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Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

8 October 2026 at 18:00

Em janeiro deste ano, Veruschka de Sales Azevedo passou pouco mais de uma hora contando à Agência Pública como perdera o cargo de professora na rede estadual de ensino de São Paulo. Ela chorou algumas vezes durante o encontro que foi finalizado com certa esperança: “O meu retorno será triunfante”, disse. Enquanto aguardava o desfecho do seu caso, ela organizava um livro com relatos de professores também investigados por meio de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) na Secretaria de Educação de São Paulo (SEDUC). “A gente precisa registrar isso em tudo quanto é lugar.” Doutora em história, Veruschka tinha 24 anos de magistério, cerca de vinte deles na mesma escola de Guarulhos onde estudara antes de ser exonerada em maio de 2024 num PAD que se iniciou em 2017. Entre a abertura do processo e a exoneração, passaram-se sete anos e seis meses.

Em março deste ano, num artigo no Le Monde Diplomatique, Veruschka escreveu que o trauma da exoneração lhe causara uma doença crônica. Ela viria a falecer em julho, seis meses após a entrevista para a reportagem. A família não divulgou a causa da morte, mas a filha, Rayssa Sales, não tem dúvida sobre a origem da doença: “Antes, a imunidade da minha mãe era perfeita, mas, depois da exoneração, ela começou a ficar doente.”

As acusações contra a professora na SEDUC apontam falta de comprometimento com os estudantes, tumulto em reuniões pedagógicas, incitação de alunos contra a direção e excesso de atenção a temas raciais e de empoderamento feminino nas aulas.  

Três dias antes da demissão de Veruschka, também a professora Fabiana de Abreu, que ensinava história na mesma escola, fora exonerada. Em agosto de 2025, chegaria a vez de Maitée Nogueira, professora de sociologia em São Sebastião, no Litoral Norte paulista. As três contestaram as acusações em entrevista à Pública. Os processos se apoiam em um estatuto anterior à Constituição de 1988: o dos servidores civis do estado, de 1968, ano do AI-5. Para Salomão Ximenes, professor da Faculdade de Educação da USP e pesquisador do Observatório Nacional da Violência contra Educadores (Onve), os estatutos escritos durante o período ditatorial têm sido “ressignificados com o objetivo de dar mote a processos administrativos de perseguição a educadores”. 

Ele fala em “lawfare educacional”: o uso de instrumentos jurídicos e burocráticos para conter a mobilização de professores, a luta sindical e os avanços no currículo. Além de São Paulo, outros estados regulamentam o magistério por meio de normativas elaboradas durante o regime de exceção como Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Acre e Ceará, conforme Ximenes identifica no artigo “Os anos que não acabaram; o uso de estatutos jurídicos da ditadura militar na perseguição a educadores(as) no Brasil”, que publicou na metade deste ano com a jurista Ligia Ziggiotti de Oliveira.

Veruschka de Sales Azevedo (centro), professora exonerada via PAD
Veruschka de Sales Azevedo (centro), professora exonerada via PAD

Sarau criado por Veruschka incomodava a direção

Veruschka nasceu em Sanharó, no interior de Pernambuco, e chegou a Guarulhos ainda criança, com seis irmãos. A mãe era empregada doméstica; o pai, caminhoneiro. Ela estudou na Escola Estadual Professora Maria Aparecida Rodrigues, no bairro Pimentas, em Guarulhos, e cursou história na Unesp. Concursada em 2000, deu aulas na cidade de Sertãozinho até pedir, em 2004, transferência para a escola onde estudara. “Lá, havia professores que incentivaram os alunos a buscar a universidade pública”, disse a filha Rayssa. “Daí ela veio com o sonho de fazer o mesmo que fizeram por ela.” Ficou lá mesmo depois do doutorado, concluído em 2016 na PUC-SP.

Nas aulas, discutia desigualdades, feminismo, direitos humanos e identidade negra, e aplicava a Lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira. Militava na Associação Nacional de História (Anpuh), no sindicato e na Marcha Antirracista do Bairro dos Pimentas. Na escola, conduzia o Sarau Resistência: ao longo do ano, os alunos pesquisavam personalidades negras e as homenageavam com apresentações. “No sarau do Milton Nascimento, fizemos o Milton de açúcar, porque ele é uma pessoa doce”, lembrou o ex-aluno Thiago Gomes, hoje estudante de filosofia na USP. “Eu via alunos racistas mudarem de opinião depois do sarau.” No cursinho popular da UNEafro Brasil que Veruschka coordenou na Unifesp, Thiago ouvia dela que era “um menino de ouro”. Para ele, a professora Veruschka morreu duas vezes. A primeira foi quando sofreu a exoneração. “Foi ali que perdi o brilho nos olhos. Eu continuava tendo aula com a Veruschka no cursinho da UneAfro, mas não era a mesma coisa”, afirma.

Veruschka conduzia o Sarau Resistência: ao longo do ano, os alunos pesquisavam personalidades negras e as homenageavam com apresentações
Veruschka conduzia o Sarau Resistência: ao longo do ano, os alunos pesquisavam personalidades negras e as homenageavam com apresentações
Veruschka conduzia o Sarau Resistência: ao longo do ano, os alunos pesquisavam personalidades negras e as homenageavam com apresentações

Os atritos com a direção da escola começaram em 2008, segundo Veruschka, quando, ainda no governo de José Serra, passaram a exigir o uso de apostilas. O material, disse ela, “não tinha respaldo na diversidade das minhas salas de aula, na realidade dos alunos”. Depois vieram suas cobranças por transparência no uso das verbas e as queixas da gestão contra o sarau. “Esse projeto incomodou tanto a gestão que, a todo momento, queriam acabar com ele, porque os alunos começaram a se sentir parte desse movimento.” 

Salomão Ximenes, do Onve, diz que os estatutos preservam princípios como “a proibição de manifestação e uma lógica hierárquica em relação às autoridades administrativas”, incompatíveis com a democracia, que “continuam a persistir e a servir de mote para processos de punição”.

O advogado de Veruschka, Roberto Parahyba, chama a demissão de “arbitrária” e “antissindical”: “não tenho dúvida de que o principal ponto foi ter participado do ato sindical.” A defesa sustenta, ainda, que o caso estava prescrito com base no próprio estatuto de 1968, que fixa em cinco anos o prazo para a pena de demissão. 

