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“Não há perigo de contágio para as pessoas”, tranquiliza ministro da Agricultura sobre vírus Shamonda

24 October 2026 at 13:43

VTM

José Manuel Fernandes afirmou que o vírus Shamonda, transmitido por insetos do género Culicoides, “não leva a mortalidade dos animais” e garantiu que “não há nenhum perigo de contágio para as pessoas”.

O governante sublinhou que “não vamos é entrar num alarme, que neste momento não se justifica”, referindo que o impacto na saúde animal não é grave. O ministro destacou um caso isolado em França, onde uma pessoa com estado de saúde muito debilitado contraiu o vírus, mas enfatizou que não se pode afirmar que a morte tenha sido causada pelo vírus.

Atualmente, ainda não existe um plano específico para lidar com o vírus Shamonda. A solução proposta pelo ministro é a monitorização e a melhoria das condições sanitárias nas explorações pecuárias. Fernandes defendeu a necessidade de “avançar rapidamente numa investigação” à escala da União Europeia para desenvolver vacinas eficazes e acessíveis.

O veterinário do Agrupamento de Defesa Sanitário (ADS) de Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, alertou na quinta-feira, em declarações à Lusa, para o preço elevado das análises a bovinos para a deteção do vírus Shamonda que afetou uma exploração em Vimioso.

Luís Fernandes explicou ter obtido a informação de que o preço das análises ronda mais de 30 euros, o que numa vacada, por exemplo com 50 animais, já requer algum investimento por parte dos produtores pecuários onde existam sintomas.

Questionado sobre a possibilidade de comparticipação nas análises devido às dificuldades financeiras dos produtores, o ministro não se comprometeu. “Não vamos fazer análises que não sejam necessárias; nós avaliaremos e se for necessário apoio, fazemos”, disse.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou a deteção do vírus em vários países da União Europeia, incluindo Portugal e Espanha. O último relatório indicava casos nos concelhos de Odemira, Vimioso, Évora, Loures, Crato e Montijo.

Os bovinos são os mais afetados pela infeção, embora ovinos e caprinos também possam ser suscetíveis sem manifestações clínicas evidentes. Os bovinos com infeções agudas podem apresentar febre, diarreia e redução na produção leiteira entre 10% e 20%.

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Piratas informáticos atacam base de dados dos bombeiros e acedem a dados pessoais

24 October 2026 at 12:45

A base de dados do Recenseamento Nacional de Bombeiros Portugueses (RNBP) foi alvo de um ciberataque e os piratas acederam a dados pessoais, o que levou a um alerta da proteção civil aos comandos e à suspensão da aplicação.

Na comunicação a todos os comandos regionais e responsáveis das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, a que a Lusa teve acesso, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que gere a plataforma do RNBP, admite o ataque e diz que foi efetuada uma cópia dos dados.

Entre os dados pessoais estão o nome completo dos bombeiros inscritos, números de cartão de cidadão, identificação fiscal, segurança social, utente de saúde (e subsistemas de saúde), carta de condução, estado civil, data de nascimento, contactos, moradas, imagem e grupo sanguíneo, refere o documento.

Contactada pela Lusa, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) confirmou a situação, admitindo que a informação deveria ter seguido individualmente para cada um dos elementos registados no RNBP.

António Nunes, presidente da LPB, explicou que a aplicação do RNBP tem dados pessoais, mas não tem dados bancários e disse ainda não ter informação sobre se efetivamente houve capacidade de retirar dados.

Mas na informação que a ANEPC enviou aos comandos regionais, a que a Lusa teve acesso, o acesso e cópia dos dados é clara, assim como a suspensão da aplicação do RNBP.

“A base de dados do Recenseamento Nacional de Bombeiros (RNBP), foi alvo de um ciberataque, tendo sido possível efetuar uma cópia dos dados pessoas”, refere a informação, acrescentando que a ANEPC, o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) e a Rede Nacional de Segurança Interna (RNSI) procederam “de imediato à suspensão da aplicação”.

Diz ainda que estão a ser desenvolvidos sistemas de segurança adicionais, para assegurar a proteção dos dados pessoais que constam da aplicação.

No mesmo alerta, a Proteção Civil explica que, como consequência desta violação de dados pessoais, os titulares dos dados podem ser alvo de ações de phishing (mensagens que simulam comunicações legitimas para atrair a clicar e links e anexos maliciosos), smishing (tentativas de fraude por SMS ou MMS) ou vishing (fraudes por chamada telefónica).

Podem ainda ser alvo de ações de quishing, um esquema de fraude que usa códigos QR maliciosos para redirecionar as vítimas para sites falsos.

Como medidas de segurança, a ANEPC pede “atenção redobrada” para chamadas e/ou mensagens que solicitem aberturas de links ou sites.

O RNBP é o sistema de informação e gestão do registo dos bombeiros portugueses, dos quadros de comando, ativo, de reserva e de honra.

Segundo António Nunes, a aplicação tem cerca de 60 mil registos.

A Lusa contactou a ANEPC e o CNCS para tentar esclarecer as medidas que estão a ser desenvolvidas, mas não obteve resposta até ao momento.

Piratas informáticos atacam base de dados dos bombeiros

24 October 2026 at 11:37
Dados pessoais incluem o nome completo dos bombeiros inscritos, números de cartão de cidadão, identificação fiscal, segurança social, utente de saúde (e subsistemas de saúde) ou carta de condução.

© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Verlo todo

24 October 2026 at 04:30

El libro es fabuloso, se titula En palabras sencillas, y en él Richard Ford habla de sus influencias, de la forma en que se hizo escritor, de sus dudas. En un momento, escribe: “Una parábola de cómo funcionan mi cerebro y mi vida. Al principio no veo nada. Y luego veo todo”. Es una obra astuta, insolente y optimista. Terminé de leerla en un estado extraño, sintiendo incapacidad para poner en marcha el dispositivo del ensueño, que es como conviene vivir —siempre en otra parte—, así que salí a correr en torno al cementerio de mi barrio. Alrededor hay puestos de flores. Rezuman un aroma alegre que contrasta con la naturaleza a la que responden. Son raras las flores para los muertos. No hay nardos ni jazmines, demasiado lúbricos quizás. Predominan los gladiolos rígidos como soldados, los crisantemos anodinos, los claveles arcaicos, las rosas, siempre rojas. Todo es envarado y serio, el equivalente floral a un empleado de casa funeraria. También hay flores de plástico de colores deformes: margaritas de color azul, gladiolos verde radioactivo. Quizás porque son de plástico, y están muertas, el color se les tolera. Casi nunca se ve gente comprando, pero la mercadería parece lozana. Ese día, en uno de los puestos, vi una pizarra en la que se leía: “¡Hay urnas!”, como quien anuncia: “¡Llegaron los tomates!”. Parecía una invitación a morirse. Alguien podía pasar por allí y, al descubrir que habían llegado las urnas, entender que no debía desaprovechar la oportunidad. Miré alrededor: el suelo estaba humedecido por el sol, el cielo parecía a punto de estallar de tensión azul y fría, y yo, que hasta entonces no veía nada, vi todo: la divina ignorancia del amor reinaba en todas partes, la muerte pisaba el mundo pero no podía aniquilarlo, si se prestaba atención se podía escuchar el coro de lo que apenas se escucha. Y seguí corriendo como seguimos todos: repleta de sentido para después perderlo, corriendo hacia adelante para llegar a ninguna parte.

© Martin Zwick (Universal Images Group/Getty Images)

Flores en las tumbas del cementerio de Cachi, en la provincia de Salta en Argentina.

David Foster Wallace e uma sufocante solidão

24 October 2026 at 10:11
O centro de "Breves Entrevistas a Homens Hediondos" está então no retrato meticulosamente perfeito e tão ternamente vulnerável, de uma insuperável falta de capacidade para a comunicação.

Ler David Foster Wallace, sobretudo para quem tenha ambições literárias ou queira simplesmente compreender melhor o estranho impulso que conduz à escrita, é invariavelmente luminoso e esclarecedor

La plaza de Las Ventas supera el millón de espectadores por segundo año consecutivo

24 October 2026 at 10:08
Román y Antonio Ferrera, los dos únicos matadores que han salido dos veces por la Puerta Grande de Las Ventas en 2026.

La plaza de toros de Las Ventas cerró el pasado 12 de octubre la temporada 2026 con una creciente tendencia al alza en la asistencia de público. A lo largo de los 60 festejos celebrados (41 corridas de toros, 16 novilladas y 3 festejos de rejones) el coso madrileño reunió a un total de 1.018.696 espectadores, con una media de 16.978 asistentes por festejo. De esta forma, Las Ventas supera el millón de espectadores por segundo año consecutivo, según un comunicado de Plaza1, la empresa gestora del coso madrileño.

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El cambio de hora también puede descolocar a los animales domésticos: cómo ayudarles a adaptarse

24 October 2026 at 07:24

La madrugada del próximo domingo 25 de octubre, España volverá al horario de invierno. A las tres de la mañana, los relojes de la península y Baleares marcarán las dos, mientras que en Canarias, a las dos serán la una. Ganaremos una hora en el reloj, pero también cambiaremos bruscamente la referencia temporal que organiza buena parte de nuestra vida cotidiana. Para los animales domésticos que conviven con nosotros, esta modificación puede resultar menos sencilla de lo que parece. No necesitan saber qué hora es para anticipar cuándo llega el desayuno, cuándo toca salir a pasear o a qué hora vamos regresando a casa. Perros, gatos, hurones, conejos y otros animales destinados al mascotismo aprenden a reconocer patrones y señales del entorno, desde la luz que entra por la ventana hasta los movimientos y las costumbres de las personas con las que viven.

Pero ese pequeño universo doméstico cambia de repente cuando adelantamos o retrasamos el reloj y, aunque la evidencia científica específica sobre los efectos del cambio horario en animales de compañía todavía es limitada, sí sabemos que la luz y los ciclos diarios influyen en su actividad y en distintos procesos biológicos. La clave está en distinguir entre lo que se ha demostrado y lo que resulta razonable hacer para facilitarles la transición.

Un reloj biológico que no entiende de horarios humanos

Los ritmos circadianos son ciclos biológicos de aproximadamente 24 horas que regulan, entre otras funciones, los periodos de actividad y descanso. La luz ambiental es una de las señales más importantes para sincronizarlos, aunque también influyen otros estímulos, como la alimentación y las rutinas diarias.

En el grupo de los animales domésticos no todos responden de la misma manera. Los perros suelen ajustar buena parte de su actividad a la convivencia con las personas, mientras que los gatos presentan patrones individuales y pueden mantenerse activos durante la noche o al amanecer. Los hurones, por su parte, alternan periodos de actividad y descanso y también responden a los ciclos de luz y oscuridad. En las aves, la duración del día puede influir, además, en procesos fisiológicos y reproductivos. Por eso, el cambio de hora no tiene por qué producir la misma respuesta en todas las especies ni en todos los individuos. Un animal que vive principalmente en interiores y sigue los horarios de su familia puede reaccionar de manera distinta a otro cuyo día está más condicionado por la luz natural.

