❌

Normal view

Faro despede-se de Ernesto Cabrita, o guia que dava a conhecer a cidade

17 October 2026 at 19:35

Ernesto Nuno Cabrita, empresário e guia turístico ligado à divulgação da história e do património de Faro, morreu na sexta-feira, 16 de outubro. O seu falecimento motivou, este sábado, mensagens de pesar do município, de associações e de amigos, que recordam os passeios pela cidade, a paixão pelas motas e a boa disposição com que recebia quem se cruzava consigo.

A morte ocorreu na sequência de um acidente de mota em Caliços. Como o POSTAL noticiou, o alerta para o despiste foi dado às 20h22, segundo o oficial de dia ao Comando Nacional da GNR, citado pela Lusa. A mesma fonte indicou que a vítima mortal era o condutor do motociclo e que não houve feridos.

Município recorda um homem que vivia Faro com orgulho

Numa publicação nas redes sociais, o Município de Faro lamenta o falecimento “prematuro e inesperado” de Ernesto Cabrita, destacando o seu trabalho como empresário e guia turístico e a ligação à cidade cuja história, identidade e memórias partilhava com os visitantes.

A autarquia sublinha o espírito empreendedor e a forma entusiasta como promovia Faro, contribuindo, através da sua atividade, para dar a conhecer o concelho.

“Ficando a memória de um homem que vivia Faro com genuíno orgulho e paixão”, escreve o município, que apresenta condolências à família, aos amigos e às pessoas que acompanharam o seu percurso pessoal e profissional.

Os passeios turísticos em tuk-tuk e, mais recentemente, numa réplica do Ford T surgem também nas recordações partilhadas por quem o conhecia.

“O Ernesto era Faro”

O deputado Cristóvão Norte recorda uma relação construída ao longo de muitos encontros, desde os tempos do liceu até à participação em listas autárquicas, passando pelas conversas no café e na rua.

Na homenagem, evoca ainda Ernesto Cabrita como copiloto de ralis de Rui Ginjeira e uma expressão que se tornou a saudação entre ambos: “Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe!”

“O Ernesto estava sempre por aí, como se fizesse parte da paisagem humana de Faro. Para mim, fazia”, escreve Cristóvão Norte, que lembra também o orgulho com que o guia lhe explicou os pormenores da réplica do Ford T.

O testemunho destaca a generosidade, o entusiasmo e a capacidade de proporcionar bons momentos a quem o rodeava. “Tinha essa raríssima qualidade de distribuir boa disposição”, afirma, encerrando a despedida com as palavras: “Até sempre, Ernesto. O Ernesto era Faro.”

Moto Clube, confraria e comerciantes prestam homenagem

O Moto Clube de Faro confirmou o falecimento do seu sócio e membro, descrevendo-o como “uma pessoa especial, de sorriso fácil, sempre alegre e bem-disposto”.

Na nota de pesar, o clube recorda um profundo conhecedor de Faro, das suas gentes e memórias, que gostava de partilhar esse conhecimento. Destaca igualmente a sua companhia nas viagens de mota, “sempre pronto a partilhar a estrada e os bons momentos”.

A Confraria Marinha da Ria Formosa, da qual Ernesto Nuno Cabrita também fazia parte, assinala o seu compromisso com a preservação e valorização do património marítimo, cultural e ambiental da região.

A organização, que indica 16 de outubro como a data do falecimento, recorda o guia turístico e responsável pelo projeto Look Al – Cultural Experience como um membro dedicado. “A sua partida priva-nos de um homem de causas, de um amigo e de um confrade exemplar”, escreve.

Também a Associação do Comércio da Baixa de Faro salienta o contributo de Ernesto Cabrita para divulgar a riqueza cultural e patrimonial da cidade. Na sua mensagem, descreve-o como “um defensor incansável do nosso património, de um amigo e de um dinamizador exemplar”.

A equipa das Ruínas Romanas de Milreu juntou-se às manifestações de pesar, recordando Ernesto Nuno Cabrita como “um farense orgulhoso da história da sua terra e amigo de Milreu”.

Na publicação, a equipa refere que, ao longo de mais de duas décadas, Ernesto e o seu tuk-tuk levaram centenas de visitantes ao monumento. Destaca a simpatia e a boa disposição que marcaram essa relação, bem como “uma alegria que iremos recordar com carinho”.

A nota de pesar termina com a apresentação de condolências à família e aos amigos.

Das voltas de mota às histórias contadas aos visitantes

As homenagens de amigos recuperam episódios de convivência e diferentes facetas do guia turístico.

Jorge Carvalho da Silva partilhou a recordação de um passeio de mota ao Alto do Malhão e destacou a capacidade de Ernesto Cabrita para contar histórias e prender a atenção de quem o ouvia.

“Conhecias Faro como poucos e, ao volante do teu Tuk Tuk, levavas os turistas a descobrir a nossa cidade”, escreveu. Na mesma publicação, recordou os encontros em Bordeira, nas charolas, e o início do ano vivido entre rimas.

Marta Correia evocou o empreendedor farense ligado à Look-Al e aos passeios em tuk-tuk, associando-lhe a expressão “#AskErnesto”. Na sua homenagem, escreveu que deixou “um legado de histórias, paixões, sorrisos e abraços”.

Manel DaCulatra recordou a amizade com Ernesto e o contributo do guia turístico para dar a conhecer a história de Faro. Na sua publicação, descreveu-o como um homem inteligente, culto e apaixonado pelo que fazia.

“No turismo histórico de Faro, deixaste a tua marca, partilhando o teu conhecimento e ajudando a dar vida à história da nossa terra”, escreveu.

Para além do percurso profissional, a homenagem destaca o caráter, a humildade e a amizade sincera de alguém que deixou uma marca na vida de quem o conheceu. “Faro perde alguém que conhecia e valorizava a sua história. O turismo perde um homem que fazia a diferença. E eu perco um amigo de quem gostava muito e cuja ausência vou sentir”, afirmou.

“Parte o homem, fica a memória. Parte a presença, fica a saudade”, acrescentou, encerrando a despedida com as palavras: “Faro ficou mais pobre. Eu também. Até sempre, pequeno grande homem.”

O restaurante “O David”, em Faro, juntou-se às manifestações de pesar, lembrando alguém que passou de cliente a amigo e ajudou a divulgar o estabelecimento junto de outras pessoas.

“Tu foste muito mais do que um cliente, Ernesto”, lê-se na publicação. O restaurante agradece a amizade e o apoio, descrevendo a morte como uma perda inesperada.

Paulo Castro, numa outra mensagem, recorda o sorriso e o contentamento com que Ernesto Cabrita saía para trabalhar no seu “Ford T”, levando a cultura farense aos turistas que visitavam a cidade.

Publicações questionam lomba, mas causas do despiste não estão esclarecidas

Além das homenagens, algumas publicações nas redes sociais levantam dúvidas sobre a segurança rodoviária no local.

Paulo Castro e Augusto José Guerreiro associam o acidente a uma lomba que descrevem como estando instalada numa curva. Guerreiro, numa publicação identificada com a localização de Caliços, questiona também a inclinação da via e o desgaste do piso, defendendo que as lombas deveriam ter sido colocadas nas retas anteriores, para obrigar os veículos a reduzir a velocidade antes da curva.

Nos comentários surgem opiniões divergentes. Alguns participantes contestam a localização da lomba e questionam a sinalização, enquanto outros defendem a sua função de redução da velocidade e salientam a necessidade de adaptar a condução às condições da estrada.

Estas apreciações não constituem uma conclusão sobre as circunstâncias do acidente. A informação da GNR divulgada pelo POSTAL confirma o despiste e a morte do condutor, mas não identifica as causas nem estabelece uma ligação entre a lomba e o acidente ou atribui responsabilidades.

Leia também: Despiste de motociclo em localidade de Faro deixa um morto

Lideranças políticas que temos | Por José Figueiredo Santos

17 October 2026 at 16:10

Não me seduz o hábito, tão português como a sardinha assada e a indignação de café, de distribuir qualificações às personalidades políticas como quem distribui cartas num serão de província. Também não é de dar crédito à ideia de que a simples ocupação de um cargo transforme um cidadão numa figura providencial. Se a cadeira ministerial tem a vantagem de permitir que uma pessoa se sente, não consta que lhe acrescente inteligência, carácter ou visão.

Ainda assim, seria razoável exigir de quem aspira a governar os outros algumas qualidades que o distingam dos demais. Chamam-lhes líderes. A palavra, outrora associada à autoridade, à visão e à capacidade de mobilização, parece hoje designar, por vezes, um campeão da resistência passiva, aquele que chegou ao lugar e conseguiu permanecer nele sem que ninguém o desalojasse.

A oposição é, por natureza, um terreno propício ao surgimento de líderes. Quando o poder hesita, pode propor; quando o Governo falha, pode apresentar alternativas; quando o país se inquieta, pode demonstrar que existe outro caminho. É, pois, desconcertante olhar para um dos partidos fundadores da democracia portuguesa e encontrar tamanha dificuldade em fazer emergir uma figura capaz de lhe devolver ambição, entusiasmo e sentido de futuro.

O espetáculo é, por vezes, confrangedor. De um lado, um espanto burocrático; do outro, uma espécie de fofura política, tão embalada na sua moderação que até as críticas parecem pedir licença antes de sair. Uma política de pantufas, sem arestas, sem sobressaltos e sem o inconveniente de acordar alguém.

Sobre a Administração Interna, os protagonistas e as polémicas ocupam o seu espaço. Sobre a TAP, foi Pedro Santos quem veio esclarecer. Sobre a Economia, Centeno continua a ser uma referência incontornável no confronto e na clarificação. Quando chega a vez da liderança da oposição, instala-se uma mornice de discursos redondos, declarações prudentes e ideias previamente submetidas a uma comissão de segurança.

Fala-se de alternativa, mas nem sempre se percebe qual; fala-se de futuro, mas o caminho permanece envolto em neblina; fala-se de liderança, mas pratica-se uma cautelosa administração das expectativas. O país pede um rumo e recebe uma intenção, pede uma ideia e recebe uma promessa de reflexão.

Ora, ser líder não consiste em comparecer com pontualidade, apertar mãos com urbanidade e pronunciar frases convenientemente vagas para que todos possam concordar.

Um líder precisa de comunicar com clareza, estabelecer prioridades, inspirar confiança e assumir responsabilidades. Precisa de empatia genuína, de capacidade para agregar vontades e, sobretudo, de coragem. Não se exige um incendiário, mas alguém que tenha a ousadia de defender uma ideia, a firmeza de tomar decisões.

