A Segurança Social divulgou na sua newsletter de outubro, que a instituição já dispõe de um novo canal de atendimento na rede WhatsApp para simplificar a vida dos beneficiários.
A partir de agora, vai ser possível agendar um atendimento e obter declarações oficiais de forma simples, rápida e direta “através de uma troca de mensagens pelo seu telemóvel”, assim simplifica.
Trata-se de uma novidade, que traz ainda mais autonomia ao nosso dia a dia, evitando deslocações desnecessárias, reduzindo filas de espera e dispensando a necessidade de aceder ao Portal ou à App para a emissão de comprovativos rápidos.
Veja o que pode fazer através do WhatsApp?
Agendar um atendimento: Marcação do dia e hora sem complicações
Obter declarações: Pedir e receber os comprovativos diretamente no telemóvel.
Em suma, atendimento mais simples, acesso imediato – a Segurança Social à distância de uma mensagem, como segue: No portal da Segurança Social Direta > Ajuda > Contactos e Canais de Atendimento > Canal WhatsApp. Aplicação Móvel da App da Segurança Social > Menu > Fale connosco > Canal do WhatsApp.
Pagamentos em curso até final do mês
Conjuntamente com a sua newsletter de outubro, o organismo divulgou o calendário de pagamentos em curso, incluindo as datas para subsídios, pensões e outras prestações que se encontram alinhadas. Se é beneficiário, conheça as datas e planeie melhor o seu orçamento.
Se está neste período de pagamentos até final de outubro, fique a saber quando é que vai receber o seu apoio, o que pode ajudar a planear melhor com o que pode contar no seu orçamento familiar deste mês e preparar o próximo com maior facilidade.
Os pagamentos de outubro que ainda faltam
De acorco com a agenda da instituição, na próxima semana, dia 21 de outubro, será pago o Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores.
Dois dias depois, a 23 de outubro, serão pagos: o Rendimento Social de Inserção, o Fundo de Garantia Salarial e o Subsídio por Suspensão da Atividade Cultural.
O calendário de pagamentos ficará concluído, no dia 28 de outubro, quando a Segurança Social proceder ao 2º pagamento desemprego / doença / parentalidade / ação social e também o Subsídio de Apoio ao Cuidador Informal.
As candidaturas à 3.ª edição do programa Mobilidade Solidária decorrem entre 14 de outubro e 30 de novembro de 2026. O programa Mobilidade Solidária, promovido pela Fundação EDP, regressa em outubro com o objetivo de apoiar entidades do setor social na adoção de soluções de mobilidade mais sustentáveis. Nesta 3.ª edição, que decorre em Portugal, […]
O Congresso Nacional promulgou, nesta sexta-feira (16), a Emenda Constitucional nº 140 de 2026, que cria regras específicas para aposentadoria diferenciada dos agentes comunitários de saúde (ACS) e dos agentes de combate às endemias (ACE).
A emenda fixa requisitos diferenciados para esses trabalhadores no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), com idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, condicionada a 25 anos de contribuição e de efetivo exercício na atividade.
Atualmente, o regime geral prevê 62 anos de idade mínima para mulheres e 65 para homens. Aprovada em julho no Senado, a nova emenda foi promulgada hoje em sessão solene com participação dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, lembrou que a proposta começou a tramitar em 2021 e destacou que a promulgação traz “dignidade para o trabalhador”.
“Esses profissionais levam o Estado brasileiro aonde ele, em muitas das vezes, não chega. Hoje, o Estado brasileiro reconhece o valor de cada um de vocês. A aposentadoria especial é o reconhecimento de uma vida inteira de trabalho e de cuidado”, ressaltou Alcolumbre.
O presidente Lula disse que “a gente não tem noção do trabalho” que esses agentes de saúde fazem, ao ir às casas das pessoas acompanhar doentes e prevenir doenças transmissíveis.
“Se eles reivindicam uma aposentadoria especial, em vez de a gente simplesmente negar, [temos que questionar se] é necessário? É importante? É justo? Ora, se é importante, necessário e justo, a gente não tem outra coisa a fazer que promulgar o direito de eles se aposentarem”, comentou o presidente.