Los perros y el cambio de hora

Una investigación publicada en 2025 analizó la actividad matutina de 54 perros en Ontario, Canadá. El equipo estudió a 25 perros de trineo y a 29 perros de compañía, mediante dispositivos que registraban su movimiento durante el cambio al horario de invierno. Los perros de trineo mostraron más actividad antes de la llegada de sus cuidadores la mañana del cambio, pero sus patrones volvieron a los niveles previos durante los dos días siguientes, mientras que en los perros de compañía no se detectaron cambios significativos en la actividad matutina vinculados a la hora a la que se levantaban sus cuidadores.

La edad también fue un factor importante y los perros de compañía de más edad fueron menos activos durante la primera mañana tras el cambio. Los investigadores recomendaron prestar especial atención a los animales mayores cuando se modifican bruscamente sus rutinas. El estudio es una de las primeras investigaciones que han medido directamente este fenómeno en perros, pero con importantes limitaciones, ya que se centra en la actividad matutina y analiza una transición concreta.

Señales que pueden descolocarlos

Aunque no se haya demostrado que el cambio de hora provoque problemas generalizados en los animales domésticos, sí puede alterar temporalmente las expectativas de aquellos que asocian determinadas actividades con un horario estable. Un perro acostumbrado a desayunar a las ocho puede empezar a pedir comida cuando su reloj biológico le indica que es la rutina, aunque el reloj de la cocina indique el nuevo horario. Algo parecido puede ocurrir con los paseos o el momento de acostarse. En el caso de los gatos, pueden reclamar su comida antes de lo habitual o mostrarse más activos cuando la familia todavía está durmiendo.

Es necesario aclarar que estos cambios de comportamiento no demuestran por sí mismo que el animal esté sufriendo estrés ni que su ritmo circadiano se haya desajustado. Puede ser, sencillamente, una respuesta aprendida a la modificación de las rutinas humanas.

Mención aparte merecen los animales que necesitan horarios especialmente regulares por su edad, su estado de salud o la administración de determinados medicamentos. Si el tratamiento debe darse a intervalos precisos, es recomendable consultar con el veterinario cómo adaptar las tomas, en lugar de modificar los horarios por cuenta propia.

Cómo ayudarles durante la transición

La recomendación más sencilla es evitar, cuando sea posible, que todas las rutinas cambien de golpe. Durante los días anteriores al cambio horario, se pueden desplazar progresivamente las comidas, los paseos y el momento de acostarse unos diez o quince minutos cada día, hasta aproximarse al nuevo horario.

También ayuda mantener las señales cotidianas que aportan previsibilidad, como son los paseos, las sesiones de juego compartido, los momentos de descanso y la interacción con la familia. En los perros y gatos, ofrecer actividad y oportunidades de exploración adecuadas a sus necesidades contribuye a que la jornada siga teniendo una estructura reconocible. En el caso de las aves, roedores, reptiles y otros animales que viven en recintos interiores, conviene mantener ciclos de luz y oscuridad apropiados para la especie y evitar cambios bruscos e innecesarios en la iluminación artificial. No se trata de mantenerlos siempre expuestos a la misma cantidad de luz, pero sí de proporcionarles condiciones estables y adecuadas a sus necesidades biológicas.

Por último, los animales mayores o con problemas de salud merecen una atención especial. Si tras el cambio de horario aparecen alteraciones persistentes del sueño, el apetito, la actividad o si el comportamiento cambia de manera llamativa, lo adecuado es consultar con nuestro veterinario en lugar de atribuir automáticamente esos síntomas al cambio de horario en el reloj.

Por lo tanto, la evidencia disponible no justifica alarmarse cada vez que se cambia la hora, pero sí invita a recordar que, para facilitar la convivencia, conviene adaptar nuestras rutinas teniendo en cuenta las necesidades de los animales que dependen de nosotros.

Referencia:

Rejoin the EU, Says Think Tank Funded by Soros and the European Climate Foundation

24 October 2026 at 07:00

This week a self-described "influential think tank", the IPPR, advised that the "UK must seek EU membership”. Charlotte Gill was not surprised to find it was funded by George Soros and the European Climate Foundation.

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La era de la ira: no esperen un final feliz a las revueltas en Francia

24 October 2026 at 04:40

Llevamos unas semanas muy conflictivas. Sobre todo en las calles de Francia, pero no solo allí. Lo que empezó como una protesta estudiantil por los recortes en la educación pública ha derivado en una revuelta con múltiples focos, a la que se han sumado grupos antisistema, los temidos chalecos amarillos y aficionados a los saqueos. El incendio del Ayuntamiento de Limoges, un monumento del siglo XIX, da una idea del nihilismo que se apodera de las masas enfurecidas. Se ha impuesto el toque de queda en distintos puntos del país, en un momento crítico que representa la agonía del macronismo. Podríamos apelar a la pulsión revolucionaria que ha marcado la identidad francesa, pero es que el malestar por las estrecheces y por el coste de la vida está cruzando fronteras. El fenómeno ha contagiado a Italia, con noches de destrozos y saqueos en Milán, donde Giorgia Meloni ha desplegado soldados, y otras ciudades. También en Bélgica se sublevan los estudiantes, también en Albania. En España y en Portugal, los jóvenes se levantan por la vivienda inaccesible: la acampada de la Puerta del Sol va camino de cumplir su primer mes; las de Lisboa y Oporto han sido desalojadas, como le gustaría a Isabel Díaz Ayuso que se hiciera en Madrid. Muy lejos de aquí, en la India, la última protesta del movimiento de las “cucarachas” se ha saldado con un millar de detenidos.‌

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© Abdul Saboor (REUTERS)

Un manifestante arrojaba una botella a los policías durante los disturbios en París el pasado día 17.

