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Camionistas têm marcado novo encontro em Loulé

A Câmara Municipal de Loulé promove, nos dias 11, 12 e 13 de setembro, o 10º Encontro de Camionistas de Loulé, uma iniciativa que, ao longo dos anos, se tem afirmado como um importante momento de convívio e celebração entre os profissionais ligados ao transporte rodoviário.

De carácter bienal, este encontro, que acontece no Parque das Cidades, celebra a cultura, a amizade e, sobretudo, a camaradagem que une quem faz da estrada uma parte importante da sua vida. 

Além da exposição e veículos e da mostra de marcas, o evento conta com uma área de tasquinhas e animação musical com nomes como Romana, Quina Barreiros, Remember 80/90, João Paulo Cavaco e Al-Fanfare.

O Encontro de Camionistas de Loulé tornou-se já uma tradição, reunindo não apenas camionistas e profissionais do setor, mas também muitos entusiastas e famílias que, durante três dias, têm a oportunidade de conhecer mais de perto o universo dos veículos pesados e de quem diariamente os conduz pelas estradas do país e além-fronteiras.

Para os camionistas, este é também um momento privilegiado para reencontrar amigos, partilhar experiências e histórias de muitos quilómetros, bem como trocar opiniões sobre os desafios e as transformações que o setor dos transportes enfrenta.

Esta iniciativa tem entrada livre.

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Biblioteca Municipal de Loulé dinamiza atividades para todos

Em setembro, a Biblioteca Municipal de Loulé Sophia de Mello Breyner Andresen leva a cabo um programa de atividades dirigidas a todas as idades. 

Ao longo do mês (de 1 a 30 de setembro), estará patente ao público, no hall de entrada do edifício-sede, a Exposição “Singularidades”, de Alberto Rebelo. Nesta mostra de desenhos, estarão presentes catorze pequenas histórias baseadas no livro “Alice… e outras Singularidades” de Aldo Lupo, pseudónimo de Alberto Rebelo.

Os desenhos originais são realizados a pastel seco e oleoso sobre papel canson e pretendem representar, simbolicamente, tanto os personagens como partes das narrativas. As ilustrações terão, lateralmente apostas, pequenas citações extraídas dos contos. 

No âmbito desta exposição, no dia 18, às 18h30, decorre mais uma sessão de “Livros Abertos” com a apresentação de “Alice… e outras Singularidades”. A apresentação da obra, que nos conta cinco pequenas histórias, estará a cargo de Nídia Guerreiro.

Já esta sexta-feira, dia 4, pelas 18h, acontece mais uma sessão do projeto “Poesia ao Fim do Dia”, iniciativa de promoção da poesia, da leitura poética, da interação entre o público, o leitor, o livro e a poesia. Desta vez a convidada é Cátia Guerreiro, que irá ler/declamar algumas poesias, não se limitando à simples leitura de poemas, mas também à apresentação de alguns factos/curiosidades sobre os autores escolhidos.

De 14 a 30, a UNIR – Associação dos Doentes Mentais, Famílias e Amigos do Algarve promove “Leitura para todos: Transformando desafios em conquistas”, uma mostra que reúnes trabalhos desenvolvidos ao longo do ano por um grupo de adultos da instituição, no âmbito de um projeto que promove a educação ao longo da vida, a inclusão e a participação ativa na comunidade.

O Clube de Leitura de Loulé regressa no dia 30, pelas 21h, com uma discussão à volta do livro “O amor nos Tempos de Cólera”, de Gabriel García Marquez. 

No polo “Casimiro de Brito”, em Almancil, o destaque vai para a celebração dos 70 anos do romance “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, no dia 11, às 18h, numa parceria com a UALG, Município de Montemor-o-Novo e Casa Fernando Pessoa.                                                                                                             

E em Quarteira, no dia 9, pelas 19h30, decorre mais uma sessão do Clube de Escrita da Biblioteca. A escrita criativa trabalha a concentração, a criatividade e melhora o seu hábito para a leitura. Desenvolve a habilidade de raciocínio para expressar uma ideia de forma cativante, inovadora e eloquente. Com esta atividade pretende-se que, através da escrita, sejam trabalhadas diferentes possibilidades para que uma história seja narrada e que se potencialize o cérebro através de produções artísticas, partilhando textos e opiniões, com vista ao incremento valorativo de cada participante. As inscrições podem ser feitas em biblioteca@cm-loule.pt

Emília Maria Correia, Fernanda Miranda e Maria Alberta Gonçalves proporcionam ao público quarteirense um “Serão de Poesia”, com a leitura de poemas. É no dia 18, pelas 21h30.

Ainda em Quarteira, dia 25, às 21h30, acontece mais uma tertúlia “Vamos tirar dúvidas sobre… Vacinação e Sistema Imunitário”, e a 29, pelas 19h30, o Clube de Leitura de Quarteira realiza uma discussão à volta do livro “As pessoas invisíveis”, de José Carlos Barros.

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Prioridade à educação, Município de São Brás de Alportel prepara novo ano letivo com garantia de transporte escolar gratuito 

11 circuitos especiais asseguram as deslocações de alunos do ensino básico e secundário, com horários ajustados às necessidades dos estabelecimentos de ensino

O Município de São Brás de Alportel volta a assegurar transporte escolar gratuito no ano letivo 2026/2027, através de uma rede de 11 circuitos especiais destinados aos alunos do ensino básico e secundário que cumpram os requisitos previstos na legislação em vigor.

A medida pretende garantir deslocações seguras e adequadas às necessidades dos alunos, apoiando as famílias nas deslocações diárias e promovendo a utilização de transportes coletivos como alternativa ao transporte individual.

“Este é um apoio que continuamos a garantir às famílias são-brasenses, contribuindo para reduzir os encargos associados ao início de cada ano letivo e para que a distância à escola não seja um obstáculo ao percurso educativo de nenhuma criança ou jovem”, destaca a Presidente da Câmara Municipal, Marlene Guerreiro.

Onze circuitos para diferentes zonas do concelho

Os 11 circuitos previstos para o próximo ano letivo estão identificados por cores — Verde, Amarelo, Azul, Vermelho, Laranja, Roxo, Rosa e Azul Escuro — e abrangem diferentes localidades e zonas do concelho.

A rede assegura as deslocações para a Escola EB 2,3 Poeta Bernardo de Passos, Escola Secundária José Belchior Viegas e escolas do 1.º ciclo do Alportel, Mesquita e Vilarinhos .

Está prevista uma viagem diária no início da manhã, entre a residência e a escola, e duas viagens diárias, nos dias letivos, entre os estabelecimentos de ensino e os locais de residência dos alunos.

“O planeamento é feito com atenção às necessidades que surgem em cada ano letivo, procurando assegurar uma resposta adequada às diferentes zonas do concelho e acompanhar a evolução do número de alunos”, refere a Vereadora responsável por esta área, Mónica Inácio, com uma larga experiência na gestão de transportes do município.

Horários ajustados às necessidades dos alunos

Os horários foram definidos em articulação com o Agrupamento de Escolas. Nas deslocações da residência para a escola, os circuitos destinados à Escola EB 2,3 Poeta Bernardo de Passos e à Escola Secundária têm partidas programadas, consoante a zona, entre as 7h00 e as 7h35.

Para as escolas do 1.º ciclo do Alportel, da Mesquita e dos Vilarinhos, estão previstas partidas às 7h50.

Os circuitos especiais são implementados quando os transportes coletivos existentes não respondem de forma adequada às necessidades dos alunos, nomeadamente quando não permitem assegurar a compatibilidade com os horários escolares ou quando as condições de transporte disponíveis se revelam desadequadas face às necessidades dos alunos.

