colaterais de anos em aliança com o Poder Judiciário (que agora está sendo escrutinado e exposto com o escândalo de corrupção do Banco Master). Do outro lado, Flávio recupera posições que já se julgavam perdidas e hoje ambos aparecem em empate técnico nas pesquisas.

O Poder Judiciário acumulou poderes extraordinários com Lula, a ponto de encarcerar manifestantes pacíficos e idosos sob acusação de “terrorismo” apenas porque participavam de manifestações pró-Bolsonaro. A inimizade entre o Judiciário e o Bolsonarismo não pode ser revertida, exceto por uma vitória de Flávio que culmine na indicação de ministros bolsonaristas para a Suprema Corte – remodelando assim os rumos da própria República.

Podemos resumir que Lula daria uma sobrevida à Sexta República, enquanto Flávio aceleraria seu colapso. Enquanto a Sexta República existir, nenhuma alternativa realmente “autonomista” surgirá no Brasil porque o próprio sistema constitucional brasileiro impede tal alternativa. Mas isso não significa que o colapso iminente deste sistema significará uma “aurora multipolar” no Brasil, já que não há (fora do extremamente “ocidentalista” Bolsonarismo) qualquer movimento político no país com força para erguer um novo projeto de Estado.

A conclusão talvez seja frustrante para os mais otimistas e esperançosos, mas o que parece estar por acontecer no Brasil em 2026 é a absoluta nulidade. Com Lula ou Flávio, pouco tende a mudar. O Brasil continuará sendo uma potência média decadente, politicamente subordinada aos EUA, mas com certa liberdade de engajamento multilateral com as potências eurasiáticas – enquanto domesticamente as instituições da Sexta República se autodestroem.

Las urnas electrónicas no son confiables

By: A A
6 October 2026 at 17:00

La paralización del recuento en Brasil revirtió la tendencia y salvó a Lula: las urnas electrónicas, opacas e inauditables, no son confiables.

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El escrutinio de los votos en la primera vuelta de las elecciones generales en Brasil fue motivo de gran controversia. Flávio Bolsonaro, hijo del expresidente Jair Bolsonaro, iba por delante de Lula en el recuento oficial, con un 49,6% contra un 42,2% para el presidente que busca su reelección.

Habían sido computadas el 64,8% de las secciones electorales hasta ese momento. Pero el recuento se paralizó por más de una hora. Extrañamente, los votos para gobernador, senador y diputados continuaron siendo contabilizados con normalidad. Solo el recuento presidencial se paralizó.

Y, aún más extrañamente, cuando el recuento presidencial se reanudó, la tendencia ascendente de Flávio Bolsonaro y la tendencia descendente de Lula se revirtieron. Los votos del candidato opositor cayeron, mientras que los del actual presidente aumentaron. Flávio Bolsonaro estaba a menos del 0,5% de la victoria que le otorgaría la banda presidencial. Perdió más de un 2%, terminando con un 47,03%, mientras que Lula ganó casi un 3%, terminando con un 45,16%.

Parecía que Flávio Bolsonaro destronaría a Lula ya en la primera vuelta. Pero, tras más de una hora de paralización en los recuentos, Lula logró recuperarse y la disputa se decidirá recién en la segunda vuelta.

El recuento se paralizó a las 19h06 (hora de Brasilia), con el 64,8% de las urnas escrutadas. Recién a las 20h08 se presentaron los nuevos resultados, ya con el 85% de las urnas escrutadas.

La justificación oficial fue dada por el presidente del Tribunal Superior Electoral (TSE), Kassio Nunes Marques, quien también es ministro del Supremo Tribunal Federal (STF). «Lo que ocurrió fue una congestión de datos. En cada elección, nos vemos sorprendidos por alguna contingencia, lo cual es natural para quien lida con sistemas complejos y tan variados», dijo. «A priori, no se sabe si esto fue derivado de otro problema. Lo que nuestra tecnología de la información constató fue un flujo [de datos] superior a lo normal, y esa congestión generó un atraso», completó.

Existe una propaganda violenta en Brasil, encabezada por la Justicia Electoral, para presentar a los ciudadanos que las elecciones son 100% limpias. El principal foco de esa propaganda son justamente las urnas electrónicas. Las instituciones judiciales y los medios de comunicación dan gran difusión a las palabras de la Justicia Electoral sobre la total confiabilidad de las urnas electrónicas, destacando, incluso, que son sometidas a pruebas antes del plebiscito y luego selladas para que nadie pueda acceder a ellas.

Entonces, ¿por qué las urnas sufrieron una especie de pánico, si habían sido rigurosamente examinadas? Pues, el sapientísimo TSE tiene pleno conocimiento del número de electores aptos para votar y del número de votos que pueden ser registrados en las urnas, incluso en cada sección electoral. La propaganda de la Justicia Electoral indica al público que las urnas están plenamente preparadas con anticipación para registrar y computar perfectamente los votos de los electores.

No debería ocurrir ningún flujo de datos «superior a lo normal» que llevara a la congestión del sistema, porque los datos y estadísticas más variados en relación con el registro de votos son conocidos y los cálculos son perfectamente realizables. La infalibilidad de las urnas electrónicas exige que todos los resultados posibles sean previsibles y que, por tanto, no haya ninguna anomalía.

¿Cómo es posible, entonces, que un sistema tan perfecto, como es el propagado por las instituciones del Estado brasileño, presente una falla que, después de ser supuestamente resuelta, haya modificado tan radicalmente la tendencia de los votos presidenciales?

Puede ser una coincidencia que Flávio Bolsonaro se haya desplomado y Lula haya subido después de la falla de las urnas. Pero, ¿quién sabe? El presidente del TSE reconoció que el sistema electrónico de votación es «complejo». Solo especialistas altamente capacitados, del propio TSE y de empresas de tecnología, consiguen acceder a él y comprenderlo, de acuerdo con la Justicia Electoral. Así pues, está en manos de esos especialistas —que son 150 técnicos desconocidos del público— el destino de un país entero para los próximos cuatro años. El cálculo de los votos que salen de las urnas es totalmente automatizado, no pasa por ningún ser humano. Un número aún más selecto de 22 funcionarios accede a la totalización automatizada de los votos.

Esto significa que 214 millones de brasileños necesitan confiar en esos 150 o 22 sacerdotes egipcios para interpretar esa ciencia oculta. Deben ser los seres más iluminados del planeta Tierra, 100% íntegros, honestos, inmaculados y vírgenes. Incluso los ministros del STF, presentados a lo largo de los últimos 15 años como individuos impecables, probos y castos, aparecen ahora envueltos en el mayor escándalo de corrupción de la historia reciente de Brasil, pero esos especialistas anónimos merecen la más absoluta confianza de los ciudadanos.

Fue por motivos así que la Corte Suprema de Alemania declaró el voto electrónico inconstitucional: «cada ciudadano debe ser capaz de comprender y verificar las etapas centrales de las elecciones de forma confiable y sin ningún conocimiento técnico previo especializado».

El veredicto, fechado en 2009, concluye:

«Un procedimiento electoral en el que el elector no pueda comprender, de manera confiable, si su voto fue registrado de forma infalsificable e incluido en el escrutinio del resultado de la elección, y cómo el total de los votos expresados es atribuido y computado, excluye elementos centrales del procedimiento electoral de la vigilancia pública y, por tanto, no cumple los requisitos constitucionales.»

El sistema judicial brasileño está sumido en su mayor crisis histórica y vive un verdadero western, con peleas partidistas interfiriendo en el funcionamiento de los trabajos. El partidismo, de hecho, contaminó a la mayor parte del poder judicial, incluido el TSE. En la recta final de estas elecciones, decisiones de la Justicia Electoral, apoyadas por el ala dominante en el STF, favorecieron a Lula.

Es evidente que esa ala dominante (representada por los ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes y Flávio Dino) no quiere la victoria del bolsonarismo, pues este es su enemigo político declarado. Esos ministros actuaron, en los últimos años, como verdaderos justicieros contra el bolsonarismo. Ahora que ellos mismos fueron sorprendidos en relaciones extremamente promiscuas con un banquero que corrompió a incontables altos funcionarios del Estado, su carrera burocrática está amenazada. La continuidad de Lula es una esperanza de salvación para estos señores, pues el presidente está comprometido con ellos y no puede romper ese compromiso sin arriesgar la propia cabeza, dado el nivel de dependencia que Lula contrajo en relación con los mandamases del STF. Ya una elección de Flávio Bolsonaro tendería a conducir a un choque con los cabezas de esas instituciones, aunque el propio candidato opositor no ha demostrado gran disposición a enfrentarlos, porque los que controlan las elecciones en Brasil (el capital financiero internacional) exigen moderación y pacificación; de lo contrario, dificultarán la vida de cualquiera que se elija presidente.

Y el pueblo es tratado como ganado, víctima de un sistema que no puede comprender, para perpetuar su explotación a través de la escenificación de la «fiesta de la democracia».

Lula’s contradictions finally take their toll

By: A A
6 October 2026 at 15:30

Even a victory by Lula, today improbable, will do no more than give a survival and prolong the agony in a false sense of stability.

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The perspective on the Brazilian elections after the 1st round is unanimous: Lula and the Workers’ Party were swept away and humiliated, and the prospects of a turnaround in the presidential elections are minimal.

Flávio Bolsonaro, son of former president Jair Bolsonaro, received 56 million votes, or approx. 47% of valid votes, while Lula received 53.8 million votes, or approx. 45% of valid votes – the result leads to a 2nd round, to be held on October 28. The problem for Lula is that the electorate of the candidates who placed 3rd, 4th and 5th have a greater tendency to vote for Flávio Bolsonaro than for Lula himself.

Lula can only pull votes by trying to convert those who did not vote, or those who voted null. There are 30 million voters in these conditions, so it is not a small number. But historically, the tendency is for this slice of the electorate to increase from the 1st to the 2nd round, rather than decrease.

Lula’s setback, however, is not only in his own dispute with Bolsonaro.

In number of state governors, his party, the PT, falls from 4 to 3 governors. And the party even managed to preserve its seats in the Senate and add 1 more federal deputy in the Chamber, but its Bolsonarist rivals from the PL gained 13 more seats in the Senate and 21 seats in the Chamber. In other words, even if Lula won, he would not be able to govern.

The reaction of Lula’s party and its militants is the worst possible: they blame the people for “not knowing how to vote” or for “being fascist,” the candidates of small left-wing parties for not having withdrawn their candidacies, they allege fantastical narratives of “manipulation” on the part of the U.S. and social networks – anything, except admitting that Lula’s government suffered from serious problems and was incapable of dialoguing with the population and understanding its demands.

Worse: they embrace an illusion in which Lula’s government would have been, in fact, exceptional and in which all economic indices would be marvelous, and “the poor” should thank Lula on their knees and vote for him forever.

Reality, however, is that except in the northeast region, where Lula was born, the PT became the party of the progressive middle class and the urban centers, while small and medium-sized cities and a significant portion of the popular sectors embraced Bolsonarism. And why?