Leer a Pedro Almodóvar: “El escritor es egoísta por naturaleza”

24 October 2026 at 04:30

Libros que los personajes escriben, leen, regalan. Libros que saltan de una película a otra, que inspiran tramas, que se adaptan. La filmografía de Pedro Almodóvar está plagada de referencias literarias. Ha publicado numerosos relatos a lo largo de las décadas, algunos de ellos reunidos en El último sueño (2023). Pero ha esperado hasta los 77 años para publicar su primera novela: El hombre que solo escribía en los aviones (Reservoir Books), que llega a las librerías el 29 de octubre. Un libro frenético y libre, como su cine, atravesado por la pasión lectora. Lo protagoniza Flavio Guijarro, nueva incorporación al fecundo plantel de personajes almodovarianos. Un coach de autores obsesionado con escribir. Como tantos protagonistas del manchego, Flavio tiene mucho de él. Es sabido que la obra de Almodóvar es un ente poroso por el que circulan la ficción, la realidad, lo vivido, lo escuchado, lo leído. Esta entrevista discurre por esos poros y se centra en el Almodóvar lector y escritor. Recibe a Babelia en las oficinas madrileñas de El Deseo, su productora, con las paredes llenas de recuerdos y carteles de sus películas llegados de todos los rincones del mundo. Preside su despacho una gran estantería llena de libros que, advierte, son sobre todo novedades que le llegan. Su biblioteca más personal, admite, está en su casa. Sobre la mesa, eso sí, el último libro que le ha fascinado, Cosamala, de Alana S. Portero, autora hacia la que se deshace en elogios. Se enciende la grabadora y aparece un Almodóvar sereno, amable, cómodo con una conversación ajena a la clásica promoción del cine, alejado de la ansiedad que, dice, ha sido un motor de su novela.

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El hombre que solo escribía en los aviones

Pedro Almodóvar Reservoir Books, 2026 256 páginas. 20,90 euros A la venta el 29 de octubre

© OSAMA CHAMI (EL PAÍS)

Libros de Abdelá Taia y Raymond Carver, en el piso en Madrid del cineasta y escritor Pedro Almodóvar.

© OSAMA CHAMI (EL PAÍS)

Detalle de la biblioteca particular del cineasta y escritor Pedro Almodóvar.

© OSAMA CHAMI (EL PAÍS)

Libros de Roth, Didion, Carver o Capote, entre otros, ordenados por autores en la biblioteca de Pedro Almodóvar.

© OSAMA CHAMI (EL PAÍS)

El libro 'Cosamala', de Alana S. Portero, amiga de Pedro Almodóvar, junto a unas gafas en el escritorio del cineasta.

© OSAMA CHAMI (EL PAÍS)

Detalle de una estantería llena de libros en la vivienda de Pedro Almodóvar.

© OSAMA CHAMI (EL PAÍS)

Detalle de una máquina de escribir antigua en el domicilio en Madrid del cineasta Pedro Almodóvar.

© OSAMA CHAMI (EL PAÍS)

Los autores Jonathan Franzen, Irène Némirovsky o Eduardo Mendoza figuran entre los cientos de libros de Pedro Almodóvar.

© SAMUEL SÁNCHEZ (EL PAÍS)

Pedro Almodóvar, retratado en la sede de la productora El Deseo, en Madrid, el 19 de octubre.

Perder las formas

24 October 2026 at 04:30
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Manuel Fernández-Montesinos apenas se acordaba de su padre ni de su tío Federico, asesinados los dos, con un día de diferencia, cuando él tenía cuatro años. Las fotos le concedían un espejismo de memoria. En la vida de un niño las personas desaparecen y nadie se ocupa de darle explicaciones, por un deseo de protección que a Fernández-Montesinos le pareció siempre equivocado. El padre y el tío tan querido unas veces están y otras ya no están, y ni siquiera vuelven a aparecer en ese porvenir indeterminado de la conciencia infantil, regresados de un viaje, trayendo ese regalo que quizás el niño no olvide nunca, aunque no pueda recordar al que fue su porrtador. El espacio en blanco de los muertos lo ocuparon en la niñez y la juventud de Manuel Fernández-Montesinos dos hombres mayores que a él se lo parecerían más aún, físicamente bien sólidos, a diferencia de los queridos fantasmas fotográficos, con un aspecto formal de señores de otro tiempo, casi de otro siglo: su abuelo Federico y quien él llamó siempre el tío Fernando, Fernando de los Ríos. En las fotos don Federico García Rodríguez tiene una gran cabeza cuadrada sobre un torso cuadrado y fornido, más rotundo aún por los hombros rectos y las anchas solapas de la chaqueta de un traje negro que durante los últimos nueve años de su vida fue un traje invariable de luto. En el paraíso de la Huerta de San Vicente, en la que el niño conoció y perdió muy pronto la eternidad feliz del verano, el abuelo era el gigante bondadoso que velaba por el nieto y le regalaba caramelillos y herramientas de hortelano hechas a la medida de las manos y las fuerzas infantiles por un herrero amigo. La silueta de encina del abuelo se recorta con la misma nitidez en la huerta familiar, en la cubierta del barco donde lo que queda de la familia va a exiliarse en Estados Unidos, en la orilla del río Hudson y entre los robles y los arces de Riverside Park, donde el antiguo niño hortelano ahora juega al beisbol y habla inglés sin ningún rastro de acento.

