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14h. Luís Montenegro condena a conjuntura internacional

O PM salienta que o contexto internacional tem penalizado as economias e pessoas. Ainda, o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro explica os eventuais motivos que levam o Papa a ser operado.

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13h. Papa Leão XIV vai ser operado na próxima semana

O líder da igreja católica anunciou que tem um nódulo no pulmão. E ainda, o Presidente da Ucrânia exige o fim de ataques russos como condição para deixar de atacar refinarias de petróleo.

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12h. Papa Leão XIV anuncia que tem um nódulo no pulmão

O anúncio foi feito durante a oração do Angelus. Ainda, foi marcado para amanhã um debate dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE sobre a escalada de tensão na região do Médio Oriente.

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Papa Leão XIV vai ser operado a um nódulo no pulmão

"Foi detetado numa fase muito inicial e bem localizado", afirmou o representante da Igreja Católica, que vai passar por uma cirurgia "nos próximos dias" para a remoção do nódulo.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Leão XIV falou aos fiéis na tradicional missa de domingo na Praça de São Pedro
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“Passeios de Outono” em Loulé vão à descoberta da Igreja Matriz

O Museu Municipal de Loulé organiza, no próximo dia 11 de outubro, às 10h00, mais uma edição do seu programa “Passeios de Outono”, intitulado “Uma Âncora da História e da Arte em Loulé”.

A atividade convida os participantes a descobrirem a história, o património e a arquitetura da Igreja Matriz de São Clemente, um dos mais emblemáticos monumentos nacionais da região.

Com ponto de encontro marcado na porta principal da igreja, a visita orientada terá a duração aproximada de 1h30 e dará a conhecer a herança histórica do templo, com especial foco nas artes da talha dourada e do azulejo. Durante o percurso, serão também abordadas as principais intervenções e restauros realizados ao longo do tempo, fundamentais para a preservação e para a imagem atual do edifício.

Destinada ao público adulto, a iniciativa será conduzida em língua portuguesa.

A participação é inteiramente gratuita, contudo requer inscrição prévia obrigatória, estando a lotação limitada a 25 participantes. Os interessados deverão garantir o seu lugar através do e-mail: atividades.museu@cm-loule.pt.

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É Círio outra vez

Desde bem zinho, como, por vezes, chamamos as crianças aqui no Pará, aprendi que nossa identidade se ergue sobre três colunas, não só de paraenses, mas de muitos amazônidas: a Cabanagem, os encantados e as festas de santo.

Dos cabanos, herdei a coragem e a resistência. Dos encantados, o sentimento de pertencimento à floresta; esse elo entre o vivido e o imaginado, onde mesmo duvidando, acredito: na Iara, no Ataíde, no Curupira.

Das festas de santo, trago mais do que fé e esperança, trago sons, cores, cheiros e sabores. Antônio, João, Benedito, Marias… todos cabem no nosso coração barulhento.

Quem já viveu uma festa de santo, como o Círio de Nazaré em Belém — ou melhor, a festa da Santa, da Nazica — sabe que, quando chega outubro, o peito se enche e alguém sempre diz, sorrindo: É Círio outra vez!

As ruas fervilham. Gente chega por todos os caminhos: pelo rio, em embarcações adornadas de redes; por terra, em carros e ônibus abarrotados; ou pelo céu, em aviões que se multiplicam no ar úmido da cidade. Devotos, promesseiros, romeiros e festeiros se misturam num só corpo. O Círio é o nosso Natal paraense — cantado, dançado, sentido.

12.10.2024 - Presidente de República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o acompanhamento da passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré na Trasladação, na Estação das Docas. Belém - PA.
Passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré na Trasladação, na Estação das Docas em Belém, Pará

Quem viveu os anos 1970 talvez se lembre do samba-enredo da Unidos de São Carlos (hoje Estácio de Sá): “(…) No mês de outubro/Em Belém do Pará/São dias de alegria e muita fé/Começa com extensa romaria matinal/O Círio de Nazaré (…)”,  versos que a Viradouro reavivou em 2004. E assim tem sido a Festa de Nazaré há mais de dois séculos.