Presente na galeria do plenário do Senado, um grupo de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias comemorava a promulgação na nova emenda constitucional.
Emenda 140
O texto promulgado hoje também estabelece regras permanentes e transitórias de aposentadoria, disciplina a forma de contratação dos profissionais, prevê assistência financeira complementar da União e estende as novas regras aos agentes indígenas de saúde e aos agentes indígenas de saneamento.
A proposta prevê assistência financeira complementar da União aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para compensar o aumento das despesas dos regimes próprios de previdência. Também determina repasses ao RGPS para compensar o impacto das aposentadorias concedidas com base nas novas regras.
As mudanças valerão tanto para os profissionais vinculados ao RPPS quanto para os segurados do RGPS, administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Atualmente, essas categorias seguem as regras gerais de aposentadoria, que preveem idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.
Além disso, o texto assegura o cômputo, para fins previdenciários, de período de mandato classista e de tempo em readaptação funcional quando decorrente de acidente de trabalho, doença profissional ou doença do trabalho, e estabelece regras transitórias específicas para agentes vinculados ao RPPS e ao RGPS, com escalonamento de idades, regra de pontos e disciplina de integralidade e paridade em hipóteses definidas no texto.
O Parlamento aprovou esta sexta-feira por unanimidade o alargamento da licença parental paga a 100% (até aos cinco meses ou, em caso de partilha entre progenitores, até aos seis meses), bem como a introdução da jornada contínua no setor privado para os trabalhadores com filhos até aos 12 anos, mediante o “sim” do empregador. Estas mudanças deverão chegar ao terreno no início do próximo ano.
No que diz respeito às licenças parentais, neste momento a mãe e o pai trabalhadores têm direito, por nascimento de filho, a licença parental inicial de 120 ou 150 dias consecutivos. A proposta conjunta do PSD e do PS que foi agora aprovada alarga essa licença para 150, 180 ou 210 dias consecutivos.
Em paralelo, passa a estar previsto que, nas licenças de cinco meses, o montante do subsídio parental inicial é igual a 100% da remuneração de referência do beneficiário, independentemente de haver ou não partilha entre os progenitores. Já nas licenças de seis meses, o montante passa a ser o equivalente a 83% do salário ou, caso haja partilha entre progenitores, a 100% da remuneração de referência.
Além disso, passa a estar estabelecido que, no caso de opção pelo período de licença de sete meses, se cada um dos progenitores gozar, pelo menos, 30 dias consecutivos ou dois períodos de 15 dias consecutivos, o montante do subsídio é igual a 86%. Já se o pai gozar, pelo menos, 60 dias consecutivos (ou dois períodos de 30 dias consecutivos), o montante pode chegar a 90% da remuneração de referência do beneficiário.
Em comparação, neste momento, nas licenças de quatro meses, o montante pago é o equivalente a 100% da remuneração de referência, independentemente da partilha entre progenitores. Já nas licenças de cinco meses, o subsídio parental inicial tanto pode equivaler a 80% da remuneração ou, caso haja partilha entre os progenitores (cada um tem de gozar, pelo menos, 30 dias), a 100%. Por outro lado, nas licenças de seis meses, hoje está previsto o pagamento a 83% no caso de partilha entre progenitores.
A proposta aprovada esta sexta-feira prevê também uma das medidas que estavam a ser debatidas na reforma laboral “Trabalho XXI”, que acabou por ser chumbada: a introdução da jornada contínua no setor privado (já está disponível há vários na Administração Pública).
Em causa está um regime que possibilita ao trabalhador com filho menor de 12 anos — ou, independentemente da idade, com deficiência, doença crónica ou doença oncológica que com ele viva em comunhão de mesa e habitação — prestar a sua atividade em regime de jornada contínua se assim for previsto em convenção coletiva de trabalho ou, subsidiariamente, por acordo com o empregador. Ou seja, depende da concordância do empregador, e não será um direito automático, como queria a UGT. Esse trabalhador pode sair, deste modo, até uma hora mais cedo do trabalho.
