A Jeep emplacou 10.464 unidades em setembro e registrou um crescimento de 16% em relação a agosto. Com esse número, a marca superou as 85 mil unidades vendidas em 2026. Com a chegada do novo Avenger ás concessionárias, o modelo acabou impulsionando as vendas da Jeep no mês de setembro, com 1.867 emplacamentos.
O Renegade emplacou 3.669 unidades em setembro, um crescimento de 21% em relação ao mês anterior. Desse volume, 53% são das versões híbridas MHEV. No acumulado do ano, o Renegade já soma mais de 30 mil vendas em 2026.
O Compass, por sua vez, segue como líder entre os SUVs médios do país no acumulado do ano, sendo o único da categoria a superar as 40 mil vendas em 2026. Em setembro, o modelo emplacou 3.867 unidades e já soma 40.302 emplacamentos no acumulado do ano.
O Commander segue crescendo no acumulado do ano e já soma 11.646 emplacamentos em 2026. Em setembro, o modelo emplacou 1.053 unidades e manteve a liderança entre os SUVs de 7 lugares no Brasil.
Ram cresce 22% entre as picapes
No mês de setembro, a Ram, marca pertencente ao Grupo Stellantis, que controla também a Jeep, apresentou crescimento de 22% em relação ao mesmo mês do ano passado. Destaque para a linha Heavy Duty, composta pelos modelos 2500 e 3500. No acumulado do ano, a Ram soma 24.538 picapes vendidas, aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2025, quando emplacou 20.454 unidades.
A dupla de picapes a diesel mais potente à venda no Brasil, que leva sob o capô o motor Cummins® 6.7 Turbodiesel High-Output de 436 cv de potência e 1.458 Nm (148,7 kgfm) de torque e a nova transmissão automática de 8 velocidades, ocupa as duas primeiras posições do segmento de picapes grandes.
A 2500 foi a líder em setembro, com 187 unidades comercializadas, enquanto a 3500, a picape mais capaz no Brasil quando o assunto é capacidade de reboque, teve 156 unidades vendidas. Juntas, 2500 e 3500 alcançaram 63,9% de participação de mercado entre as picapes grandes no nono mês deste ano. Ao acrescentar a 1500, a picape a gasolina mais veloz e potente à venda no Brasil, a Ram conquistou impressionantes 78% do mercado de picapes grandes em setembro.
Entre as picapes médias, a Dakota registrou o melhor mês em vendas desde seu lançamento, no primeiro semestre de 2026. Foram 673 unidades, rendendo a quinta posição no segmento de picapes médias.
Já a Rampage segue firme na segunda posição entre as picapes intermediárias, com mais de 1.950 unidades vendidas no mês de setembro. No acumulado do ano, a primeira picape Ram desenvolvida e produzida fora da América do Norte soma 18.605 unidades vendidas, quase mil unidades a mais que o acumulado do ano passado, quando a picape alcançou 17.608 emplacamentos.
O presidente da Câmara de Vinhais, Luís Fernandes, revelou que o segundo concurso público para a construção da estrada que liga Vinhais a Bragança ficou novamente deserto. Apesar do aumento de financiamento do Governo, as propostas apresentadas ultrapassaram o valor estipulado.
Em agosto, o Governo lançou este segundo concurso com um valor de 82,5 milhões de euros e uma margem financeira aumentada em 10%, permitindo propostas até aos 90 milhões de euros. No entanto, as candidaturas apresentadas foram consideradas inválidas.
Luís Fernandes explicou que “mesmo que o aumento tivesse sido de 20% nenhuma das propostas se encaixava nesse aumento”. O autarca referiu ainda que no primeiro concurso, se houvesse um aumento de 10%, várias propostas teriam sido viáveis.
O presidente da câmara considera que existe um aproveitamento por parte das empresas em relação aos concursos públicos. Embora reconheça a subida dos preços, especialmente dos combustíveis, afirma que “nada justifica este disparar destes valores”.
Perante os resultados insatisfatórios, Luís Fernandes já solicitou uma reunião ao ministro das Infraestruturas para discutir a abertura de um terceiro concurso com “valores reais”. O autarca acredita que o ministro cumprirá o compromisso assumido anteriormente.
“Terão de ser tomadas outras medidas no sentido de aumentar o valor”, afirmou Luís Fernandes, sublinhando que a obra deve avançar. Contudo, este processo irá atrasar-se devido à necessidade de reformular todo o concurso e os valores envolvidos.
No Orçamento do Estado para 2027 está prevista a ligação rodoviária entre Vinhais e Bragança. Esta fase da obra inclui a construção de uma variante na localidade de Vila Verde, com quatro quilómetros de extensão e duas ligações à Estrada Nacional (EN) 103.
Além disso, está prevista a construção de um viaduto sobre Vale de Cabrões e outro sobre Vale do Tuela. A obra seria inicialmente financiada pelo PRR, mas como não foi concluída até junho, o Governo comprometeu-se com seu financiamento direto. A conclusão da obra estava prevista para 2029.
A primeira fase da estrada já foi finalizada desde o final de 2025 e consistiu na melhoria do troço existente e na redução das curvas. Esta fase custou 16,9 milhões de euros e foi financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia, marcada para este sábado (10), às 9h, chega à reta final com a candidatura de Thialu Guiotti (Avante) reunindo apoios e a tentativa de construir um acordo com o grupo de Ronilson Reis (Solidariedade). A votação definirá quem sucederá Romário Policarpo (Cidadania), eleito deputado estadual e atual presidente da Casa.
Thialu afirmou, em entrevista à Rádio Difusora Goiânia na quinta-feira (8), contar com 29 votos declarados entre os 37 vereadores. O número supera os 19 necessários para vencer a eleição. Apesar da vantagem que declara ter, o parlamentar disse que pretende ampliar a adesão e buscar uma composição que reúna todos os integrantes da Câmara.
O vereador conta com o apoio público do prefeito Sandro Mabel (União Brasil). Segundo informações divulgadas durante a semana, também recebeu apoio do governador eleito Daniel Vilela (MDB) e do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Bruno Peixoto (União Brasil). Thialu, no entanto, afirmou que a decisão depende dos votos dos próprios vereadores.
Ronilson Reis segue nas articulações
Ronilson Reis mantém o nome na disputa e admite a possibilidade de uma composição com Thialu Guiotti. Em entrevista publicada em 7 de outubro, o vereador afirmou que as negociações caminhavam para um acordo, mas ressaltou que ainda não havia definição sobre quem encabeçaria a eventual chapa. Na ocasião, ele não havia anunciado a retirada de sua candidatura.
Os dois grupos tentaram construir um entendimento para evitar uma disputa entre blocos da Câmara. As conversas, porém, não haviam resultado em acordo até quarta-feira (7). Com o avanço das articulações em torno de Thialu, a negociação passou a envolver também a possibilidade de participação de aliados de Ronilson na composição dos cargos diretivos.
Outro nome citado no início das conversas foi o de Henrique Alves (MDB), que declarou apoio a Thialu, segundo a CBN Goiânia. Geverson Abel (Republicanos) também apareceu entre os possíveis interessados, mas não há confirmação recente de que mantenha candidatura própria.
Eleição definirá toda a Mesa Diretora
A votação deste sábado não ficará restrita à escolha do presidente. Os vereadores também elegerão quatro vice-presidentes, cinco secretários e dois vice-presidentes corregedores. A composição das 22 comissões permanentes, do Conselho de Ética e das ouvidorias da Mulher e de Combate a Crimes Raciais também está na pauta.
Entre os espaços em negociação estão comissões estratégicas, como a de Constituição, Justiça e Redação, por onde passam os projetos apresentados à Câmara, e a de Finanças, Orçamento e Economia, responsável pela análise de matérias orçamentárias. A distribuição desses postos integra as conversas entre os diferentes grupos políticos.
Romário Policarpo deixa o comando após quatro mandatos
A eleição marcará a sucessão de Romário Policarpo, que presidiu a Câmara por quatro mandatos consecutivos, um feito inédito no Legislativo goianiense. Ele foi eleito deputado estadual em 4 de outubro e assumirá o novo mandato em fevereiro de 2027.
A nova Mesa Diretora comandará a Câmara no biênio 2027-2028. A sessão especial está marcada para as 9h de sábado, será aberta ao público e terá transmissão pela TV Câmara.
O Renault Boreal passa a ser o primeiro veículo produzido no Brasil a oferecer o Gemini de série. A inteligência artificial do Google amplia a experiência conectada a bordo, proporcionando interações mais naturais, intuitivas e personalizadas, transformando a cabine em uma verdadeira extensão digital da rotina dos ocupantes.
O SUV médio da Renault já havia elevado a experiência conectada a um novo patamar ao se tornar o primeiro veículo produzido no Brasil com Google Automotive Services (GAS), plataforma que integra Google Maps, Google Play e, agora, o Gemini como assistente virtual. O sistema substitui o Google Assistant e amplia suas capacidades com inteligência artificial generativa.
Agora, o Boreal dá mais um passo à frente com o Gemini. A tecnologia também está disponível como atualização opcional para os veículos Renault equipados com o openR link com Google integrado. Como evolução do Google Assistant, o Gemini amplia as capacidades do assistente virtual da plataforma, preservando todas as funcionalidades já disponíveis aos usuários e adicionando novos recursos baseados em inteligência artificial generativa.
Além de compreender contextos mais complexos e interpretar comandos mais naturais, o sistema passa a permitir o controle de um número ainda maior de funções do veículo por voz.
Além de realizar todas as tarefas já disponíveis com o Google Assistant, o Gemini integrado ao openR link amplia as possibilidades de interação com o veículo. Agora, os usuários podem controlar diretamente um número ainda maior de funções por comandos de voz, incluindo novas funcionalidades como abrir e fechar o teto solar e os vidros.
Com a nova tecnologia, o motorista não precisa mais recorrer a comandos específicos para interagir com o veículo. Em vez de dizer frases exatas, como “Ok Google, ligue o ar-condicionado”, basta utilizar a linguagem natural, por exemplo: “Ok Google, está muito calor aqui dentro”. O sistema compreende a intenção do usuário e pode ajustar automaticamente a climatização.
