Espanha concentra quase um quarto das posições financeiras de Portugal na Zona euro

Espanha é o principal parceiro financeiro de Portugal, concentrando cerca de um quarto das posições financeiras externas portuguesas perante países da Zona Euro. A relação é, contudo, profundamente assimétrica, conclui um estudo elaborado por economistas do Banco de Portugal e do Banco de Espanha, divulgado esta quinta-feira.
A análise intitulada “Perspectives on Iberian Economic Integration“, apresentada esta tarde num seminário sobre integração económica ibérica, no Banco de Portugal, em Lisboa, assinala que Portugal tem um peso muito mais reduzido nas posições financeiras externas espanholas face ao cenário inverso.
De acordo com os dados citados pelos economistas, no final de 2025, os ativos financeiros portugueses perante Espanha ascendiam a 66,7 mil milhões de euros, enquanto os passivos atingiam 91,4 mil milhões de euros. Estes montantes representavam, respetivamente, 24,1% dos ativos e 23,1% dos passivos portugueses perante a Zona Euro.
Em sentido inverso, Portugal representava apenas 3,7% dos ativos e 1,4% dos passivos espanhóis perante os restantes países da moeda única.
Uma assimetria que ganha especial relevo num dos principais canais de ligação financeira entre os dois países, o setor bancário. De acordo com o estudo, com base em dados relativos à média de 2022 e 2025, Espanha representava 12,6% das exposições externas ponderadas pelo risco do sistema bancário português, constituindo o segundo mercado estrangeiro mais relevante neste indicador, atrás da Polónia.
Em contrapartida, Portugal ocupa o quinto lugar entre os países com maior peso nas exposições externas do sistema bancário espanhol, representando 3,8% do total, atrás do México, do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Brasil.
A diferença é igualmente visível quando se comparam as exposições bancárias antes e depois da ponderação pelo risco. No caso português, o peso de Espanha passa de 5,5% das exposições externas originais para 12,6% das exposições ponderadas pelo risco.

“A proximidade geográfica e a presença de filiais no estrangeiro podem ajudar a explicar a importância das ligações bancárias bilaterais entre Espanha e Portugal”, referem os autores, recordando que estudos anteriores demonstram que o crédito transfronteiriço aumenta com a proximidade geográfica e com a presença de sucursais e filiais no mercado de destino.
Embora a assimetria das exposições relativas espelhe diferenças na distribuição geográfica das carteiras internacionais dos dois sistemas bancários, as diferenças de dimensão também são relevantes para determinar o valor absoluto das exposições bilaterais.
A análise, alerta, contudo que “uma maior concentração das exposições em Portugal não deve ser necessariamente interpretada como um sinal de maior vulnerabilidade financeira”, uma vez que “as implicações sistémicas das exposições bilaterais também dependem do seu valor absoluto, das respetivas características de risco e da capacidade dos bancos para absorver perdas”.
“Além disso, as exposições bancárias no âmbito da União Bancária estão sujeitas a um quadro comum de supervisão e resolução bancária”, vincam. Porém, a importância de Espanha não se limita à banca já que o país vizinho representa 19,7% das posições das empresas não financeiras, pelo que cria um “canal de transmissão financeira assimétrico, mas potencialmente sistémico”.
Paralelamente, Espanha é também o principal parceiro de Portugal em matéria de investimento direto estrangeiro (IDE), tanto em termos de stock de investimento como de número de empresas, enquanto Portugal constitui um destino frequente para os investidores espanhóis, embora o seu peso no investimento direto total de Espanha no estrangeiro continue a ser limitado.

