“O trabalhador que pretenda trabalhar em regime de jornada contínua deve solicitá-lo ao empregador, por escrito, com a antecedência de 30 dias, indicando o prazo previsto, dentro do limite de cinco anos“, lê-se no diploma que segue agora para Belém.
No plenário desta sexta-feira, a oposição insistiu na criação de uma norma transitória que ditava que as licenças parentais em curso a 1 de janeiro seriam abrangidas por estas novas regras, mas o PSD voltou a travar essa intenção, à semelhança do que já tinha acontecido na especialidade.
Associação Académica de Coimbra pediu à Provedoria de Justiça "que se pronuncie sobre a gravidade dos acontecimentos, em particular sobre a entrada não autorizada nas instalações".
De orelhas sempre de pé e com uma zurra que ecoa por mais de 3 km entre a vegetação, talvez o jumento não seja a associação mais óbvia que se pense em relação ao universo da música. E, no entanto, aos 33 anos, Antonino Tertulino está mais do que habituado a preencher as caixas mais improváveis.
“Eu me considero um jumento. E eu tenho essa visão, pois nunca penso em ser uma peça de destaque. Aqueles que são muito presenteados, muito exigidos, e como o jumento é subestimado, passa despercebido, sabe?”, conta o jovem magro de cabelos rareando, cujo talento diante de um contrabaixo acústico, já exibido perante ao menos três presidentes e dois papas, há muito, não o deixa passar tão despercebido quanto tenta se enxergar.
No dia 19 de julho, Antonino deixou a Áustria, onde integrava a Orquestra Filarmônica de Salzburgo, para uma semana de passeio pela memória, no Recife, onde nasceu, um compromisso que se tornou regular em seu calendário anual.
Entre as paredes do Teatro de Santa Isabel, templo cultural que, desde a metade do século 19, se fez palco nobre da sociedade pernambucana, ele foi um dos músicos a capitanear uma sequência de apresentações da Orquestra Criança Cidadã, formada por estudantes de 6 a 21 anos, na qual ele mesmo, vinte anos antes, teve sua iniciação no mundo da música. O trote silencioso de Antonino ecoa. O zurro é de gratidão, mas os olhares ao redor são mesmo aspiracionais. O contrabaixista tirou tempo para estar junto das crianças, conceder entrevistas e reencontrar amigos.
O ritual se deu antes dos preparativos para mudar de casa mais uma vez, agora para desbravar a Alemanha, onde acaba de assinar com a Niederbayerische Philharmonie, de Landshut. “Uma das dezessete melhores do mundo”, diz uma das vozes contemplativas no interior do teatro, fazendo jus à megalomania pernambucana, sempre disposta a um ranking que nem sequer carece de fontes.
A impressão dos que o acompanham é que a carreira de Antonino não tem um limite claro de até onde pode chegar e que segue em rota ascendente, sempre em frente, sem desvios. Quem é do interior, sabe: jumentos têm excelente senso de direção.
Antonino em 7 notas
DOis coelhos com uma cajadada
Fugir das aulas de física e química. Essa foi a primeira intenção de um Antonino de 13 anos, ainda em 2006, admite o hoje músico, em retrospecto. Aos alunos da Escola Nossa Senhora do Carmo, logo após a apresentação de um quinteto de cordas, foi oferecida a oportunidade de concorrer a uma das vagas do projeto Orquestra Criança Cidadã.
A escolha da unidade de ensino no Coque não foi por acaso. A região do bairro Joana Bezerra carecia de infraestrutura básica e tinha uma pobreza hostil que, muitas vezes, era retratada apenas pela face da violência. Não por menos, o discurso padrão era o de resgate, oferecendo atividades para que os alunos jovens não tivessem tempo de serem capturados pelo trabalho infantil ou cooptados pelo tráfico – e, entre os atrativos, estavam acompanhamento médico e odontológico, bem como refeições regulares.