O comando de ativação por voz continua o mesmo. O Gemini pode ser acionado por meio das expressões “Hey Google” ou “Ok Google”, pelo botão de voz no volante ou pelo ícone do assistente na tela do openR link. Para iniciar uma conversa contínua com o Gemini Live, basta acionar o botão Gemini Live ou dizer: “Hey Google, vamos conversar” ou “Hey Google, vamos conversar ao vivo”.
O openR link com Google integrado é um sistema multimídia que oferece uma experiência conectada fluida, escalável e em constante evolução. O Gemini amplia ainda mais o conjunto de serviços disponíveis na plataforma, mantendo todas as funcionalidades já oferecidas pelo Google Assistant e adicionando novos recursos de inteligência artificial generativa e controle por voz.
Projetado para interagir de maneira mais natural com os ocupantes do veículo, ele é capaz de compreender o contexto das conversas, responder perguntas com maior precisão e lidar com solicitações mais complexas.
A atualização é gratuita, realizada remotamente por meio de tecnologia FOTA (Firmware Over-The-Air), e não altera a duração do pacote de conectividade. Sua implementação baseia-se em: – Conexão à conta Google no openR link utilizando a conectividade nativa do Boreal, sem necessidade de visita à concessionária. – Uma notificação na tela do openR link permite ao cliente decidir se deseja migrar para o Google Gemini. – Disponível para todos os veículos compatíveis, de acordo com os idiomas suportados e a versão do openR link.
O sistema multimídia aprimorado está disponível sem custo adicional para clientes conectados a uma conta Google em um dos idiomas compatíveis. O usuário escolhe se quer ativar o Gemini e também pode retornar ao Google Assistant a qualquer momento.
Como evolução do Google Assistant, o Gemini representa um grande avanço nos assistentes de voz embarcados. Alimentado pela tecnologia de IA do Google, ele é capaz de:
– Compreender o contexto da conversa e as intenções dos usuários. – Executar solicitações mais complexas. – Manter conversas naturais e contínuas. – Alternar idiomas durante a conversa.
Isso significa que os motoristas podem falar de forma natural, sem precisar memorizar comandos específicos. Os usuários também poderão ativar o Gemini Live para uma interação conversacional mais avançada. Esse recurso permite:
– Conversas livres e naturais. – Interromper o assistente a qualquer momento. – Fazer várias solicitações em sequência sem repetir a expressão “Ok Google”. – Alternar idiomas durante a conversa. – Uma experiência simplificada, projetada para segurança e conforto
Ao permitir tarefas mais complexas por comando de voz e reduzir a necessidade de interação por toque, o Gemini ajuda a:
– Minimizar distrações do motorista, mantendo o foco na estrada. – Ampliar e simplificar o acesso às funções do veículo por comandos de voz. – Melhorar o conforto e a praticidade no dia a dia.
Totalmente integrado ao veículo e ao ecossistema Google, o Gemini consegue responder a situações reais e executar várias tarefas em sequência sem necessidade de novas interações. Navegação inteligente com compreensão de contexto:
“Ok Google, leve-me para o centro de São Paulo, mas evite a Rebouças.” → O Gemini analisa o contexto e sugere uma solução adequada.
Controle por voz das funções do veículo:
“Está frio aqui dentro.” → O sistema ajusta automaticamente a climatização, elevando a temperatura da cabine.
Acesso a informações e conteúdos durante a viagem (modo Gemini Live):
“Ok Google. Está muito quente hoje. O que economiza mais combustível: abrir as janelas ou ligar o ar-condicionado?”
“Conte uma história sobre carros e dinossauros para meu filho de 8 anos.” “Crie um quiz sobre a história do Brasil para adultos e adolescentes.” | “Quais foram os resultados dos jogos do Brasileirão de ontem?” → O sistema consegue responder perguntas abertas, além de fornecer informações gerais, notícias e conteúdos de mídia.
O openR link com Google integrado é um sistema multimídia evolutivo que proporciona uma experiência conectada cada vez mais rica e intuitiva em qualquer lugar do mundo. Desde o lançamento, o Gemini oferece suporte a 16 idiomas, entre eles inglês, espanhol e português.
O Gemini contribui para uma experiência conectada consistente para clientes Renault em todos os mercados onde o sistema está disponível.
Os clientes Renault continuarão recebendo melhorias ao longo do tempo por meio de atualizações remotas, sem necessidade de levar o veículo à concessionária. Como plataforma de IA escalável, o Gemini recebe: – Atualizações contínuas e automáticas. – Capacidades e competências linguísticas ampliadas. – Novos recursos ao longo do tempo.
O Governo vai descongelar, a partir do ano letivo 2027/2028, o valor das propinas das licenciaturas, que não sofre alterações desde 2020 e será atualizado à taxa de inflação, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Amedida consta da proposta de lei entregue esta quinta-feira pelo Governo no Parlamento, que prevê que, no ano letivo de 2027/2028, o valor máximo das propinas nas licenciaturas e nos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) seja igual ao teto fixado em 2026/2027 (697 euros), acrescido da taxa de variação média do Índice de Preços no Consumidor (IPC), sem habitação, registada em 2026.
A mesma regra de atualização aplica-se aos mestrados indispensáveis ao exercício de uma atividade profissional ou aos casos em que a exigência do grau de mestre esteja definida nos estatutos de ordens profissionais.
Já os restantes mestrados e doutoramentos “devem ter em consideração o custo real da formação”, refere a proposta do executivo.
O Governo já tinha proposto o descongelamento das propinas no ano passado, no âmbito do OE2026, mas a intenção foi travada pela Oposição que aprovou, na discussão em especialidade, uma proposta do PS que mantinha o valor máximo nos 697 euros.
O congelamento das propinas foi aprovado em 2026, na altura por proposta do PCP no âmbito do Orçamento do Estado para 2017.
O valor ficou então fixado em 1.067,85 euros, tendo sofrido reduções sucessivas, e desde 2020/2021 que está nos 697 euros.
A proposta do Governo para o Orçamento do Estado de 2027 (OE2027) aumenta o valor de referência do mínimo de existência, ou seja, o rendimento anual isento de IRS. Na prática, quem ganha até 970 euros por mês não vai pagar imposto no próximo ano, valor que também será o do salário mínimo em 2027. Os limites dos nove escalões de IRS também foram atualizados em 3,88%.
No documento, o Governo sobe de 12.880 para 13.580 euros o valor de referência do mínimo de existência, aumentando em 50 euros, de 920 para 970 euros, o rendimento mensal isento de IRS. A medida que consta da proposta do OE2027 vai custar ao Estado 121 milhões de euros.
O documento também atualiza os limites dos nove escalões do IRS em 3,88%, o que significa que o rendimento coletável (alvo de imposto) passa também a ser superior. A taxa do 1.º escalão, que neste momento abrange os rendimentos coletáveis até 8.342 euros anuais, passa a abranger valores até 8.666 euros.
A taxa do 2.º escalão, que atualmente é aplicada a rendimentos coletáveis entre 8.342 e 12.587 euros, passa a abarcar o intervalo entre 8.666 e 13.075 euros. O 3.º escalão vai aplicar-se a rendimentos entre 13.075 euros e 18.530 euros; o 4.º escalão a valores entre 18.530 e 23.985 euros.
Para o 5.º escalão, os rendimentos coletáveis serão agora entre 23.985 e 30.538 euros e, para o 6.º escalão, entre 30.538 e 44.762 euros. A taxa do 7.º escalão do IRS passará a abranger os rendimentos acima de 44.762 euros até 48.373 euros, a do 8.º escalão vai abarcar rendimentos entre 48.373 euros e 89.995 euros. E o último escalão será aplicado a rendimentos superiores a 89.995 euros. A atualização da dedução específica e dois escalões do IRS vão custar ao Estado 431 milhões de euros.
A proposta do Governo para o OE2027 concretiza também a subida do salário mínimo nacional para 970 euros no próximo ano. “Em 2027, o Governo da AD elevará o salário mínimo (RMMG) para os 970 euros, concretizando o terceiro aumento consecutivo desde que tomou posse o XXIV Governo Constitucional, em 2024, ano em que a RMMG [Retribuição Mínima Mensal Garantida] se cifrava nos 820 euros”, pode ler-se no documento.
Nell'ambito dei quotidiani raid e delle sistematiche operazioni di perquisizione che caratterizzano l'occupazione israeliana in Cisgiordania, una donna palestinese di 65 anni e rimasta ferita giovedi a seguito di un'aggressione da parte dei soldati durante un'irruzione nella casa del figlio a Beit Ummar, a nord di Hebron.
Israeli troops violently maliciously assault & push over a Palestinian woman in the town of Beit Ummar, north of al-Khalil, central Palestine https://t.co/W4U4dmVLfZ
Come confermato dall'attivista Mohammad Awad all'agenzia di stampa WAFA, le forze di occupazione israeliane hanno fatto irruzione nella zona di Asida facendo irruzione nell'abitazione di Walid Sabarna.
Nel corso delle verifiche, diventate ormai una tragica routine per le famiglie della zona, i soldati hanno devastato gli arredi e la proprieta prima di scagliarsi contro la madre sessantacinquenne del proprietario, Bahiya Ekhlail, causandole gravi lividi e contusioni. La donna e stata successivamente trasferita in ospedale dai sanitari per ricevere le cure necessarie.
L'operazione si e svolta secondo un copione che si ripete quasi ogni giorno nei territori occupati: le forze armate hanno lanciato gas lacrimogeni ad altezza uomo verso le abitazioni civili adiacenti, provocando principi di soffocamento a numerosi residenti che sono stati intossicati e soccorsi sul posto.
