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Governo isola manifestantes e tenta contra-narrativa

20 October 2026 at 21:55
Executivo acredita que manifestantes não têm apoio transversal e que portugueses não querem exageros nas ruas. Tenta lembrar medidas que já adotou e frisar culpas do PS, mas vai sendo abafado.

© OLIVIER HOSLET/EPA

Fim de servidores em possível governo Flávio repercute no Parlamento

20 October 2026 at 21:50
A proposta apresentada pela coordenação econômica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de substituir gradualmente servidores públicos por sistemas de Inteligência Artificial (IA) em vez de realizar novos concursos provocou forte repercussão política e institucional na Bahia. A ideia, defendida pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, prevê o enxugamento da máquina pública ao não repor o fluxo natural de aposentadorias no funcionalismo. A medida, no entanto, encontrou dura resistência entre parlamentares baianos, entidades do setor público e analistas políticos.A controvérsia ganhou força após participação de Daniella Marques no podcast G4, em 30 de setembro, quando questionou a continuidade dos certames: "E aí substitui e faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?", declarou. A economista já vinha sinalizando essa direção desde agosto, em eventos empresariais, defendendo a revisão de carreiras operacionais para reduzir a estrutura do governo federal para 20 a 25 ministérios, ante os 38 atuais.Reação parlamentarA sinalização do fim progressivo dos concursos públicos acendeu o sinal de alerta nas bancadas baianas no Congresso Nacional. O senador Otto Alencar (PSD-BA) classificou as propostas como "vazias" e defendeu a indispensabilidade do concurso público para a manutenção da capacidade técnica do Estado."Servidores de carreira se fazem com concursos públicos. Ninguém nomeia um auditor-fiscal, por exemplo. São cargos que precisam de um certame para que se encontre material humano técnico", pontuou o senador.Na mesma linha, o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) criticou o projeto, afirmando que a medida reflete uma postura de desvalorização do setor público. Para o parlamentar, eventuais gestos de aceno ao eleitorado não passam de estratégia eleitoral."Segue a lógica do desprezo ao serviço público, ao servidor público, sem nenhuma garantia de direitos, com a lógica da privatização das atividades. Mesmo que eles agora tentem afirmar ou fingem que estão comprometidos com serviços públicos, como o SUS e o concurso, a equipe e as pessoas que estão no entorno sabem que isso não é verdade. Cabe reação, cabe denunciar e ficarmos atentos", declarou o deputado. Dados contestadosA proposta também enfrenta contestação sob o aspecto estatístico e operacional. Em 9 de outubro, o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe) publicou um alerta sobre os riscos da medida. Pressionada pela repercussão, Daniella Marques voltou a se manifestar no programa Pânico em 19 de outubro, alegando que suas declarações teriam sido distorcidas, mas sem detalhar quais categorias seriam afetadas ou os critérios para substituição.Os dados utilizados para sustentar o plano foram rebatidos pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). De acordo com o órgão, a taxa real de aposentadorias no Executivo federal gira em torno de 2,7% ao ano — número substancialmente inferior aos 20% sugeridos pela economista, o que fragiliza a projeção e o ritmo da substituição pretendida.A ausência de delimitação sobre quais carreiras seriam atingidas amplia as dúvidas sobre a manutenção de serviços essenciais, como atendimento no INSS, fiscalização, universidades e hospitais públicos, que exigem análise humana, responsabilidade técnica e atendimento presencial.Impacto socioeconômicoSe por um lado o discurso busca acenar ao mercado financeiro com a promessa de rigor fiscal e contenção de gastos, por outro acende um alerta sobre as consequências regionais. O cientista político Cláudio André destaca que, embora a modernização digital seja um processo natural, a eliminação de quadros qualificados pode afetar diretamente a economia do interior do país.De acordo com o analista, o funcionalismo público desempenha um papel fundamental no giro financeiro de dezenas de municípios."Eu vejo que é uma saída muito difícil. Se a gente pensar no impacto social que o serviço público tem na dinâmica das cidades em torno da questão financeira, essa ação pode gerar, inclusive, inequalities e dificuldades econômicas que podem levar a um processo de mais pressão social a médio prazo", avalia Cláudio André, ressaltando que a sociedade deve acompanhar atentamente o desdobramento da pauta.