As aulas de música seriam no contraturno do calendário escolar, nas dependências do 7º Depósito de Suprimentos do Exército. Como incentivo, a atividade representaria horas de aula – o que, para o garoto, seria uma chance de se livrar das matérias que, àquela altura, já lhe causavam dor de cabeça. O impulso inicial, no entanto, deu lugar à admiração pelo novo mundo.
“Algo que me deixou bem curioso foi a comunicação entre os músicos, sem nenhuma comunicação verbal, sabe? Hoje, com colegas, eu faço isso no dia a dia, na orquestra, essa comunicação de gesto, de olhar, tudo. Mas aquilo teve um efeito “uau” pra mim, de como eles agiam como um time.”
As crianças da região, a partir dos seis anos, foram convidadas a realizar testes de aptidão musical facilitados. O desafio consistia em uma melodia de solfejo e em um método rítmico simplificado. Aprovados, eles seriam divididos entre os instrumentos – e as atenções se voltaram todas ao violino.
“E eu dizia: ‘aquele ali, rapaz, pelo tamanho, vai ser difícil de controlar’. Se o violino é difícil, aquele ali é ainda mais difícil, pelo tamanho.’ E eu sempre fui franzino, assim, magrinho, né?”, lembra Antonino. Desde então, a relação com o instrumento se fez como complemento de si mesmo e da própria imagem que tentava projetar.
Do Recife para a Alemanha: músico acaba de assinar com a Niederbayerische Philharmonie, de Landshut
“Não é sobre volume, não é sobre show-off, sobre se exibir. É sobre criar o piso, a base para que tudo aconteça. Por isso, sempre pensei ‘aquele ali é o instrumento’. E eu sempre fui muito tímido, porém, com o contrabaixo não tenho timidez. E ele tem essa virtude também, de não ser um instrumento exibicionista. É como se fosse [também] um jumento. Muitas vezes subestimado, porém ali, forte e necessitado, sabe? Pode ser veloz e bonito.”
E assim tem sido, há 20 anos.
REcife e Carpina, a conexão que não se perde
Voltar para casa pode ser agridoce. O pai de Antonino, Antônio Tertuliano, mora em Carpina, na Mata Norte de Pernambuco. Comerciante, com ensino fundamental incompleto, vêm dele os costumes mais fortes que o músico mantém até hoje. “Meu pai brincava que, no dia em que desse 6h da manhã e ele ainda não tivesse acordado, não acordaria mais. Uma figura”, lembra. As visitas rápidas ao Recife nem sempre permitem vivenciar o estilo de vida do interior ou curtir a família vencendo a distância que se mantém ao longo de todo o ano.
No Recife, por outro lado, as diferenças gritam. Uma delas, que perpassa toda a cidade, o músico descreve apenas como “o barulho”. A poluição sonora, que os ouvidos locais normalizam e praticamente não sentem, salta aos sentidos de quem hoje vive outra realidade.
Andar pelas ruas da comunidade onde cresceu também pode ser desafiador, até mesmo para a própria memória. No Coque, Antonino descreve ver, a cada visita, um processo de “desfavelamento”, com a remoção de barracos e a mudança da dinâmica da própria região, onde, conta, convivia com colegas de orquestra ao máximo durante as aulas porque, fora dela, os espaços possíveis de trânsito eram delimitados pela área onde cada um morava, em que cada trecho era reclamado por grupos diferentes ligados ao crime local.
A segurança acaba sendo um tema recorrente das reflexões inevitáveis ao comparar a realidade atual com as alternativas, caso suas escolhas fossem diferentes. E, ainda que o contexto de Israel envolva até mesmo a guerra, ele diz que regressar ao Recife “é outro tipo de terror”.
“Ontem estávamos jantando a um quilômetro do hotel e ‘vamos pegar um Uber por segurança’. Isso é tirar a sua individualidade e sua independência. Apesar das guerras, eu digo que me sentia muito mais seguro em Tel Aviv do que na minha cidade. Isso é muito triste. De você poder fazer uma chamada de vídeo, uma, duas da manhã, caminhando na rua, e, no máximo, vai chegar alguém pedindo informação ou pedindo ajuda pra empurrar um carro, sabe? Mas a sensação de que alguém iria me roubar, ou fazer algo contra mim, nunca existiu. Eu falo que em Israel também eu aprendi a valorizar a vida. Porque aqui no Recife o perigo acontece, mas, de certa forma, também temos que viver com isso”, lamenta.
