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10h. Manifestações. CGTP espera grande mobilização

Realizam-se se hoje manifestações em todo o país convocadas pela central sindical. Ainda, Flávio Bolsonaro promete respeitar o resultado da segunda volta das eleições presidenciais no Brasil.

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Donald Trump volta a virar-se para Putin

O Major-General Arnaut Moreira critica a postura de Trump na compra de combustível à Rússia. Afirma também que os negócios não podem esperar pela paz na Ucrânia. 

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Suécia falha nova tentativa para formar Governo

Magdalena Andresson já falhou, duas vezes, a formação de uma coligação. O presidente do Parlamento poderá entregar a formação do Governo ao líder conservador. Se a 4ª tentativa falhar haverá eleições.

© JONAS EKSTROMER/EPA

"Para mim, ficou claro desde os resultados eleitorais que o processo seria complicado e que levaria tempo", afirmou a líder social-democrata
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Joni Mitchell virou americana aos 82 anos só para votar?

A lenda da música tirou a cidadania nos EUA para votar contra Donald Trump. Já a nova porta-voz da Casa Branca não tem carteira de advogada, é acusada de usurpação de funções e ainda foge à Ucrânia.

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Fim da escala 6×1 é a maior mudança na jornada do trabalhador brasileiro desde 1988

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 14 de outubro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da escala 6×1, que estabelecia seis dias de trabalho, com somente uma folga por semana. O novo texto constitucional prevê a redução gradual da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 que a jornada de trabalho no Brasil não sofria uma redução. Foi a Constituição da redemocratização do país que diminuiu para 44 horas a jornada máxima de trabalho semanal que era até então de 48 horas.

A chamada “PEC do fim da 6×1” é uma das principais bandeiras de campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A votação teve 75 votos favoráveis e apenas um contra, o do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente no governo de Jair Bolsonaro. No fim da votação dos dois turnos, os senadores aliados ao governo chegaram a entoar um dos jingles mais famosos da campanha à reeleição de Lula.

A votação em dois turnos no mesmo dia foi viabilizada a partir do requerimento apresentado à Mesa Diretora pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-CE), que conquistou a assinatura de 56 senadores para aprovação do pedido. Partidos de oposição ao governo, como Progressistas (PP) e Partido Liberal (PL), liberaram suas bancadas para votação da PEC. A bancada do Republicanos votou a favor da proposta.

Líder do PT no Senado, Teresa Leitão foi a articuladora da votação da PEC em dois turnos

“Sim, principalmente pelas trabalhadoras, mães atípicas, que serão as mais beneficiadas”, afirmou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), durante a votação. O apoio às mães atípicas é uma das principais bandeiras defendidas pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, que ocupará uma cadeira no Senado Federal no próximo ano.

Na abertura da sessão desta quarta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destacou que cumpriu com sua palavra ao pautar a discussão da PEC. “Nos últimos meses e semanas, afirmei publicamente que a proposta seria pautada depois das eleições. Assumi esse compromisso para que cada senador e senadora pudesse decidir, passada a disputa eleitoral, com liberdade, consciência e convicção. Hoje, nesta sessão deliberativa, cumpro a minha palavra”, declarou Alcolumbre. “Para quem acorda cedo, pega ônibus lotado, cumpre sua jornada e volta para casa no fim do dia, essa é uma mudança gigantesca”, completou.

Em suas redes sociais, o presidente Lula também comemorou a aprovação. “É oficial: a escala 6×1 acabou! Hoje é dia de comemorar uma conquista histórica de milhões de trabalhadores e trabalhadoras. O fim da 6×1 é mais do que uma mudança na jornada. É mais tempo para viver, descansar, estar com a família, acompanhar os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida. Quem trabalha tanto para construir o Brasil também merece ter tempo para viver”, declarou a postagem do presidente na rede social X (antigo Twitter).

Mesmo ausente no Senado, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro também votou, de forma online, a favor da PEC que põe fim à Escala 6×1. Até a última terça-feira, 13 de outubro, o candidato evitou se comprometer com a votação da proposta e defendia como alternativa ao fim da escala 6×1, a inclusão na Constituição do regime de pagamento por hora trabalhada. A mudança ocorreu depois de uma visita ao pai, o ex-presidente, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, condenado pela tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro não se manifestou nas redes sobre o assunto e preferiu publicar um vídeo, na noite desta quarta-feira, defendendo a redução da maioridade penal.

O caminho até a aprovação da PEC

A votação foi pautada após ter sido aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados no dia 27 de maio deste ano. Na ocasião, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou a discussão pelo plenário no mesmo dia em que o parecer do relator, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), foi aprovado na Comissão Especial sobre o tema da Casa Legislativa por 34 votos favoráveis e 4 contrários. Já no plenário, a aprovação do texto veio com 472 votos a favor e 22 contra, no primeiro turno e 461 a 19, no segundo turno.

Apesar de ter sido aprovada pela Câmara em maio, a PEC só voltou a ser discutida no Congresso Nacional cerca de quatro meses depois. A demora inspirou a oposição e o Centrão a desenvolver a proposta de substituir o fim da jornada 6×1 pelo regime de trabalho pago por hora em junho deste ano, como mostrou a Agência Pública. O acordo para retomar a tramitação da PEC ocorreu já no segundo semestre entre o presidente Lula, Alcolumbre e Hugo Motta. Os três se encontraram em 27 de agosto, no Palácio da Alvorada, e indicaram o avanço na tramitação de propostas de interesse do governo, entre elas as PECs da Escala 6×1 e da Segurança Pública, que estavam paradas na Casa Alta.

A reunião ocorreu após meses de afastamento entre o governo federal e Alcolumbre, iniciados quando o Senado rejeitou a indicação por Lula de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, a vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Já como resultado do acordo, na última semana de atividades do Congresso, antes do recesso eleitoral, durante o chamado esforço concentrado, as duas PECs foram deliberadas e aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator da PEC sobre a jornada de trabalho na CCJ, senador Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou todas as emendas apresentadas e não alterou o texto da proposta, como parte da estratégia do governo para que a PEC continuasse caminhando na Casa. Se o relatório fosse alterado por Aziz, a proposta deveria voltar à Câmara para ser novamente analisada pelos deputados.

Aprovada de forma simbólica, apenas quatro senadores registraram seus votos e se posicionaram contra a proposta na Comissão: Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jaime Bagattoli (PL-RO), Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).

Proposta de pagamento por horas trabalhadas

O senador Rogério Marinho, que também é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, apresentou em maio uma PEC que flexibiliza a jornada de trabalho. No lugar do fim da escala 6×1, a proposta defende que o trabalhador possa escolher entre o regime previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou o pagamento por horas trabalhadas, em um regime flexível determinado a partir do acordo entre patrão e empregado. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam pagos proporcionalmente.

