A Saudi Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita, orientou seus funcionários a se retirarem da sede da empresa em Dhahran e a trabalharem remotamente, informaram seis pessoas a par do assunto nesta quinta-feira (22) — um dia após duas pessoas morrerem em um ataque a um aeroporto nas proximidades.
Essa medida marca a primeira vez que a Aramco solicita a retirada de sua sede desde o início do conflito envolvendo o Irã.
A Aramco não respondeu prontamente a um pedido de comentário.
O grupo Houthi, do Iêmen — alinhado ao Irã —, causou danos extensos à sede da empresa no início deste mês ao atingir o edifício, provocando um incêndio que se espalhou por vários andares, relataram à agência de notícias Reuters três pessoas com conhecimento direto da situação.
O local abriga um centro de operações que auxilia a maior empresa de petróleo do mundo a supervisionar plataformas de petróleo (em terra e no mar), refinarias, terminais de exportação e milhares de quilômetros de oleodutos e gasodutos.
Não ficou claro qual foi o motivo específico da retirada.
Duas pessoas morreram e oito ficaram feridas em um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam — polo petrolífero na região leste da Arábia Saudita —, na noite de quarta-feira (21), informou a Autoridade Geral de Aviação Civil do país nesta quinta-feira.
Em um episódio separado, duas pessoas morreram na quarta-feira após as defesas aéreas sauditas interceptarem um drone que tentava atingir uma instalação no campo petrolífero de Shaybah, pertencente à Aramco e localizado a centenas de quilômetros a sudeste, informou o Ministério de Energia.
A Arábia Saudita tem respondido aos ataques dos Houthis com uma série de investidas contra locais de lançamento de mísseis, reafirmando seu compromisso de proteger o reino; o país afirma, ainda, ter interceptado diversos mísseis balísticos disparados pelo grupo.
O reino tem buscado um apoio mais amplo de seus aliados para a campanha contra os Houthis, visando conter os ataques com mísseis e drones realizados pelo grupo.
Washington — principal aliado da Arábia Saudita e, há muito tempo, garantidor de sua segurança — tem, até o momento, resistido aos esforços sauditas para envolver os Estados Unidos diretamente na guerra contra os Houthis.
O Departamento de Estado dos EUA determinou que alguns diplomatas e seus familiares deixassem as missões diplomáticas no país, além de planejar a retirada de familiares de funcionários lotados em outras missões americanas na região, informaram autoridades dos EUA à agência de notícias Reuters na quarta-feira.
Washington havia levado de volta parte de seu pessoal diplomático à região nos últimos meses, após a retirada de muitos deles quando Teerã lançou ataques contra instalações dos EUA — episódios ocorridos depois do início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, no final de fevereiro.
Kirill Dmitriev, enviado do presidente russo Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (22), durante um fórum econômico em Istambul, que os gasodutos submarinos Nord Stream — danificados por explosões em 2022 — retomarão suas operações no futuro.
“É economicamente inevitável”, disse ele.
“A retomada do fornecimento de energia a partir da Rússia é absolutamente inevitável”, acrescentou a autoridade.
Rússia aceita retomar negociações de paz com Ucrânia em novembro
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o Kremlin está disposto a retomar as negociações de paz trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia após meados de novembro, a pedido do enviado especial americano Steve Witkoff, que se reuniu com Putin por cerca de três horas na quarta-feira (21).
O encontro, realizado em São Petersburgo, ocorreu após a reunião “produtiva” de Witkoff na terça-feira (20) com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Noruega. Os Estados Unidos buscam avançar propostas para encerrar a guerra.
Putin afirmou que estaria disposto a retomar as negociações trilaterais após 10 de novembro, segundo um relato divulgado após a reunião por seu assessor, Yury Ushakov. O assessor disse que o Kremlin gostaria de discutir a criação de uma “estrutura de segurança” para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito, sem dar mais detalhes sobre as exigências russas para esse mecanismo.
A próxima rodada de negociações trilaterais poderá ocorrer em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, afirmou Ushakov em resposta a uma pergunta do canal estatal russo Russia 24.
Zelensky disse na quarta-feira que gostaria que o encontro ocorresse “no máximo até o início de novembro”.
“A Rússia disse muitas vezes que estava pronta para uma reunião, mas depois as coisas mudaram e ela foi cancelada”, acrescentou Zelensky. “Vamos ver o que acontece desta vez.”
Um comunicado de uma autoridade americana confirmou que a reunião ocorreu e afirmou que o objetivo era avançar os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Witkoff descreveu os encontros com Putin e Zelensky como “construtivos” em uma publicação na rede social X após a reunião de quarta-feira e afirmou que as discussões continuariam nas negociações trilaterais.
“Embora ainda haja trabalho importante a ser feito, o presidente Trump continua comprometido em ver esta guerra terminar e alcançar uma paz abrangente e duradoura”, escreveu.