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Un lector que no existía

24 October 2026 at 04:30

Escribió Chesterton que por cada niño que llega al mundo nacen de nuevo la Luna y el Sol, porque hay un nuevo par de ojos dispuestos a mirarlos. Con los libros pasa igual: con cada niño que aprende a leer, Odiseo vuelve a salir de Ítaca, Quijote y Sancho vuelan de nuevo a lomos del caballo Clavileño y la pobre Alicia cae otra vez por la madriguera. Me di cuenta ayer, mientras silabeabas la-ma-má-o-sa. No sé si me sorprendió más verte leer por primera vez o el vértigo que sentí.

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© Quim Llenas (Cover/Getty Images)

Un alumno lee un libro en el colegio El Espinillo, en Madrid, en septiembre de 2025.

La vida precaria de los bomberos de Ávila: alguien se olvidó de contratar la luz en la nueva estación

24 October 2026 at 04:30

Los bomberos de Ávila miran por el cristal. Detrás del vidrio hay una cocina, un frigorífico, sillas y mesas. Todo nuevecito, envuelto en plástico, en un módulo prefabricado junto a unas duchas y vestuarios. Todo está listo dentro de la nueva estación, pero no pueden usar nada de eso. Así ha sido desde hace un año, porque la Junta de Castilla y León (PP y Vox) pagó la infraestructura, pero no los contratos de la luz ni del agua. “¡Es increíble!”, exclaman los brigadistas que coinciden en que es “un garaje de 420.000 euros”. Tampoco hay un hidrante donde cargar los vehículos y tiran de los de El Tiemblo, donde se encuentran perdiendo el tiempo. Estos ejemplos ilustran las quejas del gremio, que se siente desatendido y mal dirigido después de vivir el peor verano de su historia.

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Estado de las ruedas de un camión de los bomberos forestales de El Tiemblo, en Ávila.
Base de los bomberos en El Tiemblo, en Ávila.

© Emilio Fraile

Un grupo de bomberos y voluntarios lucha contra las llamas en las partes altas del pueblo de Casavieja, en Ávila.

Los nueve libros de la semana: de un amor sáfico entre pescados al origen judío de la nobleza española

24 October 2026 at 04:30

Qué hacemos con los domingos por la tarde

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© Jehad Alshrafi (AP / LAPRESSE) (EL PAÍS)

Dos niñas palestinas se dirigen a clase en la ciudad de Gaza entre escombros y basura, el 28 de septiembre de 2026.

Clémentine Beauvais, escritora: “El pacto democrático se cumpliría mejor si se permitiera votar a los niños”

24 October 2026 at 04:30
Clémentine Beauvais reconoce que la primera vez que escuchó hablar sobre la posibilidad de ampliar el derecho al voto a los niños se echó a reír.

La escritora, traductora y profesora francesa Clémentine Beauvais (París, 37 años) reconoce que la primera vez que escuchó hablar sobre la posibilidad de ampliar el derecho al voto a los niños desde su nacimiento se echó a reír. Así que comprende que esa sea la misma reacción de quienes se encuentren en librerías y bibliotecas con el pequeño ensayo que acaba de publicar en España sobre ese asunto. “Es una reacción que me interesa: ¿por qué la risa? Nos reímos de lo que es ridículo, imposible, impensable, de lo que sorprende. Pero, ¿por qué sorprende? ¿Y es realmente imposible e impensable? Cuestionarse la propia risa plantea preguntas importantes”, sostiene. Por el derecho al voto desde el nacimiento (Wonder Ponder, traducción de Silvia Moreno Parrado, 2026) llega a España en una preciosa y llamativa edición tras el éxito obtenido en Francia, donde el debate generado alrededor del ensayo incluso ha llevado a Beauvais a exponer su tesis en la Asamblea Nacional del país.

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La receta del caldillo de perros y el salpicón de huevas de Aponiente (tres estrellas Michelin)

24 October 2026 at 04:30

Aponiente, el restaurante tres estrellas Michelin capitaneado por el cocinero Ángel León, ha logrado que el universo gastronómico mire hacia el gaditano Puerto de Santa María. En este año, además ha salido del molino de mareas del siglo XIX donde se ubica y la experiencia que supone comer en él se expande hacia las marismas que lo rodean, ubicadas en el parque natural de la Bahía de Cádiz, el mismo lugar que sirve de inspiración desde hace años para este chef.

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La receta de Aponiente

Felipe II, retrato humano de un rey frente a sus caricaturas

By: Jorge · Vilches
24 October 2026 at 00:13

El año próximo se cumplen 500 años del nacimiento de Felipe II. Es seguro que si gobierna la izquierda no habrá conmemoración alguna. Quizá sí haya alguna referencia presentista y algún desprecio basado en la Leyenda Negra. En su monumental estudio biográfico «Felipe II. Vida íntima de un rey de España», el hispanista Henry Kamen –que cuenta ya con 90 años– desmantela varias de sus caricaturas historiográficas. La novedad del estudio no es la vida política del emperador español, sino contar su vida íntima y cotidiana. El autor quiere dejar atrás la figura del rey gris y tiránico para desvelar a un hombre sensible, un padre afectuoso, un coleccionista erudito y un gobernante de complejidad psicológica. Y, para ello, Kamen parte de una confesión de Felipe II anotada al margen de un despacho oficial en 1578: «Yo no sé qué piensan de mí, sino que soy de hierro o de piedra, y en verdad han de ver que soy mortal como los demás». Felipe II, en contra de lo que ha dicho la historiografía tradicional, no fue un rey encerrado en El Escorial por su xenofobia y fanatismo católico. Kamen demuestra que fue el monarca más viajero de su tiempo en Europa, solo superado por su padre, el emperador Carlos V. Durante su juventud y madurez, el príncipe y posterior monarca recorrió los territorios peninsulares, el norte de Italia, Alemania, los Países Bajos e Inglaterra. Está escrito en «El felicissimo viaie d’el Poderoso Principe don Phelippe» (1548-1551), del cronista Juan Cristóbal Calvete de Estrella. En sus páginas se ve a un hombre que, en su estancia en Baja Alemania, Brabante y Flandes, participó en torneos, mascaradas y bailes de corte, y se adaptó a los rituales de sociabilidad locales. Allí compartió mesa, cacerías y negociaciones con príncipes luteranos como Mauricio de Sajonia –enemigo de Carlos V–, y con Guillermo de Orange –que financió la revuelta de 1566 contra España–. Argumenta que esta vivencia europea proporcionó al rey una visión amplia y realista del continente, alejada de la miopía provinciana que le achacaron sus enemigos.

