❌

Reading view

Centro esquerda e extrema direita: a diferença essencial que a imprensa não fez

Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a Newsletter da Pública, enviada sempre às sextas-feiras, 8h. Para receber as próximas edições, inscreva-se aqui.

Imagine por um minuto que em vez de um candidato de extrema direita houvesse um candidato da esquerda radical em disputa com qualquer outro moderado. Como seria a cobertura das eleições? Será que se buscaria um falso equilíbrio entre as duas forças como acontece desde que os Bolsonaro passaram a disputar a presidência do Brasil?

A resposta é óbvia e a pergunta uma provocação para pensar no embuste que é a imparcialidade da imprensa desde a ascensão da extrema direita pós-redemocratização. Em especial nessas eleições, quando a aliança entre os Bolsonaro e a extrema direita dos Estados Unidos já interfere na nossa soberania, inclusive nas próprias eleições.

Nem assim a imprensa cumpriu o papel de informar com rigor quais são os projetos políticos em disputa no país. Com o argumento da “polarização”, apresentou, e continua a apresentar, a centro-esquerda de Lula como pólo inverso e, portanto, equivalente à extrema direita de Flávio Bolsonaro – um erro, também jornalístico, que enviesa toda a cobertura da campanha.

A esquerda caminhou para o centro enquanto a direita se deslocou para a ponta extrema, esse é o fato oculto sob a suposta “polarização” dos eleitores. A terceira via, tão desejada pela imprensa, está na chapa Lula-Alckmin como sabemos desde 2022. Em termos simples, à moda das redes, Lula não é comunista, mas Flávio é fascista, e a imprensa poderia ter deixado essa diferença clara para a população.

Tendo como escudo a alegada isenção e a falsa equiparação como método, a imprensa contornou o tema mais importante das eleições nacionais, as primeiras depois de uma tentativa de golpe de Estado, quando enfim o país conseguiu condenar presidente e generais que conspiraram contra a nossa suada democracia. E que agora, tem a soberania ameaçada pelos Estados Unidos de Donald Trump e Marco Rubio.

Não estou cobrando de jornais e emissoras de rádio e TV, de propriedade de famílias ricas, que sejam sequer progressistas, como são, aliás, a esmagadora maioria dos jornalistas que para eles trabalham, mas que pelo menos honrem o lugar que ocupam entre as instituições democráticas brasileiras. Assim como não existe democracia sem imprensa livre, não existe imprensa livre sem democracia.

Nem o risco à liberdade de imprensa e de expressão, que deveria ser valor inegociável de jornais, emissoras de TV e rádio, fez com que expusessem claramente a possibilidade real, e já ensaiada, de Flávio Bolsonaro rasgar a Constituição.

O monitoramento e a investigação de questões cruciais dessas eleições, como o lobby dos Bolsonaro no governo Trump, a farsa do Dark Horse, a predominância dos aliados políticos de Flávio no Caso Master e em outros casos envolvendo o crime organizado, a interferência dos Estados Unidos e das Big Techs ficou a cargo de veículos menores, feitos por jornalistas, que podem exercer a profissão de forma totalmente independente.

A imprensa também se esquivou de alertar os cidadãos sobre o que a eleição de Flávio Bolsonaro tiraria dos brasileiros e que afeta todos nós (excluindo o 1% mais rico que ganha 31,6 vezes mais que a metade mais pobre da população). Os usuários do SUS, os médicos, professores, dentistas, e outros profissionais da saúde e educação, assim como as famílias que utilizam os equipamentos públicos não foram alertados do risco que correm os sistemas públicos de educação e saúde – mesmo com muitos exemplos a retirar da pandemia da Covid, incluindo a contribuição desastrosa dos hospitais federais do Rio, gerenciados por indicados pelo próprio Flávio Bolsonaro no governo do pai.

Enquanto cobrava dos candidatos e eleitores o debate sobre “propostas”, e noticiava escândalos com base em vazamentos seletivos, permitiu a omissão de Flávio não apenas em relação às explicações devidas no caso Vorcaro, mas em se posicionar claramente sobre temas que afetam diretamente os direitos individuais e coletivos, como a demarcação de terras indígenas e quilombolas, ou as políticas para a promoção de igualdade de gêneros e de proteção aos direitos das pessoas LGBTQIA+ – inexistente em seu programa de governo e ainda mais relevantes pelo sofrimento imposto às pessoas trans pelo governo Donald Trump, inspiração confessa dos Bolsonaro. Sem falar nos jornalistas, cientistas, artistas e professores perseguidos no governo de Jair e de Trump.

Não se procurou nem ouvir as pessoas de verdade, com reportagens destacadas sobre comunidades que seriam ainda mais ameaçadas pelo garimpo e outros crimes, ou sobre famílias que têm um filho ou filha trans sob ameaça de violência, assim como aquelas que saíram da miséria e temem voltar para ela, ou com adolescentes que dependem de bolsas e programas sociais para ficar na escola e agora não têm garantia de futuro – ainda mais ameaçado com o fim das políticas contra o racismo e a desigualdade de gêneros.

Reduzidas a iniciativas eleitoreiras – mesmo que a crítica também caiba – também não contribuiu para o debate sobre o mérito de políticas como o fim da jornada 6×1 (uma iniciativa da sociedade), a proibição das bets e o aumento ao Bolsa Família. Nem pressionou Flávio para saber o que acontecerá com medidas de evidente interesse público, que têm que ser defendidas como direitos dos cidadãos e já são alvo de críticas, senão pelo próprio Flávio, por medo de perder votos, por seus aliados políticos – incluindo o “mercado”.

Esses e outros exemplos estão expostos agora nas redes sociais na onda que pegou os cidadãos conscientes do desequilíbrio das propostas e da possibilidade de evitar o tsunami anticonstitucional que seria a aliança Bolsonaro-Trump através do convencimento de eleitores menos radicais, apáticos ou ausentes. Não estão errados. Embora os resultados da primeira pesquisa Datafolha de 2º turno coloquem Flávio quatro pontos à frente de Lula, eu não subestimo o poder das formiguinhas em campanhas eleitorais. A ver.

Longa vida aos jornalistas combativos, à mídia independente, e sobretudo aos brasileiros que ainda buscam o diálogo como ferramenta para manter e aprimorar a democracia e garantir a liberdade e os direitos de todos os cidadãos.

  •  

STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

O Supremo Tribunal Federal (STF) está longe de ser perfeito na análise de três juristas especialistas em direito constitucional, direitos humanos e reforma do Estado ouvidos pela Agência Pública. As suas imperfeições e a recente crise institucional que a mais alta instância do poder judiciário no Brasil e “guardiã da Constituição Federal” está passando, não devem ser, entretanto, usadas como justificativa do jogo político que visa aumentar a impunidade. E é consenso entre os três, que o risco existe. 

“O desgaste do STF pode ser usado politicamente não apenas para corrigir excessos da Corte, o que é legítimo, mas para reduzir sua capacidade de funcionar como limite ao poder político”, afirma Amarílis Costa, doutora em Direitos Humanos e diretora-executiva da Rede Liberdade, que atua em casos de violação de direitos e liberdades individuais. “Uma coisa é democratizar, tornar mais transparente e limitar excessos do STF. Outra é submeter a Corte à maioria parlamentar de ocasião”, argumenta.

Costa destaca a importância da Corte e de sua estabilidade justamente para aqueles que não estão nas rodas do poder. “Isso importa especialmente em direitos humanos, porque minorias e grupos historicamente vulnerabilizados dependem de uma jurisdição constitucional capaz de conter maiorias quando seus direitos estão em risco”, acrescenta.

Advogada Amarillis Costa
Advogada Amarillis Costa vê tentativa de limitar ações do STF contra políticos no poder

O professor de direito na PUC-SP e ex-secretário Nacional de Reforma do Judiciário no governo Dilma Rousseff, Flávio Crocce Caetano, concorda com a advogada. Ele acrescenta que “ a conjuntura política se tornaria muito favorável a medidas autoritárias de um eventual governo Bolsonaro, com diminuição do papel do STF, possível impeachment de ministro, além da redução do prazo de mandatos atuais, aumento do número de cadeiras para obtenção de imediata maioria e parceria perene com o Legislativo”. 

Para Caetano, “experiências autocráticas” em outros países são exemplos de concentração de poder nas mãos do Executivo, com ajuda do Legislativo, para o “apequenamento do Judiciário”. 

O também professor Rubens Beçak, livre-docente em Teoria Geral do Estado na USP, acompanha seus pares sobre o risco de Flávio Bolsonaro, se eleito presidente, “tentar minar o papel do Supremo, mesmo enfrentando “reações da opinião pública, da comunidade jurídica e provavelmente do próprio tribunal”. 

Ele ressalva que isso não significa que “discutir a redução do ativismo judicial, o excesso de decisões monocráticas e até os critérios de indicação dos ministros” não seja legítimo. “Essas mudanças podem contribuir para um Supremo melhor”, avalia Beçak que não descarta a possibilidade de se realizar uma Reforma do Judiciário. 

Reforma do Judiciário pode sanar excesso de decisões individuais

Flávio Caetano é professor na PUC-SP e foi secretário Nacional de Reforma do Judiciário durante a gestão de Dilma Rousseff
Flávio Caetano é professor na PUC-SP e foi secretário Nacional de Reforma do Judiciário durante a gestão de Dilma Rousseff

Já Flávio Caetano diz que “é necessária uma Reforma do Judiciário, que também atinja o Supremo.” Segundo o professor da PUC, estamos “diante de uma crise institucional, e de uma disfuncionalidade do STF”. Essa conjuntura “tem levado a posturas muito individuais dos ministros” e um acúmulo de decisões monocráticas, que faz o Plenário da Corte ficar diminuído. 

Amarílis Costa denomina o problema de individualização excessiva do poder, o que, segundo ela, “não significa eliminar decisões monocráticas”. “Elas são necessárias em situações urgentes. O problema surge quando uma decisão concebida como provisória produz, por longo período, efeitos equivalentes aos de uma decisão definitiva”, explica.

