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Venezuela. Corina Machado confirmada como líder da oposição

18 October 2026 at 20:09
Decisão resulta de um entendimento entre vários partidos da oposição, que pedem a redemocratização do país, através de, entre outras propostas, novas eleições e da libertação dos presos políticos.

© MIGUEL GUTIERREZ/EPA

Acordo surge durante um novo ciclo de negociações entre o Governo e uma parte da oposição.

Peter Thiel, el tecnoligarca que cree en el anticristo

18 October 2026 at 04:30
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Cuando Hulk Hogan demandó al medio sensacionalista Gawker en 2016 por la publicación sin su consentimiento de un vídeo de contenido sexual, nadie daba un duro por él. Pero Hogan ganó el juicio y consiguió una indemnización de 140 millones de dólares que acabó con la publicación online. Peter Thiel, uno de los personajes más siniestros de Silicon Valley, decantó la batalla judicial: financió en secreto a los abogados de Hogan. Quería vengarse de Gawker porque lo había ridiculizado durante años y desvelado su homosexualidad.

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Datafolha: 16% dos brasileiros não consideram o país uma democracia

Para 16% dos eleitores do Brasil, o país não é uma democracia. Já 50% acreditam que ele vive sob um regime democrático com grandes defeitos, ante 23% que apontam pequenas questões sobre seu funcionamento e 7% que o veem como pleno.

Os dados foram aferidos na mais recente pesquisa do Datafolha, realizada em 13 e 14 de outubro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O resultado é semelhante ao registrado pelo instituto em março de 2024, quando fez essa pergunta pela última vez em uma pesquisa, em meio aos espasmos golpistas do governo Jair Bolsonaro. Ali, 6% acreditavam viver em democracia plena, 28%, em uma pouco defeituosa, e 46%, numa com grandes problemas. Os mesmos 16% não viam o Brasil democrático.

Dez anos antes, em fevereiro de 2014, a mesma questão foi colocada a entrevistados. Ali, no começo da campanha eleitoral que reelegeria Dilma Rousseff (PT) e sob o impacto dos protestos de rua de 2013, o resultado foi mais diverso.

Não viam o Brasil como democracia 9%. Já 61% apontavam um regime com grandes problemas, 21%, com pequenos, e 3%, como pleno.

Democracia entra no debate eleitoral

O tema da percepção acerca da qualidade democrática brasileira foi trazido à campanha eleitoral deste ano por Flávio Bolsonaro (PL), senador cujo pai, o ex-presidente Jair, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentar um golpe de Estado após perder o pleito de 2022 para Lula (PT).

Dois dias após superar o mesmo Lula por 1,87 ponto percentual no primeiro turno, em 6 de outubro, Flávio disse que ia propor mudanças constitucionais para “redemocratizar o Brasil”.

“Vocês acham que o Brasil está numa democracia plena hoje? É uma pergunta. Reflitam: o Brasil está numa democracia plena? Não”, disse o senador.

Críticos apontam que tal questionamento é infundado, dado que, apesar de todos os percalços que atingem o funcionamento dos Três Poderes, o Estado de Direito estabelecido após o fim da ditadura militar em 1985 mantém seus esteios à frente de todos, a regularidade nas eleições presidenciais livres desde 1989.

Eleitores de Flávio desconfiam mais da democracia

Não sem surpresa, são os eleitores de Flávio são mais desconfiados da democracia. Entre eles, que segundo a mesma pesquisa formam 46% do total da amostra aferida pelo Datafolha, 23% dizem que o Brasil não é uma democracia. O veem como um regime pleno só 2%.

Entre os 44% que votam em Lula, nesta pesquisa em empate técnico com Flávio, 8% não acham viver numa democracia, ante 12% que creem na sua plenitude.

Os pesquisadores do Datafolha entrevistaram 2.520 eleitores, em um trabalho encomendado pela Folha. Ele está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-0466/2026. (Igor Gielow/FOLHAPRESS)

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Em editorial, veículos independentes de imprensa defendem democracia

15 October 2026 at 02:11

Logo Agência Brasil

Um total de 55 veículos de jornalismo independente publicou nesta quarta-feira (14) um editorial em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e contra o autoritarismo.