Aquel hombre viajado tuvo una vida doméstica, que ha sido hasta la obra de Kamen un aspecto olvidado. Es conocido que tuvo cuatro matrimonios, aunque los enlaces con María de Portugal (1543) y María Tudor (1554) fueron por razones dinásticas y geopolíticas. Sin embargo, Kamen cuenta que se casó por amor con Isabel de Valois (1559) y luego con Ana de Austria (1570), con las que fue feliz. A la primera le tuvo una devoción sincera. Toleró los elevados gastos de sus caprichos y sus costumbres francesas. Tras su muerte en 1568, contrajo matrimonio con su sobrina Ana de Austria, más tranquila. El embajador veneciano Badoero contaba que visitaba a la reina tres veces al día antes de trabajar. La muerte de Ana en 1580 durante la epidemia de gripe dejó deprimido a Felipe II, que decidió no volver a casarse y permanecer viudo los últimos 18 años de su vida.

Visión amplia

También fue padre. Kamen se apoya en el epistolario privado dirigido a sus hijas, las infantas Isabel Clara Eugenia y Catalina Micaela, redactado durante su estancia en Portugal (1581-1583), para desvelar su ternura paternal. En estas cartas no hay recomendaciones ni monsergas, sino cuenta a sus descendientes sus sentimientos al ver el Támesis, por ejemplo, o al escuchar el canto de los ruiseñores, o al sufrir las travesuras de los animales domésticos. Felipe II intentó que sus hijas le vieran como un ser humano corriente. Pero la familia no fueron solo ellas. También está la acusación de filicidio, es decir, de matar a su hermano Carlos. Kamen desmonta el mito apoyándose en informes médicos y diplomáticos de la época. Al parecer, Carlos tenía un problema de salud mental que se agravó por un traumatismo craneal sufrido en Alcalá en 1561, lo que le volvió violento. Felipe II ordenó su reclusión en el Alcázar de Madrid en enero de 1568. Fue entonces cuando Carlos emprendió conductas autodestructivas que le causaron la muerte en julio de 1568. Su fallecimiento sumió al rey, escribe Kamen, en un abatimiento profundo.

La visión amplia de la vida que describía al principio se completaba con su gusto por la cultura y la ciencia. Kamen presenta a Felipe II como el coleccionista y patrocinador de arte más relevante de su época en Europa. Su pasión por la pintura le llevó a formar una colección inigualable, destacando su predilección por las obras mitológicas y religiosas de Tiziano y por la sátira moral e imaginativa de El Bosco. El gran proyecto de su vida, el Real Monasterio de San Lorenzo del Escorial, es analizado por Kamen como una síntesis de espiritualidad, humanismo y arquitectura neoclásica. En el ámbito bibliófilo, Felipe II mandó constituir la célebre biblioteca escurialense, reuniendo más de 4.000 volúmenes impresos y manuscritos raros en griego, latín, hebreo y árabe procedentes de toda Europa. Kamen señala que rescató libros prohibidos por la Inquisición con el objetivo de salvaguardar el saber. También fue un «ecologista» o «naturalista», porque diseñó personalmente los jardines e infraestructuras hidráulicas de Aranjuez, Valsaín –hoy en ruinas– y El Escorial, importando miles de árboles, plantas ornamentales y frutales de Europa y América. Promovió asimismo las mayores empresas científicas del siglo XVI, como la célebre expedición botánica y médica de Francisco Hernández a Nueva España (1570-1577) o las «Relaciones Topográficas» (1575 y 1581) de los pueblos de Castilla.

Kamen también desmonta la idea del rey burócrata. Era lógico que, ante un Imperio donde no se ponía el Sol, Felipe II dedicara el día a despachar asuntos. Su ritmo lento, dice el hispanista, se debía a que prefería el documento a las audiencias, y de este modo tomar decisiones con cautela. Igualmente, deshace el mito del rey fanático. Si bien Felipe II se consideraba un humilde servidor de la fe católica y promovió con ímpetu la aplicación de los decretos del Concilio de Trento, tuvo muchos enfrentamientos con el Papado: bloqueó bulas pontificias y envió tropas a suelo italiano cuando los intereses de España se vieron amenazados.

Respecto a la Inquisición, la obra de Kamen subraya que las medidas más severas de Felipe II no se dirigieron contra la herejía, sino contra la rebelión política que amenazaba la paz y el orden público, como ocurrió en el levantamiento de las Alpujarras o la revuelta de Flandes. Esta tensión fue evidente en el asunto del traidor Antonio Pérez, su secretario personal, que vendió secretos de Estado a Inglaterra. El escándalo culminó en las alteraciones de Aragón de 1591 y la ejecución de Juan de Lanuza, el Justicia Mayor. Kamen cuenta que el rey buscó encauzar sus actuaciones dentro de la ley y respetó los fueros aragoneses en las Cortes de Tarazona de 1592. El tramo final del libro analiza el ocaso del reinado, desde la anexión de la Corona de Portugal y su vasto imperio ultramarino en 1580. Esto no evitó el desastre de la Gran Armada en 1588. Kamen destaca que el rey no se enfureció, sino que lo vivió con resignación cristiana. Después llegaron los ataques ingleses a costas españolas y la bancarrota financiera.

