A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) espera ter a inteligência artificial (IA) a ajudar os produtores na deteção de erros na rotulagem antes da aprovação na entidade certificadora até final de 2027, foi hoje divulgado.
Em comunicado, a CVRVV explica estar em causa “um projeto pioneiro”, promovido pela pela EVAG – Centro de Estudos da Região dos Vinhos Verdes / Quinta Campos do Lima , em parceria com a CVRVV e o INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, com sede no Porto.
O SMARTLabel – Plataforma Inteligente para a Pré-Validação de Rótulos de Vinhos arrancou em janeiro de 2026 e, “até ao final de 2027, será capaz de ler um rótulo, identificar as menções obrigatórias e assinalar o que está em falta ou apresentado incorretamente”.
A plataforma de inteligência artificial e certificação tem como objetivo “reduzir até 80% o tempo médio de resposta aos produtores, o que se traduz em maior celeridade também para quem exporta”, assinala a CVRVV.
O objetivo é “agilizar processos e a orientar os produtores, detetando os erros mais comuns e acelerando um processo moroso e complexo”, descreve a CVRVV.
“O desenvolvimento dos algoritmos de análise de imagem está a cargo do INESC TEC e a CVRVV contribui com o conhecimento do processo de apreciação e com rótulos reais da Região dos Vinhos Verdes, necessários ao desenvolvimento dos algoritmos, sob coordenação da EVAG – Centro de Estudos da Região dos Vinhos Verdes”, esclarece.
Pedro Carvalho, responsável de projeto no INESC TEC e professor da Universidade do Porto, afirma que a intenção é que os algoritmos de análise de imagem e a inteligência artificial em desenvolvimento “ajudem a CVRVV na sua missão, agilizando os processos e reduzindo overheads [custos indiretos] para os seus peritos, resultando num melhor serviço para os seus associados”.
“Desta forma o conhecimento gerado na investigação transferir-se-á para o mercado, e contribuindo para a economia nacional”, sustenta o docente.
Para a presidente da CVRVV, Dora Simões, está em causa “”um importante passo na otimização do processo de certificação, uma vez que cada garrafa de Vinho Verde certificada passa pela etapa de aprovação da rotulagem”.
De acordo com a responsável, aprovam-se anualmente “mais de 7.000 rótulos” na região.
“Tendo em vista que cada vez há mais referências de vinhos e o número de rótulos para aprovação tem incrementado, estamos muito expectantes quanto ao impacto extremamente positivo que o SMARTLabel terá no dia-a-dia dos produtores e dos técnicos, permitindo-lhes focar apenas na informação fundamental”.
Numa parceria entre o município de Chaves e a Universidade do Minho, Nuno Vaz, presidente da câmara municipal, destacou a importância deste encontro como espaço de aproximação entre ciência, comunidade e território.
“O objetivo passa por valorizar os nossos recursos humanos e qualificar os nossos ativos, sejam empresas, sejam pessoas ou instituições, através do conhecimento”, num evento que de uma forma próxima e informal “permite colocar em diálogo investigadores, professores, jornalistas e outros profissionais”.
O autarca sublinhou que esta partilha é importante para criar novas formas de pensar e encontrar soluções para os desafios atuais. “Conhecimento é errar, mas errar é acrescentar e evoluir naquilo que possam ser novas soluções e novas formas”, sustentou, adiantando que a presença de personalidades reconhecidas do mundo científico e académico representa “qualidade, valor e diversidade” para transmitir conhecimento à comunidade.
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A Universidade do Minho tem 72 cientistas no grupo dos 2% mais citados do mundo ao longo do último ano, segundo um estudo da Universidade de Stanford (EUA) e do grupo editorial Elsevier, foi hoje divulgado pela instituição.
A lista, chamada “World’s Top 2% Scientists 2026”, inclui quase 250 mil investigadores, sendo 1.060 deles ligados a instituições de Portugal. A UMinho surge com 17 unidades representadas e os seus primeiros nomeados na lista global são Natália Cruz-Martins (3.221.º lugar), Paulo Lourenço (5.738.º), Rui L. Reis (7.466.º), Fernando Pacheco-Torgal (9.545.º) e Assunção Flores (12.025.º).
De acordo com a UMinho, o documento apresenta os melhores investigadores do planeta por 20 áreas e 174 disciplinas, considerando o seu índice, o volume de publicações e as citações dos seus trabalhos, segundo dados da base Scopus referentes ao ano de 2025.
Esta lista anual surgiu em 2019, com o objetivo de “criar um repositório público sobre o impacto e a influência dos investigadores no progresso do conhecimento científico e para combater abusos de autocitação”.
