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Antigo comissário europeu Pierre Moscovici demite-se do Tribunal de Contas Europeu

O antigo comissário europeu e ex-presidente do Tribunal de Contas francês Pierre Moscovici demitiu-se hoje, por motivos pessoais, do Tribunal de Contas Europeu (TCE), numa altura em que se aproxima a eleição presidencial em França.

“O colégio do Tribunal de Contas Europeu tomou hoje […] conhecimento da demissão do seu membro francês, Pierre Moscovici. Pierre Moscovici informou hoje o órgão máximo de decisão do Tribunal de Contas Europeu, representado pelo seu presidente, Tony Murphy, de que se demitia do cargo de membro em representação de França, por motivos pessoais”, indica o TCE em comunicado.

O antigo comissário europeu, ministro e deputado francês tinha iniciado funções como membro do Tribunal de Contas Europeu em 01 de janeiro deste ano, para um mandato de seis anos.

Como determinado pelas regras europeias, Pierre Moscovici permanecerá em funções até ser substituído.

O sucessor será nomeado pelo Conselho da União Europeia, sob proposta do Governo francês e após consulta ao Parlamento Europeu.

O Tribunal de Contas Europeu é a instituição independente responsável por auditar as receitas e despesas da União Europeia.

Os seus relatórios e pareceres contribuem para fiscalizar a gestão do orçamento comunitário e a execução das políticas europeias.

A demissão de Pierre Moscovici surge numa altura em que França se prepara para as eleições presidenciais de 2027, com a primeira volta prevista para abril, tendo o antigo comissário europeu invocado, em declarações a meios de comunicação franceses, a intenção de “contribuir para o debate público” no país.

Moscovici, de nacionalidade francesa, foi comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, da Fiscalidade e da União Aduaneira entre 2014 e 2019, durante a presidência de Jean-Claude Juncker na Comissão Europeia.

Foi também ministro da Economia e das Finanças de França, deputado e primeiro presidente do Tribunal de Contas francês, antes de assumir funções no Tribunal de Contas Europeu.

Moscovici foi filiado no Partido Socialista francês entre 1984 e 2020.

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EUA anunciam acordo para aquisição de pelo menos 850 caças F-35

EUA

O Pentágono anunciou hoje um acordo-quadro de 10 anos com a fabricante norte-americana Lockheed Martin para o fornecimento de pelo menos 850 caças F-35, sujeito à aprovação do Congresso.

O acordo destina-se a “modernizar e reforçar” a frota de aviões de combate F-35 Lightning II, segundo um comunicado do Departamento da Defesa norte-americano.

O entendimento prevê também o fornecimento de peças sobressalentes, equipamentos de modernização e serviços de manutenção, abrangendo igualmente encomendas internacionais.

A Lockheed Martin pretende manter uma produção anual de 156 aeronaves, enquanto o acordo estabelece que a empresa financiará com recursos próprios investimentos de pelo menos sete mil milhões de dólares (cerca de seis mil milhões de euros) destinados a apoiar o programa.

O entendimento ainda não constitui uma encomenda definitiva, uma vez que os termos contratuais, os preços e os calendários de entrega terão de ser negociados após a autorização do Congresso norte-americano.

O Pentágono não divulgou o valor global previsto para o contrato, que poderá tornar-se o maior da história do programa F-35, iniciado há cerca de 25 anos.

O F-35 é um caça de quinta geração, equipado com tecnologia furtiva destinada a dificultar a sua deteção pelos radares inimigos, e constitui um dos principais programas de modernização das forças aéreas norte-americanas e de vários países aliados.

Existem três versões do aparelho, adaptadas às necessidades da Força Aérea, da Marinha e dos Fuzileiros norte-americanos, incluindo modelos capazes de operar a partir de porta-aviões ou realizar descolagens curtas e aterragens verticais.

Apesar da importância estratégica, o programa tem enfrentado sucessivos atrasos e aumentos de custos, sobretudo relacionados com a modernização dos sistemas eletrónicos, a manutenção e a disponibilidade operacional dos aviões.

Num relatório publicado em setembro de 2025, o organismo de fiscalização do Congresso norte-americano (Government Accountability Office, GAO) revelou que os custos da modernização tecnológica conhecida como ‘Block 4’ ultrapassavam as estimativas iniciais e que a sua conclusão estava atrasada pelo menos cinco anos.

O mesmo organismo informou que todos os 110 aviões entregues pela Lockheed Martin em 2024 chegaram com atraso, numa média de 238 dias, contra 61 dias no ano anterior.