O Plano Municipal de Transportes Escolares para o ano letivo 2026/2027 foi elaborado tendo por base o número estimado de alunos a transportar, a informação disponibilizada pelo Agrupamento de Escolas e a análise das necessidades de transporte verificadas para o próximo ano letivo, considerando igualmente a experiência e os dados registados nos anos letivos anteriores e foi aprovado pela Câmara Municipal, nos termos da legislação em vigor.

Consulta de circuitos e inscrições

A consulta do Plano Municipal de Transportes Escolares 2026/2027, dos circuitos, dos horários e a obtenção de formulário de inscrição está disponível em: https://www.cm-sbras.pt/pt/menu/413/transporte-escolar.aspx

Envio de inscrições ou pedidos de inscrição: transportes@cm-sbras.pt

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Ensino superior da região recupera alunos na primeira fase do concurso

A Universidade Politécnica de Santarém colocou 700 novos estudantes na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, mais 249 do que em 2025, enquanto a Universidade Politécnica de Tomar recebeu 240 alunos. Saúde, Educação, Gestão e Desporto estão entre as áreas com maior procura em Santarém. Em Tomar e Abrantes destacam-se Conservação e Restauro, Fotografia…

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Três feridos em acidente de viação na A3 em Famalicão

📷 Bombeiros voluntários de Famalicão

Três pessoas ficaram feridas na manhã deste sábado, 5 de setembro, na sequência de um acidente de viação ocorrido na Autoestrada 3 (A3), no sentido Porto – Braga, ao quilómetro 27, na zona de Vila Nova de Famalicão.

📷 Bombeiros voluntários de Famalicão

O alerta para a ocorrência foi dado às 08h24. As três vítimas sofreram ferimentos e foram assistidas no local, sendo posteriormente transportadas pelas equipas de socorro para o Hospital de Vila Nova de Famalicão.

Nas operações de socorro e apoio no local estiveram empenhados 11 operacionais dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, apoiados por 4 veículos. A Guarda Nacional Republicana (GNR) esteve presente a registar a ocorrência e a gerir o trânsito, conjuntamente com a assistência da concessionária Brisa.

Por: Dino Frazão
Fonte: segundo Bombeiros Voluntários de Famalicão
05/09/2026

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Aula da cadeira

Tudo em que dá pra sentar é cadeira! — berrou Jorginho, de doze anos. Faz um tempo que dou aulas de matemática extracurricular para pré-adolescentes e gosto sempre de alterar o material, já que não preciso seguir nenhum programa de conteúdo muito rígido. Recentemente pensei que seria interessante tentar ensiná-los a importância (e a dificuldade) de boas definições e, antes de lhes apresentar as bases euclidianas do fazer matemático, propus um desafio a fim de mostrar que essa empreitada é muito mais complicada do que o pai da geometria fez parecer. Expliquei que a matemática moderna é feita a partir de definições muito precisas, que delimitam exatamente os objetos que querem — bem — definir, mas que, ao longo de sua vasta história, houve inúmeros embates sobre como deveria ser definido, por exemplo, um plano. Antes, porém, de entrar de fato nos objetos abstratos da mãe das ciências, sugeri que começássemos por delimitar algo mais concreto, mais empolgante.

— Alguém pode me dizer o que é uma cadeira?

— Tem um encosto, quatro pernas e dá pra sentar! — alguém no fundo falou.

— E se o encosto quebrasse, ainda seria uma cadeira? — perguntei, crente de que eu conduziria essa investigação magistralmente, pelo infalível método socrático.

— Aí seria uma cadeira quebrada, professor! — Começaram a rir.

— Pois bem, eu quero uma lista de características que a cadeira PRECISA ter para ser uma cadeira. Se ela não precisa de encosto, a lista também não precisa.

— Lá em casa tem uma que não tem apoio de braço, nem encosto, nem perna! É um quadradão assim, e a gente chama de cadeira.

— Quadrado, não. Cubo. — disse Jorginho.

— Certo, então é só um objeto em que dá pra sentar. Seria isso? — perguntei.

— Não! — exclamou Gabriel. — Dá pra sentar no chão, mas o chão não é uma cadeira.

— O chão não é objeto!

— Tá, mas dá pra sentar numa mesa também, e mesa não é cadeira!

Os alunos engataram na discussão e me segurei para deixá-los livres, queria ver se chegariam a algum consenso. Continuaram se lançando exemplos e contraexemplos até que a turma se dividiu em dois grupos: um deles, liderado por Jorginho (que tem uma incrível memória, sempre me lembra de fazer a chamada), defendia que tudo em que se podia se sentar poderia ser chamado de cadeira; o outro grupo, cuja voz mais ardente vinha de Gabriel, tinha como fundamento a intenção do criador do objeto: se alguém fez algo em que se poderia se sentar e o batizou de cadeira, logo aquilo assim seria chamado. As duas escolas de pensamento, então, travaram um feroz embate acerca da natureza real de um tronco cortado na floresta.

Fiquei tão absorvido pelo debate, pela truculência com que sustentavam suas alegações, que me esqueci de que esse é um problema sem solução. A impossibilidade de um consenso foi se tornando mais clara quando vi alguns alunos subindo em suas cadeiras como demonstração de um argumento que não captei por completo e vi bolas de papel voando em suas direções, certamente carregadas de eloquentes réplicas. Tive que me restabelecer como autoridade daquela ágora vulcânica assim que começaram os gritos de “DERRUBA! DERRUBA!”.

— Chega! — e dei um tapão na lousa tentando disfarçar minha satisfação em ter instigado um bélico debate filosófico entre pré-adolescentes.

Mas no silêncio borbulhante da turma ainda com os peitos ebulindo opiniões, Gabriel se levantou lenta e confiantemente e, com uma folha de papel amassada na mão, foi em direção à lata de lixo, gesto que passou despercebido pelos rivais. Eu o olhava pacientemente, esperando-o voltar a sua carteira para que eu pudesse prosseguir com a aula. Ele jogou fora o papel e, no caminho de volta ao seu assento, foi para o palanque na frente da sala, levantou os braços e disse “Tá aqui a cadeira do Jorginho!” e encheu a mão com o argumento que tinha entre as pernas.

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De 66 mil a 666 mil euros, preço dos imóveis varia dez vezes consoante o concelho

O preço médio dos imóveis apresenta diferenças muito significativas consoante o concelho. Os dados do Barómetro dos Concelhos do Imovirtual mostram que, em agosto de 2026, Faro apresenta o preço médio de venda mais elevado, com 666.125 euros, enquanto no Sátão o valor é de 66.150 euros. Entre os dois extremos existe uma diferença de […]
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Centro Tecnológico Especializado na área avança com o investimento do Município de São Brás de Alportel

Está em curso a obra de criação do Centro Tecnológico Especializado na área da restauração, mediante a remodelação e ampliação da Academia dos Sabores, na Escola Secundária José Belchior Viegas e o apetrechamento com equipamentos da especialidade que permitem ditar este espaço de todas as condições de excelência para uma aposta na formação nesta área de forte potencialidade na região.

A obra resulta de uma candidatura apresentada pelo Agrupamento de Escolas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). 

Para garantir que a intervenção possa ser concretizada na sua totalidade e que o novo espaço reúna todas as condições previstas, o Município de São Brás de Alportel assegura a verba necessária para complementar este financiamento mediante a obra de adaptação do espaço.

A obra representa um importante investimento na modernização das condições de ensino e de formação profissional no concelho, através da criação de um espaço dedicado à área da Cozinha, integrado no Centro Tecnológico Especializado (CTE) Industrial.

O financiamento atribuído ao projeto foi estabelecido até ao montante máximo elegível de 194.850,00euros. No entanto, na sequência do procedimento de contratação pública promovido pelo Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, a empreitada foi adjudicada por 231.925,37 euros, acrescidos de IVA.