Da parte da UMinho, o Centro de Engenharia Biológica aparece com 19 investigadores: António Vicente, Artur Cavaco-Paulo, Carla Manuela Silva, Diana Priscila Pires, Eduardo Gudiña, Hugo Oliveira, José António Teixeira, Joana Azeredo, Lígia Rodrigues, Lúcia Chaves Simões, Luciana Pereira, Lucília Domingues, Luís Melo, Madalena Alves, Miguel Gama, Nuno Cerca, Ricardo N. Pereira, Russell Paterson e Sónia Silva. O Centro de Física tem dez representantes: Carlos Miguel Costa, Filipe Vaz, Frank Nelson Crespilho, João C. Barbosa, José Pedro Silva, José González-Méijome, Nuno Peres, Pedro Libânio Martins, Senentxu Lanceros-Mendez e Vasco Teixeira.
Seguem-se com oito elementos o Grupo 3B’s (Banani Kundu, Miguel Oliveira, Nuno Neves, Rui L. Reis, Sandra Pina, Subhas Kundu, Tiago Silva, Vítor Correlo) e, com seis, o Centro Algoritmi (Anabela Alves, João Luís Afonso, João Varajão, Paulo Cortez, Sandro Pinto, Vitor Monteiro). Já o Centro de Microssistemas Eletromecânicos surge com Filipe Marques, Filipe Samuel Silva, Flávio Bartolomeu, Hélder Puga e Paulo Flores. Da parte do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde estão Agostinho Carvalho, António Salgado, João Espregueira-Mendes, Natália Cruz-Martins e Rui M. Reis.
Com três cientistas aparecem o Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (Andrea Zille, Helena Felgueiras, Raúl Fangueiro), o Centro de Química (Daniela Correia, Renato Gonçalves, Rita Figueira) e o Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Estruturas de Engenharia (Joaquim Barros, Shaghayegh Karimzadeh, Paulo Lourenço).
A lista inclui igualmente Assunção Flores e Rute Santos, do Centro de Investigação em Estudos da Criança, além de Fernando Pacheco-Torgal e Paulo Ribeiro, do Centro de Território, Ambiente e Construção. Juntam-se ainda Ronaldo Sousa (Centro de Biologia Molecular e Ambiental), Beatriz Casais (Centro de Investigação em Gestão, Mercados e Sociedade), Anabela Carvalho (Instituto de Ciências Sociais), José Brilha (Instituto de Ciências da Terra), Loïc Hilliou (Instituto de Polímeros e Compósitos) e Rui A. Lima (Centro de Engenharia Mecânica e Sustentabilidade de Recursos).
O estudo da Universidade de Stanford e da Elsevier apresenta uma segunda lista, de “carreira”, em que da UMinho surgem também Marian Brownell Anderson (Escola de Medicina), José Covas, Júlio Viana (ambos do Instituto de Polímeros e Compósitos), Manuel Filipe Costa, Yuliy Bludov (ambos do Centro de Física) e Wolfram Erlhagen (Centro de Matemática).
A região do Minho deverá receber, em 2027, através das freguesias, um total superior a 57 milhões de euros, segundo a proposta de Orçamento do Estado apresentada pelo Governo e consultada por O MINHO.
O distrito de Braga deverá encaixar um total de 36.832.402 euros, enquanto o de Viana do Castelo verá serem transferidos para as suas freguesias 20.269.197 euros.
Com o maior número de freguesias (65), Barcelos é também o concelho que mais recebe do Orçamento do Estado através deste mecanismo: 5.541.292 euros. Seguem-se Guimarães (5.399.361), Braga (4.314.923) e Famalicão (4.085.535).
No Alto Minho, as freguesias de Ponte de Lima recebem a maior fatia (3.574.260 euros), seguidas das de Viana do Castelo (3.188.380).
Os 24 municípios do Minho vão receber, no total, mais de 667 milhões de euros de transferências do Governo, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027.
De acordo com a proposta do Governo, consultada por O MINHO, Guimarães é o concelho que mais recebe (75,6 milhões), superando Braga (69,8 milhões), Barcelos (67,4 milhões) e Famalicão (59,3 milhões).
No total, o distrito de Braga, através dos seus 14 municípios, deverá receber do Estado, em 2027, um total de 473.626.827 euros.
Já no Alto Minho, Viana do Castelo é quem recebe a maior fatia das transferências do Governo (39,2 milhões), seguida de Ponte de Lima (32,2 milhões) e Arcos de Valdevez (26,5 milhões).
No total, os 10 municípios do Alto Minho deverão receber, em 2027, 193.445.779 euros.
Luís Miguel Loureiro, investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho, foi distinguido pela International Listening Association (ILA) como autor do melhor artigo publicado em 2025 na International Journal of Listening, a principal revista científica mundial de estudos sobre Escuta, foi hoje anunciado.
Em comunicado, a academia minhota explica que o argumento central do artigo laureado desenvolve-se a partir da noção de que, no ecossistema comunicacional contemporâneo, a Escuta se torna, não só, essencial à própria existência da comunicação, mas um imperativo ético, uma vez que a saturação ruidosa do visível, a velocidade e o frenesim da experiência social encapsulam o indivíduo e constituem um bloqueio a uma comunicação que produza significado, diferença e relação com o outro.