MInha vez
Enquanto milhões de brasileiros se encaminham às urnas para as eleições de 2026, os jovens da Orquestra Criança Cidadã estarão completando o primeiro aniversário de sua última incursão do outro lado do mundo, que começou no Parque Memorial da Paz, em Hiroshima, no Japão, um dos Concertos pela Paz.
A cidade, assolada por uma bomba nuclear norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma das paradas da turnê promovida pelo projeto social do Recife, que abrangeu três países. A iniciativa reuniu músicos de áreas de conflito para tocarem junto com as crianças e envolveu, por exemplo, encontro da música clássica de artistas da Rússia e da Ucrânia no mesmo palco, um recado que excede qualquer limite imposto pelas guerras.
Após passarem pela Coreia do Sul, as crianças do projeto encerraram a sequência de shows no Vaticano, com uma performance na Praça de São Pedro, diante do Papa Leão 14. Não foi o primeiro Papa para quem o projeto se apresentou. Desde 2011, quando estava prestes a ser encerrado, após um apelo feito diretamente ao presidente Lula, o projeto recebeu patrocínio de um banco estatal, o que permitiu a estruturação da iniciativa e passou a viabilizar voos mais altos.
Evento do 5º Aniversário da Orquestra Criança Cidadã (OCC) com a presença de Lula
Ao longo desse período, os jovens se apresentaram para três presidentes, dois papas e tiveram comitivas tocando em países como Argentina, Itália, Japão, Estados Unidos e Portugal. Em 2010, foi reconhecida como boa prática de inclusão social pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, em 2015, foi a segunda escola de música do mundo a integrar o Programa de Escolas Associadas da Unesco.
FÁbulas e farpas
Cerca de 400 crianças e adolescentes, entre 6 e 21 anos, são atendidos pela Orquestra Criança Cidadã, sendo 250 no Coque, primeira sede do projeto, além de 120 em Camela (Ipojuca) e 30 em Chã de Cruz (Igarassu), ambos na Região Metropolitana do Recife. Além das aulas de música, o projeto previa a alimentação dos integrantes e, em geral, foi bem recebido pela comunidade.
A iniciativa não passa ilibada de críticas de organizações sociais que atuam no Coque, devido ao discurso de salvamento que sempre associou, na ponta contrária da atuação das crianças na música, à criminalidade. À época, a região foi escolhida para sediar a intervenção por ser uma das de menores índices de desenvolvimento humano na capital pernambucana e por ser frequentemente associada, na imprensa, a casos de violência urbana.
“Eu conheci o Coque quando fui assaltado nas suas imediações […] Tive sorte de não levar uma bala no crânio”. Com essa frase, um dos três idealizadores do projeto, e primeiro maestro da orquestra, Cussy de Almeida, apresentava a comunidade em rede nacional, durante a apresentação da OCC no antigo Domingão do Faustão, em 2008, à época, com 103 integrantes.
Além de Almeida, também fizeram parte da concepção do projeto o desembargador Nildo Nery dos Santos, falecido, e o juiz João Rocha Targino, que também participou do projeto à época conclamando figuras políticas a escolherem “se quer[em] formar cidadãos como esses, ou se quer[em] formar presidiários”.
Apresentação da Orquestra Cidadã no Domingão do Faustão em 2008
Frases ditas por Cussy na ocasião, como “Eles eram pequenos índios”, “estão arrodeados do crime”, “Eles sabem comer com o garfo na mão esquerda, a faca na mão direita, ele sabe escovar dente, passar fio dental, tem asseio, sabe entrar no banheiro sem deixar rastro” e “hoje em dia são meninos que você pode levar pra sua casa e passar um fim de semana” são, ainda hoje, citadas para criticar o discurso dos idealizadores quanto à manutenção de estigmas enfrentados pela comunidade. Na ocasião, o programa chegou a apresentar-se como uma iniciativa “que tira crianças da rua” e Fausto Silva chegou a usar a expressão “essa gente do Coque”. O maestro faleceu dois anos depois, aos 74 anos.