O Procurador do Estado havia pedido a suspensão da professora por 90 dias, mas o Secretário de Educação do Estado de São Paulo, Renato Feder, aplicou a pena de demissão em maio de 2024, por considerar que Veruschka “teve conduta incompatível com o cargo de professora, principalmente no aspecto da moralidade” e agiu “de maneira desrespeitosa perante a gestão escolar”.

Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), “se o professor tem uma atuação mínima que seja de defesa da escola pública é perseguido. Se for sindicalista então, a situação é ainda pior”, diz Roberto Guido, presidente interino do sindicato.

Exoneração fez Veruschka perder o acesso ao hospital

Com a demissão, Veruschka perdeu o acesso ao hospital dos servidores estaduais. “A gente sabe como o SUS é demorado e que ir buscar uma consulta particular é caro”, disse a amiga Vera Aparecida dos Santos, assistente social. Em janeiro, a professora contou ter uma úlcera gástrica e o intestino inflamado. “Eu quero meu cargo de volta. Quero os meus 25 anos de contribuição. A gente nunca espera parar de trabalhar”, disse, emocionada, à Pública.

Numa pesquisa da Apeoesp divulgada em maio de 2026, 97,6% dos professores ouvidos associaram o adoecimento mental às condições de trabalho na rede; 24,8% precisaram se afastar da escola por esse motivo. Segundo Guido, depressão e burnout já superam as doenças físicas, em razão da superlotação das salas, das jornadas duplas ou triplas, dos conflitos e, mais recentemente, da plataformização do ensino. A SEDUC afirma que, desde dezembro de 2024, oferece atendimento psicológico e psiquiátrico aos servidores por meio do programa Viva Bem.

Segundo a mentora espiritual de Veruschka, a Iyalorixá Cláudia de Oyá,  a demissão causou um sentimento de abandono na professora diante de toda uma vida dedicada à educação: “ela começou a perder muito peso e tinha um sentimento de solidão. Se sentiu muito perdida em meio a todo o esforço de uma vida”, explicou. 

Veruschka e a Iyalorixá Cláudia de Oyá durante aula na UNEAfro
Veruschka e a Iyalorixá Cláudia de Oyá durante aula na UNEAfro

Fabiana tratou “repetidamente” de pautas raciais e indígenas

Fabiana de Abreu foi exonerada em maio de 2024, também durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas. Em 2017, ela foi afastada por 90 dias, sem salário, após conflitos com a direção da mesma escola de Veruschka em Guarulhos. A suspensão de 2017 foi anulada e Fabiana voltou à escola após 39 dias. Segundo ela, o prazo para punição já havia prescrito. “Mas quando eu retornei, começou outro processo.” Nele, Fabiana foi acusada de falta de urbanidade, insubordinação, tumulto em reuniões pedagógicas, falhas no lançamento de notas e de incitar alunos a atos contra a direção. O processo registra ainda que ela trabalhava “repetidamente questões sobre índios, negros e movimentos sociais para todas as turmas, sob a justificativa de que tem liberdade de cátedra”. 

A defesa da professora considera as acusações “comprovadamente distorcidas” e alega também a prescrição. A SEDUC diz que os processos de Fabiana e Veruschka apontam interrupções reiteradas nas reuniões pedagógicas e conflitos com a gestão, e que houve tentativas prévias de mediação.

Fabiana de Abreu está entre os casos de exonerações de professoras via PAD em São Paulo.
Fabiana de Abreu foi exonerada em maio de 2024, também durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas

Com o avanço conservador sobre a educação, diz Ximenes, o estatuto que embasou as demissões “passa a ser cada vez mais reivindicado como possibilidade de contenção de educadores que propõem ações de educação democrática, antidiscriminatória e mobilizações no âmbito da escola pública”.

Fabiana diz que estaria “um pouco mais tranquila” se tivesse sido demitida sozinha. Por causa do afastamento dela, em 2017, outros professores que foram ao ato sindical, como Veruschka, passaram também a responder a processos. Com a exoneração, ela também perdeu o direito de tratar o câncer da mãe no hospital dos servidores. “Esses processos atrasam toda a nossa condição de existência. A cabeça adoece”, afirma a docente, que recorreu à justiça sobre a demissão.

Fabiana liga o caso dela à adoção de plataformas digitais nas escolas estaduais, a partir de 2024: professoras como ela e Veruschka, diz, foram afastadas para que as dirigentes pudessem “de maneira mais sossegada implantar o projeto do governo”. Diego de Freitas, professor de filosofia que trabalhou com Veruschka, vê o modelo como “uma educação enlatada, ultraprocessada”, na qual a colega não se encaixaria. “Ela sempre estava defendendo uma educação democrática, a liberdade de cátedra e isso causava tensão no ambiente.”

Para Ximenes, o controle do currículo, a obrigação de alimentar as plataformas e a cobrança de metas nas avaliações eliminaram a pluralidade pedagógica nas escolas paulistas. “Tudo já vem dado, plataformizado e construído”, diz. “Aqueles que não se plataformizam ou não performam se colocam em risco.” Uma nota técnica da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), de julho de 2025, aponta que o tempo de uso das plataformas é monitorado, com possibilidade de punição a professores e diretores.

Caso Maitée: “debates polêmicos” sobre sexualidade e religião

Maitée Nogueira dava aulas há mais de vinte anos quando entrou em conflito com a direção da Escola Estadual Walkir Vergani, em São Sebastião, em 2023. O processo a acusa de descumprir o horário de trabalho, de falta de urbanidade, de condutas discriminatórias e de insubordinação grave, e menciona “debates polêmicos” sobre sexualidade e religião. A Procuradoria-Geral do Estado reconheceu não haver documentação oficial que comprovasse o descumprimento da jornada de trabalho. A demissão foi determinada em agosto de 2025, também na gestão de Tarcísio de Freitas.

“Está na ordem do dia da Secretaria de Educação exonerar, pois qualquer investigação séria teria parado quando comprovei que cumpri meus deveres como professora”, afirma Maitée. Ela também explica que os supostos “debates polêmicos” são inerentes à disciplina e que sempre seguiu o currículo. Os conflitos, diz, deveriam ter sido mediados pela coordenação. Sua advogada considera as acusações “frágeis” e “contraditórias” e afirma que a professora “era perseguida, veladamente, pela gestão, tendo ainda de lidar com o preconceito decorrente de sua orientação sexual”.