Para garantir a execução integral da intervenção, a Câmara Municipal deliberou assegurar a verba necessária para complementar o investimento necessário.

A decisão reforça o compromisso do Município com a qualificação das escolas, a valorização da formação profissional e a criação de melhores oportunidades para os jovens são-brasenses, garantindo que um investimento desta importância possa avançar sem comprometer a intervenção prevista.

A Academia dos Sabores é um projeto desenvolvido em estreita articulação entre o Município de São Brás de Alportel e o Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, refletindo uma aposta conjunta na melhoria das condições de ensino e na preparação dos jovens para os desafios do futuro.

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Renda das casas sobe 4,9% em agosto e afasta-se da tendência de queda

Os preços das casas para arrendar em Portugal subiram 4,9% em agosto, face ao mesmo mês do ano anterior, sendo o segundo mês consecutivo de subidas após um primeiro semestre em queda. Segundo o índice de preços do idealista, arrendar casa tinha um custo de 18,1 euros por metro quadrado (euros/m2) no final do mês, […]
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Mais famílias apoiadas no arrendamento no Concelho de Loulé

No âmbito da Estratégia Local de Habitação 2019-2032, foram celebrados ao longo da última semana os contratos com os munícipes apoiados na 4ª edição do Subsídio ao Arrendamento Habitacional.

Esta medida destinada a apoiar agregados familiares que enfrentam uma elevada sobrecarga financeira com os custos da habitação e têm dificuldades de acesso ao mercado de arrendamento local.

Este apoio pretende reduzir o esforço financeiro das famílias com despesas de arrendamento, contribuindo para garantir o acesso e a permanência numa habitação adequada e a custos comportáveis.

Nesta 4ª edição, são apoiados 65 agregados familiares, reforçando o compromisso do Município de Loulé com uma política de habitação mais inclusiva e próxima das necessidades da população.

“Vamos aumentar o valor canalizado para esta iniciativa, bem como o número de famílias apoiadas. A par da entrega de habitações para arrendamento, esta é uma das principais medidas para responder a um problema que é global e que se sente também de forma acentuada no nosso concelho”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto.

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Loulé associa-se ao Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue

Em setembro assinala-se o Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue. A Câmara Municipal de Loulé junta-se oficialmente à Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) como parceiro institucional no relançamento da campanha “O sangue que há em mim”, este ano sob o mote “Se eu mandasse”, e desafia as pessoas a usarem o poder da sua voz.

Com o objetivo de amplificar a consciencialização sobre as doenças hemato-oncológicas, a campanha deste ano foca-se na transição da identificação de problemas para a procura de soluções concretas, partindo da experiência direta de quem vive a doença e dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde.

O mote desafia-nos a refletir sobre tudo o que pode contribuir para cuidados mais humanos, mais próximos e mais equitativos. A campanha pretende, assim, promover uma comunicação mais positiva e estimular uma intervenção cívica empática e informada, capaz de transformar a experiência de quem vive com doença hemato-oncológica.

Para estruturar estas propostas, a APCL desafiou 9 profissionais de saúde e 11 doentes a responderem a questões divididas em quatro eixos estratégicos: diagnóstico e acesso aos cuidados, humanização, organização dos serviços do SNS e apoio ao doente durante e após os tratamentos. As respostas revelam uma forte sintonia e serão divulgadas progressivamente ao longo de todo o mês de setembro.

Em Portugal, os cancros do sangue representam cerca de 7,8% de todos os tumores diagnosticados. O Município de Loulé reforça, através deste apoio institucional, o seu compromisso com a promoção da literacia em saúde, a equidade no acesso aos cuidados e a construção de uma comunidade mais informada e empática para com os doentes e cuidadores.

A nível nacional, a campanha arranca oficialmente no dia 3 de setembro, em Lisboa, e assinalará várias datas específicas ao longo do mês, como o Dia Mundial da Leucemia (4/09) e o Dia Mundial do Linfoma (15/09). Toda a informação e conteúdos serão partilhados nos canais digitais da APCL e das entidades parceiras, entre as quais a Autarquia de Loulé.

Fundada em 2002 por sobreviventes e médicos do IPO de Lisboa, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia tem como missão apoiar doentes e famílias, financiar a investigação científica e aumentar a literacia em saúde. Em 2023, inaugurou a Casa Porto Seguro para acolher doentes deslocados em tratamento.

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Mais visitantes e nova dinâmica marcaram mais uma edição de sucesso dos Dias Medievais em Castro Marim

O centro histórico, o Castelo e o Forte de São Sebastião foram os protagonistas da 27.ª edição dos Dias Medievais em Castro Marim, que recebeu milhares de visitantes entre os dias 26 e 30 de agosto, marcada por uma nova dinâmica que proporcionou uma viagem única ao passado.

O cenário único de Castro Marim, envolvido na Reserva Natural do Sapal, foi o palco principal deste evento âncora organizado pelo Município, que trouxe muita história e magia durante os cinco dias mais aguardados da agenda cultural da região algarvia, que este ano teve um aumento substancial no número de visitantes.

Reis e rainhas, cavaleiros de armaduras reluzentes, bobos e jograis, comerciantes, monges, damas e nobres e ainda criaturas demoníacas e mágicas deambularam por todo o recinto com as suas animações, naquela que é considerada como uma das maiores e melhores recriações históricas do país, que cada vez mais atrai público estrangeiro.

O Município de Castro Marim apostou no rigor e investiu na segurança e qualidade, que são as bandeiras deste evento, com o reforço da segurança privada, nas equipas de intervenção médica rápida e de socorro com desfibrilhadores, bombeiros e forças de segurança, que contavam com um sistema de comunicação para a proteção de visitantes.

A lateral da Igreja de Nossa Senhora dos Mártires serviu de palco para o ato de abertura do evento, que contou com a participação da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes.

A edição deste ano contou com uma nova dinâmica em todo o recinto, com investimento em infraestruturas e decoração, além de novidades na programação e nos grupos de animação que proporcionaram espetáculos únicos e que recolhiam emoções fortes junto do público.

O Castelo de Castro Marim, Património Nacional, mantendo a sua autenticidade, acolheu as representações de mais de 45 artes e ofícios num palco único e inigualável, desde o ferreiro às crianças aprendizes da Tecelã acompanhadas pela geração mais sábia, num cenário vivo.

Além de grandes espetáculos como os torneios medievais a cavalo, com a participação especial da Guarda Nacional Republicana no sábado para uma performance única, que foram diariamente um elemento de atração para os visitantes, estavam patentes as exposições de Instrumentos de Tortura e Punição com uma nova roupagem e a da Primeira Sede da Ordem de Cristo.

O Castelo abrigou ainda os banquetes medievais, que decorreram num espaço exclusivo e à luz misteriosa das tochas, com uma ementa que reuniu as melhores iguarias da época, acompanhadas de performances de grupos de animação, sempre com lotação esgotada muito rapidamente.

Entre os grandes destaques deste ano esteve o tradicional desfile, que ocorreu no primeiro e no último dia do evento, considerado como uma das melhores oportunidades para absorver este universo de imaginação e fantasia, que nesta edição mostrou novidades e a participação mais marcadas das coletividades, associações, clubes locais e Juntas de Freguesia.

A animação continua a ser outra das grandes e fortes apostas dos Dias Medievais em Castro Marim, que se distingue de outros eventos do género graças à exclusividade com alguns dos 30 grupos de animação nacionais e internacionais.

Uma vez que este é considerado um evento para toda a família, a programação incluía espaços e atividades de animação infantil com oficinas, jogos, carrosséis e outras diversões, sendo zonas que exigem um maior resguardo e áreas mais acauteladas, para que os mais pequenos pudessem usufruir das experiências, tanto no Castelo como fora dele, com a participação especial da mascote Marim.