Regarding the economy, the perception of improvement is false. The Lula government created or increased more than 30 taxes and fees of all types, mostly aimed against the middle and working class. To make matters worse, it tightened the regulation of micro-entrepreneurs, making their lives harder regarding tax issues.

The jobs created were mainly in the services sector and in extractivism, not to mention autonomous and precarious work. On the other hand, the government multiplied to infinity the “social benefits,” granted mainly to the lumpen layer of society, parasitic and hated by the positive sectors. Incidentally, only the richest sectors linked to finance received as many benefits as the lumpenproletariat in Lula’s government. And not coincidentally, the support classes for the PT were class A and class E, the two ends of the parasitic and unproductive system, which crush the productive classes (B, C and D) from above (through usury) and from below (through criminality).

One cannot underestimate, moreover, the problem of public security, to which we have been alerting for a long time. Lula’s discourse on sovereignty is empty when ¼ of the Brazilian population (according to a study by Cambridge University Press) lives in territory controlled by drug trafficking organizations. The Brazilian’s tolerance for this situation is over.

But the government’s leniency is not. On the contrary, Brazil lives the schizophrenic situation of being soft with dangerous criminals and extremely repressive against those who say politically incorrect things on the internet. It has become commonplace in Brazil for ordinary people to be arrested and convicted of “hate crime” when refusing the entry of some “trans” person into a women’s restroom.

And in a gross error of judgment, the PT decided to associate its own fate with the STF, exactly the core of liberal power that guarantees the implementation of all globalist agendas in Brazil and that operates a draconian apparatus of repression and silencing. Lula forgot that he himself was persecuted and imprisoned by the Brazilian Judiciary, and decided to ally himself with this sector to try to impose the same fate on Bolsonaro.

The shot, however, backfired. Lula’s dispute is with Flávio Bolsonaro. But whoever won this election, being convicted, imprisoned, ailing and censored, is Jair Bolsonaro.

Speculations about “foreign interference” in the elections are futile and puerile since they are unnecessary. All the causes of Lula’s defeat are in his own government.

Not even in foreign policy – the area most praised by foreign colleagues – do we escape the contradictions: condemnation of Nicaragua in the UN Human Rights Council, veto of Venezuela’s entry into BRICS and delegitimization of Nicolás Maduro’s reelection, tacit alliance with Macron’s France, EU-Mercosur Agreement, ABIN’s collaboration with French and German intelligence, pressure to try to slow down the growth of BRICS, and we could continue at length.

That is why within Brazil, the foreign policy element cannot be seen, in these elections, in the “dualist” way it is seen from outside in (in which there is the myth of a “multipolarist Lula” and an “Atlanticist Bolsonaro”). In truth, both Lula and Bolsonaro play with both sides of the geopolitical field; it is only their discourses that are slightly divergent. Naturally, the propagandists of both sides will swear that it is not so, but that is what the cold analysis of facts points to.

In the end, we are at the gates of the “end of the Lula Era,” and of the final moments of a political career that marked the history of Brazil, which had its highs and lows, its positive and negative points, but which ends in a bittersweet way, due to the absence of a nation project and the opportunistic obsession of perpetuating itself in power at any price – including at the price of betraying the principles of the time of the founding of the Workers’ Party.

Lula will leave the PT orphaned. There was no concern with forming a successor worthy of Lula. Worse: the praxis of the PT led it to crush the smaller left-wing parties and to absorb their main cadres to prune and control them before they could become bigger than Lula.

In this sense, with the end of Lula’s political career, the left dies. Or at least ONE left. The liberal-progressive left of the Sixth Republic and the 1988 Constitution. What remains to be seen is whether what will triumph in the inevitable dispute over its legacy is an even more radically progressive left, or whether a nationalist left will return, such as already existed in Brazil in other eras.

Even a victory by Lula, today improbable, will do no more than give a survival and prolong the agony in a false sense of stability. Not only of the left, but also of Brazil.

What changes with Lula or Flávio?

By: A A
6 October 2026 at 15:00

Realist considerations on the Brazilian elections.

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Brazil’s presidential elections are approaching. And with them come controversies, debates, and different perspectives on what this event means for Brazil, for the BRICS, and for the future of the multipolar world.

In a recent article, respected Brazilian political analyst Valdir Bezerra argued that the 2026 elections represent a turning point in Brazilian history, potentially determining Brazil’s role in the world. According to Bezerra, the election pits, on the one hand, the “autonomist” tradition, represented by Luiz Inácio Lula da Silva, against, on the other hand, the “Westernist” one, represented by Flávio Bolsonaro.

With all due respect to Bezerra’s work, as one of the most highly regarded analysts in the Russian-Brazilian political debate, I would like to present a critical view of his position here. My intention is not to “refute” Bezerra’s argument, but merely to explain why I do not consider this opposition between autonomism and Westernism a valid premise for analyzing the current electoral dispute. Furthermore, I would also like to explain why I do not consider the 2026 election a decisive moment in determining Brazil’s international role.

Flávio is a Westernist, but Lula is not an autonomist

The umbrella terms used to define these two “traditions” of Brazilian foreign policy do not seem remotely applicable to the current reality. The terms through which many Brazilian thinkers once defined the opposition between those who support national sovereignty and development and those who advocate a subordinate position toward the Atlantic axis have long since become obsolete in the upper levels of Brazilian politics – where there is currently no figure worthy of the title of “autonomist.”

There is no need to comment here on the Westernist nature of Flávio Bolsonaro, who, like his father before him, advocates a foreign policy of total alignment with the United States and Israel, as well as an agenda hostile to the BRICS and multipolarist platforms. The central question, however, is to understand where Lula stands between Westernists and autonomists.

Brazil’s current president has governed the country on three occasions and played a leading role in some of the most significant events in international politics in the twenty-first century. He was a co-founder of the BRICS, built alliances with sovereigntist governments in the Americas – Venezuela, Bolivia, and Cuba – in the 2000s, maintained friendly ties with Iran, and, more recently, strengthened partnerships with Russia amid the Western-imposed sanctions regime, in addition to openly condemning the genocide in Gaza.

All of this is extremely admirable, but a fair analysis of Lula requires presenting the other side of his political profile: Lula has never been a “multipolarist,” but rather a skillful operator within the multilateralism of the Obama era in the 2000s. This is compounded by the fact that Lula was openly supported by the Democratic establishment in the 2022 elections. Indeed, Lula’s third government has been marked by controversies worthy of a classic “Westernist” leader: Lula did not recognize the Venezuelan elections, initiated tensions with Nicaragua, vetoed Venezuela’s accession to the BRICS, sidelined negotiations for a Mercosur-China agreement in order to prioritize a free-trade pact with Europe that is extremely detrimental to South American countries – an agreement that could even be described as neocolonial, turning Mercosur countries into commodity exporters and technology importers. This is without even mentioning the close, almost fully aligned relationship with the Macron regime in France.

Lula has certainly made several correct decisions, but if we go back a little in time, former President Jair Bolsonaro did as well: he refused to sanction Russia and to condemn the Special Military Operation – unlike Lula, who repeatedly condemned it -, strengthened partnerships with China, preserved the BRICS structure, and abandoned alignment with post-Trump U.S. foreign policy, becoming a target of Joe Biden.

In the end, weighing successes against successes and mistakes against mistakes, both sides appear very far from any “autonomist” ideal.

So, how should we define Lula and Flávio?

We can summarize this point in a single sentence: both Lula and Bolsonaro are, each in his own way, Westernists.

On several other occasions, I have commented in my column on how I view Brazil’s Sixth Republic – the current constitutional regime founded in 1988 – as a kind of “permanent color revolution.” On one side, an openly pro-U.S. and pro-Israel liberal right; on the other, an institutionalist liberal left, ideologically and financially connected to a major international lobby stretching from the U.S. Democrats to the European Union.

The current partial tensions between Lula and Trump are nothing new. Bolsonaro became an extremely troublesome figure in Brazil-U.S. relations as soon as Biden came to power. What many analysts fail to perceive is that Brazil-U.S. relations are defined by the dialectic between the left and right in Brazil and the Democrats and Republicans in the United States. Lula was Biden’s friend, just as Bolsonaro was Trump’s friend. If Lula wins the 2026 election, he will face many problems – at least until a possible Democratic return to power in the United States. If Flávio wins, Brazil and the United States will be in total alignment – but only as long as Trump remains in the White House.

It is this dynamic that allows the United States to keep Brazilian politics under stable control. Washington does not need to stage a Maidan in Brazil. Indeed, the formula of “coup + dictatorship” does not tend to work in large and diverse continental countries such as Brazil – and the greatest proof of this is Brazil’s own experience during its military regime, which was initially backed by the United States but later became an autonomous, non-aligned regime following an internal self-coup among the military. It is no coincidence that the United States endorsed Brazil’s democratization, helping to create precisely the political regime that exists today.

On one side, a right supported by the Republicans, Israel, and the transnational neoconservative lobby; on the other, a left that obeys the Democrats and the Europeans. Lula was a major multilateralist at a time when Washington, under Obama, encouraged precisely this kind of veneer over U.S. unipolarity; Bolsonaro was an open U.S. puppet at a time when Washington, under Trump, demanded precisely that. The difference is very small – or nonexistent.

And what does the 2026 election really represent?

At the international level, nothing or very little.

If he wins, Lula will come under pressure while Trump remains in power. And over the past four years, Lula has already shown that he compensates for American hostility by becoming even more closely aligned with the Europeans. On the other hand, if Flávio wins, we will have at least a period of total alignment with the United States, which could change following a possible Democratic victory in the next presidential elections. It is a very clear choice between Republicans-Israel and Democrats-EU. “Autonomism” is not part of the equation.

At the domestic level, however, many factors are at stake.

It is on the domestic front that the debate over the election should be concentrated. After all, no Brazilian will vote for one candidate or the other because of Palestine or the BRICS – which, although legitimate causes, are distant realities for the average citizen. Domestically, we have a Lula who is becoming increasingly weakened by the side effects of years of alliance with the Judiciary Branch – which is now being scrutinized and exposed in the context of the Banco Master corruption scandal. On the other side, Flávio is recovering ground that was once considered lost, and the two now appear statistically tied in the polls.

The Judiciary accumulated extraordinary powers under Lula, to the point of imprisoning peaceful protesters and elderly people on charges of “terrorism” simply because they participated in pro-Bolsonaro demonstrations. The hostility between the Judiciary and Bolsonarism cannot be reversed except through a victory by Flávio that culminates in the appointment of Bolsonarist judges to the Supreme Court – thereby reshaping the course of the Republic itself.

We can summarize the situation by saying that Lula would give the Sixth Republic a new lease on life, while Flávio would accelerate its collapse. As long as the Sixth Republic exists, no genuinely “autonomist” alternative will emerge in Brazil because the Brazilian constitutional system itself prevents such an alternative. But this does not mean that the imminent collapse of this system would result in a “multipolar dawn” in Brazil, since there is no political movement in the country – apart from the extremely “Westernist” Bolsonarist movement itself – with sufficient strength to establish a new state project.

