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“Vai haver pouca castanha”: Produtores apontam para quebra de produção em Valpaços

Produtores de castanha falam de uma antecipação da campanha e uma quebra de produção na zona da Padrela, no concelho de Valpaços, devido ao calor e à seca, mas garantem uma boa qualidade do fruto.

Pelos soutos da serra da Padrela espalham-se trabalhadores que, por estes dias, apanham a castanha, a principal fonte de rendimento deste território do distrito de Vila Real.

Artur Esteves, 62 anos, vive em Cabanas, aldeia da União de freguesias de Carrazedo de Montenegro e Curros, onde tem cerca de 80 hectares de castanheiros e de 8.000 árvores de onde prevê colher à volta de 50 a 60 toneladas de castanha.

“Este é um ano fraco, vai haver pouca castanha. A qualidade é boa e o calibre é muito melhor do que no ano passado. Este ano conto colher 50% a 60% do ano anterior”, afirmou à agência Lusa.

A apanha começou também uns dias mais cedo, como aconteceu com a grande parte das colheitas em 2026, desde a uva à azeitona.

“Já colhi 122 toneladas em 2019 e de lá para cá nunca mais lá cheguei. No ano passado colhi à volta de 100 e este ano prevejo lá para as 50, 60 toneladas, mas a gente está a começar a apanha”, apontou.

Esta ainda é, na sua opinião, uma atividade que rende, mas cada vez menos.

“Está tudo muito mais caro, a castanha mantém-se no mesmo preço ou ainda menos (…) A mão de obra é cara, os adubos também, está tudo caríssimo”, frisou, lembrando ainda que a árvore é sensível a doenças, como o cancro e a tinta, que tem secado muitos castanheiros, e que a vespa-das-galhas-do-castanheiro também tem prejudicado a atividade.

É um agricultor orgulhoso dos soutos e do fruto, ao qual se dedica desde a década de 80 com a ajuda da mulher e de dois filhos, a tempo inteiro. “É todos os dias nos castanheiros”, realçou.

Nos seus soutos estão a trabalhar 26 pessoas e espera o reforço de mais duas, entre familiares, residentes em aldeias vizinhas e uma equipa proveniente da Régua, prevendo que a apanha se estenda por 25 dias.

“Até agora tenho conseguido arranjar mão de obra, vamos ver no futuro”, afirmou.

A filha Alexandra Esteves, 31 anos, trabalha num hotel em Chaves e tira três semanas de férias, nesta altura, para a apanha da castanha.

“Venho ajudar os meus pais, sempre que posso venho. É um trabalho duro, mas já estamos habituados, já fazemos isto desde sempre, crescemos aqui e fomos habituados a isto”, referiu.

José Sousa, 61 anos, e Armanda Sousa, 60 anos, são de Tazém, União das Freguesias de Padrela e Tazém, e estão a fazer a apanha sozinhos.

“Este ano nem a máquina ligámos”, afirmou José Sousa, que explicou que a “produção é pouca” por causa da seca e do calor, prevendo colher “só um terço” da produção do ano passado.

A máquina é a da apanha da castanha. O produtor garantiu que a qualidade “é boa, só que é pouca”.

“Podemos fazer muito, mas se o tempo não ajudar (…) A nossa produção é muito menos”, afirmou a mulher, que explicou que os castanheiros têm ouriços, mas que há ouriços que não têm castanhas.

O calor do verão prolongou-se e choveu pouco.

“Desde 2018 para cá, a produção tem vindo sempre a mingar. A gente tem mais plantação, mas tem vindo sempre a mingar porque seca muito castanheiro com a doença da tinta, o cancro e a vespa, é tudo”, referiu Armanda Sousa.

A agricultora realçou também os custos de produção cada vez mais caros, como o combustível, os adubos, tratamentos e a mão de obra. Até agora, acrescentou, o escoamento do fruto tem estado garantido.

Começou a apanha há cerca de uma semana, 10 dias mais cedo do que no ano passado.

“A castanha era em novembro e agora já se faz metade da campanha em outubro”, sublinhou.

Junto à aldeia da Padrela, o empresário agrícola Nicolas Gonçalves, 38 anos, apanha a castanha para um produtor local.

A equipa é de cinco pessoas e vem de Murça. Aproveita o intervalo depois da vindima e antes do começo da apanha da azeitona, no seu caso a 02 de novembro, para dar uma mão à colheita da castanha.

“Este ano começou tudo mais cedo, podemos falar de vindimas, a castanha e a azeitona. A castanha no ano passado começou a 28 de outubro e, se calhar, vamos fechar ao final do mês e já não há castanha”, referiu o empreiteiro, que disse terem começado a apanha há uma semana.

Do que tem observado, antevê também uma quebra de produção de castanha e classificou a falta de mão de obra como um grande problema em Portugal.

“Não há, as pessoas não querem trabalhar (…) Na área da agricultura não falta trabalho”, frisou.

A Câmara de Valpaços alertou para a presença da vespa asiática (vespa velutina) e recomendou a cuidados redobrados durante a apanha da castanha e da azeitona.

Para segurança dos trabalhadores, aconselhou a que se verifiquem as árvores e a vegetação antes de iniciar a atividade, a um especial cuidado durante a varejadura, a poda e a utilização de máquinas agrícolas e ao contacto com as entidades competentes.

É na serra da Padrela que se situa a maior mancha de castanha judia da Europa e são 18 as localidades do concelho que fazem parte da DOP “Castanha da Padrela”.

A Feira da Castanha Judia – Castmonte 2026 realiza-se de 06 a 08 de novembro.

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Depois da crise migratória, Espanha e Itália levantam controlos fronteiriços

Espanha e Itália concordaram em pôr fim aos controlos fronteiriços nos dois países, depois de terem sido implementados durante a crise migratória que se sentiu no verão em Ceuta.

Segundo o jornal “El Economista”, os dois ministros do Interior chegaram a acordo, com o objetivo de restabelecer a normalidade na circulação entre os dois países dentro do Espaço Schengen. A suspensão das medidas aplicadas vai ser acompanhada de um reforço no intercâmbio de informações entre as autoridades dos dois países.

Em julho deste ano, a cidade de Ceuta foi alvo de uma crise migratória, com a entrada de dezenas de milhares de pessoas. Perante esta situação, Itália tomou a decisão de estabelecer os controles, justificando a medida com motivos de segurança e com receios de que as pessoas que tivessem entrado irregularmente em território espanhol pudessem seguir para outros países europeus.

Espanha respondeu a Itália e impôs controlos aos viajantes procedentes do país, depois de considerar esta decisão discriminatória e contrária aos interesses europeus.

As restrições aplicadas afetavam as conexões aéreas e marítimas entre os dois países e representavam, durante quase três meses, uma exceção ao habitual funcionamento do Espaço Schengen.

O acordo, agora anunciado, surge depois do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, terem trabalhado neste assunto durante o Conselho Europeu, realizado em Bruxelas.

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Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública de crédito à habitação e admite pedir mais quando esgotarem

Bankinter

O Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública ao crédito à habitação. A revelação foi feita pelo CFO (Administrador Financeiro) do Grupo Bankinter Jacobo Díaz, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do terceiro trimestre. “Já foi utilizada cerca de três quartos (quase 75%) da linha”, disse. O que, segundo as contas do Jornal Económico, equivale a ter concedido crédito com garantia pública no montante de 437,5 milhões de euros.

O banco diz que está “num bom caminho”, que ainda tem margem e que, se chegar ao limite, pedirá um reforço ao Estado.