Os enviados americanos Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, propuseram uma reunião trilateral que foi “aceita pelos ucranianos em Oslo ontem e pelos russos em São Petersburgo hoje”, segundo o comunicado.
Apesar das declarações positivas sobre possíveis negociações futuras, até o momento não há sinais de que a Rússia tenha recuado de suas posições maximalistas.
As exigências anteriores da Rússia equivalem a uma vitória quase total: Moscou pede que a Ucrânia ceda toda a região de Donbas, no leste do país, atualmente sob ocupação russa em sua maior parte. O governo russo também exigiu que a Ucrânia reduza drasticamente o tamanho de suas Forças Armadas e se comprometa a nunca ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Durante as conversas mais recentes, Putin demonstrou interesse na retomada da cooperação econômica com os Estados Unidos e na possibilidade de um encontro com a China para discutir a Ucrânia. Isso ocorre após medidas recentes do governo Trump para suspender sanções contra a Rússia e fechar um acordo sobre exportações de diesel.
Em declarações à imprensa após a reunião, o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev afirmou que não havia “dúvida” de que a cooperação econômica entre Estados Unidos e Rússia continuaria. Ele acrescentou que um acordo sobre diesel anunciado recentemente entre os dois países seria mantido, apesar das críticas europeias.
Um dos principais resultados do encontro foi o anúncio de Witkoff de que a Rússia libertou o cidadão americano Stephen Hubbard, de 74 anos, que estava detido no país havia mais de quatro anos.
Em declarações amplamente criticadas, Witkoff elogiou Putin como um “humanitário” por conceder o perdão a Hubbard. Um vídeo obtido pela CNN após a reunião mostrou o cidadão americano libertado conversando com Witkoff no aeroporto de São Petersburgo.
Em imagens do início da reunião de três horas, Witkoff afirmou: “Acho que há algum grau de impulso, e espero que o encontro de hoje possa representar mais um passo à frente no processo de paz”.
Putin, Witkoff e tradutores se sentaram ao redor de uma grande mesa redonda e discutiram uma ampla variedade de questões, incluindo a disposição da Rússia para ajudar a resolver a guerra no Irã, possíveis exportações russas de fertilizantes para os Estados Unidos e a libertação de Hubbard. A reunião prosseguiu a portas fechadas, e Kushner, que também participa das negociações de paz, acompanhou o encontro remotamente porque está gripado.
Os Estados Unidos e a Ucrânia fizeram “progressos significativos” nas conversas realizadas na Noruega na terça-feira, afirmou anteriormente uma autoridade americana à CNN. A Ucrânia “apresentou novas ideias e propostas, que foram discutidas em detalhes”, e os dois lados agora estão em “forte alinhamento” sobre os próximos passos, disse a autoridade.
“As discussões abrangeram elementos fundamentais de uma estrutura abrangente de paz, incluindo garantias de segurança de longo prazo para a Ucrânia, um plano econômico e de prosperidade para o pós-guerra e uma arquitetura de segurança europeia mais ampla, concebida para criar estabilidade duradoura”, afirmou a autoridade americana.
No entanto, o assessor do Kremlin Yury Ushakov minimizou essas discussões na quarta-feira. Segundo ele, embora Witkoff tenha apresentado a Putin “certas novas abordagens e mudanças nas posições adotadas pelos europeus e por Kiev”, na realidade, elas continham pouco de valor concreto para resolver a crise ucraniana.
A Ucrânia e seus aliados reiteraram as principais linhas vermelhas estabelecidas por Kiev para qualquer negociação de paz, incluindo a necessidade de garantias de segurança futuras — para assegurar que a Rússia não volte a invadir o país — e a rejeição a quaisquer exigências de cessão de territórios que a Ucrânia controla.
Zelensky reiterou uma posição defendida há tempos: a Ucrânia aceitaria um acordo de cessar-fogo que congelasse as posições ao longo da atual linha de frente — o que significaria manter apenas cerca de 75% do território ucraniano — e, em seguida, pediria garantias de segurança efetivas aos aliados.
Zelensky também afirmou que a Ucrânia quer negociações trilaterais envolvendo Trump, Putin e ele próprio, mas disse que o processo seria “melhor com os europeus”.
O Kremlin já havia rejeitado a ideia de negociações trilaterais, com exceção de um convite anterior para que Zelensky fosse a Moscou — uma possibilidade considerada inviável pelos demais lados.
Enquanto isso, na Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, adotou um tom menos otimista na terça-feira. Ele afirmou que Moscou avaliará o que Witkoff apresentar, mas não fará “concessões políticas”. Lavrov disse que Moscou “não espera um milagre” e que Washington continuará sendo, na melhor das hipóteses, um rival da Rússia, segundo a agência estatal russa TASS.
Uma autoridade europeia em Oslo disse à CNN: “Acho que os planos — ou a falta deles — não são um problema tão grande quanto fazer a Rússia levar qualquer plano a sério”.