A moderação é uma virtude quando nasce do discernimento. Quando nasce do medo de desagradar, não passa de uma apagada prudência eleitoral de gravata bem ajustada.

Também a apresentação conta. Não porque a política deva transformar-se num concurso de elegância, embora alguns pareçam acreditar que um fato bem cortado constitui meia reforma do Estado, mas porque a postura e a expressão devem transmitir confiança e autoridade. O problema surge quando a embalagem se transforma no principal argumento de venda e o conteúdo fica adiado para a próxima legislatura.

Há pessoas que entram numa sala e mexem com o ambiente. Outras entram, sentam-se e deixam tudo exatamente como estava. Ambas podem ser excelentes pessoas; nenhuma se torna líder apenas por isso.

Entretanto, a sociedade portuguesa parece bloqueada num estranho impasse. À esquerda, à direita ou ao centro, multiplicam-se as hesitações e os cálculos. Os problemas acumulam-se, os cidadãos tornam-se mais exigentes, mas uma parte da classe política continua a comportar-se como se cumprir o ritual democrático bastasse para merecer confiança.

Não basta. O eleitor já não procura apenas alguém que saiba falar; procura alguém que tenha alguma coisa para dizer. Há discursos pronunciados de forma tão impecável que não deixam vestígios na memória, nem vincos no espaço público: entram pelo ouvido, atravessam a expectativa e desaparecem sem produzir sequer a perturbação de uma ideia.

É certo que a liderança se aprende e aperfeiçoa. Mas uma coisa é aprender a liderar; outra é passar anos no lugar à espera de que a competência se manifeste, como um milagre administrativo.

E o entusiasmo? Onde está ele?

Não falo da agitação artificial dos comícios, mas daquela energia capaz de transformar uma ideia numa vontade coletiva. Quando ela falta, sobra a gestão do quotidiano: uma declaração num canal de TV, uma reunião acolá, uma promessa embrulhada com cuidado e a esperança de que a conjuntura resolva aquilo que a personalidade não consegue resolver.

E assim chegamos ao nosso moderado: bem-comportado, gravata impecável, voz serena e uma louvável preocupação de não partir um prato. É possível que venha a ser um bom ministro, competente na gestão de dossiers e prudente na decisão. Não seria justo negar-lhe essas virtudes. Mas há uma diferença entre administrar uma pasta e conduzir um partido, entre gerir uma estrutura e inspirar uma comunidade.

Nas aldeias, costuma dizer-se que as pessoas são para aquilo para o que nascem. Não será uma sentença definitiva, pois há capacidades que se conquistam com trabalho. Mas a política parece ter esquecido uma verdade elementar: nem todos os lugares servem a todas as pessoas, e nem todos os que chegam ao topo estão preparados para ocupá-lo.

Talvez o drama da nossa classe política resida justamente na facilidade com que confunde a ausência de escândalo com a presença de mérito, a prudência com a visão e a sobrevivência partidária com a capacidade de mobilização.

Continuamos, assim, a assistir ao desfile dos que bem dominam a arte de não desagradar a ninguém. Falam sem se comprometer, prometem sem se expor e permanecem sem transformar. Uma qualidade preciosa para quem pretende passar despercebido.

Para quem pretende liderar o país, já é outra história.

Leia também: Salas cheias de futuros vazios? | Por José Figueiredo Santos

Entrevista a Arménio Aleluia Martins: “a história de Paderne escrita nas vidas dos seus cidadãos”

17 October 2026 at 16:00

Preservar a memória de quem ajudou a construir Paderne é o propósito de Cidadãos que Conheci em Paderne, o 13.º livro de Arménio Aleluia Martins. Publicada pela Arandis Editora, a obra reúne 63 biografias de pessoas que o jornalista e escritor conheceu, cruzando recordações pessoais com fotografias e testemunhos de familiares e amigos. Das oficinas às associações, da poesia à imprensa, estes percursos ajudam a compreender a história da freguesia e a transmiti-la às novas gerações.

Das recordações pessoais à memória coletiva

Em Cidadãos que Conheci em Paderne, reúne 63 biografias de pessoas com quem conviveu. O que tornou necessário transformar essas relações pessoais numa memória partilhada da terra?

Foi a vontade de preservar a memória de pessoas que deram muito a Paderne, cada uma à sua maneira. Conheci-as, convivi com elas e guardei episódios que não dizem respeito apenas à minha vida. Através dessas pessoas, também podemos conhecer melhor a terra: o trabalho, as atividades culturais, as associações, as relações familiares e os gestos de solidariedade.

Quando comecei a escrever estas crónicas, estava longe de imaginar que um dia formariam um livro. O trabalho foi aproximando recordações e testemunhos, permitindo reunir histórias que fazem parte da identidade da nossa freguesia. Como escrevi na nota de abertura, foi, acima de tudo, um exercício de gratidão.

Também reconheço que ficaram pessoas por biografar. O tempo não permitiu registar todas as vidas que mereciam estar nestas páginas. Por isso, não apresento este livro como uma história completa de Paderne. É um contributo para que algumas dessas vidas continuem a ser conhecidas e para que outras possam ainda ser contadas.

“Escrever este livro foi, acima de tudo, um exercício de gratidão.”

Arménio Aleluia Martins. Fotos DR

Define este livro como um “exercício de gratidão”. Como conciliou o afeto pelos biografados com o rigor do jornalista, sobretudo ao cruzar as suas recordações com os testemunhos das famílias?

O afeto é uma razão para escrever, mas não deve substituir a informação. Conhecer uma pessoa permite recordar um gesto ou uma conversa; não significa conhecer todos os momentos da sua vida. Neste trabalho, a minha memória juntou-se à colaboração dos familiares e amigos dos biografados.

Essas pessoas facultaram-me informações, documentos e fotografias que foram fundamentais para construir os retratos. Não são apenas elementos que acompanham o texto: ajudam a situar as pessoas nas suas famílias, nas suas atividades e na comunidade. A disponibilidade e a confiança de quem colaborou deram uma dimensão mais ampla às recordações que eu tinha guardado.

Entendo a gratidão como o reconhecimento do que alguém fez, e não como uma licença para lhe acrescentar qualidades ou acontecimentos. O respeito por estas pessoas pede que a homenagem permaneça ligada às suas vidas concretas. Foi esse património humano que procurei preservar, com a ajuda de quem também o conheceu.

O valor dos gestos e das vozes menos ouvidas

No retrato do ferreiro José Martins, recorda uma roda que ele lhe fez para brincar. O que torna alguém digno de figurar na história de uma terra, para além dos cargos ou da notoriedade?

A marca que deixa na vida dos outros. No caso de José Martins, guardo a recordação de um homem que, na sua oficina, transformou um pedaço de ferro numa roda com a qual percorri as ruas da aldeia. É um episódio simples, mas permite recordar uma pessoa através das suas mãos, do seu ofício e da relação que estabeleceu comigo.

Um cargo pode ajudar a compreender um percurso, mas não o resume. Uma terra também se constrói com o trabalho de quem mantém uma oficina, ensina, toca numa banda, escreve versos ou participa numa associação. É importante olhar para essas contribuições sem medir todas as vidas pela mesma forma de reconhecimento.

No retrato de José Martins, acompanho também a família e o percurso das filhas, ligadas ao ensino, à poesia, à economia, ao teatro e à solidariedade. Essa continuidade ajuda a perceber que uma biografia não termina na atividade profissional de uma pessoa: prolonga-se nas relações que criou e na vida da comunidade.

Conta que Amélia da Silva Júdice rasgava os próprios poemas por receio de não serem aceites. Que dificuldades encontrou ao recuperar o contributo das mulheres para a vida cultural de Paderne?

A história de Amélia mostra logo uma dificuldade: uma parte da criação não chegou a conservar-se. Os poemas que rasgou deixaram de poder ser lidos. Ficou, porém, o testemunho desse receio e ficou a obra que mais tarde partilhou. Depois da morte do marido, começou a escrever com maior frequência e a publicar em A Avezinha. Os filhos promoveram depois, no Brasil, a edição dos seus livros.

É importante não confundir a falta de oportunidade ou de reconhecimento com a ausência de talento. No livro, refiro as limitações que Amélia encontrou no acesso aos estudos. Outro percurso é o de Albertina Coelho Rodrigues, que não frequentou a escola e cuja poesia guardada na memória encontrou ajuda para chegar à escrita. São experiências diferentes, mas ambas mostram quanto dependia de alguém escutar, incentivar e conservar.

Quero, neste contexto, dar especial relevo a Maria da Conceição Elói. Apesar de não ter prosseguido os estudos depois da escola primária, continuou a aprender através da leitura dos clássicos e do contacto com pessoas que lhe proporcionaram conhecimentos de francês e de piano. Ao longo de cerca de setenta anos, escreveu poesia, contos, novelas e crónicas jornalísticas. A sua atividade literária esteve também ligada à vontade de ajudar os mais desfavorecidos, preocupação que esteve na origem do jornal manuscrito A Avezinha, em 1921.

Quero igualmente destacar Maria Feliciana Marim Marques, uma das quatro fundadoras do jornal, que assinava com o pseudónimo “Violeta”, enquanto Maria da Conceição Elói usava “Madressilva”. Recordá-las é reconhecer que as mulheres não foram apenas tema das páginas da imprensa local: estiveram também na sua origem, tomando a iniciativa de escrever e de comunicar com a comunidade.

Ao recuperar estas vidas, interessa-me que as mulheres sejam conhecidas pelo que criaram e fizeram, e não apenas pelas suas relações familiares. O que sobreviveu merece ser lido; o que se perdeu deve lembrar-nos a importância de dar atenção às vozes que ainda podemos ouvir.

“Cada conversa foi uma descoberta; cada memória partilhada, uma peça indispensável
do património humano de Paderne.”

Trabalho, mudança e imprensa regional

A história de José Cordeiro Bispo e da sua família passa da cerâmica ao turismo. Como ajudam estes percursos a compreender as mudanças de Paderne e do Algarve para além da imagem de destino de férias?

Ajudam a perceber que, por detrás de uma transformação económica, existem pessoas, decisões, trabalho e relações familiares. José Cordeiro Bispo chegou a Paderne em 1960, com António Simões Vicente, para negociar uma pequena fábrica de tijolos e telhas em Mem Moniz. A atividade começou em arrendamento e passou depois à propriedade. Naquele espaço, onde tinham existido um lagar e uma moagem, desenvolveu-se o trabalho da cerâmica.