Ao Bankinter foi atribuída uma quota de 60 milhões de euros na linha da garantia pública do Estado para o crédito à habitação jovem (destinada a mutuários até aos 35 anos).

Gloria Ortiz, CEO do Bankinter, revelou ainda que, ao nível da produção hipotecária Portugal cresce quase 20%, contra 40% na Irlanda. Em Espanha, a queda homóloga da nova produção atenuou-se de 40% (1.º trimestre) para 28% (2.º) e 9% (3.º) e o banco espera que continue a atenuar-se.

O banco não vê, por ora, travão à procura de crédito por causa da subida de taxas, nem menor produção hipotecária no próximo ano.

Questionado sobre a exposição à divida francesa o CFO explicou que o Bankinter em Portugal não tem carteira própria.

Segundo as contas apresentadas esta quinta-feira, o Bankinter Portugal continuou a acelerar a sua atividade comercial nos primeiros nove meses de 2026. A carteira de crédito atingiu os 12 mil milhões de euros em setembro, crescendo 9% face ao período homólogo de 2025 e acrescentando 1 mil milhões de euros face ao fecho do exercício anterior, numa trajetória de expansão que se tem mantido ao longo do ano.

O Administrador Financeiro do Bankinter, Jacob Días,  revelou que em Portugal a taxa de morosidade (Non-Performing Loans) em Portugal estava em 1,36% no final de setembro — um nível de risco contido, que se mantém claramente abaixo do praticado pelo setor bancário português e que evidência a solidez da carteira de crédito.

A captação e gestão de património de clientes manteve uma dinâmica ainda mais robusta. Os recursos totais de clientes atingiram os 21 mil milhões de euros, com um crescimento de 18% homólogo — depois dos 21% registados ao longo de 2025 —, enquanto os ativos sob gestão acumulam uma valorização de 114% desde o início da operação. O rácio de empréstimos sobre depósitos (LtD) situou-se nos 114%, refletindo um crescimento equilibrado entre o crédito concedido e o financiamento captado junto dos clientes.

A conta de resultados confirma a solidez da evolução comercial, realça o Bankinter. Entre janeiro e setembro de 2026, a margem de juros atingiu 240 milhões de euros, mais 13% do que no período homólogo de 2025, e as comissões líquidas cresceram no mesmo ritmo, somando 67 milhões de euros.

Acrescem outros resultados negativos de 5 milhões de euros, o que resulta numa margem bruta de 302 milhões de euros, um crescimento de 12%. A gestão contida dos custos operativos, que aumentaram 10% para 98 milhões de euros, permitiu melhorar o rácio de eficiência em 0,5 pontos percentuais, para 32%, e gerar uma margem de exploração de 205 milhões de euros, também 12% superior à do ano passado. As provisões cresceram apenas 6%, totalizando 27 milhões de euros, sustentando um resultado antes de impostos de 178 milhões de euros, 13% acima do registado entre janeiro e setembro de 2025.

Estes resultados confirmam o peso crescente de Portugal dentro do Grupo Bankinter e a capacidade do banco de crescer rentavelmente em todos os negócios, num contexto de rigor disciplinado nos custos e de qualidade creditícia de excelência.

Exposição a dívida francesa

A CEO do Bankinter explicou na conferência de imprensa que a carteira de dívida pública do Grupo Bankinter é essencialmente de dívida pública espanhola, cujo prémio de risco se mantém contido, abaixo do francês e do italiano, sendo das que revela melhor comportamento. Não foram dados números sobre exposição direta a dívida francesa, nem sobre a forma como a dívida pública está contabilizada no banco, se em yield to maturity ou em mark to market.

A situação de França “não é a mesma” que a de outros países afetados na crise soberana, disse Gloria Ortiz que sublinhou que França tem uma enorme capacidade económica, apesar de as finanças públicas “requererem atenção”, sendo que o momento pré-eleitoral não ajuda a que as mensagens sejam tranquilizadoras.

O banco está convencido de que a situação em França se “equilibrará” quando acabar o período de transição, e de que não haverá problemas na dívida pública europeia, embora o momento seja volátil e os prémios de risco de alguns países possam subir.

Sobre outros temas, a CEO disse que banco tem sensibilidade positiva à subida de taxas, pelo que a margem de juros deve crescer num horizonte de um ano. A nível trimestral pode estabilizar ou contrair ligeiramente. Mas o guidance só será dado em janeiro.

A CEO do banco diz que o investimento em IA e tecnologia não visa reduzir pessoal e ambiciona, a prazo, um rácio de eficiência perto de 30%, “ainda que muito ambicioso”. Há formação em IA para todos os colaboradores.

Gloria Ortiz comentou ainda a atividade da Tulp Group (plataforma holandesa especializada em intermediação e financiamento hipotecário), adquirida a 100%, dizendo que “segue sua atividade normal de intermediação digital em hipotecas. O que estamos fazendo agora é trabalhar para ter uma estrutura para poder financiar diretamente nós através da Tulp”.

As primeiras hipotecas devem ser contabilizadas no final de dezembro ou em janeiro de 2027, inicialmente sob a marca Complet.

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Fusões e aquisições caem 37% em Portugal no primeiro semestre

O número de fusões e aquisições em Portugal caiu 37% no primeiro semestre deste ano, para 82 operações, enquanto o valor das transações recuou cerca de 87%, para 800 milhões de euros, segundo um estudo da Forvis Mazars.

De acordo com o relatório “Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026”, elaborado pela Forvis Mazars em parceria com a Mergermarket, o valor das operações realizadas em Portugal compara com os 6,3 mil milhões de euros registados no primeiro semestre de 2025.

A evolução do mercado português contrasta com a do Sul da Europa, onde o valor das fusões e aquisições aumentou 37%, para 147,7 mil milhões de euros, impulsionado por operações de grande dimensão e pelo interesse dos investidores internacionais.

Em Portugal, a maior operação anunciada no primeiro semestre envolveu o Grupo Sabseg, especializado em mediação de seguros e gestão de risco, num negócio de 600 milhões de euros que incluiu um novo investimento da Miura Partners e o reforço da participação da Schroders de 2% para 20%.

A segunda maior operação foi realizada no setor do turismo e lazer, com a aquisição do Caesar Park, um hotel de cinco estrelas e ‘resort’ de golfe em Sintra, pela Catterton Management e pela Cedar Capital Partners, por 140 milhões de euros.

Segundo o estudo, as três maiores operações realizadas no mercado português foram lideradas por compradores internacionais, provenientes do Reino Unido, Espanha e Países Baixos, evidenciando a importância do investimento estrangeiro.

Apesar da quebra da atividade, a senior manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal, Filipa Matias, considera que continuam a existir oportunidades no mercado nacional.

“A atividade subjacente em operações de menor e média dimensão continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados”, afirma, citada no estudo.

Segundo a responsável, as perspetivas são sustentadas pelo interesse dos investidores estrangeiros, por operações apoiadas por fundos de capital de risco e pela consolidação de setores fragmentados, com destaque para a tecnologia, serviços empresariais, indústria e ativos imobiliários e hoteleiros.

O relatório salienta ainda que Portugal é o único mercado do Sul da Europa onde o número anual de operações de fusões e aquisições aumentou ou se manteve estável em todos os anos desde 2016, uma tendência cuja continuidade fica agora em aberto perante a quebra registada no primeiro semestre.

Ainda assim, foram identificadas 33 potenciais oportunidades de fusões e aquisições em Portugal, distribuídas por 12 setores, num total de 608 oportunidades sinalizadas no Sul da Europa.

No conjunto da região, que inclui Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia, foram anunciadas 1.858 operações no primeiro semestre, menos 6% do que no período homólogo, apesar do aumento de 37% no valor agregado das transações, passando de 107,9 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025 para 147,7 mil milhões de euros.