A tempestade subtropical Josephine está começando a se afastar, ganhando velocidade, da costa leste, onde continua a causar transtornos ao longo do litoral dos Estados Unidos.
A tempestade encontra-se a cerca de 313 quilômetros a sudeste da ilha de Nantucket, em Massachusetts, e, na manhã desta quinta-feira (22), apresentava ventos sustentados de aproximadamente 104 quilômetros por hora, segundo o Centro Nacional de Furacões.
Espera-se um certo fortalecimento ao longo do próximo dia, aproximadamente; a Josephine poderá atingir uma intensidade equivalente à de um furacão de categoria 1 até o final desta quinta-feira (22), à medida que se afasta ainda mais em direção ao mar e se transforma em uma tempestade pós-tropical.
Tempestades subtropicais compartilham algumas características com sistemas tropicais, como os furacões — incluindo a obtenção de energia a partir de águas oceânicas quentes —, mas também apresentam traços de tempestades não tropicais.
Josephine perderá suas características tropicais assim que se tornar um sistema pós-tropical, mas essa distinção faz pouca diferença no que diz respeito aos impactos.
Essas tempestades podem provocar ventos fortes, chuvas intensas e inundações costeiras.
Felizmente, a maior parte dos ventos e das chuvas de Josephine permanecerá sobre o Atlântico aberto.
Condições de ventos moderados a fortes continuarão a afetar partes da Costa Leste até quinta-feira, especialmente Cape Cod, em Massachusetts.
Inundações costeiras também são possíveis durante a maré alta, da região do Meio-Atlântico até Cape Cod, até sexta-feira (23).
Como a maior parte da chuva deve ficar sobre o oceano, espera-se que grande parte da Costa Leste permaneça seca até o final da semana e durante o fim de semana.
Josephine é a 10ª tempestade nomeada da temporada de furacões de 2026 no Atlântico, que segue com um ritmo bem abaixo do esperado.
Normalmente, a 10ª tempestade nomeada forma-se no final de setembro; no entanto, um forte fenômeno El Niño tem contribuído para inibir a atividade de tempestades no Atlântico nesta temporada.
Pelo menos quatro pessoas morreram em decorrência de tempestades e inundações no sul da França, informaram as autoridades na noite de quarta-feira (21), enquanto as regiões do oeste se preparavam para a chegada de outra tempestade, vinda da Irlanda.
Dezenas de pessoas foram levadas para abrigos de emergência em Mouries e Saint-Martin-de-Crau — duas pequenas cidades situadas entre Montpellier e Marselha — e pelo menos uma pessoa ficou ferida, relataram as autoridades.
Estradas e linhas ferroviárias na região foram afetadas, escreveu o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, em uma publicação na rede social X.
Meteorologistas indicaram que as condições climáticas no sul devem se estabilizar.
No entanto, a agência meteorológica Météo-France informou que a tempestade Austen deve trazer ventos fortes ao noroeste do país, entre o final desta quinta-feira (22) e a sexta-feira (23).
Um tubarão, que as autoridades sul-coreanas passaram horas tentando conduzir de volta ao mar aberto, retornou a um canal na cidade portuária de Busan, informou o Ministério dos Oceanos nesta quinta-feira (22), escapando de uma rede que deveria impedir seu retorno.
O animal, de 3 metros de comprimento e apelidado de “Bukangi” — nome derivado da designação coreana para o Porto Norte de Busan —, tornou-se um fenômeno viral desde que foi avistado no canal no final do mês passado, atraindo 1,6 milhão de visitantes, segundo a Corporação de Infraestrutura da cidade.
A espécie chegou a se tornar embaixador “honorário” da cidade.
Até o momento, as autoridades realizaram três tentativas de levá-lo de volta ao mar aberto, utilizando plataformas flutuantes, redes e mergulhadores.
Na quarta-feira (21), após um mês no canal, Bukangi foi conduzido com sucesso de volta ao mar aberto, segundo o Ministério dos Oceanos.
No entanto, nesta quinta-feira, o ministério informou que o tubarão nadou por baixo de uma das redes instaladas no canal e retornou à via navegável.
Bukangi encontra-se agora preso entre a rede externa e uma rede interna, instalada de 30 a 40 metros mais adiante no canal.
As autoridades abriram a rede externa e reforçaram as barreiras para impedir que o tubarão recuasse ainda mais, na esperança de que ele seguisse em direção ao mar aberto, explicaram.
Especialistas afirmaram que não são necessárias novas tentativas para conduzir Bukangi ao mar aberto, uma vez que o estado do animal é estável.
As autoridades continuarão monitorando sua condição, acrescentou o ministério.
O Instituto Nacional de Ciência da Pesca da Coreia do Sul identificou Bukangi como um exemplar fêmea de tubarão-escuro.
A permanência prolongada do tubarão gerou preocupações ambientais; especialistas apontam o aumento da temperatura dos oceanos como a causa da maior frequência de avistamentos de tubarões ao longo da costa leste da Coreia do Sul.