As decisões monocráticas foram alargadas nas práticas das últimas décadas do Supremo, e por isso deveriam ser “extremamente limitadas” na análise de Rubens Beçak. “Não é desejável que um ministro tenha poder individual sobre questões tão importantes”, afirma. “O correto é que a decisão individual, depois de tomada, seja prontamente submetida à Turma ou ao Plenário”, complementa. 

O comportamento do STF em período eleitoral

Rubens Beçak, professor na Faculdade de Direito da USP
Rubens Beçak, professor na Faculdade de Direito da USP, considera correta postura de presidente do STF, Edson Fachin, sobre processo sobre caso Master

Além da concentração de poder, os ministros do STF são, comumente, criticados por decisões que podem influenciar a opinião pública e as intenções de voto em período eleitoral. Para os juristas entrevistados pela Pública, porém, os casos precisam ser analisados de acordo com a realidade e contexto de cada um. 

O presidente do STF Edson Fachin, por exemplo, recebeu críticas de parte do eleitorado do presidente Lula (PT) por manter não dar seguimento às investigações do inquérito do Master e do INSS que ele recolheu ao seu gabinete após os embates entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Os juristas, no entanto, formaram consenso sobre a postura correta do ministro presidente. “Diante de uma situação tão conturbada, achei acertada a decisão do ministro [Edson Fachin]. Ele adotou uma medida provisória, que não me parece representar uma decisão definitiva. Considerei a decisão uma medida um pouco profilática. O presidente tem essa função”, comenta Rubens Beçak.   

Avaliação compartilhada por Flávio Caetano que considera a “decisão do presidente do Supremo de centralizar os casos que envolvam eventuais indícios ou suspeitas envolvendo ministros da própria Corte, tanto nos casos do Banco Master como do INSS, correta”. 

Amarílis Costa também afirma que há fundamento jurídico para a remessa. A advogada, no entanto, pondera que “a preocupação começa quando a preservação de competência se confunde com controle da investigação. Encaminhar informações ao tribunal competente é legítimo. Transformar a Presidência em filtro sobre o que pode ou não ser investigado seria outra coisa”. 

Para ela, “independência judicial não significa imunidade investigativa.” “O modelo será legítimo se proteger a regularidade do procedimento. Se produzir uma estrutura de autoproteção institucional, teremos um problema democrático”, ressalta.

No caso de ministros do Supremo, Flávio Caetano explica que crimes comuns são julgados pelo Plenário do STF. Quando se trata de crime de responsabilidade, o Senado Federal passa a ser o responsável. “O que não está muito claro é como haver uma investigação administrativa de algum ministro do Supremo”, diz. Na interpretação do professor, de toda forma, a “apuração administrativa ou disciplinar” sobre seus próprios membros é um procedimento adequado ao Pleno da Corte.  

A liberdade de Jair Bolsonaro analisada por Nunes Marques

Quando se trata da análise pelo ministro Nunes Marques da revisão criminal do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, os juristas divergem em alguns pontos. 

Flávio Caetano, professor da PUC, afirma que não vê possibilidade desta análise ser feita de forma monocrática porque seria a revisão de algo que foi decidido pelo colegiado. Portanto, apenas o colegiado poderia julgar. 

Já o docente da USP, Rubens Beçak, considera que o ministro poderia sim tomar uma decisão, favorável ou não ao ex-presidente, já que a defesa tem o direito de solicitar essa revisão. Beçak salienta que mesmo sendo “impactante” conceder uma liminar para a libertação do ex-presidente, estaria “dentro do conjunto de competências de quem analisa um pedido de revisão criminal”.

Uma medida cautelar do relator não é “juridicamente impossível” na análise de Amarillis Costa que nesse ponto concorda com Beçak. Por outro lado, a advogada  declara que uma “decisão individual capaz de suspender os efeitos de uma condenação definitiva e alterar a situação de liberdade de um ex-presidente, exigiria fundamentação especialmente robusta e rápida apreciação pelo colegiado”, se aproximando da visão de Caetano.

“O ponto mais delicado é o calendário eleitoral. O Judiciário precisa compreender a conjuntura política sem permitir que ela se transforme em critério jurídico. A pergunta relevante é se a mesma decisão seria tomada, no mesmo momento e com os mesmos fundamentos, caso o condenado fosse outra pessoa e não estivéssemos em período eleitoral”, diz Costa.

Para Caetano, “eventualmente pode haver — não estou dizendo que há — alguma conotação política para um julgamento antecipado de uma revisão que talvez ainda não fosse o momento de ser julgada. Isso tem que ser observado em relação a casos similares, como o Supremo tem se posicionado. A partir daí, pode-se analisar se há um componente de conveniência política ou não”, acrescenta.

Após a divulgação do resultado do primeiro turno das eleições, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma reportagem dizendo que o ministro Nunes Marques pretendia soltar uma liminar sobre o pedido de revisão criminal da defesa de Jair Bolsonaro. Por nota, o gabinete do ministro informou que ele encaminharia a solicitação ao Plenário. Na última quarta-feira, 7 de outubro, reconsiderou afirmando que só analisaria o pedido após o segundo turno. 

“O ministro Nunes Marques entendeu, até acertadamente, que deixaria a análise para depois do segundo turno. Não necessariamente por ser presidente do TSE, mas porque foi uma decisão de bom senso, considerando que isso poderia conturbar ainda mais as eleições”, concluiu Rubens Beçak.

  •  

Diretor da Fórum denuncia que Flávio negociava delação de Vorcaro contra Lula

A divulgação de um áudio em que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirma ter financiado o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, ampliou a disputa política entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O episódio ganhou novos contornos após o diretor de redação da Fórum, Renato Rovai, denunciar um suposto acordo no qual Flávio negociaria uma delação de Vorcaro contra Lula e, em contrapartida, se comprometeria a proteger o banqueiro caso fosse eleito. A denúncia ainda precisa ser comprovada.

A revista Veja publicou nesta sexta-feira (9) trechos de uma gravação atribuída a Vorcaro, na qual ele afirma ter colocado dinheiro na produção do documentário sobre Lula e diz que o financiamento teria ocorrido de maneira irregular. Segundo a publicação, os pagamentos envolveriam cerca de R$ 30 milhões em espécie, além de repasses ao Instituto Lula. Até o momento, os valores mencionados não foram comprovados publicamente.

Antes da publicação da Veja, Rovai afirmou, em publicação na rede X nesta quinta-feira (8), que o vazamento estaria relacionado a um suposto entendimento entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Segundo o diretor da Fórum, o banqueiro teria interesse em divulgar informações contra Lula, enquanto o senador se comprometeria a protegê-lo caso fosse eleito presidente.

Celular de Vorcaro não registra o suposto pagamento

Uma apuração publicada pelo UOL nesta sexta-feira acrescentou informações ao caso. Segundo o veículo, as conversas extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025, não apresentam registros de pagamentos ou patrocínios ao documentário de Oliver Stone. O aparelho contém, porém, referências a investimentos em produções sobre Jair Bolsonaro e Michel Temer.

O UOL também informou que o documento com o relato detalhado dos pagamentos de R$ 30 milhões em espécie, citado pela Veja, não aparece nas três propostas de delação apresentadas pela defesa do banqueiro. Uma dessas propostas, entretanto, mencionava o patrocínio a filmes sobre Lula e Michel Temer. Fontes ouvidas pelo UOL na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na PF disseram desconhecer a gravação e o documento específico descrito pela revista.

A PGR rejeitou a proposta de colaboração de Vorcaro por considerar que ela não apresentava novidades relevantes em relação às provas já obtidas. Segundo o UOL, o banqueiro não chegou a prestar depoimento oral no âmbito das tratativas. A defesa de Vorcaro afirmou que ele teria elementos para sustentar suas declarações.

Relação de Flávio com Vorcaro entra no radar da PF

A relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro também aparece nas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Reportagens do Intercept Brasil revelaram mensagens relacionadas à negociação de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões, para financiar a produção. Segundo informações publicadas pelo UOL, ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos para custear o projeto. Os valores negociados não devem ser confundidos com os recursos efetivamente transferidos.

Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025, e afirmou que a reunião tratou do encerramento de sua participação no projeto. As movimentações financeiras relacionadas ao filme são objeto de investigação da Polícia Federal.

Campanha de Lula anuncia medidas judiciais

A controvérsia ganhou força às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. A campanha de Lula negou as acusações relacionadas ao documentário e anunciou medidas judiciais contra Vorcaro e a revista Veja. Também acusou os envolvidos de tentar interferir no processo eleitoral. Entre as providências anunciadas estão pedidos de investigação e medidas judiciais contra os responsáveis pela divulgação das acusações.

O Grupo Prerrogativas também acionou a Polícia Federal para pedir a investigação de uma suposta articulação envolvendo Vorcaro e a campanha de Flávio Bolsonaro. A representação solicita que sejam verificadas informações sobre negociações para uma entrevista do ex-banqueiro a uma emissora de televisão e sobre a existência de uma gravação atribuída a ele. O grupo afirma que não teve acesso ao áudio e pede que as informações sejam apuradas pela polícia.

The post Diretor da Fórum denuncia que Flávio negociava delação de Vorcaro contra Lula appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Grupo Prerrogativas aciona PF para investigar suposta articulação entre Vorcaro e campanha de Flávio Bolsonaro

O Grupo Prerrogativas acionou a Polícia Federal (PF) na quinta-feira (8) para solicitar a investigação de uma possível articulação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

A notícia de fato foi apresentada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. O documento pede que sejam apuradas informações sobre negociações para uma entrevista de Vorcaro a uma emissora de televisão e a existência de uma gravação de depoimento atribuída ao ex-banqueiro.

Segundo os relatos mencionados na representação, o suposto material conteria referências a adversários de Flávio na disputa presidencial e a integrantes do governo federal.

