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André Ventura gastou 3,7 milhões na campanha para as presidenciais, o triplo de António José Seguro

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By: Lusa

O presidente do Chega, André Ventura, gastou 3,7 milhões de euros na campanha eleitoral das presidenciais, o triplo dos 1,2 milhões gastos por António José Seguro, que o derrotou na segunda volta do sufrágio.

Os dados constam das contas das campanhas entregues pelos candidatos das últimas eleições presidenciais à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) e divulgadas esta quinta-feira.

André Ventura foi, com larga margem, o candidato que apresentou maiores despesas, num total de 3,73 milhões de euros, mais cerca de 2,8 milhões do que os 900 mil inicialmente previstos no orçamento entregue à ECFP antes das eleições.

Os principais gastos do líder do Chega correspondem a estruturas, cartazes e telas, nos quais investiu 1,72 milhões, seguindo-se os brindes e outras ofertas, categoria em que registou um gasto de 972 mil euros.

A campanha de Ventura gastou ainda 346,6 mil euros em propaganda, 210,7 mil euros em comícios, 175,5 mil euros em custos administrativos e 143,5 mil euros na conceção da campanha e em agências de comunicação, além de 156,4 mil euros classificados como outras despesas.

Do lado das receitas, a candidatura recebeu 1,03 milhões de euros de subvenção pública e 2,7 milhões de euros de partidos políticos para financiar a campanha. Os donativos de particulares totalizaram apenas 760 euros.

André Ventura ficou em segundo lugar na primeira volta das eleições presidenciais, com 23,5% dos votos, e foi derrotado na segunda volta por António José Seguro, que venceu com 66,8% dos votos.

António José Seguro, que se candidatou como independente com o apoio do PS, tinha orçamentado uma campanha de 1,13 milhões de euros, mas acabou por gastar 1,22 milhões, mais cerca de 90 mil euros do que previu.

A maior parcela da despesa da candidatura do atual Presidente da República correspondeu a comícios, em que gastou 412,9 mil euros, seguindo-se os cartazes (329,5 mil euros), a conceção da campanha e agências de comunicação (206,4 mil euros), propaganda (140,7 mil euros), custos administrativos (77,8 mil euros) e brindes (55,9 mil euros).

A candidatura vencedora recebeu 1,03 milhões de euros de subvenção pública e 125,6 mil euros de angariação de fundos.

Indicou ainda que recebeu 71,1 mil euros de partidos políticos, depois de ter previsto, no orçamento entregue à ECFP antes das eleições, que não iria receber qualquer verba de forças partidárias.

Depois dos dois candidatos da segunda volta — que tiveram, por isso, campanhas maiores –, surgem os nomes de Henrique Gouveia e Melo, que gastou 984,7 mil euros, Luís Marques Mendes, com despesa de 880,6 mil euros, e João Cotrim Figueiredo, que gastou 744,5 mil euros.

Entre os candidatos que não receberam qualquer subvenção pública, António Filipe investiu 329 mil euros, Catarina Martins 89 mil e Jorge Pinto gastou 82 mil euros — os três tiveram as campanhas largamente financiadas pelos respetivos partidos. André Pestana ficou pelos 5,9 mil euros de despesa, totalmente financiados por donativos e cedência de bens a título de empréstimo.

Dos 11 candidatos, não entregaram contas à ECFP Humberto Correia e Manuel João Vieira.

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Nearing Visabeira assume posição maioritária na Anywind

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By: ECO

A Nearing Visabeira comprou uma posição maioritária na Anywind, empresa especializada em serviços e soluções para infraestruturas de energia renovável, com foco no setor eólico, de acordo com um comunicado esta quinta-feira divulgado.

“Este investimento representa um marco relevante na estratégia da Nearing Visabeira para acelerar a sua expansão no setor das energias renováveis e reforçar as suas capacidades na área da infraestrutura eólica“, assinala a subsidiária do Grupo Visabeira.

O objetivo é que a Anywind assuma um papel “central” no desenvolvimento e execução de projetos eólicos do grupo, onshore e offshore, em diversos mercados internacionais.

“Esta aquisição representa mais um passo importante na concretização da nossa estratégia de crescimento e diversificação no setor da energia, reforçando a nossa ambição de construir uma plataforma internacional de referência na prestação de serviços para as energias renováveis”, refere Nuno Terras Marques, CEO da Nearing Visabeira, citado em comunicado.

A Nearing Visabeira recorda que a Anywin tem presença internacional, nomeadamente na Europa em países como Espanha, França, Bélgica, Países Baixos, Croácia e Alemanha, oferecendo um “portefólio abrangente que cobre todo o ciclo de vida dos ativos de energia renovável, incluindo consultoria, engenharia, fornecimento de equipamentos, instalação, operação, manutenção, desmantelamento e reciclagem”.

Por seu lado, José Almeida e António Patrício, fundadores da Anywind, que permanecem como coproprietários e equipa de gestão destacam que “a entrada da Nearing Visabeira representa um momento decisivo para a Anywind”. “Esta parceria reforça a nossa ambição de expandir internacionalmente e desenvolver novas capacidades, mantendo o compromisso com serviços especializados e de elevada qualidade no sector da energia eólica“, acrescenta.

Não foram divulgados os valores envolvidos na operação.

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Apesar de Demna, Gucci segue em rota descendente (e cai 6% nas receitas)


A Kering registou receitas de 3.345 milhões de euros no terceiro trimestre, menos 1% em termos comparáveis, segundo a apresentação de resultados divulgada esta quinta-feira. A mais importante queda aconteceu na Gucci, cujas vendas caíram 6%, para 1.291 milhões de euros, prolongando uma sequência de mais de três anos de quebra, de acordo com a Reuters.

A marca italiana continua a ser o porta-aviões do grupo Kering, representando cerca de metade do lucro do grupo, e “a recuperação da Gucci continua a ser a nossa prioridade central”, refere Luca de Meo, presidente executivo da empresa, em comunicado.

“As receitas do terceiro trimestre refletem a distribuição temporal que antecipávamos, num contexto macroeconómico mais fraco”, admitiu ainda. “Estamos a reforçar gradualmente a sua atratividade e a acelerar o desenvolvimento de produto”. 2026 é o primeiro ano completo de trabalho do novo diretor criativo da marca, Demna Gvasalia, em torno de quem estão criadas enormes expectativas após o trabalho na Balenciaga.

Segundo a Kering, “a marca prosseguiu a transformação da oferta, aperfeiçoando a arquitetura de produtos e preços, melhorando a qualidade e reduzindo o tempo de chegada dos produtos ao mercado”.

“Para concretizar todo o potencial do grupo, é necessário recuperar a dinâmica da Gucci, acelerar a excelência do produto, executar o nosso plano de ação na China, tirar pleno partido da plataforma do grupo e consolidar uma cultura de execução em toda a organização”, admite o CEO.

No terceiro trimestre, as vendas na rede de lojas próprias, incluindo o comércio eletrónico, diminuíram 4% em termos comparáveis, com uma evolução desigual entre regiões e casas. Por outro lado, as receitas de vendas por grosso e outras aumentaram 3%. A área de moda e artigos de pele, que inclui a Gucci, recuou 3% no trimestre, para 2.743 milhões de euros. Em sentido contrário, a joalharia cresceu 11%, para 239 milhões, e a ótica avançou 4%, para 373 milhões, em termos comparáveis.

No conjunto dos primeiros nove meses, as receitas da Kering atingiram 10.565 milhões de euros, com uma queda de 2% em termos reportados.

Os resultados do 3.º trimestre de 2026 e dos nove primeiros meses do ano

“A transformação da Kering é um processo que se prolonga por várias temporadas. Ainda assim, as melhorias que observamos no grupo, em particular na atratividade das marcas e nos principais indicadores operacionais, reforçam a nossa confiança na direção definida e a determinação das equipas em concretizá-la”, diz ainda.

A apresentação do grupo aponta para uma melhoria da margem operacional recorrente em 2026 face a 2025. Luca de Meo pretende duplicar a margem de 11,1% registada no ano passado até ao final da década e a empresa prevê um novo mapa de fornecedores e pelo menos 125 encerramentos de lojas até ao fim deste ano, tendo já encerrado 105 (e inaugurado 23).

A análise por áreas, mostra que no terceiro trimestre, as receitas da Kering Fashion & Leather Goods totalizaram 2.743 milhões de euros, menos 1% em termos reportados. Excluindo a Gucci, as vendas a retalho aumentaram 2%, impulsionadas pelo crescimento contínuo das outras marcas do portefólio do grupo, como fez questão de notar Luca de Meo.

“A complementaridade do nosso portefólio está refletida na dinâmica sólida da Saint Laurent, da Bottega Veneta e da Brioni, bem como da KeringEyewear e da KeringJewelry. Estamos também a intensificar a renovação da Balenciaga e da Alexander McQueen”, referiu.

A Saint Laurent foi impulsionada por uma dinâmica sustentada na América do Norte e na Europa Ocidental, diz a Kering, lembrando a saída de Anthony Vaccarello ao longo da última década, enquanto a Bottega Veneta, que abriu este ano a sua primeira loja em Portugal, voltou a superar o desempenho dos principais mercados. O grupo frisa que a maison avançou com a estratégia de diversificação, sobretudo na área de pronto-a-vestir. Romain Spietzer foi nomeado presidente execuitvo da marca.

Por seu lado, a Balenciaga mantém-se sob pressão, ao passo que a Alexander McQueen prossegue a estratégia de reposicionamento. Tanto neste caso como no da Bottega Veneta, deverão, em breve, ser anunciados novos diretores criativos.

No terceiro trimestre, a Kering Jewelry voltou a apresentar um desempenho sólido. “As receitas totalizaram 239 milhões de euros, mais 12% em termos reportados”. Várias marcas viram as suas lideranças mudar ao longo do ano. Charlotte Fournet foi nomeada presidente executiva da Pomellato e Krizia Cucurachi como presidente executiva da DoDo. O grupo também fez mudanças em Itália. Sabina Belli nomeada presidente da Kering Italia.

