

A até agora McCann Portugal deu esta quinta-feira origem à Hora Creative World, agência fundada e também liderada por Luís Pereira Santos, CEO da agência desde 2013 e também acionista desde 2016, ano em que concretizou um MBO à agência do então grupo IPG.
A nova identidade recupera as origens da agência, que remontam a 1927, e assinala uma mudança no modelo de negócio, com maior autonomia estratégica, comercial e geográfica, aponta a agência, que mantém os 52 colaboradores.
“A principal mudança está na liberdade de decisão”, explica ao +M Luís Pereira Santos. Enquanto parte de uma rede internacional, a atividade da agência estava condicionada por políticas e orientações globais, tanto ao nível operacional como comercial e geográfico. A independência permite agora definir a própria estratégia, escolher oportunidades de negócio e estabelecer parcerias sem depender de aprovações internacionais, concretiza.
“Podemos responder de forma mais direta às necessidades dos clientes e adaptar a nossa estrutura e oferta à realidade do mercado português”, sublinha o responsável. A mudança não significa começar do zero. “Mantemos a liderança, a equipa de 52 profissionais, o conhecimento acumulado e as relações construídas com os clientes. O que muda é a forma como podemos potenciar tudo isso”, diz.
Hoje, temos liberdade para explorar essas oportunidades, construir novas relações e estabelecer parcerias internacionais.
Luís Pereira Santos assegura que a agência parte de uma trajetória de crescimento. “Entre 2016 e 2025, a receita aumentou 94%, e a operação trabalha, em média, com 25 a 30 marcas por ano”, diz. Para os próximos dois a três anos, a prioridade passa por consolidar a posição no mercado português, reforçar as relações com os clientes atuais e conquistar novas marcas e projetos.
Sem avançar objetivos concretos de faturação ou clientes, Luís Pereira Santos aponta para um crescimento sustentado, assente na conquista de projetos e no desenvolvimento de novas oportunidades. “Não queremos, contudo, que a ambição da Hora seja medida exclusivamente pela faturação ou pela dimensão da equipa. O nosso objetivo é crescer com os projetos certos, continuar a atrair talento e produzir trabalho relevante, que contribua para os negócios dos nossos clientes”, afirma. O CEO antecipa ainda novidades a curto prazo: “Acho que isso vai ficar claro com alguns projetos que já temos nas mãos e que sairão nos próximos quatro a cinco meses”.
A independência abre também a possibilidade de abordar diretamente clientes noutros mercados. A agência já desenvolveu projetos para o Brasil, Vietname, Estados Unidos e Espanha, através de clientes portugueses, mas a integração numa rede internacional, aponta, limitava algumas oportunidades geográficas e comerciais.
“Hoje, temos liberdade para explorar essas oportunidades, construir novas relações e estabelecer parcerias internacionais”, explica Luís Pereira Santos. A ambição não passa necessariamente pela abertura de escritórios no exterior, mas por levar a capacidade estratégica e criativa da agência a outros mercados a partir de Portugal, acrescenta.
Uma agência com raízes em 1927
A nova marca recupera o nome de Manuel Martins da Hora, fundador, em 1927, da agência que está na origem da atual operação. Nesse período, Fernando Pessoa trabalhou como copywriter da agência. Em 1977, a empresa foi comprada pela McCann e, 50 anos depois, regressa a um percurso independente, às portas do centenário das suas origens.
É desta combinação entre história e renovação que nasce a assinatura “a mais antiga nova agência de Portugal”. “Não nascemos ontem. A Hora Creative World nasce de tudo aquilo que construímos até aqui: das pessoas, dos clientes, da experiência e de uma história que completa um século”, afirma Luís Pereira Santos no comunicado de apresentação.
A nova identidade é acompanhada por um posicionamento assente no conceito de Timetellers. A ideia parte da importância do momento em que uma marca comunica, além da mensagem e da execução criativa. “Em comunicação, tão importante como aquilo que uma marca diz é perceber quando, como e durante quanto tempo essa mensagem deve estar presente”, explica o CEO na entrevista ao +M.
A agência organiza a oferta em quatro áreas: Branding & Design, Advertising & Digital, Social & Content e Experiences & Events.
A independência representa assim, defende, uma oportunidade para definir um posicionamento próprio e escolher os mercados e áreas em que pretende competir. “Ser independentes dá-nos maior liberdade para escolher onde queremos competir, que oportunidades queremos explorar e que tipo de agência queremos ser. Mas essa liberdade vem acompanhada de responsabilidade”, conclui o CEO.
Quanto a clientes por alinhamento, o fundador da agora Hora diz que já não existiam na McCann Portugal. “A nossa carteira de clientes foi construída e conquistada localmente, pelo que não existe uma percentagem de negócio dependente desses alinhamentos”.
“Este é, aliás, um dos fatores que nos permitiu avançar para a independência com uma base sólida e com confiança no futuro. Mantemos todos os nossos clientes e contratos, bem como as equipas que asseguram diariamente o trabalho com essas marcas”, conclui.