O Círio é um encontro intenso, por vezes dramático, em que o sagrado e o profano se abraçam. É o colorido das fitas de cetim, o brilho do manto da Nazica, o cheiro verde da maniva que, ao escurecer no fogo, anuncia a Maniçoba fumegante. São dias em que o ar se enche de cheiro de tucupi, de pato, de aromas inconfundíveis e intermitentes — levando-nos ao mesmo destino: a mesa farta, o reencontro, o abraço.

Aprendi que as lembranças do Círio vão além dos sabores. Gosto dessa sensação de confraternizar, de carnavalizar — de viver essa força que mistura o divino e o popular, a devoção e a festa, a reza e os batuques do pavulagem, da Chiquita. Essa é a Amazônia pulsando em nós.

Identidade e fé que Marco Aurélio e Vital Lima cantam, lembrando-nos de renovar o olhar a cada outubro:

“Menino acorda e vem olhar,
O sol não tarda em levantar,
Vem ver Belém que começa a festejar.

Outros outubros tu verás,
(E outubros guardam histórias...)
Ver-o-Peso”.

Então, é Círio outra vez.

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A imprensa sem alma, os políticos oportunistas e a fé dos brasileiros

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Nove entre dez colunistas de política da grande imprensa lamentam que a gente esteja discutindo Nossa Senhora da Aparecida no final da campanha eleitoral. Enquanto isso, nunca o noticiário foi tão contaminado pela negação do subjetivo – a religiosidade do brasileiro -, e nunca soou tão parcial – por mais que se reafirme a “isenção” da imprensa. Além de críticas de diversos veículos a respeito da cobertura do episódio, a própria Globo, uma das protagonistas do caso, se tornou alvo de protestos de eleitores.

Sim, esse é um assunto relevante para a população e deve fazer parte do debate público em um momento em que a religião é explorada politicamente e invade até as decisões do TSE, como vimos acontecer mais uma vez. E a imprensa errou de cabo a rabo – do desmentido da Globo sobre uma afirmação correta de uma jornalista responsável, ao bombardeio de títulos e notícias sobre a “fake news”, criada e propagada pela própria imprensa a partir da “correção” e depois manipulada nas redes sociais.

Em vez de defender a jornalista, que jamais disse que Flávio pretendia destronar a santa, mas apenas comentou um fato que já viralizava nas redes – a existência de “um movimento da Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar de Nossa Senhora da condição de padroeira” – que, segundo ela, poderia ter impacto entre “os eleitores católicos de Lula”, a imprensa embarcou no desmentido da Globo (com aquele comportamento de boiada que já comentei na coluna anterior). Até mesmo entidades como a Abraji e a Fenaj demoraram a manifestar solidariedade e não citaram o nome da empresa que cometeu o erro que gerou agressões à jornalista.

A imprensa também não questionou o fato gravíssimo que foi a censura de opinião do humorista Antônio Tabet, que apenas exerceu o direito à liberdade de expressão como reconheceu o próprio TSE na quarta-feira, após o ministro André Mendonça mudar o seu voto. A reação foi a de “proteger” Flávio de prejuízos eleitorais pela alegada falsa informação – logo ele, que usa a desinformação como ferramenta de campanha e conta com aliados que agridem pessoas nas redes – como fez o blogueiro foragido Allan dos Santos em reação violenta e repugnante ao protesto da CNBB. Nem quando o direito de expressão dos brasileiros foi massivamente cerceado pelas Big Techs depois da determinação de censura de Mendonça – um tema eminentemente jornalístico – reviu sua posição.

De lá para cá cometeu também o erro da arrogância elitista (ou seria constrangimento por seu papel?) ao desvalorizar o tema de um debate público que acontece e precisa acontecer no Brasil sob a desculpa cínica de que eleitores e candidatos deveriam estar discutindo propostas que podem mudar o Brasil (como se a imprensa estivesse fazendo isso, em vez de se embrenhar em vazamentos seletivos de escândalos de corrupção).