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LETTURA CONSIGLIATA:
LAD EDIZIONI E EDIZIONI Q PRESENTANO "GAZA NOI NON DIMENTCHIAMO"
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Um comboio de passageiros que fazia a ligação entre o Entroncamento e a Guarda colidiu, na noite desta quinta-feira, com um automóvel na ponte ferroviária sobre o rio Tejo, entre os concelhos de Vila Nova da Barquinha e Constância. O acidente ocorreu pelas 20h49 e deixou uma pessoa encarcerada no interior da viatura.
De acordo com o comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha, Jorge Gama, segundo a Antena Livre, o comboio arrastou o automóvel cerca de 100 metros, ficando imobilizado sobre a ponte, na zona da Praia do Ribatejo e da Caima.
As operações de socorro enfrentaram dificuldades acrescidas devido às características do local e aos riscos associados à intervenção sobre a estrutura ferroviária, que apresenta grandes vãos sobre o rio.
O automóvel ficou completamente debaixo do comboio, o que dificulta o acesso à vítima e impede, para já, a sua retirada. Apesar de as equipas de socorro já terem conseguido chegar junto da pessoa encarcerada, o desencarceramento depende da criação de condições de segurança para avançar com os trabalhos.
Os bombeiros aguardavam a chegada de meios ferroviários especializados, necessários para estabilizar e deslocar ligeiramente a composição, permitindo a intervenção em segurança.
No local estavam mobilizadas oito viaturas de emergência e 19 operacionais, envolvendo bombeiros e outros meios de socorro e segurança.
Entretanto, os 117 passageiros que seguiam a bordo do comboio foram retirados da composição. A CP estava a preparar o transporte dos passageiros em autocarros, de forma a assegurar a continuação da viagem.
O acidente obrigou também à suspensão da circulação ferroviária naquele troço, não havendo ainda uma previsão concreta para a sua retoma. Segundo o comandante dos bombeiros, a circulação poderia ser restabelecida ainda durante a noite, dependendo da remoção do comboio e da avaliação técnica das condições de segurança da infraestrutura.
A ponte rodoviária paralela à linha ferroviária foi igualmente encerrada ao trânsito, de modo a facilitar a instalação dos meios de emergência e garantir a iluminação necessária aos trabalhos.
Os presidentes das Câmaras Municipais de Vila Nova da Barquinha e de Constância encontravam-se também no local, a acompanhar as operações.
Às 22h15, hora em que foram prestadas as declarações, segundo a Antena Livre, a vítima continuava encarcerada, não sendo possível prever quando terminariam os trabalhos de socorro.
As circunstâncias em que ocorreu a colisão permaneciam por apurar.
Data: 8 de outubro de 2026 Por: Dino Frazão
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O Canadá enfrenta um problema habitacional que se tornou impossível de ignorar por qualquer governo. Os preços das casas e das rendas continuam fora do alcance de muitos canadianos, a construção não tem acompanhado o crescimento populacional e os governos a todos os níveis têm tido dificuldades em construir habitações com a rapidez necessária. É neste cenário que surge a Build Canada Homes, a nova empresa pública (Crown corporation) do governo federal concebida para ajudar a construir mais habitação acessível em todo o país.
A questão é direta: será a Build Canada Homes uma nova ferramenta autêntica capaz de fazer a diferença, ou trata-se de mais uma iniciativa política concebida para dar a impressão de que o governo do Primeiro-Ministro Mark Carney está a agir na habitação? A resposta, pelo menos até agora, contém um pouco de ambas.
O que é exatamente a Build Canada Homes?
A Build Canada Homes foi lançada em setembro de 2025 e encontra-se agora estabelecida por lei como uma empresa pública federal ao abrigo da Lei Build Canada Homes (Build Canada Homes Act). O seu objetivo fundamental é aumentar a oferta de habitação acessível através da combinação de várias ferramentas: terrenos públicos, financiamento, parcerias e métodos de construção mais recentes. Em vez de se limitar a atribuir subsídios à habitação, a organização pretende desempenhar um papel mais ativo no encaminhamento dos projetos desde a fase de planeamento até à construção. Isso pode incluir a utilização de terrenos federais, a concessão de empréstimos ou garantias, o investimento em projetos, o trabalho conjunto com municípios e províncias, a parceria com organizações de habitação sem fins lucrativos e o apoio aos construtores do setor privado para acelerar os projetos. O governo federal afirma que a Build Canada Homes foi concebida para se tornar uma espécie de motor de entrega de habitação — e não apenas mais um programa governamental.
O Canadá já dispõe de organizações e programas que financiam a habitação. O argumento a favor da Build Canada Homes é que o país precisa de uma instituição capaz de juntar terrenos, capital, parceiros e capacidade de construção para concretizar a habitação.
Porquê transformá-la numa empresa pública (Crown corporation)?
A Lei Build Canada Homes recebeu a Sanção Real em junho de 2026. A legislação confere à corporação uma maior flexibilidade operacional do que a que detinha enquanto operava como agência federal. A entidade pode realizar investimentos, operar através de subsidiárias, contrair empréstimos dentro dos limites estabelecidos e celebrar parcerias concebidas para acelerar a construção de habitações. É também gerida por um conselho de administração, em vez de ser simplesmente mais um ramo de um ministério federal. Essa estrutura visa dar à Build Canada Homes maior independência e a capacidade de tomar decisões à semelhança de uma organização de desenvolvimento e investimento, mantendo-se, contudo, responsável perante o governo federal e o Parlamento. A legislação estabeleceu igualmente a estrutura para os cargos de Presidente Executivo (CEO) e do conselho de administração. O presidente do conselho e o CEO são nomeados pelo Governador em Conselho, o que significa que o governo federal mantém um papel relevante na liderança da organização.
Quem lidera a BCH?
A organização é liderada por Ana Bailão, que exerce o cargo de Presidente Executiva (CEO). Bailão é uma escolha particularmente interessante porque não chega ao cargo como uma burocrata federal tradicional. Possui uma vasta experiência na política municipal e na área da habitação em Toronto, tendo exercido o cargo de vice-presidente da câmara da cidade. O seu papel é significativo porque a Build Canada Homes deve fazer a ponte entre as políticas governamentais e a prática concreta de construir habitação. A organização conta ainda com Evan Siddall como seu presidente fundador do conselho de administração. Siddall é ex-CEO da Sociedade Canadiana de Hipotecas e Habitação (Canada Mortgage and Housing Corporation – CMHC) e antigo executivo sénior da BMO Capital Markets, o que confere à corporação uma considerável experiência em financiamento habitacional e no setor institucional. Esta combinação — uma CEO focada na habitação e um presidente com forte experiência em financiamento habitacional — sugere que Otava pretende que a Build Canada Homes seja mais do que um mero exercício de relações públicas.
Já fez alguma coisa?
É aqui que o governo tem um argumento legítimo. A Build Canada Homes não está a arrancar do zero. Desde o seu lançamento, a organização tem avançado com projetos e parcerias envolvendo cidades, províncias, territórios e parceiros indígenas. O governo federal afirma que projetos e parcerias representando mais de 11.000 habitações estavam em andamento ou perto da fase de construção em junho de 2026. Em setembro, o governo falava em acordos que poderão vir a resultar em aproximadamente 19.000 habitações acessíveis, estando cerca de 2.000 em construção. Os governos são especialistas em anunciar projetos de habitação. O verdadeiro teste será saber quantas unidades são concluídas, com que rapidez são construídas e qual será o seu custo final.
A Build Canada Homes estabeleceu uma parceria com a Cidade de Otava em vários projetos que envolvem mais de 1.100 habitações para arrendamento, sendo a maioria destinada a habitação acessível. Alguns destes projetos envolvem prestadores de habitação sem fins lucrativos, enquanto outros envolvem parcerias entre o setor privado e o setor sem fins lucrativos. A habitação é uma das maiores preocupações dos canadianos e dos inquilinos. Um governo que consiga demonstrar que está a construir casas obtém uma vantagem política óbvia.
Mark Carney fez da construção de habitação e da acessibilidade económica uma peça central da agenda económica do seu governo. A criação de uma organização altamente visível chamada Build Canada Homes envia também uma mensagem política muito clara: Otava quer que os canadianos associem o governo federal diretamente à construção de habitações. Contudo, dizer que algo é politicamente útil não significa que seja ineficaz. Os governos constroem infraestruturas por razões políticas a todo o momento. Isso não torna a infraestrutura desnecessária. Se eventualmente ajudar a colocar dezenas de milhares de habitações acessíveis em construção mais depressa e a custos mais reduzidos, os canadianos provavelmente não se importarão se o programa também ajudou Carney no plano político.
O Canadá não precisa simplesmente de mais anúncios de habitação. Precisa de mais gruas, mais trabalhadores da construção, mais terrenos com infraestruturas e mais edifícios concluídos. Se o Canadá conseguir encontrar formas de construir apartamentos e habitações acessíveis mais rapidamente, com menos desperdício e custos mais baixos, os benefícios poderão ir muito além dos projetos financiados diretamente pela Build Canada Homes. Esta corporação poderá potencialmente tornar-se um catalisador para mudar a forma como o Canadá constrói habitação.
Não há dúvida de que a Build Canada Homes é politicamente útil para Mark Carney. Mas isso não faz dela uma má ideia. O Canadá tentou incentivos fiscais, programas hipotecários, subsídios à habitação e várias iniciativas governamentais durante anos. O país continua a enfrentar uma grave escassez de casas. Talvez o que se exija agora seja uma organização apoiada pelo governo que esteja disposta a assumir parte do risco, utilizar terrenos públicos, trazer financiamento para a mesa e trabalhar diretamente com quem constrói habitação. A Build Canada Homes recebeu as ferramentas.
Agora tem de provar o seu valor.
Vincent Black/MS
O conteúdo do website do Milénio Stadium é traduzido automaticamente através do Google Tradutor.
Os residentes, trabalhadores e estudantes do concelho de Odemira já podem escolher os projetos que pretendem ver concretizados através do Orçamento Participativo de 2026. Estão em votação 19 propostas, num processo que decorre até 31 de outubro e para o qual o Município disponibiliza 300 mil euros.