O novo acordo procura proporcionar maior previsibilidade à produção e à cadeia de abastecimento, num contexto de aumento da procura de equipamentos militares devido aos conflitos internacionais.

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PCP que revogar “lei Cristas” mas prioridade é travar lei do arrendamento

O secretário-geral do PCP anunciou hoje que o partido vai voltar a propor a revogação da chamada “lei Cristas”, bem como outras medidas anteriormente chumbadas, mas definiu como prioritário travar a nova lei do arrendamento proposta pelo Governo.

Numa conferência de imprensa sobre habitação, no Parlamento, Paulo Raimundo afirmou que o PCP “tudo fará para derrotar” o que apelidou de “lei dos despejos e do aumento das rendas”, referindo-se à revisão do Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU) proposta pelo Governo e aprovada na generalidade após um acordo entre PSD e Chega.

O líder comunista defendeu também que “o que se impõe não é andar ainda mais para trás”, mas sim “revogar a lei que já hoje está em vigor”, que responsabiliza pela atual situação da habitação.

“A chamada ‘lei Cristas’, essa lei que coloca o país numa situação de insuportáveis rendas, de especulação e profundo desequilíbrio já hoje entre senhorios e inquilinos”, criticou sobre a alteração à lei do arrendamento aprovada em 2012, quando Assunção Cristas era ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território de um Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

No entanto, Raimundo ressalvou que travar as alterações ao arrendamento atualmente em discussão é a “questão fundamental”, considerando que é “possível e urgente” impedir a sua aprovação.

“Pouco nos valia revogar a ‘lei Cristas’ se esta que está em discussão agora fosse para a frente. Porque esta é a continuação da ‘lei Cristas’”, afirmou.

Inquirido sobre se isso significa que o partido vai esperar pelo fim da discussão da lei do arrendamento para avançar com a proposta sobre a ‘lei Cristas’, o secretário-geral comunista afirmou que “uma coisa não implica a outra”, mas que “só faz sentido avançar para o patamar seguinte” depois da derrota da “lei que está em discussão”.

Paulo Raimundo recordou que o PCP tem apresentado sucessivamente propostas para revogar esta lei, mas que foram sempre rejeitadas por PSD, CDS-PP, Chega e IL, e garantiu que o partido vai insistir nesta e noutras iniciativas já chumbadas.

O secretário-geral do PCP afirmou também que esta iniciativa, “por si só, não resolve o problema”, mas que é necessário um “pacote de medidas que seja contrário daquilo que tem sido feito ao longo de décadas”.

Entre as propostas do partido, Raimundo voltou a referir a necessidade de baixar as rendas, assegurar a estabilidade dos contratos de arrendamento em dez anos e a afetação de 1% do produto interno bruto (PIB) em habitação.

“Nós não desperdiçaremos nenhuma possibilidade, quer no quadro do Orçamento de Estado, quer fora do Orçamento de Estado, de voltar a propor estas medidas, são aquelas que respondem às necessidades”, disse.

Questionado sobre os moldes em que estas iniciativas serão apresentadas, Raimundo afirmou “não querer destapar a tática toda”, ironizando que o PCP pretende “apanhar os adversários um bocadinho de surpresa”.

Raimundo enalteceu ainda a “justa indignação” expressa nas manifestações da CGTP, mas também nos protestos pela habitação no Porto e em Lisboa nos últimos dias.

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Albuquerque diz que a causa é legítima mas não se resolve com manifestações

O presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, disse hoje que a habitação é uma “causa legítima”, mas reiterou que a crise não se resolve com manifestações, que considerou instrumentalizadas pelo Partido Comunista e pelo Bloco de Esquerda.

“Quem marca [as manifestações] é sempre o Partido Comunista, que desapareceu do mapa, e os tipos do Bloco de Esquerda, para dizer que existem”, argumentou, vincando que pretendem substituir o parlamento pela rua.

Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional do PSD, falava no âmbito da inauguração de um edifício habitacional privado, em Câmara de Lobos, concelho contíguo ao Funchal a oeste.

“Qualquer manifestação é legítima. Agora, a instrumentalização desta situação por parte dos comunistas é óbvia e toda a gente percebe”, afirmou, referindo-se aos protestos que decorrem no continente.

O chefe do executivo madeirense considerou que a habitação é uma causa legítima, mas sublinhou que a solução passa por mais investimento público, destacando os projetos em curso na região, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no valor de 175 milhões de euros, bem como os vários apoios ao arrendamento e à aquisição criados pelo Governo Regional.