O tubarão-escuro é classificado como uma espécie ameaçada de extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
A Nigéria registrou nesta terça-feira (21) seu primeiro caso de Ebola em mais de uma década, tornando-se o quarto país africano, e o mais populoso até o momento, a ser atingido por um surto que possui a propagação mais rápida já documentada, segundo autoridades de saúde.
A cepa do vírus Ebola responsável por este surto mata cerca de metade dos infectados e não possui tratamento ou vacina aprovados.
Autoridades de saúde temem que a desinformação e a falta de recursos financeiros possam impulsionar uma propagação ainda maior, tanto dentro da região quanto além de suas fronteiras.
“O Ebola agora afeta três regiões da África. A situação exige uma ação urgente e liderança política no mais alto nível”, afirmou Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, na rede social X, nesta quarta-feira (21).
Ebola is now affecting three regions of Africa. The situation demands urgent action and political leadership at the highest level. I have invited African Ministers of Health to an extraordinary virtual meeting on 28 October to strengthen our collective response. Five months of intense efforts have shown the determination of our countries and health workers. We must now accelerate our actions, reinforce coordination and mobilise the full strength of our continent. Africa has the expertise, the institutions and the capacity to defeat this outbreak. We must act together, and we must act now. Our priority is to stop transmission and save lives. Read more: https://t.co/aO9dtJ9uBI —————- Ebola touche désormais trois régions d’Afrique. La situation exige une action urgente et un engagement politique au plus haut niveau. J’ai convié les ministres africains de la Santé à une réunion virtuelle extraordinaire le 28 octobre pour renforcer notre riposte collective. Cinq mois d’efforts intenses témoignent de la détermination de nos pays et de nos professionnels de santé. Nous devons aujourd’hui accélérer notre action, renforcer la coordination et mobiliser toutes les forces de notre continent. L’Afrique dispose de l’expertise, des institutions et des capacités nécessaires pour vaincre cette épidémie. Nous devons agir ensemble, et agir maintenant. Notre priorité est de stopper la transmission et de sauver des vies. Lire le communiqué : https://t.co/Yf1EhyOpMA
O caso na Nigéria envolve uma mulher ugandense que chegou a Abuja, a capital do país, vinda de Adis Abeba, no dia 5 de outubro, informou Odianosen Ehiakhamen, do Centro de Controle de Doenças da Nigéria, à emissora Arise TV, na terça-feira (20).
Dois dias após sua chegada, ela começou a se sentir mal e, em 11 de outubro, buscou atendimento em um hospital particular em Abuja apresentando sintomas semelhantes aos da malária.
Contudo, seu quadro clínico não apresentou melhora, relatou Ehiakhamen.
Ao tomarem conhecimento de que ela havia viajado recentemente para Uganda — um dos países afetados pelo surto atual —, as autoridades de saúde realizaram um teste para Ebola no dia 19 de outubro.
O resultado positivo foi confirmado na terça-feira. As autoridades identificaram 44 pessoas que tiveram contato com ela, a maioria profissionais de saúde.
Entre elas está o marido da paciente, um cidadão suíço que reside com ela em Abuja.
As autoridades também estão rastreando os passageiros que viajaram com ela, embora não acreditem que ela apresentasse sintomas durante o voo.
O ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate, declarou à emissora pública NTA que a mulher encontra-se isolada e recebendo tratamento.
Uganda diz que não tem casos ativos de Ebola
O Ministério da Saúde de Uganda informou que a mulher havia viajado para o Congo, onde mais de 9.500 casos de Ebola foram registrados em oito províncias.
Não ficou claro de imediato em quais locais do Congo ela esteve.
“O fato de ter passado por Uganda não significa que a infecção tenha ocorrido aqui”, afirmou o Ministério da Saúde de Uganda, acrescentando que o país não apresenta casos ativos de Ebola.
Uganda registrou 20 casos em maio e junho, a maioria importada do Congo, mas a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre de Ebola em agosto.
Desde então, o país registrou nove casos, todos relacionados ao mesmo paciente. levantando questões sobre a eficácia dos sistemas de triagem nas fronteiras, projetados para evitar a transmissão transfronteiriça.
A propagação do Ebola para o Quênia levantou questões sobre a eficácia dos sistemas de triagem nas fronteiras, projetados para evitar a transmissão entre países.
Pate, ministro da Saúde da Nigéria, afirmou que o país conseguiu conter o Ebola com sucesso em 2014, durante a epidemia na África Ocidental — o maior surto já registrado.
Ele ressaltou que a Nigéria dispõe dos sistemas necessários para responder a este novo caso.
Um drone russo atingiu um prédio residencial em Kiev nesta quarta-feira (21), matando dois moradores, informou o prefeito Vitali Klitschko.
Há semanas, a Rússia vem atacando intensamente Kiev e sua região metropolitana com drones a jato; a Ucrânia tem tido dificuldade para interceptar esses armamentos mais velozes, que podem atingir velocidades de até 600 km/h.