Os Dias Medievais em Castro Marim terão sido um dos primeiros EcoEventos do país, por desde sempre disponibilizar um copo de barro diferente em cada edição, e este ano não foi exceção, pretendendo continuar no futuro, com o objetivo de apelar à máxima redução de resíduos e à utilização de materiais reutilizáveis.

O programa contava com centenas de exibições, num evento que envolveu dezenas de estabelecimentos e associações, figurantes, funcionários da Câmara Municipal de Castro Marim, forças de segurança, artistas, empresas, castromarinenses e muitos outros, que enriquecem e distinguem este evento, tornando-o numa experiência única e inesquecível e um verdadeiro regresso à época mais intrigante e misteriosa da nossa história.

Com o final de mais uma edição de sucesso dos Dias Medievais em Castro Marim, já se começa a pensar na próxima, que certamente trará muitas novidades em 2027 e fica a vontade de fazer mais e melhor a cada edição.

O Município de Castro Marim reconhece e agradece a dedicação e empenho a toda a estrutura da autarquia e a participação ativa da comunidade e das associações, que tornam possível a realização dos Dias Medievais.

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Custo de arrendar casa em Lisboa e Porto estabiliza no último ano

O custo de arrendar casa nas duas principais cidades do país manteve-se praticamente inalterado no último ano, de acordo com os mais recentes resultados do Índice de Rendas Residenciais da Confidencial Imobiliário. Assim, as rendas dos contratos de arrendamento celebrados em Lisboa no 2º trimestre de 2026 apresentam uma variação de 0,9% face à prática […]
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Open Ateliers Olhão: 68 artistas abrem portas à cidade em setembro

De 18 a 20 de setembro, Olhão volta a abrir as portas à criação artística com a segunda edição dos Open Ateliers Olhão, uma iniciativa do Município de Olhão, em parceria com a FESNIMA, que este ano cresce significativamente e envolve 68 artistas residentes no concelho.

Depois dos 20 artistas que participaram na primeira edição, em 2025, os Open Ateliers Olhão afirmam-se agora como um evento de maior dimensão e diversidade, reunindo 47 artistas portugueses e 21 estrangeiros, todos residentes no concelho de Olhão.

A segunda edição traz também novas oportunidades de participação. Pela primeira vez, 21 jovens estudantes, dos ensinos secundário e universitário, integram o projeto, tendo a oportunidade de apresentar, promover e valorizar os seus trabalhos artísticos junto da comunidade.

Outra das novidades desta edição é a abertura do projeto a criadores que não dispõem de atelier própr. São 32 os artistas nesta situação e, através de parcerias estabelecidas pelo Município, terão à sua disposição espaços no centro da cidade para apresentar os seus trabalhos, reforçando a ligação entre a criação artística e o espaço urbano de Olhão.

A edição de 2026 apresenta, ainda, uma maior diversidade de áreas no universo das artes visuais, incluindo pintura, instalação, ilustração, fotografia, escultura, desenho, cerâmica, arte urbana e arquitetura.

O crescimento dos Open Ateliers Olhão traduz-se, igualmente, numa rede mais alargada de parceiros. Para além da FESNIMA, o evento conta com a colaboração dos Bairros Comerciais Digitais – Olhão com Alma, Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Fernandes Lopes, República 14, A Fábrica de Olhão, Centro de Arte de Pintores Olhanense (CAPO), 4 Elements e 5.º Element, Associação BeTween, Sena Architects, 3VD, Atelier à do Caco, Almeida Morgan Real Estate, Real Marina Hotel & Spa, Guest Mar (Galeria pop-up Raminhos), Catita & Companhia, Estúdio Onze, Galeria pop-up Oscar & Sophie e Quinta do Coelho Azul.

A programação paralela ganha também maior expressão nesta segunda edição, com performances musicais, mentoria artística, workshops e visitas mediadas, proporcionando diferentes formas de contacto com os artistas, os seus processos criativos e os espaços onde a arte acontece.

Para facilitar o acesso à informação e acompanhar toda a programação, os Open Ateliers Olhão contam, pela primeira vez, com website próprio, disponível em www.openateliersolhao.pt, que reúne informação sobre os artistas, os espaços e as entidades participantes, bem como sobre todas as iniciativas que integram a programação.

Durante três dias, Olhão transforma-se, assim, num espaço aberto à criação contemporânea e ao encontro, aproximando artistas e comunidade e dando a conhecer a diversidade de talento que existe no concelho.

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Centro Tecnológico especializado na área avança com o investimento do Município de São Brás de Alportel

Está em curso a obra de criação do Centro Tecnológico Especializado na área da restauração, mediante a remodelação e ampliação da Academia dos Sabores, na Escola Secundária José Belchior Viegas e o apetrechamento com equipamentos da especialidade que permitem ditar este espaço de todas as condições de excelência para uma aposta na formação nesta área de forte potencialidade na região.

A obra resulta de uma candidatura apresentada pelo Agrupamento de Escolas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). 

Para garantir que a intervenção possa ser concretizada na sua totalidade e que o novo espaço reúna todas as condições previstas, o Município de São Brás de Alportel assegura a verba necessária para complementar este financiamento mediante a obra de adaptação do espaço.

A obra representa um importante investimento na modernização das condições de ensino e de formação profissional no concelho, através da criação de um espaço dedicado à área da Cozinha, integrado no Centro Tecnológico Especializado (CTE) Industrial.

O financiamento atribuído ao projeto foi estabelecido até ao montante máximo elegível de 194.850,00euros. No entanto, na sequência do procedimento de contratação pública promovido pelo Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, a empreitada foi adjudicada por 231.925,37 euros, acrescidos de IVA.

Para garantir a execução integral da intervenção, a Câmara Municipal deliberou assegurar a verba necessária para complementar o investimento necessário.

A decisão reforça o compromisso do Município com a qualificação das escolas, a valorização da formação profissional e a criação de melhores oportunidades para os jovens são-brasenses, garantindo que um investimento desta importância possa avançar sem comprometer a intervenção prevista.

A Academia dos Sabores é um projeto desenvolvido em estreita articulação entre o Município de São Brás de Alportel e o Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, refletindo uma aposta conjunta na melhoria das condições de ensino e na preparação dos jovens para os desafios do futuro.

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Como é viver na Alemanha nas eleições que podem entregar governos à AfD

Eu moro na periferia de Berlim, em um conjunto habitacional construído para os trabalhadores pelo governo comunista, na época em que a cidade ainda era dividida por um muro. São prédios grandes, de arquitetura brutalista, com muitos apartamentos, que rodeiam praças com bastante verde. 

Por serem condomínios geridos por cooperativas, longe do centro e com valor de aluguel baixo, o bairro todo é naturalmente composto por uma maioria de imigrantes. Como em quase toda metrópole, os imigrantes, pessoas com trabalhos informais e com baixos salários são empurradas para as bordas, ou no caso de Berlim, para fora do “Ring”, como falamos aqui, já que a cidade tem o formato de um anel.

No último fim de semana eu caminhava pelo bairro, prestando atenção aos diferentes idiomas que ouvia: russo, chinês, inglês, quando notei um cartaz preso bem alto, em um poste de luz. “Migração precisa de Fronteira”, escrito em tons de azul, assinado pelo partido de extrema direita Alternativa para Alemanha, AfD na sigla em alemão. Alguns passos à frente outro cartaz do partido: “Deportar imigrantes criminosos”. E outro: “Na escola, o alemão é mandatório”. O bairro todo estava tomado por essas mensagens. 