Itália liderou o mercado regional, com 754 operações, no valor de 87,1 mil milhões de euros, seguida de Espanha, com 600 operações e 28,7 mil milhões de euros.

Os investidores de fora da região foram responsáveis por cerca de 41% do valor total das transações, equivalente a mais de 61,2 mil milhões de euros, destacando-se os compradores norte-americanos (139 operações num total de 23,7 mil milhões de euros) e britânicos (88 operações num total de 23,3 mil milhões de euros).

Para os próximos meses, a Forvis Mazars antecipa a manutenção de oportunidades de investimento, apoiadas pelas condições de financiamento, pelos processos de sucessão empresarial e pela consolidação de setores, embora as tensões geopolíticas, os preços da energia e as políticas comerciais continuem a representar fatores de incerteza.

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Restauração gera 23,4 mil milhões por ano mas enfrenta margens de apenas 3%, alerta AHRESP

A restauração portuguesa é um dos principais eixos da economia nacional, no emprego e na coesão territorial, mas continua a enfrentar uma pressão significativa sobre a sua rentabilidade. Com um volume de negócios de 23,4 mil milhões de euros e cerca de 523 mil postos de trabalho associados ao setor, a atividade apresenta uma margem líquida média de apenas 3%, que condiciona a capacidade de investimento e de resposta ao aumento dos custos.

“É ter um enorme potencial e tão pouca margem para existir e resistir”, referiu Carlos Moura, na abertura do congresso da AHRESP que decorre entre quinta e sexta-feira, na cidade de Lagoa, no Algarve.

Para o responsável, a restauração tem uma presença transversal no país, contribuindo para a dinamização das cidades, vilas e aldeias. Contudo, essa relevância não se traduz numa rentabilidade proporcional, sobretudo marcado pelo peso das microempresas, que representam 91% do setor e que limita a sua capacidade negocial e a obtenção de economias de escala na aquisição de bens alimentares, energia e serviços financeiros

“Em cada 100 euros de faturação, o empresário que investe recebe três euros”, afirmou o presidente da AHRESP, destacando a reduzida margem de manobra para enfrentar o aumento de custos ou realizar novos investimentos.

Fiscalidade e IVA entre as prioridades

A AHRESP apresentou no passado mês de setembro, 27 propostas que assentam em quatro eixos estratégicos: fiscalidade, pessoas, investimento e capitalização. Entre estas, Carlos Moura destaca três prioridades consideradas críticas para a sustentabilidade da atividade.

Uma das principais reivindicações prende-se com o enquadramento do IVA aplicado à restauração, que a associação considera desfavorável face ao de outros mercados europeus concorrentes no turismo.

“Não se compreende que tenhamos uma diferenciação negativa face aos mercados que são concorrentes no setor do turismo”, afirmou, defendendo condições fiscais mais competitivas para a restauração portuguesa.

Custos laborais dificultam a valorização salarial

A pressão sobre os custos com pessoal constitui outro dos grandes desafios identificados por Carlos Moura. Num setor que necessita de atrair e reter trabalhadores, com o presidente a realçar que o objetivo da associação não é travar o aumento dos salários, mas sim criar condições para que este seja sustentável

“Nós nunca nos opusemos ao salário mínimo. Nunca”, salientou, reforçando a posição favorável da AHRESP à melhoria das remunerações dos trabalhadores, dando como exemplo a possibilidade de uma empresa pretender aumentar em 200 euros o salário de um trabalhador, mas enfrentar encargos adicionais que tornam a decisão mais onerosa.

Neste contexto, Carlos Moura defendeu mecanismos de parceria com o Estado que “permitam reduzir os custos associados aos aumentos salariais, nomeadamente através de soluções de alívio contributivo”.

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Bruxelas considera acordo sobre securitização o “primeiro grande passo” da União da Poupança e do Investimento

A comissária europeia para os Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque, saudou o acordo político alcançado entre o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia sobre a revisão do quadro europeu de securitização, considerando-o “um marco importante” para a União da Poupança e do Investimento (Savings and Investments Union – SIU).

Numa publicação na rede social LinkedIn, a responsável portuguesa classificou o entendimento alcançado em Estrasburgo como “o primeiro grande resultado legislativo” da nova estratégia europeia destinada a mobilizar poupanças privadas para financiar a economia.

Segundo Maria Luís Albuquerque, a revisão das regras da securitização pretende aumentar a capacidade dos bancos para financiarem famílias e empresas, em particular as pequenas e médias empresas (PME), ao mesmo tempo que canaliza mais investimento para a economia real europeia.

A comissária explicou que as alterações passam pela simplificação de requisitos, redução de encargos administrativos considerados desnecessários e pela adaptação das exigências de capital aos riscos efetivos das operações. O objetivo é criar condições para um mercado europeu de securitização “mais forte e dinâmico”.

“A estabilidade financeira continua a não ser negociável. Mas a resiliência e a competitividade devem caminhar lado a lado”, afirmou.

Maria Luís Albuquerque defendeu ainda que um mercado de securitização eficiente pode contribuir para diversificar as fontes de financiamento, melhorar a partilha de riscos e desbloquear financiamento adicional para investimento, inovação e criação de emprego.

A responsável enquadrou o acordo na estratégia mais ampla da União da Poupança e do Investimento, destinada a aproximar as poupanças dos europeus das necessidades de financiamento de empresas e cidadãos e a mobilizar capital privado para reforçar o crescimento económico e a competitividade da União Europeia.

“Este primeiro acordo demonstra que conseguimos transformar as nossas ambições em resultados concretos. E devemos manter o impulso”, sublinhou.

Maria Luís Albuquerque agradeceu ainda ao Parlamento Europeu e ao Conselho pela “colaboração construtiva” durante as negociações, deixando também uma palavra de reconhecimento às equipas da Direção-Geral da Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais (DG FISMA) e ao seu gabinete pelo trabalho desenvolvido ao longo do processo.

Apesar de considerar o acordo um passo significativo, a comissária salientou que a execução da União da Poupança e do Investimento continua e que “há muito mais para concretizar”.

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Euribor sobe a três meses e desce a seis e a 12 meses

Euribor

A taxa Euribor subiu hoje a três meses e desceu a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira.

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou hoje, ao ser fixada em 3,019%, menos 0,011 pontos percentuais que na quarta-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a agosto indicam que a Euribor a seis meses representava 40,3% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,03% e 24,27%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também recuou hoje, para 3,262%, menos 0,001 pontos que na véspera.

Em sentido contrário, a Euribor a três meses avançou hoje, pela quinta sessão consecutiva, ao ser fixada em 2,677%, mais 0,007 pontos.

Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.

Em junho, o BCE tinha subido, pela primeira vez desde setembro de 2023, as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 28 e 29 de outubro em Frankfurt.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 21 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

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“A Arte da Guerra é um milagre no mundo dos podcasts em Portugal”

Ouça e acompanhe “A Arte da Guerra” também em formato podcast:

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O protagonista de um programa que já leva uma existência de quase seis anos, o Embaixador Francisco Seixas da Costa, fala sobre o próprio programa – que desta vez tem a ilustre participação de público ao vivo e de um convidado: Jorge Silva Carvalho. Seixas da Costa não se esqueceu de agradecer a preciosa participação externa de um dos mais presentes protagonistas ao longo de sucessivas semanas: Donald Trump.