O prémio foi atribuído pela primeira vez nos quase 40 anos da International Journal of Listening, editada pela ILA e que faz parte do vasto portefólio de revistas científicas do grupo Routledge/Taylor & Francis. A revista integra o nível mais elevado de indexação Scopus, encontrando-se no primeiro quartil da escala global de referenciação, na área da Comunicação – um dos indicadores mais utilizados na medição da qualidade da ciência produzida à escala global.
O júri do conselho editorial da International Journal of Listening – formado por 40 investigadores de universidades espalhadas pelos cinco continentes, das Américas à Europa, da Oceânia à Ásia e a África – avaliou todos os trabalhos do último ano nesta publicação, destacando “Toward an Understanding of Listening as Ethics”, de Luís Miguel Loureiro, “pelo contributo inovador no avanço da pesquisa em Escuta”.
Ruído bloqueia compreensão da diferença e do outro
O artigo parte da teoria dos sistemas do sociólogo Niklas Luhmann e de duas experiências de silêncio e de ruído, para propor que, num mundo comunicacionalmente afundado no ruído, na intensidade e na aceleração, as práticas de Escuta se tornam decisivas para a própria comunicação. “O problema não é apenas som e informação em demasia, mas um ambiente que fecha o sujeito na sua subjetividade e bloqueia o acesso ao significado dos acontecimentos e à diferença”, nota Luís Miguel Loureiro.
“Escutar deixa de ser um mero complemento da comunicação, para se transformar num ato decisivo, criador da própria instância comunicacional, por isso, um ato com profundas consequências éticas, sociais e políticas, no qual o sujeito-ouvinte é, verdadeiramente um sujeito político, um sujeito de ação ligado ao mundo e ao outro”, diz o autor, citado no comunicado.
Biografia
Luís Miguel Loureiro tem 57 anos e é natural da Gafanha da Nazaré, no distrito de Aveiro. Inicialmente licenciado em Bioquímica, em Coimbra, em 1992, concluiria, vinte anos depois, o doutoramento em Ciências da Comunicação, na UMinho, onde é atualmente professor no Departamento de Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais, sendo diretor da licenciatura em Ciências da Comunicação. Acumula estas funções com as de investigador integrado do CECS e membro da equipa de coordenação do Barómetro para a Qualidade da Informação da UMinho.
Além do trabalho recente na área dos estudos da Escuta, os seus interesses de investigação têm vindo a desenvolver-se em torno da interseção entre jornalismo de guerra e propaganda, ativismo em rede e cultura visual.
Antes da carreira académica, foi jornalista durante três décadas, fundando a Rádio Terra Nova, na Gafanha da Nazaré, e passando depois pelas redações da Rádio Nova, da Rádio Comercial e, principalmente, da RTP, onde foi grande repórter e jornalista de investigação premiado (UNESCO, AMI, SPA). Para manter a ligação ao jornalismo, passou este ano a dirigir, pro-bono, o novo jornal digital De Norte a Sul.
A Câmara de Vila Nova de Cerveira adjudicou à Engigreen, Unipessoal Lda, construtora sediada em Caminha, a obra de requalificação do Centro Escolar de Covas pelo valor de 442.954 euros (mais IVA).
Segundo o contrato público publicado no portal Base.gov, hoje consultado por O MINHO, o prazo de execução é de 180 dias.
A empreitada de requalificação global do Centro Escolar de Covas será paga com 370 mil euros contemplados no orçamento municipal de 2026 e o valor restante no do próximo ano.
“A adjudicação é feita pelo valor de 442.954,92 euros, a que acresce o IVA à taxa legal em vigor. O encargo resultante do presente contrato, no montante de 469.532,22 euros, com o compromisso n.º 1304/2026, de acordo com o previsto no n.º 3 do artigo 5.º da LCPA, na importância de 369.756,62 pelo orçamento do ano de 2026 e no valor de 99.775,60 euros pelo orçamento do ano de 2027 e pela seguinte rubrica da classificação económica do orçamento do Município de Vila Nova de Cerveira, que apresenta a dotação disponível de € 370.265,00 (trezentos e setenta mil e duzentos e sessenta e cinco euros) e de € 100.000,00 (cem mil euros), respetivamente”, pode ler-se no contrato.
O treinador do Famalicão, Carlos Carvalhal, mostrou-se hoje confiante na vitória frente ao Alverca, na segunda-feira, na oitava jornada da I Liga de futebol, embora antecipe um encontro difícil.
“Estudámos bem o adversário. Treinámos, acho que, muito bem”, afirmou o técnico, em conferência de imprensa, sublinhando estar com “muita confiança na equipa e na conquista dos três pontos”.
O técnico descreveu o Alverca como “uma equipa agressiva, jovem, também como o Famalicão”, destacando que defende alto em 4-4-2 e se organiza em 5-4-1 quando recua.
O treinador apelou ainda à “força extra” dos adeptos para superar uma “boa equipa”.
Sobre a interrupção de três semanas do campeonato, classificou-a como “altamente negativa”, tanto para os clubes como para os adeptos, reconhecendo uma quebra na continuidade da evolução da equipa.