O texto critica ataques à imprensa, defende o direito da população de ter acesso à informação de qualidade e alertam para ameaças à democracia brasileira. 

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"Esse direito depende de um ambiente de informação íntegro, onde informações confiáveis, verificáveis e plurais possam circular livremente. O jornalismo tem papel essencial na construção desse ambiente, ao investigar casos de corrupção, abusos de poder e violações de direitos, produzindo evidências que ajudam a sociedade a compreender a realidade, cobrar responsabilidades e dar visibilidade a populações frequentemente negligenciadas", diz o editorial. 

As organizações fazem críticas às propostas do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o editorial, durante o mandato de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, "o jornalismo conviveu com o horror da repressão", e cita agressões verbais do então presidente aos profissionais de imprensa e intimidações. Entre 2019 e 2022, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) registrou 1.442 casos de violência contra jornalistas e ataques à imprensa, uma média anual três vezes superior à observada entre 2010 e 2018. Em 2022, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registrou 557 alertas de violações à liberdade de imprensa, dos quais 41,6% envolveram ao menos um integrante da família Bolsonaro, conforme o editorial.

Para as organizações, o atual candidato tende a repetir os ataques à imprensa e à democracia, ao colocar como prioridade a libertação do pai e anulação do julgamento ao qual foi condenado por tentativa de abolição do Estado democrático, além de anunciar que deseja fazer mudanças na Constituição caso eleito. 

"O fato de não ser tão verborrágico e agressivo quanto o pai não faz com que seus atos se tornem menos graves", afirmam. "Não é possível ignorar a trajetória de um grupo político que questionou a legitimidade das eleições, confrontou instituições responsáveis por fiscalizar o poder e agora pretende modificar algumas dessas mesmas instituições", acrescenta.

Para os veículos, ameaças ao trabalho da imprensa "comprometem o acesso da população a informações de interesse público e enfraquecem a capacidade da sociedade de fiscalizar quem governa e exigir a responsabilização de quem viola a lei". 

"A população depende de uma imprensa livre para fiscalizar o poder. E uma imprensa livre depende de instituições capazes de assegurar direitos, garantir acesso a informações públicas, proteger profissionais contra intimidações e responsabilizar quem tenta impedir seu trabalho", destaca.

A Agência Brasil procurou a campanha de Flávio Bolsonaro para se manifestar sobre o editorial e não houve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação. 

Em evento no Rio de Janeiro neste mês, Flávio Bolsonaro afirmou que irá garantir a liberdade de imprensa se eleito, pois, segundo ele, todos, cidadãos e profissionais de imprensa, têm direito a criticar o governo. 

A campanha do candidato acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender 221 postagens de políticos, sindicatos, artistas e veículos de comunicação. A alegação é que esses perfis estariam disseminando desinformação contra a candidatura e a suspensão, conforme a campanha, não caracteriza censura. 

Vídeo: Apoiadores de Lula ocupam Praça Universitária em defesa da democracia

12 October 2026 at 02:00

A Praça Universitária, em Goiânia, foi palco de uma mobilização em favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da defesa da democracia. O ato ocorreu na tarde de domingo (11/10) e reuniu manifestantes com bandeiras do Brasil, de legendas partidárias e de movimentos sociais.

Além do apoio à candidatura petista, os participantes defenderam mudanças nas relações de trabalho, com destaque para o fim da escala 6×1. O modelo prevê seis dias consecutivos de atividade profissional para um dia de folga, enquanto a proposta de alteração busca ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores.

A organização da manifestação teve início após uma plenária na quarta-feira (07/10), com a participação de estudantes de universidades de Goiânia e de outros municípios de Goiás. A partir desse encontro, os articuladores definiram iniciativas para ampliar o diálogo com os eleitores antes da votação presidencial, prevista para 25 de outubro.