Os representantes do grupo afirmam que as alegações ainda não foram comprovadas. No documento, sustentam que as informações poderiam ter sido elaboradas para produzir efeitos políticos na reta final da eleição. Eles ressaltam que não tiveram acesso à gravação e que apresentam o caso à PF para que os fatos sejam verificados.

Advogados pedem apuração de gravação e negociações

Entre as solicitações encaminhadas à Polícia Federal estão a análise prioritária do caso e a confirmação da existência do áudio mencionado. Os advogados também pedem a identificação das pessoas que estariam negociando a participação de Vorcaro em uma entrevista televisiva.

A representação ainda solicita que, caso sejam divulgadas novas declarações atribuídas direta ou indiretamente ao ex-banqueiro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou integrantes do governo, seja verificada a origem do conteúdo e sua correspondência com o material citado no pedido, respeitando os limites relacionados à atividade jornalística.

O grupo também quer que os fatos sejam comunicados ao relator da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, e ao procurador-geral eleitoral.

Na madrugada desta sexta-feira (9), a revista Veja publicou uma reportagem sobre um áudio e documentos atribuídos a Vorcaro. Segundo a publicação, o ex-banqueiro teria afirmado que liberou recursos para a produção do documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, em uma operação que envolveria um ex-tesoureiro do PT e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A CNN tenta contato com os citados.

Repasse para filme sobre Jair Bolsonaro também é mencionado

Na representação, os advogados também fazem referência a mensagens e áudios divulgados anteriormente sobre uma negociação financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

O caso envolve um suposto repasse de US$ 24 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões. Flávio afirmou que buscava recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Documentos apontam que ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido transferidos por meio de diferentes operações bancárias para custear o projeto.

Os advogados do Prerrogativas argumentam que a divulgação de acusações envolvendo terceiros, às vésperas do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, poderia desviar a atenção dos repasses relacionados ao filme e de outras linhas de investigação do caso Master.

Na avaliação apresentada ao órgão policial, essa movimentação também poderia criar um ambiente político favorável à soltura de Vorcaro e à impunidade dos envolvidos. Essas afirmações integram os argumentos da representação e ainda dependem de apuração pelas autoridades.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e senador Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução

The post Grupo Prerrogativas aciona PF para investigar suposta articulação entre Vorcaro e campanha de Flávio Bolsonaro appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Lula and Bolsonaro technically tied in first poll ahead of presidential runoff vote

Bazilian senator and presidential candidate Flávio Bolsonaro starts the runoff race with an advantage for the October 25 second round. A Datafolha poll, the first since Brazilians voted last Sunday, gives him 52% of valid votes. President Luiz Inácio Lula da Silva is four points behind, at 48%. That gap lies outside the margin of error, which is two points either way.

Seguir leyendo

© Adriano Machado (REUTERS)

Flávio Bolsonaro in Brasília on Thursday.
  •  

Influenciador responde crítica à Bahia e chama bolsonarismo de “câncer do Brasil”

O criador de conteúdo político baiano Elias Barbosa rebateu uma crítica feita à Bahia e chamou o bolsonarismo de “câncer do Brasil”. A declaração foi dada em resposta a uma provocação sobre o estado ter elegido um candidato do PT como governador. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele retrucou acusando o bolsonarismo de intensificar o discurso de ódio contra minorias e disseminar a discórdia.

O influenciador afirmou que o bolsonarismo profana a religião cristã ao criar uma imagem de mito em torno de Jair Bolsonaro. Segundo ele, o cristão idolatra mais a família Bolsonaro do que a Jesus. Elias Barbosa também criticou a transformação da igreja em palanque político e afirmou que o movimento age contra os pobres e trabalhadores.

The post Influenciador responde crítica à Bahia e chama bolsonarismo de “câncer do Brasil” appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 52% e Lula com 48% dos votos válidos no 2º turno

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 52% das intenções de votos válidos no segundo turno da eleição presidencial de 2026, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8). É o primeiro levantamento do instituto após a definição da disputa entre os dois candidatos.

Na simulação com votos totais, Flávio registra 49%, enquanto Lula soma 45%. Os eleitores indecisos representam 1%, e 5% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Por isso, a diferença de quatro pontos nos votos totais está no limite da margem de erro do levantamento.

Na pesquisa anterior do Datafolha, divulgada antes do primeiro turno, Lula tinha 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 46% de Flávio, cenário de empate técnico.

O resultado das urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, também favoreceu o senador do PL. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.

Avaliação do governo Lula

O levantamento também mediu a avaliação do governo federal. Para 40% dos entrevistados, a gestão de Lula é ruim ou péssima. Outros 35% consideram o governo ótimo ou bom, enquanto 24% avaliam a administração como regular.

Na avaliação pessoal do presidente, 49% disseram desaprová-lo, ante 48% que afirmaram aprová-lo.

A pesquisa ouviu 2.520 eleitores entre os dias 6 e 7 de outubro. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02949/2026.

A campanha do segundo turno segue até a votação de 25 de outubro, quando os eleitores escolherão o próximo presidente da 

The post Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 52% e Lula com 48% dos votos válidos no 2º turno appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Com Flávio, o Brasil pode virar um grande garimpo

Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail? Assine a newsletter Ligando os pontos, enviada toda quinta-feira. Para receber as próximas edições, inscreva-se aqui.

O amor da família Bolsonaro pelo garimpo não é novidade. Ficou famosa a frase de Jair Bolsonaro de que ele mesmo gostava de “faiscar”, de pegar uma bateia e sair em busca de pepitas de ouro. Porém, essa visão romântica de como funciona a mineração não ajudou a esconder os enormes danos causados pela ilegalidade garimpeira nos quatro anos de sua gestão.

Dados da plataforma independente Amazon Mining Watch revelam que, durante o governo Bolsonaro, a velocidade de crescimento dos garimpos foi exorbitante. No início de 2019, quando se tornou presidente, o monitoramento por imagens de satélite mostrava que existiam 201,5 mil hectares de áreas de mineração de ouro na Amazônia. Quatro anos depois, já eram 401,5 mil hectares, uma área igual a 3,3 vezes a cidade do Rio de Janeiro e 92% maior que no início do governo.

Para fins de comparação, a mesma ferramenta, que utiliza inteligência artificial para analisar imagens Sentinel-2 com resolução de 10 metros, indica que, durante o governo de Lula 3, a taxa de crescimento foi bem menor – 24,3%, elevando o total de áreas de garimpo na Amazônia a 499 mil hectares até a metade desde ano. Este resultado coincide com o aumento de ações de fiscalização durante a gestão petista. A repressão ocorreu principalmente em áreas de mineração nas terras indígenas e pela apreensão de máquinas usadas pelos criminosos ambientais.

Durante o governo de Bolsonaro, foram muitas as evidências de que os garimpeiros ilegais tinham portas abertas nos gabinetes de Brasília. Uma investigação do The Intercept revelou gravações nas quais Eduardo Bim, então presidente do Ibama, órgão que deve zelar pela proteção ao meio ambiente, pedia para fiscais aliviarem a barra de uma empresa investigada por falsificar lavras de extração de ouro. 

Essas evidências, de que os interesses escusos estão intimamente conectados ao clã Bolsonaro, foram reforçadas na semana passada com uma reportagem da Agência Pública mostrando que um dos chefões dos garimpos na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, foi um dos articuladores da fuga para os Estados Unidos de Alexandre Ramagem, o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão Bolsonaro. Foragido da justiça, Ramagem está condenado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista. 

Já faz mais de uma década que os arautos da extrema direita gostam de “lacrar” dizendo que o Brasil governado pelos candidatos de esquerda, como Lula e Dilma, estava a um passo de se tornar a Venezuela. Uma grande fake news: nada do que ocorreu aqui nas últimas duas décadas se compara com os sofrimentos causados pelos erros do chavismo no país vizinho. Aqui não houve mudança na Constituição para acabar com o limite de mandatos presidenciais. As eleições foram respeitadas e sempre aferidas por observadores transparentes. A autonomia entre os poderes segue preservada.

Mas é no tema da soberania sobre seus recursos naturais onde, infelizmente, Brasil e Venezuela estão se aproximando cada vez mais. A invasão promovida na Venezuela por Trump para impor um governo subserviente aos interesses dos Estados Unidos gerou uma nova corrida pelo ouro e minérios daquele país. A atual presidente, Delcy Rodríguez, tem se mostrado pródiga em deixar a exploração de petróleo e ouro nas mãos do governo norte-americano – em 18 de setembro, por exemplo, o Financial Times noticiou que  31 toneladas em barras de ouro estavam sendo negociadas para serem transferidas da Venezuela para o Banco Central dos EUA.

Isso ocorre exatamente no momento em que operações do exército venezuelano, com ajuda militar norte-americana, tentam dominar a atuação de grupos ilegais no Arco Mineral do Orinoco, uma grande zona mineira criada em 2016 por Nicolás Maduro com o objetivo de gerar novas receitas para seu regime autoritário. Nunca deu certo, pois as minas de ouro foram sempre controladas pelos chamados “sindicatos”, organizações infra-legais atuando em conluio com militares corruptos.

Até o momento, as ações de repressão também não estão funcionando. Como mostrou o site de notícias Armando.info, os grupos criminais continuam hackeando o sistema e contrabandeando ouro ilegal para dentro do mercado norte-americano. Na verdade, mais do que isso: a Venezuela se tornou um hub de lavagem de ouro ilegal. Os garimpos que ainda continuam operando em territórios indígenas no Brasil têm usado a estrutura clandestina do país vizinho para exportar ouro à Índia, Oriente Médio, EUA e Europa.

Assim como a venezuelana Delcy Rodríguez, Flávio Bolsonaro mostrou-se disposto a sacrificar a soberania de seu país. Já deu muitos sinais de que vai abrir portas para uma intervenção norte-americana para combater o crime organizado, caso eleito. Em todos os países da América Latina onde isso ocorreu, os resultados têm sido desastrosos. A presença dos Estados Unidos na Colômbia, no Peru, no México e na Venezuela não alterou o quadro de ilegalidade generalizada. Apenas levou a uma valorização dos produtos ilícitos, intensificação da violência e impulsionou a reorganização dos grupos criminosos.