“Os clubes não têm receitas, estão praticamente imobilizados. Os jogadores não se valorizam”, sustentou, embora tenha destacado a resposta nos particulares dos futebolistas que permaneceram no clube e o regresso dos internacionais em boas condições.
O técnico confirmou ainda a disponibilidade de Tom van de Looi, recuperado de lesão, e não antecipa grandes alterações no ‘onze’, admitindo ajustes estratégicos.
O Famalicão, 13.º classificado, com sete pontos, recebe o Alverca, 10.º, com oito, na segunda-feira, às 20:15, no Estádio Municipal de Famalicão, no encontro que encerra a oitava jornada da I Liga, com arbitragem de Sérgio Guelho, da associação da Guarda.
Melissa Mattedi, antiga diretora-geral de Turbo e Thermal Technologies da BorgWarner no Brasil, assumiu a direção da fábrica da empresa em Viana do Castelo.
A executiva brasileira iniciou funções no novo cargo em setembro e tornou-se a primeira mulher brasileira a liderar uma planta da BorgWarner na Europa. A unidade de Lanheses, que combina negócios de combustão e eletrificação, é praticamente o dobro do tamanho da operação que Melissa comandava no Brasil.
A fábrica de Viana produz sistemas de recirculação de gases de escape (EGR) e soluções de gestão térmica para veículos eletrificados, como sistemas de aquecimento e arrefecimento de baterias e habitáculo, destinando-se a veículos ligeiros e pesados.
Entre os principais objetivos da nova diretora-geral está a melhoria da eficiência operacional e da rentabilidade da unidade, aplicando uma gestão integrada que aproxime as diferentes áreas da empresa, modelo que já tinha implementado com sucesso no Brasil.
Os restos mortais da beata Alexandrina, conhecida como a “Santinha de Balazar”, foram trasladados este sábado da Igreja Paroquial para o novo Santuário Eucarístico, em Balazar, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto.
A cerimónia, presidida pelo arcebispo de Braga, José Cordeiro, decorreu esta manhã e marca o início das celebrações de inauguração do espaço, que será celebrado amanhã, domingo, às 16h00, pelo núncio apostólico em Portugal, Andrés Carrascosa Coso.
O novo santuário, cujo investimento rondou os 14 milhões de euros, tem capacidade para cerca de 1.800 pessoas sentadas e foi projetado para acolher os cerca de 250 mil peregrinos que anualmente visitam Balazar.
A Embaixada da Índia em Lisboa emitiu esta sexta-feira um comunicado oficial em que condena o que descreve como um caso de “vilificação e discriminação direcionada” contra pessoas de origem indiana, que resultou numa altercação num festival indiano em Odivelas, no passado domingo.
O caso em questão foi provocado pelo ativista de extrema-direita Afonso Gonçalves, que habitualmente invade festas da comunidade indiana em Portugal para fazer vídeos para as redes sociais.
O português, líder do movimento de extrema-direita “Reconquista”, voltou a inserir-se na festa e entrou em confronto com alguns dos participantes, acabando por ter de correr em fuga a alguns elementos da diáspora indiana que o queriam agredir.
Recorde-se que o movimento Reconquista celebrou no passado mês de setembro um encontro com outros apoiantes da extrema-direita no restaurante “O Dragão”, em Famalicão, levando a que o estabelecimento emitisse um comunicado dias depois afirmando a sua neutralidade.
Algumas das ideias radicais do movimento passam por deportar todos os imigrantes e retirar o voto às mulheres, havendo alguns que defendem a prisão de políticos e até a sua morte por enforcamento, como sugeriu recentemente na rede social “X” o Manuel Morgado, um dos apoiantes e orador nos congressos da Reconquista – e que, entretanto, apagou a sua conta naquela rede social.
No comunicado da embaixada indiana, a representação diplomática indiana afirma ter tomado conhecimento do incidente e considera-o “um motivo de preocupação”. Recorda que a Índia tem “uma longa tradição de tolerância e respeito pela diversidade de fés e pontos de vista, evidenciada pela coexistência pacífica de várias religiões e comunidades ao longo da sua história”.
A Embaixada destaca ainda o contributo positivo da diáspora indiana – estimada em mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo – “para o desenvolvimento dos países de acolhimento e para o enriquecimento cultural das sociedades onde reside, incluindo Portugal”.
“Incidentes de ataque injustificado a locais de culto indianos e a pessoas de origem indiana constituem, por isso, motivo de preocupação”, sublinha o texto.
A Embaixada agradece às autoridades portuguesas e expressa a expectativa de que “continuem a garantir a segurança, a dignidade e a proteção da comunidade indiana em Portugal, bem como a prevenir quaisquer formas de discriminação”.
A Associação Empresarial do Minho (AEMinho) considerou hoje que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 é marcada sobretudo pela continuidade, apelando a que essa estabilidade se traduza em alívio fiscal real e em execução.
“A proposta de Orçamento do Estado para 2027 mantém uma trajetória responsável nas contas públicas e contém sinais positivos para famílias e empresas. É, contudo, uma proposta marcada sobretudo pela continuidade. O seu valor dependerá menos dos anúncios e mais da capacidade de produzir alívio fiscal real, investimento produtivo e resultados mensuráveis na economia”, refere a AEMinho, em comunicado.