Os manifestantes ocuparam diferentes áreas da praça ao longo do encontro. Entre as imagens registradas, uma criança com um exemplar da Constituição Federal chamou a atenção, em meio à mobilização que associou o apoio eleitoral à defesa dos direitos sociais e das instituições democráticas.

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Wagner Moura e artistas do Oscar alertam sobre eleições

Em uma carta conjunta divulgada neste sábado (10) pela revista Variety, 58 membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, entre eles o ator Wagner Moura, os cineastas Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles e o produtor Rodrigo Teixeira, se dizem preocupados com os possíveis desdobramentos do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.

O texto cita propostas de Flávio Bolsonaro (PL) de reescrever a Constituição, o desmonte da cultura sob o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Aborda ainda o caso, revelado pela Folha, da criptomoeda B22, que oferecia tokens a quem divulgasse conteúdos que incentivassem o voto em Flávio e dizia destinar parte dos recursos a crianças de Uganda.

Artistas temem retrocessos na cultura

“Sob a administração anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual, o enfraquecimento das instituições culturais e as acusações de censura. Tememos um retorno a esse cenário”, diz o texto. “Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são inseparáveis da defesa da democracia.”

Menciona ainda os planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF, noticiados pelo The Guardian, sob a acusação de que a corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil.

Carta pede atenção internacional às eleições

A carta, assinada também por nomes como Alice Braga, Anna Muylaert, Daniel Filho, Lais Bodanzky, Lucy Barreto, Sônia Braga e outros, pede maior atenção internacional ao pleito no país.

“Consideramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. A defesa da democracia brasileira deve, portanto, depender não apenas do povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também da vigilância e do engajamento da comunidade internacional.”

Veja a lista completa dos signatários

  • Adrian Teijido
  • Alê Abreu
  • Alice Braga
  • Andrea Barata Ribeiro
  • Anita Rocha da Silveira
  • Anna Muylaert
  • Anna Van Steen
  • Bernardo Uzeda
  • Carlos Segundo
  • Carolina Markowicz
  • Claudia Kopke
  • Daniel Filho
  • Daniel Rezende
  • Daniela Thomas
  • Eduardo Serrano
  • Eliza Capai
  • Emilie Lesclaux
  • Emilio Domingos
  • Fernando Meirelles
  • Flávia Amon
  • Flávia de Souza
  • Gabriel Domingues
  • Gabriel Mascaro
  • Helena Solberg
  • Heloisa Passos
  • Ilda Santiago
  • Jefferson De
  • Jorge Bodanzky
  • José Joffily
  • Juliana Rojas
  • Karen Akerman
  • Karen Harley
  • Karim Ainouz
  • Kleber Mendonça Filho
  • Lais Bodanzky
  • Lucy Barreto
  • Maeve Jinkings
  • Marcelo Caetano
  • Maria Augusta Ramos
  • Mariana Oliva
  • Matheus Farias
  • Miriam Biderman
  • Otto Guerra
  • Paula Barreto
  • Pedro Kos
  • Petra Costa
  • Plínio Profeta
  • Renata Almeida Magalhães
  • Rodrigo Teixeira
  • Sara Silveira
  • Sônia Braga
  • Tatiana Leite
  • Thales Junqueira
  • Vânia Catani
  • Vera Hamburger
  • Wagner Moura
  • Waldir Xavier
  • Wilssa Esser

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Lula e Flávio, mais cautelosos que o usual, deixam público dar recados no 7 de setembro

8 September 2026 at 02:03

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Tomado já há algum tempo pela política nacional, o feriado da Independência do Brasil este ano foi mais uma oportunidade para os candidatos a presidente reunirem seus apoiadores para passarem seus recados. Mesmo que isso tenha ocorrido de forma mais cautelosa, diante dos riscos de serem enquadrados nas regras mais rígidas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano.