The conclusion may be frustrating for the more optimistic and hopeful, but what appears to be about to happen in Brazil in 2026 is absolute nullity. With Lula or Flávio, little is likely to change. Brazil will remain a declining middle power, politically subordinate to the United States, but with a certain degree of freedom to engage multilaterally with the Eurasian powers – while domestically, the institutions of the Sixth Republic continue to destroy themselves.

The Bolsonaro clan: A presidential hopeful, four new parliamentarians and a tangle of internal issues

6 October 2026 at 11:20

The Bolsonaro family tree can be very confusing, so a guide is often helpful. “God, homeland, family and liberty” is the slogan that sums up the idea of Brazil put forward by the clan in recent years. The most radical Bolsonarists interpret the term “family” in the most traditional sense — father, mother, children and perhaps a pet — even though millions of Brazilians do not fit that model. Not even Jair Messias Bolsonaro, 71, the former military officer who restored pride and visibility to Brazil’s far right. After three marriages and two divorces, the patriarch formed a family with five children (four adult men, all politicians, and one teenager), a political clan that also includes his current wife, a family shaken by scandals and endless internal tensions. Last Sunday, the former president’s eldest son, Flávio Bolsonaro, won the first round of the election against incumbent President Lula, and five Bolsonaros won parliamentary seats. Here is a guide to help keep track.

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© Buda Mendes (Getty Images)

Jair Bolsonaro and his sons Eduardo (left) and Flávio, during a rally in Rio de Janeiro in 2024.

Lula aims to pull off a miracle by mobilizing abstainers to defeat Bolsonaro

Lula, who was born in 1945 in a small town in the interior of the state of Pernambuco, defied the odds by surviving hunger and disease as a baby — a fate that befell so many of his compatriots in those same circumstances. Now he dreams of defying the odds, and history, once again. Never since Brazil restored democracy in 1985 has anyone who finished second in the first round of the presidential election gone on to win the final vote. President Lula da Silva, who on Sunday secured 45% of the vote compared to Flávio Bolsonaro’s 47%, is devising a strategy to attract centrist voters and mobilize the masses of abstainers, with a special focus on those aged over 70. He has three weeks to make what now sounds like nothing short of a miracle a reality.

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© Andre Penner (AP)

Luiz Inácio Lula da Silva addresses supporters on October 4.

Brazil on the brink: Why Lula is down against Bolsonaro Jr

6 October 2026 at 04:01

With the Brazilian presidential election headed to a runoff, Luiz Inácio Lula da Silva is down 47% to 45% and faces a massive fight ahead. I wanted to give a quick analysis of what happened and where things are going next. Lula could still win if he can consolidate support from third parties Lula lost […]

The post Brazil on the brink: Why Lula is down against Bolsonaro Jr appeared first on Asia Times.

The far right wins the first round in Brazil, but Lula isn’t done yet

6 October 2026 at 01:56

On October 4, over 150 million Brazilians were called to the polls to elect their president, deputies, and governors, and to replace the majority of senators. The elections, for many, brought a major surprise. Although polls indicated a lead for the incumbent president, progressive Luiz Inácio “Lula” da Silva, far-right Senator Flávio Bolsonaro clinched first place. Flávio is the son of former President Jair Bolsonaro who is currently serving a 27-year sentence for his involvement in an attempted coup against Lula in 2022.

According to the final tally, Bolsonaro received 47.03% of the vote (56 million votes) while Lula received 45.16%, nearly 54 million votes. Thus, Bolsonaro’s lead amounts to just over 2 million votes. In third place is Augusto Cury, with 2.89%. He is followed by Renan Santos and Ronaldo Caiado, with 2.24% and 2.18%, respectively. The remaining candidates received less than 0.3%.

A look at how the different regions of the country voted, a clear political divide between the north and the south of the country becomes apparent. The north (including states such as Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, and Rio Grande do Norte) supported the continued presence of the state and the welfare policies proposed by Lula.

For its part, including the northern state of Roraima, the south of the country clearly backed Bolsonaro’s neoliberal and pro-Trump agenda: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, and Rio Grande do Sul voted for Bolsonaro.

On his X account, the far-right senator from the Liberal Party (PL) said: “Together, we’re going to build a new Brazil. A Brazil of prosperity! Tomorrow, you’ll stand before the ballot box and choose the future of our country, the future of our children, of this generation and the next. Change is in your hands. Brazil is going to win!”

For his part, the president and candidate of the Workers’ Party (PT) said: “The result is often unexpected. You never get everything you want.” Yet, Lula, who has fought dozens of political battles, said: “[The runoff] is the time to show the true picture of Brazil today and of the Brazil we want.”

To secure victory, Bolsonaro hopes to win over the votes of the candidates who finished behind the finalists – the majority of whom undoubtedly hold right-wing ideologies. Lula, however, can still turn the situation around if he manages to form the right alliances and win over voters who cast invalid ballots (about 3%), as well as those who abstained, who account for 21.08% of the total electorate.

Senate, house of representatives, and governors

And while Lula has expressed optimism about the possibility of turning the tide in the presidential runoff to be held on October 25, the political reality in Brazil has changed. Bolsonaro’s PL party has managed to double its number of senators: it won 19 of the 54 seats up for election out of a total of 81 senators. Among them, immediate family members of the former president, such as Michelle Bolsonaro and Carlos Bolsonaro, won seats. In total, the PL will hold more than a third of the Senate, while Lula’s PT will hold 9.

This institution is particularly important because it approves or rejects the judges of the Federal Supreme Court (the country’s highest court) who are nominated by the president. This gives Bolsonaro significant ideological leverage, as he claims his father is being held in custody due to a conspiracy between political powers and a biased judicial system.

In the elections for the Chamber of Deputies, which has 513 seats, the Bolsonaro camp also secured a significant victory. With 100% of the votes counted, the PL won 121 seats, while the Brazil of Hope Federation coalition (which includes Lula’s PT, the Green Party, and the Communist Party) won 88 seats.

However, due to the method of seat allocation, Brazil favors a Chamber of Deputies with representation from many political forces. This is how the Progressive Union secured 87 seats, the Social Democratic Party 43, the Republicans 41, the Brazilian Democratic Movement 36, Podemos 27, the PSOL 15, as well as the Brazilian Socialist Party, among others.

Thus, while the right has the numbers to secure a numerical advantage in the Chamber of Deputies, it will have to contend with deep-seated and historic internal contradictions that could complicate a potential Bolsonaro presidency. Similarly, if Lula manages to prevail in the runoff, he will face a highly complex Senate and Chamber of Deputies that could potentially oppose him.

In the gubernatorial elections, the PL is also the biggest winner. Of 27 states, the Liberal Party has won six so far, while the PT, the Social Democratic Party, the PP, and the Republicans have each won three. Other states will have to elect their governors in a runoff election.

The most talked-about result is the decisive victory in São Paulo by Tarcísio de Freitas, Jair Bolsonaro’s former Minister of Infrastructure, who defeated Fernando Haddad, Lula’s right-hand man. São Paulo is Brazil’s most populous state (46 million people) and home to the South American country’s most powerful economic hubs.

A political future in doubt

It has been repeatedly emphasized that, due to its economic and geopolitical importance, the elections in Brazil are of enormous significance for the future of Latin America. It is no coincidence that former US Secretary of State Henry Kissinger (who promoted a series of dictatorships in the region) said: “Whichever way Brazil leans, Latin America will lean that way.”

The South American far right, which has enjoyed unprecedented electoral success in recent years, knows that without Brazil, its poker hand will always be incomplete. Uruguay indeed remains the only country in the region that does not share the views of Milei in Argentina, Kast in Chile, or De la Espriella in Colombia, but Brazil alone accounts for more than 50% of the region’s total GDP.

Similarly, the left and the center know that a potential victory for Lula would be one of the last battles to be fought against the formidable advance of a right wing aligned with the foreign policies of Trump and Israel, with the most orthodox neoliberalism, and with the economic interests of capital magnates, including the big tech companies. And if Lula manages to recover from this defeat, it would mark a major shift in course for the legendary union leader – not only for Brazil but for the entire region.

As Lula said, “now a different kind of campaign begins.” Both candidates will pull out all the stops to win control of South America’s most populous and powerful country. It certainly won’t be a “clean” campaign, but if one pays attention to the finalists’ statements, every means at their disposal will be used to achieve the coveted goal.

US influence on the elections

Political analysts have expressed concerns about alleged foreign interference in the elections. In July 2025, Trump had imposed 50% tariffs on Brazil over what he considered an unfair ruling against Jair Bolsonaro – whom the US president calls “his friend”.

In August 2026, the United States revoked the visa of Brazil’s ambassador to Washington, a move denounced by Brasília as a violation of international law. 

Just last week, US Secretary of State Marco Rubio ordered the closure of the US embassy in Brazil during the elections due to alleged “threats,” a move viewed by some political commentators as a tactic to create tension during the elections.

During the first round of the presidential campaign, Trump did not make any direct statements of support for Flávio Bolsonaro. However, once the results were known, the US president told the press: “It’s a great victory – a close one, but a very, very great, incredible victory.”

In this regard, it remains to be seen whether Trump will make some kind of direct statement in support of Bolsonaro’s candidacy – as he has done in past elections in Colombia, Argentina, Honduras, and elsewhere – in favor of far-right candidates who support his agenda. Or, even more importantly, whether he will make any kind of promise to the Brazilian people if Bolsonaro wins – or, worse yet, threaten them if they vote for Lula.

Como o agro e o interior podem explicar diminuição de votos para Lula

5 October 2026 at 23:00

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

O domingo do primeiro turno terminou com uma surpresa, ao menos para quem acompanhava a maioria das pesquisas eleitorais e também para os próprios candidatos. “Confesso que estava convencido de que iria ganhar no primeiro turno”, disse Lula ontem. O atual presidente marcou 3,3 milhões de votos a menos do que no primeiro turno de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro conseguiu 5 milhões de votos a mais que seu pai, Jair.

O resultado pode ser explicado por vários fatores: como a Agência Pública mostrou, escândalos políticos podem ter favorecido o desejo “antissistema” que – apesar de ser uma grande contradição –, é usado politicamente por Flávio e bolsonaristas. O caso do Master, inclusive, não foi capaz de impedir que muitos políticos diretamente citados nas investigações e vazamentos ligados ao banco conseguissem se reeleger. Isso inclui o próprio Flávio, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas em relação ao financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai. Flávio pediu dinheiro diretamente para Daniel Vorcaro, trocou dezenas de mensagens com o ex-banqueiro e marcou encontros com ele.

Além dos escândalos políticos, outras variáveis ajudam a entender a diminuição de votos de Lula e o crescimento de Flávio, e elas ficam evidentes no próprio mapa do Brasil. Levantamento de dados feito pelo cientista político Marco Antonio Faganello, pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP), mostra que Lula perdeu mais votos em municípios que não são capitais, e essa perda é ainda mais gritante em cidades menores onde a participação do agro na economia é grande. “Onde o agro está em mais de 50% no PIB (Produto Interno Bruto), no conjunto, Lula perdeu 8% dos votos em relação a 2022”, aponta.