Senador Rogério Marinho (PL-RN) é autor da PEC que pretende criar no Brasil o regime de trabalho com pagamento por hora

Apesar de ter afirmado nesta terça-feira, dia 13 de outubro, que votaria no plenário a favor do fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro apoia a PEC apresentada por Marinho. Não à toa, o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou, antes do início da sessão de votação que pode acabar com a escala 6×1, que Flávio deve caminhar com a tramitação da PEC que flexibiliza a jornada de trabalho.

“Queremos redução da jornada de trabalho e liberdade para o trabalhador. Como o governo só quer fazer demagogia eleitoral, votamos o fim da jornada 6×1 e ano que vem aprovamos o pagamento por hora trabalhada”, declarou Sóstenes. A jornalistas, o líder do partido no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), afirmou, também, que o PL vai trabalhar no próximo ano, em um possível governo de Flávio, para mudar o que for aprovado na PEC da 6×1.

Durante a votação, a senadora Teresa Leitão, líder do governo no Senado, chamou atenção para a estratégia da oposição de mudar a pauta. “Tem votos que estão vindo agora [para a PEC do fim da 6×1] para Flávio melhorar na eleição, mas depois esses votos vão mudar na posição de uma nova PEC”, afirmou em referência a “PEC das horas trabalhadas”, de Rogerinho Marinho.

Quando a PEC do fim da escala 6×1 ganhou força?

Apesar de propostas para reduzir a jornada de trabalho terem sido apresentadas no Congresso Nacional desde 1990, a luta pelo fim da escala 6×1 alcançou maior popularidade somente nos últimos três anos, após a repercussão de uma petição pública online organizada pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado pelo atual vereador e deputado federal eleito Ricardo (Rick) Azevedo (PSOL-RJ).

Vereador Rick Azevedo foi o fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) que inspirou a proposta de fim da escala 6×1 no Brasil

Em 2023, antes de entrar na carreira política, Azevedo trabalhava como caixa em uma farmácia no Rio de Janeiro, quando publicou vídeos no TikTok compartilhando sua rotina, com seis dias de trabalho e apenas um de descanso. “Eu não tenho filho, não tenho marido, sou sozinho e não consigo fazer as coisas, imagina quem tem tudo isso e casa para cuidar. A pessoa se doa para a empresa seis dias na semana e só tem um dia para folgar, isso para ganhar um salário mínimo”, declarou em uma das publicações.

Com a viralização dos vídeos, ele criou grupos nos aplicativos de mensagens instantâneas WhatsApp e Telegram que impulsionaram o movimento. Depois de ser catapultado a uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Rick Azevedo chega à Câmara dos Deputados em 2027, após alcançar mais de 190 mil votos nas eleições deste ano.

A jornada de trabalho pode inclusive impactar no direito ao voto, conforme a Agência Pública mostrou nesta reportagem. Depois de acompanhar as dificuldades dos trabalhadores que encaram a escala 6×1 para votarem nas eleições de 2022 e 2024, o Ministério Público do Trabalho (MPT) do Rio Grande do Sul obrigou um grupo de empresas a garantir que os empregados tivessem tempo de votar no primeiro turno das eleições deste ano.

A petição “Por um Brasil que vai além do trabalho: VAT e Ricardo Azevedo na vanguarda da mudança” atingiu quase três milhões de assinaturas, chegando a ser citada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) na justificativa da PEC 8/2025, apresentada por ela e outros parlamentares. A proposta previa o modelo 4×3 de jornada de trabalho.

No texto, Hilton afirma que a alteração “reflete um movimento global em direção a modelos de trabalho mais flexíveis aos trabalhadores, reconhecendo a necessidade de adaptação às novas realidades do mercado de trabalho e às demandas por melhor qualidade de vida dos trabalhadores e de seus familiares”.

A proposta da deputada ganhou tração na Câmara e passou a tramitar junto à PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que defendia a redução de 44 para 36 horas semanais de trabalho. “Todos tentaram impedir que a nossa matéria desse andamento, quando ela foi protocolada na Câmara. Na própria Câmara houve inúmeras tentativas de obstruir, colocar emendas, mudar o tempo de transição que havia sido proposto. Todas as manobras regimentais foram usadas, mas nós conseguimos aprovar com um quórum altíssimo de deputados”, declarou a deputada a jornalistas nesta quarta-feira, 14 de outubro, durante a sessão da 6×1 no Senado.

Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) esteve no Senado e acompanhou a votação da PEC que altera a jornada de trabalho
Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) esteve no Senado e acompanhou a votação da PEC que altera a jornada de trabalho

“Os trabalhadores estão aguardando pelo fim da escala 6×1. E nenhuma manobra feita pelos aliados do Flávio Bolsonaro, inclusive já há apresentação de requerimento para tentar aprovar a PEC das horas trabalhadas [referência a PEC apresentada por Rogério Marinho], e emenda tentando mudar o tempo de transição, mas todas elas também serão derrotadas”, completou.

Com maior projeção após a defesa do fim da escala 6×1, Hilton foi reeleita no pleito de 2026 com mais de 1,5 milhão de votos, alcançando a marca de mulher mais votada da história na Câmara dos Deputados.

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O Rei foi a Ceuta. E agora, Sánchez? — Debate

A visita de Filipe VI a Ceuta destaca gestão de Sánchez na crise migratória. A mês e meio das eleições, o tema regressa à campanha. Entre Ceuta e Maricarmen, qual vai determinar o resultado eleitoral?

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O Rei foi a Ceuta e Ceuta regressou à campanha eleitoral

Ceuta regressou ontem ao primeiro plano político em Espanha na sequência de uma visita real que recordou os acontecimentos de 30 e 31 de Julho e a forma como governo de Sánchez (não) geriu essa crise.

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Kassio reúne campanhas de Lula e Flávio e alerta para alta de ações

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, se reuniu nesta terça-feira (13) com os representantes das campanhas dos candidatos à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Durante o encontro, o presidente demonstrou preocupação com aumento da judicialização das campanhas no TSE. Segundo Kassio, número de processos já supera 200% os do pleito presidencial de 2022, com perspectiva de elevação.

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"Tratamos da judicialização excessiva, buscando entendimento para a diminuição do número de ações no TSE", afirmou.

Após a reunião, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que a campanha de Lula quer colaborar com a redução da judicialização, mas defende que as duas campanhas sejam tratadas da mesma forma.

"Nós temos a postura de colaborar, de impedir a judicialização, de impedir o volume de medidas tomadas, mas isso precede a campanha não ser agredida e que não haja o desequilíbrio da disputa", afirmou.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) e advogada Maria Claudia Bucchianeri participaram da reunião na condição de representantes da campanha de Flávio, mas não falaram com a imprensa.

A reunião com as campanhas ocorreu após o presidente do TSE derrubar a decisão do ministro Vilas Bôas Cuêva, que determinou a suspensão do funcionamento do canal "Exército do Lula" no WhatsApp, atendendo a pedido da campanha de Flávio.