Chefes dos três Poderes se reúnem no desfile de 7 de setembro, o que não ocorreu no ano passado

O ato do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), e de seus aliados neste 7 de setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, buscou colar Alexandre de Moraes, e o escândalo do Banco Master à Lula. Os discursos foram claros no sentido de que sem Moraes, não existiriam as condenações da tentativa de golpe do 8 de janeiro e uma extrema direita, segundo eles, tão atacada nos últimos 4 anos por Lula e pela Justiça.

Já o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, os áudios de Flávio Bolsonaro para o ex-banqueiro, e os diálogos de Nikolas Ferreira (PL), um dos astros do evento, com o empresário, atualmente preso em Brasília, não foram citados.

A maior parte dos políticos e líderes que se manifestaram no ato/comício tiveram, diferentemente dos anos anteriores, o cuidado de separar o Supremo Tribunal Federal (STF) de Moraes e mediram palavras em relação à corte. “Uma laranja podre não pode contaminar toda a corte. O STF não é Alexandre de Moraes”, afirmou Flávio Bolsonaro.

“Nós não viemos aqui pregar a desmoralização do Supremo Tribunal Federal. Nós não vamos cair nesse jogo. Nós precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e com a República”, disse o pastor Silas Malafaia, líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

O pastor Silas Malafaia discursa ao lado de Flávio Bolsonaro em evento na avenida Paulista

O pastor, aliás, fez um apelo aos demais ministros da corte para que Alexandre de Moraes seja afastado. No mesmo tom, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição, disse que “está na hora de a corte se unir para se defender”.

Tudo isso presenciado por um inflável onipresente do ministro André Mendonça, em estilo anime, olhos arredondados e simpáticos, visível de ambos os lados da Paulista e colocado bem atrás do palco.

Tão envolvido com o tom de protesto, o governador esqueceu, no palanque, de pedir votos para a sua reeleição. Entretanto, ele engrossou o coro daqueles que pediram para eleger os candidatos da aliança da direita ao Senado em São Paulo, tema presente em todos os discursos no palanque. Pesquisas mostram Marina Silva e Simone Tebet, ex-ministras do governo Lula, ligeiramente à frente dos candidatos do PL e PP ao Senado em São Paulo.

Entre as falas mais explícitas contra Moraes, Lula e as condenações do 8 de janeiro estavam as dos deputados federais Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro, e Gustavo Gayer (PL).

“Lula e Moraes são duas faces da mesma moeda. Não existe Moraes sem Lula, não existe Lula sem Moraes”, afirmou Gaspar. Gayer pediu a revogação das prisões de Bolsonaro e demais réus do 8 de janeiro, segundo ele porque “Alexandre de Moraes estava recebendo dinheiro de Vorcaro enquanto condenava Bolsonaro”.

Por que isso importa?

  • O primeiro turno das eleições de 2026 ocorrem em menos de 30 dias e o 7 de setembro é uma das principais datas para realização de eventos de campanha para os presidenciáveis.
  • Há cinco anos, em 2021, o feriado da independência foi utilizado para diversas manifestações diante da crise institucional que havia se instituído entre o STF e o governo do então presidente, Jair Bolsonaro.

Público em Brasília cobra fim da escala 6×1

Já em Brasília, na manhã deste feriado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, ainda nem havia aparecido para o desfile cívico-militar no tradicional Rolls-Royce conversível, e parte da plateia, reunida em arquibancadas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, já cantava o famoso “olê, olê, olá, Lula, Lula”, que embalou a campanha eleitoral de 2022. Outra palavra de ordem entoava “acaba 6×1”, uma das principais pautas do governo, e ponto de campanha constante do presidente que busca seu quarto mandato.

No palanque, a postura foi outra. Lula não se manifestou — ele já havia feito um pronunciamento institucional no domingo, dia 6, com o aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e liberação do ministro do STF Nunes Marques, que preside o TSE. Diferente do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de Estado, que costumava discursar em tom eleitoreiro a apoiadores após o desfile oficial, Lula interagiu com o público fazendo apenas coração com as mãos, em resposta aos coros da plateia de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”. Para não infringir as regras eleitorais do (TSE), o governo não entregou aos participantes itens com o tema do ato, “Soberania: A força que une o Brasil”.