André Mendonça relata ação de Lula sobre quebra de sigilo de candidatos

20 October 2026 at 21:45
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ficará responsável por analisar o pedido apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que seus sigilos bancário, fiscal e telefônico sejam divulgados, desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial, também autorize a divulgação dos próprios dados.Protocolada nesta terça-feira, 20, a ação foi apresentada após Lula lançar o desafio durante o debate da Band, realizado no último domingo, 18. O presidente pede que as informações sejam tornadas públicas antes da próxima quarta-feira, 21.A solicitação também prevê que a medida alcance familiares e sócios dos dois candidatos à Presidência. Entre as pessoas incluídas está Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que é alvo de investigações da Polícia Federal.A petição estabelece ainda que a autorização abranja empresas ligadas aos candidatos e pessoas que tenham responsabilidade financeira sobre contas bancárias dessas companhias. “Este desafio e autorização também abrangem as pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores, bem como aquelas em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou ‘usuários master'”, diz a petição.Flávio é alvo de investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiroO senador Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Entre os elementos analisados está uma conta bancária vinculada à Alcazar Holding, empresa pertencente ao advogado, na qual Flávio aparecia como “usuário master”.Ao justificar a urgência da divulgação, a ação apresentada ao TSE sustenta que o acesso público às informações deve ocorrer antes do prazo estabelecido para que os eleitores possam conhecer os dados dos dois candidatos.“A divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior à próxima quarta-feira (21.10 2026), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar”, diz a petição enviada ao TSE.

Rangel alerta para riscos da IA no voto eletrónico

20 October 2026 at 21:31
Paulo Rangel defende que a segurança eleitoral "deve ser sempre garantida" e aponta as eleições do Conselho das Comunidades de 2027 como possível teste.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Audição de Pinto Luz sobre TAP aprovada por unanimidade

20 October 2026 at 21:30
O requerimento do Chega foi aprovado na Comissão de Infraestruturas. A data da audição de Miguel Pinto Luz ainda está por definir.

© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A audição para ouvir Miguel Pinto Luz será agendada posteriormente, em data ainda por definir

AR adia eleições dos representantes para Conselho Consultivo da Lusa

20 October 2026 at 21:30

A Assembleia da República vai adiar, novamente, a eleição dos seus representantes para o Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República (CFSIRP) e Conselho Consultivo da Lusa, disse hoje à agência Lusa fonte parlamentar.

 

De acordo com o calendário estabelecido na reunião da conferência de líderes do passado dia 07, as candidaturas dos representantes do Parlamento a estes órgãos externos teriam de dar entrada formal até hoje, o que não vai acontecer. As eleições, por voto secreto, estavam marcadas para o próximo dia 28.

Ao início da tarde, Chega e PS adiantaram à agência Lusa que ainda não tinham concertado ou negociado nomes de candidatos com o maior grupo parlamentar, o PSD. E as negociações envolvendo as principais bancadas parlamentares – PSD, Chega e PS - são consideradas essenciais porque, por exemplo, a lista dos três candidatos ao Conselho de Fiscalização das "secretas" requer uma aprovação por maioria de dois terços dos deputados.

Só no que respeita à atual sessão legislativa, esta é já a segunda vez que as eleições para os órgãos externos são adiadas. Inicialmente, estiveram previstas para o início de outubro, tendo depois sido remarcadas para 28 deste mês. Agora, na próxima reunião da conferência de líderes, terá de ser encontrada uma nova data para estas eleições.

