Anúncios online foram usados para instalar spyware em milhões de telemóveis
Até onde vai o impacto do que as pessoas criam com a IA? Essa foi uma das perguntas que motivou as estudantes Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, de 14 anos de idade, do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, a criarem a ferramenta Pense Bem.
“No Pense Bem, você pode colocar publicações que você pretende fazer para que ele faça o cálculo de risco, como que isso pode escalonar, se aquilo ali pode ter um efeito dominó negativo”, explica Beatriz Vasconcellos, uma das estudantes criadoras do Pense Bem.
A plataforma já está no ar, mas ainda deve ser aprimorada para ser lançada oficialmente.
“Antes de publicar, pense no impacto”, esse é o convite para quem acessa. A partir daí, são feitas diversas perguntas para que se possa avaliar se o conteúdo oferece ou não algum risco ao ser divulgado.
Entre as perguntas estão:
A plataforma, então, classifica o conteúdo quanto ao risco e aponta se é possível fazer adequações ao conteúdo e a postagem para que ela não gere desinformação e cause danos à população.
"A gente viu em várias pesquisas que as fake news podem afetar muito a vida das pessoas, até mesmo na vida pessoal, a socialização. Fake news criada por uma pessoa, sobre uma pessoa, pode afetar diretamente até mesmo o psicológico", avalia Beatriz.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) chegou a classificar a desinformação como principal risco global para 2025 e para os anos que estão por vir, à frente das mudanças climáticas, da crise ambiental, dos fluxos migratórios, da violência e do terrorismo.
As três estudantes fizeram pesquisas e entrevistas com professores, estudantes e especialistas para desenvolver o trabalho.
“Existem muitos impactos negativos que podem acontecer por causa da desinformação. E eu acho que o que mais choca, o que mais é surpreendente, pelo menos para mim, é que eu descobri o quanto a desinformação pode afetar a nossa democracia. Tanto em ano de eleição, quanto em ano que não seja de eleição, a democracia pode ser afetada com desinformação, quando são espalhadas fake news”, disse Beatriz.
Para Alice Gomes, também integrante do grupo, a IA ajuda, mas pode também fazer com que as pessoas não questionem o que chega pela internet ou mesmo em grupos de WhatsApp de família.
“Isso faz com que a pessoa, quando ela recebe uma informação, ela não procure antes se essa informação é verdadeira ou falsa. Ela apenas pega essa informação e acaba compartilhando a informação, sem saber se ela é verdadeira ou não, sem saber as fontes dela”, disse.
Alice revela que o projeto a ajudou a mudar a forma como recebe, compartilha e cria conteúdos na internet.
“A gente vê uma notícia online ou até em aplicativos do nosso dia a dia e logo pensa ‘Nossa, eu vou pesquisar melhor sobre essa notícia’. Eu diria que melhorou o nosso pensamento como pessoa”.
“A sua solução é fazer com que as outras pessoas também melhorem o seu dia a dia, melhorem também o seu pensamento crítico”, defende.
A terceira integrante do grupo, Letícia de Oliveira, ressalta que a pesquisa a ajudou a ver o mundo digital de outra forma e a importância de uma educação midiática e uma educação para os meios digitais.
“A gente percebe que a desinformação está sendo um problema muito grave, que afeta a população e as pessoas ao redor da gente. Eu vi, tanto no grupo da família, quanto no Instagram, pessoas sendo afetadas pelas fake news, pelas informações digitais”, disse.
“Eu acho que o assunto da desinformação digital era uma coisa falada, mas nunca foi uma coisa que eu aprofundei muito em saber. E aí, com esse projeto, eu consegui ter mais conhecimento sobre a desinformação e como nós podemos ajudar as outras pessoas a combater ela”, acrescenta a estudante.
O Pense Bem tem ainda desdobramentos voltados para a formação nas escolas, com jogos e mesmo uma formação em educação digital, ainda em desenvolvimento.