Questionado sobre o papel do discurso intervencionista da direção da Orquestra na manutenção de estereótipos que afetam a comunidade, o idealizador ainda à frente da OCC, o juiz João Rocha Targino, responde que acredita que “somos todos irmãos” e que o Coque “sempre foi visto” como palco de “marginalidade e prostituição, não igual a outros bairros do Recife”, mas que acredita que a promoção de oportunidades e que a região tem pessoas “pobres de bens materiais, mas ricas de talento”.
SOL sem céu
Antonino deixou o Coque para tocar na Orquestra Sinfônica de Goiânia, onde permaneceu por dois anos até dar início a um bacharelado em música em Tel Aviv. Foi quando a distância exigiu um preço maior. Com a mãe, Maria Denise, falava nas madrugadas, por videochamada. E lembra do desejo de apresentar o mundo da música que passou a desbravar.
“Antes era uma coisa muito simplória, muito singela. Depois, tudo se otimizou, cenário internacional, sabe? […] Se antes ela já ficava orgulhosa só de ir assistir às apresentações…”, conta.
Ao longo de cinco anos, Antonino estudava e se dedicava a um objetivo: integrar a Orquestra Filarmônica de Israel, uma das mais reconhecidas do mundo, dirigida pelo maestro indiano Zubin Mehta desde 1969. Foram cinco tentativas fracassadas. Em algumas, ninguém sequer chegou a ocupar a vaga oferecida. A filosofia era a de que apenas os mais preparados podiam integrar o grupo.
O jogo virou em 2021, quando o contrato do posto de contrabaixista lhe foi oferecido. “Eu me lembro da primeira ligação após a audição. Foi pra minha mãe. Mesmo sem saber o que era a Filarmônica de Israel, ou quem era Zubin Mehta. Mas ela via a euforia na minha fala e então só dizia: ‘Poxa, estou tão orgulhosa de ti, quero muito te ver [se apresentando]’, lembra. Não viu.
Algumas semanas depois, no Recife, a doméstica Denise faleceu aos 64 anos, vítima de um mal súbito, e não chegou a testemunhar o filho em carreira internacional. “Foi muito precoce o falecimento da minha mãe. Foi algo muito súbito. Não teve um processo, não teve um… E foi quando eu tinha acabado de girar a chave pro profissionalismo, sabe? Foi algo assim que, ou eu desmorono com tudo aquilo que eu vinha construindo, ou utilizo isso como nutriente, pra minha música, pra minha trajetória”, avalia.
Eu vejo que as simplicidades que minha mãe tinha, a limitação que ela tinha para se expressar, sabe? Essa dificuldade que ela tinha de se expressar, de fazer o que ela sonhava, mas não era por ela não saber, era totalmente falta de conhecimento, falta de oportunidade, que ela não teve. Eu não tenho dúvida de que a mamãe estaria muito orgulhosa de ver esse momento.”
Antonino Tertulino
Contrabaixista
LÁ pro lado das Europas
O macarrão estava cozendo na água fervente quando o som de uma sirene tomou conta da vizinhança. Mais uma. Era o sistema antiaéreo de defesa antimísseis que alertava sobre possíveis ataques na área urbana de Tel Aviv. O ano era 2023, início do conflito com o Hamas, mas duas semanas já eram tempo suficiente para Antonino entender: “Eu não vim aqui pra isso. Essa não é a minha guerra”, resume o pensamento.
Foi assim, meio que às pressas e se recusando a normalizar a convivência com sirenes de guerra, que um plano engavetado do contrabaixista ganhou nova luz: aplicou para um mestrado na Mozarteum University Salzburg, na Áustria, foi aprovado e conseguiu antecipar o início das aulas. Assinou então com a Orquestra Filarmônica de Salzburgo até 2026, logo após voltar do reencontro com as crianças da OCC, quando se mudou para o norte da Alemanha, para um novo desafio: a Niederbayerische Philharmonie.