A SEDUC afirmou à reportagem que o processo apurou agressões verbais contra estudantes e servidores, linguagem ofensiva, intimidação de alunos, recusa em usar o nome social de uma estudante e comentários discriminatórios, além de abandono de atividades, atrasos frequentes e descumprimento de obrigações pedagógicas. Demitida, Maitée não pode assumir outro cargo público, mesmo que aprovada em concurso. “Não posso mais exercer a profissão em que atuei por 20 anos, na qual estudei e me preparei”, desabafa. 

Maitée Nogueira está entre os casos de exonerações de professoras via PAD em São Paulo.
Exonerada em agosto de 2025, a defesa de Maitée Nogueira afirma que a professora “era perseguida veladamente pela gestão”

A SEDUC diz que os processos das três professoras citadas na reportagem garantiram o contraditório e a ampla defesa, que os recursos das professoras foram rejeitados e que nenhuma delas levou o caso à Justiça, o que contradiz as informações das defesas das professoras enviadas à Pública. Nos três casos, as professoras estão recorrendo contra as exonerações. 

Ximenes defende que os estatutos anteriores à Constituição de 1988 sejam atualizados para incorporar as premissas de uma educação democrática. “Para mim é escandaloso que a gente continue usando uma legislação do período da ditadura”, diz. “Assim, é muito mais fácil para as perspectivas autoritárias se desenvolverem, com essa infraestrutura jurídica à disposição.”

No velório de Veruschka, decidiu-se que o Sarau Resistência passaria a se chamar Sarau Veruschka de Sales Azevedo. Ela foi homenageada pela Associação Nacional de História (Anpuh) e recebeu uma moção de aplauso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A família tenta anular a exoneração, mesmo após o falecimento. “Como filha, eu gostaria de algo impossível: ter minha mãe de volta e que ela pudesse usufruir do cargo dela”, disse Rayssa: “O que a gente gostaria é que, pelo menos, o caso dela se revertesse.”

Fewer targets, more waves: jet-powered Gerans partly free Russia to concentrate missiles, ISW says

8 October 2026 at 10:49

fewer targets more waves jet-powered gerans partly free russia concentrate missiles isw says · post russia's shahed drone ukraine news ukrainian reports

Russia is concentrating missiles on a smaller, more specific set of targets, and its jet-powered attack drones are part of the reason, the Institute for the Study of War (ISW) assessed. Its combined attack overnight on 7 October killed 22 people in Pryluky, the State Emergency Service (SES) said as of the morning of 8 October. Russian milbloggers noted the shift the same day.

Russia often uses concentrated drone and missile strikes to overwhelm localized Ukrainian air defenses and destroy urban centers, ISW noted. Pryluky, where the strike killed children, was one of the areas a Russian channel says drew a significant share of the Kh-101s that night. With winter close, ISW expects the same pattern against Ukraine's energy grid, with jet drones partly letting Russia keep its missiles for priority targets without firing many more.

Missile waves on a few areas, Russian channels claim

Russia launched 48 Kh-101, Iskander-K, and Kalibr cruise missiles overnight on 7 October, Ukraine's Air Force reported. It also fired ballistic missiles, Zircon and Oniks anti-ship missiles, and 130 strike and decoy drones, 46 of them jet-powered Shahed-type models.

pryluky
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22 killed in Russian missile strike on Pryluky, including five children

Russian milbloggers claimed the same day that Moscow had grouped a large part of its missile salvo into repeated waves on a few areas, while other weapons kept stretching Ukraine's air defenses elsewhere. The pro-war Russian Telegram channel Dva Mayora described the change as a switch from striking with splayed fingers to a series of hits with missile "fists." Defenders must then absorb a sharply rising load around one chosen site as one wave follows another, the channel claimed.

Citing Ukrainian monitoring channels, it claimed that roughly 30 or more Kh-101 cruise missiles flew toward Pryluky, Kremenchuk, Svitlovodsk, and Oleksandriia in Chernihiv, Poltava, and Kirovohrad oblasts. It put the Kremenchuk group at up to 15 missiles, Kh-101s and Kalibrs among them, aimed at the area of Kremenchuk and its hydroelectric plant.

Jet drones take some of the load off Russia's missiles

ISW said the jet-powered versions penetrate Ukrainian air defenses deeper and more reliably than propeller models. In ISW's assessment, that partly lets Russia concentrate cruise and ballistic missiles on priority targets without significantly raising missile use. Russia builds about 3,000 Geran-4 and Geran-5 jet drones a month, Ukraine's military intelligence agency (HUR) told Militarnyi in August.

ukraine spent three years learning catch russian drones—so russia made fly faster · post geran-3 jet-powered attack drone wild hornets c1c840787fca380485636007cf683d71 news ukrainian reports
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Ukraine spent three years learning to catch Russian drones—so Russia made them fly faster

ISW expects Russia to apply the pattern in a likely brutal winter campaign against energy infrastructure. Russia likely intends to make city life untenable and force Ukraine to capitulate to its demands, ISW assessed. Such tactics have not worked before and are unlikely to work now, analysts added.

They called cheap countermeasures to jet drones and small cruise missiles vital, alongside Western air defense aid such as US-made Patriots, which can stop ballistic missiles. Ukraine has already paired a Soviet-era Kub launcher with American RIM-7 interceptors to catch jet drones.

Israel votes again but the arithmetic hasn’t changed

8 October 2026 at 09:32

TEL AVIV – Every Israeli election of the past decade has been sold as the last chance to save the country, and every one has ended in the same place: a long night of counting, followed by weeks of bargaining among men who swore they would never sit together. The vote on October 27 has a stronger […]

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Ukraine’s Frodo robot carries wounded soldier in first reported evacuation

8 October 2026 at 09:04

frodo robot

A company of unmanned ground systems from Ukraine's 92nd Assault Brigade used the robotic system Frodo to evacuate a wounded soldier, Frontline Robotics told Militarnyi on 7 October.

Ground robots are being used to evacuate wounded soldiers from the drone-dominated "kill zone," a band tens of kilometers deep on both sides of the front line. About 112,000 logistics and evacuation missions by ground robotic systems were recorded from January through August 2026, according to Ukraine's Defense Ministry.

Operator credits speed and suspension

The operator, callsign Tango, named speed and the ability to perform complex maneuvers as the robot's main advantages, according to Militarnyi. The unit also praised Frodo's adaptive suspension, which it said smoothed out rough terrain and kept the wounded soldier's transport relatively comfortable.