A associação classifica de “sinais positivos” as previsões de um saldo orçamental de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), de crescimento económico de 2,1% e de redução da dívida pública para 84,5%.
“A AEMinho valoriza a disciplina orçamental e a previsibilidade, que são condições importantes para o investimento. Estes indicadores devem, porém, ser lidos também em termos reais”, assumem os empresários do Minho.
Com uma inflação prevista de 2,3%, “a subida dos preços tende a aumentar a receita fiscal nominal e o próprio PIB nominal”, diz esta associação, sublinhando que um “PIB nominal mais elevado pode melhorar mecanicamente o rácio da dívida sem corresponder, na mesma proporção, a maior produtividade, poder de compra ou capacidade de investimento”.
A AEMinho defende que “este efeito não invalida o esforço de consolidação, mas recomenda prudência na leitura dos resultados”.
Do ponto de vista fiscal, a associação entende que a proposta “altera pouco”.
“Os códigos do IRC, do IVA, do Imposto do Selo e do IMI não sofrem alterações. A atualização dos escalões de IRS em 3,88% é positiva e ajuda a limitar a progressividade fria. Também a taxa geral de IRC prevista para 2027, de 18%, representa uma evolução favorável, embora resulte de uma trajetória anteriormente definida e não de uma reforma introduzida por esta proposta”,avalia a AEMinho.
Para esta associação, o alívio fiscal anunciado deve ser avaliado pelo seu efeito concreto.
“A carga fiscal e contributiva deverá permanecer em 35% do PIB, mantêm-se várias contribuições setoriais e as taxas ambientais aumentam 4%. A ausência de agravamentos generalizados é positiva, mas não equivale a uma redução estrutural da carga fiscal”, adverte a AEMinho.
Nesse sentido, “importa evitar uma ilusão fiscal em que a receita e os rácios melhoram nominalmente, sem que famílias e empresas ganhem capacidade económica real”, referem os empresários do Minho, salientando que “mais faturação nominal também não significa maior rentabilidade quando os custos aumentam”.
A AEMinho vê igualmente como positivo o objetivo de valorização salarial e a manutenção de incentivos associados aos prémios de produtividade e aos aumentos das remunerações.
Contudo, os empresários do Minho defendem que “os salários só podem crescer de forma sustentada quando acompanhados por produtividade, investimento, escala e maior valor acrescentado”.
Esta associação entende que o “Estado deve participar nesse esforço através de menor tributação sobre o trabalho e de condições que permitam às empresas investir, inovar e competir”.
A AEMinho refere também que para o Minho e para o Norte “é essencial que o investimento público seja territorializado”.
“Mobilidade, ligações ferroviárias e rodoviárias, energia, água, áreas de localização empresarial, relação económica com a Galiza e infraestruturas como o PLISAN [Plataforma Logística e Industrial de Salvaterra-As Neves] são fatores concretos de competitividade. A referência ao investimento em todo o território deve traduzir-se em projetos, verbas e calendários”, indica o comunicado.
A AEMinho, presidida por Ramiro Brito, diz que vai acompanhar “de forma construtiva a discussão parlamentar do OE2027, mantendo a exigência quanto aos resultados”.
A comunidade paroquial de S. Mamede de Aldão, em Guimarães, promoveu no passado domingo, uma missa de homenagem e ação de graças ao padre Joaquim Marques da Mota, que se despede após 64 anos como pároco.
Ao longo de todo o seu sacerdócio, o padre Joaquim Marques da Mota, de 87 anos, esteve ao serviço das mesmas duas paróquias, a de S. Mamede de Aldão e a de Mesão Frio. Foi também arcipreste de Guimarães e Vizela durante vários anos.
De acordo com uma nota enviada pela comunidade paroquial de S. Mamede de Aldão, a celebração pretendeu ser “um momento de gratidão e reconhecimento pelo caminho percorrido e pela presença e dedicação do sacerdote ao longo destas seis décadas”.
Para a comunidade, foi motivo de “grande alegria poder prestar-lhe esta homenagem em vida, apesar da tristeza pela sua partida das paróquias”.
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A população quis associar-se em “grande número, num gesto de carinho, respeito e reconhecimento por quem dedicou uma parte tão significativa da sua vida à terra e às suas gentes”.
Foi uma celebração que contou com a presença de todos os movimentos paroquiais, com grande destaque para as crianças da catequese que o presentearam com uma pequena encenação do que foi a sua vida na paróquia. A festa terminou com um convívio no salão paroquial.
Estiveram também presentes os autarcas e ex-autarcas da freguesia de Aldão e o vereador Constantino Veiga, em representação do Município de Guimarães.
Um modelo matemático desenvolvido na Universidade do Minho para explicar como o cérebro representa a passagem do tempo foi laureado com o Prémio de Melhor Artigo na 35.ª Conferência Internacional sobre Redes Neuronais, em Pádua, Itália, anunciou hoje a instituição.