“Não é com conversa [que se resolve a crise], nem com acampamentos, nem sujando jardins, nem insultando as forças da ordem, nem conspurcando os lugares públicos”, afirmou.

Miguel Albuquerque disse, por outro lado, que o imobiliário de luxo continua a ter “um grande mercado na Madeira”, com “efeito transversal” na economia regional, sobretudo ao nível da indústria da construção civil.

“Hoje temos capacidade de desenvolver aqui imobiliário de alta categoria e de alta qualidade, graças aos nossos trabalhadores, às nossas empresas, porque a maioria do trabalho é desenvolvido por técnicos, trabalhadores e empresas da Madeira”, afirmou, reforçando: “Isto tem um efeito fundamental no crescimento da nossa economia, no crescimento das empresas e nos salários.”

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Iberdrola rejeita associação entre doação à Câmara de Lisboa e contratos com autarquia

A Iberdrola rejeitou hoje “categoricamente” qualquer associação entre uma doação para um projeto de iluminação na Câmara Municipal de Lisboa e contratos de fornecimento de eletricidade adjudicados pelo município à empresa, destacando que as entidades envolvidas são independentes.

Segundo uma notícia da revista Sábado, a câmara de Lisboa recebeu, no final de 2023, uma doação superior a 150 mil euros da Fundação Iberdrola Espanha e adjudicou à Iberdrola, desde 2022, contratos de fornecimento de energia elétrica de quase 50 milhões, o que levou o BE a pedir esclarecimentos ao presidente Carlos Moedas.

Numa nota, a Iberdrola rejeitou a associação entre a doação e os contratos, destacando que as entidades envolvidas são diferentes: no caso da doação trata-se da Fundação Iberdrola Espanha, uma entidade privada sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, autonomia de gestão e órgãos de governo próprios, e a adjudicação dos contratos foi à Iberdrola Clientes Portugal.

A doação serviu para um projeto de iluminação dos Paços do Concelho, no âmbito do Programa de Iluminações da Fundação, com o objetivo de valorizar o património histórico e cultural através de soluções de iluminação eficientes e sustentáveis, salientou.

Na nota, a Iberdrola “rejeita categoricamente qualquer associação” entre as duas situações e manifesta “a sua profunda indignação perante a possibilidade de ser colocado em causa o rigor, a transparência e a integridade da sua atuação”.

Segundo a Sábado, a Iberdrola obteve seis adjudicações da Câmara Municipal de Lisboa com um valor global que ascende a cerca de 49,9 milhões de euros, desde 2022, ou seja, desde que Carlos Moedas (PSD) passou a presidir à autarquia.

Antes, no mandato de Fernando Medina (PS), tinha havido apenas uma adjudicação à empresa espanhola, de cerca de 2,7 milhões de euros, em 2020, segundo a Sábado.

A investigação jornalística aponta ainda que entre as adjudicações identificadas está um contrato de cerca de 34 milhões de euros, celebrado em dezembro de 2023, aproximadamente um mês após a assinatura do acordo de colaboração entre o município e a Fundação Iberdrola Espanha para a execução do projeto de iluminação arquitetónica dos Paços do Concelho.

A doação da Fundação espanhola ascendeu a 156.400 euros (69.000 euros para equipamentos de iluminação e 87.400 euros para trabalhos de instalação, controlo e testes).

Na notícia é avançado que os contratos assinados desde 2022 tinham como âmbito o fornecimento de energia às escolas da cidade, exceto um deles, no valor de cerca de 1,2 milhões, que resultou de um ajuste direto para “fornecimento de energia elétrica a instalações do município” para apenas três meses, justificado pela CML com “motivos de urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevisíveis”.

Segundo a Sábado, a “oposição desconhecia o assunto”, uma vez que a “doação nunca foi a reunião de câmara”.

Na quarta-feira, o BE em Lisboa pediu esclarecimentos ao presidente da Câmara sobre a doação e os contratos.

O Bloco quer saber se existiram pareceres jurídicos prévios relativamente à aceitação da doação, quantos contratos foram celebrados entre o município e empresas do grupo Iberdrola desde outubro de 2021, que empresas apresentaram propostas nos concursos vencidos pela Iberdrola desde 2022 e quais foram os critérios de adjudicação utilizados em cada procedimento.

O BE Lisboa questionou ainda Carlos Moedas por que razão o acordo de doação da Fundação Iberdrola, celebrado entre as duas entidades em novembro de 2023, apenas foi submetido a ratificação da Câmara Municipal na quarta-feira, através de uma proposta incluída na ordem de trabalhos da reunião camarária, o que a Sábado diz ter acontecido após perguntas enviadas à CML, para as quais não obteve resposta.