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Portugal em contraciclo no M&A: negócios caem 37% e valor afunda para 800 milhões

O mercado português de fusões e aquisições (M&A) perdeu fôlego no primeiro semestre, com o número de operações a recuar 37%, para 82, e o valor total a cair para cerca de 800 milhões de euros, face a 6,3 mil milhões no período homólogo. No Sul da Europa, o movimento foi inverso: o valor das transações disparou 37%, para 147,7 mil milhões de euros.

Os dados constam do estudo “Investing in Southern Europe: M&A and Private Equity Activity in 2026”, da Forvis Mazars em parceria com a Mergermarket, divulgado esta quinta-feira. O relatório analisa a atividade em Itália, Espanha, Suíça, Turquia, Portugal e Grécia.

O estudo identifica a existência de mais de 600 potenciais oportunidades de M&A no Sul da Europa, das quais 33 em Portugal.

É de salientar que as três maiores operações anunciadas em Portugal no primeiro semestre de 2026 foram lideradas por compradores internacionais – do Reino Unido, de Espanha e dos Países Baixos – o que confirma o interesse dos investidores estrangeiros no mercado português de fusões e aquisições.

Apesar da queda, os investidores internacionais continuam a ser os mais relevantes no mercado nacional.

A maior fatia do valor anunciado em Portugal resulta do investimento no Grupo Sabseg, especializado em mediação de seguros e gestão de risco. A Miura Partners fez um novo investimento na empresa e a Schroders aumentou a participação de 2% para 20%, numa operação global de 600 milhões de euros.

A segunda maior transação foi no turismo e lazer: a Catterton Management e a Cedar Capital Partners compraram o Caesar Park, hotel de cinco estrelas e resort de golfe em Sintra, por 140 milhões de euros.

Portugal era o único mercado do Sul da Europa, e um dos poucos a nível mundial, onde o número de operações de M&A subiu ou se manteve estável todos os anos desde 2016. Os dados do primeiro semestre mostram agora um recuo, e a Forvis Mazars admite que ainda não é possível antever se o país conseguirá manter o registo pelo décimo ano consecutivo.

Filipa Matias, Senior Manager de Transaction and Advisory Services da Forvis Mazars em Portugal, relativiza o cenário: “Embora o mercado português de M&A registe um número de transações menor, a verdade é que existem muitas oportunidades”.

Segundo a responsável, a atividade em operações de pequena e média dimensão “continua presente, embora seja menos visível nos dados de transações com valores divulgados”.

A perspetiva positiva assenta no apoio de fundos de capital de risco, no interesse de investidores estrangeiros e na consolidação de setores fragmentados, com destaque para a tecnologia, os serviços empresariais, a indústria e os ativos imobiliários e hoteleiros.

A Mergermarket identificou 33 potenciais oportunidades de M&A em Portugal, em 12 setores diferentes.

Sul da Europa polarizado

No conjunto da região foram anunciadas 1.858 operações, menos 6% do que um ano antes, mas o valor agregado subiu de 107,9 para 147,7 mil milhões de euros. Os números apontam, segundo o estudo, para um mercado cada vez mais polarizado, em que menos operações, mas de maior dimensão, impulsionam o valor global. Itália foi o maior mercado, com 754 operações e 87,1 mil milhões de euros, seguida de Espanha (600 operações, 28,7 mil milhões), Suíça (221 operações, 16 mil milhões) e Turquia (153 operações, 12,6 mil milhões).

Por setores, o industrial e químico foi o mais ativo em número de operações (330). Em valor, lideraram os serviços financeiros, com 43,5 mil milhões de euros, seguidos da tecnologia, media e telecomunicações (28,4 mil milhões) e da saúde, farmacêutica e biotecnologia (19,4 mil milhões).

Os investidores de fora da região foram responsáveis por mais de 61,2 mil milhões de euros, cerca de 41% do total. Os compradores norte-americanos realizaram 139 operações, no valor de 23,7 mil milhões, e os britânicos 88, num total de 23,3 mil milhões. As operações de média dimensão, entre 10 e 300 milhões de euros, somaram 285 transações e 22,5 mil milhões.

Private equity com menos negócios, mais valor

O private equity seguiu a mesma tendência: 338 operações, incluindo aquisições e desinvestimentos, menos 15% do que no período homólogo, mas com o valor a subir 23%, para 48 mil milhões de euros. Cinco das dez maiores operações do semestre no Sul da Europa tiveram fundos de private equity como compradores.

“Apesar da redução do número de operações de private equity, os investidores globais deste segmento continuam interessados no Sul da Europa”, afirma Filipa Matias, apontando a combinação de empresas de média dimensão de elevada qualidade, melhores condições de financiamento e oportunidades de crescimento através do aumento de escala.

A Forvis Mazars mantém uma visão otimista para o resto do ano. As condições de financiamento permanecem globalmente favoráveis, há um volume significativo de empresas à venda por processos de sucessão e as empresas continuam a reajustar os seus portefólios. A digitalização, a transição energética, a inovação na saúde e a transformação da indústria deverão sustentar o investimento a longo prazo, embora as tensões geopolíticas, os preços da energia, as tarifas comerciais e a política monetária continuem a pesar.

Das 608 notícias sobre empresas do Sul da Europa disponíveis para venda identificadas pela Mergermarket, 126 diziam respeito a bens de consumo e 114 aos setores industrial e químico. Itália concentrou 237, seguida de Espanha, com 177.

Filipa Matias sublinha ainda que a região oferece “oportunidades de investimento a preços atrativos”: os múltiplos médios das operações de média dimensão rondam 5,3 vezes o EBITDA, valor competitivo face ao Norte da Europa e, sobretudo, aos Estados Unidos, o que está a atrair capital norte-americano, britânico e francês e a incentivar a consolidação entre empresas da região.

 

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Barclays sobe lucros para 7 mil milhões até setembro e corta 5 mil postos de trabalho devido à IA

O banco britânico Barclays anunciou hoje lucros atribuíveis de 5.837 milhões de libras (6.963 milhões de euros) até setembro, um aumento de 17% em termos homólogos, e um corte de 5.000 postos de trabalho devido à implementação de IA.

Num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Londres, a instituição britânica aponta que o lucro antes de impostos atingiu 8.388 milhões de libras (10.007 milhões de euros), mais 15% que no mesmo período do ano passado, enquanto as receitas totais aumentaram 8% para 23.866 milhões de libras (28.471 milhões de euros).

Já as despesas operacionais cresceram 4% face ao período homólogo para 13.625 milhões de libras (16.254 milhões de euros).

O banco anunciou, ainda um programa de recompra de ações no valor de 500 milhões de libras (597 milhões de euros).

Citado no comunicado, o presidente executivo do Barclays, C. S. Venkatakrishnan, enalteceu o bom desempenho do banco no período e reforçou a confiança de que a instituição vai atingir as metas de 2028.

“No terceiro trimestre tivemos um crescimento homólogo de 7% na concessão de empréstimos nas nossas unidades de negócio com maior rentabilidade no Reino Unido, destacando-se especialmente a banca corporativa no Reino Unido, que teve um aumento homólogo de 14%”, referiu.

Venkatakrishnan justificou ainda o programa de recompra com a “forte criação de capital” e bom rácio de fundos próprios.

Depois do anúncio dos resultados, a administradora financeira do Barclays, Anna Cross, anunciou que a instituição prevê cortar este ano 5.000 postos de trabalho – o equivalente a 5% da sua força laboral – devido à integração de inteligência artificial (IA).

Em conferência de imprensa, em Londres, Anna Cross explicou que já foram eliminados mil postos de trabalho desde o início do ano e que se esperam reduzir outros 4.000 até ao final do trimestre.

Segundo o banco, a maior parte dos cortes vai afetar funções operacionais e de gestão em toda a instituição.