Depois do desfile, o presidente voltou a se manifestar apenas nas redes sociais elencando ações do governo em nome da “soberania nacional” e criticou aqueles que trabalham “pelos interesses estrangeiros”. “Há os que jogam contra. Se travestem de patriotas mas militam por interesses estrangeiros. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, afirmou no X, antigo Twitter.

Diferente do 7 de Setembro de 2025, o chefe do Poder Legislativo, senador Davi Alcolumbre (União-AP) compareceu ao evento neste ano, embora tenha passado a maior parte dele de cabeça baixa, mexendo em seu celular. Sentou-se, inclusive, ao lado de Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A Fachin caberá decidir os rumos da maior crise institucional já vista na Corte: as denúncias mútuas feitas entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. No ano passado, o presidente do Supremo, que ainda era o ministro Luís Roberto Barroso, não participou do desfile.

Senador Davi Alcolumbre mexe no celular ao lado do presidente do STF, Edson Fachin

Fachin foi o único integrante do STF a participar do desfile este ano. Outro personagem central na crise, o delegado-geral da Polícia Federal (PF), esteve próximo à Lula em poucos momentos do desfile. Andrei Rodrigues foi citado em conversas de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, divulgadas com a permissão de Mendonça.

Após o embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, Fachin vai definir se o caso vai a julgamento aberto no plenário ou se haverá uma reunião a portas fechadas no Supremo, à semelhança do que ocorreu com o ministro Dias Toffoli, também envolvido com o banco Master. Moraes e Mendonça têm até a próxima sexta-feira, dia 11 de setembro, para enviar explicações sobre a disputa ao presidente da Corte.

O evento na Esplanada seguiu o tom institucional, sem cartazes criticando ou aprovando as atuações de Moraes, Mendonça e Lula em relação aos últimos acontecimentos no Supremo. Na tentativa de se descolar do caso, Lula falou a respeito apenas uma vez, em vídeo divulgado na quinta-feira nas redes sociais.

“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, disse o presidente.

Em Brasília, dois eventos foram marcados para protestar contra Moraes. Um foi organizado pelo partido Novo, com a presença do candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema, Eduardo Girão. O outro, encabeçado pelo PL da capital, contou com a presença da candidata ao Senado e atual deputada federal Bia Kicis (PL-DF). As manifestações acabaram concorrendo entre si e reuniram um número mediano de participantes.

No desfile cívico-militar em Brasília, uma das bandeiras da campanha de Lula e do seu principal oponente, Flávio Bolsonaro, foi protagonista no desfile – o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas. Homens e mulheres seguraram cartazes com os dizeres “ligue 180” e “essa luta também é dos homens”. Desde o ano passado, após a onda de feminicídios que estampou o noticiário em novembro e dezembro, o presidente tem mencionado em seus discursos a importância da figura masculina no combate à violência contra as mulheres.

Assim como no ano passado, o governo do Distrito Federal não participou do desfile oficial. A governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) esteve no evento antes do seu início, onde gravou um vídeo ao lado de membros das forças de segurança. O conteúdo foi publicado nas redes sociais.

Manifestantes em São Paulo seguem com discurso radical e inconstitucional

Apesar de as bandeiras de candidatos terem se destacado entre o público, havia muitos protestos contra Moraes e o Judiciário na manifestação na Paulista, em tom bem mais elevado que as falas no palanque. A começar pelo partido Novo, aliado de Tarcísio em São Paulo, mas que tem Zema como candidato a presidente. O Novo levou à Paulista um inflável pedindo o impeachment de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Tóffoli.

  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso
  • Manifestantes em São Paulo carregam mensagens contra o STF e solicitando voto impresso

Já o cartaz de um manifestante pregava “desobediência civil”, caso o “sistema Vorcaro-Moraes-STF retirasse André Mendonça da relatoria do caso Master e INSS”. Outro rogava: “Fora Cleptocracia e Coprocracia”. Camisetas queriam Moraes na cadeia ou seu impeachment.