O seu percurso estendeu-se a outros investimentos, e a família deu continuidade aos projetos turísticos em Albufeira. Essa continuidade é importante: não se trata apenas da história de um empresário, mas de um caminho prosseguido por diferentes gerações.

Quando acompanhamos estas vidas, encontramos um Algarve de agricultores, oficinas, fábricas, comércio e associações, e percebemos como essas atividades se relacionaram com o turismo. A região não pode ser compreendida apenas através daquilo que oferece a quem a visita. É também o lugar onde as pessoas trabalham, constituem família e constroem o seu futuro. As biografias permitem dar nomes e percursos a essa história.

A imprensa regional e a memória das suas fundadoras

Recorda a oferta de décadas de exemplares de A Avezinha por uma assinante. Que parte da história de Paderne e do Algarve ficaria por contar sem o trabalho da imprensa regional?

Ficaria muito mais difícil conhecer a vida quotidiana das comunidades. A imprensa regional dá espaço a pessoas, iniciativas e acontecimentos que, muitas vezes, não encontram lugar noutros jornais. E aquilo que parece pequeno quando é publicado pode tornar-se indispensável para compreender uma época.

A oferta foi feita por D. Paula Trindade Anacleto, uma assinante dedicada de A Avezinha, quando o jornal regressou à publicação. Entregou-me exemplares desde a fundação até 19 de dezembro de 1949. No livro, recordo essa documentação, guardada na Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha e integrada no Arquivo Municipal de Albufeira. Foi um gesto de preservação com valor para toda a comunidade.

Preservar o jornal é também preservar a memória de quem lhe deu vida. Por isso, faço questão de lembrar Maria da Conceição Elói e Maria Feliciana Marim Marques entre as suas fundadoras. Quando A Avezinha retomou a publicação, em maio de 1977, Maria da Conceição Elói assumiu a direção. Havia nessa continuidade uma ligação entre a origem do jornal e a vontade de o devolver aos leitores de Paderne.

A ligação à poetisa teve ainda outra expressão importante: depois da sua morte, A Avezinha promoveu a publicação dos seus versos em livro, concretizando um desejo que ela não realizara em vida. Com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, Ecos da Minha Voz saiu em janeiro de 1983, com o título que a própria autora escolhera. É um exemplo concreto de como um jornal pode ajudar a preservar e a divulgar a criação literária de uma comunidade.

O próprio livro mostra também o papel do jornal na divulgação da poesia de Amélia da Silva Júdice e de Maria de Lurdes, filha do ferreiro José Martins. A imprensa não guardou apenas notícias: ajudou a tornar visível uma criação que podia ter permanecido nas gavetas. É essa ligação entre informação, cultura e proximidade que considero tão importante conservar.

“Porque uma terra vive das suas paisagens, mas perdura sobretudo pela memória
das suas gentes.”

Uma herança para continuar

Escreve que uma terra perdura pela memória das suas gentes. O que gostaria que um jovem de Paderne fizesse com este livro, para que ele não se limitasse a guardar o passado?

Gostaria que o usasse como ponto de partida para fazer perguntas. Que procurasse saber quem foram as pessoas cujos nomes encontra nas ruas, nas associações ou nas conversas da família. Que olhasse para uma fotografia antiga e tivesse vontade de identificar os rostos, o lugar e a ocasião.

Não lhe pediria que vivesse voltado para trás, nem que repetisse o caminho destas pessoas. Cada geração tem a sua vida para construir. Mas conhecer o que outros fizeram pode ajudar a perceber melhor aquilo que recebemos e a responsabilidade de lhe dar continuidade.

Há também histórias que não couberam neste livro. Um jovem pode encontrar, na sua própria família ou entre os vizinhos, testemunhos que acrescentem outras páginas à memória de Paderne. Gostaria que a leitura despertasse essa curiosidade e esse cuidado.

Se este trabalho levar alguém a ouvir uma pessoa mais velha, a conservar um documento ou a contar uma história que ainda não foi registada, já estará a fazer mais do que guardar o passado. Estará a preparar aquilo que as gerações seguintes poderão conhecer de nós.

Arménio Aleluia Martins: uma vida entre a imprensa, a cultura e Paderne

O jornalismo, a música, o teatro, o desporto e o associativismo cruzam-se no percurso de Arménio Aleluia Martins. Aos 86 anos, o escritor padernense publica Cidadãos que Conheci em Paderne, o seu 13.º livro, dando continuidade a uma atividade em que a informação, a criação cultural e a memória da comunidade ocupam lugares centrais.

A sua formação passou pelos cursos de Guia-Intérprete, pelo SNI, e de Direito do Trabalho, pelo ITE, a que se juntou o curso de Jornalismo e Gestão do Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. Em França, estagiou no diário Le Progrès, em Lyon, antes de regressar a Portugal e desenvolver uma carreira ligada a jornais, rádios e agências noticiosas.

Dos jornais à rádio

Arménio Aleluia Martins dirigiu os jornais regionais A Avezinha, Hora de Albufeira e Diário do Algarve. Na rádio, foi diretor de informação da Rádio Albufeira e da Rádio Barrocal e colaborou com a RDP.

Foi também correspondente do Diário de Notícias e delegado no Algarve da agência noticiosa ANOP e do jornal O País. A estas funções somam-se colaborações com outros jornais e estações de rádio, regionais e nacionais. A ligação à preservação documental tem expressão na Biblioteca-Museu do Jornal A Avezinha, em Paderne, de que é fundador. O novo livro prolonga esse interesse pela memória: reúne biografias acompanhadas de fotografias, num trabalho que contou com informações e documentos facultados pelas famílias.

Uma presença nas associações e na vida cultural

No movimento associativo, presidiu à Associação de Imprensa Regionalista do Algarve, ao Clube de Golfe da Comunicação Social, ao Padernense Clube, à Sociedade Musical e Recreio Popular de Paderne e ao Imortal Basket Club.

A nota biográfica fornecida ao POSTAL identifica-o ainda como presidente da direção do Grupo de Amigos de Paderne e das assembleias da Casa do Povo de Paderne, da Casa do Benfica em Albufeira e da Associação Prime Skills, além de dirigente da Associação de Pesquisa e Estudo da Oralidade.

A participação cultural não se limitou às funções diretivas. Foi ator e diretor de grupos de teatro, músico na banda da Sociedade Musical de Paderne e monitor de cursos de teatro e jornalismo. É autor e coordenador editorial de livros e revistas, tendo também proferido palestras e apresentado trabalhos em congressos.

Reconhecimento pelo trabalho desenvolvido

Entre as distinções recebidas encontram-se a Medalha de Honra Municipal de Grau Ouro, atribuída pela Câmara Municipal de Albufeira, e o Louvor de Mérito Jornalístico da Comunicação Social Regional e Local, atribuído pelo Secretário de Estado do Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.

Foi igualmente homenageado pelo Governo Civil de Faro e distinguido como Profissional do Ano pelo Rotary Club de Albufeira.

Com Cidadãos que Conheci em Paderne, publicado pela Arandis Editora, com prefácio de Nuno Campos Inácio e apoio da Junta de Freguesia de Paderne, volta a centrar a escrita nas pessoas da sua terra. As 63 biografias recuperam percursos que conheceu e acompanhou, acrescentando ao registo dos nomes as atividades, as relações e as histórias que os ligaram à comunidade.

Leia também: Novo livro de Arménio Aleluia recupera 63 histórias de Paderne

Movimento pela habitação destaca mobilização em Faro e promete continuar protestos

17 October 2026 at 14:47

A mobilização em Faro foi destacada pela porta-voz do movimento pelo direito à habitação, Cristiana Leal, que considera que os protestos assumem uma dimensão nacional. Em declarações à Lusa este sábado, 17 de outubro, garantiu que o movimento continuará depois de terminar a autorização municipal para se manifestar na Praça D. João I, no Porto.

“Em Faro também está a haver muita mobilização e eu acredito que vão ser grandes manifestações”, afirmou, sublinhando que “isto não é uma luta só do Porto, isto é uma luta do país inteiro”.

A porta-voz referiu também ter informações positivas sobre a mobilização na Madeira e apontou “uma grande mobilização” em Lisboa, tanto para a manifestação como para a acampada prevista a seguir.

Semana de protestos foi “o despertar de um povo”

Cristiana Leal fez o balanço após participar na manifestação da CGTP, que reuniu milhares de pessoas no Porto. A marcha partiu da Praça da Batalha e terminou na Praça D. João I, centro dos protestos do movimento ao longo da última semana.

Cerca de uma centena de pessoas do movimento integraram a manifestação e foram recebidas com palmas à chegada à praça.

“Esta última semana foi uma vitória e foi o despertar de um povo”, afirmou a porta-voz, destacando a capacidade de mobilizar participantes, envolver outras cidades e manter os protestos durante uma semana.

“Fomos recebidos com todo o carinho, as pessoas sabem que nós estamos a lutar pelo mesmo que elas, estamos todos a lutar pelo mesmo e é só isso que importa”, acrescentou.

Segundo a Lusa, Cristiana Leal foi uma das vítimas da carga policial que pôs fim à acampada na madrugada de quinta-feira.

Assembleia popular marcada para as 19:00

A porta-voz apelou à participação na assembleia popular agendada para as 19:00 deste sábado, na Praça D. João I.

A autorização da Câmara do Porto para os protestos naquele espaço termina em 20 de outubro, mas Cristiana Leal assegurou que isso não determinará o fim da mobilização.

“Este movimento começou e não vai parar, porque as condições de vida são as que são, ainda não mudaram e enquanto elas não mudarem o movimento não para”, declarou.

Movimento reafirma caráter apartidário

Questionada sobre a possibilidade de a participação na marcha da CGTP associar o movimento a outras causas, a porta-voz respondeu que não se opõe a essa ligação quando estejam em causa “a melhoria das condições de vida e o aumento dos salários”.

“Nós somos um movimento apartidário, mas os partidos são formados por pessoas e essas pessoas estão connosco e estão com o nosso movimento”, afirmou.

Cristiana Leal criticou ainda o presidente da Câmara do Porto, que acusou de ter “agredido e atacado” os manifestantes.

Apesar de participarem na marcha, os membros do movimento não foram autorizados a discursar, uma situação que a porta-voz desvalorizou. Depois de entoarem o hino nacional, os jovens do movimento gritaram “Pedro Duarte, demissão”.