Com a guerra em larga escala já entrando em seu quinto ano, Kiev espera que a Rússia intensifique ainda mais os ataques com drones a jato e mísseis durante este inverno.
EUA e Ucrânia fazem “progresso significativo” em conversas, diz autoridade
Os EUA e a Ucrânia alcançaram um “progresso significativo” nas conversas realizadas na terça-feira (20) entre o presidente Volodymyr Zelensky e Steve Witkoff, enviado do presidente Donald Trump para assuntos externos, informou uma autoridade americana.
Durante o encontro na Noruega, a Ucrânia “apresentou novas ideias e propostas, que foram discutidas em detalhes”, e ambos os lados encontram-se agora em “forte alinhamento, em nível de trabalho”, quanto aos próximos passos a serem seguidos.
“As equipes estão trabalhando muito bem juntas, com um compromisso compartilhado de encontrar soluções práticas para encerrar a guerra”, afirmou a autoridade — um tom notavelmente positivo, considerando o recente desgaste na relação pública entre Trump e Zelensky.
“As discussões abordaram elementos-chave de uma estrutura de paz abrangente, incluindo garantias de segurança de longo prazo para a Ucrânia, um plano de prosperidade e desenvolvimento econômico para o pós-guerra, e uma arquitetura de segurança europeia mais ampla, voltada para criar uma estabilidade duradoura”, disse a autoridade.
Witkoff seguirá agora para a Rússia, onde se reunirá com o líder Vladimir Putin. Jared Kushner, genro de Trump — que também tem participado dos esforços de paz —, está com gripe e participará remotamente.
“O objetivo é consolidar o progresso alcançado com a Ucrânia e a Europa, discutir as propostas com a Rússia e abrir caminho para negociações diretas, tanto em formato trilateral quanto em um contexto multilateral mais amplo”, concluiu a autoridade.
Um motorista provocou momentos de pânico ao realizar manobras perigosas com um SUV em meio à multidão durante as festividades de Durga Puja, na noite desta terça-feira (20), em Salempur, na Índia.
O vídeo mostra o veículo circulando de forma imprudente entre os participantes da celebração, obrigando famílias e crianças a correr para escapar.
Veja o vídeo:
A movimentação provocou uma correria generalizada, e várias pessoas sofreram ferimentos leves enquanto tentavam se afastar do veículo.
O episódio aconteceu em uma área de festividades que estava movimentada no momento da ocorrência.
Segundo as informações divulgadas, as autoridades registraram uma ocorrência contra o proprietário do SUV e iniciaram buscas para localizar o motorista.
A polícia investiga o caso e informou que pretende adotar as medidas legais cabíveis.
A Rússia enviará seu primeiro navio-tanque com diesel para os Estados Unidos na quinta-feira (22), informou o vice-primeiro-ministro Alexander Novak — segundo o veículo de notícias Vedomosti —, após um acordo firmado com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Pequim suspendeu, em 9 de outubro, a proibição que ela mesma havia imposto às exportações de diesel — medida adotada para enfrentar a escassez interna provocada por ataques de drones ucranianos a refinarias — após chegar a um acordo com Trump para fornecer diesel aos mercados globais.
Novak afirmou nesta quarta-feira (21) que a embarcação transportará 40 mil toneladas métricas do combustível, acrescentando que os trâmites burocráticos para o fornecimento estão quase concluídos, segundo relatos da imprensa.
Ele não especificou de qual porto a carga partirá.
“Outros carregamentos virão, naturalmente. Foram firmados acordos entre os dois líderes. Atenderemos às necessidades dos Estados Unidos, na medida de nossas possibilidades”, disse Novak, conforme citado pela agência de notícias RIA.
Trump declarou que a Rússia exportaria, de imediato, 300 mil toneladas métricas — o equivalente a 2,25 milhões de barris —, seguidas por 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas “logo na sequência”.
Os Estados Unidos exportam cerca de 1,5 milhão de barris de diesel por dia.
O acordo de exportação de diesel entre a Rússia e os EUA provocou uma deterioração acentuada nas relações entre os Estados Unidos e a Ucrânia.
Durante as conversas em São Petersburgo, Witkoff agradeceu a Putin pela suspensão das restrições à exportação.
Putin também mencionou o acordo, observando que os preços globais do diesel caíram entre 5% e 6% após a sua formalização.
“Este é um exemplo de nossa cooperação; quero agradecer por isso”, disse Witkoff em declarações transmitidas pela televisão.
Putin afirmou ainda que os primeiros navios-tanque russos carregados com diesel partirão dentro de dois a três dias.
“Estamos preparando o envio de várias embarcações — navios-tanque — neste momento. Eles partirão um após o outro. A questão financeira deve ser devidamente encaminhada”, disse ele, acrescentando que a Rússia também teria condições de fornecer fertilizantes em “grandes quantidades” ao mercado norte-americano.