Esa entereza asombrosa, cuenta el hispanista, se mostró en la enfermedad terminal que padecería durante los últimos meses de su vida. Tuvo un cuadro agudo de gota, artrosis e hidropesía. Agonizó de forma muy dolorosa durante 53 días. Tras despedirse de sus hijos y recibir la extremaunción contemplando el mismo crucifijo que sostuvo su padre en Yuste, falleció al amanecer del 13 de septiembre de 1598.

Henry Kamen logra en esta biografía mostrar el lado más humano del emperador Felipe II con una prosa amena, sin presentismos ni reivindicaciones, sino mostrando al personaje en su entorno. No se basa en relatos, sino en documentos, como un historiador serio que quiere aumentar nuestro conocimiento, no engordar un relato. Al colocar el foco en las emociones, las debilidades humanas, las pasiones estéticas y los dilemas éticos del monarca, Kamen ofrece una visión renovada, profunda y eminentemente humana del rey español. Esperemos que en 2027 se celebre con el respeto y consideración que merece el quinto centenario del nacimiento de Felipe II, al que este volumen contribuye.

  • Lo mejor: La humanización de Felipe II: refleja muy bien su faceta como hijo y padre, así como su faceta sentimental
  • Lo peor: Nada tienen de criticable estas páginas que se traducen en un monumental estudio biográfico

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MADRID.-Madrid busca una ubicación para el monumento de Felipe II: "Hasta el Perro Paco o la Abuela Rockera tienen estatua"

Babilonia: la biografía de una ciudad legendaria

24 October 2026 at 11:40

Pocas ciudades de la Antigüedad han dejado una huella tan profunda en la imaginación occidental como Babilonia. Su nombre permanece asociado a la Torre de Babel, los Jardines Colgantes, el poder de Nabucodonosor y los relatos bíblicos que la convirtieron en emblema de la opulencia y la corrupción. Esa persistencia cultural resulta especialmente llamativa si consideramos que la ciudad perdió hace siglos su importancia política y terminó convertida en ruinas. ¿Cómo fue realmente aquella metrópolis que llegó a dominar Mesopotamia y cuya fama sobrevivió a la desaparición de sus instituciones, sus habitantes y buena parte de sus monumentos? El historiador británico Lloyd Llewellyn-Jones, aborda esta cuestión en «Babilonia. La biografía de una metrópolis», un extenso estudio que recupera más de dos mil años de acontecimientos y propone examinar la ciudad como una realidad histórica en permanente transformación.

Autor de «Los persas» y «Las Cleopatras», además de asesor histórico en películas, Llewellyn-Jones ha dedicado buena parte de su trayectoria a revisar las imágenes heredadas de las civilizaciones antiguas, especialmente aquellas construidas a partir de testimonios extranjeros o tradiciones posteriores. En esta ocasión, el objeto de estudio es una ciudad cuya historia resulta inseparable de las interpretaciones que otros pueblos hicieron de ella. En este sentido, la perspectiva elegida tiene una particularidad: el protagonista del libro es el espacio urbano, entendido como escenario de sucesivas experiencias políticas, religiosas y humanas. Por sus páginas desfilan gobernantes, conquistadores, sacerdotes, comerciantes y trabajadores, pero todos participan de una historia que excede sus respectivas biografías. La ciudad cambia de manos, modifica sus instituciones, reconstruye sus templos y absorbe nuevas poblaciones, mientras conserva una identidad reconocible incluso durante los períodos en que pierde su independencia.

El estudio comienza en el territorio situado entre el Tigris y el Éufrates, donde las condiciones naturales favorecieron el desarrollo de algunas de las primeras sociedades urbanas. La agricultura dependía de una compleja organización hidráulica, y la disponibilidad de arcilla permitió desarrollar técnicas constructivas que marcaron profundamente la arquitectura mesopotámica. Babilonia surgió como una población relativamente modesta, subordinada durante sus primeros siglos a centros políticos más importantes, hasta que la llegada de los amorreos y la consolidación de nuevas dinastías impulsaron su crecimiento.

Su influencia cultural fue mucho más extensa y duradera que su dominio territorial

Llewellyn-Jones sigue este proceso atendiendo a las transformaciones económicas y militares que hicieron posible el ascenso de la ciudad, cuyo primer gran momento de expansión llegó durante el reinado de Hammurabi, en el siglo XVIII antes de Cristo. Su célebre código legal ofrece al historiador una oportunidad para examinar las relaciones entre las disposiciones escritas y las prácticas jurídicas efectivas, pues los documentos conservados muestran que numerosos litigios se resolvían mediante acuerdos al margen de las fórmulas solemnes grabadas en piedra.

Las azoteas nocturnas

Esta atención al significado de las fuentes constituye uno de los principales intereses del libro. Las inscripciones reales, las tablillas administrativas, las cartas diplomáticas y los testimonios literarios permiten reconstruir aspectos diferentes de una misma sociedad, aunque cada documento responde a circunstancias e intenciones particulares. Los reyes procuraban perpetuar sus victorias y presentar sus decisiones como expresiones de la voluntad divina; los registros comerciales, en cambio, conservan información sobre intercambios, propiedades y obligaciones económicas. El historiador debe relacionar esos materiales para comprender tanto las estructuras del poder como el funcionamiento ordinario de la ciudad. La abundancia de testimonios escritos en acadio, conservados sobre tablillas de arcilla, proporciona una documentación excepcional, cuya lectura permite acercarse a situaciones que raramente aparecen en las narraciones de conquistas y sucesiones dinásticas.