Talvez o leitor menos conhecedor das agruras geradas pela mineração ilegal na Amazônia possa perguntar porque afinal não deveria o Brasil aproveitar a oportunidade e lucrar com as altas cotações do ouro. A questão é que, por detrás dos garimpos, há uma cadeia de danos ambientais e sociais. Se aqui, como na Venezuela, o caminho for fazer um acordo com os Estados Unidos, é muito provável que eles fiquem com os ganhos e nós com a contaminação dos rios e matas.

  •  

What are Jair Bolsonaro’s chances of being freed? And on what timeline?

The inauguration in Brazil includes a moment of enormous symbolism that comes courtesy of the architect Óscar Niemeyer. The elected head of state arrives at the Praça dos Três Poderes and ascends to power on foot, walking up the ramp that leads into Planalto Palace. “In 2027, I will climb the ramp with my father,” Flávio Bolsonaro repeatedly promised during the presidential campaign; he is now the favorite to win the October 25 runoff after attracting 47% of the vote last Sunday over incumbent president Luiz Inácio Lula da Silva’s 45%. Flávio knows that his supporters prefer the original Bolsonaro to the copy. He has also declared that, if he defeats President Lula on October 25, his first move will be to pardon Jair Messias Bolsonaro, who is serving a 27-year sentence for attempting a coup.

Seguir leyendo

© Isaac Fontana (EFE)

A supporter displays a portrait of former president Bolsonaro (2019–2022) in Santa Bárbara d’Oeste.
  •  

Disputa pela PEC do fim da 6×1 opõe governo e oposição no Senado antes do 2º turno

A tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 ganhou novo peso no Senado em meio à reta final do segundo turno das eleições presidenciais. O governo trabalha para acelerar a análise e tentar levar a proposta à votação antes de 25 de outubro, enquanto a oposição, liderada pelo PL, busca postergar a decisão para depois do pleito.

Na quarta-feira (7), os senadores realizaram a segunda das cinco sessões de discussão previstas antes da votação em primeiro turno. Assim como na primeira sessão, a presença de parlamentares da oposição foi reduzida, enquanto integrantes da base governista participaram em maior número. Uma terceira sessão está prevista para esta quinta-feira (8), seguida de outras duas na próxima semana.

Pelo calendário divulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a expectativa é que o primeiro turno ocorra em 15 de outubro. A votação, porém, pode ter o cronograma alterado caso seja aprovado um requerimento para acelerar a tramitação.

Oposição quer deixar votação para depois das eleições

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, defende que a PEC não seja votada durante o período eleitoral. Para ele, uma mudança dessa dimensão deveria ser analisada fora do contexto das eleições.

Marinho classificou a discussão neste momento como oportunista e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria tentando recuperar espaço junto ao eleitorado.

Apesar da intenção de atrasar a análise, a oposição ainda não fechou uma estratégia única para a votação. Parlamentares do grupo, principalmente do PL, defendem que o Senado siga rigorosamente as regras regimentais e que não haja mudanças no rito para acelerar o processo.

O tema também gera um dilema eleitoral para os oposicionistas. Há preocupação de que a aprovação da PEC possa favorecer a candidatura de Lula, mas, ao mesmo tempo, uma eventual posição contrária à redução da jornada poderia trazer dificuldades para a campanha de Flávio Bolsonaro.

O candidato do PL afirmou na quarta-feira (7) que possui uma alternativa ao modelo defendido pelo governo para acabar com a escala 6×1. Marinho também se posicionou contra o texto em discussão e defendeu uma proposta que já tramita no Senado.

A alternativa prevê maior flexibilidade na organização das jornadas, com possibilidade de remuneração proporcional às horas trabalhadas. Na avaliação de Marinho, a definição da escala não deveria ser imposta de maneira única e poderia ser estabelecida por meio de negociações.

Governo articula calendário especial

Enquanto a oposição tenta ganhar tempo, a liderança do governo no Senado trabalha para reduzir o prazo de tramitação. A líder governista, Teresa Leitão (PT-PE), articula a coleta de assinaturas para apresentar um requerimento de calendário especial.

A intenção é permitir que a PEC avance mais rapidamente e seja votada antes do segundo turno. Para isso, o governo pretende utilizar uma possibilidade prevista no regimento do Senado que permite reduzir o intervalo entre as votações.

Atualmente, o rito estabelece cinco sessões de discussão antes do primeiro turno e outras três antes da segunda votação. Também existe previsão de um intervalo de cinco dias úteis entre os dois turnos, chamado de interstício.

O regimento, porém, permite que esse intervalo seja dispensado caso o plenário aprove a medida. É justamente essa possibilidade que o governo pretende utilizar para tentar acelerar a conclusão da análise.

Alcolumbre afirmou que, caso um requerimento seja apresentado à Mesa, colocará a proposta em votação para que os próprios senadores decidam sobre a mudança no calendário.

PEC estava parada desde maio

A proposta permaneceu sem avanço no Senado desde maio, quando foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Alcolumbre havia evitado colocar a matéria em discussão no plenário nos meses seguintes, argumentando que o tema poderia interferir no ambiente eleitoral.

As negociações para destravar a tramitação avançaram no fim de agosto, durante um almoço que reuniu Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na ocasião, foi discutida a pauta da semana de esforço concentrado, que acabou incluindo a PEC.

Com o acordo para retomar a discussão, o Senado iniciou nesta semana o calendário de sessões que antecedem a votação. Pelo cronograma anunciado por Alcolumbre, a primeira análise em plenário pode ocorrer em 15 de outubro.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado | Foto: Divulgação

The post Disputa pela PEC do fim da 6×1 opõe governo e oposição no Senado antes do 2º turno appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Vídeo: AtlasIntel aponta empate entre Lula e Flávio no 2º turno

Pesquisa AtlasIntel mostra Lula (PT) com 50,1% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro (PL) com 49,9% em um cenário de segundo turno. O levantamento foi divulgado antes do primeiro turno e registra empate técnico dentro da margem de erro de 1 ponto percentual.

Nos votos totais, Lula aparece com 47,6%, enquanto Flávio soma 47,4%. A pesquisa ouviu 4.945 eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro.

O resultado foi exibido pela RedeTV! nesta quarta-feira (07/10). Durante a reportagem, o comentarista político Melo classificou o cenário como “surpreendente”.

Vídeo: RedeTV

The post Vídeo: AtlasIntel aponta empate entre Lula e Flávio no 2º turno appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

Segundo turno no Brasil: que fatores levarão à vitória eleitoral?

Lula falhou em atender às demandas do povo – e agora enfrenta as consequências.

Junte-se a nós no Telegram , X e VK.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras terminou com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) na frente de Lula da Silva (PT) por 47% a 45%. Nas eleições parlamentares, o PT e a esquerda sofreram derrotas esmagadoras em todo o país, indicando uma crescente rejeição da esquerda entre os brasileiros comuns. Agora, nas últimas semanas restantes antes da decisão final sobre quem governará o país a partir do próximo ano, a questão permanece aberta: que fatores serão considerados pelos eleitores na escolha do presidente?

O governo Lula tem tomado várias medidas consideradas “desesperadas” para reverter sua crise de impopularidade e retomar apoio na reta final das eleições. A ampliação de programas sociais é uma dessas medidas, mas sua eficiência política é cada vez mais contestável. Após décadas de redistribuição de renda nos governos PT, sem que isso representasse qualquer mudança real na situação dos trabalhadores, a avaliação dessas políticas tem se tornado cada vez mais negativa.

O problema central para Lula é que uma parcela significativa do eleitorado parece estar menos interessada em novas medidas paliativas e mais preocupada com problemas que permanecem presentes em sua vida cotidiana. Segurança pública, emprego, renda, inflação e qualidade dos serviços públicos têm impacto muito mais direto sobre a população do que os grandes debates promovidos pelo governo.

A segurança talvez seja o exemplo mais evidente. O avanço das organizações criminosas, a expansão territorial do crime organizado e a sensação de impunidade transformaram a violência em uma das principais preocupações nacionais. Para milhões de brasileiros, a questão deixou de ser uma discussão abstrata sobre políticas de segurança. Trata-se de uma realidade cotidiana que determina onde as pessoas podem morar, trabalhar, circular e até mesmo abrir um negócio – ainda mais especialmente nos grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro, onde o crime organizado já controla algo entre 60% e 70% do território total da cidade.

Nesse contexto, propostas associadas à agenda cultural progressista também podem produzir custos eleitorais importantes para a esquerda. O debate brasileiro sobre questões de gênero, identidade, educação e direitos de minorias passou a reproduzir cada vez mais conflitos políticos originados nos Estados Unidos e na Europa. Uma parte considerável da população, porém, não se identifica com essa agenda e considera que o Estado deveria concentrar seus esforços em problemas materiais mais urgentes.

Isso ajuda a explicar por que o segundo turno provavelmente será decidido muito mais por questões domésticas do que pela política externa – que é a parte mais elogiada do governo Lula na comunidade internacional de especialistas. Os BRICS, a Palestina ou a posição brasileira diante dos Estados Unidos podem mobilizar setores politizados da sociedade, mas definitivamente não constituem as principais preocupações do eleitor médio quando ele decide seu voto.

A política externa possui importância estratégica para o Estado brasileiro. O cidadão comum, entretanto, tende a avaliá-la através de seus efeitos concretos sobre a própria vida. Uma política externa considerada bem-sucedida não compensará, por si só, uma percepção de insegurança, desemprego ou deterioração dos serviços públicos. E à medida que o governo Lula evita combater o problema do crime organizado diretamente, cresce naturalmente a popularidade de uma direita que elogia os EUA por considerarem as facções criminosas brasileiras terroristas.