Esse não é o primeiro trabalho do trio, que desenvolveu também no âmbito da competição a plataforma Fato ou Boato, para identificar notícias falsas. Nela é possível colar o link da notícia para que seja analisada a veracidade.
As três estudantes estão empolgadas com a visita à Nasa e, com o projeto, contam que se interessaram mais por tecnologia. Letícia e Alice cogitam seguir carreiras em áreas tecnológicas. Já Beatriz, pretende ser médica.

Um ciberataque em França mostrou os riscos reais de dispositivos ligados à Internet e especialistas em cibersegurança dão conselhos para proteger os aparelhos domésticos.


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Tesla vuelve a situar su deportivo Roadster en el centro de la atención con una propuesta que combina propulsores desarrollados junto a SpaceX y que promete llevar la conducción a otro nivel. La nueva generación del vehículo, desarrollada con la participación de SpaceX, podrá separarse del suelo y ejecutar movimientos en el aire. Su versión más potente promete, además, alcanzar casi los 100 kilómetros por hora en menos de un segundo.
El fabricante estadounidense ha mostrado el automóvil este jueves en las instalaciones de pruebas de cohetes de SpaceX en McGregor, Texas, donde mostró algunas de las capacidades del automóvil. El proyecto, anunciado inicialmente en 2017, acumula casi nueve años de retrasos y Tesla prevé comenzar su producción en 2028, aunque todavía no ha concretado el precio definitivo.

La presentación incluyó una demostración en la que el deportivo utilizó sus propulsores para completar una maniobra acrobática. El vehículo recorrió una estructura curva, quedó momentáneamente boca abajo, salió impulsado al aire y efectuó un giro antes de volver al suelo de forma totalmente controlada. La prueba pretendía mostrar las posibilidades del sistema que Tesla ha desarrollado junto a los ingenieros de SpaceX.
En lugar de emplear combustible como el utilizado habitualmente en los cohetes, el mecanismo recurre a aire comprimido almacenado a una presión muy elevada. Su liberación genera el empuje necesario para impulsar el automóvil y permitir movimientos que no forman parte de la conducción convencional.
La variante Performance dispondrá de dos asientos, podrá alcanzar aproximadamente los 100 km/h desde parado en menos de 1,6 segundos e incorporará un sistema de aspiración bajo la carrocería destinado a incrementar el agarre al asfalto. Esta variante ya se puede reservar a través de la página oficial de Tesla mediante un primer pago de 5.000 euros, íntegramente reembolsable. Diez días después deberá abonarse una segunda cantidad de 45.000 euros.
El modelo Thrust también contará con dos plazas, pero añadirá propulsores traseros para reducir el tiempo de aceleración hasta menos de 0,9 segundos. Su reserva requiere igualmente un primer desembolso de 5.000 euros, seguido de un segundo pago de 245.000 euros a los diez días. Según informa EFE, la compañía aseguró que esta versión podrá superar los 370 kilómetros por hora y ofrecer una autonomía mayor a 480 kilómetros.
Por último, la variante Rocket será la más exclusiva de la gama. Tendrá una sola plaza y contará con un "sistema de vuelo completo" según presenta la empresa en su página web. Para esta versión la aceleración de 0 a casi 100 km/h se producirá en menos de 0,59 segundos. Este coche "listo para volar" solo se puede reservar en su página oficial mediante invitación.
Elon Musk ha explicado que este deportivo será el único que cuente con conducción manual dentro de la estrategia de Tesla, ya que la marca pretende orientar buena parte de su futuro hacia los vehículos autónomos y la robótica.
El Roadster de segunda generación lleva casi nueve años pendiente de llegar al mercado. Tesla dio a conocer el proyecto en 2017 y entonces contemplaba su lanzamiento en 2020, con un precio inicial previsto de alrededor de 200.000 dólares. Sin embargo, el calendario se fue modificando mientras la compañía concentraba recursos en otros vehículos y en nuevas líneas de desarrollo tecnológico.