Mais cedo, Kassio liberou o canal após a campanha de Lula registrar o canal no TSE.

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Após deboche de Maurício Mattar, Alexandre Frota expõe: ‘Estendi a mão várias vezes’

Com as discussões do segundo turno das eleições acaloradas, Maurício Mattar e Alexandre Frota causaram na web na última segunda-feira (12). Os dois protagonizaram um desentendimento após o ator supostamente debochar de um vídeo em que o político declara apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Tudo começou quando Mattar reagiu com risadas nos comentários de uma publicação sobre política. “Rindo até 2090”, escreveu ele, acompanhado de muitos emojis. Com isso, o vereador de Cotia, em São Paulo, entendeu como uma provocação ao seu lado na escolha do presidente do Brasil.

Com um print publicado em seus stories, Alexandre Frota lamentou: “Me preocupei com ele quando saiu de casa e não tinha onde morar, morou lá em casa, estendi as mãos pra ele várias vezes, foi um grande parceiro de teatro , juntos fizemos o maior sucesso da TV brasileira, Roque Santeiro, dividimos prato de comida”.

Na sequência, o politico ainda contou que foi o primeiro a chegar ao hospital quando Maurício Mattar sofreu um infarto. No entanto, mesmo com a mágoa, ele garantiu que o carinho permanece e que “nem o Bolsonaro” conseguirá apagar a importância da história entre eles. “A merda do bolsonarismo faz isso, um irmão rir e gargalhar da opção do outro irmão publicamente”, finalizou.

Esclarecimento

Após a repercussão da treta, Maurício Mattar usou suas redes sociais para esclarecer que a reação não se tratava de Frota. “Te amo, meu irmão, você me conhece pra caramba. Eu não estou falando de política, eu não estou rindo de você. Eu estou rindo da cara do Sandro”.

“Você sabe que eu não discuto futebol, religião, política. Respeito todo mundo, convivo bem com todas as tribos, adoro as diferenças, eu acho que é por isso que eu transito com a maior das dignidades em todas as tribos”, desabafou o ator.

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Líder dos social-democratas falha formação de Governo

A líder dos sociais-democratas, que ganhou as eleições de 13 de setembro por uma pequena margem, não conseguiu, à segunda tentativa, criar uma aliança entre os centristas e o partido de esquerda.

© JONAS EKSTROMER/EPA

Confirmada a vitória nas eleições, o presidente do parlamento sueco, Andreas Norlén, encarregou Magdalena Andersson de formar Governo
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Pedro Moura toma posse como novo diretor da PSP

Pedro Moura, que era coordenador-geral da Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros do Sistema de Segurança Interna, toma posse como diretor da PSP numa cerimónia presidida por Montenegro.

© FILIPE AMORIM/LUSA

O maior sindicato da PSP vai pedir uma audiência urgente para transmitir as suas preocupações e apelar a uma melhoria nas condições profissionais
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Extrema-direita em Ceuta e Sánchez vaiado em Madrid

Sánchez foi recebido com vaias ao chegar ao desfile militar na Festa nacional de Espanha. O líder do VOX, não esteve nesta tribuna, mas em Ceuta onde estão os "espanhóis que defenderam a fronteira".

© Ballesteros/EPA

Várias sondagens publicadas esta segunda-feira pela imprensa espanhola, as primeiras feitas após a convocatória de eleições antecipadas, revelam que o Vox é o partido que mais poderá crescer em 29 de novembro
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Vídeo: Erika Hilton comenta possível soltura de Bolsonaro

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) publicou um vídeo nesta quarta-feira (07/10) sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro deixar a prisão. A manifestação ocorreu após o ministro Kassio Nunes Marques afirmar que pretende levar ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente.

No vídeo, Erika afirma que o STF se prepara para analisar a situação de Bolsonaro e questiona a possibilidade de uma decisão durante o período eleitoral. A deputada também citou a atuação de Flávio Bolsonaro no Senado e convocou seus seguidores para uma mobilização política.

Apesar da declaração, o pedido ainda depende da análise e de eventual decisão do STF. A discussão sobre a revisão criminal não significa que Bolsonaro será solto imediatamente.

Vídeo: @hilton_erika

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Vídeo: AtlasIntel aponta empate entre Lula e Flávio no 2º turno

Pesquisa AtlasIntel mostra Lula (PT) com 50,1% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro (PL) com 49,9% em um cenário de segundo turno. O levantamento foi divulgado antes do primeiro turno e registra empate técnico dentro da margem de erro de 1 ponto percentual.

Nos votos totais, Lula aparece com 47,6%, enquanto Flávio soma 47,4%. A pesquisa ouviu 4.945 eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro.

O resultado foi exibido pela RedeTV! nesta quarta-feira (07/10). Durante a reportagem, o comentarista político Melo classificou o cenário como “surpreendente”.

Vídeo: RedeTV

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Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Ao contrário do que apontavam a maioria das pesquisas eleitorais, o primeiro turno das eleições presidenciais terminou com vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 47% a 45% – uma diferença de cerca de 2,3 milhões de votos. Especialistas ouvidos pela Agência Pública afirmam que o resultado se deve a uma oposição pragmática e organizada, que soube capitalizar o discurso antissistema. Além disso, o resultado pode revelar, ainda que de forma contraditória, um desejo do eleitorado por mudança e o cansaço da política – que passou a ser vista como um poço de escândalos, ainda que a maioria não atinja diretamente o governo.

Para eles, o Partido dos Trabalhadores e o lulismo passaram a ser percebidos por parte dos eleitores como o próprio “sistema”, enquanto a direita seria a “renovação” – apesar de Flávio ter sido deputado estadual por quatro mandatos, ser filho de um ex-presidente e representá-lo politicamente. É um processo parecido com o de 2018, quando Jair Bolsonaro se associou a uma candidatura supostamente “antissistema”, apesar de ter exercido cargos políticos nas três décadas anteriores.

“O PT se tornou dominante na presidência ao longo dos últimos 20 anos e, para as últimas gerações, especialmente para quem não presta tanta atenção à política, ele representa a ordem, a institucionalidade e o establishment”, afirma Alex Hochuli, analista político e mestre em sociologia e relações internacionais.

Essa visão explicaria por que os escândalos ligados majoritariamente à direita, como o caso do banco Master, impactaram pouco o resultado das urnas para esse espectro. Como os escândalos geralmente são vistos como falhas do sistema, eles acabam prejudicando o governo também, e de forma mais pesada.

Além disso, o excesso de escândalos também pode ter tirado sensibilidade do público. Em um período de manchetes escandalosas seguidas, as pessoas têm dificuldade para entender o que cada uma delas significa em termos de importância e tende a colocar todos no mesmo saco.

