Administração do matadouro em Trás-os-Montes já previa anulação de insolvência
A administração do matadouro do Cachão, Mirandela, vincou, hoje, que a anulação da insolvência já era o esperado, mas os problemas mantêm-se e o funcionamento da unidade de abate só é possível graças a dinheiro injetado pelos municípios.
Em declarações à Lusa, o administrador Michel Monteiro realçou que a anulação do processo de insolvência, pelo Tribunal da Relação de Guimarães, noticiada quarta-feira pela Lusa, “não traz muito de novo”, porque “apesar da incerteza”, havia “uma forte convicção de que o processo ia ter este desfecho”, devido à natureza empresarial do matadouro.
Em abril deste ano, um dos credores do matadouro, a Ares Lusitani, pediu a insolvência da unidade de abate devido a uma dívida que terá chegado a perto de um milhão de euros.
No entanto, a 15 de outubro, o tribunal da relação anulou o processo, alegando que o matadouro do Cachão é uma empresa local, de natureza intermunicipal, estando sujeita a uma legislação especial.
Este desfecho, para Michel Monteiro, significa voltar à “estaca zero”, mantendo-se os problemas financeiros da unidade de abate, provocados pelo “enorme decréscimo”, na ordem dos “30 a 40%”, no abate de animais, pelo aumento do custo do combustível, do gás e da eletricidade, e ainda assim mantendo os mesmos postos de trabalho.
Face à relevância do matadouro para a região, os municípios, garantiu, “têm feito um enorme esforço” para conseguir manter o matadouro em funcionamento e, em resposta às críticas do sindicato sobre a má gestão, salientou que “poucos políticos teriam esta coragem de injetar tanto dinheiro nesta unidade industrial” que “gera valor negativo”.
“O núcleo central do negócio não é autossustentável, a atividade gera valor negativo no seu dia-a-dia, obrigando a empresa a recorrer a financiamento dos acionistas, no caso concreto, ao município de Vila Flor e ao município de Mirandela”, vincou.
Michel Monteiro sublinhou ainda que as câmaras municipais têm também feito um esforço para manter os 23 postos de trabalho, embora preveja um alívio nos gastos com ordenados, visto que “entre 30 a 40% dos trabalhadores” atingiram a idade da reforma e “muitos deles já não conseguem estar na grande parte dos postos de trabalho”.
“Se por cada dois que se vão reformando nós conseguirmos meter uma pessoa com idade jovem, com ambição, com motivação para dali fazer uma carreira, tem tudo para continuar a funcionar o matadouro”, adiantou.
Durante o processo de insolvência os municípios apresentaram um plano de revitalização para esta unidade de abate situada em Frechas, no concelho de Mirandela. No entanto, com a anulação da insolvência, também este plano cai por terra.
Ainda assim, o administrador revelou que os municípios vão ter de negociar a dívida com os credores.
“Sentarmo-nos e tentarmos negociar uma forma ou um prazo bastante diluído, são esses pormenores que terão de ser discutidos, mas enfim, com alguma margem conseguirmos, a seu tempo, conseguir cumprir com as obrigações que outros assumiram no passado e que até à data (…) o matadouro ainda não conseguiu pagar”, referiu.
Desde o início do processo de insolvência, o matadouro industrial do Cachão manteve-se aberto e em funcionamento, mas os trabalhadores chegaram a anunciar uma greve, por alegados atrasos no pagamento de salários e subsídios de férias, mas acabou por ser cancelada.
No nordeste transmontano há ainda mais três matadouros: em Miranda do Douro, Vinhais e Bragança, estando ainda a ser construído outro em Mogadouro.
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