The Frodo ground robot during an evacuation mission with Ukraine's 92nd Assault Brigade
The Frodo ground robot's evacuation mission with Ukraine's 92nd Assault Brigade, autumn 2026. Screenshot from video: Frontline Robotics

What Frodo can carry, and how far

The robot has a 6×6 wheel layout with independent suspension, adjustable ground clearance of 170–330 mm, and a top speed of 40 km/h. Its recommended payload is 200 kg, and its maximum is 400 kg, according to Frontline Robotics. The company lists its range as 150 km on asphalt and up to 90 km over rough terrain with the recommended load. Frodo supports several communication channels, and one person can swap its batteries in about two minutes.

Frodo had passed the Defense Ministry's codification and could carry remote-controlled modules such as the Burya turret, Militarnyi reported on 30 September.

The 92nd Brigade had used ground robots to evacuate wounded soldiers before. In September 2025, the brigade evacuated three wounded soldiers using a ground robot, according to Militarnyi.

Bit by bit, the Taliban is losing control of Afghanistan

8 October 2026 at 06:46

Five years after seizing Kabul, the Taliban’s strongest argument for international acceptance rests on control. The Taliban governs every provincial capital and faces no conventional army capable of marching on Kabul. It repeatedly cites improved security as proof that Afghanistan’s post-2021 order is settled. But armed resistance is becoming more geographically dispersed, more organizationally diverse […]

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Plainly, Trump doesn’t really care about the midterms

8 October 2026 at 03:40

With a month still to go before America’s mid-term congressional and gubernatorial elections, the prospect of a “blue wave” of Democratic success in the House of Representatives, the Senate and in many governorships is looking increasingly likely. But whether that forecast holds true or not, one important aspect has already become clear. It is that […]

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AORCA apresenta espetáculo de dança O QUE TORNA – de Susana Vilar

7 October 2026 at 18:46

A AORCA – Associação de Observação, Regeneração e Criação na Actualidade, sedeada em Lagos, apresenta o espetáculo de dança intitulado ‘O QUE TORNA – de Susana Vilar’, para ver dia 23 de outubro, às 10h30 e 21h30 no Centro Cultural de Lagos .

Um solo de dança contemporânea que nasce de uma pesquisa sobre a mudança como espaço de transformação. Numa realidade social cada vez mais virtual e tecnológica, o corpo físico transforma-se, através de uma metamorfose líquida, em corpo máquina sem se questionar s obre o caminho.

Entre o desejo de mudança e a força de permanecer, entre a inevitabilidade da transformação e a resistência, são exploradas as ruturas que nos t ornam diferentes. É nesse processo de nos tornarmos outros, nós próprios. É nesse lugar que encontramos o sentido de parar, reparar e tornar novamente.

FICHA TÉCNICA

Direção artística e interpretação: Susana Vilar
Co-criação musical: Daniela Amaral Cardoso e Pedro Salvador
Co-criação e assistência: Sofia Brito
Apoio dramatúrgico: Ricardo Falcão
Cenografia e iluminação: Felipe Silva
Figurinos e design 3D: Ana Soares e Gabriel Serra
Direção de Produção: Alicja Gladysz
Comunicação e divulgação: Marta Santana Gonçalves
Produção: AORCA
Co-produção: Câmara Municipal de Lagos
Apoios: DGARTES; Centro Cultural de Lagos, OPART, E.P.E/Estúdios Victor Córdon, A CRL – Central Elétrica, Projeto 23 Milhas, Teatro Aveirense, Associação de Dança de Lagos, Junta de Freguesia São Gonçalo de Lagos

Three years of genocide. Words fail. Daily Update

We live in a world where genocide can continue for over 1,000 days (hundreds of those days "ceasefire"), and no one has made sufficient effort to stop it.

Russia’s war against Ukraine sends the bill to its own companies: bond defaults head for a 17-year high

7 October 2026 at 16:31

russia facing record number corporate defaults second time decade one main causes being same—waging war against ukraine · post russian rubles tsn money news ukrainian reports

More than 50 Russian companies could default on their bonds this year, the most since 2009, a rating-agency analyst told Russian newspaper Izvestia, which reported it on 6 October.

Russia's wartime economy is straining under high interest rates, and the budget is too: the 2026 deficit has nearly doubled from the earlier forecast to a record $88 billion, with more deficits planned for the next three years as Moscow raises taxes to fund the war and plans its biggest defense budget since the full-scale invasion began.

A default is a situation in which a company cannot make promised interest payments to investors on time or repay borrowed money. If a payment is not made by the agreed deadline, the company becomes delinquent, which under certain conditions is recognized as a default.

So far this year, 20 companies have defaulted for the first time, compared with 24 in all of 2025, said Mikhail Nikonov of the Expert RA rating agency. Most of the companies that missed payments are small issuers of high-yield bonds, Izvestia reported.

In 2026, Russian companies have missed payments totaling 41 billion rubles (about $490 million), compared with 34 billion rubles (about $410 million) the previous year, according to investment bank Sinara.

Russia faces a new wave of corporate defaults

By the end of 2026, the number of Russian companies unable to service their ruble-denominated debt on time could reach 40–50, the highest level since 2010, said Pavel Zholobov, junior managing director at the NRA rating agency.

The number of bond defaults in 2026 has already reached its highest level in a decade, Zholobov said. Similar figures were recorded in the mid-2010s: in 2014, 35 companies missed payments; in 2015, 52 did so; and in 2016, there were 44 issuers. This occurred in part after Western sanctions were imposed on Russia over its annexation of Crimea and its war in Donbas, as well as amid a halving of oil prices and a sharp weakening of the ruble.

So-called "little green men" (the Russian occupation troops comprised special forces who removed insignia, wear face masks to prevent identification and call themselves a "Crimean self-defense force") surround a Ukrainian military base in Perevalne, Crimea, during the Russian annexation of the peninsula in February-March 2014.
So-called "little green men" (the Russian occupation troops comprised special forces who removed insignia, wear face masks to prevent identification and call themselves a "Crimean self-defense force") surround a Ukrainian military base in Perevalne, Crimea, during the Russian annexation of the peninsula in February-March 2014.

There were more defaults only in 2009. At the time, amid the fallout from the global financial crisis, more than 100 issuers faced payment problems, while the volume of distressed debt reached nearly 200 billion rubles, Zholobov noted.

High interest rates put pressure on companies

This time, the main reason for companies' difficulties in making bond payments has been the prolonged period of high interest rates, which has continued since 2023. Companies are raising financing at high interest rates but are unable to refinance their debt on more favorable terms, explained Ekaterina Sidorova, head of the Foreign Exchange, Commodities and Debt Markets Department at SberCIB Investment Research.