“São tantas novas notícias que ninguém entende o que está acontecendo de verdade. Isso acaba gerando a sensação de que todo mundo é corrupto do mesmo jeito. É uma sensação antissistema que favorece o bolsonarismo, que opera justamente com essa linguagem antissistêmica”, diz Daniela Costanzo, cientista política e pesquisadora do Núcleo Direito e Democracia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Hochuli argumenta que o Brasil vive um contexto de “escandalização permanente” que é despolitizante e reforça o discurso conservador anti-Estado – e isso fere principalmente a esquerda. “Nos últimos 10 anos, o Brasil se tornou o país do escândalo”, afirma.

“Isso faz com que o brasileiro esteja de saco cheio desse tipo de forma de fazer política. A direita diz: ‘vamos esquecer a política, vamos deslegitimar o Estado, vamos diminuir o tamanho do Estado e torná-lo simplesmente uma força de segurança. Vamos apoiar as forças policiais e nada mais do que isso”, ele continua.

Sessão Eleitoral no Distrito Federal neste domingo, 4 de outubro
Sessão Eleitoral no Distrito Federal neste domingo, 4 de outubro

O fardo “PT vs oposição” e a estratégia digital da direita

Nos últimos anos também se consolidou a noção de que as eleições brasileiras são decididas entre o PT e um partido, ou grupo, de oposição a ele – por algum tempo foi o PSDB e, mais recentemente, o bolsonarismo. Com isso, o embate passou a ser visto não mais como de um partido contra o outro, mas sim o PT contra todo o resto. Isso faz com que o peso dos escândalos se torne assimétrico e o partido seja percebido como corresponsável por todos os problemas que afligem o dia a dia do brasileiro.

Soma-se a isso o fato de que o terceiro mandato de Lula foi diferente dos dois primeiros, entre 2002 e 2010. Naquele período, o petista inaugurou programas sociais que se tornaram as suas marcas, como o Bolsa Família e o Prouni. Desta vez, o governo aumentou os já existentes, mas não conseguiu criar outros tão marcantes. Medidas como o fim das bets e as canetas emagrecedoras no SUS teriam chegado atrasadas, e uma pauta que poderia favorecer sua candidatura – o fim da escala 6×1 – não foi aprovada a tempo.

“É evidente que Lula teve mais dificuldades para governar desta vez, com um Congresso mais hostil e num cenário completamente diferente dos anos anteriores”, diz Leandro Torelli, cientista político e coordenador da pós-graduação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante pronunciamento após o 1º turno das eleições, São Paulo
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante pronunciamento após o 1º turno das eleições, São Paulo

Costanzo também aponta que houve uma clara organização tática, institucional e digital da direita, especialmente pelas redes sociais. Para ela, a direita se organizou com alto grau de eficácia principalmente em torno da eleição para o Senado, pelo menos desde 2022, com a pauta de promover o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na Casa, a direita conquistou 80% das vagas que foram renovadas – 43 das 54 cadeiras em disputa.

Por fim, Torelli cita que o resultado eleitoral também é reflexo do fenômeno do voto útil – quando eleitores que votariam em um candidato migram para outro com mais chance de ganhar. Ele avalia que houve uma migração dos votos de eleitores da direita já no primeiro turno – esse movimento costuma ser mais frequente no segundo. Nomes como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) chegaram a pontuar nas pesquisas, mas “desidrataram e parte de seus votos migraram para a candidatura de Flávio Bolsonaro”.

Também pode ter havido o fenômeno do “voto envergonhado” – quando a pessoa evita se posicionar publicamente ou responder pesquisas com o voto que efetivamente vai dar nas urnas. Porém, os analistas frisam que ainda é cedo para validar as hipóteses.

Crises engoliram debate sobre segurança pública nas urnas

Em uma campanha atípica, em que os candidatos que lideravam as pesquisas não debateram nenhuma vez em rede nacional, as grandes estrelas acabaram sendo as narrativas paralelas. Discutimos as festas e orgias que ajudaram um ex-banqueiro a montar uma pirâmide financeira sem precedentes. Tentamos acompanhar as decisões de um Supremo Tribunal Federal (STF) rachado e envolto em escândalos. Falamos até sobre a Nossa Senhora Aparecida. Mas não sobre propostas de governo.

E nem sobre os problemas do Brasil hoje, que costumavam ser a tônica das discussões eleitorais. Segundo uma pesquisa do Instituto Ipsos do último mês, 52% dos brasileiros colocam crime e violência como os maiores motivos de preocupação atualmente.

É um medo crescente e bem fundamentado. A violência como maior preocupação do país subiu nove pontos percentuais desde setembro de 2025. E 40% dos brasileiros sofreram algum tipo de violência nos últimos meses, de acordo com outra pesquisa, a do Datafolha, divulgada em maio. Os crimes mais frequentes, os golpes virtuais, atingiram 15% da população no período pesquisado, o que representa um contingente de mais de 26 milhões de pessoas.

O assunto da segurança ganhou tração no início da campanha com a adesão de candidaturas ao “modelo Bukele” – em referência à política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que levou à prisão um em cada 50 salvadorenhos. Aqui, quase todos os candidatos de direita defenderam o projeto linha-dura.

Flávio Bolsonaro chora na oficialização de sua candidatura em 25 de julho, ao lado da esposa.
Flávio Bolsonaro chora na oficialização de sua candidatura em 25 de julho, ao lado da esposa.

Lula e Flávio também focaram no tema da violência de gênero após a alta alarmante de números de feminicídio que chocaram o Brasil. Esta foi a aposta dos lançamentos das duas candidaturas. Flávio se cercou de mulheres e se emocionou às lágrimas algumas vezes, enquanto dizia ser mais “calmo e moderado” para se diferenciar do pai, Jair, dono de um grande histórico de atos machistas. Já Lula focou em programas voltados às mulheres. “O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim, ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim“, ele disse.

Mas os temas acabaram sendo relegados a um lugar lateral no debate público. “Talvez este tenha sido o processo eleitoral da Nova República [pós-redemocratização] em que menos se discutiu qualquer tema relevante para o país”, avalia Leandro Torelli. “A eleição foi esvaziada sobre temas fundamentais, como a forma como o país vai lidar com a nova política externa dos Estados Unidos, as Big Techs ou as mudanças no mundo do trabalho. O caso do Banco Master ofuscou qualquer debate relevante para o futuro”, continua.

O sumiço das propostas de governo é um reflexo de como as campanhas operam hoje, impulsionadas pelo esforço de produzir engajamento a partir de reações emocionais do público, em vez de debater ideias. Isso significa que as campanhas priorizam narrativas que reforçam o seu ponto de vista e têm potencial para viralizar nas redes sociais. Temas como saúde, educação ou segurança até podem engajar, mas provavelmente não tanto quanto um escândalo fresquinho.

Para especialistas ouvidos pela Agência Pública, esse é um processo que vem se enraizando nas últimas eleições e que reforça uma polarização já consolidada. Ao mesmo tempo em que os algoritmos reafirmam as crenças de eleitores convictos, seja à esquerda ou à direita, o espaço para discussões que poderiam fazer uma pessoa ter outras opiniões se torna cada vez menor.