Stephen Hubbard, um professor aposentado dos Estados Unidos, de 74 anos, que estava sob custódia russa desde 2022, foi libertado da prisão nesta quarta-feira (21) e levado ao aeroporto de Pulkovo, em São Petersburgo, informou o presidente Vladimir Putin.
O líder do Kremlin fez o anúncio durante uma reunião com o enviado americano Steve Witkoff, em São Petersburgo, sem fornecer mais detalhes.
“O presidente agradece, toda a nossa nação agradece, por causa de Stephen Hubbard”, disse Witkoff a Putin, em um encontro transmitido pela televisão. “Graças ao senhor, ele está voltando para casa, para sua família.”
Martin De Luca, advogado de Hubbard nos EUA, agradeceu ao presidente Donald Trump, a Witkoff e a outras autoridades americanas por garantirem a libertação de Hubbard.
Em um comunicado, ele descreveu o fato como “um dividendo conquistado ao longo do árduo caminho para a paz”.
Trump confirmou a libertação em uma publicação na rede social Truth Social, afirmando que os EUA não precisaram oferecer nada em troca.
Hubbard, natural de Michigan, cumpria uma pena de seis anos e 10 meses de prisão na Rússia, após ter sido condenado por atividades mercenárias em um julgamento realizado a portas fechadas.
Ele foi detido em abril de 2022 na cidade de Izyum, no leste da Ucrânia, onde, segundo a promotoria russa, ele teria atuado em um posto de controle militar ucraniano.
Os promotores alegaram que Hubbard havia se juntado a uma unidade de defesa territorial ucraniana, recebido treinamento, armas e munição, e que lhe teria sido prometido um pagamento de mil dólares por mês (cerca de cinco mil reais).
A mídia estatal russa informou que ele se declarou culpado das acusações.
No entanto, Martin De Luca, advogado de Hubbard nos EUA, havia dito anteriormente à agência de notícias Reuters que Hubbard afirmou que as acusações eram falsas e que ele não integrava nenhuma unidade de combate ou militar.
Em uma entrevista à Reuters em 2024, a irmã de Hubbard, Patricia Fox Hubbard, também contestou a ideia de que seu irmão teria pegado em armas por qualquer governo, descrevendo-o como alguém “totalmente alheio a questões militares” e ressaltando sua idade avançada.
Até quarta-feira, Hubbard era o único prisioneiro americano mantido pela Rússia que havia sido classificado por Washington como “detido injustamente”.
No ano passado, o governo Trump conseguiu a libertação de outro americano que estava preso na Rússia: o professor Marc Fogel, que cumpria uma pena de 14 anos de prisão por tráfico de drogas.
O Irã está pronto para a diplomacia, mas se defenderá, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em um artigo publicado no Financial Times nesta quarta-feira (21).
“Embora o Irã esteja firmemente empenhado em buscar uma solução pacífica e digna para o conflito, também estamos totalmente preparados para nos defender”, escreveu ele.
O ministro afirmou que a Casa Branca não demonstrou disposição para chegar a um entendimento e que há poucos motivos para esperar qualquer progresso no momento.
Irã não negociará com EUA até cumprimento de exigências, diz mídia
O Irã informou ao comandante do Exército do Paquistão nesta terça-feira (20) que não haverá negociações com os Estados Unidos até que suas exigências sejam atendidas, segundo a mídia iraniana, ressaltando o endurecimento de sua postura, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, o principal interlocutor.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discutiu os esforços de mediação e os desdobramentos regionais com o marechal de campo Asim Munir em Teerã, de acordo com a Nournews.
O Paquistão é um mediador fundamental entre os EUA e o Irã. Seus esforços anteriores com ambas as partes resultaram em um acordo de paz provisório assinado em junho, mas o chamado Memorando de Islamabad rapidamente fracassou, em meio a novos confrontos semanas depois.
Munir também se reuniu com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf.
O representante iraniano afirmou que os EUA não poderão conquistar a confiança do regime iraniano até que cumpra as sete condições apresentadas pelo Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz no mês passado, de acordo com um comunicado iraniano sobre a reunião.
As condições do Irã incluem, entre outras exigências, o fim do bloqueio americano aos seus portos, o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais.
O chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, transmitiu uma mensagem semelhante durante uma reunião separada com Munir, afirmando que não haverá negociações até que as exigências sejam atendidas, segundo a mídia iraniana.
Rezaei também afirmou que todos os materiais nucleares enriquecidos permaneceriam no Irã, reiterando a posição do líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, de que o urânio quase apto para uso militar não deveria ser enviado para o exterior.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou neste mês que o Irã deve fazer uma redução “significativa” em sua capacidade de enriquecimento de urânio para satisfazer as exigências americanas e pôr fim à guerra entre os dois países, que já dura oito meses.
Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais há muito acusam o Irã de buscar armas nucleares, apontando, entre outras coisas, para sua iniciativa de enriquecer urânio a 60%, um nível muito superior ao necessário para usos civis e mais próximo dos 90% exigidos para a fabricação de armas.