A distinção foi atribuída pela Sociedade Europeia de Redes Neuronais, entre 296 apresentações candidatas.
O trabalho, intitulado “A dynamic neural field model of chronotopic map formation”, foi apresentado por Paulo Barbosa, aluno do 4.º ano do programa doutoral em Matemática Aplicada e investigador do Centro de Matemática da UMinho (CMAT). O estudo envolveu ainda o seu orientador, Wolfram Erlhagen (CMAT), além de Estela Bicho (Centro Algoritmi da UMinho) e Flora Ferreira (Centro de Matemática da Universidade do Porto).
“Estou feliz e grato pelo reconhecimento, porque mostra que a investigação feita em Portugal tem relevância internacional, porque foi atribuído pela comunidade científica num evento de grande prestígio, porque é uma excelente motivação para continuarmos a pesquisa e, a título pessoal, porque sou investigador em início de carreira”, diz o jovem de 28 anos e estudante na Escola de Ciências da UMinho (ECUM), citado em comunicado.
“Mapa do tempo”
“Na prática, desenvolvemos um modelo matemático para explicar como o cérebro consegue sentir a passagem do tempo”, descreve.
A questão é um dos grandes desafios da neurociência, pois não se conhece um órgão sensorial nem um circuito neuronal específico para essa função. O novo estudo centrou-se no “mapa do tempo” no cérebro, chamado cronotótipo. Diferentes grupos de neurónios respondem a diferentes durações, formando uma organização em que intervalos semelhantes estão associados a grupos mais próximos.
Segundo a UMinho, a principal novidade do novo modelo é explicar como diferentes formas de representar o tempo no cérebro podem estar relacionadas.
“Fomos os primeiros a descrever a conversão de um tempo para o outro”, realça Paulo Barbosa.
Esse modelo consegue ainda reproduzir fenómenos observados em experiências com animais, incluindo a adaptação a mudanças nos contextos temporais, e explicar também alguns enviesamentos que surgem quando estimamos intervalos de tempo.
Da neurociência à inteligência artificial
O trabalho faz parte da tese doutoral de Paulo Barbosa sobre plasticidade cerebral, ou seja, as ligações entre neurónios que se modificam e contribuem para comportamentos como a atenção e a tomada de decisão.
A investigação cruza matemática, neurociência, computação, inteligência artificial e robótica. O próximo passo é utilizar estes modelos no desenvolvimento de agentes inteligentes e robôs capazes de lidar com o tempo de forma próxima da humana.
“A perceção do tempo é essencial na interação com ambientes dinâmicos”, sublinha o autor.
O Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Ave aprovou, hoje, por unanimidade, uma proposta de compromisso que manifesta o apoio político dos municípios do Ave ao processo de criação da futura Área Metropolitana do Minho.
Em comunicado, a CIM do Ave explica que “o compromisso prevê a união de esforços e o desenvolvimento dos diálogos institucionais necessários à convergência estratégica, que permita aportar novas ferramentas e novas oportunidades de valorização de toda a região”.
A deliberação expressa ainda “a vontade de trabalhar em conjunto, ultrapassando fronteiras administrativas, para que o Minho tenha uma voz única, forte e representativa junto dos centros de decisão nacionais e europeus”.
Na fundamentação da proposta, o Conselho Intermunicipal sublinha a relevância económica e exportadora do Minho e defende que uma escala de cooperação mais ampla poderá contribuir para a modernização dos territórios e para a melhoria da qualidade de vida das populações.
A posição é assumida pelos oito municípios que integram a CIM do Ave: Cabeceiras de Basto, Fafe, Guimarães, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão e Vizela.
A criação da Área Metropolitana do Minho foi oficialmente lançada a 21 de julho, pelos presidentes das câmaras de Braga e Guimarães.
A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho tem em curso um diagnóstico e caracterização do espólio arqueológico da região, integrado num projeto de valorização cultural que prevê um investimento global superior a 240 mil euros, foi hoje revelado.
Contactada pela agência Lusa, fonte da CIM do Alto Minho, com sede em Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, referiu que o projeto “Habitat Cultural do Alto Minho”, financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte – Norte 2030, tem data de conclusão em junho de 2027.
A iniciativa integra “outras ações de valorização cultural e patrimonial do território”, sendo que a primeira, já em curso, está a ser desenvolvida em articulação com os 10 municípios do Alto Minho, para “proporcionar uma visão global das coleções arqueológicas existentes e criar uma base de conhecimento para apoiar a sua preservação, gestão e futura valorização”.
O diagnóstico “contempla o levantamento e a inventariação do património arqueológico presente nos museus municipais, centros de interpretação e respetivas reservas técnicas, incluindo, quando aplicável, peças depositadas em reservas externas ou noutras entidades de salvaguarda”.
O estudo permitirá caracterizar as coleções, avaliar o seu estado de conservação e as condições de armazenamento e gestão, e identificar necessidades, boas práticas e oportunidades de melhoria, salienta a CIM.