De acordo com Venkatakrishnan, a decisão resulta “dos investimentos em tecnologia” que têm sido feitos ao longo dos anos e que continuam a ser realizados.

A tecnologia, de acordo com o responsável, permitiu otimizar fluxos de trabalho e reduzir a necessidade de determinados perfis, como programadores.

Em Portugal, o Barclays vendeu, em 2016, o negócio da banca de retalho ao Bankinter.

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Vítor Bento considera necessário que o sistema político “desloque a atenção” para a crise na habitação rapidamente

O presidente da Associação de Bancos Portugueses (APB), Vítor Bento, referiu, na sua rede social linkedIn, que não há soluções no “curto prazo” para o problema vivido no setor da habitação, apenas “remendos”. O banqueiro considera necessário olhar para os números para entender esta situação.

2009-2015 2016-2025
Aumento das dormidas diárias (turismo) 40 85
Aumento da população residente -194 1055
Fogos licenciados para habitação 104 274

Fonte: LinkedIn de Vítor Bento. Dados em milhares.

Na opinião do economista, aquando da abertura das portas à imigração, não houve uma preocupação com as implicações logísticas que esta abertura acarretava, como a habitação, saúde e educação. “As consequências estão à vista nesses três setores”, escreveu na rede social, salientando que “não há soluções de curto prazo, só remendos, pelo que a correspondente insatisfação social pode continuar”.

Segundo Vítor Bento, o necessário para colmatar esta crise é “que o sistema político desloque a atenção, do seu umbigo para estes três problemas, tão cedo quanto possível, para encurtar o prazo das soluções eficazes”.

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Obrigações francesas atingem máximo de 24 anos

As obrigações francesas, a 10 anos, atingiram na quarta-feira 21 de outubro um máximo de 24 anos quando ultrapassaram a barreira dos 5%. Um dos factores para esta escalada está ligada às dificuldades na aprovação de um Orçamento para o país, refere o The Guardian, a que se juntam os protestos nas ruas francesas, que já assumiram contornos violentos, e também o défice nas contas francesas.

E o spread [diferença] das obrigações francesas, face às alemãs [que são tidas como referência], atingiu os 157 pontos base, ficando próximo de níveis registados em 2011, salientou a Reuters.

O economista do banco ING, Charlotte de Montpellier, referiu, citado pelo Le Monde, que a perda de confiança representa agora o “maior” risco económico. “A subida das taxas de juro exacerba as condições financeiras já difíceis e provavelmente afetará ainda mais os investimentos e a atividade económica”, acrescentou.

Já o responsável pela estratégia de mercado da plataforma de negociação de moedas e pagamentos Ebury, Matthew Ryan, citado pelo The Guardian, referiu que os prolemas que se fazem sentir em França estão também a pressionar em baixa o euro. “O euro continua a ficar atrás da maioria das principais moedas, uma vez que o prémio de risco político em França dificilmente diminuirá em breve. Ainda não é claro se o orçamento de 2027 será aprovado pelo parlamento e, mesmo que assim seja, parece estar repleto de concessões tanto à esquerda como à direita, deixando o problema do défice sem uma solução adequada”, acrescentou.

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10 anos JE: o que falta a Portugal na era da IA?

O Jornal Económico assinalou o seu 10.º aniversário com uma conferência na Alfândega do Porto. O encontro reuniu personalidades de diferentes áreas, para pensar a década que transformou Portugal, e os desafios e oportunidades que o país e o mundo vão enfrentar nos próximos 10 anos.

A inteligência artificial (IA) foi uma das temáticas debatidas no evento. Mas como está Portugal posicionado nesta área? Será criador ou apenas consumidor desta tecnologia?

O que nos falta para transformar o conhecimento produzido nas universidades e centros de investigação em mais tecnologia criada no país e com capacidade para competir internacionalmente?

E daqui a 10 anos, pode a tecnologia ser o motor de um novo modelo económico para o país?

Conheça as respostas de João Paulo Firmeza, General Manager da Altice Labs e um dos convidados da conferência, a estas questões:

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Lula aposta em ‘influencer’ das periferias para mobilizar jovens e diminuir abstenção

De criador de uma página de humor que chegou a milhões de seguidores, Leonardo de Souza Xavier tornou-se coordenador de mobilização de rua da campanha de Lula, para aproximar o candidato dos jovens das periferias de Fortaleza.

Aos 34 anos, o recém-eleito deputado estadual do PSOL do Ceará, conhecido como Léo Suricate, foi convidado pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, do PT, para integrar a coordenação da campanha de Lula na segunda volta, assumindo a organização dos atos de rua e parte da ocupação das redes sociais.

A estratégia recebeu o nome de “Baile do 13” como uma resposta ao “Bloco do 22”, iniciativa associada à campanha de Flávio Bolsonaro que teve grande força no Nordeste durante a segunda volta.

A estratégia do campo progressista, explica Suricate, procura disputar não apenas votos, mas a linguagem cultural das periferias, usando paredões, funk, brega funk e piseiro para ocupar os mesmos territórios onde a direita vem tentando ampliar a sua influência

“A ideia desse movimento, que a gente está chamando de Baile do 13, é ocupar as periferias”, explicou Léo, que descreve o paredão como uma alternativa mais barata e menor do que palcos ou trios elétricos, e lembra que “13” é o número de Lula nas urnas.

A mobilização percorre uma freguesia diferente a cada dia e é feita, segundo Suricate, com participação direta das comunidades e de cerca de 30 coletivos periféricos.

Na noite de quarta-feira, o ato reuniu vários apoiantes vestidos de vermelho com bandeiras do PT na periferia de Fortaleza, e contou com a presença do ministro responsável pela articulação política do Governo Lula, José Guimarães.

O objetivo com a mobilização, descreve, não é apenas conquistar votos para Lula, mas sobretudo levar às urnas eleitores que deixaram de votar na primeira volta, num cenário em que a abstenção preocupa a campanha petista.

Na capital do Ceará, Lula somou 797.002 votos válidos e Flávio Bolsonaro 586.251, enquanto 233.859 dos 1.795.713 eleitores aptos não compareceram às urnas, numa abstenção de 13,02% na primeira volta.

O alerta se soma ainda ao fato de Flávio ter tido cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula em todo o Brasil, num cenário de abstenção nacional em que 33 milhões de eleitores não foram votar.

“Esse movimento que a gente está fazendo de ato é mais para animar a galera [malta] do próprio bairro [freguesia] e sacudir o bairro para dizer: ‘Ei, vai votar, vai votar, vai votar’”, afirmou.

A preocupação com a participação eleitoral é acompanhada por uma ofensiva nas redes sociais, onde grupos ligados à campanha produzem vídeos e outros conteúdos para desconstruir Flávio Bolsonaro e divulgar propostas de Lula dirigidas sobretudo aos jovens.

A capacidade de falar com esse público nasceu muito antes da entrada de Léo na política institucional, a partir da periferia de Fortaleza e da criação, em 2012, da página de humor Suricate Seboso, inicialmente uma brincadeira dele com outros dois amigos ligados à cultura de periferia e à internet.

A mudança para a política ocorreu gradualmente, sobretudo depois de “La Casa dos Vetim”, série de baixo custo produzida em 2019 que utilizava humor para abordar violência urbana, evasão escolar e a realidade dos jovens das periferias de Fortaleza.

“La Casa dos Vetim me deu a oportunidade de ser porta-voz de uma geração que não estava sendo vista”, afirmou.

Mesmo com a fama de artista, e agora político eleito, Suricate não se afastou das suas raízes e por isso ainda mora num apartamento do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida, localizado na freguesia do Jangurussu, que reúne 70 mil moradores da periferia.