“Quem é de direita fica na bolha da direita, quem é de esquerda fica na bolha da esquerda”, resume o professor e pesquisador de segurança pública Bruno Konder Comparato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Ninguém vai entrar em um site para olhar programa de governo, comparar propostas. As pessoas, inclusive as próprias equipes de campanha, concentram a propaganda em redes sociais, onde todo debate é fragmentado”, aponta.

Costanzo concorda que dificilmente as discussões saem das bolhas – a não ser para atacar o outro lado. Mas, para ela, mesmo que os métodos antigos de debate continuassem acontecendo, pouca coisa seria diferente na prática.

“Não mudou praticamente nada de 2022 para cá. Se acompanharmos as pesquisas ao longo do tempo, pouca gente que votou no Bolsonaro aprovou o governo Lula, e vice-versa. O eleitorado em disputa é muito pequeno, e isso foi se cristalizando ao longo do tempo. Começa em 2018 e chega em 2026 de um jeito muito definido”, afirma.

Além das posições políticas praticamente gravadas em pedra, há um outro fator que colabora com o quadro geral: a fragmentação da atenção. Em um período de escândalos seguidos, o público tem dificuldade para entender o que cada um deles significa em termos de importância, explica Costanzo.

Segurança: medidas de Flávio não funcionam, às de Lula, falta detalhamento

Quando a segurança pública furou a bolha das redes e apareceu nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, foi de maneira superficial ou ancorada no apelo punitivista, analisam os especialistas. Para eles, as medidas de modo geral carecem de dados qualificados e não apontam soluções claras aos problemas pelos quais os eleitores perdem o sono.

Para Gabriel Sampaio, diretor de Litigância e Incidência da Conectas, ONG de direitos humanos, Lula trouxe uma apresentação mais estratégica para o assunto, abordando a área de forma sistêmica e com foco em medidas preventivas e de cidadania, mais do que na punição do crime em si.

Ele ressalta, porém, que as iniciativas foram apresentadas sem aprofundamento. Ele cita como exemplo uma das principais propostas do candidato petista, de criação do Ministério da Segurança Pública. “Ele propõe uma estratégia de integração de dados com foco em inteligência que é muito interessante, mas não dá mais elementos para entender como essa estratégia se operacionaliza”.

Já no caso de Flávio, o tema foi tratado estritamente pela ótica da repressão: mais policiamento, endurecimento das leis e diminuição da maioridade penal, entre outras medidas alinhadas ao “modelo Bukele”, além de se aproximar dos Estados Unidos ao propor a classificação de PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

“O ponto central da política de segurança de Flávio é o retrocesso na garantia de direitos das pessoas acusadas ou condenadas”, afirma Sampaio. “São formulações punitivistas genéricas que já se comprovaram ineficazes. O Brasil tem uma trajetória de aumento de pena e de redução de direitos ascendentes, e mesmo assim as preocupações da sociedade não se alteraram.”

Flávio Bolsonaro em formatura do curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em setembro deste ano
Flávio Bolsonaro em formatura do curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em setembro deste ano

O Brasil já tem uma das maiores populações carcerárias do mundo. Desde 2000, o número de pessoas presas aumentou 314,5%, segundo o Fórum de Segurança Pública, e deve chegar a 1 milhão de detentos no ano que vem. No entanto, a ressocialização é falha – ao menos um em cada quatro ex-presidiários voltou a cometer crimes, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – e há pouco investimento em investigações – apenas 36% dos homicídios no país esclarecidos, segundo o Instituto Sou da Paz.

Comparato aponta que liberar armas e aumentar o encarceramento também podem ter efeito rebote. A primeira abre espaço para mais homicídios e violência em geral, enquanto a segunda aumenta o número de pessoas em contato com facções criminosas, que dominam os presídios.

Torelli avalia que o tipo de discurso utilizado por Flávio, apesar de “ser bem visto pela população”, tampouco tem o poder de estrangular o crime organizado. “Ele não fala sobre as relações da polícia com o crime organizado, o financiamento e a lavagem de dinheiro, que são pontos fundamentais”, afirma.

Nas duas candidaturas, os especialistas alertam que ainda não foram endereçados de modo substancial problemas como o combate ao crime organizado dentro de estruturas institucionais e a alta da letalidade policial. “As mortes provocadas pelo Estado, por agentes públicos, estão num pico histórico. São mais de 6 mil no último ano. Nós estamos falando em 80% no fator racial contra pessoas negras”, diz Sampaio.

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Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

This article is a partnership with Mother Jones

In May, now-presidential candidate Flávio Bolsonaro, the eldest son of former Brazilian far-right President Jair Bolsonaro, shared on his social media a “leaked” trailer for an upcoming biopic about his father. The “most anticipated movie of the year,” Flávio said then, would depict the story of a “true hero.” In the trailer, which had a “disclosure prohibited” watermark, a wig-wearing Jim Caviezel—the American Hollywood actor perhaps most famous for his role as Jesus in Mel Gibson’s 2004 The Passion of the Christ—plays Bolsonaro, who is serving a 27-year prison sentence under house arrest for a failed coup attempt after his 2022 electoral defeat. 

Director Cyrus Nowrasteh described Dark Horse as a “tense political thriller about power, media, and faith under fire.” The movie’s trailer, which centers on Bolsonaro’s first presidential run and rise to power in 2018, frames the ex-president as “the voice of the people” and a leader who “fought the system” that tried to silence him. It includes a dramatic reenactment of his stabbing during the campaign. “IF YOU CARE ABOUT OUR ELECTIONS,” Caviezel, who is also known for the more recent Sound of Freedom, posted on Instagram earlier this year, “watch my newest film coming out September 11, 2026!” 

The production company behind the movie advertised it on X. “A trailer that circulated online was enough to put The Dark Horse at the center of discussions for months,” says the post in Portuguese. “Now, anticipation continues to grow for one of the most awaited international productions inspired by events that marked Brazil.”

https://twitter.com/GOUPEntertainme/status/2066990326284276175

That September 11 date went by and the movie, which was shot in English, has yet to be released in Brazil; it won’t come out before the first round in a nail-biting presidential race set for Sunday, October 4. These federal elections, which include congressional and gubernatorial  races alongside the presidential contest, have been dogged by accusations of meddling by the Trump administration, prompting incumbent President Luiz Inácio Lula da Silva to send a clear message to the US leader: “Brazil does not fit in anyone’s backyard.” While Dark Horse has not featured as a centerpiece in that conversation, it has certainly had its own share of controversy even before hitting the big screen.