Leia também: Faro recebe protesto pela habitação em solidariedade com a acampada do Porto

Influenciadora algarvia detida por suspeita de encomendar rapto de seguidor. Pensou que tinha sido burlada

17 October 2026 at 13:10

Uma criadora de conteúdos digitais, de 26 anos, residente em Portimão, foi detida pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de planear o rapto de um seguidor de Espinho. Segundo o Jornal de Notícias (JN), a mulher pretendia recuperar 3.500 euros que tinha transferido para uma viagem à Grécia.

Identificada pelo jornal como Mia, a influenciadora do TikTok e do Instagram terá pedido a outro seguidor, de 28 anos, residente em Santa Maria da Feira, que executasse o plano. O homem, também produtor de conteúdos na internet, foi igualmente detido.

De acordo com o comunicado da PJ citado pela Lusa, os dois são suspeitos dos crimes de sequestro, roubo e coação agravados e de posse de arma proibida.

Desentendimento sobre férias motivou pedido de devolução do dinheiro

A mulher conheceu nas redes sociais o jovem de 20 anos que viria a ser alvo do alegado plano. Depois de manterem contactos à distância, decidiram passar férias juntos e dividir as despesas, ficando o rapaz responsável pelas reservas e pelo pagamento.

Segundo a PJ, após um desentendimento, a suspeita exigiu a devolução do dinheiro que lhe tinha transferido. O reembolso não foi possível porque a tarifa das reservas não era reembolsável.

O JN adianta que a influenciadora acreditou ter sido burlada e procurou recuperar o montante com a ajuda do outro suspeito. O objetivo, descreveu a PJ, era “atrair o ofendido a um encontro com o intuito de o constranger a devolver o referido montante”.

Dois jovens ameaçados com arma de fogo

Os factos ocorreram em 17 de julho. O jovem visado compareceu no encontro acompanhado por um amigo de 18 anos, mas os suspeitos terão prosseguido com o plano.

Segundo a investigação, o homem de 28 anos obrigou os dois jovens, sob ameaça de arma de fogo, a circular de automóvel durante cerca de uma hora por ruas de Espinho e de Vila Nova de Gaia. Durante o percurso, exigiu a devolução do dinheiro reclamado pela mulher.

A PJ refere que a execução do plano “só foi interrompida pela aproximação de uma viatura policial, que motivou a fuga do autor material”.

Após a apresentação de queixa, a investigação permitiu identificar e localizar os suspeitos, detidos em Portimão e em Santa Maria da Feira, de acordo com o JN. A Judiciária adiantou ter recolhido elementos de prova que reforçam os indícios.

Tribunal impõe apresentações três vezes por semana

Segundo o JN, numa informação também reproduzida pela revista VIP, os dois detidos foram ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal e ficaram sujeitos a apresentações três vezes por semana às autoridades e a proibição de contacto.

O homem ficou ainda proibido de possuir armas de fogo.

Leia também: “Fui buscar cocaína e a minha filha foi comigo”: Tiago Grila revela episódio que ainda o atormenta

Algarve celebra património imaterial com “Alte pela janela do tempo”

17 October 2026 at 12:50

A iniciativa “Alte pela janela do tempo” integra a participação do Algarve nas comemorações do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial, assinalado este sábado, 17 de outubro. A programação nacional reúne cerca de 50 atividades dedicadas à descoberta e valorização do património imaterial.

No Porto, a Casa das Artes acolhe a celebração promovida pelo instituto Património Cultural, com a abertura da exposição itinerante “Culturas Vivas – Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial 2026”, segundo a Lusa.

Exposição e esclarecimentos sobre a salvaguarda das manifestações culturais

A mostra reflete o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), que recebeu 14 novas manifestações até setembro deste ano, elevando o total para 89 inscrições.

O objetivo é “estimular a reflexão sobre memória coletiva, transmissão de conhecimentos e construção das identidades”, explica o instituto público.

A Casa das Artes recebe também a ação “Património Imaterial na Hora”, com sessões de esclarecimento sobre os procedimentos de inventariação, asseguradas por técnicos do Património Cultural e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

A iniciativa procura “aproximar o público dos mecanismos de salvaguarda, incentivando as comunidades a identificar, documentar e valorizar as suas manifestações culturais”.

Catorze novas entradas abrangem festas, artes e saberes tradicionais

Entre as manifestações inscritas este ano estão o Entrudo de Lazarim, o Combate da Coca, de Monção, o Andor da Senhora da Pena, no distrito de Vila Real, e o Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu, no Porto.

A lista inclui também a Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo, o Figurado de Barcelos, a Dança da Morgadinha, de São João de Lourosa, em Viseu, e a Festa do Menino de Vila Chã de Braciosa, em Miranda do Douro.

Juntam-se a Tradição das Tunas do Marão e do Alvão, a Arte de Manuseamento e Construção do Bote Baleeiro das Lajes do Pico e a Arte dos Caldeireiros de Santa Marta de Rossas, no Minho.

Completam as novas inscrições a arte dos muros em pedra seca no Maciço Calcário de Sicó, na Região Centro, a Arte de Construções de Pedra Seca na Serra do Caramulo e a Feira da Golegã.

Programa nacional cruza gastronomia, música e práticas artesanais

Além da proposta algarvia, a programação inclui “Coimbra nas Rotas Culturais Europeias”, “O Saber fazer – A Farinha Torrada de Sesimbra”, “Os Órgãos de Tubos da Igreja dos Clérigos” e oficinas de Bordado de Arraiolos.

Estão igualmente previstas “A Safra do Sal”, em Aveiro, “Produção de Marmelada”, em Arganil, a “Exposição Etnográfica Saloia de Alvarinhos”, em Sintra, “Vozes, Saberes e Práticas”, no Funchal, e propostas ligadas aos Pauliteiros de Miranda.

As atividades distribuem-se por diferentes pontos do país, de Bragança ao Algarve e da Madeira ao Alentejo. A programação pode ser consultada no portal do instituto Património Cultural.

Portugal tem oito manifestações na lista representativa da UNESCO

O Dia Internacional do Património Cultural Imaterial é celebrado desde 2024. A data coincide com a adoção, em 17 de outubro de 2003, da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, ratificada por Portugal em 2008.

Portugal conta com oito manifestações inscritas na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade: Fado, Dieta Mediterrânica, Cante Alentejano, Falcoaria, Figurado em Barro de Estremoz, Carnaval de Podence, Festas do Povo de Campo Maior e Arte Equestre.

Leia também: Tavira recebe investigadores de 33 países na 20.ª edição de encontro internacional de paremiologia

Faro recebe protesto pela habitação em solidariedade com a acampada do Porto

17 October 2026 at 12:40

Movimentos e coletivos do Algarve convocaram para este sábado, 17 de outubro, às 17:30, uma concentração na Rotunda do Fórum, em Faro, pelo direito à habitação, contra a repressão e em solidariedade com a acampada do Porto.

Os promotores sublinham que o Algarve “é uma das regiões onde é mais difícil comprar ou arrendar casa” no país, segundo a notícia da Lusa. A iniciativa integra uma jornada de protestos que inclui manifestações da CGTP em Lisboa, Porto e Coimbra contra o aumento do custo de vida.

CGTP contesta preços da habitação, combustíveis e alimentação

A central sindical convocou as manifestações sob o mote “Mais salário, melhores pensões e serviços públicos | Contra o aumento do custo de vida | Novo rumo para Portugal!”.

No Porto, o início foi marcado para as 10:30, com um percurso entre a Praça da Batalha e a Praça D. João I. Em Coimbra, à mesma hora, a mobilização liga a Rotunda Portugal dos Pequenitos à Praça 8 de Maio.

Em Lisboa, a manifestação está marcada para as 14:30, com partida do Cais do Sodré e chegada ao Rossio.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou que a iniciativa pretende dar voz a quem enfrenta dificuldades devido ao “brutal aumento” dos preços das casas, dos combustíveis e do cabaz alimentar. O dirigente criticou também a situação dos serviços públicos, defendendo que cada pessoa tenha “a oportunidade de lutar contra a política em curso”.

Movimento anuncia regresso das tendas à Praça D. João I

O protesto da CGTP no Porto termina na praça onde decorrem, há uma semana, ações pelo direito à habitação. A organização do movimento anunciou que voltará a montar tendas e a acampar no local.

“Voltaremos. Permaneceremos”, afirma num comunicado divulgado na sexta-feira, que prevê apoio à manifestação da CGTP às 12:00 e uma nova acampada às 19:00.

No fim de semana anterior, mais de 50 pessoas permaneceram na Praça D. João I após uma manifestação pelo direito à habitação e contra o custo de vida, realizada no Porto e noutras cidades.

Na madrugada de quinta-feira, o movimento denunciou uma carga policial que, segundo os manifestantes, terá provocado ferimentos em 39 participantes, dois dos quais em estado grave. Nessa noite, cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais.

Tetos às rendas e mais habitação pública entre reivindicações

O movimento apresenta seis reivindicações principais. Contesta a lei das rendas, pede limites máximos aos valores do arrendamento, o fim dos despejos e da compra de imóveis por fundos abutres, mais habitação pública e a recuperação de imóveis devolutos para esse fim.

Funchal também tem manifestação contra o empobrecimento

Na Madeira, a delegação regional do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais convocou uma manifestação no Funchal, a partir das 10:00, sob o lema “Contra o Empobrecimento, pelos Direitos e por uma Vida Melhor”.

O sindicato sustenta que a inflação na região “mantém-se acima da média nacional, encarecendo ainda mais os bens e serviços essenciais”. Defende, por isso, que cabe ao Governo Regional adotar medidas concretas para responder às dificuldades acrescidas dos trabalhadores.

Leia também: Telmo Pinto pede poderes excecionais para responder à crise da habitação no Algarve

PSD Algarve pede legislação de exceção para desbloquear obras da EN125

17 October 2026 at 08:00

A Assembleia Distrital do PSD/Algarve aprovou por unanimidade uma moção do antigo deputado e diplomata da União Europeia José Mendes Bota que pede ao Governo uma solução legislativa de exceção para desbloquear obras da EN125, retirando da subconcessão intervenções cuja realização seja justificada por razões de segurança e interesse público.