A separação de Igreja e Estado é condição necessária para a democracia, estabelecida no Brasil na Constituição de 1891 e reforçada no artigo 19 da Constituição de 1988, que inspirou a legislação eleitoral que proíbe a propaganda política em igrejas e a doação de recursos para campanhas, assim como a destinação de recursos públicos para igrejas – embora isso aconteça, como sugere a ligação da Igreja da Lagoinha com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022.

Mas a mesma Constituição cidadã, pilar da redemocratização brasileira, foi promulgada pela Assembleia Constituinte “sob a proteção de Deus”, o que não retira a laicidade do Estado, já que o impede de privilegiar uma religião determinada. Talvez seja apenas uma reafirmação da fé que ressoa na nossa alma brasileira, também formada por histórias milagrosas como a dos pescadores que no século 18 encontraram uma pequena imagem de uma santa negra, que fez jorrar peixes em suas redes, e depois se tornou a padroeira do Brasil.

Não se brinca com a fé, como sabe Fernando Henrique Cardoso que perdeu a primeira eleição para prefeito de São Paulo depois da ditadura, em 1985, para qual era francamente favorito, depois de se embananar para responder se acreditava em Deus, pergunta feita pelo jornalista Bóris Casoy, colunista e ex-editor-chefe da Folha de São Paulo, que sabia de antemão a resposta do sociólogo e o efeito negativo sobre sua candidatura.

É exatamente pela complexidade e subjetividade do assunto que a cobertura da imprensa deve ser duplamente cuidadosa, sem vestir a capa da neutralidade enquanto alimenta o discurso dos que valem de crenças religiosas para se eleger – como fez Flávio em aliança com Mendonça, ao transformar a disputa no STF em guerra santa e o ministro em ícone de campanha – e sem desprezar o impacto que esses temas têm para nós, brasileiros. 

No Brasil, onde há tantos pais fujões, ausentes ou mesmo estupradores, não há referência afetiva maior do que a mãe, a mulher negra ancestral que criou e cria o povo brasileiro. Nossa Senhora, entre nós, responde por muitos nomes – da Conceição, da Praia, de Aparecida – e tem afinidade (sincretismo) com Oxum, a orixá da feminilidade e maternidade, assim como Nossa Senhora dos Navegantes com Iemanjá.

Nossas “nossas senhoras” nos abençoam dentro da complexa espiritualidade dos brasileiros, que ultrapassa o limite das igrejas e das religiões, como Eduardo Coutinho discute no documentário “Santo Forte” e confirmou recentemente pesquisa do Iser/Quaest.

Os evangélicos – ou os que pretendem agradá-los – têm o direito de discutir se Nossa Senhora da Aparecida do Brasil, declarada padroeira do país pelo Vaticano, em 1930, quando o poder da Igreja Católica era incontestável, deve permanecer como tal, como faz o projeto do pastor e ex-deputado Victor Galli (da ala mais direitista e mais enfurnada na política dos neopentecostais), desde que de forma transparente, com os candidatos assumindo suas convicções e não de maneira subliminar como apontou a CNBB. Também os católicos e outros simpatizantes de Nossa Senhora têm o direito de escolher candidatos de acordo com a sua fé.

O que os políticos evangélicos não podem é celebrar cultos no Congresso Nacional, exigir alinhamento político do Brasil a Israel (que consideram uma nação sagrada), impedir políticas públicas de igualdade de gêneros sob pretexto religioso, negar a autonomia da mulher inclusive em projetos de lei, utilizar templos como plataformas de campanha, destruir culturas indígenas, lançar fake news contra candidatos a ponto de identificar um deles com a figura do “diabo”, apoiar a destruição de terreiros e a agressão a pessoas de outras religiões, sobretudo de origem africana.

É nesse contexto que se trava a batalha por Nossa Senhora, embora nada disso tenha sido mencionado pela imprensa neste debate tão crucial em um país que ainda luta pela separação entre igrejas e Estado e não é capaz de garantir a todos os direitos constitucionais, inclusive a liberdade religiosa, afetada pelo racismo e instrumentalizada por políticos como o próprio Flávio Bolsonaro.

Boa votação a todos, que como sabemos, estarão rezando pela vitória do seu candidato.