The Brazil-US joint production has become the subject of an ongoing investigation that has sent shockwaves through the presidential campaign of one of the main candidates in a high-stakes, knife-edge election. Brazilian authorities are actively looking into the financing of the movie by a now-disgraced businessman accused of leading one of the biggest bank frauds in the country’s history. That financial scandal involves banker Daniel Vorcaro, former owner of the liquidated Banco Master, who is jailed for alleged fraud in a complex billion-dollar scheme involving worthless credit portfolios. The imbroglio has rocked the 214-million-people nation and thrown the Brazilian Supreme Court into an unprecedented institutional crisis, ensnaring justices, including Alexandre de Moraes—a polarizing figure credited by some with having stopped Bolsonaro’s coup plot and vilified by others for judicial overreach—and high-profile politicians and public officials with alleged ties to Vorcaro.

Among them is Brazilian senator Flávio Bolsonaro, who is cited in the investigation by Brazil’s federal police into the financing of the movie for “possible participation” in alleged crimes involving “money laundering, illicit capital flight, corruption, and other related offenses.” Last May, the Intercept Brasil exposed audio recordings and messages exchanged between Flávio and Vorcaro in which the senator asks the banker for money to fund Dark Horse. Documents from the federal police indicate Flávio was a “direct interlocutor” in negotiating with Vorcaro about the financing of the movie production. 

The bombshell reporting revealed that Flávio, the primary opponent facing off against President Luiz Inácio Lula da Silva, who’s vying for re-election, negotiated a $24-million-dollar investment from Vorcaro. At the time, documents obtained by the Intercept Brasil showed that Vorcaro had made payments for the movie adding up to at least $10.6 million, between February and May 2025; the total has since climbed to $12.3 million, according to the federal police.

In a voice message to Vorcaro from September 2025, Flávio pressed the banker on pending payments, stressing the importance of getting the movie across the finish line. “Imagine us defaulting on Jim Caviezel, on Cyrus [Nowrasteh], these guys, man, hugely renowned in American and global cinema. Man, that would be really bad,” Flávio said in the audio, a transcription of which is cited in the federal police’s inquiry. He added: “Now that we’re in the final stretch, we can’t slip up, we can’t fail to honor the commitments here, because otherwise we lose everything.”

The Bolsonaro camp had high hopes for Dark Horse, originally projected for release three weeks before election day. “We’ll touch the hearts of a lot of people,” congressman Mário Frias, who was involved in the development of the project and is also named in the investigation, told Vorcaro, “and it will be very important for our country.” Ahead of the election, Flávio Bolsonaro, the presidential hopeful, has found himself having to provide explanations. He has dismissed the payments from Vorcaro as “private sponsorship” for a private project, underscoring that no public funds were used in the movie, and denied any wrongdoing.

A $2,000 rental wig for Jim Caviezel

Unsealed court documents state that payment transfers for Dark Horse were made via an intermediary company and processed through the Texas-based Havengate Development Fund managed by a Brazilian lawyer close to Flávio’s brother, Eduardo Bolsonaro, who is self-exiled in the United States since last year following a lawmaker’s request for him to be investigated for allegedly lobbying against Brazil’s national interests. This June, Eduardo, who was stripped of his congressional seat for being absent, was convicted of “coercion” for attempting to secure interference from the Trump administration on Brazil’s internal affairs; he sought to persuade them to impose tariffs on Brazil and sanctions on Brazilian justices to help his father’s case. 

Investigators looking into the origins of the money and its destination have raised the “hypothesis” that Eduardo, who lives in Texas, “directed the management of resources on foreign soil.” They also are investigating whether funds from Havengate may have been used to cover Eduardo’s living expenses, according to multiple reports by Brazilian media outlets. Flávio has maintained that all the resources allocated to the fund went towards the movie production.

On X, Eduardo has denied receiving money from the Texas fund, saying his immigration status wouldn’t have allowed it. (He has recently obtained a green card.) “During my immigration process,” he said, “I explained to the American authorities the whole origin of my assets and I didn’t have any problems.” He added that “all the investments were made in the US because the production was American, with American actors.”

Agência Pública, Brazil’s largest nonprofit newsroom, recently reported on Eduardo’s lavish lifestyle; he resides in a luxury home in Southlake, owns a $43,800 SUV, and travels frequently—20 times in 18 months—including to attend a gala at Trump’s Mar-a-Lago, watch a World Cup match in Miami, and surf in Abu Dhabi. Eduardo has previously explained his financial circumstances by saying he lives off of “passive income.”

The former lawmaker denied having any management role in Dark Horse, but a production contract signed in 2024 and obtained by the Intercept Brasil mentioned the ex-congressman as an executive producer in the movie. In response to the article, Eduardo said that he had signed a contract when the project was still in the early stages and invested $50,000 to get a Hollywood director attached to the movie, but he was later repaid and left the project once other investors were secured. Agência Pública contacted Eduardo’s press team but didn’t hear back before publication.

Go UP Entertainment, the US-based production company behind Dark Horse, is led by Karina Ferreira da Gama and Michael Brian Davis. (Ferreira da Gama and an NGO she directs are the target of a separate inquiry into whether public money was used to finance the movie.) According to an audit commissioned by Go UP, production costs in Brazil were $3.73 million. Costs in the United States amounted to $9.66 million—or more than 70 percent of the movie’s roughly $13-million reported spending. The expenses in the United States, according to the audit, included soft production, pre-production, project development, filming, and post-production. On LinkedIn, a production manager who worked on the movie described it as “the largest-budget feature filmed entirely in Brazil.” 

The movie’s reported expenses have raised eyebrows among industry insiders, who have compared the numbers to those of an Oscar-worthy production. The company spent $2,000 on a rental wig for Caviezel and about $135,000 in hotel accommodation for the star and his agent and security, based on bank statements and invoices provided to the federal police. ”It’s not a film that will be nominated for an Oscar,” Wilson Feitosa, director of the company responsible for the distribution of Dark Horse, told O Globo newspaper. “It won’t be in contention for a nomination, but it has that Hollywood seal of quality.” 

The federal police noted that, even accounting for “complex variables” in estimating the costs of film productions, there was an “apparent mismatch between the projected cost of the production of Dark Horse and the parameters usually practiced in the Brazilian audiovisual market,” saying it warranted further investigation into the “effective allocation of resources” and the purpose of the operation. 

“A nightmare for the Left”

Registered in Florida since 2021, Go UP Entertainment listed, until recently, its place of business as Davis’ home address in Raleigh, North Carolina. In June 2026, the address was changed to a commercial location in the same city. The company’s website only mentions an address in Westlake Village, California. A google search for that address leads to another production company, Damascus Road Productions, focused on “family and faith content.” (Ryan O’Quinn, the president of Damascus Road Productions, has promoted Dark Horse on his social media and is listed on the movie’s IMDb page as a producer. He didn’t respond to an email with questions or return a voicemail message.)

“Go UP Entertainment hereby clarifies that it conducts its business activities and the production of the film Dark Horse in a documented and transparent manner and in compliance with its contractual obligations,” the company said in a statement to the Brazilian magazine Piauí. In an email, Davis declined an interview for this article, saying “we will not provide comments on confidential budgets, private agreements and contracts, or unrelated business matters.”