A diretora financeira da Kering, Armelle Poulou, não confirmou esta quinta-feira, durante a apresentação destes números, se a Kering mantém o objetivo de regressar ao crescimento em 2026, segundo a Reuters. A resposta foi remetida para o dia em que forem conhecidos os resultados anuais.

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Quebra na procura e maiores custos de energia voltam a travar lucros da Navigator


O resultado líquido da Navigator baixou 44,8% para 65,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, segundo adiantou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). “Estes resultados refletiram um contexto macroeconómico e de mercado extremamente exigente, a par do aumento significativo dos custos de energia (eletricidade e gás natural) e logística, que estão a condicionar a procura em todos os mercados da Europa“, justifica a empresa.

O EBITDA situou-se nos 212 milhões de euros, um número que compara com os 300 milhões reportados no período homólogo de 2025, com uma margem de 16%. Já volume de negócios totalizou 1.333 milhões de euros, menos 10,5% que os 1.489,3 milhões entre janeiro e setembro do ano passado.

“O aumento dos custos da energia continua a pesar sobre a competitividade da indústria exportadora portuguesa. Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os preços de mercado do gás natural mais do que triplicaram e os da eletricidade mais do que duplicaram”, destaca a empresa em comunicado.

Segundo a Navigator, “a persistência destes níveis de preços acentua as diferenças face a mercados com condições energéticas mais favoráveis, condicionando o investimento e a capacidade das empresas nacionais para competir no exterior”, acrescentando que “as medidas adotadas durante a crise energética de 2022 e 2023 oferecem referências para responder aos desafios atuais”.

O aumento dos custos da energia continua a pesar sobre a competitividade da indústria exportadora portuguesa. Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os preços de mercado do gás natural mais do que triplicaram e os da eletricidade mais do que duplicaram. A persistência destes níveis de preços acentua as diferenças face a mercados com condições energéticas mais favoráveis, condicionando o investimento e a capacidade das empresas nacionais para competir no exterior.

Comunicado de apresentação de resultados

“Também os mecanismos de apoio utilizados noutros países europeus evidenciam o papel que estes instrumentos podem desempenhar na preservação da atividade industrial. A sua aplicação em condições comparáveis no espaço europeu poderá contribuir para atenuar os diferenciais de custos e salvaguardar o contributo da indústria para as exportações e para a economia nacional”, alerta.

Apesar do travão na rentabilidade, a empresa controlada pela Semapa destacou a evolução favorável dos preços do packagingnos nove meses, assim como no segmento de Papel de Impressão e Escrita não revestido (UWF). “A diversificação do negócio continua a ser um dos principais pilares de criação de valor, com Tissue e Packaging a representarem mais de 30% do volume de negócios e cerca de um terço do EBITDA nos primeiros nove meses de 2026.

No mercado europeu de tissue, a Navigator destaca que este segmento “continua a demonstrar resiliência, mesmo num contexto mais competitivo e exigente”. As vendas fora de Portugal representaram 79% do volume total nos primeiros nove meses de 2026 (vs. 54% em 2022, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK), sendo os mercados mais representativos, o mercado espanhol, com 33% do total de vendas, o britânico, com 28% do total de vendas, e o francês, com peso de 16% das vendas, detalha.

A dívida líquida da Navigator situava-se em 765 milhões de euros, no final de setembro, “refletindo o elevado nível de investimento realizado ao longo do período e a manutenção de uma estrutura financeira sólida e equilibrada”. O rácio Dívida Líquida Remunerada/EBITDA situou-se em 2,66, com o aumento face ao período homólogo a resultar da redução do EBITDA.

“Perspetivas favoráveis” apesar da volatilidade na energia

Apesar da incerteza geopolítica, da volatilidade dos mercados energéticos e de um contexto económico exigente, a papeleira realça que “os indicadores do terceiro trimestre reforçam as perspetivas favoráveis para os próximos meses”.

Na pasta, a recuperação dos preços em setembro e a melhoria da disponibilidade operacional favorecem a atividade e o aumento dos volumes destinados ao mercado. Já no packaging, “a procura crescente por soluções sustentáveis, o alargamento da base de clientes e o arranque da PM3 reforçam o potencial de crescimento”.

No segmento tissue, o grupo adianta que beneficia da expansão internacional e prossegue o programa de eficiência operacional no Reino Unido. “No Papel de Impressão e Escrita, os aumentos de preços ao longo do ano e a ausência de novas paragens industriais relevantes sustentam uma perspetiva positiva para os próximos trimestres”, reforça.

“A Navigator manterá o foco na execução dos programas de eficiência, na otimização da base industrial, na inovação e na diversificação do portefólio. A gestão integrada da cadeia de valor e a solidez financeira mantêm a empresa bem posicionada para reforçar a competitividade e criar valor de forma sustentável no longo prazo“, conclui.

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Da despesa ao investimento: Guia para acompanhar a audição de Sarmento sobre o OE2027


O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, vai esta sexta-feira ao Parlamento defender a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), entregue no passado dia 8 de outubro, dois dias antes do prazo legal, que calhava este ano a um sábado. Esta audição marca o arranque formal do processo de debate com os deputados, com a apresentação e explicação do Governo sobre a sua estratégia económica e orçamental.

O ECO preparou um guia para a audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP) que está marcada para as 10 horas e que antecede a da ministra do Trabalho e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho.

As previsões económicas

O Governo reviu em alta a previsão de crescimento da economia portuguesa para 2026, de 2% para 2,3%, antecipando depois um ligeiro abrandamento para 2,1% em 2027, segundo o relatório que acompanha a proposta de OE2027. A estimativa para este ano compara com a expansão de 1,9% registada em 2025.

Para 2026, a projeção das Finanças está alinhada com a do Banco de Portugal e próxima dos 2,2% estimados pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP). Já a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipam um crescimento de 1,7%, enquanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aponta para 1,8%.

As divergências são maiores nas perspetivas para 2027. O Governo prevê que a economia portuguesa cresça 2,1%, no próximo ano, uma previsão mais otimista do que a das restantes instituições económicas. O Banco de Portugal, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) e a Comissão Europeia estimam um crescimento de 1,8%. A OCDE prevê uma expansão de 1,7% e o Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1,6%.

Assim, o Governo antecipa um crescimento 0,3 pontos percentuais superior ao estimado pelo Banco de Portugal, pelo CFP e pela Comissão Europeia, 0,4 pontos acima da previsão da OCDE e 0,5 pontos acima da estimativa do FMI.

O Governo prevê que a economia portuguesa cresça 2,1%, no próximo ano, uma previsão mais otimista do que a das restantes instituições económicas. O Banco de Portugal, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) e a Comissão Europeia estimam um crescimento de 1,8%. A OCDE prevê uma expansão de 1,7% e o Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1,6%.

Tal como o ECO explicou aqui, o consumo privado deverá continuar a ser um dos motores da atividade económica, embora abrande de um crescimento de 3,1% em 2026 para 2,1% no próximo ano. O investimento, por seu lado, deverá aumentar 5,7% este ano, beneficiando da fase final de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e da aquisição de aeronaves pela TAP, mas perder dinamismo em 2027, quando estes efeitos se dissiparem parcialmente.

Nas exportações, o Executivo prevê um crescimento de 3,5% em 2026 e de 3,1% em 2027. As importações deverão avançar 6% este ano, antes de desacelerarem para 2,8% no próximo.

No que toca aos preços, o Governo antecipa que a inflação, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), abrande de 2,9% em 2026 para 2,3% em 2027.

As previsões orçamentais

O Governo prevê fechar 2026 com um saldo orçamental equilibrado, depois de ter registado um excedente de 0,7% do PIB em 2025. Para 2027, a proposta aponta para um ligeiro excedente de 0,1% do PIB.

A margem é, contudo, reduzida. A generalidade das instituições económicas prevê um pequeno défice para o próximo ano, com exceção do FMI, que estima um saldo nulo num cenário de políticas invariantes.

Para este ano, o CFP é mais otimista do que o Governo, projetando um excedente de 0,2% do PIB, enquanto a Comissão Europeia antecipa um défice de 0,1%. As restantes instituições de referência estão alinhadas com a previsão do Executivo ou não apresentam uma estimativa diretamente comparável para o saldo de 2026.

No relatório do OE2027, o Ministério das Finanças explica que o saldo equilibrado esperado para este ano reflete os apoios às famílias e às empresas afetadas pela tempestade Kristin, bem como as medidas de apoio face ao atual contexto geopolítico, num ano pressionado pela execução dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Nas contas das Finanças, o saldo orçamental deverá melhorar em 2027, para 0,1% do PIB, como resultado quer de uma redução da despesa (-3 pontos do PIB) superior à redução da receita (-2,9 pontos). O Governo estima ainda que a dívida pública desça de 87,5% do PIB este ano para 84,5% no próximo.

Há, porém, outros encargos a acompanhar. A fatura com juros das Administrações Públicas deverá aumentar 23,2%, para 8.217 milhões de euros em 2027, o equivalente a 2,4% do PIB, contra 2% em 2026.

A questão central será perceber em que medida as previsões de crescimento, receita e despesa permitem cumprir a meta de excedente num contexto de incerteza internacional e de compromissos financeiros crescentes. Paralelamente, as metas de médio prazo acordadas com a Comissão Europeia também deverão ser alvo de debate, com o ministro a defender que o país não irá ultrapassar os desvios máximos permitidos para o crescimento da despesa líquida e a oposição a enfatizar as últimas projeções de Bruxelas, que apontam para o seu contrário.

O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, apresenta em conferência de imprensa a proposta para o Orçamento do Estado para 2027.Hugo Amaral/ECO

A política orçamental ligeiramente “restritiva”

As principais medidas de política orçamental do Governo têm um impacto negativo no saldo superior a mil milhões de euros, um valor muito superior aos 695 milhões do ano passado, e que resulta de um aumento de 1.048 milhões de euros do lado da despesa e de 84 milhões de euros do lado da receita.

