
O ativo
Contrato de futuros do Brent. O contrato de referência para o mercado europeu esteve a subir para o valor mais elevado desde finais de abril, impulsionado pelos receios que os EUA voltem a atacar o Irão, depois de os houthis, aliados do Irão no Iémen, terem feito ataques a alvos sauditas.
A escalada das tensões no Golfo sustentou os preços da matéria-prima ao longo da semana, com o contrato de Brent a caminhar para a terceira semana de ganhos, com os preços a cotarem acima dos 117 dólares por barril.
O marco
Os preços do Brent, negociado em Londres e referência para as importações nacionais, seguia a valorizar 3,5% para 117,17 dólares por barril, o que representa o valor mais elevado desde 30 de abril. Já o West Texas Intermediate (WTI), disparava cerca de 3% para 102,56 dólares por barril.
No acumulado da semana o Brent acumula valorização superior a 6%, num momento em que permanece um elevado nível de incerteza em relação ao conflito no Médio Oriente e permanecem receios de quebra de fornecimento, com impacto na oferta de petróleo a nível global.
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A causa
“O sentimento dos mercados continua marcado pelo nervosismo. Embora as notícias sobre a retoma dos esforços de mediação na guerra com o Irão tenham alimentado as esperanças, os ataques dos rebeldes houthis a instalações na Arábia Saudita prosseguem. Há também notícias de que os EUA e Israel estão a planear novos ataques contra o Irão“, sintetiza uma nota do Commerzbank publicada esta sexta-feira, assinada por Barbara Lambrecht, Carsten Fritsch e Norman Liebke.
O presidente norte-americano, Donald Trump, adiantou na quarta-feira que Washington não estava a negociar com o Irão e que algo iria acontecer “dentro de relativamente pouco tempo”. Por outro lado, os houthis continuam a atacar a Arábia Saudita. Devido a estes ataques, o Departamento de Estado dos EUA ordenou a saída de todo o pessoal não essencial do país, enquanto a gigante petrolífera Saudi Aramco ordenou aos funcionários que evacuassem a sua sede em Dhahran e passassem a trabalhar remotamente, na sequência de uma série de ataques dos houthis, apoiados pelo Irão, noticiou a Reuters.
“Os investidores continuam a aumentar o prémio de risco geopolítico associado à escalada do conflito no Golfo Pérsico”, refere Ricardo Evangelista. O CEO da ActivTrades Europe realça que “a referência internacional está a caminho da terceira semana consecutiva de valorização, refletindo as crescentes preocupações com a segurança do abastecimento energético proveniente da região”.
Já os especialistas do Commerzbank notam que há ainda “uma incerteza considerável quanto à quantidade de petróleo físico atualmente disponível no mercado“. “Embora os dados sobre o transporte marítimo disponíveis até 7 de outubro apontem para uma descida significativa dos abastecimentos provenientes da região do Golfo, os dados da Kpler sugerem que, em meados de outubro, os carregamentos tinham praticamente regressado aos níveis anteriores à guerra, apesar do aumento do número de ataques no estreito de Ormuz”, explicam. Por outro lado, acrescentam, “vários países produtores de petróleo da região, mais recentemente o Iraque, anunciaram que as suas exportações de petróleo regressaram aos níveis anteriores à guerra”.
O que esperar a seguir
O desenrolar da guerra no Médio Oriente e a segurança no fornecimento da matéria-prima pelo Estreito de Ormuz vai continuar a determinar a evolução dos preços do petróleo.
“Embora os fluxos de petróleo provenientes do Médio Oriente tenham demonstrado uma relativa resiliência, a possibilidade de uma intensificação, juntamente com as ameaças à navegação através do Estreito de Ormuz e às rotas alternativas de exportação, está a levar os investidores a reavaliar os riscos para a oferta global“, explica Ricardo Evangelista.
O Commerzbank realça que, “neste contexto, os dados sobre as reservas estão a ganhar cada vez mais importância”. “Os dados semanais dos EUA apontam para um ligeiro alívio da situação das reservas comerciais de petróleo bruto. Embora os stocks tenham diminuído nas últimas três semanas, estão apenas 3,5% abaixo do nível habitualmente registado nesta altura do ano”, salientam os especialistas, acrescentando que “esta descida é explicada pela atividade de refinação invulgarmente elevada para a época de outono”.
Dito isto, “uma correção dos preços do petróleo deverá continuar fora de alcance para já. Embora a situação nos mercados físicos esteja a aliviar, as preocupações geopolíticas continuam elevadas”, sustentam os especialistas do Commerzbank.
A frase
A ausência de progressos diplomáticos significativos e a falta de perspetivas realistas de uma solução negociada no curto prazo estão a reforçar as expectativas de um período prolongado de instabilidade. Neste contexto, a evolução dos preços do petróleo está a ser determinada menos pelos atuais níveis de oferta e mais pelo potencial de uma nova escalada das hostilidades.