Uma mulher vestida de Justiça com uma espada de plástico na mão. Olhos cobertos, a boca tampada, ela tinha o manto branco que usava coberto com nomes e dados relacionados à Toffoli e Moraes no caso Master, como o resort Tayaya e o contrato de advocacia firmado entre o escritório da esposa de Moraes e o banco.

Também chamavam a atenção na avenida outras associações convenientes no passado, que dessa vez não foram mencionadas no palanque, como o apoio de Trump aos Bolsonaro. Por volta das 15h, havia na Avenida Paulista, em frente ao Masp, um boneco inflável de Trump segurando um pequeno pixuleco de Lula com roupa de presidiário e os números 13-171. Às 15h45, o inflável foi esvaziado e recolhido. Procurado, o PL não se manifestou sobre o sumiço de Trump da Paulista.

Apesar do tom de protesto e do frio (as temperaturas no termômetros da avenida Paulista oscilaram entre 15º e 11º durante a tarde), Flávio Bolsonaro também falou de suas propostas, especialmente na área da Segurança Pública: guerra ao crime organizado, 8 anos de prisão para ladrões de celular, redução da maioridade penal, castração química para estupradores. Falou até de Saúde. O SUS, segundo ele, será “padrão [Hospital] Einstein”.

Os cartazes pedindo voto auditável, voto impresso, já amarelados, jaziam perto da Fiesp, longe do burburinho do evento, que ficou restrito ao entorno do palco, montado na altura da rua Peixoto Gomide, assim como as bandeiras de Israel e as bandeiras mezzo Estados Unidos, mezzo Brasil, encalhadas nas mãos dos ambulantes, como as camisas do Brasil.

O vendedor Weslei, que não quis dizer o sobrenome e pediu para não ser chamado de ambulante, termo que considera pejorativo, foi para a Paulista tentar vender o encalhe de camisetas amarelas não vendidas devido à eliminação precoce do Brasil na Copa. “Se não foi de um jeito vai de outro”, esperava ele, torcendo para que não chovesse e com medo de repressão aos vendedores pela Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Segundo a contagem de público feita pelo Monitor do Debate Político – USP/Cebrap, o evento desta segunda-feira na Paulista reuniu, no auge do comício-manifestação, 28,5 mil pessoas na avenida, menos do que as 42 mil que foram ao protesto de 7 de setembro de 2025, antes de Bolsonaro ser preso.

O 7 de setembro de outros candidatos

Mesmo com percentuais de intenção de votos menores, os demais candidatos à cadeira presidencial também participaram de atos neste 7 de setembro. Em São Paulo, Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) também se manifestaram contra o STF.

Ex-governador de Minas, Zema esteve na avenida Paulista na manhã desta segunda-feira. Ele estendeu um painel com a frase “chega de intocáveis” e imagens de bonecos representando os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, segundo matéria do G1. Alguns militantes se reuniram com o candidato em frente ao MASP de manhã, em um ato esvaziado.

Já Renan Santos reuniu seus apoiadores de manhã no Parque Ibirapuera, também na capital paulista. Segundo a Folha, o presidenciável defendeu a prisão dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ambos suspeitos de terem negócios familiares envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Santos criticou os dois líderes das pesquisas eleitorais, Lula e Flávio Bolsonaro. Para ele, Lula imporia ao país um regime autoritário de esquerda e Bolsonaro uma oligarquia de corruptos do Centrão. Também presente à manifestação, o deputado federal candidato à reeleição, Kim Kataguiri (Missão-SP) acusou adversários políticos de omitir o escândalo do Banco Master por “canalhice” e “covardia”.

No Rio de Janeiro, o candidato do Avante, Augusto Cury, reuniu cerca de 1,4 mil pessoas, segundo o portal G1, em Copacabana. O candidato fez um aceno ao ministro André Mendonça durante o ato. Ainda afirmou que, em seu governo, ninguém será poupado, se referindo às suspeitas de conduta irregular do ministro Alexandre de Moraes, agravadas por ação do ministro Mendonça.

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