O documento, aprovado em Faro a 12 de outubro e enviado ao POSTAL, considera “insustentável” o impasse jurídico que, segundo os subscritores, impede há mais de oito anos o avanço de obras de construção e requalificação. A proposta aponta a Variante de Olhão como exemplo de uma intervenção que foi retirada do contrato e executada sob responsabilidade direta da Infraestruturas de Portugal (IP).

Troço entre Olhão e Vila Real de Santo António no centro das críticas

A moção descreve um Algarve dividido entre duas realidades: os troços requalificados, sobretudo no Barlavento, e o segmento entre Olhão e Vila Real de Santo António, que classifica como “abandonado”.

Os sociais-democratas associam o bloqueio das intervenções a prejuízos para a região e para a população. O quadro anexo ao documento inclui, entre as vias não construídas ou requalificadas, as variantes de Luz de Tavira e de Odiáxere, além de intervenções nas ligações de São Brás de Alportel e de Faro à A22. Para ultrapassar o impasse, a Assembleia Distrital insta o Governo a escolher obras que possam ser retiradas do contrato “por via legislativa de exceção”, invocando “imperiosas razões de segurança e de superior interesse público”.

Variante de Olhão apontada como precedente

A solução defendida inspira-se no acordo que, segundo a moção, a IP e a Rotas do Algarve Litoral (RAL) celebraram em 10 de outubro de 2023 para retirar a Variante de Olhão do âmbito da subconcessão. A intervenção passou a ser tratada como obra pública direta, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sob responsabilidade da IP. O documento refere que a variante foi executada e inaugurada a 12 de maio de 2026.

Sete anos de arbitragem e um pedido de 445 milhões de euros

No centro da contestação está o processo arbitral iniciado pela RAL contra a IP em 4 de setembro de 2019. Segundo a cronologia apresentada, a subconcessionária alegou incumprimento da empresa pública e inviabilidade do modelo, reclamando uma indemnização global de 445 milhões de euros.

A moção ressalva que o valor efetivo depende integralmente da decisão final do Tribunal Arbitral, que, à data da aprovação do documento, continuava por proferir. Os 445 milhões correspondem, portanto, ao montante reclamado, não a uma indemnização fixada.

A Assembleia Distrital considera “inadmissível” que tenham decorrido sete anos sem uma decisão definitiva, quando, segundo sustenta, o contrato de subconcessão estipula um prazo de seis meses. Critica ainda o ritmo do processo e considera que este contraria o objetivo de maior rapidez associado à arbitragem.

Entretanto, o documento refere que decisões parciais e providências cautelares determinaram pagamentos da IP, incluindo cerca de 30 milhões de euros, já liquidados, por trabalhos que a RAL alegou ter executado. Acrescenta que a empresa pública paga mensalmente 1,2 milhões de euros para custos de operação e manutenção.

Contrato de 2009, renegociação e recusa do Tribunal de Contas

A moção recua a 20 de abril de 2009, data da assinatura do contrato original, que abrangia 244 quilómetros de traçados existentes e 29,5 quilómetros de novas vias. O conjunto de intervenções incluía novas variantes, reabilitação de pavimentos, 75 rotundas, 29 nós de ligação e 193 passagens hidráulicas e pontes. Segundo o documento, os compromissos assumidos pelo Governo de José Sócrates no Memorando de Entendimento com a Troika, assinado em 17 de maio de 2011, levaram à renegociação do contrato para reduzir os encargos públicos.

Um acordo preliminar de modificação, de agosto de 2015, antecedeu a assinatura do contrato alterado, em 23 de outubro de 2017. Este previa manter na subconcessão a rede já intervencionada e transferir para a gestão direta da IP as obras ainda por executar.

O Tribunal de Contas recusou o visto ao contrato alterado em 20 de junho de 2018, através do Acórdão n.º 29/2018. Na descrição apresentada pela moção, a recusa esteve relacionada com compensações financeiras consideradas ilegais, que teriam sido ocultadas ao tribunal em 2010. O texto sustenta que o contrato alterado não entrou em vigor e que a rede prevista no acordo inicial permaneceu sob responsabilidade da RAL.

Ação dos bancos suscita crítica a “Estado contra Estado”

O documento refere também uma ação indemnizatória apresentada no final de julho de 2019 pelo consórcio bancário composto por BPI, Caixa Geral de Depósitos, Santander e SG, contra a IP, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada. Os bancos reclamaram 43 milhões de euros, alegando o cancelamento indevido das garantias bancárias das operações de financiamento da subconcessão, na sequência da recusa do Tribunal de Contas. Trata-se de uma ação distinta do processo arbitral movido pela RAL.

A Assembleia Distrital estranha a participação da Caixa Geral de Depósitos numa ação contra outra empresa de capitais públicos, descrevendo-a como uma situação de “Estado contra Estado”, com cada instituição a defender os seus interesses. Na mensagem enviada ao POSTAL, José Mendes Bota classifica o bloqueio como uma “situação escandalosa” que prejudica o Algarve. “Há que agitar as águas, há que romper. Isto é inadmissível, acho eu…”, afirma.

Leia também: Nem Monchique nem Tavira: esta localidade do Algarve guarda vestígios de um oceano que desapareceu há milhões de anos

Despiste de motociclo em localidade de Faro deixa um morto

17 October 2026 at 00:30

O despiste de um motociclo esta sexta-feirta à noite na localidade de Caliços, no distrito de Faro, deixa uma vítima mortal, disse à Lusa fonte da GNR.

Segundo o oficial de dia ao Comando Nacional da GNR, morreu uma pessoa neste acidente que “era o condutor do motociclo” e não houve feridos.

O alerta deste acidente foi dado pelas 20:22, segundo a mesma fonte.

Leia também: Automóvel e autocarro colidem na EN125 e fazem dois feridos em Faro

Entrevista a Cláudio Pereira: Tavira deu a Kelad uma canção de amor e gratidão – Ouça aqui a música

16 October 2026 at 11:50

Cláudio Pereira, conhecido artisticamente como Kelad, encontrou em Tavira a inspiração para uma canção de amor e gratidão. “Menina de Tavira”, com lançamento para esta sexta-feira, dia 16 de outubro, e acompanhada de um videoclipe, nasceu de uma paixão vivida durante os quase seis meses em que trabalhou e residiu na cidade. Aos 26 anos, o músico natural de Castro Daire cruza bossa nova, fado, pop e R&B e conta ao POSTAL o caminho das gravações caseiras ao estúdio, entre a vontade de criar uma identidade própria e os custos de fazer música.

A confiança recuperada nos palcos

Cresceu numa família ligada à música, mas a mudança de voz afastou-o do canto. O que o ajudou a recuperar a confiança para voltar a cantar?

Foram sobretudo os meus amigos e conhecidos que me incentivaram a voltar a cantar, a fazer covers e a participar em pequenos eventos da minha vila, como o festival da canção, as galas de Natal e as festas locais. Voltar a pisar palcos ajudou-me a recuperar a confiança. Ver os meus irmãos a fazer música também me deu vontade de me lançar aos leões. Não encaro isto como uma competição, gostava de alcançar o patamar da minha irmã, que já teve algumas músicas com bastante sucesso. Quem sabe, um dia, não façamos os três uma colaboração musical?

Gravou a voz do primeiro original dentro de um armário. Qual foi o maior desafio para passar dessas gravações caseiras a um trabalho em estúdio com vários músicos?

Penso que o maior desafio foi a nível monetário. Gravar em estúdio é caro porque é preciso pagar a captação, a mistura e a masterização. Quando envolve vários músicos e uma música ainda pouco trabalhada, as sessões podem demorar mais e os custos aumentam. Também senti alguma dificuldade em trabalhar com outros músicos por ter ideias muito fixas. Nem sempre estávamos em sintonia, o que tornou o processo de construção musical mais desafiante. Ainda assim, foi uma experiência importante para aprender a trabalhar em conjunto.

“Voltar a pisar palcos ajudou-me a recuperar a confiança”

Fotografia tirada durante a Gala do Gapafit, em 2023. Crédito: Manuel Oliveira Fotografia

Uma paixão que mudou o olhar sobre Tavira

Viveu e trabalhou quase seis meses em Tavira. Que momento desse período melhor explica a ligação que criou com a cidade?

Diria que foi quando comecei a desenvolver sentimentos pela Menina de Tavira e vivemos um romance que parecia saído de um conto de fadas. Estávamos felizes e tudo parecia perfeito. Quando ela regressou à sua cidade natal, comecei a sentir saudades, mas de uma forma boa, porque ficava feliz por ter vivido aqueles momentos. Ao mesmo tempo, muitos lugares de Tavira passaram a ter um significado especial para mim: as ruas por onde passeávamos, a ponte romana e até os pequenos pormenores da cidade ficaram associados a essas memórias. Foi assim que Tavira se tornou muito mais do que uma cidade bonita.

“A saudade existia, mas vinha acompanhada de gratidão”

“Menina de Tavira” nasceu de uma paixão real. Como transformou a saudade dessa pessoa na primeira canção assumidamente feliz do seu repertório?

Acho que surgiu de forma bastante natural. Há uma frase de que gosto muito e que resume bem o sentimento da música: “Como sou sortudo por ter algo que torna tão difícil dizer adeus.”

Antes de ir para Tavira, já tinha um rascunho, mas estava pouco desenvolvido e ainda não tinha nome. Quando cheguei à cidade e comecei a passear pelas ruas, ganhei inspiração e pensei: “Vou escrever uma música chamada ‘Menina de Tavira’.” Depois, acabei por conhecer a Menina de Tavira e o resto foi história.

Lembro-me de passar por um cartaz com o nome verdadeiro dela e pensar logo: “Fogo, ela está mesmo em todo o lado!” Quando cheguei a casa, peguei na guitarra e comecei a compor o resto da canção. Ao contrário das músicas anteriores, mais ligadas à dor e à confusão de relações que terminaram, esta nasceu da felicidade de ter vivido algo especial. A saudade existia, mas vinha acompanhada de gratidão.

Da bossa nova às imagens de uma cidade

Neste single, cruza bossa nova, fado, pop e R&B. Como encontrou, entre estas influências, o som que melhor conta esta história?

“Menina de Tavira” é inspirada em “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, mas quis dar-lhe uma identidade portuguesa. Inspirei-me também em artistas como António Zambujo, Miguel Araújo e Slow J, que mistura a guitarra portuguesa com sonoridades de hip-hop e R&B.