At the same time, the situation does not yet resemble a systemic debt crisis: defaults are primarily being recorded among companies with low credit ratings and high debt burdens, Sidorova said.

If a company fails to repay bond debt, it is given 10 business days to meet its obligations. If it fails to do so, the company may offer investors a restructuring—for example, by postponing payments in exchange for a higher interest rate.

The number of defaults will remain high in 2027, Sidorova believes.

High interest rates were a response to accelerating inflation in Russia. Domestic demand was outpacing production, Russia's Central Bank said in October 2023. Sanctions over the war and rising defense spending had also hit the economy and the ruble, which had lost about 25% against the dollar that year. The bank raised its key rate from 7.5% in the first half of 2023 to 15% by the fall.

Ukraine targets Russia's oil industry to weaken its war economy

Ukraine is also seeking to weaken Russia's economy as part of efforts to reduce its ability to finance the war. In particular, Defense Minister Yevhenii Khmara said strikes on oil refineries are aimed at "bleeding the Russian war machine" and destroying its military and economic potential. According to the ministry, the attacks have knocked out more than 51% of Russia's oil refining capacity.

In the first half of July, Russian oil refineries processed about 3.9 million barrels of oil per day—the lowest level since March 2005. Due to the production cuts, Moscow was also forced to restrict fuel exports.

German radar already guarding Ukraine is picked to spot ballistic missiles. Its maker just signed a new deal with Kyiv

7 October 2026 at 15:10

HENSOLDT's TRML-4D rada

German radar maker Hensoldt has signed a memorandum with Ukraine's Defense Ministry for more large-scale radar deliveries, the company said on 5 October. Ukrainian defense outlet Defense Express reads it as a step toward fitting Hensoldt's TRML-4D, already in Ukrainian service, into FREYJA, a planned shield against ballistic missiles.

Ballistic missiles remain the hardest threat in Russia's air war. After Russia's overnight barrage on 7 October, Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy said Ukraine is still searching daily for Patriot missiles. The only other system Ukraine can use against them is the Franco-Italian SAMP/T, which fires Aster 30 interceptors made in small numbers. That gap is why Fire Point is reworking its FP-7 missile into a Patriot-like interceptor. Such an interceptor still needs radars to find its target first.

A memorandum signed during Merz's visit

Hensoldt CEO Oliver Dörre signed the document on the sidelines of German Chancellor Friedrich Merz's visit to Ukraine. Beyond deliveries, it covers further development of radar capabilities. The partners will also study options to deploy and jointly operate TRL-4D LR long-range radars. Hensoldt said this expands cooperation already agreed on in ballistic missile defense.

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The TRL-4D LR is the land-based version of a long-range radar Hensoldt also builds for the German Navy, German outlet Sicherheit & Verteidigung reported. The outlet cited Germany's defense procurement office as giving the naval version a range of more than 400 km (250 miles) against air targets. That, it concluded, puts the range well beyond the TRML-4D's.

"The Ukrainian air defence forces urgently need our high-performance radars to help protect infrastructure such as bridges," Dörre said.

Defense Express, describing the same memorandum, tied both the mass deliveries and the joint-operation plan to the TRML-4D. Hensoldt's release names no model for the deliveries and links joint operation to the TRL-4D LR.

Eyes for FREYJA

Hensoldt and Fire Point signed a memorandum on FREYJA at the Eurosatory arms show in Paris in June, with the TRML-4D to play a key role, Hensoldt announced. Fire Point is set to act as prime contractor and hold design authority. Hensoldt is to produce, test, and deliver the radars.

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Defense Express expects any study of deployment options to focus on how well the radar detects ballistic missiles and relays that data. Hensoldt has its own unit in Ukraine to work closely with operators, the outlet noted. Earlier, the company began setting up a local hub so Ukraine can service and repair the TRML-4D itself.

Already on duty

Ukraine's military uses the TRML-4D both standalone and as the built-in radar of the IRIS-T SLM medium-range air defense system, Defense Express noted. Hensoldt lists an instrumented range of 250 km (155 miles) at altitudes up to 30 km (19 miles). Defense Express, citing the manufacturer, gives track ranges of more than 120 km (75 miles) for fighter jets and more than 60 km (37 miles) for supersonic missiles.

More radars give earlier warning of ballistic strikes, but they cannot stop them. Until the FP-7.X makes its first ballistic intercept, planned for mid-2027, that job stays with Patriot and SAMP/T missiles. Partners delivered three times fewer air defense missiles in the first half of 2026 than a year earlier, Zelenskyy said on 5 August.

Ficciones belicistas: La teatralización de la guerra

By: A A
7 October 2026 at 15:00

Europa teatraliza la guerra con Rusia mientras su orden liberal se derrumba: un ritual de miedo sin promesa de redención, camino a la autodestrucción.

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MSIa Informa, 29 de septiembre de 2026.-En un arrebato de simulación, durante la Cumbre Europea del Ártico, realizada en Rovaniemi, Finlandia, líderes europeos se mostraron vistiendo ropas militares para transmitir claramente el mensaje de que estarían preparados para un enfrentamiento con Rusia. Mientras tanto, la maquinaria política y mediática de las principales capitales europeas repite, casi al unísono, la alerta contra la supuesta “amenaza rusa” representada por Vladímir Putin.

La propia declaración oficial de la Cumbre de Rovaniemi, realizada los días 13 y 14 de septiembre de 2026, acordó que la seguridad es el centro de las discusiones e insistió en la necesidad de fortalecer la presencia y la capacidad europeas en el Ártico, región considerada estratégica para la seguridad de todo el continente.

Pero hay algo profundamente más inquietante en esta escenificación. Esos dirigentes se disfrazan de portavoces de sociedades movilizadas para la guerra cuando gobiernan países profundamente divididos y desafían una creciente erosión de la confianza política. La distancia entre la retórica de los líderes y la disposición real de las sociedades que pretenden representar debería, por sí sola, recomendar prudencia. En lugar de eso, asistimos a la construcción de una atmósfera psicológica de choque. Y es justamente ahí donde comienza el peligro.

El riesgo real de autodestrucción

En primer lugar, simulan poder porque Europa no dispone hoy de todas las condiciones industriales necesarias para sostener autónomamente una movilización militar prolongada en la escala sugerida por la actual retórica de rearme. El propio esfuerzo europeo por reconstruir reservas, aumentar la producción de municiones y recuperar capacidad industrial demuestra hasta qué punto esa estructura ha sido reducida en las últimas décadas. Pero la cuestión más grave no es industrial. Es estratégica.