“Eu ainda acredito que foi tudo muito precoce. As coisas, as oportunidades vieram, eu abracei as que pude, as que digo, as portas que eu abri, sabe? E eu continuo com fome de continuar essa caminhada.”
SInfonia da gratidão
Mais de 700 crianças e adolescentes já passaram pelo projeto Orquestra Criança Cidadã – e ao menos 360 delas se revezaram no palco do Teatro de Santa Isabel, no Recife, no fim das férias de julho, para a apresentação dos 20 anos do projeto. Orquestras infantis, infantojuvenis e jovens revisitaram da música clássica aos sucessos regionais, com releituras próprias, algumas vezes acompanhadas de um coro infantil.
Antonino, convidado de honra, se apresentou em destaque como a principal referência de sucesso da proposta, iniciada ainda em 2006. Repetiu o ritual de sempre: pouca salada, muita água e várias sessões de meditação ao longo do dia até subir ao palco. Dividiu os holofotes com colegas músicos, que convidou das orquestras europeias das quais participou, com o mesmo empenho e ares de showman que exibiu ao estar à frente dos pequenos talentos recifenses por duas noites consecutivas.
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Apresentações da Orquestra Criança Cidadã no Teatro de Santa Isabel
Em frente a um público de 570 espectadores, com movimentos precisos, ele claramente se transportava a outro lugar, onde se encontrava em pleno conforto. Como se, de suas mãos, dependesse o mundo. Carrega ali arte, fardo, história e um tanto mais de expectativas ainda não alcançadas, que não divide.
Perguntado sobre estacionar e fazer carreira em uma única orquestra, em que possa ascender e encontrar zona de conforto, Antonino ri: “Não sou mustang, não sou manga larga [raças de cavalo]. Quero sempre ser a base, estar aprendendo, participar de algo que seja muito maior que eu”, resume o contrabaixista que faz questão de descobrir os maiores verdes pastos que o mundo que anda desbravando ainda lhe possa ofertar. Você sabe, coisa de quem se diz jumento.
White House press secretary Katie Zacharia said Thursday that she tracked President Trump’s interests and intentionally discussed them in television appearances ahead of being selected for the role. “I tracked every news hit to be in accordance with what policies he was pushing for, particularly on Truth Social, since I was the senior communications adviser…
Conjuntamente com a sua newsletter de outubro, a Segurança Social divulgou o calendário de pagamentos em curso, incluindo as datas para subsídios, pensões e outras prestações que se encontram alinhadas. Se é beneficiário, conheça as datas e planeie melhor o seu orçamento.
Ao tomar conhecimento do calendário de pagamentos, fica imediatamente a saber quando é que vai receber os subsídios, o que pode ajudar a planear melhor o seu orçamento familiar deste mês e antecipar o início do próximo com maior facilidade
Os pagamentos de outubro que ainda faltam
No final desta semana, amanhã, a 16 de outubro, será pago o 1º pagamento desemprego / doença / parentalidade / ação social, bem como as Prestações Familiares. A 21 de outubro é pago o Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores.
Mais para o final do mês, a 23 de outubro, serão pagos: o Rendimento Social de Inserção, o Fundo de Garantia Salarial e o Subsídio por Suspensão da Atividade Cultural.
O calendário de pagamentos fica concluído a 28 de outubro, altura em que a Segurança Social procede ao 2º pagamento desemprego / doença / parentalidade / ação social. Note que neste dia também será pago o Subsídio de Apoio ao Cuidador Informal.
A ministra do trabalho diz que " há obrigação legal de o fazer" quando questionada se há fundamentação legal para o pedido de devolução dos valores pagos a mais
Sindicatos pedem aumentos bem acima dos 2,3% previstos no acordo plurianual. Governo diz estar disponível para analisar propostas e garantir "soluções equilibradas".
