19h. Habitação. PS disponível para reunião com IL



O líder parlamentar da Iniciativa Liberal (IL) Mário Amorim Lopes alertou, esta quarta-feira, ao Jornal Económico para os “partidos que beneficiam do caos social”, quando falava sobre os problemas em torno da habitação.
Quando confrontado com as declarações do ministro da Defesa, Nuno Melo, que associa protestos da Habitação a “descontrolo absoluto” da imigração, Mário Amorim Lopes respondeu que: “Não ajuda nada misturar vários temas, obviamente que estes protestos também são instrumentalizados, estamos a ver isso a acontecer em França, por exemplo”.
“Não podemos usar isso para perder o foco daquilo que é o essencial, que é: Há um problema na habitação”, referiu o líder liberal acrescentando que podem “surgir uns desordeiros e oportunistas que queiram beneficiar do caos social”. “De facto há partidos que beneficiam do caos social e crescem no meio do caos social”, considerou.
Relativamente ao desafio lançado pela IL aos partidos de se reunirem para abordar o tema da habitação, proposta essa que já foi rejeitada pelo PCP, Mário Amorim Lopes disse acreditar que apesar da rejeição do partido à esquerda, existem “pontos que podiam ajudar o mercado da habitação e que eventualmente podiam ter uma concordância mais alargada”.
“Por exemplo, a questão dos licenciamentos e da desburocratização. Eu creio que nenhum partido possa dizer que concorda que uma Câmara Municipal demore 2 ou 3 anos para aprovar o licenciamento, que muitas vezes abre portas à corrupção”, disse o liberal.
Outro ponto importante, “é a questão da habitação pública”, disse o líder parlamentar. “Não achamos que a habitação pública vá resolver o problema do mercado da habitação”. No entanto, para a IL “faz todo o sentido desenvolver habitação pública, [que atualmente está] muito abaixo daquilo que é a média da Europa e também porque neste momento os promotores imobiliários e construtores estão muito focados num mercado num segmento de luxo onde as margens são maiores”.
Para os liberais “é preciso construir para a classe média que quer comprar um T2 ou T3 a preços que não são de luxo e portanto aqui também podemos ter um entendimento”, referiu Mário Amorim Lopes, que defendeu ser igualmente preciso “perceber porque é que o PS em oito anos não conseguiu construir mais habitação pública”.
“Depois, finalmente a carga fiscal na construção: Se dizemos que a habitação é um direito essencial e é e depois o custo por metro quadrado quase 30 e muitos porcento são impostos, taxas e taxinhas, estamos no fundo a colocar uma parte muito significativa dos custos que depois se reflete também nos preços”, frisou.
Portanto, “também aqui nós podemos e devemos continuar a atuar. Nós pusemos a baixa do IVA para 6% para a construção, o Governo avançou com essa medida, mas muito mais pode ser feito”.
No geral, para a IL se “a ideia se for boa não interessa de quem vem, até poderia vir de um deputado único”. “O problema é uma emergência nacional e requer que coloquemos a politiquice de lado e que façamos política a sério de forma madura”.
Sobre os protestos, Mário Amorim Lopes disse que “por detrás disto tudo há uma reinvindicação legitima”. “Há muitos jovens e não só que de facto não conseguem encontrar uma casa para viver, uma casa para comprar, uma casa para arrendar”.
“Por outro lado, o partido liberal é pelo do cumprimento da lei e da ordem e portanto não podemos acompanhar aquilo que vai para além da manifestação e reinvindicações que são legitimas e que incluem a ocupação de espaço público ilegal. E aliás a destruição de propriedade pública, como aconteceu com a estátua de Dom João IV”, afirmou.