Llewellyn-Jones aprovecha ese patrimonio documental para introducir al lector en la vida de los habitantes de Babilonia. Las viviendas se organizaban alrededor de patios interiores, las familias utilizaban las azoteas para dormir durante las noches calurosas y la cerveza de cebada constituía un alimento habitual. Las relaciones familiares estaban reguladas por obligaciones económicas y jurídicas, mientras que el matrimonio, la descendencia y la transmisión de los bienes ocupaban un lugar fundamental en la organización social. El autor examina también las prácticas sexuales, la medicina, la educación de los escribas y las creencias relacionadas con la muerte. Los difuntos podían ser enterrados bajo las propias viviendas y recibían ofrendas periódicas destinadas a mantener los vínculos familiares más allá de la existencia terrenal. La amplitud de estos asuntos permite observar una sociedad compleja, con diferencias de clase y género, conocimientos especializados y formas de convivencia que resultan difíciles de reducir a las categorías morales transmitidas por sus adversarios.

Entre los testimonios arqueológicos recogidos en la investigación destaca el caso de Zabina, un trabajador que dejó su nombre escrito en arameo sobre uno de los ladrillos fabricados durante el reinado de Nabucodonosor II. La inscripción constituye una excepción frente a los millones de piezas marcadas con el nombre del soberano y permite reconocer la presencia de poblaciones diversas en las grandes obras de construcción. Otro ladrillo conserva la huella accidental de un perro que caminó sobre la arcilla todavía húmeda. Son detalles menores en apariencia, pero reveladores de las posibilidades de la investigación arqueológica, capaz de recuperar aspectos de la experiencia humana que escaparon a los propósitos de quienes redactaron las crónicas oficiales. Estas pequeñas evidencias conviven en el libro con la historia de las grandes dinastías y contribuyen a restituir la dimensión material de una civilización frecuentemente contemplada a través de sus monumentos.

La religión ocupa asimismo un lugar decisivo en la reconstrucción histórica. El culto a Marduk, inicialmente una divinidad local, adquirió una importancia creciente conforme Babilonia extendía su poder sobre Mesopotamia. Las ceremonias religiosas legitimaban la autoridad de los monarcas y vinculaban la prosperidad de la ciudad con el mantenimiento del orden divino. La estatua del dios podía convertirse en objeto de disputa durante las guerras, y su recuperación después de una conquista representaba un acontecimiento de enorme trascendencia política. Este universo de creencias ayuda a comprender la función de los grandes templos y del zigurat Etemenanki, cuya estructura se relaciona con la tradición de la Torre de Babel. El estudio permite distinguir las características conocidas del edificio de las interpretaciones posteriores, particularmente la narración bíblica que transformó aquella construcción en una explicación del origen de la diversidad de las lenguas.

Pocos lugares de la Antigüedad han dejado una huella tan profunda en el imaginario común

El recorrido político alcanza uno de sus momentos centrales con Nabucodonosor II, bajo cuyo gobierno Babilonia experimentó una extraordinaria expansión territorial y arquitectónica. La Puerta de Ishtar, la Vía Procesional y las grandes construcciones religiosas expresaban la riqueza y la autoridad de una capital que recibía mercancías y poblaciones procedentes de distintos territorios. El esplendor urbano tuvo como contrapartida una política militar que incluyó asedios, destrucciones y deportaciones masivas. La conquista de Jerusalén y el exilio de parte de su población contribuyeron decisivamente a configurar la imagen de Babilonia en la tradición hebrea. Llewellyn-Jones incorpora estos acontecimientos a una interpretación más amplia del funcionamiento imperial y de las relaciones entre comunidades, sin perder de vista la importancia que aquellos episodios adquirieron en la memoria religiosa de Occidente.

La última parte del libro sigue las transformaciones que condujeron al declive de la metrópolis. La conquista persa de 539 antes de Cristo terminó con su independencia, aunque la ciudad mantuvo durante algún tiempo su relevancia económica y ceremonial. Alejandro Magno entró en ella en 331 antes de Cristo, respetó sus tradiciones religiosas y contempló la posibilidad de convertirla en uno de los grandes centros de su imperio. Su muerte en Babilonia, ocho años después, abrió una nueva etapa de disputas políticas, mientras que la posterior fundación de Seleucia desplazó progresivamente población y recursos hacia otra capital. La antigua ciudad perdió importancia hasta convertirse en un lugar de ruinas, aunque su cultura escrita sobrevivió durante varios siglos. El contraste entre su desaparición material y la extraordinaria permanencia de su nombre constituye uno de los aspectos más sugerentes de esta larga historia.

Un gran trabajo, en definitiva, esta «Babilonia», que entre sus muchas virtudes tiene la voluntad de reunir materiales históricos de naturaleza muy distinta dentro de un relato accesible. La sucesión de gobernantes y conflictos militares conserva un peso considerable, pero los capítulos dedicados a las costumbres, las creencias y las relaciones sociales permiten comprender las condiciones en que se desarrollaron aquellos acontecimientos. Así, Llewellyn-Jones presenta una civilización cuya influencia cultural fue mucho más extensa y duradera que su dominio territorial, y cuya memoria quedó condicionada por las narraciones de otros pueblos. Al recuperar sus propias fuentes, el historiador devuelve profundidad a una ciudad que durante siglos ha sido conocida principalmente a través de sus leyendas y ofrece una historia de Babilonia que permite comprender cómo se construye y transmite el recuerdo del mundo antiguo.

© Archivo

Puerta de Ishtar de la muralla interior de Babilonia, ahora en Berlín
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