A análise de Faganello mostra que municípios pequenos do interior, com alto PIB per capita, proporção de moradores que se declaram brancos e jovens mais alta e com grande atividade agropecuária estão onde Lula mais perdeu votos proporcionalmente a 2022. É esse o tipo de perfil de vários municípios de Goiás, estado onde a diminuição dos votos para Lula foi a mais significativa na proporção com 2022.

O pesquisador também aponta que o Nordeste, apesar de ser um reduto tradicional de Lula e não ter registrado uma queda significativa nos votos para o atual presidente, foi onde Flávio mais avançou. “A direita cresceu nos nove estados do Nordeste. Flávio superou o resultado de Bolsonaro em 98% dos 1.794 municípios da região. No Nordeste, Lula perdeu poucos votos, mas a direita cresceu em todos os estados: de 27% para 30,9% dos votos válidos”, detalha.

Na entrevista, Faganello também avalia como a abstenção, apesar de ter sido recorde, não parece ter impactado a perda de votos de Lula no Brasil como um todo, com exceção de Salvador, onde a ausência de eleitores impactou a votação do petista. Além disso, para o pesquisador, a proporção de evangélicos entre a população pode não explicar essa mudança. Contudo, Faganello ressalta que ainda há dados que o Tribunal Superior Eleitoral deve divulgar que podem detalhar esses aspectos.

Confira os principais trechos da entrevista aqui.

Marco Antonio Faganello é cientista político e pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP)
Marco Antonio Faganello é cientista político e pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP)

Na sua análise, você conclui que Lula teve menos votos em 2026 em relação ao primeiro turno de 2022 em 98% dos municípios do Brasil. Mas isso aconteceu diferente nas cidades pequenas e nas capitais e também a partir de outros fatores, como atividade agropecuária. Você pode explicar melhor essa diferença?

Estamos falando em votação proporcional, isto é, no quanto os votos que foram para o Lula em 2022 aumentaram ou diminuíram em 2026, proporcionalmente. Os dados mostram que essa queda foi maior sobretudo nos pequenos municípios e nos municípios ligados ao agro, além de ter um recorte por região do país. São esses os três principais fatores: tamanho, agro e região.

Sobre o tamanho dos municípios, quanto menor, mais Lula perdeu votos em relação a 2022. Nos municípios com até 5 mil habitantes, ele perde cerca de 7% [comparando 2026 a 2022]. Nos com mais de 500 mil habitantes, ele perde só 1%.

É importante ressaltar que isso é uma faceta, porque se você olha pra outro lado, em números absolutos, esse contingente de municípios pequenos não contribui tanto para a diminuição dos votos do Lula.

Se você aumentar esse grupo para municípios com até 50 mil habitantes, você chega a 50% da perda de votos que Lula teve entre 2022 e 2026. Já por outro lado, o Flávio ganhou votos nesses mesmos municípios em que o Lula perdeu. Ou seja, o voto que o Lula perdeu foi pro Flávio. Os demais candidatos desidrataram demais, não chegaram a influenciar essa conta.

Gráfico mostra onde Lula perdeu votos no primeiro turno das eleições 2026
Gráfico mostra onde Lula perdeu votos no primeiro turno das eleições 2026

Explique mais sobre esse recorte da presença do agro nos municípios. Você comparou a porcentagem da participação da atividade agropecuária no PIB municipal? Você pode citar alguns exemplos?

Isso, eu peguei a porcentagem da atividade agropecuária no PIB municipal. Para se ter uma ideia, em municípios onde essa porcentagem está em menos de 5% do PIB, Lula perdeu 2% no conjunto de votos. Mas onde o agro está em mais de 50% no PIB, no conjunto, Lula perdeu 8% dos votos em relação a 2022. Esses municípios pegam só 2% da população brasileira.

É interessante que, cruzando porte [da cidade] e agro, você vê que, nos municípios bem pequenos, de até 5 mil habitantes e que têm mais de 50% de PIB no agro, Lula perdeu 9% dos votos. Já entre os pequenos que têm menos de 5% do PIB no agro, Lula perdeu bem menos votos, menos de 4%. E essa perda de votos do Lula foi para o Flávio, não virou abstenção.

Isso levanta a hipótese de uma afinidade ideológica forte em municípios muito pequenos e com alta participação do agro. Uma pergunta ainda a se fazer é porque isso não pesou tanto em 2022 quanto em 2026.

E como a diferença entre as regiões do país e dos estados entra nessa conta?

No Sul e no Centro-Oeste foram onde aconteceram as maiores perdas de votos para Lula. Mas existe uma queda generalizada no país: parece que o que foi conquistado em 2022 se perdeu.

Foram 3 milhões de votos a menos que no primeiro turno de 2022. Não é uma flutuação gigantesca, mas nas últimas eleições é isso que tem acontecido, uma proporção de votos menor, que fica no meio, que fica flutuando. E quem decide a eleição são justamente essas pequenas flutuações.

E sobre a abstenção? Você aponta que ela não teve efeito na perda de votos para Lula. Por que?

A abstenção aparece como algo generalizado no país. Onde você teve mais abstenção, Lula não perdeu mais votos. A abstenção não parece ter relação nem com agro, nem com região do país. Ela bateu recorde em números absolutos, mas não foi uma variável que ajude a explicar a perda de votos de Lula.

Na sua análise, você aponta que o fator da religião evangélica não pesou nessa diminuição de votos do Lula. Por quê? E outros fatores, como entraram?

A porcentagem de evangélicos na população dos municípios não aponta uma mudança significativa de 2026 para 2022, Lula nem perdeu nem ganhou votos nas cidades a partir desse recorte – ele já não tinha [esses votos].

Já quanto mais jovem a população do município, mais o Lula perdeu votos. Quanto mais branca, também, e renda per capita do município também influencia. Quanto maior a renda, mais o Lula perdeu.

E teve uma diferença muito gritante entre capital e interior: Lula quase não perdeu nada na maioria das capitais, mas bastante em cidades que não são capitais.

Então dá pra dizer que entre os municípios onde o Lula mais perdeu votos existe um perfil comum? Municípios com grande participação do agro na economia, com população mais branca, mais jovem e com PIB per capita maior?

Sim.

E o contrário, onde o Flávio ganhou votos em relação a Jair?

O PL [votos para Flávio] ganhou 5 milhões em relação a 2022, em todo o país. E desse total de ganhos que o Flávio teve em 2026, 32% vieram do Nordeste. Foi onde ele mais avançou.

A direita cresceu nos nove estados do Nordeste. Flávio superou o resultado de Bolsonaro em 98% dos 1.794 municípios da região. No Nordeste, Lula perdeu poucos votos, mas a direita cresceu em todos os estados: de 27% para 30,9% dos votos válidos (mais 1,6 milhão de votos). O maior ganho, em pontos percentuais, foi no Ceará e no Maranhão.

Gráfico mostra onde Lula perdeu votos no primeiro turno das eleições 2026
Gráfico mostra onde Flávio Bolsonaro ganhou votos no primeiro turno das eleições 2026

Você também aponta que o Lula cresceu em 102 municípios – há algum padrão nestas cidades?

Lula ganha mais percentualmente em municípios de regiões variadas, Sobral, no Ceará; Macapá, no Amapá; Belém, no Pará; Niterói, no Rio de Janeiro; Aracaju, em Sergipe; Recife, em Pernambuco; Santos, em São Paulo; Rio Branco, no Acre; Fortaleza, no Ceará; e até na cidade do Rio de Janeiro. No geral são cidades grandes e médias.

Já Lula perdeu mais em várias cidades de Goiás, ali perto de Rio Verde. Depois em municípios do Tocantins e do Rio Grande do Sul.

Olha que curioso: Lula perde mais [votos proporcionalmente] na Bahia, com 3,6%, que em São Paulo, 3% [entre 2026 e 2022].

Na Bahia, Salvador concentrou 38% da perda de votos de Lula no estado, mas só 6% do ganho da direita: em Salvador, Lula perdeu votos sobretudo porque menos gente votou. No interior, a direita cresceu com mais eleitores indo às urnas.

Flávio Bolsonaro e o risco de um presidente com esqueletos no armário

5 October 2026 at 16:00

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O Brasil que sai do primeiro turno está flertando com uma crise institucional permanente. Flávio Bolsonaro teve 2,2 milhões de votos a mais que Lula, ficando em 47% dos votos versus 45,1% do atual presidente. Se eleito, Flávio teria uma bancada de 28 nomes no Senado e 121 na Câmara dos Deputados apenas do PL, seu partido, um desempenho histórico. 

Mas Flávio Bolsonaro é um candidato com muitos esqueletos no armário. Está enredado em vários escândalos e corrupção dos quais, hoje, conseguimos ter apenas um vislumbre, mas que vão se aprofundar nos próximos meses. E isso levará necessariamente a um governo maculado por revelações do seu primeiro ao seu último dia. 

A jornalista Flávia de Oliveira chamou a atenção para o fato de que, por conta da ação de André Mendonça de manter sigilo do caso Master, Flávio é o único candidato investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas – e o eleitor não foi informado disso a tempo. 

Mesmo que você esteja acompanhando as notícias, é possível que tenha perdido as revelações mais recentes.  

Pois vamos a elas. 

Primeiro, as rachadinhas, esquema de desvio de verba pública dos mandatos de Jair Bolsonaro e seus filhos através de saques em dinheiro vivo de funcionários, que depois repassavam à família, das quais Flávio sempre foi figura central. O resultado foi demonstrado há alguns anos pelos jornalistas Juliana Dal Piva e Thiago Herdy: 51 imóveis dos Bolsonaro foram pagos parcialmente em dinheiro vivo. O processo judicial das rachadinhas foi extinto pelo STJ, que questionou a quebra de sigilo fiscal, mas as evidências existem e podem gerar novas investigações.  

Segundo, vamos ao caso Master. Ainda hoje sabe-se apenas parcialmente sobre a relação entre Flávio e Daniel Vorcaro. Além do financiamento generoso do filme Dark Horse e dos muitos diálogos resgatados do celular de Vorcaro, não sabemos qual o valor real dos depósitos, que tipo de dinheiro criminoso foi usado para o pagamento pela empresa Entre Investimentos, que lavava inclusive dinheiro para o crime organizado, e nem para que fim o dinheiro foi usado nos EUA. Não se sabe, ainda, que outros favores e apoios foram prestados pelo banqueiro para Flávio – com quem ele tinha uma relação de amizade, segundo demonstram os diálogos completos publicados pela revista piauí: são 50 mensagens de Flávio, 46 de Vorcaro e 14 ligações – oito delas atendidas. Sempre se tratando como “irmãos”, Flávio chegou a oferecer a Vorcaro uma reunião com Eduardo Bolsonaro em Dubai em novembro do ano passado: “Tá precisando de algo lá? Peço pra ele te encontrar”. Além disso, jantares, cafés da manhã e muitas ligações organizadas entre os dois. 