Podem participar cidadãos a partir dos 14 anos, sendo permitida uma única votação por pessoa. O voto pode ser feito por SMS, através do portal www.op.cm-odemira.pt, ou presencialmente no Balcão Único do Município e nas juntas de freguesia do concelho.
As propostas abrangem áreas como cultura, educação, desporto, ambiente e bem-estar. Incluem também intervenções destinadas à melhoria de espaços públicos, equipamentos e acessibilidades.
A autarquia compromete-se a executar as propostas mais votadas até ao limite da verba disponível, com um montante máximo de 75 mil euros por projeto.
Para favorecer a coesão territorial, será garantida a concretização de pelo menos um projeto numa freguesia com menos de 1 500 habitantes, entre as propostas mais votadas.
Implementado em 2011, o Orçamento Participativo de Odemira procura envolver a população na definição de investimentos públicos e incentivar uma participação próxima e transparente. Segundo o Município, trata-se do processo participativo mais antigo do país a funcionar de forma ininterrupta.
A GNR apreendeu cerca de quatro toneladas de cocaína e deteve três homens durante uma operação realizada na madrugada desta quinta-feira, 8 de outubro, nas imediações da foz do rio Mira e da Praia da Vieirinha, nos concelhos de Odemira e Sines.
A ação foi conduzida pela Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras, através do Destacamento de Controlo Costeiro de Sines, após a deteção de embarcações de alta velocidade pelo Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo (SIVICC). Foram mobilizados meios terrestres e marítimos para acompanhar os movimentos das embarcações.
Segundo a Guarda, foram identificadas duas embarcações de alta velocidade que estariam a transferir volumes para uma embarcação de pesca, junto à foz do rio Mira. A intervenção dos militares permitiu intercetar o barco de pesca, onde foram encontrados 73 fardos de cocaína.
No interior seguiam três homens, de nacionalidade portuguesa e estrangeira, com idades entre os 22 e os 42 anos, que foram detidos.
Durante o regresso a terra, os militares localizaram ainda uma embarcação de recreio à deriva, com outros 58 fardos de cocaína a bordo.
No total, foram apreendidos 131 fardos de cocaína, com um peso estimado de 3 915 quilos, duas embarcações, quatro telemóveis e 1 240 euros em numerário.
A operação contou com o reforço do Comando Territorial de Setúbal e com o apoio da Polícia Marítima e do Município de Sines.
Esta apreensão ocorreu menos de 48 horas depois de outra ação da GNR, realizada na madrugada de 7 de outubro, na Praia da Costinha, que resultou na apreensão de cerca de 2,7 toneladas de cocaína. As duas operações permitiram retirar mais de 6,5 toneladas de cocaína do circuito de tráfico, de acordo com os dados divulgados pela Guarda.
Em janeiro deste ano, Veruschka de Sales Azevedo passou pouco mais de uma hora contando à Agência Pública como perdera o cargo de professora na rede estadual de ensino de São Paulo. Ela chorou algumas vezes durante o encontro que foi finalizado com certa esperança: “O meu retorno será triunfante”, disse. Enquanto aguardava o desfecho do seu caso, ela organizava um livro com relatos de professores também investigados por meio de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) na Secretaria de Educação de São Paulo (SEDUC). “A gente precisa registrar isso em tudo quanto é lugar.” Doutora em história, Veruschka tinha 24 anos de magistério, cerca de vinte deles na mesma escola de Guarulhos onde estudara antes de ser exonerada em maio de 2024 num PAD que se iniciou em 2017. Entre a abertura do processo e a exoneração, passaram-se sete anos e seis meses.
Em março deste ano, num artigo no Le Monde Diplomatique, Veruschka escreveu que o trauma da exoneração lhe causara uma doença crônica. Ela viria a falecer em julho, seis meses após a entrevista para a reportagem. A família não divulgou a causa da morte, mas a filha, Rayssa Sales, não tem dúvida sobre a origem da doença: “Antes, a imunidade da minha mãe era perfeita, mas, depois da exoneração, ela começou a ficar doente.”
As acusações contra a professora na SEDUC apontam falta de comprometimento com os estudantes, tumulto em reuniões pedagógicas, incitação de alunos contra a direção e excesso de atenção a temas raciais e de empoderamento feminino nas aulas.
Três dias antes da demissão de Veruschka, também a professora Fabiana de Abreu, que ensinava história na mesma escola, fora exonerada. Em agosto de 2025, chegaria a vez de Maitée Nogueira, professora de sociologia em São Sebastião, no Litoral Norte paulista. As três contestaram as acusações em entrevista à Pública. Os processos se apoiam em um estatuto anterior à Constituição de 1988: o dos servidores civis do estado, de 1968, ano do AI-5. Para Salomão Ximenes, professor da Faculdade de Educação da USP e pesquisador do Observatório Nacional da Violência contra Educadores (Onve), os estatutos escritos durante o período ditatorial têm sido “ressignificados com o objetivo de dar mote a processos administrativos de perseguição a educadores”.
Ele fala em “lawfare educacional”: o uso de instrumentos jurídicos e burocráticos para conter a mobilização de professores, a luta sindical e os avanços no currículo. Além de São Paulo, outros estados regulamentam o magistério por meio de normativas elaboradas durante o regime de exceção como Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Acre e Ceará, conforme Ximenes identifica no artigo “Os anos que não acabaram; o uso de estatutos jurídicos da ditadura militar na perseguição a educadores(as) no Brasil”, que publicou na metade deste ano com a jurista Ligia Ziggiotti de Oliveira.
Veruschka de Sales Azevedo (centro), professora exonerada via PAD
Sarau criado por Veruschka incomodava a direção
Veruschka nasceu em Sanharó, no interior de Pernambuco, e chegou a Guarulhos ainda criança, com seis irmãos. A mãe era empregada doméstica; o pai, caminhoneiro. Ela estudou na Escola Estadual Professora Maria Aparecida Rodrigues, no bairro Pimentas, em Guarulhos, e cursou história na Unesp. Concursada em 2000, deu aulas na cidade de Sertãozinho até pedir, em 2004, transferência para a escola onde estudara. “Lá, havia professores que incentivaram os alunos a buscar a universidade pública”, disse a filha Rayssa. “Daí ela veio com o sonho de fazer o mesmo que fizeram por ela.” Ficou lá mesmo depois do doutorado, concluído em 2016 na PUC-SP.
Nas aulas, discutia desigualdades, feminismo, direitos humanos e identidade negra, e aplicava a Lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira. Militava na Associação Nacional de História (Anpuh), no sindicato e na Marcha Antirracista do Bairro dos Pimentas. Na escola, conduzia o Sarau Resistência: ao longo do ano, os alunos pesquisavam personalidades negras e as homenageavam com apresentações. “No sarau do Milton Nascimento, fizemos o Milton de açúcar, porque ele é uma pessoa doce”, lembrou o ex-aluno Thiago Gomes, hoje estudante de filosofia na USP. “Eu via alunos racistas mudarem de opinião depois do sarau.” No cursinho popular da UNEafro Brasil que Veruschka coordenou na Unifesp, Thiago ouvia dela que era “um menino de ouro”. Para ele, a professora Veruschka morreu duas vezes. A primeira foi quando sofreu a exoneração. “Foi ali que perdi o brilho nos olhos. Eu continuava tendo aula com a Veruschka no cursinho da UneAfro, mas não era a mesma coisa”, afirma.
Veruschka conduzia o Sarau Resistência: ao longo do ano, os alunos pesquisavam personalidades negras e as homenageavam com apresentações
Os atritos com a direção da escola começaram em 2008, segundo Veruschka, quando, ainda no governo de José Serra, passaram a exigir o uso de apostilas. O material, disse ela, “não tinha respaldo na diversidade das minhas salas de aula, na realidade dos alunos”. Depois vieram suas cobranças por transparência no uso das verbas e as queixas da gestão contra o sarau. “Esse projeto incomodou tanto a gestão que, a todo momento, queriam acabar com ele, porque os alunos começaram a se sentir parte desse movimento.”
Salomão Ximenes, do Onve, diz que os estatutos preservam princípios como “a proibição de manifestação e uma lógica hierárquica em relação às autoridades administrativas”, incompatíveis com a democracia, que “continuam a persistir e a servir de mote para processos de punição”.
O advogado de Veruschka, Roberto Parahyba, chama a demissão de “arbitrária” e “antissindical”: “não tenho dúvida de que o principal ponto foi ter participado do ato sindical.” A defesa sustenta, ainda, que o caso estava prescrito com base no próprio estatuto de 1968, que fixa em cinco anos o prazo para a pena de demissão.
O Procurador do Estado havia pedido a suspensão da professora por 90 dias, mas o Secretário de Educação do Estado de São Paulo, Renato Feder, aplicou a pena de demissão em maio de 2024, por considerar que Veruschka “teve conduta incompatível com o cargo de professora, principalmente no aspecto da moralidade” e agiu “de maneira desrespeitosa perante a gestão escolar”.
Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), “se o professor tem uma atuação mínima que seja de defesa da escola pública é perseguido. Se for sindicalista então, a situação é ainda pior”, diz Roberto Guido, presidente interino do sindicato.
Exoneração fez Veruschka perder o acesso ao hospital
Com a demissão, Veruschka perdeu o acesso ao hospital dos servidores estaduais. “A gente sabe como o SUS é demorado e que ir buscar uma consulta particular é caro”, disse a amiga Vera Aparecida dos Santos, assistente social. Em janeiro, a professora contou ter uma úlcera gástrica e o intestino inflamado. “Eu quero meu cargo de volta. Quero os meus 25 anos de contribuição. A gente nunca espera parar de trabalhar”, disse, emocionada, à Pública.
Numa pesquisa da Apeoesp divulgada em maio de 2026, 97,6% dos professores ouvidos associaram o adoecimento mental às condições de trabalho na rede; 24,8% precisaram se afastar da escola por esse motivo. Segundo Guido, depressão e burnout já superam as doenças físicas, em razão da superlotação das salas, das jornadas duplas ou triplas, dos conflitos e, mais recentemente, da plataformização do ensino. A SEDUC afirma que, desde dezembro de 2024, oferece atendimento psicológico e psiquiátrico aos servidores por meio do programa Viva Bem.