Agora, em meados de setembro acontecem eleições estaduais em Saxônia-Anhalt, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, além de eleições municipais na Baixa Saxônia, e por isso as propagandas políticas estão por toda a parte. Mas não é apenas irônico – pelo passado comunista deste pedaço – como muito violento que a AfD tenha escolhido esses slogans para espalhar pelo meu bairro. 

Não é propaganda eleitoral, é um recado. 

“Deportar migrantes criminosos”
“Na escola, o alemão é obrigatório”
“Migração Precisa de Fronteiras”

A AfD tem se tornado cada vez mais radical em seus discursos, ao mesmo tempo em que cresce vertiginosamente nas pesquisas. Desde as eleições federais que elegeram o chanceler Friedrich Merz da União Democrata Cristã (CDU) em 2025, a principal pauta do partido tem sido a deportação em massa como solução mágica para a crise política, econômica e o aumento na criminalidade. “Deportar aos milhares”, cantavam jovens alemães em comícios do partido, que ficou em segundo lugar naquelas eleições.

No fim do ano passado, eu me infiltrei em um evento da AfD na Turíngia, que fazia um “balanço” dos 10 anos desde que a ex-chanceler Angela Merkel “abriu as porteiras” do país aos refugiados, como eles dizem. Logo na entrada, uma pasta com uma longa lista de nacionalidades e porcentagem de crimes cometidos na Alemanha era entregue aos participantes. No telão, fotos de criminosos árabes procurados pela polícia rodavam em looping. Na plateia lotada, alemães de todas as idades aplaudiam e gritavam por deportações e pelo fim do multiculturalismo.

E com esse tom cada vez mais violento e ultranacionalista, na Saxônia-Anhalt, o partido está com 43% das intenções de voto para as eleições de 6 de setembro.

“Vamos formar o governo na Saxônia-Anhalt”, disse a co-líder do partido, Alice Weidel, em entrevista à emissora pública ZDF. Até hoje, a AfD ainda não conseguiu entrar em um governo estadual ou federal porque todos os outros principais partidos descartaram cooperar com o partido extremista, algo que ficou conhecido como “cordão sanitário”. 

O problema é que esse cordão dá sinais de desgaste. Primeiro porque, como aconteceu no Brasil com o PSDB, os partidos de direita clássica e centro direita estão perdendo cada vez mais espaço nos parlamentos e já esboçam abraçar pautas mais radicais para cair no gosto dos eleitores. 

Segundo que, em um governo que precisa de coalizões, a manobra para evitar a AfD está se tornando cada vez mais complicada. Nas eleições federais, por exemplo, como a Alemanha tem regime parlamentarista, o partido de Merz precisou “pular” a AfD que ficou em segundo lugar e fazer coligações com dois outros partidos menores para governar – foi um processo super delicado e demorado. 

Por último, essas eleições regionais contam com algumas novidades, sobretudo na Saxônia. Com vários partidos menores obtendo resultados próximos ao limite eleitoral de 5% na Alemanha, a AfD pode ter uma maioria absoluta das cadeiras e seu principal candidato, Ulrich Siegmund, poderá se tornar o primeiro governador de um estado alemão a ocupar o cargo desde a fundação do partido em 2013. 

Mas essa não é a única possibilidade. A fundadora do partido nanico BSW, que se diz de extrema esquerda (com muitas controvérsias), Sahra Wagenknecht, declarou que caso seu partido tenha os mais de 5% necessários para entrar no parlamento, vai quebrar o cordão sanitário e fazer coalizão com a AfD. 

Já em Berlim, estado mais progressista da Alemanha, o partido de esquerda Die Linke está na frente nas pesquisas, com a CDU atrás. AfD e Verdes disputam pau a pau as posições seguintes.

O que assusta nessas eleições de setembro não é só a possibilidade de a extrema direita chegar ao poder em alguns estados, mas o fato de que ela já está reorganizando o cotidiano, transformando a paisagem, a linguagem e a convivência. 

Os projetos autoritários não vencem só quando levam as urnas, eles vencem quando o medo passa a morar no bairro junto com a gente. 

Os cartazes da AfD no meu bairro não tentam angariar votos, eles marcam território e anunciam exclusão. Presos no alto dos postes, acima das cabeças dos imigrantes e longe do alcance das nossas mãos. 

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Departamento de Guerra dos EUA investe 750 milhões de dólares em terras raras brasileiras

O Departamento de Guerra, antigo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, anunciou um investimento de 750 milhões de dólares (cerca de R$ 3,8 bilhões) na compra de terras raras produzidas no Brasil pela mineradora Serra Verde.

Na prática, o anúncio coloca as terras raras extraídas no Brasil diretamente no ecossistema da indústria militar estadunidense – elementos de terras raras são utilizados pela indústria de armamentos dos EUA por seu magnetismo e resistência a altas temperaturas. Essa possibilidade já havia sido apontada por reportagem da Agência Pública, que mostrou as conexões da Serra Verde com os interesses do governo americano. 

Segundo o Departamento de Guerra, os recursos serão aportados em uma “Empresa de Propósito Específico” para viabilizar um acordo de compra do concentrado de terras raras (chamado de carbonato) produzido pela Serra Verde no projeto Pela Ema, no norte de Goiás. 

Esse acordo já tinha sido tornado público pela própria mineradora em abril, quando a Serra Verde comunicou uma operação de fusão e aquisição com a empresa americana USA Rare Earth e a formalização de um contrato para fornecer 100% da sua produção por 15 anos para uma “Empresa de Propósito Específico”, que à época não foi nomeada ou especificada, mas que seria capitalizada por agências do governo americano e fontes privadas. 

Agora, o próprio Departamento de Guerra deu mais detalhes sobre o investimento na “Empresa de Propósito Específico”, chamada “US SIIE”. O montante de 750 milhões de dólares faz parte de um pacote de investimentos de 1,55 bilhão de dólares no total, que inclui um compromisso de compra de 300 milhões pela Agência de Logística de Defesa do Departamento e outro compromisso de compra de 500 milhões por parte de um grande banco comercial que não foi especificado.

“Garantir cadeias de suprimentos resilientes, tanto domésticas quanto de aliados, é um requisito fundamental para operações de guerra”, afirmou Mike Cadenazzi, Secretário-Assistente de Guerra para Política de Base Industrial. 

“Ao estabelecer parceria com a Serra Verde, damos um passo decisivo para quebrar o quase monopólio de nossos adversários sobre os elementos de terras raras. Esse esforço conjunto assegura que nossa base industrial de defesa tenha acesso garantido e de longo prazo aos materiais críticos necessários para fabricar sistemas de armas de última geração e manter nossa vantagem tecnológica”, completou ele, em referência à China, que controla mais de 90% do processamento industrial desses elementos químicos.

Elementos de terras raras são utilizados em ímãs de caças F-35, drones e mísseis Tomahawk, produzidos pela indústria de armamentos dos EUA. Não à toa, o governo americano tem pressa em quebrar esse monopólio. O Departamento de Guerra decidiu proibir, a partir de 2027, a aquisição de ímãs feitos com terras raras extraídos ou processados na China e em outros países considerados inimigos, como Rússia, Irã e Coreia do Norte. 

No meio dessa disputa, o Brasil, dono da segunda maior reserva de terras raras no mundo, é estratégico. Assim como a Serra Verde, que é a única mineradora no país a já produzir terras raras em escala comercial. A empresa produz um concentrado com vários elementos de terras raras, entre eles o samário, que é majoritariamente usado pela indústria militar por conta de sua resistência a altas temperaturas. Desde abril do ano passado, a China restringiu a exportação desse elemento e seus derivados, como as ligas metálicas, e passou a exigir uma série de documentos para a obtenção de licenças de exportação, incluindo a identificação do usuário final dos produtos – que, em muitos casos, são fabricantes de armamentos.