Relativamente ao ajuste direto de cerca de 1,2 milhões, o BE questionou sobre “quais foram concretamente os acontecimentos imprevisíveis que fundamentaram a aplicação da exceção prevista” no Código dos Contratos Públicos.

De acordo com o Regimento da CML, os requerimentos escritos dirigidos ao presidente da Câmara sobre assuntos de interesse público devem ser respondidos no prazo máximo de 30 dias.

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Cultura abre candidaturas a bolsas de criação literária no valor de 630 mil euros

A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) vai atribuir 42 bolsas de criação literária, no valor global de 630 mil euros, cujas candidaturas decorrem entre 02 de novembro e 02 de dezembro.

De acordo com dois avisos publicados hoje em Diário da República, vão ser atribuídas 24 bolsas anuais de criação literária, num total de 360 mil euros, e outras 18 destinadas à banda desenhada e à literatura infantil e juvenil, no valor global de 270 mil euros.

Cada bolsa tem o valor de 15 mil euros e destina-se a pessoas “maiores de 18 anos, de nacionalidade portuguesa, ou residentes em Portugal, que escrevam em língua portuguesa”, explicita o diploma.

As 24 bolsas do Programa de Bolsas Anuais de Criação Literária abrangem as modalidades de dramaturgia e escrita teatral, ensaio, ficção narrativa e poesia.

Neste caso, a avaliação e seleção das candidaturas caberá a um júri constituído por Golgona Anghel, Isabel Lucas, Joana Meirim, João Dionísio, José Bragança de Miranda, José Luís Peixoto, José Riço Direitinho e Paula Magalhães.

Para a Banda Desenhada e a Literatura Infantil e Juvenil, o júri será composto por Andreia Brites, Dora Batalim SottoMayor e João Ramalho-Santos.

As candidaturas aos dois programas devem ser submetidas obrigatoriamente através do portal de serviços públicos da República Portuguesa, a partir das 10:00 de 02 de novembro e até às 23:59 de 02 de dezembro.

O número de bolsas e o montante global anunciados hoje mantêm-se inalterados face a 2025, ano em que entrou em vigor um novo modelo de apoios à criação literária, que passou a contemplar o ensaio e criou uma linha autónoma para a banda desenhada e a literatura infantil e juvenil.

O novo modelo foi anunciado pela então ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, depois de o programa geral não ter sido aberto em 2024, ano em que foram atribuídas apenas oito bolsas semestrais, no valor global de 60 mil euros, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.

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Depois da crise migratória, Espanha e Itália levantam controlos fronteiriços

Espanha e Itália concordaram em pôr fim aos controlos fronteiriços nos dois países, depois de terem sido implementados durante a crise migratória que se sentiu no verão em Ceuta.

Segundo o jornal “El Economista”, os dois ministros do Interior chegaram a acordo, com o objetivo de restabelecer a normalidade na circulação entre os dois países dentro do Espaço Schengen. A suspensão das medidas aplicadas vai ser acompanhada de um reforço no intercâmbio de informações entre as autoridades dos dois países.

Em julho deste ano, a cidade de Ceuta foi alvo de uma crise migratória, com a entrada de dezenas de milhares de pessoas. Perante esta situação, Itália tomou a decisão de estabelecer os controles, justificando a medida com motivos de segurança e com receios de que as pessoas que tivessem entrado irregularmente em território espanhol pudessem seguir para outros países europeus.

Espanha respondeu a Itália e impôs controlos aos viajantes procedentes do país, depois de considerar esta decisão discriminatória e contrária aos interesses europeus.

As restrições aplicadas afetavam as conexões aéreas e marítimas entre os dois países e representavam, durante quase três meses, uma exceção ao habitual funcionamento do Espaço Schengen.

O acordo, agora anunciado, surge depois do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, terem trabalhado neste assunto durante o Conselho Europeu, realizado em Bruxelas.

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Lula aposta em ‘influencer’ das periferias para mobilizar jovens e diminuir abstenção

De criador de uma página de humor que chegou a milhões de seguidores, Leonardo de Souza Xavier tornou-se coordenador de mobilização de rua da campanha de Lula, para aproximar o candidato dos jovens das periferias de Fortaleza.

Aos 34 anos, o recém-eleito deputado estadual do PSOL do Ceará, conhecido como Léo Suricate, foi convidado pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, do PT, para integrar a coordenação da campanha de Lula na segunda volta, assumindo a organização dos atos de rua e parte da ocupação das redes sociais.