Pedra dos Namorados. Foto: DR
A informação recolhida permitirá igualmente apoiar a atualização e organização da informação no Endovélico, Sistema de Informação e Gestão Arqueológica gerido pelo Património Cultural, contribuindo para uma gestão mais sistemática da informação sobre o património arqueológico do Alto Minho.
O diagnóstico visa ainda “contribuir para a dinamização do Polo Arqueológico do Alto Minho e para o reforço da cooperação entre os municípios no âmbito da gestão e valorização do património arqueológico”.
O polo de arqueologia, que vai ser construído em Viana do Castelo, vai servir os 10 concelhos do Alto Minho, e deverá estar concluído até 2028, num investimento superior a 1,2 milhões de euros.
Anteriormente, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, destacou que a criação do novo polo foi um desafio lançado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) para integrar a rede de polos arqueológicos da região Norte.
Para a CIM do Alto Minho, o conhecimento mais aprofundado e sistematizado deste património permitirá apoiar futuras estratégias de conservação, investigação e valorização, promovendo a sua acessibilidade e fruição pelas comunidades locais e pelo público em geral.
O levantamento exaustivo do espólio arqueológico existente “visa consolidar o Alto Minho como um território de referência cultural, promovendo a sua identidade, alicerçada no património material e imaterial, nas tradições locais, na biodiversidade e na sustentabilidade ambiental”.
O Movimento Não às Minas – Montalegre considerou hoje que “não é aceitável” que a importância estratégica do tungsténio, que se quer explorar na Borralha, “se sobreponha” ao direito das pessoas e à segurança nas próprias aldeias.
O projeto da Mina da Borralha, no concelho de Montalegre, norte de Portugal, foi selecionado pela Comissão Europeia como um dos 46 novos projetos estratégicos para reforçar o abastecimento da União Europeia (UE) em matérias-primas críticas, anunciou hoje a instituição.
“Não é aceitável que a importância estratégica de um recurso mineral se sobreponha ao direito das pessoas e à segurança nas suas próprias aldeias”, afirmou, em comunicado, o Movimento Não às Minas – Montalegre.
E salientou que a classificação pela UE “não pode servir para desvalorizar os riscos sociais, económicos e ambientais que a reativação da exploração representa para a região de Barroso”.
A área de exploração situa-se na freguesia de Salto, no concelho de Montalegre, em plena Reserva da Biosfera Transfronteiriça do Gerês-Xurés pela UNESCO e na região de Barroso, território classificado desde 2018 como Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM).
O movimento referiu que a “exploração mineira ameaça colocar em confronto dois modelos de desenvolvimento: a extração de matérias-primas para abastecer cadeias industriais europeias e a continuidade de uma economia rural construída em torno da agricultura, da pecuária, dos produtos tradicionais e da preservação de um património natural e cultural de valor internacional”.
E destacou a água como uma das preocupações principais, salientando que este “é um risco que ultrapassa os limites da mina”.
“A área do projeto mineiro insere-se num planalto montanhoso, na serra da Cabreira, onde nasce a água de várias bacias hidrográficas, como a do Cávado e a do Ave, que abastecem grande parte do norte do país”, referiu, salientando que a sua “proteção não pode ser tratada como uma questão secundária perante os interesses da exploração mineira”.
A mina da Borralha obteve em janeiro uma Declaração Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionado, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e a concessão está a cargo da Minerália.
A empresa quer explorar tungsténio e propõe uma exploração subterrânea, numa área mineira que esteve ativa até à década de 80 do século passado.
Segundo o movimento, a antiga exploração mineira “deixou uma extensa rede de galerias subterrâneas, num território onde existem preocupações relativas à estabilidade do subsolo e à segurança das povoações próximas, designadamente Paredes, Caniçó e Borralha”.
Referiu ainda que este território tem um “papel central” na produção pecuária do concelho e que a “economia rural que não pode ser sacrificada” e que o Património Agrícola Mundial e a Reserva da Biosfera também “estão em causa”.
“A instalação de uma exploração mineira de grande dimensão, com potenciais efeitos sobre a água, os solos, a paisagem, a pecuária e a economia rural, torna-se incompatível entre o projeto e a salvaguarda deste património, colocando em risco a classificação”, frisou.
Para o movimento, a classificação da Mina da Borralha como projeto estratégico europeu “não deve ser apresentada como uma validação ambiental, social ou territorial da exploração” e, apesar de poder facilitar procedimentos de licenciamento e o acesso a mecanismos de financiamento, não substitui a DIA.
Ao nível da UE, os 16 projetos selecionados estão entre 102 candidaturas recebidas e vão permitir “reforçar a competitividade, aumentar a resiliência e reduzir a dependência de um único fornecedor”, de acordo com Bruxelas.
Na primeira lista de projetos estratégicos ao abrigo do Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, anunciada em 25 de março de 2025, Portugal teve quatro projetos selecionados, três ligados ao lítio e um ao cobre.
Um jovem motociclista ficou ferido na sequência de uma colisão com um automóvel, na Estrada Nacional 103, na freguesia de Salamonde, concelho de Vieira do Minho, na manhã desta sexta-feira.