Queria criar algo romântico e melódico, com a bossa nova como ponto de partida, mas que soasse genuinamente português. A guitarra portuguesa ajudou a dar-lhe essa identidade e permitiu criar uma parte que se aproxima bastante do fado. O objetivo era juntar influências diferentes sem perder a essência da história que queria contar.

“O maior obstáculo será o dinheiro, porque produzir músicas e videoclipes de qualidade implica investir em estúdios e profissionais”

Imaginou o videoclipe como uma curta-metragem romântica. Que lugares de Tavira eram indispensáveis para contar essa história e porquê?

A ideia original era fazer uma curta-metragem. Gosto muito de cinema e sempre quis escrever e realizar o meu próprio filme. Escolhi os locais a dedo e pesquisei no terreno para filmar nos sítios mais bonitos de Tavira e, sempre que possível, em lugares por onde eu e a Menina de Tavira passámos.

Dois locais que queria usar não estavam disponíveis, mas encontrámos alternativas igualmente bonitas. Para mim, o mais importante era que os lugares tivessem significado: as ruas floridas lembravam-me os vestidos que ela usava; as casas piscatórias e os azulejos eram coisas de que ela gostava; e a ponte romana era onde passeávamos à noite. Quis ainda filmar num restaurante onde jantámos, porque aquele onde tivemos o primeiro encontro estava fechado. O videoclipe é também uma homenagem à cidade que marcou esta fase da minha vida.

Um álbum entre a ambição e os custos

Está a preparar um álbum. Que futuro deseja para Kelad e qual é hoje o maior obstáculo para o alcançar?

Estou a preparar um álbum que deverá chamar-se Unidos pelo Trauma, Separados pelo Amor, inspirado nas minhas experiências de vida e numa relação que vivi intensamente com alguém que partilhava vivências semelhantes às minhas. Apesar da ligação que criámos, a relação acabou por terminar porque percebemos que era o melhor para ambos.

Gostava de chegar a mais pessoas, criar uma identidade própria e construir um público que se identifique com as minhas músicas. Ao Kelad do futuro, desejo boa sorte, disciplina e motivação. Quero não ir abaixo se as músicas não tiverem o alcance esperado e investir mais no marketing, correndo atrás dos meus sonhos mesmo que tenha de sair da minha zona de conforto.

O maior obstáculo será o dinheiro, porque produzir músicas e videoclipes de qualidade implica investir em estúdios e profissionais. A falta de motivação e disciplina também são desafios que procuro trabalhar diariamente.

Cláudio Pereira (Kelad). Foto DR
Do armário de casa às ruas de Tavira: a viagem musical de Kelad

Um armário de casa foi a solução que Cláudio Pereira encontrou para gravar a voz do seu primeiro original e reduzir o eco. Sem grandes meios, contou com o amigo Daniel Tejo para a mistura e a masterização. “Quero Voltar”, lançado em 2021, marcou o início de um percurso que chega agora a “Menina de Tavira”, uma canção construída de raiz e gravada com vários músicos.

Natural de Castro Daire, Kelad tem 26 anos e cresceu numa família ligada à música: o pai foi DJ e os dois irmãos também cantam.

Na primeira comunhão, ouviu elogios à sua “voz de anjo”. Hoje, revê esse registo com humor e alguma distância em relação ao entusiasmo de quem o escutou. A mudança de voz afastou-o temporariamente do canto, mas não da música. Chegou a sonhar em ser DJ e tentou aprender piano, oferecido pelas tias, sem conseguir manter a disciplina.

O incentivo do melhor amigo, Bernardo Vicente, ajudou-o a regressar. Festivais escolares, festas de aldeia, galas de Natal e iniciativas solidárias deram-lhe oportunidades para voltar a cantar diante de um público.

Aprender entre canções e pausas

A vontade de escrever originais ganhou força durante a pandemia. Depois de “Quero Voltar”, entre o R&B e a pop, lançou “Quem Diria”, em 2022, cruzando hip-hop e pop numa história de amor não correspondido. No ano seguinte, “Saudade Interlúdio” levou-o pela primeira vez a um estúdio: gravou na Produsom, em Viseu, com a participação do saxofonista Sr. José.

Entretanto, concluiu a licenciatura em Turismo e Lazer e começou a trabalhar nessa área. A música perdeu algum espaço no quotidiano. Continuava a escrever, mas algumas ideias ficavam por terminar. “Preciso de sentir que tenho alguma coisa para dizer”, explica na nota biográfica enviada ao POSTAL.

Em 2024, comprou uma guitarra e começou a aprender sozinho. Surgiu então o primeiro esboço de “Menina de Tavira”, que ganhou forma durante a temporada em que trabalhou e viveu na cidade algarvia. Uma paixão ajudou a desbloquear a escrita: o tema desenvolveu-se em cerca de mês e meio.

Ao contrário das canções anteriores, marcadas por relações terminadas e sentimentos difíceis de compreender, esta guarda a felicidade de uma experiência vivida. Kelad descreve-a como a primeira canção assumidamente feliz do seu repertório.

Uma cidade transformada em música e imagens

“Menina de Tavira” foi gravada nos Satori Studios, em Viseu. O músico escreveu a letra, interpretou o tema e participou no arranjo musical. Aos instrumentais encontrados na Internet, que serviram de base aos três singles anteriores, sucedeu agora um arranjo instrumental original.

Bernardo Vicente colaborou na guitarra clássica; Pedro Bento, no baixo e nas guitarras clássica e elétrica; Francisco Henriques, na guitarra portuguesa; e Daniel Tejo e Pedro Bento, na bateria. Pedro Bento assegurou também a mistura e a masterização.

A realização do videoclipe ficou a cargo de Kelad, com Bernardo Vicente como correalizador e a colaboração do videógrafo Kurt. O músico imaginou um rapaz pobre e uma rapariga rica que percorrem Tavira, quase se encontram e acabam por se conhecer. Entre as referências cinematográficas que identifica estão “La La Land” e “Before Sunrise”.

As ruas floridas, as casas piscatórias e os azulejos tornaram-se parte dessa narrativa. Mostrar Tavira foi também uma forma de agradecer à cidade que o recebeu durante quase seis meses. Enquanto prepara um álbum, Kelad procura continuar a transformar experiências reais em canções: guardar o que viveu e encontrar quem se reconheça nessas histórias

Leia também: Nem Monchique nem Tavira: esta localidade do Algarve guarda vestígios de um oceano que desapareceu há milhões de anos

Participação do Brasil em pesquisas clínicas cresce após marco legal

Logo Agência Brasil

O marco legal para a realização de pesquisas clínicas no Brasil está impulsionando a participação do país em estudos globais. Esta é a avaliação de pesquisadores e representantes da indústria farmacêutica reunidos no fórum para jornalistas Saúde como Investimento, realizado em San Jose, capital da Costa Rica, entre os dias 6 e 8 de outubro. 

Dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) mostram que a posição brasileira no ranking de países que mais fazem esses testes subiu da 18ª para 12ª, de 2025 até o primeiro semestre de 2026. A associação também projeta que a 10ª posição possa ser alcançada em pouco tempo, com os novos investimentos previstos, superiores a R$ 2 bilhões anuais. 

Notícias relacionadas:

A Lei 14.874, ou Lei de Pesquisa Clínica, tramitou no Congresso por quase 10 anos, sendo finalmente sancionada em maio de 2024 e regulamentada pelo governo federal em outubro de 2025. Este é o primeiro marco legal sobre pesquisas clínicas instituído no Brasil, atividade que antes era regulada apenas por normas do Conselho Nacional de Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

As pesquisas clínicas são uma etapa fundamental para o desenvolvimento de novos medicamentos, tecnologias e procedimentos de saúde. Geralmente contemplam três fases em que essas inovações são testadas em um número crescente de pessoas, para comprovar se são seguras e eficazes. Isso só acontece depois de testes bem sucedidos em laboratório e animais. 

No Brasil, as pesquisas clínicas só são permitidas após aprovação de um comitê de ética, responsável por resguardar os direitos dos participantes, e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que verifica se os procedimentos pretendidos atendem aos requisitos de boas práticas. 

Novos prazos

A nova lei criou o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, reorganizando os fluxos de trabalho dos comitês, e encurtou os prazos de análise. Agora, o parecer ético deve ser emitido em até 30 dias úteis, e a avaliação da Anvisa, em até 90 dias úteis, excluindo prazos de recurso e esclarecimentos. 

A presidente da Roche Brasil, Lorice Scalise, lembra que nos casos de pesquisas multicêntricas, que recrutam voluntários em diversas cidades, somente o prazo de análise ética poderia se estender por um ano, e só depois a análise sanitária era iniciada. Hoje, os dois processos podem ocorrem em paralelo. 

"Vamos supor que tem dez centros participando de um estudo. Antes a gente precisava da aprovação do comitê de ética local de cada centro de pesquisa. Agora um comitê acreditado é responsável por fazer a comunicação com os demais e dar o parecer final", explica. 

Scalise avalia que a lei simplificou a análise regulatória sem perder o rigor. "A Anvisa é uma das agências mais renomadas, é referência no mundo inteiro. A gente ainda tem alguns gargalos de fila (de processos para análise), mas todas as questões estão sendo trabalhadas. Hoje, a gente tem um excelente processo", acrescenta. 

De acordo com a presidente da Roche Brasil, a redução dos prazos aumentou a atratividade do Brasil, que já é um destino valorizado para pesquisas clínicas por causa da diversidade genética dos voluntários, o que produz resultados confiáveis para populações variadas. 

A nova legislação também possibilita que o país receba mais ensaios de Fase 1 e Fase 2, que envolvem uma quantidade menor de pessoas, mas têm exigências mais rígidas, já que a segurança do medicamento em humanos ainda está sendo avaliada. 

Somente a Roche pretende investir cerca de R$590 milhões por ano em pesquisas clínicas no país. Entre os estudos já em andamento, há novas medicações sendo testadas no Brasil para Alzheimer, Parkinson, câncer de mama, lúpus, e uma nova opção de caneta emagrecedora.

A diretora de investigação clínica da farmacêutica, Danielle Galbiatti, destaca que essas cifras também promovem o desenvolvimento do setor científico do país:

"É um movimento de união com centros de pesquisa, laboratórios. Com essa projeção e a vinda de novos estudos, existe a necessidade de capacitar os profissionais e as unidades" 

Com isso, a indústria também vem investindo na capacitação de centros das regiões Norte e Nordeste, para diminuir a concentração do Sul e Sudeste e garantir mais diversidade genética, social e cultural. "Um estudo é um ambiente controlado. O centro de pesquisa tem que ter uma equipe muito bem estruturada, porque esse paciente precisa de uma assistência diferente", complementa Galbiatti.