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Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça

Perfis no Instagram que promovem políticos bolsonaristas, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), passaram a atuar de forma articulada para impulsionar perfis dedicados ao ministro André Mendonça nas redes sociais em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal) provocada pelo caso Master.

Um levantamento do Aos Fatos identificou na rede social da Meta ao menos 24 perfis dedicados ao magistrado e promovidos por meio de publicações colaborativas e convocações para que seguidores de contas políticas de extrema-direita passassem a acompanhá-los.

Há entre esses perfis aqueles que nem mesmo foram criados originalmente para enaltecer Mendonça: ao menos dois são contas preexistentes que trocaram de nome e passaram a se dedicar exclusivamente ao magistrado em setembro, após o estopim da crise.

Essa prática é conhecida como astroturfing, movimento que simula um apoio popular espontâneo, mas que é, na verdade, orquestrado por grupos de interesse.

Por que isso importa?

  • Redes bolsonaristas atuam de forma articulada para inflar apoio a Mendonça em meio à crise no STF

O maior perfil, com 1,9 milhão de seguidores, existe desde novembro de 2024, mudou de nome oito vezes desde então e recebeu o selo de verificação do Instagram em agosto. Antes de aderir de vez a Mendonça, o perfil já republicava posts religiosos, anti-LGBTQIA+ e sobre futebol.

A imagem mostra uma captura de tela do perfil do Instagram 'andremendoncas2', com selo azul de verificação e botão 'Seguir'. A publicação exibe uma grade de imagens com conteúdo predominantemente religioso e mensagens de fé. Entre as imagens aparecem um jogador de futebol com uma camisa do Flamengo e a frase 'Jesus é suficiente', uma representação de Jesus, uma pessoa ajoelhada em oração, um homem pregando diante de um púlpito, uma criança, um cachorro com a frase 'Good morning!', além de imagens com referências bíblicas e frases como 'Muito em breve, você vai sorrir e dizer: Deus, isso e mais do que imaginei, obrigado! Mande para você mesmo', 'Só passa pro lado, confia em mim!', 'Tem peito pra ler essa?', 'Satanás não quer que você leia isto'.
Reposts do perfil @andremendoncas2 demonstram que página já existia e publicava conteúdo religioso

O segundo com maior engajamento, criado em abril, mudou de nome duas vezes e, assim como o primeiro, não exibe publicações anteriores a setembro. O Instagram não informa quais eram os nomes anteriores das contas. 

A movimentação ocorre enquanto Mendonça é ungido como símbolo religioso nas redes. Entre 1º e 9 de setembro, 156 publicações analisadas pelo Aos Fatos que equiparam a atuação do ministro a uma jornada do herói evangélica, somaram 228 milhões de visualizações. 

Em geral, esses conteúdos pedem orações pelo magistrado, o apresentam como um “servo de Deus” e retratam sua performance no STF como se fosse uma missão divina. No entanto, não é possível determinar em que medida esse engajamento é autêntico.

Cruzada nas redes

Desde que a crise transbordou no STF, no início de setembro, o Aos Fatos identificou ao menos 24 perfis dedicados a Mendonça no Instagram, que somavam 5,6 milhões de seguidores até quarta-feira (16). Destes, 12 já existiam antes da crise no STF e apenas trocaram de nome.

As contas @andremendoncas2 e @andremendoncas3, que, juntas, têm quase 3 milhões de seguidores, já existiam antes de setembro e passaram por mudanças de nome antes da identidade atual.

A @andremendoncas2, hoje com 1,9 milhão de seguidores, foi criada em novembro de 2024, mas não mantém nenhuma publicação anterior a setembro deste ano.

Print de tela mostra dados sobre a conta Andremendoncas2. No topo da tela, está escrito: Sobre esta conta. Logo abaixo está o ícone do perfil. Alguns dados aparecem abaixo: data de entrada: Novembro de 2024; Conta situada em: Brasil; Nomes de usuários anteriores (8). Verificação: agosto de 2026.
Apesar das mudanças, a plataforma não informa quais eram os nomes anteriores do perfil

O mesmo padrão aparece na @andremendoncas3. A conta foi criada em abril, mudou de nome duas vezes e também não exibe publicações anteriores a setembro.