A mesma revista revelou, ainda, que Flávio e Vorcaro viajaram para Fort Lauderdale, na Flórida, no feriado prolongado de 1º de maio de 2025, tendo passado 3 dias ao mesmo tempo no balneário, apenas dias depois do primeiro depósito de Vorcaro para o filme Dark Horse. É provável que tenham passado e celebrado juntos em uma das famosas festas de Vorcaro nestes três dias. Ainda não sabemos até onde foi essa relação. 

Terceiro, a ligação próxima com o “Careca de INSS”. Como revelou o ICL, Flávio tem uma empresa de capacetes que está registrada no mesmo lugar de empresas do operador financeiro do esquema que desviava verba dos aposentados e causou prejuízo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Além de usar o mesmo escritório, a empresa de Flávio usava a mesma contabilidade de Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, atualmente preso.

Quarto, os indícios de corrupção na gestão de hospitais públicos no Rio de Janeiro, inclusive durante a pandemia de Covid. Em uma reportagem bastante detalhada  aqui na Agência Pública, mostramos como Flávio comandava as decisões administrativas e indicações para a gestão dos hospitais federais durante a epidemia. Há diversos indícios de superfaturamento e má conduta em diversos destes hospitais, segundo investigações do TCU e outros órgãos. Esta história está só no começo.  

Quinto, a figura do advogado Willer Tomáz começa a aparecer como uma sombra sobre o passado de Flávio. O advogado já foi descrito como amigo de Flávio pelo próprio, viajou com ele para um safári na África do Sul e usou o jatinho de Willer em sociedade com Daniel Vorcaro. Willer Tomaz atualmente é investigado pela PF depois de iniciar um processo judicial no qual alega que apostou R$ 6,6 bilhões na bet Blaze por “ludopatia” e tenta recuperar R$ 163 milhões.  

Sexto, possível lobby junto ao ministro do STF Kassio Nunes, um expediente descrito por Rodrigo Rangel na sua reportagem sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio seu na fábrica da Kopenhagen, publicado no site Platô. Nas palavras do jornalista, Flávio era um “resolvedor-geral da República” durante o governo de Jair Bolsonaro e teria recebido mimos por isso, incluindo um rolex de 300 mil reais. Rangel é uma das pessoas em Brasília que tem muito mais documentos sobre a relação de Flávio e o ex-sócio, mas não o único. Dentre o material descrito na reportagem estão notas fiscais, relatos, fotos “impublicáveis” de Flávio em orgias com o ex-sócio, segundo descrito na reportagem. Mais gente tem esses documentos – eles vão acabar vindo à tona.

Se for eleito, Flávio Bolsonaro terá as investigações do caso Master suspensas, segundo análise do Jota. Mas o jornalismo investigativo continuará a fazer o seu papel. 

Temos um presidente maculado por corrupção e escândalos variados antes mesmo de pisar no Palácio do Planalto. Não há bancada forte que segure o impacto disto sobre a opinião pública. Além disso, vale lembrar, a liderança de Flávio é contestada mesmo dentro das fileiras do Bolsonarismo. A bancada eleita tem sua agenda própria e desafetos variados que não vão tardar a aparecer.     

Portanto, esta coluna é um aviso. Se o Brasil eleger Flávio Bolsonaro, não estamos flertando apenas com um governo de viés autoritário, mas com um governo que será maculado por escândalos e turbulências, assombrado por ex-sócios, fotos e vídeos “impublicáveis”, e que para se manter no poder só terá o caminho de chafurdar-se mais ainda na lama e perseguir a imprensa e os oponentes – como fez Trump nos EUA. 

Para quem busca “estabilidade”, “previsibilidade” e “segurança fiscal”: está dado o recado.     

Lula vows to fight for Brazil’s presidency: “Starting tomorrow, we begin a new campaign.”

5 October 2026 at 18:56
Brazil's President and re-election candidate for the Workers' Party (PT) Luiz Inacio Lula da Silva (2nd-R), his wife First Lady Rosangela Janja da Silva (R), Vice-President Geraldo Alckmin (L), and his wife Lu Alckmin (2nd-L) raise their arms following the partial results of the presidential election in Sao Paulo, Brazil on October 4, 2026. Photo by NELSON ALMEIDA / AFP via Getty Images

This story originally appeared in Panamerican Dispatch on Oct. 05, 2026, and is shared here with permission.

President Luiz Inácio Lula da Silva spoke on Sunday, after the release of the results of the first round of the 2026 elections. He said his campaign for a second round of the presidential race begins this Monday, October 5.

Lula will face Senator Flávio Bolsonaro in the runoff, scheduled for October 25.

In his speech, Lula stated that he intends to present to voters the differences between the two candidates’ platforms.

“Starting tomorrow, we begin a new campaign,” he said. “We will be able to show the difference between the proposals that exist for Brazil. The Brazilian people will have no doubt about choosing who will win the election.”

Lula also launched direct attacks on Flávio Bolsonaro’s political track record and cited the candidate’s past.

“He has a dark history,” Lula said. “With dark connections, with extremely serious suspicions, with ties to militia members and organized crime. All of this will become clear.”

The president mentioned Banco Master. He claimed that Flávio had a hand in the institution’s creation.

“Banco Master resulted in the greatest corruption scandal in this country and the biggest free-for-all involving politicians,” he said.

The accusations raised by Lula are part of his runoff campaign rhetoric and are expected to be a key point of contention between the two candidates in the coming weeks.

The president also argued that the race should be framed as a choice over the country’s future. He stated that his candidacy represents an opportunity to drive change in the Brazilian economy.

“We will show what has been done and what society expects to be done,” he said. “No one is better positioned than us to offer a future to Brazilian society.”

Lula further stated that Brazil needs to take a “qualitative leap” to become internationally competitive.

“I’m very good at the knockout stage”

Commenting on the first-round results, Lula referred to the fact that he had won the second Rond vote in previous presidential elections.

“It didn’t work out [this time],” he said. “You know why? Because the people like seeing me compete in the runoff.”

In a lighthearted tone, he added, “I’m very good at the knockout stage.”

The runoff will be a head-to-head contest between Lula and Flávio Bolsonaro, after neither candidate secured more than 50% of the valid votes in the first round. The vote will take place on October 25.

“More than 20 million people didn’t turn out to vote,” he said. “We are going to make an appeal: at this historic moment for Brazil. Voting is essential to determine the country’s future.”

“Bolsonaro supporters had better get ready,” he said. “Because we are going to defeat them.”

You can watch Lula’s speech below.

This article was originally published by Revista Forum. You can read the original in Portuguese, here.

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

5 October 2026 at 13:00

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Em março, 38% dos eleitores disseram à Genial/Quaest que evitariam votar em candidatos envolvidos no maior escândalo bancário da história do país, que envolve Daniel Vorcaro e o Banco Master. O fim do primeiro turno, no entanto, mostrou que a disposição do eleitor se concentrou em alguns desses nomes e passou longe de outros, sem garantia de que essa decisão decorreu do envolvimento direto ou indireto dos candidatos no escândalo. Nenhum dos citados foi condenado, e todos negaram irregularidades.

Lista de políticos ligados ao Banco Master eleitos nas eleições de 2026

Na noite deste domingo, com o Piauí ainda contando votos, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) divulgou uma carta de despedida nas redes sociais. Presidente nacional do PP e ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, ele terminou em terceiro na disputa pela reeleição ao Senado, atrás de Marcelo Castro (MDB) e de Júlio César (PSD). “O povo é soberano em suas escolhas”, escreveu.

Ciro é investigado pela Polícia Federal (PF) por suas relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo a PF, a emenda com a qual ele propôs elevar de 250 mil para 1 milhão de reais a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teria sido redigida pela assessoria do banco. Fotos do celular de Vorcaro, reveladas pela piauí, mostram os dois dançando numa estação de esqui nos Alpes, em janeiro de 2025.

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira abraçados em viagem aos Alpes franceses
Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira abraçados em viagem aos Alpes franceses

No Maranhão, Weverton Rocha (PDT), cujo nome também foi associado a Vorcaro, ficou em quarto lugar na corrida ao Senado. O inquérito que mais pesa contra ele, porém, é o das fraudes no INSS. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) perdeu o governo para Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno. Uma consultoria ligada a ele teria recebido R$ 5,4 milhões do Master, e Vorcaro o citou numa proposta de delação que a PF e a PGR recusaram. ACM Neto diz que seus encontros com o banqueiro foram profissionais. João Roma (PL), convocado pela CPI do Crime Organizado para explicar as mudanças no crédito consignado do Auxílio Brasil, também ficou fora do Senado.

Na mesma Bahia, Jaques Wagner (PT), investigado na Operação Compliance Zero por suspeita de ter recebido vantagens negociadas com um ex-sócio de Vorcaro, foi reeleito senador com 3,88 milhões de votos. Ele nega ter atuado em favor do banco.

Também saiu ileso o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Neste domingo, a mesma piauí publicou fotos dele em eventos bancados pelo Master em Londres. Motta pediu ao banco um empréstimo para uma empresa da cunhada e diz que a operação foi regular, e Motta foi reeleito com quase 124 mil votos na Paraíba.

Hugo Motta, Fábio Faria, Daniel Vorcaro e Rodrigo Cunha Mello Salomão em festa
Hugo Motta, Fábio Faria, Daniel Vorcaro e Rodrigo Cunha Mello Salomão em festa

No Rio de Janeiro, Antonio Rueda, presidente do União Brasil, cujo escritório teria recebido R$ 6,4 milhões do Master, foi eleito deputado federal com 155.836 votos. Advogado pernambucano de 51 anos, ele disputou um cargo eletivo pela primeira vez, depois de décadas nos bastidores, e fez campanha pela Baixada Fluminense. O Ministério Público Eleitoral chegou a pedir a impugnação do registro, sob o argumento de que a candidatura teria se beneficiado de uma estrutura política ligada a milícias na região. O TRE-RJ liberou a candidatura em 22 de setembro. Rueda nega irregularidades.

Dois nomes nem chegaram à urna. Ibaneis Rocha (MDB) foi o único político que Vorcaro citou nominalmente em depoimento ao STF. Deixou o governo do Distrito Federal para disputar o Senado e desistiu em julho. “Vou cuidar da minha vida”, disse à Folha. No Rio, Cláudio Castro (PL) abandonou a disputa em maio, depois de buscas da PF ligadas a aplicações do Rioprevidência no banco. A essa altura, o TSE já o havia declarado inelegível em outro processo. Davi Alcolumbre, que a piauí cita entre os frequentadores das festas de Vorcaro, não disputava nada e perdeu mesmo assim, porque seus aliados foram derrotados no Amapá. 

Em São Paulo, o deputado Mario Frias (PL), produtor-executivo de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro bancado em grande parte por Vorcaro, foi eleito por São Paulo com 91 mil votos. Em setembro, ele foi alvo de buscas da PF numa investigação sobre cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares que teriam sido desviadas para o filme.

Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) foi reeleito deputado federal com mais de 2,6 milhões de votos e tornou-se o deputado mais votado da história do país. Em março, quando a CPI do INSS encontrou seu número entre os contatos do celular de Vorcaro, ele disse que nunca havia se encontrado com o banqueiro e que não se lembrava de ter conversado com ele. Admitiu apenas ter viajado num avião de Vorcaro, sem saber, segundo ele, quem era o dono.

Em setembro, o ICL Notícias revelou áudios enviados por Nikolas ao banqueiro em março de 2025. Neles, o deputado pede a Vorcaro que ajude seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria, a liberar um ativo de mineração que estava parado. Em outra mensagem, desculpa-se por ter criticado, nas redes, um evento em Londres, financiado pelo Master. Nikolas confirmou os áudios. Disse que recebeu o contato do pastor André Valadão em 2023, que conhecia o banqueiro apenas como “Dani” e que nunca recebeu dinheiro dele.

No Distrito Federal, 12 dos 15 deputados distritais que aprovaram, em 2025, a compra do Master pelo BRB foram eleitos neste domingo, segundo o site Amado Mundo: 11 foram reconduzidos à Câmara Legislativa e um, Thiago Manzoni (PL), chegou à Câmara dos Deputados com 90.418 votos.

Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.
O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel

Flávio mentiu 43 vezes sobre relação com Vorcaro 

Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno à frente de Lula, com 47,27% dos votos válidos contra 44,88%. Segundo as investigações, Vorcaro teria pagado cerca de 14 milhões dos 24 milhões de dólares solicitados por Flávio, numa relação que passa pelo financiamento de Dark Horse, filme sobre o pai dele. Flávio nega ter oferecido contrapartida.

A versão do candidato, porém, mudou ao longo da campanha. O levantamento do Aos Fatos, publicado em 24 de setembro, mapeou ao menos 43 declarações enganosas de Flávio sobre o caso, organizadas em cinco estratégias. Em março, quando seu número apareceu entre os contatos do celular de Vorcaro entregues à CPI do INSS, disse que não conhecia o banqueiro. Em maio, quando o Intercept Brasil revelou as mensagens entre os dois, primeiro negou que existissem e, horas depois, admitiu as conversas, mas sem reconhecer irregularidade. Mais recentemente, passou a atacar Alexandre de Moraes, do STF, por ter voado num jatinho ligado a Vorcaro, até que documentos da PF mostrassem que ele próprio viajou na mesma aeronave. Nas mensagens, Flávio chamava o banqueiro de “irmão” e dizia: “estarei contigo sempre”.

Bolsonaro defeats Lula in the first round and brings Brazil’s far right closer to power

5 October 2026 at 08:01

The ultraconservative wave sweeping across Latin America scored a crucial victory in Brazil on Sunday, one that appears likely to become definitive in three weeks’ time.

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© Eraldo Peres (AP Photo/Eraldo Peres)

Flavio Bolsonaro speaks after advancing to a runoff election following the first round of the presidential election in Brasilia, Brazil, Sunday, Oct. 4, 2026.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

5 October 2026 at 03:10

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Ao contrário do que apontavam a maioria das pesquisas eleitorais, o primeiro turno das eleições presidenciais terminou com vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 47% a 45% – uma diferença de cerca de 2,3 milhões de votos. Especialistas ouvidos pela Agência Pública afirmam que o resultado se deve a uma oposição pragmática e organizada, que soube capitalizar o discurso antissistema. Além disso, o resultado pode revelar, ainda que de forma contraditória, um desejo do eleitorado por mudança e o cansaço da política – que passou a ser vista como um poço de escândalos, ainda que a maioria não atinja diretamente o governo.

Para eles, o Partido dos Trabalhadores e o lulismo passaram a ser percebidos por parte dos eleitores como o próprio “sistema”, enquanto a direita seria a “renovação” – apesar de Flávio ter sido deputado estadual por quatro mandatos, ser filho de um ex-presidente e representá-lo politicamente. É um processo parecido com o de 2018, quando Jair Bolsonaro se associou a uma candidatura supostamente “antissistema”, apesar de ter exercido cargos políticos nas três décadas anteriores.

“O PT se tornou dominante na presidência ao longo dos últimos 20 anos e, para as últimas gerações, especialmente para quem não presta tanta atenção à política, ele representa a ordem, a institucionalidade e o establishment”, afirma Alex Hochuli, analista político e mestre em sociologia e relações internacionais.

Essa visão explicaria por que os escândalos ligados majoritariamente à direita, como o caso do banco Master, impactaram pouco o resultado das urnas para esse espectro. Como os escândalos geralmente são vistos como falhas do sistema, eles acabam prejudicando o governo também, e de forma mais pesada.

Além disso, o excesso de escândalos também pode ter tirado sensibilidade do público. Em um período de manchetes escandalosas seguidas, as pessoas têm dificuldade para entender o que cada uma delas significa em termos de importância e tende a colocar todos no mesmo saco.

“São tantas novas notícias que ninguém entende o que está acontecendo de verdade. Isso acaba gerando a sensação de que todo mundo é corrupto do mesmo jeito. É uma sensação antissistema que favorece o bolsonarismo, que opera justamente com essa linguagem antissistêmica”, diz Daniela Costanzo, cientista política e pesquisadora do Núcleo Direito e Democracia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Hochuli argumenta que o Brasil vive um contexto de “escandalização permanente” que é despolitizante e reforça o discurso conservador anti-Estado – e isso fere principalmente a esquerda. “Nos últimos 10 anos, o Brasil se tornou o país do escândalo”, afirma.

“Isso faz com que o brasileiro esteja de saco cheio desse tipo de forma de fazer política. A direita diz: ‘vamos esquecer a política, vamos deslegitimar o Estado, vamos diminuir o tamanho do Estado e torná-lo simplesmente uma força de segurança. Vamos apoiar as forças policiais e nada mais do que isso”, ele continua.

Sessão Eleitoral no Distrito Federal neste domingo, 4 de outubro
Sessão Eleitoral no Distrito Federal neste domingo, 4 de outubro

O fardo “PT vs oposição” e a estratégia digital da direita

Nos últimos anos também se consolidou a noção de que as eleições brasileiras são decididas entre o PT e um partido, ou grupo, de oposição a ele – por algum tempo foi o PSDB e, mais recentemente, o bolsonarismo. Com isso, o embate passou a ser visto não mais como de um partido contra o outro, mas sim o PT contra todo o resto. Isso faz com que o peso dos escândalos se torne assimétrico e o partido seja percebido como corresponsável por todos os problemas que afligem o dia a dia do brasileiro.

Soma-se a isso o fato de que o terceiro mandato de Lula foi diferente dos dois primeiros, entre 2002 e 2010. Naquele período, o petista inaugurou programas sociais que se tornaram as suas marcas, como o Bolsa Família e o Prouni. Desta vez, o governo aumentou os já existentes, mas não conseguiu criar outros tão marcantes. Medidas como o fim das bets e as canetas emagrecedoras no SUS teriam chegado atrasadas, e uma pauta que poderia favorecer sua candidatura – o fim da escala 6×1 – não foi aprovada a tempo.

“É evidente que Lula teve mais dificuldades para governar desta vez, com um Congresso mais hostil e num cenário completamente diferente dos anos anteriores”, diz Leandro Torelli, cientista político e coordenador da pós-graduação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante pronunciamento após o 1º turno das eleições, São Paulo
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante pronunciamento após o 1º turno das eleições, São Paulo

Costanzo também aponta que houve uma clara organização tática, institucional e digital da direita, especialmente pelas redes sociais. Para ela, a direita se organizou com alto grau de eficácia principalmente em torno da eleição para o Senado, pelo menos desde 2022, com a pauta de promover o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na Casa, a direita conquistou 80% das vagas que foram renovadas – 43 das 54 cadeiras em disputa.

Por fim, Torelli cita que o resultado eleitoral também é reflexo do fenômeno do voto útil – quando eleitores que votariam em um candidato migram para outro com mais chance de ganhar. Ele avalia que houve uma migração dos votos de eleitores da direita já no primeiro turno – esse movimento costuma ser mais frequente no segundo. Nomes como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) chegaram a pontuar nas pesquisas, mas “desidrataram e parte de seus votos migraram para a candidatura de Flávio Bolsonaro”.

Também pode ter havido o fenômeno do “voto envergonhado” – quando a pessoa evita se posicionar publicamente ou responder pesquisas com o voto que efetivamente vai dar nas urnas. Porém, os analistas frisam que ainda é cedo para validar as hipóteses.

Crises engoliram debate sobre segurança pública nas urnas

Em uma campanha atípica, em que os candidatos que lideravam as pesquisas não debateram nenhuma vez em rede nacional, as grandes estrelas acabaram sendo as narrativas paralelas. Discutimos as festas e orgias que ajudaram um ex-banqueiro a montar uma pirâmide financeira sem precedentes. Tentamos acompanhar as decisões de um Supremo Tribunal Federal (STF) rachado e envolto em escândalos. Falamos até sobre a Nossa Senhora Aparecida. Mas não sobre propostas de governo.

E nem sobre os problemas do Brasil hoje, que costumavam ser a tônica das discussões eleitorais. Segundo uma pesquisa do Instituto Ipsos do último mês, 52% dos brasileiros colocam crime e violência como os maiores motivos de preocupação atualmente.

É um medo crescente e bem fundamentado. A violência como maior preocupação do país subiu nove pontos percentuais desde setembro de 2025. E 40% dos brasileiros sofreram algum tipo de violência nos últimos meses, de acordo com outra pesquisa, a do Datafolha, divulgada em maio. Os crimes mais frequentes, os golpes virtuais, atingiram 15% da população no período pesquisado, o que representa um contingente de mais de 26 milhões de pessoas.

O assunto da segurança ganhou tração no início da campanha com a adesão de candidaturas ao “modelo Bukele” – em referência à política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que levou à prisão um em cada 50 salvadorenhos. Aqui, quase todos os candidatos de direita defenderam o projeto linha-dura.

Flávio Bolsonaro chora na oficialização de sua candidatura em 25 de julho, ao lado da esposa.
Flávio Bolsonaro chora na oficialização de sua candidatura em 25 de julho, ao lado da esposa.

Lula e Flávio também focaram no tema da violência de gênero após a alta alarmante de números de feminicídio que chocaram o Brasil. Esta foi a aposta dos lançamentos das duas candidaturas. Flávio se cercou de mulheres e se emocionou às lágrimas algumas vezes, enquanto dizia ser mais “calmo e moderado” para se diferenciar do pai, Jair, dono de um grande histórico de atos machistas. Já Lula focou em programas voltados às mulheres. “O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim, ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim“, ele disse.