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A presidente da IL anunciou hoje que vai convidar os líderes de todos os partidos com assento parlamentar para uma “conversa aberta e franca” conjunta destinada a encontrar consensos que permitam responder à crise da habitação.
“Nós vamos convidar os líderes partidários dos vários partidos com assento parlamentar a sentarem-se à mesa connosco, para podermos ter uma conversa aberta, franca, com propostas, e tentarmos chegar a consensos”, anunciou Mariana Leitão, em declarações aos jornalistas após uma reunião com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP).
A líder dos liberais disse que o objetivo é encontrar soluções que se tornem “uma realidade o mais depressa possível”, em vez de “processos legislativos que se arrastam durante meses, que muitas vezes acabam por nem sequer ver a luz do dia”.
Questionada sobre se pretende promover reuniões individuais ou um encontro com todos os partidos em simultâneo, Mariana Leitão esclareceu que o objetivo é que “se sentem todos à mesa”, dependendo da disponibilidade das forças políticas.
A presidente da IL identificou “três pilares” para a procura de consensos: “A questão da habitação pública, a questão da simplificação, da desburocratização e a questão da baixa de impostos. Parece-me que nestes três pilares nós conseguimos, certamente, ter uma conversa que dê frutos e chegarmos a consenso em algumas matérias”.
Depois de o Presidente da República, António José Seguro, ter apelado a um entendimento entre o Governo e os partidos da oposição em matéria de habitação, a líder da IL salientou que cabe agora às forças partidárias avançar com propostas.
“É nesse sentido que eu também lancei este convite aos líderes partidários para que se possa discutir o assunto de forma séria, sem questões partidárias, sem questões meramente ideológicas, dogmáticas, o que quer que seja. Pragmatismo, objetividade e o que é que é preciso para resolvermos o problema da habitação no nosso país, porque esta situação não pode continuar”, afirmou.
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O Alojamento Local tornou-se um dos principais alvos do debate sobre a habitação. Mas, enquanto se multiplicam as restrições, continua por resolver a questão essencial: onde estão as casas de que as famílias precisam?
A crise da habitação em Portugal é real. No Algarve, afeta os jovens, as famílias e os trabalhadores que precisam de viver perto dos seus empregos. Mas reconhecer o problema não significa aceitar que limitar o Alojamento Local (AL) seja, por si só, a solução.
Nos últimos anos, o AL tornou-se um dos principais alvos das políticas habitacionais. A ideia é simples: reduzir os alojamentos turísticos fará regressar casas ao mercado residencial e baixar os preços. Mas a realidade é mais complexa.
Lisboa perdeu uma parte significativa dos seus registos de AL nos últimos anos, sem que isso tenha produzido a descida das rendas que muitos esperavam. Este facto não prova que o AL não tenha impacto na habitação; demonstra, isso sim, que cancelar registos não garante, por si só, mais casas disponíveis ou rendas mais acessíveis.
Uma licença cancelada não constrói uma casa, não recupera um imóvel devoluto nem obriga um proprietário a arrendar.
Como tem sido defendido pelo economista Manuel Caldeira Cabral, a crise da habitação é também uma crise de oferta. A falta de construção, os licenciamentos demorados, os custos elevados e os obstáculos à reabilitação dificultam a resposta às necessidades das famílias.
No Algarve, a análise exige ainda mais cuidado. Albufeira não é Faro, Lagos ou um município do interior. As realidades habitacionais variam entre concelhos e até entre freguesias. Precisamos de dados locais que permitam perceber onde existe pressão habitacional, quais as suas causas e que medidas podem produzir resultados.
Também merece reflexão a utilização de apartamentos como escritórios, consultórios, clínicas e outros espaços profissionais. São atividades legítimas, mas importa estudar quantas frações poderiam, legal e tecnicamente, regressar à habitação e se algumas destas atividades poderiam ocupar espaços comerciais devolutos. Não se trata de proibir, mas de avaliar todas as possibilidades de aproveitar melhor o património imobiliário.
Uma política habitacional eficaz deve, por isso, facilitar a construção, acelerar licenciamentos, incentivar a reabilitação e criar condições para aumentar a oferta, incluindo no arrendamento de longa duração.
Uma perspetiva liberal defende a liberdade económica, o respeito pela propriedade privada e um Estado que remova obstáculos desnecessários, em vez de multiplicar restrições sem demonstrar a sua eficácia.
Isto não significa defender um mercado sem regras. Significa exigir que as regras sejam claras, proporcionais e fundamentadas, protegendo o interesse público sem penalizar indiscriminadamente quem investe e cumpre a lei.
Também a discussão europeia sobre a regulação do alojamento de curta duração deve ser conduzida com clareza e proporcionalidade. A ALEP — Associação do Alojamento Local em Portugal — tem levantado preocupações quanto à falta de clareza e aos riscos de restrições desproporcionadas. O impacto do AL deve ser avaliado com dados e medidas adequadas à realidade de cada território, não com soluções uniformes para problemas diferentes.
O turismo é essencial para a economia algarvia, gerando emprego e rendimento para milhares de pessoas e empresas. Defender o turismo não significa ignorar as dificuldades dos residentes. Significa reconhecer que habitação acessível e atividade económica podem e devem coexistir.
Albufeira precisa de conhecer melhor o seu parque habitacional, identificar imóveis devolutos, compreender os obstáculos à construção e à reabilitação e estudar incentivos à disponibilização de casas para arrendamento permanente.
Precisa também de limpar e atualizar os registos de Alojamento Local, identificando estabelecimentos que já não estão em atividade, não dispõem do seguro obrigatório ou não cumprem os requisitos legais. A fiscalização deve ser efetiva e as irregularidades devem ter as consequências legalmente previstas, garantindo os direitos dos titulares.
Esta não é uma posição contra o AL. É uma defesa de um setor mais transparente, profissional e responsável, com condições justas para quem cumpre as suas obrigações.
O objetivo não pode ser simplesmente reduzir o número de alojamentos turísticos. Tem de ser aumentar as possibilidades reais de os residentes encontrarem uma casa onde possam viver.
A crise da habitação não se resolve escolhendo culpados. Resolve-se identificando os problemas, removendo Obstáculos e avaliando as políticas pelos seus resultados.
A minha experiência profissional na gestão de Alojamento Local e a minha ligação à Delegação do Algarve da ALEP permitem-me acompanhar as dificuldades de proprietários e operadores. Essa experiência reforça a importância de ouvir diferentes intervenientes e de tomar decisões baseadas em factos.
No Algarve, a pergunta essencial não é quantas licenças conseguimos cancelar. É quantas casas conseguimos disponibilizar e que condições criamos para que as próximas gerações possam continuar a viver e trabalhar na região.
Menos burocracia. Mais oferta. Regras proporcionais. Liberdade com responsabilidade.
É por aqui que devemos começar.
* Vice-Coordenadora do Núcleo Territorial da Iniciativa Liberal de Albufeira


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