La Federación Rusa dispone de un enorme arsenal nuclear y ha desarrollado sistemas de ataques avanzados, incluso hipersónicos. Eso no significa que Rusia posea superioridad tecnológica en todos los campos, pero sí algo mucho más importante para esta reflexión: cualquier guerra directa entre la OTAN y Rusia involucraría fuerzas capaces de provocar una destrucción de escala civilizacional. Rusia y Estados Unidos siguen concentrando la abrumadora mayoría de las ojivas nucleares existentes, al mismo tiempo que los principales Estados nucleares modernizan sus arsenales y se debilitan los mecanismos de control de armas. Por lo tanto, tratar una confrontación directa entre Rusia y la OTAN como si fuera apenas una opción más de política exterior no es una demostración de valentía. Es jugar con una posibilidad cercana de autodestrucción.

Cuando se atraviesa cierto umbral, ya no existe garantía de que los acontecimientos permanezcan bajo el control de quienes los iniciaron. Éste es el punto que parece desaparecer de la actual teatralización belicista. Y hay algo todavía más perturbador. El lenguaje de la destrucción volvió a ser pronunciado abiertamente por los propios liderazgos occidentales.

En septiembre de 2026, ante la Asamblea General de las Naciones Unidas, el presidente Donald Trump llegó a advertir que Estados Unidos podría “aniquilar” a Irán si no se alcanzaba un acuerdo. Si una amenaza de esa naturaleza puede ser pronunciada ante las Naciones Unidas sin provocar una ruptura política proporcional a la enormidad de lo que se está diciendo, entonces algo profundamente grave está ocurriendo con la percepción occidental de los límites de la guerra. Porque la normalización del lenguaje de aniquilación no permanece necesariamente confinada al adversario contra el cual fue originalmente dirigida.

Hoy puede ser Irán. Mañana, en una espiral de escalada que nadie consiga ya controlar, podrían ser ciudades europeas. Es en este sentido que los actuales delirios belicistas dejan de ser una escenificación política y pasan a representar un peligro concreto de autodestrucción de la propia civilización europea. Europa, que durante siglos fue uno de los centros fundamentales de la civilización occidental, atravesó dos guerras mundiales y conoció directamente lo que significa transformar rivalidades políticas en guerras de aniquilación. Justamente por eso, cabría esperar que sus liderazgos fueran los primeros en comprender que una guerra entre potencias nucleares no ofrece una segunda oportunidad para corregir errores de cálculo.

Sin embargo, vemos dirigentes jugando con símbolos militares, discursos de movilización, enemigos existenciales y horizontes de confrontación como si aún estuviéramos en el mundo anterior a Hiroshima. La ficción consiste precisamente en eso: representar la guerra como un instrumento político todavía disponible sin enfrentar el final de aquello que semejante guerra podría significar. Y si la confrontación escapa al control, no serán solo gobiernos, partidos o alianzas militares quienes pagarán el precio. Podría ser la propia civilización que esos dirigentes afirman estar defendiendo.

¿Quién necesita la amenaza?

Entonces, preguntemos: ¿quién está detrás de toda esta falsedad? ¿Quién alimenta esta representación? ¿Quién necesita esta atmósfera permanente de amenaza? ¿Y por qué un orden político resquebrajado, sin legitimidad, parece encontrar en la perspectiva de la guerra una de las últimas coartadas para justificar su perennidad? La respuesta más ingenua consistiría en explicar esa patología en la tentativa de mantener regímenes impopulares bajo una imaginaria amenaza externa, al mismo tiempo que se condenan o reprimen fuerzas políticas emergentes, acusadas de “agentes externos” o instrumentos de una potencia enemiga; en este caso, vinculadas a la “bestia” rusa.

Hay, ciertamente, algo de eso. La historia registra numerosos ejemplos de gobiernos que recurren a la amenaza externa para reajustar cohesiones internas deterioradas, desacreditar adversarios y justificar medidas que, en circunstancias normales, encontrarían mayor resistencia. Pero esa explicación es insuficiente. Cuando hablamos de crisis, no nos referimos solamente a la legitimidad de un grupo de líderes europeos. La descomposición alcanza al propio sistema que los llevó al poder. Y es precisamente ese sistema el que se derrumba.

Desmoronamiento del orden liberal-financiero

El llamado “mundo basado en reglas”, la globalización financiera, el libre comercio elevado a dogma y la paulatina sustitución de la economía productiva por la intermediación financiera confrontan hoy el retorno del Estado nacional soberano. Este resurgimiento prioriza la política industrial, la seguridad energética, las cadenas productivas estratégicas y la defensa de los intereses económicos propios. Paradójicamente, dicho centralismo estatal podría mostrar también un camino para que Occidente recupere parte de sus raíces civilizatorias – esencialmente cristianas –, en las cuales el poder político no se concebía como algo absoluto, sino sometido a un orden moral superior.

En el fondo, detrás de estas quimeras se vislumbra una grieta aún más profunda: la crisis del modelo liberal-financiero articulado en torno a bancos centrales “independientes”. Esta lógica ha consolidado la creciente autonomía del capital frente a los Estados nacionales, impulsada por una concepción económica que, durante décadas, desplazó progresivamente el eje de la riqueza desde la producción real hasta llegar a la especulación rentista.

Las raíces de este entramado se remontan a la gestación del orden comercial angloholandés de los siglos XVII y XVIII, proyectado más tarde a escala global a través de la expansión imperial y bancaria británica. Con el paso del tiempo, ese modelo adquirió nuevas formas, pero conservó una característica esencial: la capacidad del poder financiero de proyectarse como una realidad exógena a la política y de presentar sus decisiones bajo la rúbrica de técnicas, neutrales e independientes de las elecciones soberanas de la sociedad. Es justamente esa arquitectura camuflada la que hoy comienza a ser cuestionada.

Una religión secular sin promesa de redención

El cerebro oculto de las oligarquías occidentales ha perdido la capacidad de generar ideas y proyectos capaces de movilizar a las sociedades hacia un horizonte prometedor. Esta esterilidad se refleja también en la mediocridad de gran parte de los liderazgos actuales, convertidos en meros administradores de un orden involutivo antes que en creadores de una nueva realidad política. Así, la política liberal se ha transformado en una especie de religión secular sin promesa de redención, siendo esta, tal vez, una de sus características más inquietantes.