Mas os temas acabaram sendo relegados a um lugar lateral no debate público. “Talvez este tenha sido o processo eleitoral da Nova República [pós-redemocratização] em que menos se discutiu qualquer tema relevante para o país”, avalia Leandro Torelli. “A eleição foi esvaziada sobre temas fundamentais, como a forma como o país vai lidar com a nova política externa dos Estados Unidos, as Big Techs ou as mudanças no mundo do trabalho. O caso do Banco Master ofuscou qualquer debate relevante para o futuro”, continua.

O sumiço das propostas de governo é um reflexo de como as campanhas operam hoje, impulsionadas pelo esforço de produzir engajamento a partir de reações emocionais do público, em vez de debater ideias. Isso significa que as campanhas priorizam narrativas que reforçam o seu ponto de vista e têm potencial para viralizar nas redes sociais. Temas como saúde, educação ou segurança até podem engajar, mas provavelmente não tanto quanto um escândalo fresquinho.

Para especialistas ouvidos pela Agência Pública, esse é um processo que vem se enraizando nas últimas eleições e que reforça uma polarização já consolidada. Ao mesmo tempo em que os algoritmos reafirmam as crenças de eleitores convictos, seja à esquerda ou à direita, o espaço para discussões que poderiam fazer uma pessoa ter outras opiniões se torna cada vez menor.

“Quem é de direita fica na bolha da direita, quem é de esquerda fica na bolha da esquerda”, resume o professor e pesquisador de segurança pública Bruno Konder Comparato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Ninguém vai entrar em um site para olhar programa de governo, comparar propostas. As pessoas, inclusive as próprias equipes de campanha, concentram a propaganda em redes sociais, onde todo debate é fragmentado”, aponta.

Costanzo concorda que dificilmente as discussões saem das bolhas – a não ser para atacar o outro lado. Mas, para ela, mesmo que os métodos antigos de debate continuassem acontecendo, pouca coisa seria diferente na prática.

“Não mudou praticamente nada de 2022 para cá. Se acompanharmos as pesquisas ao longo do tempo, pouca gente que votou no Bolsonaro aprovou o governo Lula, e vice-versa. O eleitorado em disputa é muito pequeno, e isso foi se cristalizando ao longo do tempo. Começa em 2018 e chega em 2026 de um jeito muito definido”, afirma.

Além das posições políticas praticamente gravadas em pedra, há um outro fator que colabora com o quadro geral: a fragmentação da atenção. Em um período de escândalos seguidos, o público tem dificuldade para entender o que cada um deles significa em termos de importância, explica Costanzo.

Segurança: medidas de Flávio não funcionam, às de Lula, falta detalhamento

Quando a segurança pública furou a bolha das redes e apareceu nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, foi de maneira superficial ou ancorada no apelo punitivista, analisam os especialistas. Para eles, as medidas de modo geral carecem de dados qualificados e não apontam soluções claras aos problemas pelos quais os eleitores perdem o sono.

Para Gabriel Sampaio, diretor de Litigância e Incidência da Conectas, ONG de direitos humanos, Lula trouxe uma apresentação mais estratégica para o assunto, abordando a área de forma sistêmica e com foco em medidas preventivas e de cidadania, mais do que na punição do crime em si.

Ele ressalta, porém, que as iniciativas foram apresentadas sem aprofundamento. Ele cita como exemplo uma das principais propostas do candidato petista, de criação do Ministério da Segurança Pública. “Ele propõe uma estratégia de integração de dados com foco em inteligência que é muito interessante, mas não dá mais elementos para entender como essa estratégia se operacionaliza”.

Já no caso de Flávio, o tema foi tratado estritamente pela ótica da repressão: mais policiamento, endurecimento das leis e diminuição da maioridade penal, entre outras medidas alinhadas ao “modelo Bukele”, além de se aproximar dos Estados Unidos ao propor a classificação de PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

“O ponto central da política de segurança de Flávio é o retrocesso na garantia de direitos das pessoas acusadas ou condenadas”, afirma Sampaio. “São formulações punitivistas genéricas que já se comprovaram ineficazes. O Brasil tem uma trajetória de aumento de pena e de redução de direitos ascendentes, e mesmo assim as preocupações da sociedade não se alteraram.”

Flávio Bolsonaro em formatura do curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em setembro deste ano
Flávio Bolsonaro em formatura do curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em setembro deste ano

O Brasil já tem uma das maiores populações carcerárias do mundo. Desde 2000, o número de pessoas presas aumentou 314,5%, segundo o Fórum de Segurança Pública, e deve chegar a 1 milhão de detentos no ano que vem. No entanto, a ressocialização é falha – ao menos um em cada quatro ex-presidiários voltou a cometer crimes, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – e há pouco investimento em investigações – apenas 36% dos homicídios no país esclarecidos, segundo o Instituto Sou da Paz.

Comparato aponta que liberar armas e aumentar o encarceramento também podem ter efeito rebote. A primeira abre espaço para mais homicídios e violência em geral, enquanto a segunda aumenta o número de pessoas em contato com facções criminosas, que dominam os presídios.

Torelli avalia que o tipo de discurso utilizado por Flávio, apesar de “ser bem visto pela população”, tampouco tem o poder de estrangular o crime organizado. “Ele não fala sobre as relações da polícia com o crime organizado, o financiamento e a lavagem de dinheiro, que são pontos fundamentais”, afirma.

Nas duas candidaturas, os especialistas alertam que ainda não foram endereçados de modo substancial problemas como o combate ao crime organizado dentro de estruturas institucionais e a alta da letalidade policial. “As mortes provocadas pelo Estado, por agentes públicos, estão num pico histórico. São mais de 6 mil no último ano. Nós estamos falando em 80% no fator racial contra pessoas negras”, diz Sampaio.

Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

4 October 2026 at 21:08

This article is a partnership with Mother Jones

In May, now-presidential candidate Flávio Bolsonaro, the eldest son of former Brazilian far-right President Jair Bolsonaro, shared on his social media a “leaked” trailer for an upcoming biopic about his father. The “most anticipated movie of the year,” Flávio said then, would depict the story of a “true hero.” In the trailer, which had a “disclosure prohibited” watermark, a wig-wearing Jim Caviezel—the American Hollywood actor perhaps most famous for his role as Jesus in Mel Gibson’s 2004 The Passion of the Christ—plays Bolsonaro, who is serving a 27-year prison sentence under house arrest for a failed coup attempt after his 2022 electoral defeat. 

Director Cyrus Nowrasteh described Dark Horse as a “tense political thriller about power, media, and faith under fire.” The movie’s trailer, which centers on Bolsonaro’s first presidential run and rise to power in 2018, frames the ex-president as “the voice of the people” and a leader who “fought the system” that tried to silence him. It includes a dramatic reenactment of his stabbing during the campaign. “IF YOU CARE ABOUT OUR ELECTIONS,” Caviezel, who is also known for the more recent Sound of Freedom, posted on Instagram earlier this year, “watch my newest film coming out September 11, 2026!” 

The production company behind the movie advertised it on X. “A trailer that circulated online was enough to put The Dark Horse at the center of discussions for months,” says the post in Portuguese. “Now, anticipation continues to grow for one of the most awaited international productions inspired by events that marked Brazil.”

https://twitter.com/GOUPEntertainme/status/2066990326284276175

That September 11 date went by and the movie, which was shot in English, has yet to be released in Brazil; it won’t come out before the first round in a nail-biting presidential race set for Sunday, October 4. These federal elections, which include congressional and gubernatorial  races alongside the presidential contest, have been dogged by accusations of meddling by the Trump administration, prompting incumbent President Luiz Inácio Lula da Silva to send a clear message to the US leader: “Brazil does not fit in anyone’s backyard.” While Dark Horse has not featured as a centerpiece in that conversation, it has certainly had its own share of controversy even before hitting the big screen.

The Brazil-US joint production has become the subject of an ongoing investigation that has sent shockwaves through the presidential campaign of one of the main candidates in a high-stakes, knife-edge election. Brazilian authorities are actively looking into the financing of the movie by a now-disgraced businessman accused of leading one of the biggest bank frauds in the country’s history. That financial scandal involves banker Daniel Vorcaro, former owner of the liquidated Banco Master, who is jailed for alleged fraud in a complex billion-dollar scheme involving worthless credit portfolios. The imbroglio has rocked the 214-million-people nation and thrown the Brazilian Supreme Court into an unprecedented institutional crisis, ensnaring justices, including Alexandre de Moraes—a polarizing figure credited by some with having stopped Bolsonaro’s coup plot and vilified by others for judicial overreach—and high-profile politicians and public officials with alleged ties to Vorcaro.

Among them is Brazilian senator Flávio Bolsonaro, who is cited in the investigation by Brazil’s federal police into the financing of the movie for “possible participation” in alleged crimes involving “money laundering, illicit capital flight, corruption, and other related offenses.” Last May, the Intercept Brasil exposed audio recordings and messages exchanged between Flávio and Vorcaro in which the senator asks the banker for money to fund Dark Horse. Documents from the federal police indicate Flávio was a “direct interlocutor” in negotiating with Vorcaro about the financing of the movie production. 

The bombshell reporting revealed that Flávio, the primary opponent facing off against President Luiz Inácio Lula da Silva, who’s vying for re-election, negotiated a $24-million-dollar investment from Vorcaro. At the time, documents obtained by the Intercept Brasil showed that Vorcaro had made payments for the movie adding up to at least $10.6 million, between February and May 2025; the total has since climbed to $12.3 million, according to the federal police.

In a voice message to Vorcaro from September 2025, Flávio pressed the banker on pending payments, stressing the importance of getting the movie across the finish line. “Imagine us defaulting on Jim Caviezel, on Cyrus [Nowrasteh], these guys, man, hugely renowned in American and global cinema. Man, that would be really bad,” Flávio said in the audio, a transcription of which is cited in the federal police’s inquiry. He added: “Now that we’re in the final stretch, we can’t slip up, we can’t fail to honor the commitments here, because otherwise we lose everything.”

The Bolsonaro camp had high hopes for Dark Horse, originally projected for release three weeks before election day. “We’ll touch the hearts of a lot of people,” congressman Mário Frias, who was involved in the development of the project and is also named in the investigation, told Vorcaro, “and it will be very important for our country.” Ahead of the election, Flávio Bolsonaro, the presidential hopeful, has found himself having to provide explanations. He has dismissed the payments from Vorcaro as “private sponsorship” for a private project, underscoring that no public funds were used in the movie, and denied any wrongdoing.

A $2,000 rental wig for Jim Caviezel

Unsealed court documents state that payment transfers for Dark Horse were made via an intermediary company and processed through the Texas-based Havengate Development Fund managed by a Brazilian lawyer close to Flávio’s brother, Eduardo Bolsonaro, who is self-exiled in the United States since last year following a lawmaker’s request for him to be investigated for allegedly lobbying against Brazil’s national interests. This June, Eduardo, who was stripped of his congressional seat for being absent, was convicted of “coercion” for attempting to secure interference from the Trump administration on Brazil’s internal affairs; he sought to persuade them to impose tariffs on Brazil and sanctions on Brazilian justices to help his father’s case. 