Para a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), a política orçamental prevista pelas Finanças para 2027 será “ligeiramente restritiva” num contexto de “manutenção da atividade económica, o que reflete uma subida residual do saldo primário estrutural num contexto de manutenção do hiato do produto“.

Na apreciação preliminar da proposta do OE2027, os técnicos que dão apoio aos deputados estimam que o saldo primário estrutural — que deixa de fora a despesa com juros, o efeito cíclico e as medidas temporárias ou não recorrentes — deverá passar de 2,5% do PIB potencial nominal em 2026 para 2,6% no próximo ano. Justificam ainda que a descida do saldo estrutural (de 0,5% para 0,2% do PIB potencial) resulta do aumento dos encargos com juros, de 6,7 para 8,2 mil milhões de euros.

Previsões de crescimento do emprego

Uma das previsões que suscita reservas é a evolução do mercado de trabalho. O Governo espera que o emprego, na ótica das Contas Nacionais, cresça 1,7% em 2026 e 1,4% em 2027, com a taxa de desemprego a recuar de 5,8% para 5,7%.

A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que presta apoio aos deputados da comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), considera, contudo, que a previsão de crescimento do emprego no próximo ano é difícil de conciliar com o abrandamento recente da imigração líquida.

Os técnicos parlamentares assinalam que o Ministério das Finanças prevê um aumento de 0,6% da população em idade ativa tanto em 2026 como em 2027, mas projeta um crescimento de 1,3% da população ativa no próximo ano. Para isso, será necessário que a taxa de participação no mercado de trabalho aumente para 70,2%, face aos 69,7% estimados para 2026.

Os dados mais recentes apontam para uma evolução menos favorável da população em idade ativa: o aumento médio trimestral passou de 28 mil pessoas em 2025 para apenas dez mil em 2026. Também o Banco de Portugal estima que a entrada líquida de imigrantes tenha diminuído de cerca de 13.200 pessoas por mês em 2024 para 6.200 em 2025.

A previsão do Governo para o crescimento do emprego é, assim, a mais elevada entre as instituições de referência, cujas estimativas variam entre 0,4% e 1,3%. O Banco de Portugal aponta para 0,7% em 2027.

O alerta é relevante para as contas públicas: se o emprego crescer menos do que o previsto, as receitas fiscais e contributivas poderão ficar aquém das estimativas das Finanças. A UTAO assinala ainda que, mantendo-se a tendência atual, o excedente corrente das Administrações Públicas poderá diminuir de 3,3% do PIB em 2025 para 3% em 2026 e 2,5% em 2027.

O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, apresenta em conferência de imprensa a proposta para o Orçamento do Estado para 2027.Hugo Amaral/ECO

O investimento e a execução do PRR

Este ano será o último de PRR. No entanto, o Governo reservou 200 milhões de euros do OE2027 para terminar obras que estejam a decorrer em escolas, centros de saúde e outros projetos que não ficaram concluídos a tempo. Os promotores têm de concluir as obras até ao final do próximo ano.

Em causa estão os projetos que ficaram concluídos apenas a 90%, mas também os que têm níveis de execução mais baixos e que tinham sido aprovados numa lógica de overbooking para garantir a execução a 100% do PRR. Fora destes 200 milhões ficam as obras que conseguiram assegurar a passagem do PRR para o Portugal 2030.

Desta forma, até ao final deste ano, os projetos com financiamento do PRR que cumpriram as metas e marcos vão continuar a ser financiados pela bazuca europeia, mas se o montante não for suficiente, entra esta linha de 200 milhões de euros para assegurar o remanescente.

O fim do PRR leva o Governo a esperar que o investimento público caia quase 31% no próximo ano para 2,8% ou 9.687 milhões de euros, no entanto, o Orçamento assenta na possibilidade de o investimento total ser compensado pelos privados. Para este ano, o crescimento previsto é de 4,3%. As previsões do Ministério das Finanças são mais otimistas do que as do Banco de Portugal ou do Conselho das Finanças Públicas, que se têm mostrado céticos com o otimismo do Executivo no investimento.

As previsões do Ministério das Finanças são mais otimistas do que as do Banco de Portugal ou do Conselho das Finanças Públicas, que se têm mostrado céticos com o otimismo do Executivo no investimento.

A proposta de Orçamento do Estado revela que as prioridades são a habitação, mobilidade e infraestruturas, responsáveis por cerca de 68% do montante total previsto em termos de “investimentos estruturantes”. Ao nível das infraestruturas de transportes, destaque para para os 338 milhões para a linha violeta do Metro de Lisboa e os 736 milhões para a modernização da ferrovia e concretização do plano ferroviário nacional. Já na habitação, a proposta é investir 1,06 mil milhões uma redução face aos 2,9 mil milhões de 2026.

A despesa em defesa

O peso da despesa de defesa no Produto Interno Bruto (PIB) vai atingir 2,15% em 2027, em linha com os compromissos assumidos por Portugal com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e com a União Europeia (UE). Mais de 855 milhões de euros de investimento estão previstos para aquisição de equipamentos como o KC-390 ou o Super Tucano. A opção em torno da substituição dos F-16 da Força Aérea é uma opção “preponderante”.

O relatório da proposta de OE2027 detalha que estão compreendidos mais de 800 milhões de euros para a modernização de equipamentos e infraestruturas das Forças Armadas e no reforço de áreas críticas como a vigilância marítima, a ciberdefesa e a proteção de infraestruturas estratégicas, “financiados ao abrigo do instrumento Ação para a Segurança da Europa (Security Action for Europe — SAFE)“. A estes valores soma-se o investimento na economia de defesa.

Assim, a dotação total desta área é de quase 3,8 mil milhões de euros, um crescimento de 1,4% face ao estimado para este ano. No entanto, excluindo o SAFE, há uma descida de 1,8% nos gastos com a defesa, explicado na quase totalidade pelo desaparecimento do contributo do PRR.

A agência de notação financeira Fitch detalha que Portugal se comprometeu a aumentar as despesas com a defesa para 3,5% do PIB até 2035, com um máximo de 1,5% em investimentos mais amplos relacionados com a segurança, mas já alertou para os riscos deste investimento poderem “tornar mais difícil a manutenção de orçamentos globalmente equilibrados”.

Os aumentos da Função Pública

A despesa com pessoal é uma das principais fontes de pressão sobre o Orçamento do Estado para 2027, num momento em que o Governo ainda tem de concluir as negociações salariais com os sindicatos da Administração Pública.

A proposta contempla aumentos salariais de 2,3% ou, em alternativa, um mínimo de 60,52 euros, nos termos do acordo plurianual celebrado com as estruturas sindicais afetas à UGT (Fesap STE, sendo que a Frente Comum, afeita à CGTP, ficou de fora). A Base Remuneratória da Administração Pública (BRAP), que corresponde ao salário mínimo no Estado, deverá subir de 934,99 euros para 995,51 euros. O subsídio de refeição aumenta 15 cêntimos, para 6,30 euros por dia de trabalho.

Só a atualização das remunerações representa um impacto de 948 milhões de euros. Mas a pressão sobre as contas públicas é mais abrangente: o Governo prevê que a despesa com pessoal da Administração Pública aumente 1.231 milhões de euros em 2027 face a 2026, de acordo com o Quadro de Políticas Invariantes.

Desse montante, 587 milhões de euros estão associados ao acordo de valorização salarial, 283 milhões às progressões e promoções, 116 milhões ao aumento da retribuição mínima mensal garantida e 244 milhões aos acordos salariais de carreiras específicas.

Este acréscimo não constitui necessariamente o limite da despesa. As negociações com os sindicatos prosseguem e as estruturas representativas dos trabalhadores exigem aumentos superiores aos previstos no acordo, além de melhorias no subsídio de refeição e na base remuneratória do Estado. A revisão das carreiras gerais, que deverá arrancar já em dezembro deste ano, poderá também ter impacto adicional em 2027.

A margem para acomodar reivindicações salariais dependerá, por isso, da evolução das negociações e da capacidade do Governo para absorver novos encargos sem comprometer as metas orçamentais.

O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, apresenta em conferência de imprensa a proposta para o Orçamento do Estado para 2027.Hugo Amaral/ECO

As cativações

As dotações orçamentais com utilização condicionada — conhecidas como cativações — vão diminuir em 2027, mas a redução global esconde aumentos na maioria dos programas ministeriais. De acordo com os mapas orçamentais, o montante total baixa de 2.053,22 milhões de euros no OE2026 para 1.927,98 milhões no OE2027. São menos 125,2 milhões de euros, o equivalente a uma descida de 6,1%.

Apesar desta redução, 14 dos 16 programas ministeriais considerados passam a ter mais verbas condicionadas no próximo ano. A descida global é explicada sobretudo pela redução das cativações no programa das Finanças, que diminuem 294,58 milhões de euros, ou 64,9%, para 159,18 milhões.

Em sentido contrário, o programa do Ensino Superior, Ciência e Inovação terá mais 58,24 milhões de euros de verbas condicionadas, elevando o total para 372,14 milhões. Nas Infraestruturas e Habitação, o montante aumenta 31,71 milhões, para 323,69 milhões, enquanto na Defesa sobe 19,75 milhões, para 182,16 milhões. Também a Segurança Interna passa a ter mais verbas retidas, num total de 189,61 milhões de euros.

A proposta mantém a regra segundo a qual as cativações correspondem a 5% da dotação de cada programa orçamental. Estas reservas podem ser libertadas com a assinatura do ministro responsável pela respetiva tutela.

Miranda Sarmento terá, assim, de explicar não apenas por que razão o montante global das cativações diminui, mas também como se justifica que a maioria dos programas ministeriais fique sujeita a maiores restrições na utilização das verbas orçamentadas.

As poupanças com revisão da despesa

O Governo antecipa poupar 354,4 milhões de euros no próximo ano, com a revisão da despesa, ou seja, a identificação de gastos ineficientes e ineficazes e a ponderação de opções de poupança na Administração Pública, na saúde e nas finanças. Este valor consolida a estratégia iniciada há dois anos.