O mesmo vale para os já mencionados programas de transferência de renda. Esses mecanismos podem até possuir uma função social importante em um país marcado por desigualdades profundas, mas sua utilização como principal instrumento de política social apresenta limitações graves. Transferir renda pode aliviar uma situação de pobreza, mas não cria automaticamente empregos qualificados, não aumenta a produtividade e não reconstrói a indústria nacional. Pelo contrário, cria uma massa de precarizados dependentes de ajuda governamental. Quando a assistência se transforma em substituto permanente para políticas de desenvolvimento, o problema estrutural permanece.

É justamente nesse ponto que a disputa eleitoral entra em uma fase decisiva. O eleitor terá de escolher entre propostas diferentes para enfrentar problemas que não desapareceram durante os últimos anos. A capacidade de apresentar respostas convincentes para segurança, emprego, renda e ordem social poderá pesar mais do que discursos sobre grandes projetos geopolíticos.

O resultado do primeiro turno também demonstra que a direita brasileira conseguiu transformar o descontentamento doméstico em força eleitoral. A vantagem de Flávio Bolsonaro e a composição do novo Congresso indicam que existe uma demanda significativa por mudança. Isso não significa que todos esses eleitores compartilhem uma mesma visão sobre economia, política externa ou questões culturais. Significa, sobretudo, que existe uma insatisfação suficientemente ampla para alterar o equilíbrio político nacional.

Nas semanas restantes da campanha, portanto, a questão fundamental será saber se o governo conseguirá convencer o eleitorado de que suas políticas oferecem soluções duradouras ou se prevalecerá a percepção de que foram adotadas medidas paliativas para administrar problemas que continuam sem solução.

Falar sobre gênero, direitos humanos ou Palestina definitivamente não ajudará Lula a se reeleger.

  •  

Flávio Bolsonaro announces he wants to ‘reform the Constitution to redemocratize’ Brazil

Right-wing candidate Flávio Bolsonaro, who hopes to win Brazil’s presidential election before the end of the month, announced Tuesday that he intends to leverage the large parliamentary bloc won by his party, the Liberal Party (PL), in Sunday’s vote to push through deep changes. The son of former president Jair Bolsonaro, who is serving a 27-year sentence for plotting a coup against President Lula’s government, said at a campaign event in Goiânia, near Brasília, that he wants to use the PL’s legislative strength to appoint the presidents of the Chamber of Deputies and the Senate and to “reform the Constitution, to redemocratize the country, so that institutions once again respect the Constitution.”

Seguir leyendo

© Adriano Machado (REUTERS)

Flávio Bolsonaro with former governor Ronaldo Caiado (left) and Governor Tarcísio de Freitas, Tuesday in Goiânia.
  •  

Brazil on the brink: Why Lula is down against Bolsonaro Jr.

By Mike ELK

Join us on Telegram, X, and VK.

Contact us: info@strategic-culture.su

There are still three weeks until the next round, and Lula could still win, but it’s gonna take a massive fight. Part of that fight is changing how the international media covers things.

With the Brazilian presidential election headed to a runoff, Luiz Inácio Lula da Silva is down 47% to 45% and faces a massive fight ahead. I wanted to give a quick analysis of what happened and where things are going next.

Lula Could Still Win if He Can Consolidate Support from Third Parties

Lula lost by only 2%, and several third-party candidates, who took a combined 8% of the vote, have publicly indicated they would not endorse Flávio Bolsonaro in the second round.

Likewise, 29 million Brazilians did not vote in this round of the runoff and may be persuaded to vote for Lula in the second round if they fear Bolsonaro.

While Brasil defeated Jair Bolsonaro narrowly in 2022, it swung right again, much like the United States. Voters are upset, and they are taking it out on the party in power.

On Tuesday, the Brazilian Senate is scheduled to vote on a measure that would shorten the Brazilian workweek from six days to five days. Bolsonaro has opposed this measure, and Lula could use the vote to mobilize workers’ support against the Bolsonaro team.

It’s a tough road ahead for Lula, but not impossible.

What Hurt Lula in the First Round?

Three primary factors hurt Lula in the first round. First, Lula’s age and the fact that the Workers’ Party (PT) has held the presidency in Brazil for 18 of the last 24 years.

The second is that the Brazilian corporate media constantly manufactured scandals against Lula.

Finally, the role that US President Donald Trump played in training and validating the right-wing in Brasil, while not decisive, provided critical support. Here’s what went wrong for Lula.

1. Lula is 80 & His Party Ruled Brasil for 18 of the Last 24 Years

Like former US President Joe Biden, one problem Lula faces right now is that he is 80 years old. He doesn’t look as sharp as he used to, while Flávio Bolsonaro is nearly half his age—45 years younger.

Additionally, Lula’s party, the Workers’ Party (PT), has held the presidency for 18 of the last 24 years. Lula and Dilma, both members of the Workers’ Party (PT), held the presidency from 2002 to 2016. Lula was reelected in 2022 for his record third term. No Brazilian has ever won a third term.

Although the PT has rarely controlled Congress, it is seen as the ruling party because it has held the presidency for 18 of the last 24 years. Voters are likely to associate any problems in the country with the PT, which has held the presidency for so long.

While Brasil defeated Jair Bolsonaro narrowly in 2022, it swung right again, much like the United States. Voters are upset, and they are taking it out on the party in power.

Even worse, Lula failed to recruit young candidates, who may have excited voters to turn out in tight races. In what should have been a competitive Senate election in Rio de Janeiro, the PT recruited 84-year-old Bendedita da Silva, who lost in a landslide to Bolsonaro allies.

Last week, Lula skipped the presidential debate; so did Bolsonaro and its unclear how much this decision might have hurt him.

Lacking excitement, nearly 29 million Brazilians did not vote despite it being obligatory in Brasil.

2. Brazilian Media Manufacturing Scandals Against Lula

The Brazilian media market is extremely consolidated, and the heads of major networks like Globo have been going after Lula hard. They have been accused of manufacturing scandals against Lula.

Last November, the financial institution Banco Master collapsed amid allegations of massive fraud. The bank was being run like a Ponzi scheme, resulting in the largest financial collapse in Brazilian history, with nearly $8 billion in investors’ funds lost.

Despite Banco Master CEO Daniel Vorcaro being a very vocal Bolsonaro supporter, the Brazilian media has repeatedly tried to link the scandal to Lula’s Workers’ Party, as Vorcaro cultivated political ties on both sides of the aisle.

Every attack on Lula by the Trump administration generated headlines in Brasil and validated the wild claims made by Bolsonaro allies of a flawed Brazilian justice system.

Lula’s son, businessman Fábio Luís da Silva, commonly known as “Lulinha,” was scrutinized over large bank accounts worth millions of dollars. For months, Lulinha has offered to open his books and has claimed that he received no special favors from Banco Master. Still, the media repeatedly raised questions about Lulinha’s alleged impropriety.

At one point, media giant TV Globo made a giant infographic web with arrows, showing a complex network linked to Lula. Other reporters widely ridiculed the conspiracy theory map, and TV Globo eventually had to apologize publicly on air.

Then, in May, The Intercept Brasil released a WhatsApp message from Flávio Bolsonaro to Vorcaro, asking him for more than $26 million to fund a strange English-language biopic named Dark Horse, about his father. In the film, Jair Bolsonaro is portrayed by right-wing American actor Jim Caviezel, who played Jesus in the controversial 2004 film The Passion of the Christ.

Polling throughout the spring and summer showed Lula leading as the scandal remained fresh in people’s minds. Then, the Brazilian corporate media went into high gear to attack Lula. They went after Supreme Court Justice Alexandre de Moraes, who led the prosecution that jailed Bolsonaro.

Moraes has accused Brazilian Supreme Court Justice André Mendonca, a Bolsonaro appointee, of failing to follow proper procedure in his handling of the Banco Master scandal, leaking information to the press on Lula’s political allies while hiding information on Bolsonaro’s allies.

Moraes asked the Brazilian Federal police to investigate Mendonça’s violation of federal investigation procedures and for selectively leaking information to the press that would make Lula allies look bad while suppressing information on Bolsonaro allies.

Moraes accused Mendonça of attempting to “steer the production of evidence toward falsely accusing Supreme Court justices of crimes, expressly naming Justices Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, and Nunes Marques, as well as the prosecutor general and the director-general of the Federal Police.”

3. Trump Trained and Emboldened Bolsonaro Allies

While I don’t want to underestimate the strength of fascists within Brasil, it’s important to note that Trump and his operatives did help the Bolsonaro family pull off an impressive comeback.

In March 2025, Eduardo Bolsonaro fled to the United States rather than face prosecution in Brasil for his role in trying to orchestrate a coup, and he was granted permanent residency status in July. While in the United States, Eduardo Bolsonaro has worked closely with Trump officials, including Special Presidential Envoy for Special Missions Richard Grenell, to oust Lula from power.

“It was a privilege to speak with Ambassador Richard Grenell at President Trump’s residence at Mar-a-Lago,” Eduardo Bolsonaro wrote on Instagram following a meeting with Grenel in 2025. “The conservative movement is global—and we are just getting started.”

Eduardo Bolsonaro worked closely with top Trump aides like Brad Parscale, Trump’s director of digital strategy, to learn the social media strategy that led Trump to win reelection.

As president, Trump worked hard to attack Lula. He placed punitive tariffs on Brazil for convicting Jair Bolsonaro, Eduardo’s father, for attempting to assassinate Lula and overthrow his government in 2022. These tariffs hurt Brasil’s economy.

More importantly, Trump’s constant denunciation of the jailing of Bolsonaro validated conspiracy theories of right-wingers that the justice process was flawed. When Alexandre de Moraes, who led Bolsonaro’s conviction, was implicated in the Banco Master scandal, it only reinforced these conspiracy theories.

Ahead of the Brazilian presidential election, the Trump administration has labeled Brasil as a major distributor of cocaine and attempted to paint Lula as weak on taking on drug gangs.