“A Serra Verde é a única produtora das terras raras pesadas fora da Ásia e ela tem as quatro terras raras magnéticas”, disse Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, em uma entrevista à Fox News. “E a iniciativa brilhante do governo dos EUA foi criar uma sociedade de propósito específico, com apoio de várias agências governamentais e investimento privado, para garantir um contrato de compra de 100% da produção por 15 anos, assegurando que nós tenhamos acesso aos materiais necessários para a nossa economia e para a nossa defesa”, completou a executiva.

Para isso, a USA Rare Earth, dona da Serra Verde, já garantiu 1,6 bilhão de dólares em financiamento do governo americano, que terá participação acionária na companhia. Também comprou a britânica Less Common Metals, uma das maiores fornecedoras de ligas metálicas de terras raras, e firmou um acordo de vendas mútuas com a Arnold Magnets. Diante das restrições chinesas, essas duas empresas – Less Common Metals e Arnold Magnets – trabalharam ao longo do ano passado para encontrar fontes alternativas de samário a fim de continuar produzindo os ímãs usados em mísseis Tomahawk, como mostrou o jornal americano New York Times. 

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Ainda sobre a inflação de alimentos no Brasil

Começo a coluna aproveitando o gancho do meu colega Gustavo Faleiros, que gentilmente me trouxe para conversa ao falar sobre a inflação de alimentos, em sua coluna da semana passada. (Para quem ainda não leu, Gustavo traz uma excelente explicação sobre o impacto das mudanças climáticas no preço dos alimentos.) 

Trago aqui mais algumas camadas desse problema tão complexo, me baseando no relatório “A Inflação de Alimentos No Brasil: Um Fenômeno Estrutural, Específico E Sistêmico”, do economista Valter Palmieri Junior., e nas formulações dos que são, indiscutivelmente, os maiores especialistas no assunto: o Instituto Fome Zero (IFZ).

Como bem colocado pelo Gustavo, a inflação de alimentos se tornou uma preocupação em vários países, especialmente a partir da pandemia do COVID-19. Mas, aqui no Brasil, o fenômeno propriamente dito é mais antigo, e já é percebido há duas décadas. 

A inflação de alimentos acontece quando os preços de alimentos e bebidas crescem mais do que a inflação como um todo. Ou seja, quando o Índice de Preços de Alimentos e Bebidas (IPAB) cresce mais do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) –pelo qual normalmente medimos a inflação no Brasil. 

E isso acontece praticamente todo ano desde 2007. De lá para cá, o preço dos alimentos subiu 1,6 vez mais do que o restante dos preços. Por isso, especialistas vêm alertando para o problema da inflação dos alimentos há bastante tempo. 

Mas, desde a pandemia, uma coisa mudou: o grupo que puxava o crescimento do IPAB até então era, sobretudo, o da alimentação fora do domicílio. Ou seja, preços de comida em bares, lanchonetes e restaurantes. Desde 2020 é o grupo de alimentos consumidos no domicílio quem cresce mais, acumulando uma alta de 65% em apenas seis anos! 

Essa mudança tem efeitos perversos. A despesa com alimentação é incontornável: todos precisam comer. É claro que existem diferenças na alimentação de pessoas com mais e menos dinheiro, mas, no limite, todos gastam com isso. É uma conta que pesa mais para quem ganha menos e precisa destinar uma parcela maior de seu orçamento para a comida. 

Dados do IBGE mostram que a alimentação representava, em 2018, 23,8% dos gastos das famílias que ganhavam até dois salários-mínimos. Já para as que ganhavam mais de 25 salários-mínimos, era apenas 11,5%. Com a escalada dos preços desde então, é bem provável que essa proporção tenha subido, com ainda mais intensidade para os mais pobres. 

Comer fora muitas vezes é um luxo, a base da alimentação da maioria dos brasileiros é de refeições preparadas em casa. Essa opção segue sendo a mais barata, mas seu custo vem crescendo com maior rapidez. 

Aqui, vale destacar: são os alimentos in natura e minimamente processados – aqueles colhidos diretos do pé ou compostos de poucos ingredientes – que recebem a maior alta de preços, o que também é grave do ponto de vista nutricional. 

O preço das frutas cresceu 2,8 vezes mais do que a inflação geral nos últimos vinte anos, e o dos legumes, 1,9 vez mais. 

Em resumo, o biscoito recheado é mais barato que a maçã. Assim, quem tem menos renda também está perdendo, aos poucos, o direito a uma alimentação saudável. 

No relatório, Palmieri Junior. destaca cinco principais fatores que explicam a inflação de alimentos. Um deles, o Gustavo trouxe: as mudanças climáticas. 

Escolho focar em outro: nosso modelo agroexportador. Em especial porque, curiosamente, defensores históricos do agronegócio decidiram ligar, neste período eleitoral, para o custo de vida dos brasileiros. 

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionou, em seu discurso de lançamento da campanha, a preocupação das famílias brasileiras com os preços nas prateleiras.

Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou um vídeo em que faz compras no mercado e, com preços mentirosamente inflacionados, reclama do custo das coisas. 

No vídeo, o Nikolas acompanha uma mulher fazendo uma compra de cinco alimentos (café, ovo, feijão, leite e picanha), que soma R$255,96. Porém, o jornalista Guga Noblat foi a um supermercado de Brasília (DF) e comprou as mesmas coisas, a fim de fazer uma checagem de preços, e chegou a uma conta de R$137,36 – 86% a menos.

Acontece que é incoerente defender a expansão desenfreada do agronegócio e depois reclamar de uma de suas consequências mais imediatas, como fazem ambos os candidatos mencionados e muitos outros. 

Explico. 

A guinada agro do Brasil levou à redução expressiva dos hectares destinados ao cultivo de alimentos básicos, que foram perdendo espaço, principalmente, para a soja, o milho e a cana de açúcar, mais vendidos no mercado externo, como mostra o gráfica abaixo. 

Infográfico sobre a inflação de alimentos no Brasil
Fonte: Palmieri Junior (2026). A inflação de alimentos no Brasil: um fenômeno estrutural, específico e sistêmico

Isso mudou bastante a dinâmica e os custos de produção agrícola no Brasil, mesmo para alimentos que são mais consumidos internamente do que exportados. O feijão, por exemplo. 

Como explica Palmieri Junior, ao privilegiar as culturas de exportação, recursos fundamentais, como terras, crédito e incentivos fiscais são deslocados para esses cultivos, o que acaba esvaziando a produção dos demais alimentos, que se tornam menos atrativos. 

Também o preço da terra sobe, porque a agricultura se torna uma zona de investimento lucrativo, o que também encarece os alimentos à mesa. 

Ainda que esse deslocamento produtivo não signifique uma escassez literal da comida no supermercado, certamente influencia sua dinâmica de preços, tanto pela falta de incentivos quanto pela redução da oferta.

O modelo agroexportador que prioriza o cultivo de commodities ao de alimentos não é o único fator para a elevação do preço da comida. Mas é um bem importante. 

E em um mundo de instabilidades internacionais, guerra e mudanças climáticas, é um dos poucos sobre os quais a política interna ainda consegue decidir. 

Talvez não possamos controlar totalmente o preço dos combustíveis e fertilizantes ou o tamanho do El-Niño – mesmo que a ação humana contribua para todos esses fatores.  

Mas a forma como produzimos comida ainda é uma escolha política nossa. 

Direcionar incentivos produtivos para alimentos –  como feijão, arroz, mandioca e batata – em vez de commodities, como a soja, retomar os estoques reguladores da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e investir na logística de transporte e armazenagem para o mercado interno são políticas públicas importantes, eficazes e, sobretudo, muito possíveis. Mas requerem vontade política. 