Segundo a mentora espiritual de Veruschka, a Iyalorixá Cláudia de Oyá, a demissão causou um sentimento de abandono na professora diante de toda uma vida dedicada à educação: “ela começou a perder muito peso e tinha um sentimento de solidão. Se sentiu muito perdida em meio a todo o esforço de uma vida”, explicou.
Veruschka e a Iyalorixá Cláudia de Oyá durante aula na UNEAfro
Fabiana tratou “repetidamente” de pautas raciais e indígenas
Fabiana de Abreu foi exonerada em maio de 2024, também durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas. Em 2017, ela foi afastada por 90 dias, sem salário, após conflitos com a direção da mesma escola de Veruschka em Guarulhos. A suspensão de 2017 foi anulada e Fabiana voltou à escola após 39 dias. Segundo ela, o prazo para punição já havia prescrito. “Mas quando eu retornei, começou outro processo.” Nele, Fabiana foi acusada de falta de urbanidade, insubordinação, tumulto em reuniões pedagógicas, falhas no lançamento de notas e de incitar alunos a atos contra a direção. O processo registra ainda que ela trabalhava “repetidamente questões sobre índios, negros e movimentos sociais para todas as turmas, sob a justificativa de que tem liberdade de cátedra”.
A defesa da professora considera as acusações “comprovadamente distorcidas” e alega também a prescrição. A SEDUC diz que os processos de Fabiana e Veruschka apontam interrupções reiteradas nas reuniões pedagógicas e conflitos com a gestão, e que houve tentativas prévias de mediação.
Fabiana de Abreu foi exonerada em maio de 2024, também durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas
Com o avanço conservador sobre a educação, diz Ximenes, o estatuto que embasou as demissões “passa a ser cada vez mais reivindicado como possibilidade de contenção de educadores que propõem ações de educação democrática, antidiscriminatória e mobilizações no âmbito da escola pública”.
Fabiana diz que estaria “um pouco mais tranquila” se tivesse sido demitida sozinha. Por causa do afastamento dela, em 2017, outros professores que foram ao ato sindical, como Veruschka, passaram também a responder a processos. Com a exoneração, ela também perdeu o direito de tratar o câncer da mãe no hospital dos servidores. “Esses processos atrasam toda a nossa condição de existência. A cabeça adoece”, afirma a docente, que recorreu à justiça sobre a demissão.
Fabiana liga o caso dela à adoção de plataformas digitais nas escolas estaduais, a partir de 2024: professoras como ela e Veruschka, diz, foram afastadas para que as dirigentes pudessem “de maneira mais sossegada implantar o projeto do governo”. Diego de Freitas, professor de filosofia que trabalhou com Veruschka, vê o modelo como “uma educação enlatada, ultraprocessada”, na qual a colega não se encaixaria. “Ela sempre estava defendendo uma educação democrática, a liberdade de cátedra e isso causava tensão no ambiente.”
Para Ximenes, o controle do currículo, a obrigação de alimentar as plataformas e a cobrança de metas nas avaliações eliminaram a pluralidade pedagógica nas escolas paulistas. “Tudo já vem dado, plataformizado e construído”, diz. “Aqueles que não se plataformizam ou não performam se colocam em risco.” Uma nota técnica da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), de julho de 2025, aponta que o tempo de uso das plataformas é monitorado, com possibilidade de punição a professores e diretores.
Caso Maitée: “debates polêmicos” sobre sexualidade e religião
Maitée Nogueira dava aulas há mais de vinte anos quando entrou em conflito com a direção da Escola Estadual Walkir Vergani, em São Sebastião, em 2023. O processo a acusa de descumprir o horário de trabalho, de falta de urbanidade, de condutas discriminatórias e de insubordinação grave, e menciona “debates polêmicos” sobre sexualidade e religião. A Procuradoria-Geral do Estado reconheceu não haver documentação oficial que comprovasse o descumprimento da jornada de trabalho. A demissão foi determinada em agosto de 2025, também na gestão de Tarcísio de Freitas.
“Está na ordem do dia da Secretaria de Educação exonerar, pois qualquer investigação séria teria parado quando comprovei que cumpri meus deveres como professora”, afirma Maitée. Ela também explica que os supostos “debates polêmicos” são inerentes à disciplina e que sempre seguiu o currículo. Os conflitos, diz, deveriam ter sido mediados pela coordenação. Sua advogada considera as acusações “frágeis” e “contraditórias” e afirma que a professora “era perseguida, veladamente, pela gestão, tendo ainda de lidar com o preconceito decorrente de sua orientação sexual”.
A SEDUC afirmou à reportagem que o processo apurou agressões verbais contra estudantes e servidores, linguagem ofensiva, intimidação de alunos, recusa em usar o nome social de uma estudante e comentários discriminatórios, além de abandono de atividades, atrasos frequentes e descumprimento de obrigações pedagógicas. Demitida, Maitée não pode assumir outro cargo público, mesmo que aprovada em concurso. “Não posso mais exercer a profissão em que atuei por 20 anos, na qual estudei e me preparei”, desabafa.
Exonerada em agosto de 2025, a defesa de Maitée Nogueira afirma que a professora “era perseguida veladamente pela gestão”
A SEDUC diz que os processos das três professoras citadas na reportagem garantiram o contraditório e a ampla defesa, que os recursos das professoras foram rejeitados e que nenhuma delas levou o caso à Justiça, o que contradiz as informações das defesas das professoras enviadas à Pública. Nos três casos, as professoras estão recorrendo contra as exonerações.
Ximenes defende que os estatutos anteriores à Constituição de 1988 sejam atualizados para incorporar as premissas de uma educação democrática. “Para mim é escandaloso que a gente continue usando uma legislação do período da ditadura”, diz. “Assim, é muito mais fácil para as perspectivas autoritárias se desenvolverem, com essa infraestrutura jurídica à disposição.”
No velório de Veruschka, decidiu-se que o Sarau Resistência passaria a se chamar Sarau Veruschka de Sales Azevedo. Ela foi homenageada pela Associação Nacional de História (Anpuh) e recebeu uma moção de aplauso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A família tenta anular a exoneração, mesmo após o falecimento. “Como filha, eu gostaria de algo impossível: ter minha mãe de volta e que ela pudesse usufruir do cargo dela”, disse Rayssa: “O que a gente gostaria é que, pelo menos, o caso dela se revertesse.”
Regresso às nossas crónicas, enriquecido pelo nascimento do meu filho Luís e pelo mês de licença que gozámos juntos.A semana do meu regresso foi profícua e equívoca, e não me refiro ao drama entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. Montenegro, por fim, acedeu às condições de José Luís Carneiro para viabilizar o Orçamento do Estado, aprovando uma linha para continuar as obras do PRR e dando garantias quanto à revisão constitucional. Por boa medida, aprovou com a abstenção do CHEGA a sua nova lei do arrendamento.
Horas antes, parecia certo que a proposta do Governo chumbaria. Empacotado com uma necessária modernização das regras de despejo, Pinto Luz desfaz praticamente todas as proteções e direitos de um inquilino. Se antes um senhorio só podia rescindir unilateralmente o contrato após 3 anos, agora poderá fazê-lo por mera comunicação prévia. As rendas em novos contratos, limitados à inflação mais 2%, deixarão de ter qualquer controle. Desde o fim do limite à caução ao aumento do número de rendas antecipadas, a proposta de lei é de um desequilíbrio total.
O populista André Ventura não se queria associar. Na véspera, anunciou o voto contra. No Parlamento, puxou a si a intervenção para falar grosso. Mas a montanha pariu um rato. Já com as votações a decorrer, é anunciado um acordo escrito para deixar passar o projeto.
A cambalhota do CHEGA não surpreende. O duplo mortal a que todos assistimos no pacote laboral diz-nos tudo sobre a coluna vertebral do seminarista de Mem Martins. Mais preocupante é quanto é que o PSD teve de oferecer para o fazer dançar. Consistentemente em 3.º lugar nas sondagens, o Governo não se pode dar ao luxo de derrotas políticas. A pouca agenda reformista que ainda lhes resta tem de avançar, a qualquer custo. E Ventura sabe disto. Sabe que tem a faca e o queijo na mão.
A lei do arrendamento levou a relação entre a AD e o CHEGA a um novo patamar: o acordo escrito. Luís Montenegro tinha, até ao momento, governado à vista, escolhendo os parceiros parlamentares que lhe são mais convenientes para cada ocasião. É um modelo invulgar. Na maioria dos países europeus, a formação de um governo é precedida por semanas de negociações. No fim, há um acordo global – público, firme e escrutinável por todos. Foi assim, nomeadamente, com a afamada “Geringonça”.
Agora há acordo escrito, mas este está sob sigilo. Desconhecemos o seu âmbito – se é limitado a esta lei – e quais são as suas contrapartidas. Ao longo deste ano, já muito se suspeitava que alguma radicalização do PSD seria condição da extrema-direita para salvar as alterações ao Código de Trabalho. Chegou-se, mesmo, a debater se o Governo não iria, por isso, aceitar a descida da idade da reforma. Na altura, à última da hora, foi tudo por água abaixo. Mas agora que não foi, e que há um papel que o comprova, importa saber porquê. E com que consequências.
A assinatura do primeiro acordo escrito entre PSD e CHEGA é, goste-se ou não, o atravessar de um rubicão político. É mais um passo na normalização da extrema-direita no nosso país. Alguma direita moderada acha que o faz por estratégia: assim, a extrema-direita está mais condicionada, esvaziada. Outra admite que o faz por mera conveniência política. Seja como for, isso não pode ser indiferente a qualquer democrata, e muito menos ao PS.