Entre las prioridades que han ocupado a Tesla durante este periodo figuran el Model Y, el Cybertruck y sus iniciativas vinculadas a la conducción autónoma y los robots humanoides. La nueva demostración permite volver a conocer detalles del deportivo, pero la empresa mantiene 2028 como horizonte para comenzar a fabricarlo y todavía no ha publicado los precios definitivos de las tres versiones.
El empresario ha reconocido que el diseño del nuevo Roadster no esta necesariamente "optimizado para la seguridad", una cuestión que genera dudas sobre su homologación para circular por carreteras públicas, según ha informado la agencia EFE.
La inteligencia Israelí cuenta con una ciberarma que no precisa de que el usuario abra un enlace sospechoso ni responda a un mensaje fraudulento. Le basta con que la víctima navegue por un portal de noticias o abra una aplicación meteorológica para que el virus se ponga en marcha. Instantáneamente, una publicidad automatizada aparece en un espacio de la pantalla y bajo esta inocente fachada, el malware inyecta un código malicioso en el dispositivo. De esta manera, el emisor del virus posee un acceso completo a los datos del mismo dispositivo.
Una reciente investigación internacional liderada por The Citizen Lab de la universidad de Toronto ha destapado lo que ha pasado a denominarse como AdFection. Se trata de una técnica pionera de ciberespionaje que permite infectar dispositivos de forma "invisible" mediante la simple visualización de anuncios en páginas web y aplicaciones comunes, situando a España en el epicentro de la amenaza. Según el informe, la red israelí concentró una actividad inusualmente intensa en la península Ibérica y el Estrecho de Gibraltar. No solo eso, también logró colar anuncios con este código de ataque en las redes del Ministerio para la Transformación Digital y de la Función Pública.
Hasta la fecha, la mayoría de los ataques atribuidos a la industria del spyware –como los precedentes de Pegasus o las primeras versiones de Candiru detectadas en Cataluña durante el caso CatalanGate– requerían algo de ingeniería social para inducir a la víctima a interactuar con un enlace. Ahora ya no es necesario. "AdFection" cambia las reglas del juego al instrumentalizar la arquitectura global del Real-Time Bidding (RTB). Esto es, el sistema de anuncios de publicidad que gestiona cientos de miles de millones de impresiones diarias en todo el planeta.
Piense el lector en la publicidad personalizada que le aparece en internet. Cuando entra en una web o app, su terminal envía una "puja" con los metadatos específicos (dirección IP, identificador publicitario móvil MAID, ubicación y características del sistema). A través de su plataforma MyDSP o de intermediarios autorizados, una compañía gana la "subasta" y es esta la que muestra un banner en el dispositivo del objetivo preseleccionado.
El anuncio de AdFection contiene una etiqueta que conecta con los servidores de Discover-Tech. Si el visitante coincide con los parámetros fijados por el atacante, el servidor devuelve código JavaScript malicioso; si se trata de un usuario ordinario o de un escáner de seguridad automatizado, devuelve una respuesta vacía (0 bytes) o un anuncio inofensivo. Este sistema lo hace prácticamente indetectable.
"Es una pesadilla técnica porque demuestra que los dispositivos pueden ser infectados por empresas de programas espía simplemente al visualizar un anuncio en una página web o aplicación, de forma totalmente silenciosa", advirtió Wolfie Christl, investigador y coautor del informe.
Este es el virus que ha proliferado de manera particularmente inusual en la zona sur de nuestro país. Y es que la investigación, que analizó los flujos globales de tráfico de Discover-Tech, localizó una actividad inusualmente densa de estas operaciones sobre la península Ibérica y el área del Estrecho de Gibraltar.
El hallazgo de mayor repercusión para la seguridad nacional fue la identificación de impactos publicitarios con scripts de ataque en terminales conectados a las redes del Ministerio para la Transformación Digital y de la Función Pública. Aunque la recepción de una impresión publicitaria maliciosa no equivale de forma automática a una infección consumada, esto confirma que la red del ministerio estuvo expuesta al vector de intrusión militar.