Entre 2024 e 2026, a avaliação de despesa ineficiente e alterações de medidas gerou poupanças de 869,5 milhões de euros. Para os próximos quatro anos, o ministro das Finanças estima economizar mais 1,28 mil milhões.

A revisão da despesa é um exercício orçamental no qual o Ministério das Finanças analisa de forma detalhada e sistemática a despesa base do Estado, com o objetivo de identificar medidas de poupança ou de reafetação de verbas, de modo a criar margem orçamental e melhorar a eficácia dos programas e das políticas.

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Carris e STCP anunciam intercâmbio de trabalhadores e acordo para investimentos


A Carris e a STCP vão avançar com programas de intercâmbio de trabalhadores para partilhar conhecimento e desenvolver soluções para os desafios da mobilidade urbana, ao abrigo de um protocolo de uma cooperação estratégica que é assinado sexta-feira, em Lisboa. E que prevê igualmente a apresentação conjunta de candidaturas a programas nacionais e europeus de financiamento.

“Este protocolo tem um propósito muito concreto: juntar a experiência e o conhecimento das nossas equipas para melhorar o serviço que prestamos às pessoas”, começa por explicar Luís Osório, presidente do Conselho de Administração da STCP, citado num comunicado enviado às redações.

Luís Osório acrescenta que esta cooperação permitirá “aprender em conjunto, desenvolver novas soluções e dar maior alcance a projetos que respondem a necessidades comuns”. Acresce ainda a valorização dos trabalhadores e preservação do património associado à identidade do Porto e de Lisboa. “Queremos tornar o transporte público uma escolha cada vez mais atrativa.”

Este protocolo tem um propósito muito concreto: juntar a experiência e o conhecimento das nossas equipas para melhorar o serviço que prestamos às pessoas.

Luís Osório

Presidente do Conselho de Administração da STCP

Também Rui Lopo, presidente do Conselho de Administração da Carris, destaca a importância da parceria para “reforçar a resposta” aos desafios do setor, designadamente “a crescente exigência dos passageiros, a segurança, a transformação digital, a evolução tecnológica e a qualificação dos recursos humanos”.

Além do programa de intercâmbio de colaboradores das duas empresas, o acordo prevê ainda ações de formação, conferências, e iniciativas dirigidas às escolas e à comunidade. Estão previstas igualmente iniciativas relacionadas com a preservação, recuperação e valorização dos carros elétricos históricos.

A assinatura do protocolo está agendada para as 12h30 desta sexta-feira, no Museu da Carris, em Lisboa, e contará com a presença dos conselhos de administração das duas empresas e do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

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Exército com ‘luz verde’ de 82,35 milhões para modernizar Leopard


O Presidente da República, António José Seguro (D), num carro de combate Leopard 2A6 durante a visita ao Campo Militar de Santa Margarida, Constância, 30 de abril de 2026.PAULO CUNHA/LUSA

O Exército Português obteve autorização para modernizar o sistema de armas carro de combate Leopard, até 82,35 milhões de euros. O investimento foi aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros. Foi ainda aprovado reforço orçamental de combustíveis para a Marinha Portuguesa e um Decreto-Lei que cria a carreira especial de Técnico de Salvamento Marítimo.

“O investimento permitirá executar o programa de Midlife Upgrade da frota, que inclui a reparação geral, a modernização de sistemas, a aquisição de ferramentas e equipamentos especiais, manuais técnicos e formação, reforçando a prontidão operacional do Exército e a capacidade de Portugal para responder aos compromissos assumidos no quadro da NATO”, pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Marinha com mais orçamento para combustíveis

O Conselho de Ministros aprovou ainda o reforço de 2,4 milhões de euros para a compra de combustíveis operacionais da Marinha Portuguesa para este ano. “A decisão garante a continuidade do abastecimento das unidades navais e a capacidade de cumprimento das missões da Marinha”, pode ler-se no comunicado.

Para a Marinha, o Conselho de Ministros trouxe ainda novidades no que toca a carreiras, tendo sido aprovado um Decreto-Lei que cria a “carreira especial de Técnico de Salvamento Marítimo, integrando-a no Quadro do Pessoal Militarizado da Marinha, e no regime de transição dos atuais Tripulantes de Embarcações Salva-Vidas”.

“A alteração reconhece as especificidades das funções de salvamento, socorro e assistência marítima, designadamente o risco, o desgaste, a disponibilidade permanente e a necessidade de mobilização rápida das tripulações, salvaguardando os direitos adquiridos e valorizando o enquadramento remuneratório e estatutário dos trabalhadores”, informa comunicado.

(Última atualização às 19h44)

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Leixões SAD diz desconhecer arresto e aguarda confirmação para tomar posição

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By: Lusa

A SAD do Leixões, que tutela o futebol profissional do clube, afirmou esta quinta-feira desconhecer o arresto de bens da sociedade e do seu presidente, André Castro, remetendo uma tomada de posição para a confirmação das informações divulgadas.

Numa comunicação enviada à agência Lusa e a outros órgãos de comunicação social, intitulada “Direito de resposta”, a sociedade desportiva declarou ter sido surpreendida pela notícia publicada em vários meios.

“A confirmar-se o teor do noticiado, a Leixões SAD e o seu presidente, André Castro, tomarão oportunamente posição, adotando as medidas que considerem adequadas à salvaguarda dos seus direitos e interesses e à reposição da verdade dos factos”, lê-se na reação.

A SAD confirmou que o empresário brasileiro Anderson Fellipe Gonçalves é credor no âmbito do seu processo especial de revitalização (PER), encontrando-se o respetivo crédito reconhecido.

“O plano de recuperação foi aprovado e transitou em julgado, sendo os créditos pagos nos termos e condições homologados por decisão judicial”, sustentou.

Porém, na mesma comunicação, a sociedade desportiva afirmou que a Leixões SAD e a Play-Fair são credoras da Golden Goal, empresa do grupo Aliya Capital Partners – grupo indicado pelo investidor brasileiro -, em mais de 22 milhões de euros.

Segundo a SAD leixonense, esse montante decorre de incumprimento contratual do grupo, estando em curso diligências para a sua recuperação.

A reação surge depois de o Juízo Central Cível da Póvoa de Varzim ter decretado, numa decisão a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso, o arresto de bens da SAD, da Play-Fair, sua acionista maioritária, e de André Castro.

A providência cautelar foi requerida por Anderson Fellipe Gonçalves, que, segundo os factos considerados sumariamente provados pelo tribunal, concedeu 18 empréstimos às duas sociedades, entre novembro de 2023 e abril de 2026, num total de 5,062 milhões de euros.

O tribunal determinou o arresto até ao montante de 2,141 milhões de euros relativamente à Play-Fair e de 2,921 milhões de euros relativamente à SAD, acrescidos dos juros previstos na decisão.

Quanto a André Castro, o limite foi fixado em 3,335 milhões de euros, correspondente à parte daqueles empréstimos que o dirigente afiançou, não constituindo um montante adicional ao capital emprestado às sociedades.

O juiz Tiago Caiado Milheiro fundamentou a medida no receio de perda da garantia patrimonial dos créditos, apontando, entre outros fatores, as dificuldades financeiras das sociedades e o risco de venda do Complexo Desportivo de Fão.

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Art Basel Paris antecipa encerramento de feira devido a protestos em França


A Art Basel Paris vai encerrar a edição de 2026 às 19h00 desta sexta-feira e permanecer fechada nos dias 24 e 25, ao contrário do que estava previsto.

Numa mensagem enviada aos expositores e participantes esta quinta-feira, a que o ECO Avenida teve acesso, a organização da Art Basel Paris explica que a decisão foi tomada “devido à possibilidade de manifestações em Paris durante este fim de semana e com o objetivo de proteger os nossos visitantes, expositores, parceiros, trabalhadores e obras de arte”.

“Reconhecemos o impacto significativo desta decisão nas galerias e estamos empenhados em apoiá-las durante o encerramento antecipado e a remoção segura das obras de arte do Grand Palais”, acrescenta a missiva, acrescentando: “Recomendamos vivamente que as galerias mantenham as suas apresentações intactas até ao encerramento da feira”. A Art Basel Paris pede também que “a desmontagem geral não comece antes de serem emitidas as instruções de acesso e remoção”.

A feira de arte decorre no Grand Palais, no centro de Paris, e começou na terça-feira com a Avant Première, uma sessão para convidados VIP, momento em que aconteceram algumas grandes, entre elas, segundo o The Art Newspaper a obra Rise of the New Suprematists, de Julie Mehretu, de 2001.

Pelo menos 2.500 pessoas foram detidas em França no último fim de semana. O Presidente Emmanuel Macron afirmou esta quinta-feira que, no sábado, só serão permitidos protestos sindicais autorizados.

França vai reforçar em 20% o dispositivo das forças de segurança em várias cidades para a jornada de manifestações de sábado, face aos distúrbios e atos de vandalismo do passado sábado, anunciaram esta quinta-feira as autoridades oficiais.

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Proposta “para já” ou pedido da própria? As duas versões da saída da diretora de informação da Lusa


A ex-diretora de informação da Lusa, Luísa Meireles, disse esta quinta-feira no Parlamento que o Conselho de Administração (CA) lhe propôs a saída com efeitos imediatos. A proposta foi apresentada dois dias depois da audição parlamentar do presidente da agência e após ter questionado a administração. Luísa Meireles acusou ainda os dois novos administradores de passarem por cima da direção de informação. Ouvido logo a seguir, o presidente da Lusa, Joaquim Carreira, garantiu que a saída foi pedida pela própria e que “nunca” houve ingerência.

As duas audições decorreram na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, esta quinta-feira, a requerimento do Livre, do PS e do PCP.

Uma saída “para já”

Para Luísa Meireles, “o tiro de partida” foi a audição de 29 de setembro. Nesse dia, Joaquim Carreira disse no Parlamento que “não chegou à Lusa qualquer intenção de mudar a Direção da informação”, mas acrescentou que “a atual diretora de Informação está a atingir a idade limite legal [para o cargo] e também tem funções na Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas (CCPJ”). Admitiu ainda que “poderá haver alterações”, decorrentes de eventuais “conflitos de interesses”, mas que a situação [não está] completamente esclarecida”.