Nestes 2 anos e meio, o PS tem viabilizado Orçamentos e outras leis, não obstante a agenda radical das burqas e bandeiras ou o ataque ao SNS e à escola pública. Se hoje o Governo diz que não há margem para mais medidas de alívio do custo de vida é porque aprovou com o CHEGA a descida do IRC e os benefícios às “rendas moderadas”, cujo impacto orçamental chegará em 2027 aos 1500 milhões de euros.
Já no início do ano, Carneiro tinha avisado, perante a indiferença de Montenegro, que a paciência tem limites. No Congresso, com Montenegro a privilegiar Ventura nas negociações para o Tribunal Constitucional, Carneiro avisou que era altura de decidir e que quem semeia ventos, colhe tempestades. A audácia de firmar um acordo com o CHEGA no mesmo dia em que Carneiro anuncia a viabilização do Orçamento do Estado é mais uma machada na relação de confiança que Montenegro devia estar a construir – não só com o PS, mas com o país.
Não tem de ser assim. Esta semana, um conjunto de personalidades do PS e PSD lançaram uma carta aberta a defender entendimentos entre estes dois partidos centrais. O diálogo dos moderados é também um dos fins do Instituto Progresso, lançado no final de agosto.
Somos muitos a querer esse caminho mas ele exige respeito e lealdade. Como escrevemos na moção que levámos ao Congresso do PS, pactos de regime não são a mesma coisa que um bloco central. Não precisam de servir para suspender as diferenças entre os partidos, mas como chão comum sobre o qual transformemos o país e valorizemos as escolhas alternativas de cada um.
Como explicou António José Seguro, no discurso do 5 de Outubro, a estabilidade não é um fim em si mesmo. Mas é uma condição essencial para as coisas se fazerem. Agora mais que nunca, cabe ao PSD decidir com quem quer fazer acordos e a que preço.
Foi uma noite dedicada à alma de Portugal, onde a música, a emoção e a cultura se encontraram através do fado. O Portuguese Cultural Centre of Mississauga realizou a tradicional Gala de Fado, este ano integrada na primeira edição do Festival Internacional de Fado de Toronto e dedicada a uma das maiores referências da cultura portuguesa: Amália Rodrigues. Realizada há 26 anos, a gala é motivo de orgulho para Jorge Mouselo, presidente do Centro Cultural Português de Mississauga, que destaca a importância de preservar uma tradição já enraizada na comunidade. “Não quero que isto morra”, afirmou, defendendo também uma maior união entre os clubes portugueses no Canadá.
Para Mouselo, a parceria com o Festival Internacional de Fado representa uma oportunidade para abrir o Centro a novos projetos e aproximar diferentes comunidades portuguesas. A gala reuniu artistas vindos de Portugal e talentos ligados à comunidade local, mas o dirigente acredita que, no futuro, poderá haver uma edição especialmente dedicada aos artistas da comunidade. “Os nossos artistas locais mereciam uma noite destas também”, afirmou. Mais do que uma noite de música, a iniciativa pretende celebrar o fado, homenagear Amália Rodrigues e reforçar os laços da comunidade. “Sem o vosso apoio, sem o vosso carinho, nada disto acontecerá”, sublinhou Mouselo.
Entre as artistas participantes esteve Suzy Silva, cuja formação em jazz lhe trouxe novas ferramentas para a composição, harmonia e arranjos, sem alterar a forma como aprendeu a cantar fado. “Eu aprendi a cantar fado da maneira que todos nós aprendemos: a ouvir os antigos”, explicou.
Amália é uma das suas maiores referências, uma espécie de “santa padroeira de todas as fadistas”. Suzy estudou atentamente as suas interpretações, desde a divisão dos versos à dicção e colocação da voz. Interpretar um fado associado a Amália representa, por isso, uma responsabilidade especial. “É impossível tirar do ouvido de quem ouve a versão original, que é grandiosa”, reconheceu. Ainda assim, procura imprimir às interpretações a sua própria identidade, através do “amor e dedicação” que coloca em cada atuação.
Para Suzy, o fado não pode ser reduzido a uma única definição: “É emoção, é música, mas também é um estado de espírito.” A cantora considera uma honra representar os fadistas da comunidade e destaca o crescente interesse pelo género entre públicos francófonos e anglófonos. “O fado tem muita coisa interessante a dar a conhecer ao mundo inteiro”, afirmou.
A cantora portuguesa Lenita Gentil também participou na gala de homenagem a Amália. Feliz por regressar a uma região onde tem muitos amigos, destacou a importância destas iniciativas para os portugueses no estrangeiro. “Onde houver um português tem que haver fado”, afirmou. Lenita recordou o seu percurso, iniciado na canção e marcado por festivais internacionais, até chegar ao fado, influenciada pelo ambiente musical familiar e pelos grandes nomes do género. Considera positivo o crescente interesse dos jovens e de públicos estrangeiros pelo fado, incluindo japoneses e chineses que já cantam e tocam esta música. Para a artista, esse fenómeno demonstra a sua força e universalidade. Recordou ainda a parceria de mais de 20 anos com Natalino de Jesus, com quem gravou Fado para Dois e continua a atuar. Natalino reforça a importância do Fado, numa comunidade onde a “saudade” é a palavra de sentimento.
João Brito, artista e organizador do Festival Internacional de Fado, considera a concretização do projeto um grande desafio. A ideia nasceu e avançou com o apoio de três associações. Apesar dos contratempos, a primeira edição levou o fado a Toronto e Mississauga, com salas bem preenchidas. “Esta é a primeira vez, mas não vai ser a última”, garantiu.
Para as próximas edições, a intenção é crescer gradualmente, envolver mais associações, chegar a outras cidades, incluindo Montreal, e apresentar o fado também a públicos não portugueses através de concertos mais intimistas. “Temos que começar a mostrar o fado”, defende.
Outra prioridade é dar espaço aos artistas da comunidade. Brito quer que o festival funcione como uma “rampa de lançamento” para fadistas e músicos de Toronto, Montreal, Vancouver e outras regiões, mostrando que existem muitos talentos locais que “também fazem bem” e merecem ser conhecidos.
Entre a homenagem a Amália, a tradição da Gala de Fado e os novos caminhos do festival, a noite em Mississauga mostrou que o fado continua vivo: preserva as raízes portuguesas, aproxima gerações e comunidades e, ao mesmo tempo, encontra novos artistas e públicos muito para além de Portugal.
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Um fisioterapeuta foi preso em flagrante nesta quarta-feira (7) durante uma operação da Polícia Civil de Goiás que investiga o funcionamento irregular de uma clínica de estética em Goiânia. O estabelecimento, segundo a corporação, funcionava sem autorização sanitária.
A ação foi realizada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), que apura suspeitas de exercício ilegal da medicina, lesão corporal grave e crimes contra as relações de consumo. Ao todo, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital.
Durante uma das buscas, os policiais encontraram o estabelecimento investigado. No local, havia medicamentos vencidos, produtos de uso hospitalar, materiais e equipamentos cirúrgicos, além de receituários em branco e substâncias sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um carimbo pertencente a uma médica também foi localizado.
Vigilância Sanitária interditou o estabelecimento
A fiscalização contou com a participação da Vigilância Sanitária, que determinou a interdição da clínica. Entre as irregularidades encontradas estavam a ausência de alvará sanitário e de responsável técnico, além de problemas relacionados às condições de higiene do espaço.
Diante do material apreendido e das circunstâncias verificadas durante a operação, o fisioterapeuta recebeu voz de prisão em flagrante. Conforme a Polícia Civil, ele foi autuado por suspeita de exercício ilegal da medicina, crime contra as relações de consumo e venda ou exposição à venda de mercadorias em condições impróprias para o consumo.
A investigação continua e também busca esclarecer uma suspeita de lesão corporal grave que teria relação com os procedimentos realizados no estabelecimento.
Turminha do Zé Picanha terá episódios semanais nas redes sociais e estreia acompanhada de livrinho de colorir gratuito e ação para crianças montarem o próprio mini burger
Uma nova animação infantil produzida a partir de uma marca goiana estreia neste Dia das Crianças, 12 de outubro, com personagens e histórias voltadas à convivência, família e formação das crianças. A Turminha do Zé Picanha é o novo projeto infantil do Manda Picanha e terá episódios inéditos publicados semanalmente no Instagram e no YouTube.
O personagem principal é Zé Picanha, que ganha a companhia dos irmãos gêmeos Iaiá e Dedé, de 5 anos. A proposta é que cada episódio apresente uma nova história, utilizando situações do cotidiano para abordar valores ligados à família e à convivência de maneira acessível ao público infantil.
O lançamento marca a entrada da marca em uma produção de conteúdo voltada diretamente às crianças. Diferentemente de uma campanha restrita ao mês de outubro, os personagens passam a integrar de forma permanente o universo do Manda Picanha, com novos conteúdos previstos semanalmente.
Para José Henrique Queiroz, fundador do Manda Picanha, a ideia é ampliar a relação que os restaurantes já mantêm com as famílias e criar uma linguagem própria para conversar também com as crianças.
“Recebemos muitas famílias e percebemos que poderíamos criar algo que também falasse diretamente com as crianças. A Turminha nasce dessa ideia de transformar situações simples, que elas vivem com os pais, irmãos e amigos, em histórias divertidas e que também possam transmitir valores. Queremos que os personagens continuem crescendo e criando essa relação com as crianças ao longo do tempo”, afirma.
A estreia da animação será acompanhada pelo lançamento de um livrinho de colorir da Turminha do Zé Picanha. Serão disponibilizados mil exemplares impressos nas unidades participantes, e o material também poderá ser baixado gratuitamente pela internet.
A programação do Dia das Crianças também chegará à mesa. No dia 12, as unidades participantes terão uma experiência em que cada criança poderá montar o próprio mini burger. A bandeja será entregue com três mini pães de brioche, três mini burgers assados, dois queijos, dois molhos, batatinhas e saladas, permitindo que a criança escolha como montar o lanche.
“A criança normalmente recebe o prato pronto. Dessa vez, queremos que ela participe, escolha as combinações e monte do jeito que quiser. É uma brincadeira simples, mas que leva criatividade para um momento que já é de convivência da família, que é sentar junto à mesa”, explica José Henrique.