Suricate diz que sua relação com a política começou ainda na infância quando a família participou de mobilizações por água canalizada, e passou depois pelo movimento cultural e pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

O seu mapa eleitoral, afirma, contrasta com o perfil tradicional do PSOL, concentrando votos em áreas periféricas de Fortaleza e menos no centro económico da cidade.

É dessa experiência que Léo diz retirar uma lição que o PT precisa ouvir, apesar de pertencer ao PSOL, partido que não integra formalmente a legenda de Lula.

Para ele, a campanha de Lula demorou a perceber a necessidade de uma comunicação mais direta com os eleitores, especialmente através das redes sociais e de formatos capazes de alcançar públicos que não acompanham os canais políticos tradicionais.

Léo Suricate vê ainda a disputa cultural como parte da batalha eleitoral, sobretudo diante da aproximação de setores da direita com linguagens, símbolos e estéticas nascidas nas periferias.

“Eu acho que a primeira coisa que a gente tem que ter é respeito com a cultura das pessoas”, afirmou, defendendo que a esquerda também ocupe esses espaços sem abandonar sua relação histórica com os territórios periféricos.

A Lusa esteve no seu comité de campanha e acompanhou vários jovens a produzir vídeo para as redes, sendo que numa das gravações eles dançavam pagode baiano, com letra política pró-Lula elaborado por pessoas da própria comunidade.

Entre batidas eletrónicas e várias vozes, a composição se refere a Lula como “o velho que representa”, critica a oposição ao dizer “Avisa, o Bolsonaro é perigoso! só quer ferrar com o povo!”, além de vários convites a rebolar e “votar 13”.

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Falha de segurança na PHP lança o pânico entre analistas de cibersegurança

Há mais de uma década que há uma falha tecnológica no sistema que suporta uma grande parte da internet, que só agora foi deixada a descoberto pela Inteligência Artificial (IA). As vulnerabilidades estão, segundo uma reportagem da BBC, dentro de uma linguagem de programação chamada PHP, que tem sido usada internacionalmente desde os anos 2000 para construir sites.

Governos e agências de cibersegurança em todo o mundo estão a esforçar-se para conter as consequências da descoberta, esta quarta-feira 21 de outubro, e têm incentivado os operadores de sites a instalarem uma nova solução de emergência ou a considerarem retirar as suas plataformas da net.

A empresa de cibersegurança Wiz – uma das empresas cujos analistas descobriram as vulnerabilidades – descreveu as falhas como “as mais graves” já detetadas pela IA. A OpenAI, cuja tecnologia foi usada para identificar as falhas, chamou a descoberta de “uma das questões de segurança mais impactantes na memória recente”.

A maioria dos utilizadores talvez nunca tenha ouvido falar da PHP, mas provavelmente interagem com ele diariamente. “É a vulnerabilidade mais séria que já encontrei”, diz Ryan Austin, analista da empresa de cibersegurança Calif, que ajudou a descobrir a falha. Estudando a PHP há cerca de 20 anos, o analista descreve a vulnerabilidade “como um erro gramatical na estrutura da frase”, mas “em vez de soar disparatada, na verdade invade a sua casa”. E especifica que o tipo de informação a que hackers poderiam ter acesso: “qualquer coisa que tivesse sido armazenada”. A PHP está “dentro de muitos lugares que não se esperaria”. “Basicamente, é muito central para o funcionamento da internet”.

Em 2024, analistas da PHP Foundation – uma organização sem fins lucrativos que mantém e desenvolve uma linguagem de programação popular – encontraram uma falha teórica no PHP, mas não conseguiram perceber como um hacker poderia usá-la num ataque informático.

Em julho de 2026, a fundação foi aceite na iniciativa Patch the Planet da OpenAI, que visa usar IA de vanguarda para identificar falhas em softwares e corrigi-las. Em agosto, uma empresa de cibersegurança, a Calif – que fazia parte do projeto – encontrou a falha no PHP. Desde então, a fundação vinha trabalhando com as empresas num patch de software que poderia ser importado por utilizadores da PHP para corrigir as falhas. Mas o processo foi repentinamente dado a conhecer, forçando a PHP Foundation a antecipar o processo – e aguçando a curiosidade dos hakers. Por isso o patch foi lançado à pressa e os sites tiveram que ser removidos caso fossem alvo de ataques cibernéticos.

O caso é tão grave que uma das maiores agências de inteligência do mundo alerta para que as organizações afetadas devem desligar os seus sistemas até que haja uma solução definitiva. A divisão cibernética da Agência de Segurança Nacional dos EUA diz que aqueles que usam PHP devem preparar-se imediatamente “para uma atualização que aborde duas vulnerabilidades críticas”. “A PHP é amplamente usado para aplicações web. Essas vulnerabilidades fornecem frequentemente um caminho direto para o sistema de arquivos ou banco de dados do servidor. Se uma atualização imediata não for viável, recomenda-se que as organizações retirem o sistema do ar até que ele possa ser totalmente mitigado.”

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Portugal é o 15º da Europa nas spin-off de investigação que apresentam pedidos de patente

Porugal ocupa a 15ª posição na Europa em número de spin-offs de investigação que apresentam pedidos de patente, de acordo com o Deep Tech Finder da Organização Europeia de Patentes (OEP). O INESC TEC, Universidade do Porto e Universidade de Coimbra lideram as instituições públicas de investigação portuguesas em pedidos de patente europeia em 2025. Análise tem dados de mais de 800 gabinetes de transferência de tecnologia.

“A Europa enfrenta desafios na transformação da investigação científica em tecnologias e soluções comerciais, com mais de 90% dos gabinetes de transferência de tecnologia analisados a apresentarem limitações de recursos e de capacidade de especialização. Em Portugal cerca de 80% das spin-offs de investigação portuguesas identificadas na ferramenta Deep Tech Finder encontram-se ainda numa fase inicial de crescimento, procurando desenvolver as suas tecnologias e obter financiamento para expandir a atividade”, referem os dados.

O presidente da OEP, António Campinos, salienta que a a transferência de tecnologia é uma questão de “competitividade”, acrescentando que as universidades e as organizações públicas de investigação europeias estão na “vanguarda” da descoberta científica, mas os avanços da investigação “têm de chegar” ao mercado para gerar emprego, crescimento económico e autonomia estratégica. “Para isso, é necessário reforçar a transferência de tecnologia, melhorar o acesso ao financiamento e construir um mercado único da inovação mais integrado. O estudo hoje apresentado identifica seis prioridades para ajudar a Europa a transformar a excelência da sua investigação em sucesso comercial”, sublinhou.

Em 2025, o INESC TEC liderou a posição nacional de organizações públicas de investigação e universidades em Portugal, com 14 pedidos de patente europeia, seguido da Universidade do Porto, com 13, e da Universidade de Coimbra, com 11. “A Universidade NOVA de Lisboa (10) e a Universidade de Aveiro (9) completam os cinco primeiros lugares”, indicam os dados. “Entre as principais áreas tecnológicas abrangidas pelos pedidos de patente destas instituições destacam-se as tecnologias informáticas, a engenharia, a biotecnologia e as tecnologias médicas”, acrescenta.

E Portugal ocupou a 15ª posição na Europa em número de spin-offs de investigação que apresentam pedidos de patente junto da OEP, estando identificadas 53 spin-offs portuguesas. “Destas, 42 (79,2%) encontram-se numa fase inicial de crescimento, procurando transformar as suas tecnologias em produtos prontos a entrar no mercado e assegurar financiamento para expandir as suas operações. Outras três empresas (5,7%) encontram-se numa fase de expansão acelerada (breakout stage), duas (3,8%) atingiram uma fase avançada de crescimento e seis (11,3%) foram adquiridas por empresas de maior dimensão”, refere.