O CFSIRP foi eleito em abril de 2022 e é presidido pela antiga ministra socialista da Administração Interna Constança Urbano de Sousa, integrando também Mário Belo Morgado e Joaquim da Ponte. Este Conselho de Fiscalização das "secretas" portuguesas, de acordo com a lei em vigor, "é composto por três cidadãos de reconhecida idoneidade (…), cujo perfil dê garantias de respeitar, durante o exercício de funções e após a cessação destas, os deveres decorrentes do cargo, nomeadamente os de independência, imparcialidade e discrição".

Os membros do CFSIRP são eleitos pela Assembleia da República "por voto secreto e maioria de dois terços dos deputados presentes, não inferior à maioria dos deputados em efetividade de funções", cabendo-lhes fiscalizar a atividade dos agentes do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e do Serviço de Informações e Segurança (SIS).

Em relação ao Conselho Consultivo da Agência Lusa, de acordo com os estatutos em vigor, cabe ao Parlamento eleger três membros dos 13 elementos desse órgão, "segundo o método da média mais alta de Hondt".

Além destas suas entidades, o Parlamento também terá de escolher os seus representantes em órgãos como o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal, a Entidade Fiscalizadora do Segredo de Estado, o Conselho de Fiscalização da Base de Dados de perfis de ADN e o Conselho Nacional de Ética para as ciências da vida.

A Assembleia da República terá ainda de eleger os membros do Conselho Nacional de Saúde e do Conselho Nacional pela Proteção da Gravidez e dos Cuidados Perinatais.

Leia Também: Habitação: Manifestantes decidem voltar a montar tendas no Rossio

Chega considera rotunda das Pontes de Marchil fundamental para Faro

20 October 2026 at 21:30

O partido diz que a inclusão da obra foi determinante para apoiar o novo empréstimo. A proposta passou com votos do Chega e do PS e abstenção do PSD.

O conteúdo Chega considera rotunda das Pontes de Marchil fundamental para Faro aparece primeiro em Barlavento.

Rangel mostra-se favorável ao regresso de Inglaterra à UE

20 October 2026 at 21:25
O chefe da diplomacia portuguesa reuniu-se com Ed Miliband e deixou um aviso: sem cumprir critérios e obrigações, Londres não pode escolher vantagens da UE "à la carte".

© RODRIGO ANTUNES/LUSA

O ministro adiantou que Ed Miliband, o ministro dos negócios estrangeiros britânico, deverá visitar Lisboa no primeiro semestre de 2027

André Janones recebe alta e deixa hospital em São Paulo

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O deputado federal André Janones (Rede-MG) recebeu alta na tarde desta terça-feira (20) e deixou o Hospital Vila Nova Star, na capital paulista.

O parlamentar estava internado desde a madrugada desta segunda-feira (19), em razão de uma arritmia cardíaca. 

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Antes da hospitalização, o deputado federal havia acompanhado o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), na noite de domingo (18), na Rede Bandeirantes.

O deputado coordena o canal Exército do Lula, criado por ele para reforçar a campanha do presidente à reeleição. O canal tem mais de 5,6 milhões de seguidores.

“Eu tenho que trabalhar nessa reta final, não deixar de me alimentar, de me hidratar. Mas, pelo que eu sei até aqui, não foi nada grave, nada que eu precise ter algum cuidado redobrado. E eu volto com força máxima ainda. A gente fez realmente uma revolução digital no nosso país”, disse Janones ao deixar o hospital.

Eleições: saiba quais documentos são aceitos para votar no 2° turno

20 October 2026 at 21:00

Logo Agência Brasil

No domingo (25), os 158 milhões de brasileiros deverão retornar às urnas para o segundo turno das Eleições Gerais. Além do cargo de presidente da República, em cinco estados e o Distrito Federal terão disputa para governador. Para ter direito a votar, o eleitor deve comparecer a uma das 499 mil seções eleitorais e apresentar um documento oficial com foto.  

São aceitos como documento de identificação, inclusive em formato digital: 

  • e-Título (desde que apareça a foto do eleitor no aplicativo) 
  • carteira de identidade 
  • identidade social 
  • passaporte 
  • carteira de categoria profissional reconhecida por lei 
  • certificado de reservista 
  • carteira de trabalho física 
  • Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

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Os documentos oficiais com foto podem ser utilizados mesmo que estejam vencidos, desde que permitam a identificação do eleitor. 