Los grandes movimientos políticos de los siglos XIX y XX, incluso cuando condujeron a sociedades enteras hacia la catástrofe, todavía prometían alguna forma de redención histórica: la sociedad sin clases, la grandeza nacional, el imperio, la revolución, el hombre nuevo o un orden futuro supuestamente definitivo. En cambio, la religión secular del orden liberal en descomposición ya ni siquiera ofrece eso. Exige sacrificios sin presentar un paraíso futuro: demanda empobrecimiento en nombre de la estabilidad, pérdida de soberanía en nombre de las reglas, desindustrialización en nombre de la eficiencia y censura en nombre de la democracia. Finalmente, admite incluso el riesgo de la guerra para preservar un orden cuya finalidad ya no es capaz de explicar.

Ya no existe una verdadera promesa de redención. Existe solo la promesa de que el sistema seguirá existiendo. “Nosotros somos el jardín del Edén; el resto es la selva”. En ese punto, la política deja de defender a la sociedad y exige de la sociedad un sacrificio ciego para ¡defender el sistema! Es precisamente ahí donde una religión secular puede volverse autodestructiva: cuando la conservación del orden existente vale más que la conservación de quienes viven esclavizados bajo ese orden.

De la minoría creadora a la minoría dominante

Tal vez éste sea uno de los signos más profundos de agotamiento civilizatorio. Una élite deja de ser creadora cuando ya no consigue imaginar un futuro distinto de la simple continuación de sí misma, el gran historiador británico Arnold Toynbee percibió con enorme profundidad este fenómeno al distinguir la minoría creadora de la minoría dominante.

Una minoría creadora ejerce liderazgo porque ofrece respuestas capaces de inspirar adhesión. Su autoridad nace de su capacidad de responder a los desafíos históricos y producir nuevas formas de organización, cultura y de sentido del ser. Cuando esa capacidad desaparece, la antigua minoría creadora puede convertirse en una minoría dominante. Ya no conduce porque inspira. Se conserva porque controla. La persuasión es progresivamente sustituida por la disciplina; la imaginación, por la administración; el proyecto, por la propaganda; y la confianza, por el miedo. Es en ese momento cuando el sistema corre el riesgo de transformar su propia crisis en justificación para seguir existiendo. Cuanto más fracasa, más exige poder. Cuanto más pierde legitimidad, más necesita enemigos. Cuanto menos consigue imaginar un futuro, más dramáticamente necesita presentar el presente como una batalla existencial.

Cuando lo temporal ocupa el lugar de lo trascendente

Aquí es donde la reflexión del filósofo y politólogo germano-estadounidense Eric Voegelin (1901–1985) sobre las religiones políticas converge con la de Toynbee acerca de la desintegración de las civilizaciones. Cuando una sociedad pierde el referente de un orden trascendente, la necesidad humana de lo absoluto no se desvanece; simplemente se transfiere. La nación, la raza, la clase, el partido, la revolución, el mercado, las “reglas” o la democracia – entendida ya no en tanto régimen político, sino como categoría moral absoluta –: cualquier realidad temporal puede ser sacralizada y elevada a un estatus que no admite cuestionamiento. En este proceso, lo mundano usurpa el lugar de lo trascendente.

Sin embargo, existe una diferencia decisiva entre los antiguos movimientos políticos y esta potencial religión secular de un orden agotado. Los primeros prometían una redención futura, mientras que esta última parece exigir el sacrificio presente con el único fin de evitar el colapso del sistema. Se trata de una religión secular desprovista de escatología: sin paraíso, sin un hombre nuevo y sin un horizonte genuinamente inédito. Su único porvenir es la prolongación indefinida del presente.

Cuando el miedo sustituye a la imaginación

Tal vez sea exactamente esa ausencia de futuro la que explique la creciente importancia del miedo: al enemigo externo, a la ruptura, a la disidencia y a la pérdida de control. El temor a que aquello presentado durante décadas como inevitable deje súbitamente de serlo. Cuando un orden ya no consigue generar esperanza, se ve obligado a infundir pavor. Y si el terror sustituye a la imaginación, el conflicto puede convertirse en una vía de legitimación.

La guerra, entonces, deja de ser solo un instrumento externo de política para transformarse en una necesidad interna del sistema. Es justamente ahí donde los delirios belicistas contemporáneos adquieren una dimensión mucho más profunda que el debate cotidiano sobre Rusia, Ucrania, la OTAN o los gastos militares; la cuestión es civilizacional. Un orden que perdió la capacidad de proyectar su propio porvenir puede comenzar a aceptar riesgos que, en condiciones normales, parecerían impensables. Puede terminar confundiendo la continuidad de sus estructuras con la de la propia civilización.

Esta confusión es, tal vez, una de las más peligrosas que una élite pueda cometer. Las instituciones, los regímenes económicos y los esquemas políticos son históricos, mientras que las civilizaciones trascienden a todos ellos. Cuando un engranaje pasa a exigir que la humanidad se arriesgue para garantizar su propia supervivencia, la relación entre medios y fines se ha invertido por completo.

Las señales de un cambio de época

Es en este punto donde resulta posible hablar, verdaderamente, de autodestrucción. Una civilización puede comenzar a destruirse no por haber dejado de creer, sino porque transformó su propio orden histórico en un objeto de fe absoluta. Cuando los dirigentes dejan de proyectar un futuro diferente al que administran; cuando la guerra sustituye a la política y el miedo reemplaza al proyecto; cuando la conservación de las instituciones es más importante que las personas para quienes fueron creadas, no estamos solo ante una crisis política o económica. Nos enfrentamos a una profunda debacle civilizatoria.

El momento en que una élite pierde la capacidad de idear, crear y persuadir suele ser la señal premonitoria de que una época termina. Sin embargo, esto no significa necesariamente que la civilización esté condenada; puede implicar exactamente lo contrario. Indica que las estructuras incapaces de responder a los desafíos del presente están abriendo espacio para otras formas de organización, nuevas ideas y la recuperación de virtudes que parecían olvidados. Al fin y al cabo, el agotamiento creativo de un orden no agota la capacidad de invención humana. Cuando quienes gobiernan ya no conciben nada más allá de su propia perpetuación, quizá sea ese, precisamente, el primer indicio de que algo nuevo – completamente nuevo – está por llegar.

How Yemen’s renewed civil war could set the whole region ablaze

7 October 2026 at 12:06

The Middle East has seen many explosions of violence in recent years. But while the US-Iran war has grabbed the headlines this year, the rapidly escalating conflict between the Houthis and Yemen’s internationally recognized government and Saudi Arabia risks becoming just as consequential for the region. The complexity of Yemen’s internal conflict cannot be underestimated. […]

The post How Yemen’s renewed civil war could set the whole region ablaze appeared first on Asia Times.