Investigators looking into the origins of the money and its destination have raised the “hypothesis” that Eduardo, who lives in Texas, “directed the management of resources on foreign soil.” They also are investigating whether funds from Havengate may have been used to cover Eduardo’s living expenses, according to multiple reports by Brazilian media outlets. Flávio has maintained that all the resources allocated to the fund went towards the movie production.

On X, Eduardo has denied receiving money from the Texas fund, saying his immigration status wouldn’t have allowed it. (He has recently obtained a green card.) “During my immigration process,” he said, “I explained to the American authorities the whole origin of my assets and I didn’t have any problems.” He added that “all the investments were made in the US because the production was American, with American actors.”

Agência Pública, Brazil’s largest nonprofit newsroom, recently reported on Eduardo’s lavish lifestyle; he resides in a luxury home in Southlake, owns a $43,800 SUV, and travels frequently—20 times in 18 months—including to attend a gala at Trump’s Mar-a-Lago, watch a World Cup match in Miami, and surf in Abu Dhabi. Eduardo has previously explained his financial circumstances by saying he lives off of “passive income.”

The former lawmaker denied having any management role in Dark Horse, but a production contract signed in 2024 and obtained by the Intercept Brasil mentioned the ex-congressman as an executive producer in the movie. In response to the article, Eduardo said that he had signed a contract when the project was still in the early stages and invested $50,000 to get a Hollywood director attached to the movie, but he was later repaid and left the project once other investors were secured. Agência Pública contacted Eduardo’s press team but didn’t hear back before publication.

Go UP Entertainment, the US-based production company behind Dark Horse, is led by Karina Ferreira da Gama and Michael Brian Davis. (Ferreira da Gama and an NGO she directs are the target of a separate inquiry into whether public money was used to finance the movie.) According to an audit commissioned by Go UP, production costs in Brazil were $3.73 million. Costs in the United States amounted to $9.66 million—or more than 70 percent of the movie’s roughly $13-million reported spending. The expenses in the United States, according to the audit, included soft production, pre-production, project development, filming, and post-production. On LinkedIn, a production manager who worked on the movie described it as “the largest-budget feature filmed entirely in Brazil.” 

The movie’s reported expenses have raised eyebrows among industry insiders, who have compared the numbers to those of an Oscar-worthy production. The company spent $2,000 on a rental wig for Caviezel and about $135,000 in hotel accommodation for the star and his agent and security, based on bank statements and invoices provided to the federal police. ”It’s not a film that will be nominated for an Oscar,” Wilson Feitosa, director of the company responsible for the distribution of Dark Horse, told O Globo newspaper. “It won’t be in contention for a nomination, but it has that Hollywood seal of quality.” 

The federal police noted that, even accounting for “complex variables” in estimating the costs of film productions, there was an “apparent mismatch between the projected cost of the production of Dark Horse and the parameters usually practiced in the Brazilian audiovisual market,” saying it warranted further investigation into the “effective allocation of resources” and the purpose of the operation. 

“A nightmare for the Left”

Registered in Florida since 2021, Go UP Entertainment listed, until recently, its place of business as Davis’ home address in Raleigh, North Carolina. In June 2026, the address was changed to a commercial location in the same city. The company’s website only mentions an address in Westlake Village, California. A google search for that address leads to another production company, Damascus Road Productions, focused on “family and faith content.” (Ryan O’Quinn, the president of Damascus Road Productions, has promoted Dark Horse on his social media and is listed on the movie’s IMDb page as a producer. He didn’t respond to an email with questions or return a voicemail message.)

“Go UP Entertainment hereby clarifies that it conducts its business activities and the production of the film Dark Horse in a documented and transparent manner and in compliance with its contractual obligations,” the company said in a statement to the Brazilian magazine Piauí. In an email, Davis declined an interview for this article, saying “we will not provide comments on confidential budgets, private agreements and contracts, or unrelated business matters.”

Go UP’s website, which appears to have been revamped this year, states that the company “was born from the union of two creative forces: Go 7 and UP Tone.” Go 7 seems to be a reference to a different company operated by Davis’ co-partner Ferreira da Gama in Brazil. Go 7, which has reportedly never released a movie or TV production in the country, has its registration status with Ancine—the Brazilian regulatory film agency—listed as “irregular.” (Go UP Entertainment’s status is “regular” and Ancine granted Dark Horse a foreign work registration.)

Uptone Pictures is a self-described “independent film production company” in North Carolina that names the Dark Horse producer, Davis, as founder and executive producer. The movie releases featured on Go UP’s page appear to be examples of Uptone’s previous work. Among them are the 2014 A Long Way Off, a modern-day retelling of the prodigal son parable; Paul’s Promise from 2022, a Christian drama about a “firefighter-turned-pastor” produced and starred by O’Quinn; and the Brazilian-American Destiny Road, based on a book by a televangelist. Uptone Pictures lists Dark Horse as one of its credited productions. On Facebook, the company calls itself “your fixer in Brazil.” 

Davis has Brazilian citizenship and lived in Brazil in the 1980s, where he learned Portuguese and became a São Paulo soccer team fan, before moving to the United States, according to the BBC News Brasil. Besides Go UP Entertainment and Uptone Pictures, he’s linked to several other entertainment businesses in North Carolina, some of which have been dissolved over the years.

Davis has reportedly said that, on the advice of lawyers, he won’t hand over Go UP’s company documents without a judicial order in the United States. The producer wrote in an email to his business partner included in the investigation that “requests from Brazilian authorities involving documents or data under American jurisdiction must be formalized exclusively through the competent diplomatic and international legal cooperation channels.”

Mother Jones emailed Davis a number of questions about his partnership with Ferreira da Gama, the founding of Go UP Entertainment in 2021, and the company’s office addresses. We also asked him for details about the production and budget of Dark Horse, the company’s audit and expenses in the United States, as well as his reason to refuse a federal police’s request for evidence. Finally, the email included questions about Davis’ business history.

In a note, Davis replied that “given Mother Jones’ far-left editorial orientation and the framing of several of your questions, we do not have confidence that our participation would result in a fair and balanced account of Dark Horse.” He wrote that the “inquiry takes a broad, scattershot approach combining questions about the film with historical business affiliations, registered addresses, and other companies.” Davis also said, “several questions” contained “assumptions, speculations, or characterizations that we do not accept,” but didn’t explain what those were.

Meanwhile, select audiences in the United States have already had a sneak peek of Dark Horse. Back in June, Eduardo attended the first public screening of the movie at the Fraud Fighter Summit in Las Vegas. Speaking at a panel, Eduardo suggested the biopic could have a similar enduring impact to Terminator 2. “This movie,” he said, “is going to be a nightmare for the Left.”

Moral panic, evangelical fury and a culture war: The Bolsonaro formula threatens Lula’s re-election bid

4 October 2026 at 05:00

Brasilia, 2016: Congressman Jair Messias Bolsonaro votes in favor of impeaching left-wing President Dilma Rousseff. And he dedicates his vote to the military officer who tortured her during the dictatorship (1964-1985), when she was a guerrilla fighter.

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© MAURO PIMENTEL ( AFP / GETTY IMAGES )

A supporter of the right-wing Liberal Party poses for a photo with cutouts of Flávio Bolsonaro (left) and his father, Jair Bolsonaro, at a campaign event in Rio de Janeiro, in August.

Quase mil anúncios sobre Lula e Flávio na Meta foram pagos em dólar

3 October 2026 at 23:45

Ao menos 1.069 anúncios com menções a Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) no Facebook, Instagram e Threads foram pagos em dólar durante a campanha eleitoral de 2026. Dados da Biblioteca de Anúncios da Meta analisados pela Agência Pública revelam que os conteúdos custaram ao menos US$ 120,8 mil.

Os anúncios circularam sem rótulo de conteúdo político, mecanismo exigido pelas regras da Meta, entre 16 de agosto e 30 de setembro. Por isso, foram removidos por violação das regras da plataforma. Mas antes disso chegaram a mais de 82 milhões de impressões (número de vezes que um anúncio apareceu em uma tela).

O rótulo exige uma maior transparência sobre os anunciantes. Se os anúncios não estiverem rotulados como políticos, as páginas não são obrigadas a informar quem pagou pelos anúncios nem o público ao qual os conteúdos foram direcionados.

Impulsionamento do exterior

Algumas, no entanto, divulgaram à Meta que os anúncios foram pagos usando uma plataforma de pagamentos norte-americana chamada pagolink.global, não disponível no Brasil. A empresa tem sede em Delaware, estado que não exige identificação de sócios. Através dela, foi impulsionada uma campanha de conteúdos a favor do candidato Augusto Cury (Avante), conforme revelou a Agência Lupa.

Dentre os anúncios analisados pela Pública, a PagoLink Global foi responsável, por exemplo, pelo pagamento de um anúncio com um vídeo desinformativo sobre Lula (PT). Nele, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) tira de contexto uma fala do presidente para insinuar que ele teria ofendido garis. O post rodou nas redes sociais da Meta antes de ser suspenso, e atingiu mais de 150 mil impressões.

Anúncio com vídeo descontextualizado de Lula foi pago por empresa americana

Foi também através da PagoLink Global que foram impulsionados conteúdos contrários a Flávio Bolsonaro (PL). Entre eles, um anúncio que direcionava à reportagem do ICL que revelou que a empresa do candidato dividia endereço com escritório de Camilo Antunes, investigado por fraudes no INSS. O conteúdo atingiu mais de 70 mil impressões a um custo de US$ 200.

Anúncio pago por empresa dos EUA direcionava para reportagem sobre empresa de Flávio Bolsonaro (PL)

Para a advogada eleitoral Vânia Aieta, o mero uso de plataformas estrangeiras para o pagamento de anúncios não configura, por si só, uma violação, desde que seja declarado à Justiça Eleitoral.

Os anúncios, no entanto, violam norma eleitoral que proíbe o impulsionamento por terceiros.

“Não é permitido pagamento de impulsionamento se não for feito ⁠pela pessoa candidata ou por seu partido/federação ou diretamente da conta corrente eleitoral. Como a conta corrente eleitoral é obrigatoriamente em reais, também não pode haver pagamento em dólar”, explica o advogado Fernando Neisser.

Também é proibida a veiculação de anúncios com propagandas negativas sobre outros candidatos. “O impulsionamento de conteúdo em provedor de aplicação de internet somente poderá ser utilizado para promover ou beneficiar candidatura, partido político ou federação que o contrate”, diz a resolução nº 23.732/2024 do TSE.

“Impulsionamento ilegal tem previsão de multa de 5 mil reais ou o dobro do valor gasto naquele impulsionamento, o que for maior”, informa Neisser.

Questionada, a Meta afirmou que aplicou suas políticas contra os anúncios identificados pela Pública. “Nosso processo de análise de anúncios possui diversas camadas de revisão e detecção, antes e durante sua veiculação. Os anúncios citados pela reportagem foram corretamente identificados por nossos sistemas por não incluírem um rótulo sobre temas sociais, eleições ou política, e nossas políticas foram aplicadas a essas peça”, diz a nota encaminhada à reportagem.

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