As certidões de nascimento ou de casamento não valem como prova de identidade na hora de votar. 

É possível votar sem o título de eleitor? 

Sim. Documentos oficiais com foto, físicos ou digitais, serão aceito para identificação.  

No entanto, para votar apresentando somente o e-Título, disponível nas plataformas iOS ou Android, é preciso que o aplicativo contenha a foto do eleitor.  

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Eleitor sem biometria pode votar no segundo turno das eleições

 

 

 

Flávio recusa desafio de Lula e decide não divulgar sigilos bancários e telefônicos

20 October 2026 at 20:51
A tentativa de levar a disputa pela transparência patrimonial para os últimos dias da campanha presidencial não deve contar com a adesão de Flávio Bolsonaro (PL). O senador, que disputa a Presidência da República, decidiu não aceitar a proposta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tornar públicos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos e de seus familiares.A decisão foi confirmada nesta terça-feira, 20, por aliados do parlamentar. Dentro da campanha, a iniciativa do presidente é interpretada como uma “armadilha” eleitoral, diante da proximidade do segundo turno, marcado para domingo, 25.“Lula não vai ter esse gostinho”, afirmou um integrante da campanha de Flávio, ao justificar a decisão de não aderir ao desafio.O grupo do senador avalia que uma eventual divulgação de documentos a poucos dias da votação poderia abrir novas frentes de contestação, sem tempo hábil para investigações aprofundadas. A campanha também considera que aceitar a proposta deslocaria o debate para um terreno escolhido pelo adversário.Lula condiciona divulgação à adesão de FlávioO presidente formalizou nesta terça-feira um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para abrir seus sigilos e os de integrantes de sua família. A solicitação estabelece que a medida também seja adotada pelo senador e por seus parentes.A proposta prevê a divulgação de informações referentes aos oito anos anteriores. Entre os registros contemplados estão declarações de Imposto de Renda, movimentações financeiras, patrimônio, rendimentos, dívidas e dados telefônicos.O alcance do pedido inclui pessoas próximas aos dois presidenciáveis. No caso de Lula, são citados a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e os filhos Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; Lurian Cordeiro Lula da Silva; Marcos Cláudio Lula da Silva; Sandro Luís Lula da Silva; e Luís Cláudio Lula da Silva.A relação apresentada para Flávio abrange a mulher dele, Fernanda Bolsonaro, os pais Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro. O documento também menciona empresas ligadas ao senador e a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. O advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, aparece como sócio da empresa.A abertura de informações pertencentes aos familiares, porém, depende da autorização dos próprios titulares ou de determinação judicial.Debate na Band desencadeou disputa sobre sigilosA proposta surgiu no confronto entre Lula e Flávio durante o debate presidencial da Band, no domingo, 18. Na ocasião, os dois candidatos trocaram acusações envolvendo pessoas próximas a cada um.Lula questionou o senador sobre suas relações com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Flávio, por sua vez, levantou suspeitas envolvendo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger.Foi nesse contexto que o presidente propôs a divulgação dos dados dos candidatos e de seus familiares antes da votação. Flávio disse, durante o encontro, que não tinha nada a esconder, mas não se comprometeu a autorizar a abertura dos registros.A cobrança continuou na segunda-feira, 19, quando Lula participou de um ato de campanha em Porto Alegre. Na ocasião, o petista voltou ao assunto e anunciou que encaminharia o pedido à Justiça Eleitoral.Novo confronto pode ocorrer na sexta-feiraA discussão sobre os sigilos se tornou mais um ponto de divergência entre as campanhas na reta final do segundo turno. Aliados de Lula consideram que a negativa de Flávio pode ter repercussão eleitoral, enquanto o grupo do senador sustenta que não há tempo suficiente para que uma eventual divulgação produza apurações aprofundadas antes de domingo.O tema poderá reaparecer no próximo debate entre os presidenciáveis, previsto para sexta-feira, 23, na TV Globo.