A ação será realizada nas unidades Bueno, Alto da Glória, Shopping Cerrado e Shopping Passeio das Águas, em Goiânia, além da unidade de Rio Verde. A animação, por sua vez, continuará após o Dia das Crianças, com episódios semanais.
Para José Henrique, a intenção é fazer com que Zé Picanha, Iaiá e Dedé construam uma história própria para além da data comemorativa.
“Não queríamos criar personagens que aparecessem somente no Dia das Crianças e depois desaparecessem. A ideia é construir esse universo aos poucos, com novas histórias, situações e aprendizados. É um projeto que começa agora, mas foi pensado para continuar”, conclui.
A FPT, empresa do Iveco Group dedicada ao projeto, à produção e à venda de sistemas de propulsão e soluções para veículos On-Road e Off-Road, bem como para aplicações marítimas e de geração de energia, juntamente com seu distribuidor oficial, a Bimotor, está pronta para voltar a ser protagonista no Cannes Yachting Festival, que será realizado de 8 a 13 de setembro de 2026, na estância turística da Riviera Francesa.
Realizado entre o Vieux Port e o Port Canto, o Cannes Yachting Festival reúne os iates mais prestigiados do mundo e as mais belas embarcações à vela ao longo da lendária Croisette. É um evento imperdível para os principais operadores do setor e o cenário ideal para apresentar motores marítimos destinados à navegação de lazer.
Nesse segmento de mercado, a FPT vem registrando um crescimento exponencial tanto do interesse quanto do número de clientes, graças às características únicas e mundialmente reconhecidas de seus produtos: confiabilidade, eficiência, densidade de torque e elevada relação potência/peso.
Um dos símbolos desse sucesso comercial é a estrela do estande (Palais 079, 32 NU): o N67 570 EVO, apresentado pela primeira vez com a tampa superior exclusiva criada por Van Orton, renomada dupla de criativa italiana cujo estilo pop vibrante e marcante é reconhecido mundialmente. Apresentada na Agritechnica 2025, a parceria entre a FPT e a Van Orton se estende, assim, também aos motores marítimos.
N67 570 EVO – Tampa superior Van Orton, edição limitada
O mais novo resultado da colaboração entre a FPT e a Van Orton é a impressionante tampa de motor, criada a partir de uma perspectiva caleidoscópica peculiar para dar origem a uma narrativa visual única, inspirada na linguagem inovadora da Pop Art de Andy Warhol e Roy Lichtenstein. O resultado combina com maestria a engenharia de precisão com a visão artística, dando aos motores FPT, habitualmente ocultos, mais um motivo para serem admirados.
N67 570 EVO - Melhor desempenho da categoria na sua faixa de potência
Com cilindrada de 6,7 litros, o motor marítimo N67 570 EVO gera até 419 kW, oferece torque máximo em baixas rotações e resposta rápida às variações de carga, estabelecendo novos padrões de desempenho em sua categoria. Projetada especificamente para aplicações marítimas, sua arquitetura conta com sistemas de refrigeração do motor e do turbocompressor especialmente adaptados às operações marítimas. Para simplificar a instalação, os principais componentes, incluindo o radiador de óleo, a bomba de óleo, a bomba d’água e o sistema de blow-by, estão totalmente integrados ao projeto do motor. A manutenção é simplificada por meio de diagnósticos avançados, enquanto os intervalos prolongados de troca de óleo e filtro, de até 300 horas, reduzem significativamente o tempo de inatividade.
Especificações do N67 570 EVO
Layout do cilindro: 6L
Turbocompressor: TCA
Deslocamento [litros]: 6,7
Sistema de injeção: Trilho comum
Potência Máxima [cv]: 570 @ 3000
Peso seco [kg]: 721
As especificações completas estão disponíveis
no site da FPT.
A FPT atua no mercado de propulsão marítima desde 1965, oferecendo uma linha completa dos melhores motores da categoria, com cilindradas de 3 a 15,9 litros, e potência nominal entre 85 e 1,000 hp, enquanto a linha específica para iates abrange de 230 a 1000 hp. Projetada para equipar embarcações de 8 a 24 metros, a linha de motores marítimos da FPT atende aos requisitos de uma ampla variedade de embarcações, desde barcos de lazer até embarcações de serviço leve, médio e pesado.
Todos os dias, na Itália, duas novas embarcações são equipadas com motores marítimos da FPT. A presença de mais de 200 pontos de assistência na região do Mediterrâneo constitui uma sólida garantia de resposta rápida e suporte contínuo em caso de imprevistos.
A FPT, marca do Iveco Group dedicada a projeto, produção e comercialização de sistemas de propulsão e soluções para veículos on-road e off-road, bem como para aplicações marítimas e de geração de energia, participa da 66ª edição do Salão Náutico Internacional de Gênova, que acontece até o dia 6 de outubro de 2026. O evento é um dos principais do setor náutico no mundo e uma verdadeira vitrine da excelência italiana.
Para destacar a importância do evento e do segmento de motores marítimos de lazer para a marca, a FPT estará presente ao lado de todos os seus distribuidores italianos que atuam nesse mercado, AS Labruna, Bimotor, e Naval Motor Botti.
A estratégia de crescimento da FPT no segmento de lazer baseia-se em seis décadas de experiência e em uma reputação consolidada no setor marítimo comercial. Hoje, os motores da marca equipam uma ampla variedade de embarcações, como barcos de patrulha, balsas de passageiros, embarcações de serviço e barcos destinados a fretamento, atendendo clientes em todo o mundo.
A FPT também é uma parceira de confiança de órgãos institucionais responsáveis pela segurança e proteção no mar, incluindo guardas costeiras, autoridades alfandegárias e policiais, além de serviços de combate a incêndios resgate. As rigorosas exigências dessas aplicações contribuíram para definir os principais atributos da oferta marítima da marca, com confiabilidade comprovada, durabilidade prolongada, alto desempenho e eficiência operacional.
Com base nessa experiência, a FPT amplia sua presença no mercado de lazer, levando a mesma excelência em engenharia e as tecnologias que conquistaram a confiança de operadores comerciais e dos principais estaleiros em todo o mundo.
Esse compromisso também se reflete no recente ingresso da FPT na Confindustria Nautica, a Associação Italiana da Indústria Náutica, e na ampliação das colaborações com novos estaleiros. O movimento faz parte de uma estratégia voltada à construção de parcerias de longo prazo no setor e ao crescimento contínuo do segmento de embarcações de lazer.
Os visitantes do estande YP65 serão recebidos por uma inovação marcante, o C16 1000 apresentado pela primeira vez com a tampa exclusiva criada por Van Orton, renomada dupla criativa italiana reconhecida mundialmente por seu estilo pop vibrante e marcante. Iniciada na Agritechnica 2025, a parceria entre a FPT e a Van Orton chega também aos motores marítimos.
Presente no setor de propulsão marítima desde 1965, a FPT oferece uma linha completa de motores com cilindradas de 3 a 15,9 litros e potências de 85 a 1.000 hp. Projetado para embarcações de 25 a 80 pés, o portfólio marítimo da FPT atende a diferentes aplicações, desde embarcações de lazer até barcos comerciais de pequeno, médio e grande porte.
Todos os dias, dois novos barcos equipados com motores marítimos FPT são lançados na Itália. A marca atende seus clientes em todo o mundo por meio de uma rede de 375 pontos de assistência marítima. Mais de 200 estão localizados na região do Mediterrâneo e mais de 80 na América do Norte. Os demais atendem mercados náuticos estratégicos em outras regiões. Essa estrutura permite oferecer respostas rápidas, reduzir o tempo de inatividade das embarcações e garantir suporte contínuo aos clientes, onde quer que operem.
A partir do Salão Náutico Internacional de Gênova de 2026, a FPT passa a oferecer, sem custo, uma garantia de cinco anos para seus motores marítimos destinados a aplicações recreativas. A extensão demonstra a confiança da marca em seus motores e o respeito por seus clientes. A garantia está disponível em toda a EMEA e possui cobertura global.
CURSOR 16 1000 – Motor recordista com confiabilidade e durabilidade
Detentor do recorde mundial de velocidade na água para embarcações movidas a diesel, marca que permanece imbatível até hoje, o CURSOR 16 segue ganhando espaço nos mercados globais. Os profissionais do setor marítimo confiam no motor por sua manutenção simples e eficiência, características que se traduzem em custos operacionais competitivos. Com potências de 815 a 1.000 hp, o CURSOR 16 oferece facilidade de instalação, alto desempenho, funcionamento silenciosos e confiabilidade duradoura. Essas características fazem do CURSOR 16, há quase dez anos, a escolha ideal para equipar iates a motor com casco de planeio e embarcações de pesca esportiva de até 70 pés.
C16 1000 – Edição limitada com tampa dos designers Van Orton
O novo resultado da colaboração entre a FPT e a Van Orton é uma tampa de motor marcante. A dupla aplicou sua perspectiva caleidoscópica para criar uma narrativa visual única, inspirada no movimento da Pop Art e em artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein. O resultado combina engenharia de precisão e expressão artística, dando aos motores FPT, normalmente instalados fora do campo de visão, mais um motivo para serem admirados.
CURSOR 16 1000 - Especificações técnicas
Layout do cilindro: 6L
Turbocompressor: TCA
Cilindrada [litros]: 15,9
Sistema de injeção: Trilho comum
Potência Máxima [cv]: 1000 @ 2300
Peso seco [kg]: 1640
As especificações completas estão disponíveis no site da FPT.
N67570 EVO - O melhor desempenho da categoria
Com cilindrada de 6,7 litros, o motor marítimo N67 570 EVO gera até 570 cv. O torque máximo em baixas rotações e a rápida resposta à carga colocam o motor entre as referências de desempenho da categoria. Desenvolvida especificamente para aplicações marítimas, sua arquitetura conta com sistemas de refrigeração do motor e do turbocompressor adaptados às operações no mar. Para simplificar a instalação, componentes importantes como resfriador de óleo, bomba de óleo, bomba d’água e sistema blow-by estão totalmente integrados ao projeto do motor. Os recursos avançados de diagnóstico facilitam a manutenção, enquanto os intervalos de troca de óleo e filtros de até 300 horas reduzem significativamente o tempo de inatividade.