In June, the Trump administration labeled two gangs as “terrorist organizations,” something which the Lula administration has repeatedly resisted because of fears of how the Trump administration could intervene in law enforcement and military matters in Brasil.

Still, every attack on Lula by the Trump administration generated headlines in Brasil and validated the wild claims made by Bolsonaro allies of a flawed Brazilian justice system.

On Friday, the Trump administration closed its embassy in Brasil and all of its consulates in a move that many saw as a scare tactic designed to interfere once again in the Brazilian presidential election.

The same day, the Brazilian federal police and intelligence service ABIN were warning of a possible US coup attempt. It was already known that Trump operatives were training operatives in Brasil, and the Brazilian federal police report described in depth how much Trump’s intervention had shifted things in Brasil.

International Media Failed to Check Brazilian Media

Finally, the international media completely ignored the Brazilian presidential election, allowing corporate media within Brasil to dominate the conversation without any accountability from the international media.

There are still three weeks until the next round, and Lula could still win, but it’s gonna take a massive fight. Part of that fight is changing how the international media covers things.

Payday Report can help play a small role in getting the US press more involved. The Washington Post once cited Payday Report in a front-page story for changing the way the pandemic strike wave was discussed, and maybe we can play a small role in getting American reporters to pay attention.

Original article:  www.commondreams.org

  •  

Electronic voting machines are not reliable

Why did the machines suffer a kind of breakdown, if they had been rigorously tested?

Join us on Telegram, X, and VK.

Contact us: info@strategic-culture.su

The counting of votes in the first round of Brazil’s general elections was the subject of great controversy. Flávio Bolsonaro, son of former president Jair Bolsonaro, was ahead of Lula in the official count, with 49.6%, against 42.2% for the president seeking re-election.

64.8% of the polling stations had been tallied up to that point. But the count was halted for more than an hour. Strangely, the votes for governor, senator and deputies continued to be counted normally. Only the presidential count was halted.

And, even more strangely, when the presidential count resumed, Flávio Bolsonaro’s upward trend and Lula’s downward trend were reversed. The opposition candidate’s votes plummeted, while those of the current president rose. Flávio Bolsonaro was less than 0.5% away from the victory that would hand him the presidential sash. He lost more than 2%, ending with 47.03%, while Lula gained almost 3%, ending with 45.16%.

It seemed that Flávio Bolsonaro would dethrone Lula right in the first round. But, after more than an hour of halted counting, Lula managed to recover and the race will only be decided in the second round.

The count was halted at 7:06 p.m. (Brasília time), with 64.8% of the ballots tallied. Only at 8:08 p.m. were the new results presented, already with 84.96% of the ballots tallied.

The official justification was given by the president of the Superior Electoral Court (TSE), Kassio Nunes Marques, who is also a justice on the Supreme Federal Court (STF). “What happened was a data congestion. In every election, we are surprised by some incident, which is natural for those who deal with complex and highly varied systems,” he said. “At first, it is not known whether this was derived from another problem. What our IT found was a flow [of data] above the normal level, and that congestion caused a delay,” he added.

There is an aggressive propaganda campaign in Brazil, spearheaded by the Electoral Justice, to convince citizens that elections are 100% clean. The main focus of this propaganda is precisely the electronic voting machines. Judicial institutions and media outlets give wide dissemination to the Electoral Justice’s claims about the total reliability of the electronic voting machines, even highlighting that they are tested before the election and then sealed so that no one can access them.

So why did the machines suffer a kind of breakdown, if they had been rigorously tested? Well, the oh-so-wise TSE has full knowledge of the number of eligible voters and of the number of votes that can be recorded in the machines, including in each polling station. The Electoral Justice’s propaganda tells the public that the machines are fully prepared in advance to record and tally voters’ votes perfectly.

No flow of data “above the normal level” that would lead to system congestion should occur, because the most varied data and statistics regarding vote recording are known and the calculations are perfectly feasible. The infallibility of the electronic voting machines requires that all possible outcomes be predictable and that, therefore, there be no anomaly whatsoever.

So how is it possible, then, that such a perfect system – as it is portrayed by the institutions of the Brazilian State – suffers a failure which, once supposedly resolved, so radically changed the trend of the presidential votes?

It may be a coincidence that Flávio Bolsonaro plummeted and Lula rose after the voting machines failed. But who knows? The TSE president acknowledged that the electronic voting system is “complex.” Only highly qualified specialists, from the TSE itself and from technology companies, can access it and understand it, according to the Electoral Justice. Thus, the fate of an entire country for the next four years rests in the hands of these specialists – 150 technicians unknown to the public. The tally of votes from the machines is fully automated; it passes through no human being. An even more select number of 22 employees access the automated vote totalization.

This means that 214 million Brazilians need to trust those 150 or 22 Egyptian priests to interpret that occult science. They must be the most enlightened beings on planet Earth – 100% honest, upright, immaculate and virginal. Even the STF justices, who over the past 15 years have been presented as impeccable, virtuous and chaste individuals, now appear embroiled in the biggest corruption scandal in Brazil’s recent history, yet those anonymous specialists deserve citizens’ most absolute trust.

It was for reasons such as these that the Supreme Court of Germany declared electronic voting unconstitutional: “every citizen must be able to understand and verify the central stages of elections in a reliable manner and without any prior specialized technical knowledge.”

The verdict, dated 2009, concludes:

“An electoral procedure in which the voter cannot reliably understand whether his or her vote was recorded in an unfalsifiable manner and included in the tally of the election result, and how the total of votes cast is assigned and counted, excludes central elements of the electoral procedure from public scrutiny and therefore fails to meet constitutional requirements.”

The Brazilian judicial system is mired in its greatest crisis in history and is living through a true Wild West, with partisan feuds interfering in the functioning of its work. Partisanship, in fact, has contaminated most of the judiciary, including the TSE. In the final stretch of these elections, decisions by the Electoral Justice, backed by the dominant wing of the STF, favored Lula.

It is evident that this dominant wing (represented by justices Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes and Flávio Dino) does not want a victory of Bolsonarismo, for it is their declared political enemy. These justices have acted, in recent years, as true vigilantes against Bolsonarismo. Now that they themselves have been caught in extremely promiscuous dealings with a banker who corrupted countless high-ranking state officials, their bureaucratic careers are threatened. Lula’s continuity is a hope of salvation for these gentlemen, for the president is beholden to them and cannot break that commitment without risking his own neck, given the level of dependence Lula has contracted toward the STF’s top brass. Meanwhile, a Flávio Bolsonaro victory would tend to lead to a clash with the heads of these institutions – although the opposition candidate himself has shown little willingness to confront them, because those who control elections in Brazil (international financial capital) demand moderation and pacification, otherwise they will make life difficult for anyone elected president.

And the people are treated like cattle, victims of a system they cannot understand, so that their exploitation may be perpetuated through the staging of the “festival of democracy.”

  •  

Brazil’s runoff: what factors will determine the electoral outcome?

Lula has failed to meet the demands of the people and is now facing the consequences.

Join us on Telegram, X, and VK.

Contact us: info@strategic-culture.su

The first round of Brazil’s presidential election ended with candidate Flávio Bolsonaro (PL) ahead of Lula da Silva (PT), 47% to 45%. In the parliamentary elections, the PT and the left suffered overwhelming defeats across the country, indicating growing rejection of the left among ordinary Brazilians. Now, with only a few weeks remaining before the final decision on who will govern the country from next year onward, the question remains open: what factors will voters take into consideration when choosing the president?

The Lula government has taken several measures considered “desperate” attempts to reverse its popularity crisis and regain support in the final stretch of the election. Expanding social programs is one such measure, but its political effectiveness is becoming increasingly questionable. After decades of income redistribution under PT governments, without this producing any real transformation in the situation of working people, public perceptions of these policies have become increasingly negative.

Lula’s central problem is that a significant portion of the electorate appears less interested in new palliative measures and more concerned with problems that remain present in their daily lives. Public security, employment, income, inflation, and the quality of public services have a much more direct impact on the population than the major debates promoted by the government.

Security is perhaps the clearest example. The expansion of criminal organizations, the territorial growth of organized crime, and the perception of impunity have made violence one of the country’s main concerns. For millions of Brazilians, this is no longer an abstract discussion about security policy. It is a daily reality that determines where people can live, work, travel, and even open a business – particularly in major urban centers such as Rio de Janeiro, where organized crime is estimated to control between 60% and 70% of the city’s total territory.

In this context, proposals associated with the progressive cultural agenda may also carry significant electoral costs for the left. Brazilian debates over gender, identity, education, and minority rights have increasingly reproduced political conflicts originating in the United States and Europe. A considerable portion of the population, however, does not identify with this agenda and believes that the state should concentrate its efforts on more urgent material problems.

This helps explain why the runoff will likely be determined much more by domestic issues than by foreign policy – which is the aspect of the Lula government most frequently praised by the international expert community. BRICS, Palestine, or Brazil’s position toward the United States may mobilize politically engaged sectors of society, but they are unlikely to constitute the main concerns of the average voter when deciding how to vote.

Foreign policy has strategic importance for the Brazilian state. Ordinary citizens, however, tend to evaluate it through its concrete effects on their own lives. A foreign policy regarded as successful will not, by itself, compensate for perceptions of insecurity, unemployment, or deterioration in public services. As the Lula government avoids directly confronting the problem of organized crime, support may naturally grow for a right-wing camp that welcomes the United States’ designation of Brazilian criminal factions as terrorist organizations.

The same applies to the aforementioned income-transfer programs. Such mechanisms may have an important social function in a country marked by profound inequalities, but their use as the principal instrument of social policy has serious limitations. Transferring income can alleviate poverty, but it does not automatically create skilled employment, increase productivity, or rebuild national industry. Instead, it can contribute to the emergence of a large precarious population dependent on government assistance. When welfare becomes a permanent substitute for development policies, the structural problem remains.

This is precisely where the electoral dispute enters a decisive phase. Voters will have to choose between different proposals for addressing problems that have not disappeared in recent years. The ability to present convincing answers on security, employment, income, and social order may carry greater weight than speeches about major geopolitical projects.