As palavras foram entendidas como, “numa linguagem mais livre, um despedimento em direto”, e diz que não foi a única, tendo a situação deixado a redação “polvorosa”. A 1 de outubro, a direção de informação foi pedir esclarecimentos ao presidente. Nessa tarde, Luísa Meireles foi chamada a uma reunião “sozinha” e recebeu uma proposta de saída com quitação datada de 30 de setembro. Perguntou quando seria aplicada e a resposta foi “Já”. “Ainda questionei: ‘Mas têm a noção de que estão a decapitar esta agência da Direção de Informação?’ — ‘Sim, sim, mas a gente assume o risco’”, contou.

Pediu tempo para pensar e aceitou a proposta a 6 de outubro, depois de receber um telefonema da administradora com o pelouro financeiro. No dia seguinte, o acordo escrito trazia a saída adiada para 23 de outubro, porque a administração tinha “um problema de interinidade” e achava que a jornalista tinha levado a proposta “muito à letra”. Luísa Meireles recusou: “Eu sou [diretora de informação] na plenitude das minhas funções, ou não sou.” Assinou a 8 de outubro e saiu a 12. “Não discuti os termos do acordo, só discuti a data de saída.”

A diretora faz 70 anos a 23 de novembro e diz que “não tinha a intenção de ficar para além dos 70 anos a dirigir a Lusa, de modo nenhum”. Acrescentou que a administração a questionou sobre isso “nos últimos tempos”. Nessa data, o contrato passaria a contrato a prazo de seis meses, e teria até 3 de novembro para decidir. “Não fui obrigada a sair. Fizeram uma proposta de saída”, disse. Ainda assim, considera que “houve de facto uma precipitação”.

Recusa também a ideia de conflito de interesses com a presidência da CCPJ, uma função pro bono que ocupa desde fevereiro. Considerou “estranho” que essa alegação surgisse sete meses depois. Disse ainda que o assunto não foi invocado na reunião em que lhe propuseram a saída.

A administração conta outra história. A saída “resultou de um acordo entre as partes, na sequência de um pedido da própria ao Conselho de Administração para que fosse apresentada uma proposta de cessação do vínculo laboral”, afirmou Joaquim Carreira. Segundo o presidente, o CA “pretendia que a diretora de informação se mantivesse em funções interinamente por mais algum tempo, mas foi vontade da diretora de informação cessante sair rapidamente”.

A vice-presidente Ana Alves disse que já se falava da saída de Luísa Meireles “antes do verão”. “Essa questão surgia nas reuniões que tínhamos de forma natural. Não de forma imposta”, disse. Lembrou que, aos 70 anos, o contrato passaria a ser de seis meses. A empresa só o poderia rescindir com 60 dias de aviso, mas a diretora poderia fazê-lo com 15. “A direção de informação, para uma empresa como a Lusa, talvez seja a função mais importante que temos, e ter um vínculo que pode ser rescindido com 15 dias não nos dá grande estabilidade.” Mas acrescentou: “Não foi esse o motor da decisão. Foi um pedido de proposta que a própria Luísa fez. As motivações não as conheço.”

“Atropelando a direção de informação”

Segundo Luísa Meireles, a relação com o CA mudou quando entraram os administradores Luís Ferreira Lopes e Ana Alves. Durante cinco anos, com Joaquim Carreira, cada um respeitou “as suas áreas”. Os novos administradores mostravam “uma grande vontade de tratar diretamente com os jornalistas”, quando a prática era a administração falar com a redação através da direção.

“A situação começou a ficar mesmo estranha a partir da altura em que nos são pedidos contributos para as coisas”, contou. “Para além do agradecimento dos nossos contributos, a situação ficava na mesma e frequentemente não havia resposta aos emails.” Deu o exemplo das estratégias para podcasts e vídeo, pedidas pela nova administração e entregues pela direção, que não tiveram seguimento. “Tornou-se uma relação, de facto, muito custosa.”

Joaquim Carreira disse não saber “do que é que estão a falar” e estranhou a ideia de que os jornalistas não possam ser contactados pela administração. “Sempre falei, mas não pedi nada. Falo para saber o que é que se está a passar”, afirmou, defendendo uma “gestão de proximidade”. Luís Ferreira Lopes, que tem o pelouro da informação, disse ter entrado “três vezes” na redação e não ter “qualquer contacto com jornalistas”.

Os exemplos

Luísa Meireles deu três exemplos de situações onde considera ter existido interferência da administração.

Quando a delegação de Évora reabriu, a administração retirou aos dois correspondentes o subsídio de instalação e equipamento, apesar da oposição escrita da DI. “O Alentejo é gigante […] e para cobrir todo o Alentejo são precisas várias piscinas em automóvel”, explicou a ex-diretora. Ana Alves convocou depois diretamente os editores e editores adjuntos para lhes comunicar a medida, que seria alargada a outras delegações reabertas. “Isto foi uma desautorização e, ao mesmo tempo, o tal contacto direto, passar por cima da direção de informação — digamos, numa linguagem mais liberta, atropelando a direção de informação”, disse Luísa Meireles. O caso de Évora não foi levantado pelos deputados na audição da administração.

Luísa Meireles contestou também os contratos dos delegados internacionais. A versão de julho incluía funções comerciais que a direção considerou incompatíveis com o Estatuto do Jornalista. “Não poderia permitir que um jornalista da Lusa assinasse uma coisa daquelas”, disse. Assinou três dos seis e deixou as objeções por escrito, um deles era urgente, por ser necessário para um visto.

Joaquim Carreira garantiu que as alterações “foram feitas em conjunto com a direção de informação”. Acrescentou que “foi a própria diretora de informação que alertou, e bem” para as cláusulas desconformes. “Não existe nenhuma função comercial nem nada que se pareça”, afirmou. Segundo ele, os delegados devem apenas avisar a sede quando alguém se interessa pelos serviços da Lusa. Uma nova minuta começou a ser distribuída esta quinta-feira.

Bruxelas foi o ponto de maior choque. Segundo Luísa Meireles, a administração indicou uma jornalista, amiga e antiga colega de um dos administradores, para um lugar efetivo. A diretora recusou essa modalidade de contratação, alegando que não havia lugar efetivo e que as colocações no estrangeiro se faziam por concurso interno. Propôs antes um contrato de prestação de serviços, ouviu três candidatos e escolheu por escrito outra pessoa. A jornalista indicada pelo CA pediu melhores condições. A seguir, a diretora recebeu um e-mail a informar que o CA “tinha decidido contratar” essa jornalista. Respondeu que era “a primeira vez, em oito anos de trabalho com três administrações”, que passava por uma situação destas.

A versão da administração sobre Bruxelas é outra. Joaquim Carreira disse que “houve sugestões de nomes, tanto de um lado como de outro”. Segundo ele, Luísa Meireles fez a lista curta, entrevistou os candidatos e “escolheu uma determinada pessoa”, com o acordo do CA. “Essa pessoa não entrou ainda”, acrescentou, por “questões de tramitação processual e de burocracia”. Luís Ferreira Lopes garantiu que “nunca houve qualquer imposição de nomes” e que o CA apenas definiu um perfil mais multimédia.

Sem pressões do Governo

Questionada pelo PSD, Luísa Meireles afastou pressões do Governo: “Não houve qualquer condicionamento político. Sou absolutamente taxativa.” Defendeu, no entanto, que os novos estatutos têm uma “lacuna”, porque não garantem a independência e a autonomia da direção de informação. Pediu também urgência na revisão do contrato de serviço público, “elaborado na primeira década do século XXI”: “O contexto do ecossistema mediático mudou completamente.”

Joaquim Carreira afirmou que “não houve aqui nenhuma intervenção de ninguém fora da Lusa” e que “a independência editorial não é negociável”. “Distinguimos a responsabilidade de gestão do Conselho de Administração da autonomia das decisões editoriais e da direção de informação”, disse.

Confiança “abalada”

Para o diretor adjunto Nuno Simas, o clima de confiança entre a administração e os jornalistas “começou a degradar-se no dia em que o Conselho de Administração fez a denúncia do acordo de empresa”, que foi “uma machadada” na relação interna. Joaquim Carreira atribuiu o mal-estar à resistência à mudança: “Queremos sempre reformas, mas quando a reforma vem…”. E admitiu não saber se a confiança está abalada.

Os partidos que pediram as audições saíram insatisfeitos. Porfírio Silva, do PS, disse que “é curto aquilo que aqui foi explicado” e que duvida que a administração tenha enviado ao Parlamento todos os documentos relevantes. “Isto não acaba aqui”, afirmou, antes de pedir a transcrição integral da audição. Joaquim Carreira respondeu que entregou “os contratos que tínhamos no momento” e que ainda tem três pedidos de documentos por responder. Filipa Pinto, do Livre, lamentou que no fim se perceba que “há duas versões da mesma coisa, em que uns têm documentos para mostrar e os outros não”. Paula Santos, do PCP, disse sair “com mais dúvidas do que respostas” e concluiu que a independência da Lusa está “comprometida”.

Nuno Simas e Maria de Deus Rodrigues asseguram a direção interina até 31 de outubro. “Não sabemos quem vai ser [a futura direção]”, disse Nuno Simas, acrescentando que não tem conhecimento de que o Conselho de Redação já tenha sido consultada. Joaquim Carreira prevê ter uma nova direção de informação “até ao final do mês” e garantiu que o Conselho de Redação e a ERC serão ouvidos.

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Habitação: Presidente do IHRU questiona disponibilidade para sacrifício da atual geração

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By: Lusa

O presidente do IHRU diz não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram “para poderem ter uma casa”.

“Já fomos todos jovens, não é? (…) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa“, afirmou o presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Pereira, esta quinta-feira, em Vila Nova de Gaia (Porto).

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, e questionado sobre se a geração atual está a ter menos sacrifício do que a geração anterior, o responsável do IHRU disse não querer ir “por esse caminho”.

“Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida”, prosseguiu, e perante as questões dos jornalistas sobre se os jovens também devem emigrar, afirmou que não estava “a dizer isso”.

É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas (…)

Benjamim Pereira

Presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU)

Pedindo para “concluir o raciocínio”, Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram “porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje”.

“É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas. Eu já recebi pessoas no IHRU que agora, com os seus 60 e 70 anos, que quando eram da idade dos jovens que agora se estão a manifestar organizaram-se, fizeram cooperativas e fizeram as suas próprias casas”, afirmou.

Frisando que fazia “um apelo” e não “uma crítica”, Benjamim Pereira pediu “a todos que se possam unir” pois “é um problema que tem de ser resolvido por todos e os jovens também fazem parte desta equação”.

Antes, o também ex-presidente da Câmara de Esposende (PSD), no distrito de Braga, tinha dito que vê as manifestações “de forma muito tranquila”.

“Eu acho que as pessoas, os cidadãos devem manifestar-se. Não é [só] pela habitação, é pela habitação, é pela saúde, é por tudo aquilo que entenderem que não está de acordo, enfim, com a sua forma de ver. O que não quer dizer desde logo que tenham razão. Mas podem e devem manifestar-se. Isto só nos dá força para trabalhar mais”, apontou.

Referiu ainda haver “algum sentimento de injustiça” para os trabalhadores do IHRU. “Nós temos trabalhado imenso, temos feito o máximo que está ao nosso alcance para conseguir resolver um problema. Só que é um problema estrutural, não é um problema conjuntural”, sustentou.

Segundo Benjamim Pereira, “não se vai resolver o problema da habitação (…) durante os próximos anos, é preciso todos termos consciência disso“.

Porém, expressou otimismo quanto ao decreto-lei proposto pelo Governo para a habitação, n.º97/2026, “que vai, com toda a certeza, dar um enorme contributo para resolver o problema da habitação”.

“É preciso dar tempo para que ele funcione. Quer o regime simplificado do arrendamento acessível, que vai (…) conter, mas por opção do próprio senhorio, o limite das rendas, que será muito importante”, bem como “os contratos de investimentos de arrendamento”, acrescentou.

Para Benjamim Pereira, estes contratos são “das medidas mais importantes que se tomaram em Portugal nas últimas décadas em relação à habitação” porque convocam o setor privado.

“Os contratos de investimento de arrendamento na sua modalidade, quer da renda moderada, que é obrigatório praticar, quer da renda acessível” podem ser a “bala de prata” com a “obrigatoriedade de manter os imóveis durante 25 anos em arrendamento acessível” para que os jovens “tenham aqui a sua oportunidade”, assinalou.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

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Centro de Cibersegurança fez recomendações para corrigir falhas

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By: Lusa

O ministro da Presidência disse esta quinta-feira que o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) emitiu um conjunto de recomendações para resolver as falhas de segurança nos ‘sites’ que utilizem a linguagem de programação PHP.

Durante o ‘briefing’ do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro explicou que o CNCS enviou às entidades públicas e privadas recomendações que incluíram a indicação para que fosse feita uma atualização dos sistemas, que ficou disponível na quarta-feira ao início da tarde.

“Muitas entidades públicas que temos conhecimento estão a substituir, a fazer o desligamento temporário para fazer a atualização e corrigir essa vulnerabilidade“, referiu o ministro da Presidência.

Tal como explicou Leitão Amaro, “foi identificado a nível global uma vulnerabilidade numa ferramenta e numa linguagem de programação que é utilizada numa maioria esmagadora das páginas de internet do mundo inteiro”.

Na quarta-feira, também a Agência de Segurança Nacional dos EUA recomendou que todos os ‘sites’ que utilizam a programação PHP realizassem uma atualização de software para corrigir as vulnerabilidades identificadas.

O PHP, acrónimo de Hypertext Preprocessor, é uma linguagem de programação criada no início da década de 1990 pelo programador canadiano-dinamarquês Rasmus Lerdorf. Permite estabelecer uma ponte entre um ‘site’ e um servidor que contém bases de dados.

A empresa de cibersegurança Palo Alto Networks indicou na quarta-feira ter identificado 22 milhões de plataformas expostas a estas vulnerabilidades.

Também na quarta-feira, a OpenAI explicou que as falhas foram detetadas com a utilização de um dos seus mais recentes modelos, o GPT-5.6 Sol.

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Governador do Banco de Portugal avisa que habitação é o “principal risco interno” do país


O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, alertou esta quinta-feira que a habitação é o “principal risco interno” do país e reforçou que é preciso construir mais e apostar em mais habitação pública. As declarações foram feitas durante a apresentação de uma análise intitulada “Perspectives on Iberian Economic Integration”, que também contou com a presença do governador do Banco de Espanha, José Luis Escrivá.

O governador recusou detalhar medidas, tanto de curto prazo, como de longo prazo, defendendo que o trabalho do supervisor “é mostrar os dados e estudar, não entramos em debate político”. Justificou ter colocado os holofotes sobre o tema da habitação desde que tomou posse por identificar como um dos principais riscos económicos em Portugal.

“Temos vindo a reiterar que as soluções têm de vir do lado da oferta, construir muito mais, e, por outro lado, como a nível internacional continuamos a ter uma habitação pública abaixo da OCDE, temos de trabalhar na habitação pública“, explicou. Reconheceu que resolver este problema “demora tempo“, mas que “o importante é todos darmos conta do que está a acontecer“.

Questionado sobre se este é também um tema que preocupa os bancos centrais do ponto da vista da estabilidade financeira, Álvaro Santos Pereira afirmou que “a habitação não é um tema de estabilidade financeira, é um problema social e económico e uma preocupação grande de muitas famílias“. Disse ainda entender “a luta política, mas isto é mesmo um desafio enorme para muita gente”.

O homólogo espanhol alinhou pela mesma leitura. “Já analisámos este assunto do ponto de vista da estabilidade financeira, e so far so good“, disse José Luis Escrivá. O governador do Banco de Espanha explicou que a situação é muito diferente, incluindo ao nível do endividamento das famílias, ao que aconteceu na crise de 2010. “Estamos a analisar, mas não é uma fonte de preocupação. Não estamos ainda nos níveis da bolha anterior, em 2010“, justificou.

À semelhança do que acontece em Portugal, José Luis Escrivá lembrou o setor da construção espanhol que “ficou muito afetado depois da crise e está a ter dificuldades de recuperar e acompanhar a velocidade de construção de casas, também é um problema do ponto de vista dessa construção”.

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Ageas Seguros abre duas novas lojas e passa a ter mais de 200 pontos de atendimento


A Ageas Seguros reforçou a sua presença no país com a abertura de um novo espaço comercial em Águas Santas, no Porto, e com a relocalização e remodelação da loja de Arganil, em Coimbra. Com mais estes dois investimentos, a seguradora passa a somar mais de 200 pontos de atendimento distribuídos por Portugal Continental e Ilhas.

Gustavo Barreto, membro da Comissão Executiva do Grupo Ageas Portugal. “A renovação da loja Ageas Seguros na vila de Arganil e a abertura desta loja Ageas Seguros na vila de Águas Santas reflete o nosso compromisso em melhorar a nossa rede”.

A nova unidade de Águas Santas está localizada na Rua Camilo Castelo Branco. O espaço é gerido pela agente geral exclusiva Lídia Barbosa e conta com uma equipa de três profissionais. Funciona de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 17h00.

Já em Arganil, a intervenção traduziu-se na mudança para um novo endereço, na Rua Mariano Lopes Morgado, acompanhada pela modernização das instalações. Sob a gestão da sociedade Seguros Beira Serra, liderada por António Coelho, a dependência opera com uma equipa de duas pessoas, estando aberta nos dias úteis das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00.

“A renovação da loja Ageas Seguros na vila de Arganil e a abertura desta loja Ageas Seguros na vila de Águas Santas reflete o nosso compromisso em melhorar a nossa rede, por forma a oferecer melhores condições a todos os nossos Mediadores e, claro, aos nossos Clientes”, sublinha Gustavo Barreto, membro da Comissão Executiva do Grupo Ageas Portugal, em comunicado.

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Macron acusa extrema-esquerda radical de querer “derrubar a República”

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By: Lusa

O Presidente francês denunciou esta quinta-feira “atos sediciosos” de grupos de “extrema-esquerda”, acusando-os de quererem “derrubar a República”, após atos de violência e pilhagens cometidos à margem das manifestações de sábado contra o custo de vida.

“Assistimos a atos políticos e até sediciosos, levados a cabo por grupos organizados de extrema-esquerda que visam derrubar a República“, afirmou Emmanuel Macron, no final de uma reunião no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, com os responsáveis dos serviços de informações, acusados de terem antecipado mal a mobilização, a seis meses das eleições presidenciais.

“É isso que estes grupos de extrema-esquerda assumem, com extrema perigosidade, uma violência muito acentuada e planeamento. A par disso, houve atos de delinquência, perante os quais também temos de agir com a maior firmeza, mas que são de natureza diferente”, sublinhou.

“Houve vários milhares de detenções para interrogatório e várias centenas de pessoas foram encarceradas. O trabalho vai prosseguir […], mas o ministro da Justiça pediu, com toda a razão, a maior severidade ao Ministério Público”, disse Macron.

Macron confirmou também o que as autoridades policiais já tinham anunciado, as restrições às manifestações nos próximos dias para restabelecer a ordem na sequência dos distúrbios de sábado passado e revelou a convocação de um Conselho de Defesa para sexta-feira, com o objetivo de adotar medidas de segurança adicionais.

O Presidente francês explicou que os prefeitos poderão proibir concentrações que não sejam convocadas por organizações sindicais quando exista risco de perturbação da ordem pública, enquanto as manifestações sindicais autorizadas poderão realizar-se, mas por percursos alternativos, para proteger estabelecimentos comerciais e edifícios públicos.

Uma segunda jornada de protestos contra o custo de vida está prevista para sábado, em toda a França. Para esta nova mobilização, o dispositivo das forças de segurança será “20% superior” ao da semana passada, anunciou esta quinta-feira o ministro delegado junto do Ministério do Interior, Jean-Didier Berger.