Por isso, fica o apelo para que a soberania alimentar seja uma bandeira – atenta, e não demagógica – também nestas eleições. 

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Facebook não barra anúncios com desinformação sobre eleições brasileiras

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Um experimento da Anistia Internacional mostrou que as medidas da Meta não estão sendo suficientes para combater a desinformação no Facebook na campanha eleitoral brasileira. A ONG internacional submeteu 14 anúncios com conteúdo desinformativo sobre as eleições brasileiras e um neutro. Oito foram aceitos, enquanto os sete restantes (incluindo o neutro) foram sinalizados para verificação de identidade por parecerem relacionados a uma questão social, eleição ou política, em vez de serem rejeitados especificamente por conterem desinformação eleitoral. Nenhum deles foi postado publicamente, portanto, os usuários não tiveram contato com o conteúdo.

Os 14 anúncios desinformativos do experimento da Anistia Internacional incluíam alegações de que as eleições de outubro deste ano seriam fraudadas e pedidos de intervenção militar. Com exceção do anúncio neutro, os 14 violaram as próprias políticas da Meta sobre desinformação, especificamente a seção relacionada à interferência na votação ou no comparecimento dos eleitores. A definição de desinformação da Meta inclui “conteúdo com potencial para interferir em processos políticos”.

Três de quatro anúncios que pediam intervenção militar foram aprovados. Um deles dizia: “Precisamos de uma revolução militar. Não vote nas eleições e os militares vão tomar o poder se houver menos de 50% de comparecimento nas urnas”.

O anúncio neutro foi incluído pela Anistia para testar a exigência de verificação de identidade feita pela Meta para a postagem de quaisquer conteúdos relacionados a eleições.

Segundo a ONG, a conta usada para o teste não concluiu o processo de verificação de identidade para manter o perfil mais neutro, de modo a evitar influência do algoritmo. Portanto, não há como saber se, caso fosse feita a verificação de identidade da conta, os anúncios seriam aceitos ou não.

Em 2025, o Facebook tinha 109,2 milhões de usuários no Brasil, segundo a plataforma de dados Statista; já o Instagram é mais popular e contava com 146 milhões de contas no mesmo ano. Os anúncios podem circular entre as plataformas.

Pouco tempo para as novas regras

De acordo com a descrição do experimento da Anistia Internacional, os anúncios refletiam “três táticas frequentemente utilizadas por políticos e candidatos para apoiar práticas autoritárias”: “deslegitimação eleitoral”, com conteúdos que minam a confiança no sistema de votação brasileiro e nos resultados; “construção do inimigo”, colocando adversários políticos e a Justiça como ameaças; e “autoritarismo com foco na segurança pública”, que traz o uso da força, da intervenção militar ou de um líder forte como respostas necessárias ao crime.

Anúncio-teste do experimento da Anistia Internacional no Facebook

“Em vez de zelar pela participação eleitoral e pelo acesso à informação precisa, estes sistemas de moderação correm o risco de aprovar conteúdo nocivo [ao processo eleitoral]”, diz Ummar Bashir, pesquisador e consultor da Anistia para Inteligência Artificial e Direitos Humanos.

Os anúncios foram enviados de fora do Brasil, do escritório da Anistia em Londres, sem uso de VPN, recurso que poderia simular que o conteúdo fora postado em território nacional. Para a ONG, a aprovação é preocupante porque mostra “vulnerabilidades passíveis de exploração por atores nacionais ou estrangeiros que busquem influenciar processos eleitorais”.

A Meta não respondeu aos questionamentos da ONG sobre as falhas de moderação que permitiram ao Facebook aceitar os anúncios enganosos.

Questionada pela Pública, a empresa disse que investe “recursos significativos para proteger o processo eleitoral de 2026 no Brasil – da transparência em publicidade, líder do setor, à aplicação de protocolos rigorosos para anúncios sobre questões sociais, eleições ou política – e continuaremos a fazê-lo.” Afirmou ainda que o relatório da Anistia Internacional se baseou em uma amostra pequena de anúncios que nunca foram publicados. “Não reflete a escala do nosso trabalho. Nosso processo de análise de anúncios possui diversas camadas de análise e detecção, antes e depois deles serem publicados”.  

Em seu site institucional, a empresa informa que usa inteligência artificial para identificar, nos anúncios, conteúdos que possam violar suas políticas. Em seguida, segundo a empresa, o conteúdo é avaliado automaticamente ou por revisores humanos e, quando uma violação é confirmada, são aplicadas medidas como remoção, restrição ou rejeição dos anúncios, de acordo com os Padrões da Comunidade da Meta. Este conjunto de regras, de acordo com a companhia, “é baseado no feedback de usuários e especialistas em tecnologia, segurança pública e direitos humanos”.

Em 2025, dias antes da posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou uma mudança drástica nas políticas de moderação de conteúdo e checagem de dados. Segundo ele, a intenção era combater uma suposta “censura” promovida por checadores “enviesados”, dos quais ele prometeu se livrar.

“O teste da Anistia aponta motivos para preocupação, sim. No Brasil, estamos diante de uma nova exigência que altera bastante a forma de condução dos negócios de todas as plataformas, não só da Meta”, avalia Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da FGV/SP. Ele se refere ao julgamento do Supremo Tribunal Federal que revisou o Artigo 19 do Marco Civil da Internet e decidiu, em 2025, que as plataformas não precisam esperar decisões judiciais para derrubar conteúdos.

Neisser lembra ainda as novas obrigações impostas pelos planos de conformidade entregues pelas plataformas ao TSE na primeira quinzena de agosto de 2026. Segundo o professor, eles determinam a necessidade de verificação temática de publicidade paga por parte das empresas de tecnologia. Os planos ainda não foram divulgados na íntegra até o fechamento desta reportagem.

“Para certos assuntos, como pornografia infantil, a verificação é fácil de ser feita com filtro automatizado. Mas é muito difícil ainda filtrar de forma automatizada temas tão contextuais, como discurso de ódio e atos antidemocráticos”, avalia Neisser, que diz que a aplicação dessas regras na eleição deste ano é pouco provável. “É muito difícil exigir a criação de mecanismos num prazo tão curto. Eles foram pedidos basicamente às vésperas do início do processo eleitoral. Não é crível imaginar uma mudança de procedimentos em um prazo tão exíguo”.

Para Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, a forma como a Meta lida com a desinformação também contribui para o modelo de negócios da empresa de Zuckerberg. “O experimento mostra que a Meta não está fazendo o suficiente para impedir que sua plataforma seja um vetor de desinformação, ao mesmo tempo em que continua lucrando com os sistemas de conteúdo e publicidade que possibilitam sua disseminação”.

*Atualização às 15h18 de 25/08/2026: Inserimos o retorno da Meta.

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Hondurasgate, Polymarket e Frutinovelas: A desinformação nas eleições latino-americanas

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Começou a campanha eleitoral, e como você já deve estar a par, nós da Agência Pública mais uma vez juntamos forças com sites parceiros (Aos Fatos, Amado Mundo e Núcleo) para investigar campanhas de desinformação. 

Já publicamos um levantamento de quais perfis foram investigados por fake news e narrativas antidemocráticas e seguem publicando e influenciando o debate público e uma reportagem sobre como a IA tem sido usada para criar vídeos de TikTok no formato “povo fala”, nos quais falsos eleitores elogiam Lula ou Flávio Bolsonaro, ou, ainda, reforçam clichês sobre beneficiários de programas sociais do governo federal, afirmando que “não querem trabalhar”.

Mais reportagens virão, e enquanto isso, achei importante trazer alguns exemplos de como as eleições recentes na América Latina foram impactadas por campanhas desinformativas. 