Dos 809 gabinetes de transferência de tecnologia analisados, 90,5% são de pequena ou média dimensão, enquanto apenas 9,5% são de grande dimensão. “Embora os gabinetes mais pequenos consigam apoiar a evolução das invenções até à obtenção de patentes, à celebração de acordos de licenciamento ou à criação de novas empresas a um ritmo comparável ao dos gabinetes de maior dimensão, dispõem de menos recursos. Os gabinetes de grande dimensão têm seis vezes mais colaboradores e apoiam instituições com despesas em investigação 23 vezes superiores e com quase sete vezes mais investigadores. Recebem ainda informação sobre cerca de 16 vezes mais invenções do que os gabinetes de pequena ou média dimensão”, adianta.

O estudo considera que os gabinetes de transferência de tecnologia locais “podem reforçar” a sua capacidade através do acesso a redes mais alargadas de conhecimento especializado, financiamento e contactos comerciais. “Uma maior ligação entre instituições de investigação e empresas de diferentes países europeus poderá também ajudar as invenções mais promissoras a encontrar os parceiros adequados para chegar ao mercado”, sugeriu.

“As patentes com participação de universidades representam cerca de 9% das patentes europeias, um valor próximo do registado nos Estados Unidos. Atualmente, as universidades europeias são também titulares de uma percentagem muito superior das suas invenções face ao que se verificava há 20 anos. No entanto, 40,7% das patentes detidas pelas universidades europeias deixam de estar em vigor nos primeiros dez anos, face a 26,3% nos Estados Unidos”, referem os dados.

É ainda dito, face à aposta da China na comercialização de tecnologias desenvolvidas pelas universidades, prevista no seu 15.º Plano Quinquenal, que a Europa necessita de “reforçar” os mecanismos de apoio à transferência de tecnologia para facilitar a chegada dos resultados da investigação ao mercado.

“Os pedidos de patente europeia que envolvem universidades, organizações públicas de investigação ou hospitais de investigação mais do que duplicaram nas últimas duas décadas, passando de cerca de 3.200, em 2006, para quase 8.000, em 2025. A Alemanha, a França e o Reino Unido continuam a liderar, mas a sua quota conjunta diminuiu de quase 64% para cerca de 55%. Mais do que refletir um declínio dos países líderes, esta evolução demonstra um alargamento da base de investigação europeia, com um crescimento particularmente expressivo nos Países Baixos e em Espanha, bem como um aumento da atividade em muitos outros países”, adianta.

Em 2025, as instituições de investigação figuravam como requerentes “em cerca de 34% dos pedidos de patente europeia de origem europeia na área da biotecnologia, 29% nas tecnologias quânticas e 26% na indústria farmacêutica” . A sua capacidade para levar as invenções até ao mercado assume, por isso, uma “importância estratégica”. Entre as principais instituições públicas de investigação europeias destacam-se o CNRS (França), a Fraunhofer-Gesellschaft (Alemanha), o CEA (França), o Inserm (França) e o imec (Bélgica).

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Taiwan antecipa fim de exercícios militares devido à chegada do tufão Champi

As Forças Armadas de Taiwan anunciaram hoje o fim antecipado de exercícios militares devido à aproximação do tufão Champi, que levou as autoridades a emitir alertas e cancelar dezenas de voos e ligações marítimas.

O ministério da Defesa taiwanês anunciou, em comunicado, que decidiu encerrar às 10:00 (03:00 em Lisboa) os exercícios militares ‘Lu Sheng 2’, iniciados em 14 de outubro e inicialmente previstos até sexta-feira.

As manobras envolveram duas brigadas de armas combinadas em operações de combate diurnas e noturnas, destinadas a reforçar as capacidades de “defesa prolongada” do território perante uma eventual invasão chinesa.

“Uma vez que o exercício ‘Lu Sheng 2’ decorre há nove dias e os principais objetivos de treino foram cumpridos, decidiu-se, após avaliação, encerrar as manobras para permitir que as unidades participantes se preparem para possíveis catástrofes”, indicou o comunicado.

O ministério sublinhou que a preparação para catástrofes é “fundamental” para a segurança da população e que, após regressarem às bases, as tropas vão iniciar operações de prevenção e mobilização antecipada de efetivos para responder aos efeitos do tufão.

A Administração Meteorológica Central (CWA) de Taiwan emitiu hoje um alerta terrestre para quatro regiões da ilha, perante a possibilidade de o Champi atingir a costa nordeste nas próximas horas.

O alerta abrange os condados orientais de Yilan, Hualien e Taitung, além de Pingtung, no sul, podendo ser alargado a grande parte do território.

Às 12:15 (05:15 em Lisboa), o tufão encontrava-se a cerca de 500 quilómetros a leste – sudeste do cabo Eluanbi, no extremo sul de Taiwan, com ventos sustentados de 183 quilómetros por hora e rajadas até 227 quilómetros por hora.

Segundo o meteorologista Lin Ping-yu, citado pela agência taiwanesa CNA, a área de ventos fortes do tufão aumentou ligeiramente nas últimas horas.

As previsões apontam para que o sistema atinja a metade oriental de Taiwan ou a península meridional de Hengchun na madrugada de sexta-feira.

O meteorologista advertiu que o tufão poderá abrandar ou mesmo permanecer estacionário ao aproximar-se da ilha, devido ao relevo montanhoso, não sendo de excluir que o centro da tempestade atinja Yilan ou o norte de Hualien.

Entre hoje e sábado, a CWA prevê precipitação acumulada entre 600 e 900 milímetros nas regiões montanhosas do norte, enquanto as zonas montanhosas de Taipé poderão registar até 700 milímetros.

O Champi, que poderá tornar-se o primeiro tufão a atingir diretamente Taiwan este ano, já provocou o cancelamento de dezenas de voos e de cerca de 30 ligações marítimas, além da suspensão das aulas e da atividade laboral nas ilhas Verde e Orquídea, ao largo da costa sudeste.

Na China continental, o ministério dos Recursos Hídricos ativou hoje uma resposta de emergência de nível IV, o mais baixo numa escala de quatro, devido ao risco de inundações em Xangai e nas províncias orientais de Jiangsu, Zhejiang e Fujian.

Segundo as previsões oficiais, as chuvas previstas entre 23 e 25 de outubro poderão provocar subidas significativas dos caudais dos rios da costa oriental, com risco de transbordo em cursos de água de pequena e média dimensão em Zhejiang e de enxurradas em zonas montanhosas.

Em Xangai, as autoridades meteorológicas preveem chuvas intensas entre sexta-feira e domingo, com precipitação acumulada entre 50 e 70 milímetros, que poderá atingir 120 milímetros nas zonas costeiras e 150 milímetros em pontos isolados.

As rajadas de vento poderão ultrapassar os 100 quilómetros por hora na zona portuária de Yangshan.

Os tufões são frequentes nesta região durante o verão e o outono, quando as águas quentes do Pacífico favorecem a formação de ciclones tropicais que podem causar danos significativos e perturbar os transportes e a atividade económica.

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Beyond Vision angaria 28 milhões de euros para escalar produção de drones

A tecnológica portuguesa Beyond Vision, fornecedora registada de drones para a NATO, concluiu uma ronda de investimento de 28 milhões de euros para aumentar a capacidade industrial e acelerar a expansão internacional nos setores da defesa e infraestruturas críticas, anunciou a empresa esta quarta-feira.