El hecho de que el ataque alcanzara al ministerio rector de la política tecnológica del Estado español no hace sino evidenciar la fragilidad de los perímetros corporativos públicos frente a un vector que viaja mezclado con el tráfico web general.

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© JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

El tráiler de GTA VI, la nueva entrega de la aclamada saga del videojuego Grand Theft Auto, presenta a Lucía Caminos, una mujer latina, como una de las protagonistas junto a Jason Duval, su pareja. Las críticas de algunos seguidores de la saga no han tardado en aparecer en internet. Más allá de los comentarios sobre el físico de Caminos, algunos usuarios la han tachado de “dominante” por su carácter y han cuestionado sus habilidades con las armas, que consideran “irreales en una mujer”, hasta el punto de compararlas con las de un soldado de la Marina estadounidense. Estas reacciones ponen de manifiesto actitudes machistas que persisten en una parte de la comunidad de jugadores. El rechazo a las mujeres con un papel relevante en la trama, sin embargo, no es exclusivo de GTA VI: ya pasó con otros videojuegos, como World of Warcraft, The Last of Us y Horizon.

© Rockstar Games

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A corriqueira pergunta feita a crianças sobre qual carreira desejam seguir incentivou a professora Giovanna Macedo, de Campinas (SP), a usar a inteligência artificial (IA) para mostrar a seus alunos, de 9 e 10 anos, como eles seriam representados, no futuro, desempenhando os ofícios que sonharam.
O vídeo com as reações das crianças emocionadas viralizou nas redes sociais e ganhou o mundo. As respostas foram de jogador de futebol a astronauta, passando por veterinária, bailarina, cantor, artista e outras.
Giovanna explica que a intenção foi permitir que crianças imaginassem uma fase da vida que ainda está distante para elas.
“Para mim, como professora, é muito significativo criar situações em que os alunos se sintam valorizados e vejam que alguém acredita neles, que têm potencial para irem além.”
A professora contou à Agência Brasil que desde a infância tinha o desejo de lecionar. Neste 15 de outubro, Dia do Professor, a jovem de 27 anos comemorou mais um ano de atuação no magistério, carreira que abraçou há 8 anos, em 2018.
Apesar do tempo na profissão, a docente admite que ainda não tem capacitação em inteligência artificial, mas conta que está sempre antenada nas inovações e usa as tecnologias intuitivamente para ter ideias e produzir recursos visuais que tornem suas aulas mais interessantes.
“Mais do que utilizar uma tecnologia nova, nosso papel é encontrar formas de despertar a curiosidade das crianças, fortalecer a autoestima e ampliar os horizontes delas. Quanto mais conseguirmos mostrar o que são capazes de aprender, criar e sonhar, mais sentido terá o nosso trabalho.”
Após a repercussão da atividade realizada com auxílio de IA generativa, Giovanna confessa ter planos de fazer uma especialização em metodologias e didática para aprimorar seus conhecimentos da nova tecnologia.
“Gostaria que experiências como essa inspirassem outros educadores a explorar novas metodologias e a pensar em maneiras criativas de aproximar os conteúdos escolares da realidade dos alunos.”
Nesta nova cultura digital, em que quadro negro e giz vem sendo substituídos por computadores, as escolas precisam acompanhar as mudanças sociais e tecnológicas com responsabilidade, diante de um cenário em que os estudantes já crescem com acesso a informações entregues em segundos, mas que, muitas vezes, não sabem transformar esse conteúdo em conhecimento.
O posicionamento é de Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School, uma escola privada do Rio de Janeiro.
“Uma criança pode ter facilidade para mexer no celular e, ainda assim, não saber pesquisar com profundidade, identificar uma informação falsa ou compreender os riscos de compartilhar determinados dados.”
Para a educadora, o uso da inteligência artificial ainda deve considerar as diversidades em sala de aula.