N67 570 EVO - Especificações técnicas
Layout do cilindro: 6L
Turbocompressor: TCA
Deslocamento [litros]: 6,7
Sistema de injeção: Trilho comum
Potência Máxima [cv]: 570 @ 3000
Peso seco [kg]: 721
As especificações completas estão disponíveis no site da FPT.
Em junho de 2025, a CPI das Bets terminou em pizza – como se diz quando uma investigação acaba sem punir ninguém. Mas agora, mais de um ano depois, as empresas que passaram impunes pela comissão estão de volta, desta vez como alvos de uma ação civil pública na Justiça.
No dia 28 de setembro, a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 empresas ligadas a 20 marcas de apostas online, pedindo ressarcimento de gastos pela União. A Agência Pública cruzou essa lista com a documentação reunida pelos senadores da CPI e descobriu que ao menos 14 delas estavam nos documentos da comissão como remetentes ou beneficiárias de transferências financeiras. Dessas, 12 foram citadas no relatório final. Esse documento, da então senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) – que não foi reeleita neste ano -, foi rejeitado por 4 votos a 3.
Na ação da AGU, o órgão pede que as empresas de apostas ressarcem o Sistema Único de Saúde (SUS) pelo tratamento de apostadores adoecidos, custo que o Ministério da Saúde (MS) estima em, no mínimo, R$ 2,6 bilhões. Pede também R$ 1 bilhão por danos morais coletivos e a devolução em dobro do que as pessoas diagnosticadas com ludopatia apostaram.
Aparecer nos papéis da CPI não indica, por si só, irregularidade. Nem todas as empresas aparecem como suspeitas. A Superbet, por exemplo, surge como titular legítima de uma autorização que outra plataforma teria usado indevidamente. Duas, a OIG e a Ventmear (Sportingbet), estão ligadas a pedidos de indiciamento, todos contra pessoas, não contra as empresas. Seis delas, OIG, Esportes Gaming, NSX, Ventmear, BPX e Foggo (Blaze), somam cerca de 31% do mercado, segundo as contas da própria AGU, e ocupam lugar de destaque nas 541 páginas deixadas por Thronicke.
Muitas siglas: Bets, CPI, MP de Lula e Fux no STF
A ação da AGU veio três dias depois da Medida Provisória 1.394, assinada pelo presidente Lula, que proíbe as apostas de quota fixa, tira as plataformas do ar até 6 de outubro e extingue as autorizações em 30 dias, sem devolver o que as empresas pagaram pelas outorgas. Se o Congresso não aprovar a MP em até 120 dias de tramitação, prazo suspenso durante o recesso parlamentar, ela perde a validade. A CPI já havia ido nessa direção: entre as vinte medidas do relatório derrubado estava a proibição de cassinos on-line, como o Tigrinho.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) já apresentaram pedido a Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para suspensão dos efeitos da medida provisória.
Nesta segunda-feira, 5 de outubro, a AGU pediu que o STF rejeite a suspensão da Medida Provisória. Na manifestação, assinada pelo advogado-geral Jorge Messias, a AGU sustenta que o marco legal das bets, formado pelas leis 13.756/2018 e 14.790/2023, era “extensamente falho” e falhava em autorização, fiscalização, publicidade e prevenção à lavagem de dinheiro. Para concluir, a peça diz que “o ‘dragão’ era indomável”. O órgão cita dados oficiais segundo os quais os registros no SUS ligados ao jogo patológico cresceram 140% entre 2018 e 2025, e as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares só em 2025. A AGU também pediu que o procurador-geral da República seja ouvido em 72 horas e sugeriu uma nova audiência pública sobre o tema, atualizando a realizada em novembro de 2024.
Como a CPI terminou em pizza
Em 26 de novembro de 2024, Fernando Oliveira Lima, o Fernandim OIG, sentou-se diante dos senadores da CPI das Bets amparado por um habeas corpus. Tinha 33 anos, disse ter estudado até o primeiro ano do ensino médio e se apresentou como empresário de tecnologia, criador de jogos para o Facebook que teriam alcançado 250 milhões de usuários durante a pandemia. Os senadores exibiram dois vídeos e perguntaram se ele conhecia os sites 7Games, R7Games e Betão. Ele conhecia e disse que pertenciam à OIG Gaming Brazil, da qual é sócio. Perguntaram se era dono do “jogo do tigrinho”, mas ele negou. Respondeu que a OIG pagava para oferecê-lo. O empresário contou ainda que, naquela mesma semana, a empresa havia sido uma das primeiras a obter a aprovação completa do Ministério da Fazenda para operar.
A CPI das bets a fez audiência com depoimentos de três representantes de casas de apostas, entre eles Fernando Oliveira Lima, CEO da OIG Group
Fernando não era o único convocado do dia. A pauta listava também João Studart, dono da Betnacional, e Marcus Vinicius Freire de Lima e Silva, apresentado no requerimento como “diretor do Grupo Entain e proprietário do Sportingbet”. Studart faltou e só depôs uma semana depois. Marcus Vinicius não apareceu: na véspera, seus advogados alegaram que ele não fora intimado e que morava no exterior. As três empresas ligadas a eles, a OIG, a NSX (dona da Betnacional) e a Ventmear (operadora do Sportingbet), estão hoje entre as rés da AGU.
Seis meses depois, o relatório final propôs indiciar Fernando, um primo dele e o administrador da OIG, por lavagem de dinheiro e por associação criminosa. Marcus Vinicius e as influenciadoras Virginia Fonseca e Deolane Bezerra estavam entre os alvos de 16 pedidos de indiciamento, mas nenhum deles vingou com a derrubada do texto.
No especial Jogo Perigoso: o Brasil das Bets, a Pública contou os bastidores dessa votação. Votaram contra o relatório de Thronicke os senadores Ângelo Coronel (Republicanos-BA), Efraim Filho (PL-PB), Eduardo Gomes (PL-TO) e Professora Dorinha Seabra (União-GO). Eduardo Girão (Novo-CE), que votou a favor ao lado de Alessandro Vieira (MDB-SE), atribuiu o resultado a uma manobra do Centrão, com senadores que não acompanharam os depoimentos e só apareceram para votar. Thronicke contou à reportagem que passou a andar com seguranças do Senado após receber “recados” e ameaças veladas. Mesmo com a rejeição, ela levou o material às autoridades e diz ter apresentado, desde então, projetos de lei para endurecer o controle sobre as apostas.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) em reunião para apresentação do relatório final das CPI das BETS
Entre os documentos da CPI estava a carta de Vania Borges, que perdeu o filho para as bets, como revelou a Pública.
A apuração também mostra quem atuou na comissão a favor do setor. Ciro Nogueira (PP-PI) foi apontado por colegas como “advogado” de Fernandim OIG, que havia comprado três apartamentos de uma incorporadora da família do senador. Ângelo Coronel justificou o voto pela “falta de tempo” para analisar as 541 páginas do relatório e declarou abertamente ser favorável aos jogos como fonte de receita. O presidente da CPI, Dr. Hiran (PP-RR), foi criticado por não pautar todos os depoimentos aprovados. Os bastidores incluem ainda uma investigação da Polícia Federal sobre um lobista que teria cobrado R$ 50 milhões de empresários do setor para evitar convocações e indiciamentos, acusação sem comprovação oficial. Selfies de senadores com Virginia Fonseca durante o depoimento dela ajudaram a minar a credibilidade da comissão, cujo desfecho um integrante descreveu como “melancólico”.
Ação da AGU se apoia em números do setor
Na Justiça, a AGU seguiu outro caminho. As empresas foram escolhidas por um único critério, o tamanho. A AGU usou as vinte marcas de um levantamento da consultoria Blask, que juntas concentrariam cerca de 80% da receita do setor, e chegou às empresas que as operam, num mercado em que a Fazenda tinha 85 autorizadas em agosto deste ano. A Betano, sozinha, responderia por 21% do mercado. A OIG, com 7Games e Betão, pouco mais de 5%. Para justificar o foro em Pernambuco, a AGU invoca o Código de Defesa do Consumidor e a concentração de população vulnerável no Nordeste.
O país tem 28 milhões de apostadores, 10,9 milhões deles com padrão de risco. Os atendimentos no SUS por jogo patológico cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. Quase 1,3 milhão de pessoas pediram para serem excluídas das plataformas. No primeiro semestre de 2026, o INSS concedeu 260 afastamentos do trabalho por vício em jogo; em todo o ano de 2022, foram 11, segundo dados obtidos pelo UOL e citados na ação. Pela lei, cabe ao Ministério da Saúde 0,12% da arrecadação do setor, cerca de R$ 50 milhões no último exercício.
A tese é que o dano à saúde mental é inerente ao negócio, e não fruto do desvio de uma ou outra empresa. Por isso, a AGU propõe calcular a parcela das doenças atribuível às apostas e distribuir a conta conforme a fatia de mercado de cada ré. A fórmula vem de um julgamento de 1980 na Suprema Corte da Califórnia, contra fabricantes de um remédio para gestantes, e já foi usada pela Justiça do Rio Grande do Sul contra a Souza Cruz. A ação segue o molde da que a AGU move desde 2019 contra a indústria do cigarro.
A própria peça avisa que a participação no mercado “não constitui presunção de ilicitude”. O relatório de Thronicke, aliás, recomendava ao Ministério Público ajuizar ações civis públicas para indenizar consumidores lesados e já registrava a pressão sobre a rede de atenção psicossocial do SUS, cujos atendimentos por jogo patológico tinham passado de 841, em 2022, para 1.290 no ano seguinte.
A peça da AGU também traz estimativa do Ministério da Fazenda de que, somente em 2025, as apostas tenham retirado cerca de R$ 62,5 bilhões dos orçamentos das famílias brasileiras.