Os primeiros posts atualmente disponíveis nesses perfis foram publicados em 5 e 7 de setembro. Desde então, os dois passaram a funcionar como perfis de apoio a Mendonça, compartilhando publicações quase idênticas, muitas das quais também distribuídas por outras contas identificadas no levantamento do Aos Fatos.

Captura de tela mostra postagens idênticas de duas contas: @michellepresidentes2 e @andremendoncas3. A legenda da postagem diz: ‘Em uma declaração marcada pela fé, o ministro do STF André Mendonça falou sobre aquilo que considera sua principal missão: servir a Deus e honrar o nome de Jesus Cristo. Mendonça pediu orações, reafirmou sua confiança nas promessas de Deus e destacou que sua caminhada não está baseada em méritos pessoais. Para ele, quanto maior a proximidade com Deus, maior também é a consciência das próprias limitações e falhas. O ministro ainda relembrou uma mensagem sobre promessas que ouviu de um pastor durante um culto, reforçando publicamente sua convicção na fé cristã e a importância de manter um testemunho coerente com aquilo em que acredita. Em tempos de tanta tensão e divisão no Brasil, uma declaração de fé vinda de uma das maiores autoridades do Judiciário certamente chama atenção’
Diferentes contas publicam posts quase idênticos com o objetivo de angariar seguidores para os perfis de apoio a Mendonça

A identidade religiosa que impulsiona a mobilização aparece desde os primeiros posts disponíveis dos dois perfis. Ambos, inclusive, enganam ao associar uma pregação feita pelo ministro em fevereiro deste ano, durante uma conferência cristã de apoio a mães de pessoas atípicas, às discussões recentes no STF. Até esta quarta-feira (16), essas publicações acumulavam cerca de 2 milhões de visualizações.

Captura de tela mostra postagens idênticas de duas contas (@andremendoncas2 e @andremendoncas3). A imagem dos posts incluem uma imagem do ministro e, ao lado, imagem de outros integrantes da corte. Um texto em um fundo branco que diz: Profeta no STF, André Mendonça manda forte recado para os poderosos.
Ministro é retratado em tom messiânico por perfis de apoio

As novas identidades das contas passaram a ser impulsionadas por perfis com audiências já consolidadas. O @nikolasferreiradms3, que usa o nome e a imagem do deputado federal mineiro, por exemplo, publicou uma chamada para que seu público seguisse a @andremendoncas2.

A imagem mostra uma captura de tela de uma publicação no Instagram. À esquerda, há uma montagem com fotos de Alexandre de Moraes e André Mendonça tendo ao fundo a bandeira do Brasil, o prédio do tribunal e uma estátua. Sobre a imagem aparecem as frases 'GRANDE DIA!', 'PÁGINA DE APOIO AO MENDONÇA', 'ACABA DE BATER' e '18 MILHÃO SEGUIDORES', além do perfil '@andremendoncas2'. À direita, aparece uma publicação do perfil 'nikolasferreiradms3', com a chamada ‘SIGA @andremendoncas2 André Mendonça tem seu apoio? Sim ou NÃO?'. O texto apresenta informações sobre a trajetória acadêmica de André Mendonça.
Contas pedem que audiência também siga perfil de apoio ao ministro

Aos Fatos identificou ainda um padrão que sinaliza a existência de uma articulação na rede social: o uso do recurso de collabs do Instagram entre esses perfis e outros dedicados a políticos bolsonaristas.

Em outros casos, diferentes perfis reproduziram imagens, vídeos e legendas idênticas e direcionaram seus seguidores para uma mesma página de apoio ao ministro.

Uma mesma postagem que anunciava que um perfil dedicado ao ministro havia superado 240 mil seguidores em 24 horas, por exemplo, foi distribuída por diferentes perfis bolsonaristas.