A confirmar-se o cumprimento da meta prevista no acordo, a base remuneratória da administração pública subirá dos atuais 934,99 euros para 995,51 euros em 2027
El Ejecutivo tramitará decretos de urgencia en diciembre para blindar los ingresos de jubilados y trabajadores frente a la inflación. Lo hará aunque esté en funciones por los comicios adelantados del 29 de noviembre
O sistema permite a criação de um canal de comunicação direto entre as pessoas idosas e a GNR, contribuindo para reforçar a sua segurança, salvaguardar a sua autonomia e a permanência no próprio domicílio.
Na cerimónia de entrega dos dispositivos, a presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, Helena Lapa, destacou a importância da operacionalização deste projeto, considerando que “este projeto nasceu com a missão clara de proteger quem mais precisa, os nossos cidadãos em situação de maior vulnerabilidade, solidão e isolamento geográfico, sendo mesmo uma salvaguarda para o bem-estar dos nossos cidadãos mais vulneráveis e expostos”, vincou.
A autarca agradeceu à GNR pela parceria e “por estarem na linha da frente para quem mais precisa”.
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Num debate que se julgava encerrado do ponto de vista da liberdade de expressão, vem a entidade reguladora sugerir que uma das partes do debate representa um perigo especial para população mais jovem.
Embora tenha tido um impacto significativo, o primeiro secretário da AML, Emanuel Costa, considera que "os problemas não terminaram porque a sociedade é dinâmica", sendo necessárias novas soluções.
O programa abrangeu os 18 municípios da AML e permitiu intervenções em áreas como o Ambiente e Espaço Público, Educação, Respostas Sociais, Saúde, Cultura, Emprego, Economia Local e Cidadania
A entidade reguladora deliberou por unanimidade investigar o caso. A Académica de Coimbra prepara queixa no Ministério Público e vai reforçar a segurança.
Em declarações à VTM, Felicidade Morais, membro da comissão organizadora do evento, destacou a sua importância no panorama académico, considerando-o “um dos mais antigos, senão o mais antigo, da UTAD”.
A primeira edição realizou-se em 1996 no Departamento de Letras, tendo o evento vindo a crescer progressivamente ao longo dos anos, com a participação de investigadores de universidades nacionais e estrangeiras. A edição deste ano foi organizada pelo Departamento de Letras, Artes e Comunicação da UTAD, em parceria com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e o Centro de Estudos em Letras da UTAD.
A edição deste ano contou com a presença de cerca de 70 investigadores de mais de dez países, num formato híbrido que combinou participações presenciais e online. Felicidade Morais explicou que a possibilidade de apresentar comunicações à distância contribuiu para atrair mais participantes e afirmou que os investigadores “se sentiram motivados pela temática do encontro a participar”.
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Anselmo Martins, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, sublinhou que o objetivo “é envelhecer com qualidade de vida, colocando as pessoas em contacto, através de atividades que as mantêm ativas e não ficam tão isoladas num lar. É ainda uma forma de elas conviverem e estarem com pessoas de outras instituições”.
Uma das participantes, Odete Portugal, de 90 anos, veio do Lar de Santa Marta mostrar os dotes para a dança com outros utentes. “Vamos dançar, mas não treinamos muito. E nem precisamos, pois somos velhos, mas aprendemos depressa”.
Esta utente não esconde que se sente bem no lar onde está instalada. “Estou lá há dois anos e gosto de estar no lar a conviver com os outros idosos. Se estivesse em casa tinha de estar sozinha e ali convivo com outras pessoas, o que é bom”.
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O Sall usou a figura da ação popular para impugnar a deliberação que abriu contraordenações com coimas até 150 mil euros contra TVI, CNN Portugal, CMTV e Now.
Proposta conjunta do PS e PSD para novas regras foi aprovada na íntegra. Chega quis que mudanças se aplicassem a licenças já atribuídas quando a lei entrar em vigor mas proposta foi chumbada.
Regime para vítimas de violência doméstica gerou controvérsia entre deputados. Bloco de Esquerda diz que obrigação de saída da morada de família prejudica vítimas
A campanha de promoção do podcast plus “Os Segredos da Seita do Yoga” e a série de artigos sobre as árvores genealógicas dos candidatos presidenciais foram distinguidos pelo júri.