PCP acusa Carlos Moedas de apoiar interesses do imobiliário em Lisboa

20 October 2026 at 20:44

O PCP acusou hoje o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), de falhar na resposta à crise da habitação e afirmou que "não é incompetência, é projeto" de apoio aos interesses do imobiliário e do turismo.

 

"Mais do que falhar na resposta à crise da habitação, [Carlos Moedas] assumiu uma opção clara ao lado das políticas de mercado. Não é incompetência, é projeto. Apoia, com as suas medidas, uma lógica em que os interesses do imobiliário e do turismo moldam a cidade para extrair dela o máximo rendimento, fazendo com que o direito a viver em Lisboa dependa apenas da capacidade financeira de cada um", criticou a deputada do PCP Sofia Lisboa, na reunião da Assembleia Municipal (AML).

A autarca comunista falava no âmbito do debate sobre o estado da cidade, que se realiza anualmente, tendo este sido o primeiro do segundo mandato de Carlos Moedas como presidente da Câmara de Lisboa e em que o autarca social-democrata assegurou que a habitação é uma prioridade.

Contestando as opções da governação PSD/CDS-PP/IL, Sofia Lisboa reforçou a oposição quanto à devolução de IRS aos munícipes, frisando que beneficia sobretudo "os mais ricos", com a autarquia a abdicar de "cerca de 90 milhões de euros em 2026", valor que o PCP considera que deveria responder aos problemas da cidade.

"Vivemos uma gravíssima crise habitacional. Lisboa está a expulsar as suas populações. […] Os preços das casas e das rendas tornaram-se incomportáveis para uma grande parte da população", realçou a eleita do PCP.

Solidarizando-se com os milhares de manifestantes que têm protestado nos últimos dias pelo direito à habitação, Sofia Lisboa considerou "incompreensível a diferença entre a rapidez com que se executam despejos e a lentidão com que se disponibilizam casas para quem delas precisa".

Sobre a intervenção policial nas recentes manifestações em Lisboa e no Porto, a deputada advertiu que "não é com bastonadas" que se resolve a crise da habitação, mas sim "com respostas que sirvam às pessoas e não o especulador".

"Pelo que faz e deixa por fazer, esta maioria [PSD/CDS-PP/IL] deixa claro de que lado está, não do lado de quem precisa de uma casa, mas do lado de quem vê na crise da habitação uma oportunidade ainda maior de negócio", declarou a comunista, lamentado a falta de uso de milhares de imóveis devolutos na cidade e a venda de terrenos municipais em hasta pública.

Para o PCP, a crise em Lisboa "não é uma fatalidade", mas sim o resultado de escolhas políticas de PSD/CDS-PP/IL, bem como do PS, apontando como "exemplo dramático" a concessão do Quartel da Graça para um hotel.

Intervindo com 't-shirts' brancas com uma mensagem de luta pelo direito à habitação, os deputados do BE e do Livre reforçaram a necessidade de responder à crise habitacional em Lisboa.

A deputada do BE Joana Teixeira criticou a intervenção policial na "manifestação pacífica" em Lisboa, referindo que os manifestantes "não incomodavam ninguém a não ser o Governo e o executivo camarário": "Dizem que não querem que a praça seja um parque de campismo para quem precisa de casa, mas estão muito confortáveis em fazer dela um parque de diversões."

Já João Monteiro, do Livre, avisou que o governo de Lisboa "não serve para proteger o lucro especulativo dos fundos de investimento em prejuízo dos direitos da população", e frisou que são urgentes soluções, como o uso de imóveis devolutos.

Também Cláudia Madeira, do PEV, manifestou solidariedade com as manifestações, referindo que a governação de Moedas tem "demasiadas promessas por cumprir, projetos adiados e problemas que persistem ou se agravaram".