A imagem é uma montagem de capturas de tela de publicações no Instagram. À esquerda, há uma arte com uma fotografia de André Mendonça sorrindo, usando toga preta e gravata vermelha, com outras pessoas ao fundo. Sobre a imagem, aparecem os textos 'GRANDE DIA!', 'PÁGINA DE APOIO AO MENDONÇA', 'ACABA DE BATER MAIS DE 240 MIL SEGUIDORES EM 24 HORAS!' e 'SE VOCÊ AINDA NÃO FAZ PARTE, BASTA SEGUIR O PERFIL DE APOIO ABAIXO DESTA IMAGEM!'. Na parte inferior, aparece a identificação @andremendoncas3 e uma bandeira do Brasil. A montagem demonstra que outros perfis publicaram a mesma peça em datas similares.
Ciclo de amplificação: perfis com audiências direcionam seguidores para contas de apoio a Mendonça e transformam crescimento em conteúdo

Servo de Deus

A escalada da disputa entre os ministros do Supremo foi acompanhada por uma explosão de conteúdos em defesa de Mendonça no Instagram em perfis religiosos, contas ditas noticiosas e políticos bolsonaristas.

A disputa institucional em torno das revelações do caso Master é apresentada como uma missão atribuída ao ministro por Deus ou como uma batalha entre o bem e o mal, formulação comumente utilizada pelo ex-presidente Bolsonaro ao longo de seu mandato.

A imagem traz, na parte superior, a frase 'Nunca foi TÃO FÁCIL escolher um lado!', acompanhada de uma bandeira do Brasil. Abaixo, há duas ilustrações lado a lado. À esquerda, um homem representando Jesus aparece beijando a testa de outro homem e colocando uma das mãos sobre a cabeça dele. À direita, uma figura com aparência demoníaca, com chifres, orelhas pontudas e pele enrugada, coloca a mão sobre a cabeça de outro homem. Na parte inferior, aparece a pergunta 'Quem você escolhe', seguida das opções 'Deus' e 'Diabo', com a palavra 'Ou' entre elas.
Posts comparam ministros a figuras religiosas em busca por engajamento

A mobilização também foi incorporada ao discurso eleitoral. Das publicações analisadas, 20 foram feitas por candidatos ou políticos com mandato. Exemplo disso é o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), candidato a vice na chapa presidencial de Flávio, que associou a disputa envolvendo o magistrado à eleição de outubro.

Segundo ele, Moraes e o presidente Lula (PT) representariam um “sistema” que estaria tentando impedir Mendonça de avançar nas investigações sobre o Banco Master e as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social): “que Deus abençoe o ministro André Mendonça”. Até esta quarta-feira (16), o vídeo acumulava 2,2 milhões de visualizações e 27 mil compartilhamentos.

A imagem mostra uma captura de tela de uma publicação no Instagram. À esquerda, aparece o perfil identificado como 'alfredogaspar', seguido de um selo de verificação e da opção 'Seguir'. A legenda diz: 'O Brasil está vivendo uma crise institucional sem precedentes. O sistema corrupto quer trucidar a verdade. As próximas horas são de extrema atenção, e o povo brasileiro tem que ficar atento. Deus abençoe o ministro André Mendonça.' Em seguida, o texto afirma: 'Diante do desespero dos que estão no poder e da iminente vitória do presidente Flávio Bolsonaro, toda atenção para qualquer armação ou ataque ao nosso próximo presidente, Flávio Bolsonaro. Eles são capazes de tudo!' Na parte inferior da legenda aparece 'PARTIDO LIBERAL – PL – 68.581.907/0001-25'. À direita, há um vídeo vertical mostrando um homem de cabelos grisalhos sentado dentro de um carro, usando camisa clara, paletó escuro e cinto de segurança. Sobre o vídeo aparece, em letras grandes vermelhas, a palavra 'Urgente!'. No lado direito da tela estão os ícones de curtida, comentários, compartilhamento e outras opções, com a indicação de 24,3 mil comentários e 27 mil compartilhamento.
Vice na chapa de Flávio Bolsonaro, Gaspar publicou vídeo relacionando Mendonça, Deus e as eleições

Segundo Marcos Jorge, coordenador jurídico do escritório Wilson Gomes Advogados e especialista em direito eleitoral, a legislação não proíbe que candidatos compartilhem declarações de autoridades, manifestem apoio ou utilizem falas de Mendonça durante a campanha.