The first-round result also demonstrates that Brazil’s right was able to transform domestic discontent into electoral strength. Flávio Bolsonaro’s lead and the composition of the new Congress indicate significant demand for change. This does not mean that all these voters share the same views on the economy, foreign policy, or cultural issues. It means, above all, that dissatisfaction has become sufficiently broad to alter the country’s political balance.

In the remaining weeks of the campaign, therefore, the fundamental question will be whether the government can convince voters that its policies offer lasting solutions, or whether the perception will prevail that it has adopted temporary measures to manage problems that remain unresolved.

Talking about gender, human rights, or Palestine will definitely not help Lula secure reelection.

  •  

Caiado oficializa apoio a Flávio Bolsonaro em ato que reúne lideranças em Goiânia

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) oficializou nesta terça-feira (6), em Goiânia, seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O encontro reuniu também o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de parlamentares, prefeitos e outras lideranças políticas.

A declaração ocorreu após Caiado terminar o primeiro turno na quinta colocação da disputa presidencial. O ex-governador havia afirmado que discutiria a posição antes de definir seu apoio. Com a decisão, passou a integrar formalmente a campanha de Flávio na segunda etapa da eleição.

Durante o ato, Caiado afirmou que pretende mobilizar sua base política em Goiás para ampliar a votação de Flávio no Estado. “Proporcionalmente, Goiás vai dar maior vitória a Flávio Bolsonaro nesta eleição. Mobilização vai ser em tempo integral”, declarou.

Caiado também entregou ao candidato uma agenda com sugestões de prioridades para um eventual governo. Entre os temas defendidos pelo ex-governador estão o combate ao PT e ao crime organizado, mudanças no Judiciário e a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O apoio também foi acompanhado de uma aproximação programática. Flávio afirmou que pretende trabalhar ao lado de Caiado para “encerrar com essa era do Lula” e disse haver ampla convergência entre as propostas apresentadas pelo ex-governador. “Esse rol de critérios programáticos ele sabe que nem precisava, porque a gente concorda em quase 115%”, afirmou.

Caiado na segurança píublica

Nos bastidores da articulação política, também circula a possibilidade de Ronaldo Caiado assumir o futuro Ministério da Segurança Pública em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A hipótese já foi mencionada por interlocutores da campanha, mas não há confirmação oficial de que o cargo tenha sido formalmente oferecido ou definido.

Flávio também sinalizou que pretende ampliar os investimentos federais em Goiás caso seja eleito. Ao se dirigir a Daniel Vilela, declarou: “Vilela, conte comigo. Eu, como presidente, vou estender tapete verde e amarelo para trazer investimentos para Goiás”.

A presença de Tarcísio de Freitas deu dimensão nacional ao encontro. O governador de São Paulo participou do ato em Goiânia ao lado de Flávio, Caiado e das demais lideranças que integram a articulação política para o segundo turno.

A adesão de Caiado ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para a segunda etapa da eleição, marcada para 25 de outubro. O PSD não adotou uma posição nacional em favor de nenhum dos dois candidatos e liberou seus diretórios e filiados para definirem individualmente seus apoios.

Em Goiás, o apoio de Caiado se soma à posição de Daniel Vilela e de outras lideranças estaduais favoráveis à candidatura de Flávio. O ato desta terça-feira consolidou o palanque político do candidato do PL no Estado para a reta final da disputa presidencial.

The post Caiado oficializa apoio a Flávio Bolsonaro em ato que reúne lideranças em Goiânia appeared first on Diário da Manhã - O Jornal do leitor Inteligente.

  •  

As contradições de Lula finalmente cobram o preço

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade.

Junte-se a nós no Telegram , X e VK.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

A perspectiva sobre as eleições brasileiras após o 1º turno é unânime: Lula e o Partido dos Trabalhadores foram varridos e humilhados, e as perspectivas de uma virada nas eleições presidenciais é mínima.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu 56 milhões de votos, ou aprox. 47% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53,8 milhões de votos, ou aprox. 45% dos votos válidos – o resultado leva ao 2º turno, a ser realizado no dia 28 de outubro. O problema para Lula é que o eleitorado dos candidatos que ficaram em 3º, 4º e 5º têm uma maior tendência para votar em Flávio Bolsonaro do que no próprio Lula.

Lula só tem como puxar votos tentando converter os que não foram votar, ou os que votaram nulo. São 30 milhões de eleitores nessas condições, portanto não é pouca gente. Mas historicamente, a tendência é que essa fatia do eleitorado aumente do 1º para o 2º turno, em vez de diminuir.

O revés de Lula, porém, não é apenas em sua própria disputa com Bolsonaro.

Em número de governadores estaduais, o seu partido, o PT, cai de 4 para 3 governadores. E o partido até conseguiu preservar seus assentos no Senado e somar 1 deputado federal a mais na Câmara, mas os seus rivais bolsonaristas do PL ganharam mais 13 cadeiras no Senado e 21 cadeiras na Câmara. Em outras palavras, mesmo que Lula ganhasse, não conseguiria governar.

A reação do partido de Lula e de seus militantes é a pior possível: responsabilizam o povo por “não saber votar” ou por “ser fascista”, os candidatos de micropartidos de esquerda por não terem desistido de suas candidaturas, alegam narrativas fantasiosas de “manipulação” por parte dos EUA e das redes sociais – tudo, menos admitir que o governo de Lula padecia de problemas sérios e foi incapaz de dialogar com a população e entender as suas demandas.

Pior: abraçam uma ilusão na qual o governo de Lula teria sido, na verdade, excepcional e no qual todos os índices econômicos seriam maravilhosos, e “os pobres” deveriam agradecer a Lula de joelhos e votar nele para sempre.

A realidade, porém, é que excetuando na região nordeste, onde Lula nasceu, o PT virou o partido da classe média progressista e dos centros urbanos, enquanto as cidades pequenas e médias e uma parte significativa dos setores populares abraçou o bolsonarismo. E por que?

No que concerne a economia, a percepção de melhora é falsa. O governo Lula criou ou aumentou mais de 30 impostos e taxas de todos os tipos, voltados em sua maioria contra a classe média e trabalhadora. Para piorar, apertou a regulamentação dos microempreendedores, dificultando a sua vida no que concerne questões tributárias.

Os empregos criados foram principalmente no setor de serviços e no extrativismo, para não falar nos trabalhos autônomos e precários. Em contrapartida, o governo multiplicou ao infinito os “benefícios sociais”, concedidos principalmente para a camada lúmpem da sociedade, parasitária e odiada pelos setores positivos. Aliás, apenas os setores mais ricos ligados às finanças receberam tantos benefícios quanto o lumpemproletariado no governo Lula. E não casualmente, as classes de apoio ao PT foram a classe A e a classe E, as duas pontas do sistema parasitário e improdutivo, que esmagam as classes produtivas (B, C e D) por cima (através da usura) e por baixo (através da criminalidade).

Não se pode subestimar ademais, o problema da segurança pública, para o qual temos alertado há muito tempo. O discurso de Lula sobre soberania é vazio quando ¼ da população brasileira (segundo estudo da Cambridge University Press) vive em território controlado por organizações narcotraficantes. A tolerância do brasileiro por essa situação acabou.

Mas a leniência do governo não. Ao contrário, o Brasil vive a situação esquizofrênica de ser suave com criminosos perigosos e extremamente repressivo contra quem diz coisas politicamente incorretas na internet. Tornou-se corriqueiro no Brasil que pessoas comuns seja presas e condenados por “crime de ódio” ao recusarem a entrada de alguma pessoa “trans” num banheiro feminino.

E num erro de julgamento crasso, o PT decidiu associar a própria sorte ao STF, exatamente o núcleo de poder liberal que garante a implementação de todas as pautas globalistas no Brasil e que opera um aparato draconiano de repressão e silenciamento. Lula se esqueceu de que ele próprio foi perseguido e preso pelo Judiciário brasileiro, e decidiu se aliar a este setor para tentar impor a mesma sina a Bolsonaro.

O tiro, porém, saiu pela culatra. A disputa de Lula é com Flávio Bolsonaro. Mas quem venceu essa eleição, estando condenado, preso, adoecido e censurado é Jair Bolsonaro.

Especulações sobre “interferência estrangeira” nas eleições são fúteis e pueris posto que desnecessárias. Todas as causas da derrota de Lula estão em seu próprio governo.

Nem na política externa – área mais elogiada pelos colegas estrangeiros – escapamos das contradições: condenação da Nicarágua no Conselho de Direitos Humanos da ONU, veto ao ingresso da Venezuela nos BRICS e deslegitimação da reeleição de Nicolás Maduro, aliança tácita com a França de Macron, Acordo UE-Mercosul, colaboração da ABIN com as inteligências da França e da Alemanha, pressão para tentar desacelerar o crescimento dos BRICS, e poderíamos continuar longamente.

É por isso que dentro do Brasil, o elemento da política externa não pode ser visto, nessas eleições, da maneira “dualista” como ele é visto de fora para dentro (em que se tem o mito de um “Lula multipolarista” e um “Bolsonaro atlantista”). Na verdade, tanto Lula quanto Bolsonaro jogam com os dois lados do campo geopolítico, são apenas seus discursos que são levemente divergentes. Naturalmente, os propagandistas de ambos os lados jurarão que não é assim, mas é o que a análise fria dos fatos aponta.

No fim das contas, estamos às portas do “fim da Era Lula”, e dos momentos finais de uma carreira política que marcou a história do Brasil, que teve seus altos e baixos, seus pontos positivos e negativos, mas que termina de um modo agridoce, pela ausência de um projeto de nação e pela obsessão oportunista de se perpetuar no poder a qualquer preço – inclusive ao preço de trair os princípios da época da fundação do Partido dos Trabalhadores.

Lula deixará o PT órfão. Não houve preocupação com formar um sucessor à altura de Lula. Pior: a práxis do PT o levou a esmagar os partidos de esquerda menores e a absorver seus principais quadros para podá-los e controlá-los antes que eles pudessem se tornar maiores que Lula.