Ao que O MINHO apurou, a vítima, de 20 anos, jovem foi assistida ainda no local e transportada para o Hospital de Braga pelos Bombeiros Voluntários de Vieira do Minho.
Foto: Joaquim Gomes / O MINHO
O acidente deu-se nas imediações da Casa Florestal de Salamonde e do estaleiro da Pavimogege.
A GNR esteve no local a regularizar a circulação do trânsito e a registar a ocorrência.
Foi então que percebi que vinham dois vultos da capela da Senhora da Serra. Aos poucos, o sorriso do mais novo, antecipando a saudação, fez-me reconhecê-lo. Era um funcionário reformado da Universidade do Minho há cerca de três anos, que trazia o pai amparado no braço.
“Então, Professor, também veio cá em cima?”
“Sim, depois de termos lanchado no Monte das Freitas… mas estou a ver que não somos os únicos com vontade de partir a direção nesta tristeza de acesso ao ponto mais alto do Maranus!”
Ele explicou-me que o pai, com 95 anos, era de Baião e que, sempre que vinha à terra, fosse vindo de Moçambique, fosse vindo depois de Valongo e mais tarde de Barcelos, levava os filhos a sentir que cada pedra do Marão por alguma razão tinha a sua forma.
O nonagenário ia-nos olhando, num misto de sorriso longínquo ou de benevolência paciente. Conhecera, ao que parece, Teixeira de Pascoaes e contava que, quando novo, o vira transfigurar-se para os lados das Minas do Teixo.
“Coisas dele”, dizia-nos o filho, sem sabermos se eram coisas do místico Pascoaes ou daquele homem, de 95 anos, de memórias difusas.
“Pena é como deixam ficar esta estrada”, lamentava-me eu, a pensar no bem que aqueles buracos faziam à direção do carro.
E o funcionário da UMinho, despedindo-se com a felicidade do jubilado, confessou-me:
“Hoje, o meu pai só ainda me disse estas palavras enquanto subíamos, vindos da velhinha Nacional 15 – no meu tempo, as estradas eram piores e vinha mais gente!”
E o jovem, de 95 anos, apontando o quartzito que o meu filho mais velho trazia, ainda nos repetiu “Cada pedra tem a sua forma.”
As empresas da região Norte estão cada vez mais conscientes de que a sustentabilidade é uma questão de gestão e competitividade, mas continuam a enfrentar dificuldades em transformar essa preocupação em estratégia e metas, segundo um estudo hoje divulgado.
As conclusões do trabalho, promovido pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) no âmbito do projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, indicam que 91% das empresas inquiridas consideram a sustentabilidade uma preocupação e 80% entendem que a gestão de ESG (do inglês ‘Environmental, Social and Governance’, relativo a indicadores ambientais, sociais e de governação corporativa) é uma responsabilidade da liderança.
No entanto, apenas 15% afirmam ter objetivos de sustentabilidade definidos para o curto, médio e longo prazo, “evidenciando uma diferença significativa entre a consciência sobre a importância do tema e a sua integração formal na gestão”.
Neste contexto, a AEP vai promover, entre 15 de outubro e 24 de novembro, ações de capacitação dirigidas às micro, pequenas e médias empresas da região Norte para reforçar a sua capacidade de resposta às novas exigências dos mercados, das cadeias de fornecimento e do financiamento, e encararem o ESG “não apenas como uma questão de conformidade, mas como um fator de competitividade, eficiência e acesso a novas oportunidades de negócio”.
O projeto, denominado “Rumo à Prática”, é cofinanciado pela União Europeia através do Programa Regional Norte 2030, sendo as sessões de capacitação – a realizar nas oito sub-regiões do Norte – de participação gratuita.
Do estudo resulta ainda que, quanto menor a dimensão das empresas, maiores são as dificuldades sentidas na integração de estratégias de ESG.
“As microempresas representam mais de 94% do tecido empresarial em todas as sub-regiões do Norte, mas são também as que apresentam maiores dificuldades na formalização de políticas, definição de responsabilidades, monitorização de indicadores e reporte de informação ESG”, conclui.
O trabalho evidencia, contudo, que já foram feitos alguns avanços, nomeadamente ao nível da eficiência energética, gestão de resíduos, saúde e segurança no trabalho, igualdade e formação.
“O desafio está agora em transformar estas práticas, muitas vezes desenvolvidas de forma autónoma ou informal, em sistemas de gestão capazes de medir resultados, estabelecer objetivos e demonstrar desempenho perante clientes, fornecedores, financiadores e outros parceiros”, indica a AEP.
Também limitada é atualmente a integração do ESG nas relações de negócio, com cerca de um terço das empresas a referir nunca solicitar informação ESG aos seus fornecedores e cerca de 30% a nunca utilizar critérios ESG na seleção de fornecedores.
Já do lado dos clientes, 28% das empresas dizem nunca receber pedidos de informação sobre sustentabilidade, enquanto no relacionamento com a banca 36% referem nunca discutir temas ESG e 54% nunca terem sido questionadas sobre esse tipo de informação.