O Irã nega estar buscando desenvolver armas nucleares.
Milhares de estudantes na Grécia foram às ruas de Atenas nesta quarta-feira (21), acompanhados por professores, para exigir melhores condições na educação e somar suas vozes aos protestos que ocorrem por toda a Europa.
Os alunos reuniram-se em frente à Universidade de Atenas, no centro da capital, e marcharam até o prédio do Parlamento, nas proximidades.
Cerca de 3 mil policiais foram mobilizados para acompanhar o protesto, enquanto estações de metrô ao longo do trajeto permaneceram fechadas.
Estudantes universitários reivindicam mais auxílio governamental e moradia estudantil gratuita para enfrentar o aumento do custo de vida — que inclui aluguéis e gastos com material acadêmico —, ao passo que alunos do ensino médio pedem mais verbas para melhorar as condições nas escolas.
Professores, que também participaram dos atos, cobraram melhores salários.
A mobilização na Grécia ocorre na esteira de protestos em outros países europeus, como França, Albânia e Itália.
Na França, semanas de manifestações contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos tornaram-se violentas no fim de semana, com episódios de saques e vandalismo.
Após protestos, França promete presença policial “massiva” no fim de semana
As autoridades francesas prometeram uma presença policial “massiva” para os protestos planejados para sábado (24) e impuseram toques de recolher localizados pelo segundo dia consecutivo, enquanto o país lida com as consequências dos piores distúrbios vistos em anos.
As medidas ocorrem após protestos relacionados à educação e ao custo de vida terem se transformado, no fim de semana, em uma onda de violência letal por todo o país — cenário que desencadeou uma troca de acusações no campo político interno e ameaça se espalhar para países vizinhos na Europa.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que os “toques de recolher pontuais” ajudaram a manter a calma durante a noite de segunda (19) para terça-feira (20). Ele admitiu que os serviços de inteligência falharam ao identificar a gravidade da situação e reconheceu que as estratégias de segurança adotadas anteriormente eram estáticas demais.
A polícia de Paris anunciou um toque de recolher noturno, a partir das 23h de terça-feira, nas áreas mais afetadas — nos arredores da Place de la République e de Les Halles. Outras cidades, incluindo Bordeaux e Lille, também vão adotar a medida.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou aos parlamentares na Assembleia Nacional que lamenta profundamente a violência ocorrida no fim de semana e assumiu parte da responsabilidade, ao mesmo tempo em que apontou o papel de opositores políticos e dos envolvidos nos atos de destruição.
A UNEF, principal sindicato estudantil da França, convocou novos protestos para sábado e afirmou que o movimento não cessará até que suas reivindicações sejam atendidas. A CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, informou que participará das manifestações, defendendo que elas sejam pacíficas.
Os toques de recolher foram implementados após a prisão de mais de 2 mil pessoas no último fim de semana. O saldo inclui pelo menos duas mortes e relatos de ferimentos graves — incluindo duas pessoas que perderam as mãos.
A polícia utilizou gás lacrimogêneo contra as multidões e entrou em confronto com manifestantes encapuzados e vestidos de preto, que atearam fogo a diversos locais e invadiram milhares de lojas e prédios públicos.
O governo do Reino Unido aprovou o desenvolvimento de um novo e importante campo de gás no Mar do Norte, chamado de Jackdaw, que poderá iniciar a produção ainda este mês, em um momento em que a guerra no Oriente Médio intensifica as preocupações globais com a segurança energética.
A decisão, alvo de duras críticas por parte de grupos ambientalistas, ocorre três meses após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificar as reservas de petróleo e gás do Reino Unido no Mar do Norte como “inestimáveis” e manifestar apoio a eventuais planos que permitissem a exploração na região.
Manifestantes se reuniram em Londres contra o início dos trabalhos de Jackdow nesta quarta-feira (21).
Manifestantes se reúnem em Londres contra o campo de gás de Jackdaw. • REUTERS
O anúncio coincide com a divulgação, nesta quarta-feira (21), de um novo relatório da ONU sobre o clima, o qual aponta que o planeta ultrapassará, inevitavelmente, a meta de aquecimento de 1,5 grau celsius estabelecida pelo Acordo de Paris nos próximos anos — um dado que evidencia os efeitos cada vez mais acentuados das mudanças climáticas.
O governo britânico afirmou que a decisão de autorizar o campo de gás Jackdaw — situado a cerca de 241 quilômetros a leste de Aberdeen, na Escócia — está alinhada ao seu compromisso legal de reduzir as emissões de carbono e alcançar a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa até meados desta década.
“Espera-se que a decisão sobre o projeto Jackdaw aumente a produção nacional de gás em cerca de 6% no seu auge — reforçando o suprimento de gás do Reino Unido ao longo de sua vida útil, que pode chegar a 11 anos, fortalecendo nossa segurança energética, protegendo centenas de empregos e acrescentando cerca de £ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 19,5 bilhões) a economia britânica”, informou o governo em um comunicado nesta quarta-feira (21).