Aqui, trago três conclusões: primeiro, não existe mais campanha eleitoral sem fake news; segundo, as narrativas e estratégias são repetidas de um país para outro, e, portanto, vale a pena entender o que aconteceu com nossos vizinhos; e terceiro, há uma rede de marketeiros que tem participado de diversas eleições no continente propagando desinformação, a quem investigamos como “mercenários digitais” em 2023. Fernando Cerimedo, um de seus principais expoentes, acaba de ser preso na Bolívia, onde assessorava o presidente direitista Rodrigo Paz, acusado de tentar matar a namorada.    

Houve muitas eleições, mas decidi focar em três delas: Honduras, Colômbia e Peru. Também escolhi a dedo algumas das narrativas e estratégias, por sentir que revelam mais do que as histórias em si, revelam a infraestrutura que hoje se usa para manipular a opinião pública em momentos de “crise informacional”, como as eleições. 

Em Honduras, a corrida eleitoral em novembro de 2025 abriu com o ex-presidente Juan Orlando Hernández sentenciado em Manhattan a 45 anos por ligação com narcotráfico. Em seu lugar, o aliado conservador Nasry “Tito” Asfura entrou na disputa e recebeu apoio público de Donald Trump. O argentino Fernando Cerimedo teria articulado os bastidores para que Trump postasse o endosso em suas redes. Deu certo; o mandatário americano chegou a ameaçar cortar ajuda financeira ao país caribenho se Asfura não vencesse e, dias antes do pleito, Trump indultou Hernández. 

A equipe de Asfura contou com consultores conhecidos em outros países: além de Fernando Cerimedo, Brad Parscale – que teria trabalhado no uso de dados para segmentar eleitores –, Dick Morris e o argentino Luis Rosales. O La Derecha Diário, jornal de Cerimedo sediado na Argentina, mantém um perfil hondurenho nas redes, criado três meses antes da eleição. 

Como resultado, na reta final cidadãos receberam mensagens em massa nos celulares, pressionando votos na direita. A ameaça de Trump de cortar ajuda também foi replicada por este método. Também circularam narrativas falsas de que o crime organizado estaria tentando influenciar votos na esquerda e boatos de que os partidos de esquerda acabariam com a propriedade privada.

Asfura venceu com 40,27% dos votos. Ao fim da contagem, autoridades eleitorais e o governo de esquerda de Xiomara Castro denunciaram irregularidades, mas os EUA restringiram vistos dos magistrados que pediam recontagem.

Outro ponto fundamental foi o chamado Hondurasgate. O jornal Red e o site Hondurasgate divulgaram há alguns meses supostas gravações de áudio vazadas que indicam uma trama envolvendo Estados Unidos e Israel, com apoio de Honduras, para desgastar, com notícias falsas, os governos de Claudia Sheinbaum, no México, e Gustavo Petro, na Colômbia.

Segundo a fonte que entregou os áudios aos portais, as gravações ocorreram entre janeiro e abril de 2026. Os áudios mostrariam Juan Orlando Hernández, poucos meses depois de receber o indulto, organizando a ofensiva. Em conversas com Asfura, agora presidente, e sua vice-presidente, Hernandez pediu US$ 150 mil para alugar um apartamento nos EUA e montar uma unidade de jornalismo digital: “Alguém aqui, da equipe do presidente americano, vai cuidar disso para mim. É um dos republicanos que estão nos ajudando. Eles vão montar um site de notícias para nós”, disse.

Asfura confirmou a entrega da verba, que viria da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos. Hernández respondeu então: “Conseguimos conversar com Javier Milei, e ele também está contribuindo com US$ 350 mil.”

Em outra mensagem, Hernández teria reconhecido que o primeiro-ministro de Israel foi fundamental para sua libertação e que ele apoiaria o plano.

Colômbia: IA e Pollymarket 

Vídeos falsos rodaram tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições colombianas, ocorridos em maio e junho. Ali, apareceu a mesma narrativa de tentar associar a esquerda com o crime violento. Em um deles, um homem que finge ser um dissidente das FARCs exigia que agricultores votassem em Ivan Cepeda, candidato da esquerda apoiado pelo ex-presidente Gustavo Petro. 

Cepeda foi para o segundo turno contra o candidato trumpista, o empresário e advogado Abelardo de la Espriella, que venceu as eleições com 49,6%. 

Por lá, um dos fenômenos mais interessantes, usado em especial por candidatos da direita, foram as “frutinovelas”, que por aqui são conhecidas como “novelas das frutas”. Feitas com IA, elas foram onipresentes nas redes durante a campanha eleitoral. 

Abelardo de la Espriella, conhecido como “O Tigre”, usou vastamente o formato, aparecendo como um enorme tigre que destrói um trem representando a política tradicional. Outra candidata na direita, a senadora uribista Paloma Valencia, era retratada como um abacaxi feliz contra as bananas da esquerda e os cocos de De la Espriella.

Depois da derrota eleitoral, Petro passou a disseminar dúvidas sobre o sistema eleitoral colombiano, afirmando a existência de um mecanismo de edição dos votos, falta de transparência e de auditoria e apontando padrões matemáticos anormais na contagem.

Mas, assim como fez Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, Petro já acusava fraude muito antes das eleições acontecerem, desde meses antes das eleições. Por isso, a Justiça Eleitoral exigiu que Petro se retratasse, o que ele não fez. As denúncias foram verificadas e desmentidas por agências de checagem. Ao final, Petro reconheceu a vitória de De la Espriella.  

Outro fato digno de nota: o site de apostas preditivas Polymarket foi usado pela campanha de De la Espriella e citado como fonte confiável de pesquisa por veículos de imprensa colombiana. 

O próprio candidato promoveu o site como um termômetro mais confiável que pesquisas, afirmando que arriscar dinheiro próprio exige um prognóstico correto. Pior ainda, jornais tradicionais como La República passaram a reportar estes dados como se fossem verdadeiras pesquisas eleitorais. 

Mas obviamente as apostas no site são sujeitas a manipulação. Em setembro de 2025, o site La Silla Vacía revelou que apenas 82 contas participavam das apostas eleitorais sobre a Colômbia, e uma única conta concentrava 40% de todo o dinheiro investido a favor de De la Espriella, mais de 100 mil dólares. A pesquisa classificou várias dessas contas como “infladoras” de apoio, ou seja, eram simpatizantes usando a plataforma como vitrine política. O site Factchequeado revelou ainda que a Polymarket pagava publicidade a influenciadores para apresentar Espriella como o “Bukele ou Milei colombiano”. 

Peru: candidato de Trump alegou “fraude nas urnas”

No primeiro turno, em maio, o candidato favorito de Trump na eleição de 2026, Rafael López Aliaga ficou de fora do segundo turno por apenas 21 mil votos. Como resposta, ele alega fraude e pediu a anulação do resultado. 

Rafael iniciou uma campanha apontando fraude, que, segundo investigação do site Ojo Publico, mobilizou perfis já pré-estabelecidos para espalhar sua mensagem. Foram 53 contas com impacto sobre milhares de usuários, espalhando mensagens para construir a imagem de uma eleição manipulada, sem apresentar qualquer evidência. Um exemplo: uma narrativa afirmava que mais de 1 milhão de eleitores haviam sido impedidos de votar em Lima, sendo que o número real de afetados pela não instalação de mesas – um erro da Justiça Eleitoral do país – foi de 55 mil pessoas. No final, o candidato trumpista perdeu e Keiko Fujimori acabou recebendo as bênçãos de Trump. 

Assim, tanto a narrativa de fraude nas urnas está viva na América Latina, como a tentativa de associar qualquer grupo de esquerda com o crime organizado, dois motes que já estamos vendo acontecer também por aqui. 

Como se sabe, nada se cria, tudo se copia.  

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