Nesse sentido, com o fim da carreira política de Lula morre a esquerda. Ou pelo menos UMA esquerda. A esquerda liberal-progressista da Sexta República e da Constituição de 88. Resta saber se o que triunfará na inevitável disputa por seu legado é uma esquerda ainda mais radicalmente progressista, ou se retornará uma esquerda nacionalista, tal como já existiu no Brasil em outras épocas.

Mesmo uma vitória de Lula, hoje improvável, não fará mais que dar uma sobrevida e prolongar a agonia num falso senso de estabilidade. Não só da esquerda, mas também do Brasil.

  •  

O que muda com Lula ou Flávio?

Considerações realistas sobre as eleições brasileiras.

Junte-se a nós no Telegram , X e VK.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

As eleições presidenciais brasileiras estão chegando. E com elas estão chegando também as controvérsias, os debates e os diferentes pontos de vista sobre o que esse evento representa para o Brasil, para os BRICS e para o futuro do mundo multipolar.

Em um artigo recente, o respeitado analista político brasileiro Valdir Bezerra advogou a tese de que as eleições de 2026 representam um ponto de inflexão na história brasileira, podendo definir o papel do Brasil no mundo. Para Bezerra, a eleição opõe, de um lado, a vertente “autonomista”, representada por Luiz Inácio Lula da Silva, e, de outro, a vertente “ocidentalista”, representada por Flávio Bolsonaro.

Demostrando todo o devido respeito ao trabalho de Bezerro, que é um dos analistas mais bem conceituados no debate político russo-brasileiro, gostaria de apresentar aqui uma visão crítica sobre sua opinião. Não tenho como intenção “refutar” a posição de Bezerra, mas apenas expor as razões pelas quais não considero essa oposição entre autonomismo e ocidentalismo como um pressuposto válido para analisar a atual disputa eleitoral. Ademais, gostaria também de explicar por que não considero a eleição de 2026 como um momento decisivo na definição do papel internacional do Brasil.

Flávio é um ocidentalista, mas Lula não é um autonomista

Os termos guarda-chuvas usados para definir estas duas “tradições” da política brasileira não parecem minimamente aplicáveis na realidade atual. Os termos nos quais muitos pensadores brasileiros definiam a oposição entre aqueles que apoiam a soberania e o desenvolvimento nacional e aqueles que advogam por uma posição subordinada em relação ao eixo atlântico há muito tempo se tornaram obsoletos na alta política institucional brasileira – onde não há hoje qualquer figura digna do título de “autonomista”.

Não é preciso comentar aqui sobre a natureza ocidentalista de Flávio Bolsonaro, que, como seu pai antes dele, defende uma política externa de alinhamento total aos EUA e a Israel, ademais de uma agenda hostil aos BRICS e às plataformas multipolaristas. O ponto central, porém, é tentar entender em que posição, entre ocidentalistas e autonomistas, está Lula.

O atual presidente do Brasil governou o país em três ocasiões e protagonizou alguns dos eventos mais marcantes da política internacional no século XXI. Foi cofundador dos BRICS, articulou alianças com governos soberanistas nas Américas (Venezuela, Bolívia, Cuba) nos anos 2000, manteve laços amigáveis com o Irã e, mais recentemente, estreitou parcerias com a Rússia em pleno regime de sanções imposto pelo Ocidente, além de condenar abertamente o genocídio em Gaza.

Tudo isso é extremamente louvável, mas, para uma análise justa de Lula, é preciso apresentar o outro lado de sua figura: Lula nunca foi um “multipolarista”, apenas um articulador habilidoso no âmbito do multilateralismo da era Obama nos anos 2000. Isso se soma ao fato de Lula ter sido descaradamente apoiado pelo establishment Democrata nas eleições de 2022. Aliás, o terceiro governo Lula foi marcado por controvérsias dignas de um líder “ocidentalista” clássico: Lula não reconheceu as eleições venezuelanas, iniciou tensões com a Nicarágua, vetou o acesso da Venezuela aos BRICS, escanteou as negociações de um acordo Mercosul-China para priorizar um pacto de livre-comércio com a Europa extremamente negativo para os países sul-americanos (um acordo até mesmo neocolonial, pode-se dizer, colocando os países do Mercosul como exportadores de commodities e importadores de tecnologia). Isso tudo para não falar nas relações próximas, quase de alinhamento total e irrestrito, com o regime Macron na França.

Lula certamente teve vários acertos, mas, se formos voltar um pouco no tempo, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro também os teve: se recusou a sancionar a Rússia e a condenar a Operação Militar Especial (ao contrário de Lula, aliás, que repetidamente a condenou), fortaleceu as parcerias com a China, preservou a estrutura dos BRICS e abandonou o alinhamento à política externa estadunidense pós-Trump, se tornando um alvo de Joe Biden.

No fim, acertos por acertos e erros por erros, ambos os lados parecem muito distantes de qualquer ideal “autonomista”.

Então, como definir Lula e Flávio?

Podemos resumir este tópico em uma única frase: tanto Lula quanto Bolsonaro são, cada um a seu jeito, ocidentalistas.

Em diversas outras ocasiões comentei em minha coluna sobre como vejo a Sexta República brasileira (o atual regime constitucional fundado em 1988) como uma espécie de “revolução colorida permanente”. De um lado, uma direita liberal abertamente pró-EUA e pró-Israel, de outra uma esquerda liberal institucionalista, ligada ideológica e financeiramente a um grande lobby internacional que vai desde os Democratas estadunidenses até a União Europeia.

As tensões atuais parciais que ocorrem agora entre Lula e Trump não são uma novidade. Bolsonaro se tornou uma figura extremamente incômoda nas relações entre Brasil e EUA assim que Biden chegou ao poder. O que muitos analistas falham em perceber é que as relações entre Brasil e EUA se definem pela dialética entre esquerda e direita no Brasil e Democratas e Republicanos nos EUA. Lula era amigo de Biden, como Bolsonaro era amigo de Trump. Se Lula vencer as eleições de 2026, terá muitos problemas – pelo menos até um eventual retorno Democrata nos EUA. Se Flávio vencer, Brasil e EUA estarão em alinhamento total – mas apenas enquanto Trump estiver na Casa Branca.

É essa dinâmica que permite aos EUA manter a política brasileira sob controle de forma estável. Washington não precisa fazer um Maidan no Brasil. Aliás, a fórmula “golpe + ditadura” não tende a funcionar em países continentais e diversos como o Brasil – e a maior prova disso é a própria experiência brasileira de regime militar, que foi inicialmente patrocinada pelos EUA, mas posteriormente se tornou um regime autônomo não-alinhado após um autogolpe interno entre os militares. Não por acaso, os EUA endossaram a redemocratização do Brasil, ajudando a criar precisamente o regime político atual.

De um lado, uma direita que apoiada pelos Republicanos, por Israel e pelo lobby neocon transnacional; de outro, uma esquerda que obedece aos Democratas e aos europeus. Lula foi um grande multilateralista numa época em que Washington, com Obama, incentivava esse tipo de verniz à unipolaridade estadunidense; Bolsonaro foi uma marionete aberta dos EUA numa época em que Washington, com Trump, exigia isso. A diferença é muito pouca – ou nula.

E o que a eleição de 2026 realmente representa?

A nível internacional, nada ou muito pouco.

Se vencer, Lula será pressionado enquanto Trump estiver no poder. E Lula ao longo dos últimos quatro anos já mostrou que compensa a hostilidade estadunidense sendo ainda mais aliado aos europeus. Por outro lado, se Flávio vencer, teremos pelo menos algum período de alinhamento total com os EUA, o que pode mudar numa eventual vitória Democrata nas próximas eleições presidenciais. É uma escolha muito clara entre Republicanos-Israel e Democratas-UE. “Autonomismo” não faz parte do jogo.

A nível interno, contudo, muitos fatores estão em jogo.

É no cenário interno que o debate sobre a eleição deve se concentrar. Afinal, nenhum brasileiro vai votar em um candidato ou outro por causa de Palestina ou BRICS – que, embora sejam causas legítimas, são realidades distantes para o cidadão comum. No plano interno, temos um Lula cada vez mais enfraquecido devido aos efeitos colaterais de anos em aliança com o Poder Judiciário (que agora está sendo escrutinado e exposto com o escândalo de corrupção do Banco Master). Do outro lado, Flávio recupera posições que já se julgavam perdidas e hoje ambos aparecem em empate técnico nas pesquisas.

O Poder Judiciário acumulou poderes extraordinários com Lula, a ponto de encarcerar manifestantes pacíficos e idosos sob acusação de “terrorismo” apenas porque participavam de manifestações pró-Bolsonaro. A inimizade entre o Judiciário e o Bolsonarismo não pode ser revertida, exceto por uma vitória de Flávio que culmine na indicação de ministros bolsonaristas para a Suprema Corte – remodelando assim os rumos da própria República.

Podemos resumir que Lula daria uma sobrevida à Sexta República, enquanto Flávio aceleraria seu colapso. Enquanto a Sexta República existir, nenhuma alternativa realmente “autonomista” surgirá no Brasil porque o próprio sistema constitucional brasileiro impede tal alternativa. Mas isso não significa que o colapso iminente deste sistema significará uma “aurora multipolar” no Brasil, já que não há (fora do extremamente “ocidentalista” Bolsonarismo) qualquer movimento político no país com força para erguer um novo projeto de Estado.

A conclusão talvez seja frustrante para os mais otimistas e esperançosos, mas o que parece estar por acontecer no Brasil em 2026 é a absoluta nulidade. Com Lula ou Flávio, pouco tende a mudar. O Brasil continuará sendo uma potência média decadente, politicamente subordinada aos EUA, mas com certa liberdade de engajamento multilateral com as potências eurasiáticas – enquanto domesticamente as instituições da Sexta República se autodestroem.

  •  
❌