Do PAN, António Morgado Valente frisou que Lisboa precisa de uma política de habitação centrada nas pessoas, que controle a especulação, que combata o alojamento local ilegal e que "impeça que a habitação continue a ser tratada como um ativo financeiro e não como um direito".

A social-democrata Liliana Fidalgo comparou as governações socialistas com as de Moedas, exemplificando com o anúncio de Fernando Medina (PS) para 14 novas unidades de saúde até 2020, mas em maio de 2021 apenas uma estava em funcionamento. "É a partir desta diferença, entre anunciar e concretizar, que devemos discutir o estado da cidade", afirmou.

Carla Rothes (PS) respondeu que "quem tem as rédeas da cidade há meia década já teve tempo de sobra para mudar o destino" e o rumo das políticas, considerando que "insistir no passado é admitir a incapacidade para gerir o presente".

A socialista acusou a liderança de Moedas de sofrer de uma condição psicológica em que "os governantes se deitam no divã municipal apenas para fazer uma coisa, que é culpar o ex", levando a um protesto da eleita do Chega Margarida Bentes Penedo, alegando que a deputada do PS tinha chamado "doentes mentais" a grande parte dos autarcas.

Rothes vincou ainda que, ao contrário do que a direita tem dito sobre as alegadas poucas casas entregues nas governações PS, a diferença é, na realidade, de apenas menos 60 casas do que desde 2021, sendo que o PS não usufruiu de 500 milhões de euros de fundos comunitários.

No momento em que a deputada dizia "imaginem o que faríamos se tivéssemos 500 milhões", o deputado Luís Pereira Nunes, do Chega, afirmou da bancada: "roubavam mais".

Isto motivou um aviso do presidente da AML, André Moz Caldas, assegurando que na próxima vez que o deputado proferir difamações será feita participação criminal.

Da IL, Pedro Bugarin defendeu que é preciso "abandonar discussões estéreis que nada resolvem" e disse que, no final deste primeiro ano de mandato, este executivo tem trabalho para apresentar, incluindo na habitação.

Já Francisco Camacho, do CDS-PP, considerou legítimo o motivo do protesto pela habitação e realçou que o executivo "já fez muito" nesta área, mas tem de "continuar a fazer mais", para que os lisboetas não tenham de abandonar a cidade, considerando "indecorosa" a postura da esquerda, liderada pelo PS, acusando-a de se "encavalitar" com o problema da crise habitacional.

Luís Pereira Nunes, do Chega, elogiou a atuação policial nas manifestações, inclusive ao ordenar que "um grupo de energúmenos deixasse de incorrer num crime de desobediência, mantendo-se ilegalmente a acampar no centro da cidade", e sublinhou que Lisboa precisa de uma Câmara que resolva os problemas, em particular no acesso à habitação.

AO MINUTO: Governo admite rever lei das rendas; Ventura elogia polícia

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Acompanhe aqui AO MINUTO os protestos pela habitação, que contam com acampadas em Lisboa e no Porto.

Notícias ao Minuto | 07:31 - 20/10/2026

Meta recusa pedido federal para criar canal de proteção a jornalistas

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Dona do Instagram, do Facebook, do WhatsApp e de outras plataformas digitais e redes sociais, a empresa de tecnologia Meta se negou a criar um canal direto para receber denúncias de ameaças, assédio, ataques digitais, bloqueios e suspensão de contas de jornalistas, comunicadores e veículos de comunicação.

A criação de um canal para o encaminhamento e acompanhamento de casos urgentes foi solicitada pelo Observatório da Violência Contra Jornalistas e Comunicadores Sociais (Observatório), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e responsável por monitorar e apoiar as investigações das denúncias envolvendo comunicadores sociais.

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Em nota, o observatório informou que agiu motivado pelos “recorrentes relatos de bloqueios, suspensões e outras restrições envolvendo jornalistas, comunicadores e veículos de comunicação”, mas que a Meta, ao negar o pedido, alegou a “complexidade técnica, jurídica e operacional” da medida.