No sábado, apenas serão autorizadas as manifestações organizadas pelos sindicatos, advertiu Macron.

Por outro lado, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, tem previsto reunir-se na segunda-feira com “organizações de estudantes do ensino secundário e superior, de professores, sindicais e patronais, as autarquias e os deputados, para que o diálogo e os trabalhos prossigam em torno dos pedidos e das reivindicações legítimas”, anunciou Macron.

A justiça continua a investigar os acontecimentos de 17 de outubro, com milhares de pessoas detidas e centenas de pessoas encarceradas, segundo Macron, que garantiu que as investigações prosseguirão para esclarecer a identidade dos envolvidos e o grau de participação de cada um.

“Estão a decorrer investigações mais aprofundadas sobre as ações mais sofisticadas que foram executadas“, acrescentou. O objetivo é também garantir que “o diálogo e os trabalhos prossigam em torno dos pedidos e das reivindicações legítimas, em particular as dos jovens”.

França vai reforçar em 20% o dispositivo das forças de segurança em várias cidades para a jornada de manifestações de sábado, face aos distúrbios e atos de vandalismo do passado sábado, anunciaram esta quinta-feira as autoridades oficiais.

O dispositivo incluirá reforços militares da força Sentinelle, unidades de elite da polícia e da Gendarmaria, helicópteros e viaturas blindadas.

Os militares ficarão encarregues da proteção de edifícios públicos, como a Assembleia Nacional, Senado e sede do Governo, bem como de locais turísticos de Paris, incluindo os Campos Elísios, libertando agentes policiais para outras tarefas.

O dispositivo contará também com unidades de elite da Polícia Nacional e da Gendarmaria.

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Eurodeputados pedem que União Europeia pondere missão naval no Mar Negro


O Parlamento Europeu instou a União Europeia (UE) a ponderar o envio de uma missão naval para o Mar Negro, na sequência de ataques mortais contra navios mercantes civis ao largo da Roménia e da Bulgária. Numa resolução aprovada esta quinta-feira, os eurodeputados pedem ainda à NATO que reforce a presença na região e consideram a Rússia responsável pela escalada da insegurança marítima.

De acordo com o Rapporteur, o texto foi aprovado com 432 votos a favor, 52 contra e 88 abstenções. Os eurodeputados condenam os ataques a embarcações civis e as repetidas violações do espaço aéreo romeno, considerando que estes incidentes fazem parte de uma estratégia de escalada da guerra contra a Ucrânia para a parte ocidental do Mar Negro.

A eventual operação naval europeia teria como objetivo proteger a liberdade de navegação e reforçar a segurança marítima, consideradas essenciais para o flanco leste da NATO, na região do Mar Negro e no delta do Danúbio. A votação, contudo, não significa que uma missão tenha sido aprovada ou que exista uma decisão de mobilizar meios navais.

Os eurodeputados apelam também à NATO para que avalie uma nova iniciativa de segurança para o Mar Negro, tendo por base as discussões em torno de uma possível operação designada Black Sea Sentry, defendendo ainda uma cooperação mais estreita entre a Roménia, a Bulgária e a Turquia.

A resolução aprovada no Parlamento Europeu surge depois de o ministro da Defesa da Bulgária, Dimitar Stoyanov, pedir na passada sexta-feira à NATO caças, sistemas de defesa aérea e sistemas antidrones para combater os ataques contra navios no mar Negro.

Os eurodeputados pedem igualmente que o Black Sea Maritime Security Hub, uma iniciativa de segurança marítima desenvolvida pela Roménia e pela Bulgária com apoio europeu, entre em funcionamento com urgência. O objetivo é reforçar a partilha de informação, melhorar a vigilância e proteger infraestruturas marítimas críticas.

A proteção de cabos submarinos de telecomunicações, eletricidade e transmissão de dados é outra das prioridades identificadas no texto. Para esse efeito, o Parlamento defende uma vigilância marítima mais robusta, maior cooperação regional e mecanismos de resposta rápida.

A Roménia anunciou no sábado ter abatido dois drones russos sobre o mar Negro. A 6 e a 13 de outubro, quatro navios mercantes foram atingidos por drones na zona económica exclusiva da Bulgária no Mar Negro. Dois afundaram-se e 21 marinheiros estão desaparecidos.

Esta terça-feira, a Aliança Atlântica anunciou que vai mobilizar meios adicionais para o Mar Negro, na sequência de uma série de ataques com drones contra navios comerciais.

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McCann Portugal chega ao fim. Nasce a Hora Creative World


A até agora McCann Portugal deu esta quinta-feira origem à Hora Creative World, agência fundada e também liderada por Luís Pereira Santos, CEO da agência desde 2013 e também acionista desde 2016, ano em que concretizou um MBO à agência do então grupo IPG.

A nova identidade recupera as origens da agência, que remontam a 1927, e assinala uma mudança no modelo de negócio, com maior autonomia estratégica, comercial e geográfica, aponta a agência, que mantém os 52 colaboradores.

“A principal mudança está na liberdade de decisão”, explica ao +M Luís Pereira Santos. Enquanto parte de uma rede internacional, a atividade da agência estava condicionada por políticas e orientações globais, tanto ao nível operacional como comercial e geográfico. A independência permite agora definir a própria estratégia, escolher oportunidades de negócio e estabelecer parcerias sem depender de aprovações internacionais, concretiza.

“Podemos responder de forma mais direta às necessidades dos clientes e adaptar a nossa estrutura e oferta à realidade do mercado português”, sublinha o responsável. A mudança não significa começar do zero. “Mantemos a liderança, a equipa de 52 profissionais, o conhecimento acumulado e as relações construídas com os clientes. O que muda é a forma como podemos potenciar tudo isso”, diz.

Hoje, temos liberdade para explorar essas oportunidades, construir novas relações e estabelecer parcerias internacionais.

Luís Pereira Santos

Luís Pereira Santos assegura que a agência parte de uma trajetória de crescimento. “Entre 2016 e 2025, a receita aumentou 94%, e a operação trabalha, em média, com 25 a 30 marcas por ano”, diz. Para os próximos dois a três anos, a prioridade passa por consolidar a posição no mercado português, reforçar as relações com os clientes atuais e conquistar novas marcas e projetos.

Sem avançar objetivos concretos de faturação ou clientes, Luís Pereira Santos aponta para um crescimento sustentado, assente na conquista de projetos e no desenvolvimento de novas oportunidades. “Não queremos, contudo, que a ambição da Hora seja medida exclusivamente pela faturação ou pela dimensão da equipa. O nosso objetivo é crescer com os projetos certos, continuar a atrair talento e produzir trabalho relevante, que contribua para os negócios dos nossos clientes”, afirma. O CEO antecipa ainda novidades a curto prazo: “Acho que isso vai ficar claro com alguns projetos que já temos nas mãos e que sairão nos próximos quatro a cinco meses”.

A independência abre também a possibilidade de abordar diretamente clientes noutros mercados. A agência já desenvolveu projetos para o Brasil, Vietname, Estados Unidos e Espanha, através de clientes portugueses, mas a integração numa rede internacional, aponta, limitava algumas oportunidades geográficas e comerciais.

“Hoje, temos liberdade para explorar essas oportunidades, construir novas relações e estabelecer parcerias internacionais”, explica Luís Pereira Santos. A ambição não passa necessariamente pela abertura de escritórios no exterior, mas por levar a capacidade estratégica e criativa da agência a outros mercados a partir de Portugal, acrescenta.

Uma agência com raízes em 1927

A nova marca recupera o nome de Manuel Martins da Hora, fundador, em 1927, da agência que está na origem da atual operação. Nesse período, Fernando Pessoa trabalhou como copywriter da agência. Em 1977, a empresa foi comprada pela McCann e, 50 anos depois, regressa a um percurso independente, às portas do centenário das suas origens.

É desta combinação entre história e renovação que nasce a assinatura “a mais antiga nova agência de Portugal”. “Não nascemos ontem. A Hora Creative World nasce de tudo aquilo que construímos até aqui: das pessoas, dos clientes, da experiência e de uma história que completa um século”, afirma Luís Pereira Santos no comunicado de apresentação.

A nova identidade é acompanhada por um posicionamento assente no conceito de Timetellers. A ideia parte da importância do momento em que uma marca comunica, além da mensagem e da execução criativa. “Em comunicação, tão importante como aquilo que uma marca diz é perceber quando, como e durante quanto tempo essa mensagem deve estar presente”, explica o CEO na entrevista ao +M.

A agência organiza a oferta em quatro áreas: Branding & Design, Advertising & Digital, Social & Content e Experiences & Events.

A independência representa assim, defende, uma oportunidade para definir um posicionamento próprio e escolher os mercados e áreas em que pretende competir. “Ser independentes dá-nos maior liberdade para escolher onde queremos competir, que oportunidades queremos explorar e que tipo de agência queremos ser. Mas essa liberdade vem acompanhada de responsabilidade”, conclui o CEO.

Quanto a clientes por alinhamento, o fundador da agora Hora diz que já não existiam na McCann Portugal. “A nossa carteira de clientes foi construída e conquistada localmente, pelo que não existe uma percentagem de negócio dependente desses alinhamentos”.

“Este é, aliás, um dos fatores que nos permitiu avançar para a independência com uma base sólida e com confiança no futuro. Mantemos todos os nossos clientes e contratos, bem como as equipas que asseguram diariamente o trabalho com essas marcas”, conclui.

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Porto seco da Guarda entra em operação. Turcos somam segunda infraestrutura


Vista de um barco a sair do Terminal de Contentores do Porto de Leixões, o qual passará a ter uma estrutura avançada na Guarda para ligação entre ferrovia e rodovia. JOSÉ COELHO/LUSAJOSÉ COELHO/LUSA

O porto seco da Guarda vai ser inaugurado esta sexta-feira, num investimento que permitirá ao grupo turco Yilport gerir a segunda infraestrutura do género em Portugal, após a abertura do porto seco de Elvas, em março deste ano.