25-year-old Natalia, born in Russia, served in the Israeli army, returned to Ukraine during the full-scale invasion, and join the Armed Forces of Ukraine

7 October 2026 at 11:10

25-year-old natalia born russia served israeli army returned ukraine during full-scale invasion join armed forces · post fellow soldiers service courtesy natalia/nv nataliia_israel_army news ukrainian reports

Natalia is 25 years old and from Odesa. She has served in two armies—the Israeli and Ukrainian militaries. In the Armed Forces of Ukraine, she has, among other things, carried out missions as part of a UAV, FPV drone, and strike-wing crew on the Zaporizhzhia and Kupiansk fronts, NV reported on 5 October.

During the Russo-Ukrainian war, women in Ukraine have the right to voluntarily enlist in the military. As of March, more than 75,000 women were serving in the armed forces, more than 55,000 of them as service members, the commander-in-chief said, and their number has been growing every year. Recently, discussion around the mandatory mobilization of women has intensified. Keith Kellogg, former US Special Presidential Envoy for Ukraine under President Donald Trump, said that he considered mobilizing women in Ukraine appropriate. In response, Iryna Vereshchuk, Deputy Head of the Office of the President of Ukraine, said she would rather see more missiles and more will from the United States than advice to mobilize women.

In Israel, Natalia served in a search-and-rescue brigade as a rescue soldier and in the engineering corps during a deployment along the northern border.

Natalia was born in Russia’s Saint Petersburg but does not remember her life there

The young woman was born in St. Petersburg, where her family lived at the time. When she was a year and a half old, her mother returned to Odesa with her and her older son. Natalia says she remembers her life exclusively in Ukraine.

She spent the first nearly two years studying at Lviv University, but later decided to leave the university and look for other educational opportunities. Natalia studied, among other places, in Denmark through a scholarship program. After completing it, she planned to enroll at a European university to study sound engineering, but the coronavirus pandemic began at that time.

She moved to Israel under a program for Jewish youth at the end of 2020. After the program ended, due to quarantine restrictions and closed airports, Natalia faced a choice: obtain a work visa or acquire citizenship under the Law of Return. She chose the latter—and with it, she also became obligated to perform military service.

In May 2022, Natalia joined the Israeli military and chose a combat unit.

“When the war started in Israel itself, I still had six months of mandatory service left. I was discharged and immediately transferred to reserve service. Once I managed to resolve all the bureaucratic issues so that this would not be considered desertion, I returned to Ukraine,” the young woman says.

Natalia returned to Ukraine in March 2025, and in August signed a contract with the Armed Forces of Ukraine.

Natalia (right) and her fellow servicewoman. Photo courtesy of Natalia/NV
Natalia (right) and her fellow servicewoman. Photo courtesy of Natalia/NV

“The army—both Israeli and Ukrainian—gives you a deeper understanding of what society is made of”

Among the advantages of the Ukrainian army, she highlights its ability to quickly adapt to circumstances. In particular, she mentions the use of drones, OSINT, and solving complex technological tasks with minimal resources.

“The West could learn from this situational agility. They often spend huge budgets on developments that should be cheap and mass-produced,” the veteran says.

However, such Ukrainian ingenuity is largely a consequence of a lack of funding, Natalia notes.

In the Israeli military, Natalia highlights society’s readiness for the constant threat of war and more systematic planning of military service.

“There, preparation for and perception of the army begin at school: by the age of 14–15, teenagers already understand where they want to go, what skills they need, and undergo selection for special or intelligence units,” the young woman says.

She then gives the opposite example of the situation in Ukraine.

A Ukrainian female soldier with a call sign "Tsyhancha" went from FPV operator to piloting the Heavy Shot bomber. Image: The 125th Separate Heavy Mechanized Brigade
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This Ukrainian female soldier flies one of war’s heaviest drones. She turns down promotion twice to keep doing it

“In Ukraine, with very rare exceptions, people hide until they are mobilized, and suddenly face the reality of conscription without having any understanding of the system,” the veteran says.

Asked how adapted the Ukrainian army is to women, she answered: “In no way,” adding that the Israeli army is “also largely not fully adapted.”

In Ukraine, this is reflected, in particular, in the provision of clothing and equipment that often does not correspond to women’s sizes and physiology. She says she had to purchase her own anatomically fitted body armor. She cited the example of veteran Natalia Lishchyshyna, who had her breasts amputated due to prolonged wearing of body armor that was not adapted to the female anatomy.

In Israel, by contrast, there is a practice of reimbursing expenses for equipment that service members purchase at their own expense.

Serving in the military in both countries provides an opportunity to better understand what society is actually made of, the young woman says.

“The army—both Israeli and Ukrainian—gives you a deeper understanding of what society is made of. You encounter people you would never have crossed paths with in your civilian bubble because of differences in views or socioeconomic circumstances,” Natalia says.

She believes this makes it easier to accept mistakes, difficulties, and new challenges.

The Ukrainian army is not adapted to women in any way, Natalia says

In Natalia’s view, the problem is not only the living and working conditions but, above all, the lack of mechanisms necessary for the systematic mandatory mobilization of women. At the same time, she believes voluntary recruitment should be encouraged and expanded.

One of the problems is the lack of a legal procedure for temporary childcare in cases when both parents are simultaneously carrying out combat missions, Natalia says, stressing that she means the period of their service, rather than situations involving the death of one of the parents.

Another shortcoming is insufficient protection against sexual violence and harassment in the Ukrainian military.

“Here, any complaint goes through the direct chain of command. If the commander is not interested in resolving the problem or is involved in it themselves, the woman is left defenseless,” the veteran says.

In Israel, by contrast, there is a separate hotline and mechanisms for documenting such cases without directly approaching a commander.

Natalia (second from left) during her service in the Israeli army. Photo courtesy of Natalia/NV
Natalia (second from left) during her service in the Israeli army. Photo courtesy of Natalia/NV

Women in combat positions can also still be taken insufficiently seriously, denied participation in combat missions, or transferred to staff positions without their consent.

Natalia also emphasizes the lack of systematic military training for civilian women “at any level” and gives school education as an example.

“Even with the weak level of the school curriculum for the subject ‘Defense of Ukraine,’ boys had at least some basic knowledge. Girls were not involved in it at all,” the veteran says.

For now, Natalia believes that women’s military service should remain voluntary, as society as a whole is still not ready to fully accept women in the military.

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