“[A empresa] afirmou que o mecanismo poderia representar a “assunção [aceitação] de novas obrigações regulatórias”, revelou o observatório.

O órgão acrescentou que a Meta argumentou também que a análise do pedido exigiria um prazo maior, compatível com a complexidade do tema, e que suas políticas se aplicam a todos os usuários, igualmente, de forma que, para a Meta, os canais gerais já disponíveis são suficientes.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a assessoria da Meta, que respondeu que a empresa não vai comentar o assunto.

Violência Digital

Em nota, as secretarias de Justiça (Senajus) e de Direitos Digitais (Sedigi) do Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Secretaria de Políticas Digitais (SPDGI) da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República destacaram que foram registrados 14.182 ataques digitais contra jornalistas e veículos de comunicação durante o primeiro turno, segundo a Coalizão em Defesa do Jornalismo.

Além disso, a organização CTRL+Z reuniu 1.121 relatos de restrições a contas e conteúdos políticos, incluindo bloqueios e remoções sem justificativa específica.

“Os levantamentos expõem duas ameaças ao debate público: a escalada da violência contra quem produz informação e a falta de transparência nas decisões que podem restringir sua circulação, com potencial impacto no legítimo exercício da liberdade de expressão”, apontam as secretarias.

O texto divulgado reforça a “necessidade de mecanismos específicos e permanentes de proteção a jornalistas, comunicadores e veículos de comunicação no ambiente digital”, para além do período eleitoral.

“Os canais gerais da Meta e a cooperação com a Justiça Eleitoral não substituem um mecanismo de proteção capaz de responder a situações urgentes de violência contra jornalistas, inclusive fora do período eleitoral”, insistiu o ministério.

A pasta ressalta que ataques e restrições ao exercício do jornalismo “ultrapassam a esfera individual e podem comprometer o direito de toda a sociedade à informação”.

Bugalho falha eleição e PSD perde lugar no PPE após 22 anos

20 October 2026 at 19:33

O eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho falhou hoje a eleição para vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE), ficando a delegação social-democrata sem qualquer representante na liderança da bancada pela primeira vez desde 2004.

 

A nova liderança do grupo parlamentar do PPE, família política a que pertencem o PSD e o CDS-PP, foi hoje eleita pelos eurodeputados em Estrasburgo para um novo mandato.

Sebastião Bugalho, vice-presidente e porta-voz do PSD, candidatou-se pelo partido, substituindo a eurodeputada Lídia Pereira, que ocupava o cargo de vice-presidente desde 2024.

No entanto, a candidatura de Sebastião Bugalho tinha sido acolhida com surpresa no seio do PPE, uma vez que punha em causa o equilíbrio em termos de paridade de género estabelecido pelo grupo parlamentar que dita que quatro das 10 vice-presidências têm de ser ocupadas por mulheres.

Saindo Lídia Pereira e avançando Bugalho, um dos outros vice-presidentes teria de ser substituído por uma mulher.

O grupo político optou por trocar apenas uma vice-presidência: sai Lídia Pereira, que é substituída pela eurodeputada húngara Eszter Lakos, do partido Tisza, sendo todos os restantes vice-presidentes reconduzidos.

O PSD fica assim sem qualquer representante nas vice-presidências do PPE pela primeira vez desde 2004, ano em que o eurodeputado João de Deus Pinheiro tinha sido eleito para o cargo.

Seria depois substituído em 2009 pelo atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, vice-presidente do grupo parlamentar do PPE ininterruptamente até 2024, quando foi substituído pela eurodeputada Lídia Pereira.

Numa nota enviada à agência Lusa, o eurodeputado Sebastião Bugalho assume a responsabilidade pela derrota.

"Foi uma candidatura pessoal e é, por isso, um resultado exclusivamente pessoal", afirma.

Os eurodeputados optaram também por manter o eurodeputado Manfred Weber na liderança do grupo parlamentar do PPE. Será o seu 13.º mandato consecutivo à frente do maior grupo político europeu.

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