A avaliação seria diferente caso as publicações atribuíssem ao ministro um apoio eleitoral inexistente, segundo o especialista. Gaspar, por exemplo, apesar de realizar uma associação explícita entre Mendonça e Flávio, não atribuiu ao ministro um apoio que ele não declarou.

Também haveria problema caso fosse demonstrada anuência ou articulação prévia de Mendonça para o uso eleitoral de suas manifestações, observa Jorge.

O advogado e mestre em Direito e Políticas Públicas Adriano Fonseca afirma que, neste caso, a conduta poderia suscitar questionamentos éticos e constitucionais. O Aos Fatos não encontrou evidências de que Mendonça autorizou ou participou da elaboração dessas publicações.

Outro lado

Aos Fatos entrou em contato com o gabinete de André Mendonça e com as assessorias de imprensa do deputado federal Nikolas Ferreira e do senador Flávio Bolsonaro para abrir espaço para comentários.

A reportagem tentou ligar para o gabinete de Alfredo Gaspar mas, como ninguém atendeu, enviou um e-mail com um resumo da citação feita no texto. Nenhum dos quatro citados havia respondido até a publicação desta reportagem.

Aos Fatos também enviou um pedido de posicionamento para a Meta questionando se a reutilização de uma conta com audiência preexistente, após sucessivas mudanças de nome e de temática, para promover uma figura pública, violaria regras da plataforma. A reportagem será atualizada em caso de resposta.

O caminho da apuração

Aos Fatos analisou 156 publicações no Instagram encontradas a partir dos termos “Mendonça” e “Deus”, classificando os conteúdos de acordo com os perfis responsáveis, o alcance e as principais narrativas utilizadas na defesa do magistrado.

A reportagem também mapeou 24 contas dedicadas a Mendonça e analisou informações disponibilizadas pela própria plataforma, como data de criação dos perfis e mudanças de nome, identificando uma rede de contas políticas que impulsionam perfis de apoio ao ministro. 

Por fim, Aos Fatos entrevistou Guilherme Arduini, coordenador do LAR (Laboratório de Antropologia da Religião) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o especialista em direito eleitoral Marcos Jorge e o advogado e mestre em Direito e Políticas Públicas Adriano Fonseca sobre a mobilização religiosa em torno de Mendonça e os limites jurídicos dessa atuação.

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Tradição, música e fé nas Festas em Honra de Nossa Senhora da Visitação na aldeia de Odeleite

A aldeia de Odeleite vai receber as tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Visitação no próximo fim de semana, entre os dias 4 e 6 de setembro, com um programa festivo repleto de música, tradições e iniciativas religiosas.

No primeiro dia, a feira abre portas pelas 18h00 com produtos regionais do concelho, seguindo-se um baile com Filipe Romão. À noite sobe ao palco o Rancho Folclórico do Azinhal, pelas 21h30, antecedendo o espetáculo do DJ Nuno Silva com a sua Tour Anos 80, pelas 22h30.

A 5 de setembro, o dia começa com a segunda edição do passeio de motorizadas, que parte de Odeleite pelas 09h00, com um percurso que vai percorrer os principais pontos daquela que é a maior freguesia do concelho.

Após a abertura da feira, o baile ficará a cargo dos Acordeanima, enquanto a atuação principal da noite será realizada pela artista portuguesa Joana D’Arc.

O grande destaque destas festas tradicionais vai decorrer no domingo, dia 6 de setembro, com a procissão em Honra de Nossa Senhora da Visitação pelas ruas da aldeia de Odeleite, pelas 19h00. A feira e o baile com Luís Godinho decorrem pelas 19h00, enquanto à noite haverá espetáculo com o grupo As Vozes, pelas 22h30.

As Festas em Honra de Nossa Senhora da Visitação contam com a organização da Junta de Freguesia local, do Município de Castro Marim, da Paróquia de Odeleite e da Associação Social da Freguesia de Odeleite.

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