Go UP’s website, which appears to have been revamped this year, states that the company “was born from the union of two creative forces: Go 7 and UP Tone.” Go 7 seems to be a reference to a different company operated by Davis’ co-partner Ferreira da Gama in Brazil. Go 7, which has reportedly never released a movie or TV production in the country, has its registration status with Ancine—the Brazilian regulatory film agency—listed as “irregular.” (Go UP Entertainment’s status is “regular” and Ancine granted Dark Horse a foreign work registration.)

Uptone Pictures is a self-described “independent film production company” in North Carolina that names the Dark Horse producer, Davis, as founder and executive producer. The movie releases featured on Go UP’s page appear to be examples of Uptone’s previous work. Among them are the 2014 A Long Way Off, a modern-day retelling of the prodigal son parable; Paul’s Promise from 2022, a Christian drama about a “firefighter-turned-pastor” produced and starred by O’Quinn; and the Brazilian-American Destiny Road, based on a book by a televangelist. Uptone Pictures lists Dark Horse as one of its credited productions. On Facebook, the company calls itself “your fixer in Brazil.” 

Davis has Brazilian citizenship and lived in Brazil in the 1980s, where he learned Portuguese and became a São Paulo soccer team fan, before moving to the United States, according to the BBC News Brasil. Besides Go UP Entertainment and Uptone Pictures, he’s linked to several other entertainment businesses in North Carolina, some of which have been dissolved over the years.

Davis has reportedly said that, on the advice of lawyers, he won’t hand over Go UP’s company documents without a judicial order in the United States. The producer wrote in an email to his business partner included in the investigation that “requests from Brazilian authorities involving documents or data under American jurisdiction must be formalized exclusively through the competent diplomatic and international legal cooperation channels.”

Mother Jones emailed Davis a number of questions about his partnership with Ferreira da Gama, the founding of Go UP Entertainment in 2021, and the company’s office addresses. We also asked him for details about the production and budget of Dark Horse, the company’s audit and expenses in the United States, as well as his reason to refuse a federal police’s request for evidence. Finally, the email included questions about Davis’ business history.

In a note, Davis replied that “given Mother Jones’ far-left editorial orientation and the framing of several of your questions, we do not have confidence that our participation would result in a fair and balanced account of Dark Horse.” He wrote that the “inquiry takes a broad, scattershot approach combining questions about the film with historical business affiliations, registered addresses, and other companies.” Davis also said, “several questions” contained “assumptions, speculations, or characterizations that we do not accept,” but didn’t explain what those were.

Meanwhile, select audiences in the United States have already had a sneak peek of Dark Horse. Back in June, Eduardo attended the first public screening of the movie at the Fraud Fighter Summit in Las Vegas. Speaking at a panel, Eduardo suggested the biopic could have a similar enduring impact to Terminator 2. “This movie,” he said, “is going to be a nightmare for the Left.”

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Aprendiz de canalha: o que move Donald Trump

Apesar das muitas artimanhas, Donald Trump não está conseguindo aumentar sua popularidade, que permanece baixa e estagnada. A alta nos preços do petróleo — causada pela guerra dos Estados Unidos contra o Irã, um conflito interminável e sem qualquer estratégia de saída — e as políticas tarifárias de Trump aumentaram significativamente os custos do dia a dia do cidadão comum, independentemente de suas inclinações políticas. Além disso, ele enfrenta a possibilidade real de perder o controle da Câmara dos Representantes nas eleições de 3 de novembro deste ano e, talvez, até mesmo do Senado.

Ainda assim, Trump segue em frente. Ele compreende que, sem seu nome na cédula nas próximas eleições, muitos de seus apoiadores menos fervorosos podem não se dar ao trabalho de votar. Por isso, o presidente dos EUA faz todo o possível para restringir o direito de voto daqueles setores da população com maior probabilidade de votar nos Democratas.

Sua iniciativa mais recente é tentar limitar o uso do voto pelo correio — modalidade utilizada por um terço de todos os eleitores aptos — sob o argumento de que imigrantes não cidadãos podem votar nas eleições dos EUA e de que o processo é vulnerável a fraudes. Nesta semana, a Suprema Corte dos EUA decidirá se Trump pode prosseguir com a tentativa de usar o Serviço Postal dos EUA para definir quem tem direito a receber a cédula de votação pelo correio. Ironicamente, os esforços de Trump podem acabar sendo contraproducentes, uma vez que, até pouco tempo atrás, os republicanos eram mais propensos a votar por correio do que os democratas e os eleitores independentes.

Para mobilizar sua base, Trump convocou uma convenção eleitoral na semana passada, no Texas, estado que tem sido um reduto republicano sólido há décadas. O presidente escolheu Dallas como palco de seu mais recente comício de mobilização em grande parte para fortalecer seu candidato ao Senado, escolhido a dedo: Ken Paxton, o Procurador-Geral do Texas. Em 2023, a Câmara dos Representantes do Texas, de maioria republicana, votou (por 121 votos a 23) a favor do impeachment de Paxton sob acusações de suborno, obstrução à justiça e abuso de confiança pública, embora o Senado do Texas o tenha absolvido das acusações.

Após derrotar de forma avassaladora seu rival John Cornyn — um poderoso senador que cumpre seu quarto mandato — nas primárias republicanas, ele agora enfrenta James Talarico, um jovem e carismático cristão progressista que lidera as pesquisas eleitorais com uma vantagem de vários pontos. Se esses números se confirmarem, uma vitória de Talarico poderá significar o controle democrata do Senado.

Os cheques “sem fundos” de Trump

Aparentemente em pânico com uma possível derrota eleitoral em nível nacional, Trump prometeu emitir um cheque de 5 mil dólares para cada cidadão adulto dos EUA após as eleições de novembro, caso os republicanos mantenham o controle da Câmara e do Senado. Economistas argumentam que isso custaria 1,2 trilhão de dólares e inevitavelmente alimentaria a inflação, além de aumentar o déficit federal.

Além disso, apesar de Trump afirmar que tem o direito legal de emitir os cheques, o Congresso precisaria aprová-los, e alguns políticos republicanos já sinalizam que a proposta poderia não obter votos suficientes no Senado para ser aprovada. Os democratas classificam a proposta como um suborno ilegal, embora decisões recentes da Suprema Corte possam invalidar essa alegação.

Apesar da promessa poder soar bem para apoiadores ingênuos de Trump, jornalistas o questionaram por que não envia o cheque antes das eleições, já que atualmente controla ambas as casas do Congresso, conta com uma Suprema Corte favorável e detém a caneta presidencial para transformar essa medida em lei.

A resposta de Trump tem sido um amontoado de justificativas e inverdades, variando desde a alegação de que os democratas iriam se opor à medida — apesar de os republicanos controlarem o Congresso — até a mentira de que o governo dos EUA recebeu “trilhões de dólares” de sua política tarifária, recursos que poderiam custear os cheques.