Ela acredita que essa capacitação também será impulsionada pelo Programa Nacional de Inovação em Saúde, lançado em julho pelo governo federal. Entre os princípios do programa constam o fortalecimento da base científica nacional, a integração com o setor produtivo, e o incentivo ao desenvolvimento de tecnologias "emergentes e disruptivas", que sejam de interesse do Sistema Único de Saúde. 

América Latina

Os esforços do Brasil estão alinhados com uma agenda de toda a América Latina. O diretor estratégico do Conselho Administrativo da Fundação de Pesquisa e Inovação da Costa Rica, Mario Urcuyo, declarou no evento que a profissionalização dos centros de pesquisa da região é "a parte mais importante" para enfrentar a grande concentração de investigações clínicas nos Estados Unidos e na Europa. 

"Temos um desafio muito importante, porque nem sempre contamos com coordenadores e monitores de pesquisa. Não existem carreiras profissionais específicas para essas funções e precisamos desenvolver essa estrutura ao longo do tempo", acrescentou. 

De acordo com ele, proporcionar que mais profissionais atuem em pesquisa clínica também gera benefícios para os pacientes em geral:

"Proporciona ferramentas para melhorar a qualidade da assistência, porque os profissionais passam a ter acesso aos mais elevados padrões de qualidade, exigidos para a realização das pesquisas"

Urcuyo defendeu ainda que as pesquisas clínicas oferecem uma grande oportunidade para pessoas com doenças graves acessarem medicamentos promissores de forma antecipada, ao participar dos testes. 

Benefício

A pesquisadora do Centro Médico Nacional 20 de Novembro, referência em pesquisa e tratamentos de alta complexidade do México, Fedra Irazoque, acrescentou que mesmo os participantes incluídos no grupo de comparação, e que portanto não recebem a substância pesquisada, são beneficiados: 

"Estar no grupo placebo não significa ficar sem receber nenhum medicamento, mas sim receber o melhor tratamento já existente. E após algumas semanas, esse paciente também passa a receber a molécula ativa e pode se beneficiar da mesma forma"

Fedra defende que marcos regulatórios, como o que foi aprovado no Brasil, sejam estabelecidos a nível regional. "Não é possível que o Brasil tenha uma regulamentação, a Costa Rica outra, o México outra, sem que cheguemos a um acordo para agilizar esse processo. Assim, poderíamos alcançar uma representatividade muito mais significativa"

*O evento foi realizado pela farmacêutica Roche e a repórter participou a convite da empresa

Suspeito de abuso sexual de menina em Silves fica em prisão preventiva

15 October 2026 at 20:07

O tribunal determinou, em 15 de outubro, a prisão preventiva de um homem de 44 anos suspeito de cinco crimes de abuso sexual contra a filha da namorada, uma menina de 11 anos. Os factos terão ocorrido numa residência na zona de Silves, entre abril de 2025 e abril de 2026.

Segundo uma fonte policial ouvida pela Lusa, o suspeito foi ouvido em tribunal nesse dia. A medida de coação poderá vir a ser alterada para prisão domiciliária.

PJ aponta aproveitamento da ausência da mãe

De acordo com a Polícia Judiciária (PJ), o homem coabitava com a criança e terá aproveitado os períodos de ausência da mãe para a abordar e praticar atos sexuais.

A investigação indica ainda que o suspeito oferecia presentes à menina para a manter em silêncio.

A mãe terminou o relacionamento assim que os factos se tornaram conhecidos, acrescentou a PJ.

O homem é vigilante de profissão. O inquérito é titulado pelo Ministério Público de Silves.

Leia também: Detetive que procurou Madeleine acredita ter identificado grupo que a poderá ter raptado [vídeo]

Detetive que procurou Madeleine acredita ter identificado grupo que a poderá ter raptado [vídeo]

15 October 2026 at 18:55

O detetive privado Julián Peribáñez, que integrou a equipa ao serviço do fundo criado pela família McCann entre 2008 e 2010, acredita ter identificado um grupo que poderá ter raptado Madeleine. Pede também às autoridades que verifiquem a identidade de uma criança retratada em fotografias que motivaram uma denúncia em Espanha.

As alegações constam de um comunicado enviado ao POSTAL esta quinta-feira, 15 de outubro, relativo a uma entrevista publicada a 27 de setembro no podcast Golden Circle. O texto não apresenta confirmação das autoridades sobre a ligação do grupo ao desaparecimento ou sobre a identidade da criança fotografada.

Suspeitas após novo trabalho de campo em Portugal

Peribáñez afirma ter realizado um novo trabalho de campo em Portugal, financiado pelo próprio, que o levou a suspeitar de um grupo de tráfico de seres humanos da Europa de Leste.

Segundo o seu relato, esse grupo terá sido expulso do Algarve pouco antes de maio de 2007. O detetive acredita que os seus elementos poderão estar ligados ao desaparecimento, mas o comunicado não identifica os alegados envolvidos nem apresenta os elementos que sustentam essa conclusão.

O investigador dirige um apelo a quem tenha vivido ou trabalhado no Algarve antes de 2007 e disponha de informações que possam contribuir para esclarecer o caso.

Fotografias motivaram denúncia à polícia espanhola

Outra questão levantada pelo detetive remonta a 2023. De acordo com o comunicado, uma menor vítima de sextorsão encontrou, num site de abuso infantil, fotografias de uma menina descrita como tendo sete ou oito anos.

Peribáñez refere que uma análise através da ferramenta de reconhecimento facial Face++ apontou uma probabilidade que o comunicado classifica como “muito alta” de se tratar de Madeleine. O resultado é apresentado como uma pista a verificar, não como uma identificação confirmada.

A Guardianes de la Inocencia, associação presidida pelo detetive, afirma ter apresentado uma denúncia à Polícia Nacional espanhola. Segundo o relato divulgado, esta polícia informou que a Interpol tinha identificado a menina na Ucrânia.

Peribáñez sustenta, porém, que essa identificação continua por confirmar. Não afirma que as fotografias sejam de Madeleine e pede que a informação seja verificada junto da Interpol.

Detetive diz não ter recebido resposta da Scotland Yard

O investigador afirma ainda ter enviado dois emails à Operation Grange, a unidade da Scotland Yard dedicada ao caso, incluindo o número da denúncia apresentada em Espanha, sem obter resposta.

No comunicado, esclarece que não questiona o profissionalismo dos agentes, mas o empenho na análise desta linha de investigação. A ausência de resposta aos contactos, tal como é relatada, não permite, por si só, concluir que a informação não tenha sido analisada.

Sobre as questões levantadas, o texto enviado à redação do POSTAL não inclui a posição da Scotland Yard, da Polícia Nacional espanhola ou da Interpol.

Apelo a antigos residentes e trabalhadores do Algarve

A entrevista ao Golden Circle foi divulgada em espanhol e, segundo os números apresentados no comunicado, ultrapassou as 500 mil visualizações, os 8000 “gostos” e, igualmente, mais de mil comentários no YouTube em menos de três semanas.

Peribáñez preside à Guardianes de la Inocencia, apresentada como uma associação sem fins lucrativos de detetives privados habilitados que combate a exploração sexual infantil.

Quem tenha vivido ou trabalhado no Algarve antes de 2007 e disponha de informações pode contactar o investigador através do endereço julian@guardianesinocencia.com.

Leia também: Brueckner, principal suspeito no caso Madeleine McCann, revela pela primeira vez onde estava na noite do desaparecimento: “Não tenho nada a ver”

Somos Esperança tem de deixar sede em Olhão e procura cozinha para manter refeições

15 October 2026 at 18:10

A Somos Esperança – Associação de Solidariedade, em Olhão, anunciou que terá de entregar até 31 de dezembro o imóvel onde mantém a sede há cinco anos. A instituição procura uma cozinha temporária para continuar a preparar refeições para as pessoas que apoia.

Em duas publicações no Facebook, divulgadas a 14 e 15 de outubro, a associação descreve as dificuldades para encontrar instalações que acomodem as lojas sociais, a cozinha, a despensa social e a lavandaria. A situação motivou também um apelo público de Janete Serrano à mobilização da comunidade.

Continuidade da cozinha é a principal preocupação

Na atualização publicada esta quinta-feira, a Somos Esperança informa que já se reuniu com a Câmara Municipal de Olhão, que, segundo a associação, se tem disponibilizado a ajudar na procura de uma solução.

“Tudo está a ser feito para continuar com a nossa cozinha”, assegura a instituição, que pede a quem conheça um espaço temporário onde seja possível continuar a confecionar refeições que lhe comunique essa possibilidade.

“De momento é mesmo o que mais nos preocupa, deixar sem refeições quem ajudamos”, escreve a associação.

O apelo surge depois de outros problemas relatados na primeira publicação, nomeadamente dificuldades para abastecer a despensa, problemas nos esgotos e uma paragem da carrinha durante três meses, que impediu a aceitação de doações de maior dimensão.

Lojas sociais vão perder espaço e Natal permanece incerto

A solução anunciada para a roupa, o calçado e os brinquedos passa pela transferência de uma quantidade menor destes bens para o armazém de mobílias. A associação explica que deixará de dispor de espaço para manter três lojas sociais, reduzindo também a capacidade de receber novas doações.

Na primeira publicação, pediu compreensão por não poder aceitar mais roupa, calçado e brinquedos. Como exceção, indicou o vestuário e o calçado de homem, sobretudo roupa desportiva e ténis, por serem peças confortáveis para quem dorme vestido. A maioria das pessoas em situação de sem-abrigo que acompanha é do sexo masculino.

A mudança coloca igualmente em dúvida as iniciativas de Natal. Os padrinhos de Natal, os cabazes e a presença do Pai Natal na rua continuam por definir, uma vez que o imóvel terá de estar completamente vazio até ao final de dezembro.

“Um dia de cada vez”, resume a associação, que mantém a procura de alternativas para continuar a atividade.

Janete Serrano apela à mobilização da comunidade

Janete Serrano, membro do executivo de Moncarapacho e primeira vogal do Chega, manifestou tristeza e preocupação com a situação, apelando à comunidade de Olhão, às entidades competentes, às instituições e às empresas para ajudarem a encontrar uma solução.

“Não deixemos que cinco anos de entrega, amor, trabalho voluntário e solidariedade sejam postos em risco por falta de um espaço onde continuar”, escreveu no Facebook.