A estrutura na Guarda ficará próxima da linha férrea da Beira Alta e da autoestrada A25, além da A23, ligação privilegiada aos distritos de Castelo Branco e Santarém, e ainda, para Norte, ao IP2, tornando-se uma posição avançada para os portos marítimos do Centro e Norte. Tal como Elvas, próxima da A6 e do Corredor Internacional Sul (linha férrea ainda por inaugurar) permite acomodar contentores dos portos de Sines e Setúbal, o porto seco beirão ficará apto para receber contentores dos portos de Leixões, Aveiro e Figueira da Foz.

O financiamento da infraestrutura contou com quatro milhões de euros de fundos provenientes do programa Centro 2030, irá consolidar a ligação rodovia/ferrovia numa zona fronteiriça, beneficiando da reconstrução da linha da Beira Alta. Após as obras, esta passou a permitir a circulação de comboios até 750 metros de comprimento.

Reportagem na Guarda - 21MAR25
“A Yilport dá garantias de que vai haver trabalho sério para captação de cargas para o porto seco da Guarda”, diz o autarca Sérgio CostaHugo Amaral/ECO

O porto seco da Guarda, em construção desde maio de 2025, é uma ambição que já vem da década passada, lembra o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, ao ECO/Local Online. “É um processo que se iniciou há dez anos, era eu à data vereador, e já lutava muito por esta necessidade“.

Nesta primeira fase, salienta o edil independente, que vai no seu segundo mandato (após uma presença anterior na autarquia enquanto vereador eleito pelo PSD) a área ronda os quatro hectares, mas o novo Plano Diretor Municipal (PDM), aprovado em julho, já contempla, um quilómetro a Sul, mais 35 hectares para uma segunda fase, área que poderá ser disponibilizada faseadamente. A confiança no projeto é explícita: “A Yilport dá garantias de que vai haver trabalho sério para captação de cargas para o porto seco da Guarda”, diz.

Em jeito de promoção do novo investimento presente no seu território, o autarca destaca que, face aos portos marítimos, “no porto seco da Guarda os camiões não têm de estar tempo imenso como nos portos de mar, as taxas são mais reduzidas e há uma redução dos custos de logística“.

Um mês antes do início dos trabalhos, em abril de 2025, quando ainda se aguardava que o Estado português conseguisse desbloquear os quatro milhões de euros de fundos extra necessários para a construção, Sérgio Costa, autarca da Guarda (reeleito depois em outubro), explicava ao ECO/Local Online a dinâmica desta infraestrutura:

"Funciona exatamente da mesma forma com um porto de mar só que aqui não há navios, há comboios e há camiões. As empresas que dependem do comércio externo, precisam cada vez mais da ferrovia, para poder aumentar os seus negócios e diminuir os custos de contexto. Nos contentores que estejam nos portos de mar à espera, o aluguer ao dia ou à hora é uma brutalidade, e a partir de Guarda esse custo poderá tender para zero. Isto é muito importante, interligando a ferrovia com o porto seco – haverá sempre “last mile” [ligação dos quilómetros finais até ao destino e desde a remessa] de camião, naturalmente, porque a ferrovia não pode ir à porta de cada um.”

O grupo turco Yilport, concessionário do terminal de contentores de Alcântara, em Lisboa, e do porto seco de Elvas, passam a gerir o seu segundo porto seco em Portugal com a inauguração nesta sexta-feira na GuardaAPL - Administração do Porto de Lisboa

Adicionalmente, o autarca eleito numa lista independente notava os problemas causados pelo atraso na inauguração da Linha da Beira Alta, a qual continuou ano e meio à espera da abertura, realizada apenas no final de setembro deste ano.

As obras agora terminadas, da responsabilidade do conselho de administração da APDL – Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, e que deveriam ter ficado concluídas no início deste ano, incluem o reforço do terrapleno para mais de 45 mil contentores e a instalação de estruturas como uma báscula rodoviária e instalação elétrica para contentores frigoríficos. A intervenção implicou ainda a preparação do terminal ferroviário de mercadorias da cidade para acolher as operações de carga. Entre os edifícios construídos está o dos serviços aduaneiros, a cargo da Autoridade Tributária, para alfandegar e desalfandegar contentores de mercadorias e, no futuro, também carga a granel.

Numa conversa nesta quinta-feira, Sérgio Costa adiantou ao ECO/Local Online ter a garantia de lançamento de um concurso por parte da Infraestruturas de Portugal para construção de duas novas variantes, de Sequeira e dos Galegos, para ligação ao porto seco, cujo orçamento ronda os 20 milhões de euros. Estas ligações, que o autarca espera ter em andamento já no próximo ano, permitirão ainda encerrar as passagens de nível que subsistem na cidade nas linhas da Beira Baixa (Guarda-Entroncamento) e da Beira Alta, a qual liga Vilar Formoso à Pampilhosa, com passagem na Guarda, num total de 190 quilómetros totalmente reformulados.

(Notícia atualizada às 19h00 com declarações do autarca Sérgio Costa)

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Munich Re. Thomas Blunck vai liderar resseguro Não Vida na Europa e América Latina


Thomas Blunck vai passar a liderar o negócio de Resseguro do ramo Não Vida da Munich Re na Europa e na América Latina a partir de 1 de novembro, acumulando funções com o cargo de CEO de Resseguro do grupo alemão, avança o jornal Reinsurance News.

Após a saída de Clarisse Kopff do Conselho de Administração, Thomas Blunck vai liderar o negócio de Resseguro Não Vida na Europa e na América Latina.

Esta mudança resulta da saída de Clarisse Kopff do Conselho de Administração, por mútuo acordo, no final de outubro, após quatro anos no órgão de gestão, explicam em comunicado. A resseguradora não vai nomear um substituto, reduzindo a dimensão do Conselho.

Blunck, de 61 anos, integra o Conselho de Administração desde 2005, depois de ter entrado na Munich Re em 1999 para liderar a área de Estratégia e Investigação Económica. Ao longo do percurso na empresa, foi responsável por diferentes áreas de negócio, incluindo Vida e Saúde e Riscos Especiais e Financeiros.

Desde janeiro de 2023, preside ao Comité de Resseguro, que abrange funções como a subscrição corporativa, a gestão de sinistros e as reservas de resseguro.

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Governo disponível para recuar na lei das rendas… “da geringonça”


Em resposta à carta escrita pelo secretário-geral do PS para que o Governo “recue” na revisão da lei do arrendamento que apresentou no Parlamento, o Executivo diz que “faz muito sentido voltar atrás… [na legislação] que causou esta situação e que foi aprovada pela geringonça”.

“A situação que vivemos hoje tem por base — e como contributo também — uma lei do arrendamento castradora, que castiga o arrendamento, a decisão do senhorio colocar a casa no mercado de arrendamento. Devia escrever uma carta a pedir para rever a lei que os próprios aprovaram”, referiu o ministro da Presidência, apontando a legislação em vigor como uma das causas para a atual “compressão” no mercado habitacional.

Dizendo ser “compreensível e legítimas a preocupação das pessoas” com este tema, António Leitão Amaro reclamou que foi o anterior Executivo liderado por António Costa que “prejudicou a oferta com o [programa] Mais Habitação, com o medo incutido aos senhorios e com a ideia do arrendamento forçado”. “Tudo medidas que castigaram a vontade de investir e de fazer mais casas”, completou o governante.

Em conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, que aprovou um decreto-lei que permite a um herdeiro exigir a venda da casa após dois anos, Leitão Amaro disse que “para futuro” espera “sentido de responsabilidade dos partidos para soluções que funcionem e não preservar uma lei que castiga o mercado de arrendamento, tira casas do mercado e deixa casas vazias”. “Essa é a lei da geringonça que está em vigor; precisamos de uma lei que ponha casas no mercado”, insistiu.

Com a proposta do Executivo a entrar na fase do debate na especialidade, o ministro da Presidência reconheceu que ela “pode ser melhorada e consensualizada”, desafiando a oposição a mudar uma lei que está a gerar estes “maus resultados”. E sinalizou que esse entendimento para uma maioria na Assembleia da República pode ser alcançado com o Chega, ao verbalizar que “há mais possibilidade de construir consensos” com aqueles que “percebem que as políticas erradas da esquerda têm de ser abandonadas porque resultaram nisto”.

Por outro lado, reiterou que “há uma relação” entre os problemas da habitação e o aumento da imigração em Portugal, como defendido pelos partidos da direita no hemiciclo. No entanto, salientou que “a culpa não é do imigrante que procura casa, é da irresponsabilidade dos políticos que governaram o país nesse tempo e abriram as portas e permitiram fluxos tão grandes de entrada de pessoas e não cuidaram de aumentar a oferta de habitação e saúde”.

Montenegro desaparecido? “Coordena à hora a ação do Governo”

Luís Montenegro não tem agenda pública há vários dias, o que foi assinalado esta quinta-feira pelo presidente do Chega — “mas onde é que anda o primeiro-ministro? Nós não sabemos do primeiro-ministro há dias” –, criticando o silêncio do chefe do Executivo sobre a crise da habitação e os protestos dos últimos dias, e considerando que pode ser “um rastilho” para o escalar da contestação.

Questionado sobre essa ausência de Montenegro, que inclusive não presidiu à reunião do Conselho de Ministros – foi substituído pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel –, Leitão Amaro respondeu que o primeiro-ministro “está no Norte”, mas que “toda a ação do Governo é coordenada à hora pelo primeiro-ministro, incluindo todos os desenvolvimentos da atualidade ao longo desta semana”.

O ministro da Presidência convidou até os jornalistas a consultarem as redes sociais para ver que esteve esta manhã numa “visita de surpresa” a uma escola do distrito de Aveiro, antecipando que na sexta-feira irá visitar uma empresa. “O primeiro-ministro tem esta característica de várias vezes visitar instituições e estar com grupos de portugueses com uma reserva maior, o que dá às pessoas um maior sentimento de conforto e de liberdade”, justificou.

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