O campo de gás Jackdaw “começará a fornecer gás para residências e empresas britânicas já a partir do final deste mês”, acrescentou o comunicado.
No pico de produção, o Jackdaw poderá produzir gás suficiente para aquecer o equivalente a cerca de 1,4 milhão de residências no Reino Unido, segundo a Adura — a joint venture entre a Shell e a Equinor responsável pelo desenvolvimento do projeto.
O governo também anunciou a criação de um novo Fundo de Riqueza Energética (Energy Wealth Fund), que, segundo o comunicado, utilizará receitas fiscais provenientes do petróleo e gás do Mar do Norte para investir em projetos de energia renovável e de baixo carbono.
O fundo começará com um aporte inicial de 2 bilhões de libras esterlinas (13 bilhões de reais).
Jackdaw terá impacto limitado nas contas de energia
O governo britânico tem enfrentado críticas, por parte de alguns setores, de que suas políticas climáticas prejudicaram a indústria e a segurança energética.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou nesta quarta-feira (21) que o governo adotou uma abordagem “pragmática” em relação ao Mar do Norte.
“Em um momento em que as pessoas estão passando por grandes dificuldades, é correto que busquemos, de forma responsável, maximizar as reservas de energia existentes no Reino Unido que poderiam ajudar”, acrescentou ele.
Na realidade, contudo, é improvável que um aumento na produção de petróleo e gás no Mar do Norte contribua de forma significativa para ampliar a oferta de energia ou reduzir os preços.
“O projeto Jackdaw reduziria a dependência de importações e melhoraria a resiliência do abastecimento, mas apenas até certo ponto”, afirmou Sam Street, diretor da consultoria Frontier Economics e coautor de dois relatórios recentes sobre a produção de petróleo e gás no Mar do Norte. “O Reino Unido continuaria dependendo de importações, inclusive da Europa.”
Um aumento na produção interna também teria pouco impacto na redução das contas de energia. “Os preços do gás no Reino Unido estão fortemente atrelados aos preços europeus, que, por sua vez, são influenciados pelo custo (global) do gás natural liquefeito”, disse Street à CNN.
“Aumentar a produção interna de gás não cria uma fonte adicional de energia barata para os consumidores do Reino Unido”, acrescentou ele. “Os produtores nacionais não têm motivo para vender a preços substancialmente inferiores aos que poderiam obter nos mercados europeus.”
Impulso a empregos e à arrecadação de impostos
Pelo lado positivo, o projeto Jackdaw deve gerar receitas fiscais adicionais para o governo e também pode impulsionar a atividade econômica e o emprego na cadeia de suprimentos de petróleo e gás, segundo Street.
Dois importantes sindicatos do Reino Unido, o GMB e o Unite — que vinham pressionando o governo a dar prosseguimento às perfurações no Mar do Norte —, manifestaram apoio à decisão em comunicados separados, divulgados nesta quarta-feira (21).
“O governo de Andy Burnham merece verdadeiro reconhecimento por fazer a coisa certa pelo nosso país”, afirmou Gary Smith, secretário-geral do sindicato GMB, mencionando a segurança energética.
Sharon Graham, secretária-geral do sindicato Unite, disse que a decisão abrirá espaço para garantir novos empregos aos trabalhadores do Mar do Norte. “Embora, naturalmente, apoiemos a meta de emissões líquidas zero, não podemos permitir uma transição que resulte em desemprego”, acrescentou.
Campo de petróleo de Rosebank é o próximo
O governo do Reino Unido precisará agora decidir se aprova o campo de petróleo de Rosebank, situado ao largo da costa das ilhas Shetland, na Escócia, que possui reservas estimadas em cerca de 300 milhões de barris de petróleo.
O argumento a favor da aprovação é “igualmente sólido”, segundo Neil McCulloch, CEO da Adura.
No entanto, Jess Ralston, analista sênior de energia da Energy & Climate Intelligence Unit — uma organização sem fins lucrativos voltada para as mudanças climáticas —, afirmou que 90% do petróleo e gás da bacia do Mar do Norte já foram extraídos. “O único caminho para a segurança no emprego a longo prazo é realizar a transição para a energia eólica e outros setores de energia limpa”, acrescentou ela em um comunicado.
O grupo ambientalista Uplift alertou que novos campos de petróleo e gás são incompatíveis com limites climáticos seguros. “As ondas de calor severas, as secas e os incêndios florestais que afetaram o Reino Unido neste verão, assim como os fenômenos meteorológicos cada vez mais extremos ao redor do mundo, demonstram a rapidez com que o risco climático aumenta a cada fração de grau”, declarou a Uplift em um comunicado.
“Seria extremamente irresponsável por parte do governo do Reino Unido agravar, de forma consciente, esses impactos ao autorizar o projeto Rosebank.”