Na sua publicação, a eleita destacou o trabalho dos voluntários, a colaboração dos supermercados e os contributos de pessoas anónimas para manter o projeto. Defendeu que a procura de novas instalações deve mobilizar quem tenha condições para ajudar a preservar o apoio prestado pela associação.

“Não deixemos que a porta da Somos Esperança se feche. Ajudemos a encontrar uma nova porta para que tantas outras continuem abertas”, apelou Janete Serrano.

Leia também: Docentes de Olhão levam projeto CLARKS a encontro internacional na Finlândia

“O Regresso de João… o Ratão” leva teatro a Cachopo

15 October 2026 at 15:45

A Casa da Cultura de Loulé apresenta “O Regresso de João… o Ratão” no Graínho, na freguesia de Cachopo, concelho de Tavira. O espetáculo está anunciado no cartaz de divulgação para domingo, 18 de outubro, às 15h00.

A iniciativa é organizada pela Associação de Festas da Freguesia de Cachopo e conta com o apoio do Município de Tavira, da Junta de Freguesia de Cachopo e do projeto Equinócios.

Dirigida às famílias e aos residentes da região, a apresentação pretende proporcionar uma tarde de encontro em torno das artes cénicas.

Imaginário popular inspira encontro entre gerações

Segundo a organização, a peça revisita o imaginário popular através de uma estética colorida, numa proposta que associa o entretenimento à valorização das tradições.

A passagem do espetáculo pelo Graínho enquadra-se no objetivo de levar atividades culturais às diferentes povoações do concelho, contribuindo para a dinamização do interior algarvio.

O convívio entre gerações e a participação da comunidade são outras das finalidades apontadas pela associação, que procura fazer do teatro um espaço de partilha cultural.

Leia também: Nesta localidade no Algarve há um túmulo megalítico e quem o visitar num dia de céu limpo consegue ver Beja

EDITAL – Comunicação para exercício do direito de preferência

15 October 2026 at 11:21

HEIDEMARIE GISELA ERIKA GROHMANN e MICHAEL SCHEUTWINKEL, na qualidade de proprietários e vendedores do imóvel infra identificado, fazem público que pretendem proceder à respetiva alienação, comunicando, por cautela e para os efeitos legais eventualmente aplicáveis, aos proprietários confinantes que possam ser titulares de direito legal de preferência as condições essenciais da venda.

Atenta a impossibilidade de proceder à notificação individual de todos os eventuais preferentes, em virtude do desconhecimento da morada atual ou paradeiro dos proprietários confinantes, procede-se à presente divulgação por edital a afixar na Junta de Freguesia de Conceição, sem prejuízo da publicação adicional de anúncio em jornal da residência dos declarantes, nos termos do artigo 225.º do Código Civil.

1.  IDENTIFICAÇÃO DO IMÓVEL

Prédio misto situado em Vale da Ursa, Faz Fato, freguesia de Conceição, concelho de Tavira, descrito na Conservatória do Registo Predial de Tavira sob o n.º 2012/19910523, inscrito na matriz predial urbana sob o artigo 694 e na matriz predial rústica sob o artigo 1693, com área total registada de 2.700 m², integrando moradia de rés-do-chão e primeiro andar destinada a habitação, piscina e terreno envolvente. A alienação compreende a totalidade do prédio misto, sem venda autonomizada da parte rústica.

2.  VENDEDORES, ADQUIRENTE E PREÇO

Vendedores: HEIDEMARIE GISELA ERIKA GROHMANN e MICHAEL SCHEUTWINKEL.

Adquirente: JACOBUS HENDRIKUS BRONK, de nacionalidade neerlandesa, NIF 332 589 226. Preço global da aquisição: € 359.000,00 (trezentos e cinquenta e nove mil euros).

3.  CONDIÇÕES ESSENCIAIS E ESCRITURA

Foram pagos, a título de sinal, € 35.900,00 (10% do preço); e o remanescente de € 323.100,00 deverá ser pago na outorga da escritura de compra e venda. A escritura está prevista para 27 de outubro de 2026, às 12h00, no Cartório Notarial do Dr. Bruno Torres Marcos, em Tavira. A propriedade será transmitida no estado convencionado pelas partes, livre dos ónus ou encargos cuja eliminação seja exigível para a transmissão; impostos e despesas de aquisição, escritura e registos a cargo do comprador, nos termos legais aplicáveis.

4.  EVENTUAL EXERCÍCIO DO DIREITO DE PREFERÊNCIA

Os proprietários confinantes que se considerem titulares de direito legal de preferência dispõem de 8 (oito) dias consecutivos, contados da data da publicação do presente edital, para comunicar por escrito a intenção de exercer esse direito, sob pena de caducidade nos termos do artigo 416.º, n.º 2 do Código Civil. A comunicação deverá identificar o interessado e o prédio confinante, e ser dirigida aos vendedores por carta registada com aviso de receção para Sítio do Vale da Ursa, Faz Fato, 8800-062 Conceição de Tavira, ou expedida para as instalações da mediadora imobiliária Engel & Völkers Faro – Tavira (João Agualusa & Elisa Ferreira, Lda.), sita na Rua D. Marcelino Franco, n.º 37, 8800-347 Tavira.

5.  PUBLICIDADE CAUTELAR E RESSALVA

A presente publicação e a divulgação em jornal são efetuadas por cautela, perante a impossibilidade de notificação individual acima referida, sem reconhecimento da existência de direito de preferência, designadamente considerando a utilização predominantemente habitacional e de lazer do prédio e o disposto no artigo 1381.º, alínea a) do Código Civil.

FMI diz que IA pode transformar 40% dos empregos no mundo

12 October 2026 at 12:48
A diretora-geral do FMIl, Kristalina Georgieva, diz que a IA deve afetar 40% dos empregos, enquanto o presidente do Banco Mundial acredita que vai criar oportunidades nos países em desenvolvimento.

Farense vence Feirense por 2-1 e sobe ao pódio

11 October 2026 at 18:10

Uma vitória por 2-1 sobre o Feirense, no Estádio São Luís, em Faro, colocou o Farense no terceiro lugar da II Liga este domingo, 11 de outubro. Os algarvios chegaram aos 14 pontos após o encontro da sétima jornada, disputado perante 3.632 espetadores.

A equipa orientada por José Faria fica atrás do Lusitânia de Lourosa e do Sporting B, que não pode subir de divisão. O Feirense mantém-se no último lugar, com apenas um ponto, segundo o balanço da Lusa.

Gonçalo Silva abre o marcador de cabeça

O encontro marcou o primeiro jogo no campeonato de Rui Ferreira desde o regresso ao comando técnico do Feirense. A partida começou equilibrada, com oportunidades para os dois lados.

Aos 11 minutos, Luisinho rematou à entrada da área e a bola passou muito perto do poste da baliza de Fabijan Buntic. Dois minutos depois, o Farense respondeu com um livre de Mattheus Oliveira, que obrigou Diego Altube a uma defesa apertada junto ao ângulo esquerdo.

O médio brasileiro esteve também na origem do primeiro golo. Aos 29 minutos, cobrou um livre descaído para a esquerda e encontrou Gonçalo Silva, que cabeceou para colocar os algarvios em vantagem.

Singh amplia vantagem e Jair Monteiro reduz

O Farense chegou ao 2-0 pouco depois do intervalo. Aos 50 minutos, Sarpreet Singh aproveitou uma bola defendida por Diego Altube e finalizou de pé esquerdo.

O internacional neozelandês deu assim maior vantagem à equipa da casa, que viu o Feirense reduzir aos 80 minutos, através de um cabeceamento de Jair Monteiro.

O golo dos visitantes não foi suficiente para evitar a derrota, permitindo aos algarvios assegurar a subida ao terceiro lugar.

Equipas e arbitragem

Farense — Fabijan Buntic, Alex Pinto, Gonçalo Silva (Nduquidi, 79), Nermin Zolotic, Toni Herrero, Cláudio Falcão, Sarpreet Singh (Lucas D’Agrella, 90+1), Mattheus Oliveira (Miguel Menino, 79), André Candeias, Nelson Oliveira (Gabriel Barbosa, 70) e João Resende (Dereck Poloni, 70). Treinador: José Faria.

Feirense — Diego Altube, Luiz Gustavo (Diogo Mendes, 56), João Oliveira, Pedro Pinto, António Leal (Jair Monteiro, 68), João Queirós, André Lopes, Gui Meira (Alexandre Guedes, 56), Mohamed Diaby (Tiago Castro, 68), Luisinho e Henrique Pereira (Pedrinho, 56). Treinador: Rui Ferreira.

O encontro foi arbitrado por António Nobre, da Associação de Futebol de Leiria.

Leia também: Jassi e Welinton Júnior devolvem o Portimonense às vitórias na II Liga

PJ detém no Algarve homem procurado na Alemanha por tráfico de droga

10 October 2026 at 17:10

Um cidadão estrangeiro de 57 anos, procurado pelas autoridades alemãs por suspeita de tráfico de droga, foi detido no Algarve pela Polícia Judiciária (PJ), em cumprimento de um mandado de detenção europeu. A detenção foi divulgada este sábado, 10 de outubro, pela força policial.

De acordo com um comunicado da PJ, o homem foi localizado e detido na sequência de um mandado emitido pelas autoridades judiciárias da Alemanha, país onde é suspeito de envolvimento no tráfico de estupefacientes.

Investigação revelou tráfico de haxixe e posse de medicamentos

A investigação, realizada em 2022, permitiu apurar que o suspeito se dedicava “ao tráfico de haxixe” no município alemão de Bitz.

Durante uma busca domiciliária, foi encontrada na sua posse “uma elevada quantidade de comprimidos de oxicodona e buprenorfina”, revelou a Polícia Judiciária.

Perante os factos apurados pelas autoridades alemãs, o homem “poderá vir a ser condenado na pena de 15 anos de prisão”, acrescentou a PJ.

Detido vai ser presente ao Tribunal da Relação de Évora

Após a detenção no Algarve, o cidadão estrangeiro vai ser presente ao Tribunal da Relação de Évora, onde serão apreciadas as medidas de coação a aplicar.

A detenção foi efetuada no âmbito da cooperação judiciária europeia, através do mandado emitido pelas autoridades alemãs.

Leia também: “Fui buscar cocaína e a minha filha foi comigo”: Tiago Grila revela episódio que ainda o atormenta

❌