Ademais, Trump fez promessas grandiosas semelhantes no passado e jamais as cumpriu. No início de seu segundo mandato, enquanto Elon Musk desmantelava programas governamentais e eliminava empregos de 300 mil funcionários federais, o presidente prometeu distribuir 20% da economia do orçamento federal aos cidadãos americanos. Ele nunca o fez.

No final de 2025, Trump prometeu enviar 2 mil a cada pessoa — exceto àquelas de alta renda — com base nos supostos “trilhões de dólares” que o governo teria arrecadado com tarifas. Isso também nunca aconteceu.

Ao mesmo tempo, Trump continua a utilizar a tática de fazer declarações escandalosas, concebidas, em parte, para desviar a atenção pública de suas vulnerabilidades atuais. Isso envolve oferecer gestos simbólicos vazios, destinados a agradar à sua base de apoio MAGA (do inglês Make America Great Again, Tornar a América Grande Novamente), como renomear o Lago Ontário para Lago América e o estado do Novo México para Nova América. Trump calcula que esses gestos mobilizarão seus apoiadores leais, o que será essencial para evitar uma grande derrota eleitoral em novembro. A estratégia também desvia o foco da mídia de outras ações condenáveis de Trump.

A trajetória de um canalha e seu mentor

Como podemos compreender as manobras de Trump — que parecem tão irracionais e insensatas — senão insistindo que as capacidades mentais do presidente estão em declínio e que sua conexão com a realidade é cada vez mais precária? Na biografia recém-lançada, Canalha Americana: A trajetória sombria de Roy Cohn, de Joe McCarthy a Donald Trump (no inglês, American Scoundrel: Roy Cohn’s Dark Journey from Joe McCarthy to Donald Trump), o biógrafo vencedor do Prêmio Pulitzer, Kai Bird, oferece insights importantes sobre como e por que Trump age da maneira que age.

Roy Cohn (1927-1986) permanece uma figura controversa na história dos EUA. Homossexual que não assumia publicamente sua orientação sexual, ele se envolveu, ainda na casa dos vinte anos, no famoso caso Rosenberg, no qual Julius e Ethel Rosenberg — membros do Partido Comunista dos EUA — foram julgados, condenados e executados por repassar informações à União Soviética sobre o programa de bombas nucleares dos EUA. Posteriormente, ele apoiou as investigações televisadas de 1954 do senador de Minnesota, Joseph McCarthy, sobre a suposta influência comunista nas Forças Armadas dos EUA. Uma característica dessas audiências era o interrogatório agressivo — ou, como alguns diriam, intimidador — por parte de Cohn, o que acabou por desacreditar as ações dele e as de McCarthy.

Cohn tornou-se então advogado de clientes ricos de Nova York, de políticos e de chefes da Máfia. Simultaneamente, manteve laços com os presidentes republicanos Richard Nixon e Ronald Reagan. Ele também se tornou mentor e conselheiro informal de Trump, conversando regularmente com o empresário imobiliário nova-iorquino.

Sob a orientação de Cohn, Trump aprendeu a nunca admitir um erro e a sempre culpar seus adversários por qualquer problema ou irregularidade. Cohn ensinou Trump a evitar o pagamento de dívidas, a ignorar regras tradicionais, a negar a verdade quando fosse inconveniente e a nunca deixar rastros documentais. Ele também mostrou a Trump como manipular a mídia, um talento que Trump aperfeiçoou com os tabloides de Nova York.

Cohn desprezava o movimento LGBT e opunha-se à presença de gays e lésbicas no funcionalismo público e no governo federal. Ele morreu devido a complicações da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a AIDS. A premiada peça de 1991 de Tony Kushner, Anjos na América (Angels in America), incorpora Cohn à trama com maestria. Assombrado por Ethel Rosenberg, ele busca desesperadamente medicamentos para combater a doença.

As comparações entre Cohn e Trump são inúmeras e alarmantes, sugerindo que o atual presidente dos EUA, embora pareça errático, opera com uma estratégia política sofisticada.

Trump emulou a imoralidade e a falta de ética de Cohn, combinando-as com um talento para enganar as pessoas e tirar-lhes dinheiro. Nesse aspecto, ele personifica o vendedor de “elixires milagrosos” do Velho Oeste — figura do século 19 que viajava de cidade em cidade promovendo tônicos inúteis, supostamente capazes de curar todo tipo de enfermidade, do reumatismo à dor de dente. A comercialização, por parte de Trump, de produtos de marca com preços inflacionados — como carnes, vodca, água, gravatas, perfumes, relógios, Bíblias “God Bless the USA”, cards digitais e “Moedas da Vitória” de ouro maciço de uma onça — revela seu talento contínuo para ludibriar consumidores ingênuos.

Um aprendiz de maus hábitos

A sobrinha de Trump, Mary L. Trump — psicóloga clínica e autora do livro de 2020 Demais e Nunca o Suficiente: Como Minha Família Criou o Homem Mais Perigoso do Mundo (Too Much and Never Enough: How My Family Created the World’s Most Dangerous Man) —, oferece perspectivas adicionais sobre a personalidade de Trump que nos ajudam a compreender sua estrutura psicológica.

Segundo Mary Trump, o pai do presidente, Fred Trump Sr., era emocionalmente abusivo. Ele ensinou o filho a nunca demonstrar fraqueza, a mentir, a trapacear, a intimidar os oponentes e a roubar, desde que pudesse sair impune. Ela argumenta que o narcisismo extremo do presidente dos EUA reflete inseguranças profundas e não resolvidas que regem seu mundo emocional. O amor e a admiração que o presidente busca junto a líderes mundiais, segundo ela, servem para compensar a falta de afeto e o sentimento de indignidade, moldados pelos maus-tratos psicológicos impostos por seu pai.

A autopromoção de Trump, personificada por seu reality show de 15 temporadas, O Aprendiz (The Apprentice), criou uma figura imaginária que era, ao mesmo tempo, brilhante nos negócios e implacável nas decisões executivas. Isso também ocultou o fato de que muitos de seus empreendimentos financeiros fracassaram e de que ele declarou falência empresarial quatro vezes.

Para seus apoiadores leais, ele é um irreverente que quebra as regras para tornar o país grande novamente. Até mesmo seus fervorosos apoiadores cristãos evangélicos revelam infidelidades conjugais, relações com profissionais do sexo, fixação por mulheres menores de idade, longa e estreita amizade com Jeffrey Epstein e condenação por agressão sexual.

Eles aderiram ao seu culto e votam.

Resta saber se isso será suficiente para Trump manter o controle do Congresso. Enquanto isso, para a maioria dos residentes dos Estados Unidos que sofrem com o alto custo de vida, o melhor seria não gastar os 5 mil dólares na expectativa de um cheque que jamais chegará pelo correio.

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