A ronda foi co-liderada pela Índico Capital Partners e pela Lince Capital, com reforço de participação da ActiveCap, investidora na empresa desde 2024.

Segundo a Beyond Vision, o capital será aplicado em três frentes: reforço da infraestrutura operacional e escala da produção industrial, aceleração do investimento em Investigação e Desenvolvimento com foco em inteligência artificial e novas funcionalidades da plataforma de gestão em cloud, e consolidação da expansão comercial em novos mercados.

Fundada em 2013 e liderada por Dário Pedro, presidente executivo, e Luís Miguel Campos, chairman, a empresa desenvolve sistemas aéreos não tripulados baseados em algoritmos de IA e plataformas de gestão na cloud. A companhia é fornecedora registada da NATO e participa regularmente em exercícios de defesa europeus, incluindo os exercícios OPEX.

O investimento surge após a empresa ter atingido 150 colaboradores e superado as receitas estimadas para 2025, alargando a carteira de clientes militares e civis em vários países, de acordo com o comunicado.

“O capital angariado nesta ronda será aplicado em diversas áreas. Em primeiro lugar, a Beyond Vision irá reforçar a sua infraestrutura operacional e escalar a capacidade de produção industrial, de forma a dar resposta à crescente procura global por sistemas autónomos”, disse Dário Pedro, CEO da Beyond Vision.

O presidente da Índico Capital Partners, Stephan de Moraes, afirmou que a dependência de tecnologia soberana em setores como defesa e segurança é hoje uma prioridade estratégica, e que a empresa “redefiniu este mercado ao combinar hardware de alta precisão com algoritmos avançados de inteligência artificial a um custo muito competitivo”.

Para Tomás Lavin Peixe, Head of Venture Capital da Lince Capital, a participação reflete a convicção no potencial de um setor em transformação. “O atual contexto geopolítico e o reforço do investimento europeu em defesa estão a criar novas oportunidades para empresas tecnológicas com capacidade de competir internacionalmente”, disse.

A Beyond Vision está sediada em Portugal e opera globalmente no desenvolvimento de sistemas autónomos com arquitetura aberta e modular.

O investimento da Indico VC Fund II na Beyond Vision é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da República Portuguesa, gerido pelo Banco Português de Fomento, com financiamento da União Europeia no âmbito do NextGenerationEU.

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Parlamento da Argentina quer repor limite à venda de terras a estrangeiros

O Parlamento da Argentina avançou com a restituição dos limites à venda de terras a estrangeiros, uma lei que tinha sido revogada pelo Presidente Javier Milei no final de 2023, desencadeando uma longa disputa judicial.

A Câmara dos Deputados – câmara baixa do Congresso da Nação Argentina – aprovou na quarta-feira a restauração da Lei das Terras Rurais, aprovada em 2011.

Isto no âmbito de um projeto de lei, apresentado pelo Governo, que o próprio Executivo decidiu alterar, já após a aprovação no Senado – a câmara alta do Congresso – face a um intenso movimento de protesto popular.

O projeto de lei irá ser novamente enviado ao Senado para votação.

O recuo do Governo foi anunciado em 14 de outubro, face à possibilidade de a oposição conseguir os apoios necessários no Congresso para reverter o plano de desregulação económica de Milei, implementado em 2023, que incluía, entre muitas outras questões, o fim do limite à venda de terras a estrangeiros.

A eliminação das restrições à compra de terrenos rurais por estrangeiros foi inicialmente suspensa por uma providência cautelar proferida por um tribunal de segunda instância em março de 2024.

Em 29 de setembro passado, o Supremo Tribunal reverteu essa decisão judicial e confirmou o decreto de Milei que revoga o limite de 15% previsto na lei.

Mas, em 09 de outubro, após fortes críticas, o Supremo Tribunal voltou a suspender a eliminação das restrições, em resposta a uma ação judicial de 2024 interposta por uma organização ambientalista da Patagónia, no sul da Argentina.

O fim do limite à venda de terras a estrangeiros foi apresentado como parte de uma série de políticas para promover o investimento na Argentina.

Apesar de um clima favorável, em 2025 o investimento direto estrangeiro na Argentina foi o mais baixo entre as principais economias da América Latina, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Segundo a OCDE, a Argentina recebeu, em 2025, 3,13 mil milhões de dólares (2,79 mil milhões de euros) de investimento direto estrangeiro, enquanto o vizinho Brasil atraiu 76,9 mil milhões de dólares (68,4 mil milhões de euros).

Em 02 de outubro, a Argentina anunciou que vai conceder a cidadania aos estrangeiros interessados que invistam no país pelo menos 350 mil dólares (312 mil euros), um programa que entrará em funcionamento no final de 2026.

O programa de obtenção de cidadania em troca de investimento, anunciado pelo governo, propõe “dois mecanismos simples e transparentes”, como realizar “uma contribuição direta e não reembolsável para o Tesouro Nacional de 350 mil dólares ou subscrever um título público de 800 mil dólares criado especificamente” para o efeito, segundo um comunicado oficial.

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Proposta orçamental está entre inércia e transformação, refere bastonário dos Economistas

O bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, considera que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 “está entre a inércia e a transformação”, disse em entrevista ao podcast Lusa Extra.

Para o também ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, existe uma inércia relacionada com a rigidez em torno da elaboração do orçamento, enquanto, diz, a componente transformadora está pouco visível.

“Esta dimensão transformadora de um orçamento, ou seja, estar inserida num projeto de natureza mais ampla, de uma visão mais ampla de médio e longo prazo, tem que ser introduzida”, afirmou o bastonário.

O economista assumiu que “há muita rigidez em torno da elaboração do orçamento”, porque as despesas públicas já estão, em grande parte, afetadas a vários níveis, prestações sociais, vencimentos de funcionários públicos, apoio à educação, e também devido à envolvente externa.

“Há condicionalismos europeus, as regras orçamentais, também introduzem elementos de rigidez muito importantes”, acrescentou.

O orçamento “tem esta componente, sobretudo, muito forte de continuidade e, portanto, tem muitos riscos porque subordina muito ao equilíbrio e propõe-se manter o equilíbrio orçamental e até reforçar ligeiramente o excedente para 2027”, salientou.

Apesar da componente técnica ser forte, há uma série de problemas estruturais que não aparecem no documento, ou apenas de forma indireta, notou, numa altura em que é necessário saber qual é a visão que o país tem para o futuro e para fazer face aos problemas como a questão da habitação.

Há também outras questões como “o atraso em termos das infraestruturas públicas” e “vão-se colocar problemas também de natureza muito profunda, ao nível da própria reforma do ensino, do papel da inteligência artificial, como é que vamos apoiar e vamos incentivar a transformação da estrutura produtiva do país”, enumerou.

Segundo o bastonário, a resposta a estes problemas surge apenas com alguns investimentos que estão programados, ainda que não veja uma coerência de objetivos estratégicos a médio e longo prazo.

Isso “continua a faltar ao país”, defendeu.

No que diz respeito às perspetivas de crescimento económico, disse que “há um certo otimismo”, mas considerou que este, desde que não seja excessivo, é bom, já que transmite particularmente a investidores e consumidores “uma certa confiança” e a economia “também depende disso”.

A proposta de OE2027 prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% no próximo e contas equilibradas este ano e um excedente de 0,1% em 2027.

Quanto à previsão orçamental, disse esperar “que os grandes objetivos, particularmente em matéria de equilíbrio orçamental, sejam concretizados”, já que tal “é importante” para a imagem externa de Portugal.

A proposta orçamental vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro. A votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

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