“Precisamos oferecer ferramentas, formação e condições para que o professor consiga ensinar a essa geração em que cada criança tem seu ritmo, suas dúvidas e sua maneira de aprender.”
Mesmo em tempos de transformação digital, Kassula defende que a escola preserve o papel de ambiente de desenvolvimento socioemocional.
“Por mais que a tecnologia avance, a escola continua sendo um lugar de relações humanas. É onde a criança aprende a conviver, a lidar com dificuldades, a se conhecer e a descobrir do que é capaz.”
O professor, doutorando e mestre em Educação, Marcio Luiz Dias, atua há 13 anos na formação continuada em tecnologias educacionais do corpo docente da rede pública de ensino do Distrito Federal. Seu foco é a inteligência artificial na educação.
Ele compreende que a formação continuada é indispensável tanto para professores com formação analógica quanto para os recém-formados em licenciaturas.
“No campo digital, as mudanças ocorrem em velocidade tão rápida que torna praticamente impossível que o currículo das faculdades esteja sempre atualizado.”
Marcio acha legítimo o receio de alguns colegas professores em utilizar a inteligência artificial na educação, no entanto, avalia que este é um caminho sem volta. “É algo que se popularizou há relativo pouco tempo, mas que tem ampliado sua presença de forma rápida e abrangente.”
Nas capacitações oferecidas pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), a orientação aos docentes é mediar para que a classe supere o uso mecânico das ferramentas digitais.
“O Currículo em Movimento das Escolas Públicas do DF preconiza que a formação continuada extrapole o uso instrumental das tecnologias e passe para o uso crítico, colaborativo e focado na intencionalidade pedagógica”, relaciona o professor Marcio Luiz.
Já a gestora educacional Kassula Correa defende a importância de valorizar a experiência analógica prévia dos docentes e aproximá-la das novas tecnologias de forma prática, contínua e acolhedora.
“Muitos deles desenvolveram estratégias incríveis de ensino usando quadro, livros, papel e muita criatividade. O que precisamos é aproximar esses profissionais das novas possibilidades, respeitando suas trajetórias.”
A IA também pode contribuir diretamente para automatizar e otimizar rotinas burocráticas e repetitivas, como tarefas administrativas e operacionais, e também para desenvolver atividades que promovam mais a colaboração e o significativo engajamento estudantil, lista o professor do DF.
Como consequência direta, o professor Marcio Luiz aponta para a liberação de tempo de qualidade para que o professor estude mais, planeje as aulas e se dedique ao acompanhamento individualizado das necessidades dos estudantes.
“Nós professores nos vemos com uma série de rotinas burocráticas, repetitivas, cansativas que, embora essenciais para o andamento da escola, tomam nosso tempo para estudar, planejar aulas, testar formatos e adequações, bem como acompanhar de maneira mais próxima nossos estudantes.”
Apesar de a tecnologia trazer agilidade na hora de diversificar exercícios, adaptar níveis de dificuldade, elaborar planos de aula e agilizar correções objetivas, a diretora Kassula ressalta que a escolha da melhor estratégia para a turma depende exclusivamente do julgamento humano do educador.
“A qualidade do ensino continua dependendo da capacidade de transformar os recursos tecnológicos em experiências que ajudem o aluno a aprender. Avaliar o desenvolvimento de uma criança exige compreender seu percurso, suas dificuldades e seus avanços.”
O professor do Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional (CEMI) de Taguatinga, cidade do Distrito Federal, Jaime Guilherme de Oliveira, ensina computação gráfica para estudantes de 14 a 18 anos do ensino médio. Muitos deles sequer têm computador em suas residências.
Vindo do mercado corporativo, na rede pública, o docente passou por capacitações via Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (EAPE) da secretaria de educação do DF.
São eles: Cursos de Linguagens Digitais e IA na Prática Docente, além de pós-graduação em Proficiência em Tecnologias Digitais para uma Educação Empreendedora e cursos online permanentes.
Como resultado do aprendizado incorporado, Jaime Guilherme coloca a inteligência artificial para trabalhar a seu favor na rotina docente, como na criação de conteúdo para as aulas expositivas que facilitem sua compreensão; no planejamento das atividades de cada turma; na elaboração de avaliações adaptadas às necessidades de alunos com neurodivergências ou necessidades específicas; e no desenvolvimento de jogos educativos para fixação e revisão dos conteúdos.
É de autoria do tutor Jaime, via ChatGPT, o jogo interativo Arena ABNT, com as regras, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ensinadas de forma lúdica para a escrita de trabalhos acadêmicos.
Nas dinâmicas pedagógicas, Jaime vê a IA como uma oportunidade para aproximar os alunos das transformações do mundo do trabalho.
O docente, no entanto, reflete que mais importante do que saber gerar conteúdo é saber por que este está sendo criado, para quem será destinado e quais consequências poderá produzir.
“A ferramenta pode fazer muito por nós, mas a intenção, a sensibilidade, o pensamento crítico e a responsabilidade continuam sendo essencialmente humanas.”
Em sua atuação como formador de outros professores, Marcio Luiz Dias enxerga que o acesso a dispositivos móveis e à internet no Distrito Federal é amplo, mas o principal desafio consiste em transformar a conectividade em uso crítico, cidadão e produtivo. E o educador estimula a conectividade para ir além:
“O letramento digital deva atuar fortemente contra riscos, como aplicação de golpes e fakenews propagadas pelas redes sociais, bem como de se tornar uma fonte de novos aprendizados dos quais a pessoa necessite no campo pessoal ou da cidadania.”
Tratando especificamente dos estudantes, o professor Marcio estimula que os profissionais da educação tenham autoridade para estabelecer que a IA seja utilizada pelos estudantes como ferramenta de apoio para assimilar, raciocinar, pesquisar, questionar, debater.
“Reconheço que isso não é fácil, mas o caminho do letramento digital, da formação docente, de estipular e cobrar a análise, a síntese e a argumentação do aluno já foram testados com sucesso”, conclui Marcio.
O combate ao "atalho" exige dos alunos capacidade de análise, síntese e argumentação própria, desenvolvidas via letramento digital.
Dentro do ambiente escolar, o professor Jaime Guilherme de Oliveira ensina aos jovens que a IA deve ser usada com intencionalidade clara; caso contrário, os atalhos da ferramenta geram entregas vazias. "Quando existe uma intenção clara, a ferramenta amplia o alcance de quem já tem algo a dizer."
O professor de Taguatinga, Jaime Guilherme, projeta a presença crescente da IA no planejamento docente e na personalização da aprendizagem. Ele defende que a tecnologia não substitui o professor, que tem papel insubstituível na mediação pedagógica, orientação ética, checagem de dados e formação crítica dos alunos.
O Ministério da Educação (MEC) informou à Agência Brasil que uma nova resolução sobre o uso de inteligência artificial deverá ser publicada em breve, sem precisar uma data.
O documento terá o objetivo de ampliar o uso pedagógico da tecnologia, preservar a autonomia dos professores e garantir a proteção dos estudantes.
Com a futura publicação, a pasta busca estabelecer diretrizes claras e segurança jurídica para que gestores e redes de ensino façam uso das novas tecnologias de forma segura, inclusiva e responsável.
“A partir da resolução, o país passa a contar, de forma inédita, com um parâmetro nacional unificado para orientar a adoção consciente e ética da inteligência artificial em todas as etapas de ensino”, diz a nota do MEC.
Sobre conectividade nas escolas públicas de educação básica em todo o país, o MEC tem a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec).
Em julho deste ano, 108.658 escolas estavam conectadas dentro dos parâmetros de qualidade adequados, classificadas nos níveis 4 e 5 do Indicador Escolas Conectadas (Inec), o que corresponde a 78,7% das 138.086 escolas monitoradas.