A estratégia recebeu o nome de “Baile do 13” como uma resposta ao “Bloco do 22”, iniciativa associada à campanha de Flávio Bolsonaro que teve grande força no Nordeste durante a segunda volta.

A estratégia do campo progressista, explica Suricate, procura disputar não apenas votos, mas a linguagem cultural das periferias, usando paredões, funk, brega funk e piseiro para ocupar os mesmos territórios onde a direita vem tentando ampliar a sua influência

“A ideia desse movimento, que a gente está chamando de Baile do 13, é ocupar as periferias”, explicou Léo, que descreve o paredão como uma alternativa mais barata e menor do que palcos ou trios elétricos, e lembra que “13” é o número de Lula nas urnas.

A mobilização percorre uma freguesia diferente a cada dia e é feita, segundo Suricate, com participação direta das comunidades e de cerca de 30 coletivos periféricos.

Na noite de quarta-feira, o ato reuniu vários apoiantes vestidos de vermelho com bandeiras do PT na periferia de Fortaleza, e contou com a presença do ministro responsável pela articulação política do Governo Lula, José Guimarães.

O objetivo com a mobilização, descreve, não é apenas conquistar votos para Lula, mas sobretudo levar às urnas eleitores que deixaram de votar na primeira volta, num cenário em que a abstenção preocupa a campanha petista.

Na capital do Ceará, Lula somou 797.002 votos válidos e Flávio Bolsonaro 586.251, enquanto 233.859 dos 1.795.713 eleitores aptos não compareceram às urnas, numa abstenção de 13,02% na primeira volta.

O alerta se soma ainda ao fato de Flávio ter tido cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula em todo o Brasil, num cenário de abstenção nacional em que 33 milhões de eleitores não foram votar.

“Esse movimento que a gente está fazendo de ato é mais para animar a galera [malta] do próprio bairro [freguesia] e sacudir o bairro para dizer: ‘Ei, vai votar, vai votar, vai votar’”, afirmou.

A preocupação com a participação eleitoral é acompanhada por uma ofensiva nas redes sociais, onde grupos ligados à campanha produzem vídeos e outros conteúdos para desconstruir Flávio Bolsonaro e divulgar propostas de Lula dirigidas sobretudo aos jovens.

A capacidade de falar com esse público nasceu muito antes da entrada de Léo na política institucional, a partir da periferia de Fortaleza e da criação, em 2012, da página de humor Suricate Seboso, inicialmente uma brincadeira dele com outros dois amigos ligados à cultura de periferia e à internet.

A mudança para a política ocorreu gradualmente, sobretudo depois de “La Casa dos Vetim”, série de baixo custo produzida em 2019 que utilizava humor para abordar violência urbana, evasão escolar e a realidade dos jovens das periferias de Fortaleza.

“La Casa dos Vetim me deu a oportunidade de ser porta-voz de uma geração que não estava sendo vista”, afirmou.

Mesmo com a fama de artista, e agora político eleito, Suricate não se afastou das suas raízes e por isso ainda mora num apartamento do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida, localizado na freguesia do Jangurussu, que reúne 70 mil moradores da periferia.

Suricate diz que sua relação com a política começou ainda na infância quando a família participou de mobilizações por água canalizada, e passou depois pelo movimento cultural e pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

O seu mapa eleitoral, afirma, contrasta com o perfil tradicional do PSOL, concentrando votos em áreas periféricas de Fortaleza e menos no centro económico da cidade.

É dessa experiência que Léo diz retirar uma lição que o PT precisa ouvir, apesar de pertencer ao PSOL, partido que não integra formalmente a legenda de Lula.

Para ele, a campanha de Lula demorou a perceber a necessidade de uma comunicação mais direta com os eleitores, especialmente através das redes sociais e de formatos capazes de alcançar públicos que não acompanham os canais políticos tradicionais.

Léo Suricate vê ainda a disputa cultural como parte da batalha eleitoral, sobretudo diante da aproximação de setores da direita com linguagens, símbolos e estéticas nascidas nas periferias.

“Eu acho que a primeira coisa que a gente tem que ter é respeito com a cultura das pessoas”, afirmou, defendendo que a esquerda também ocupe esses espaços sem abandonar sua relação histórica com os territórios periféricos.

A Lusa esteve no seu comité de campanha e acompanhou vários jovens a produzir vídeo para as redes, sendo que numa das gravações eles dançavam pagode baiano, com letra política pró-Lula elaborado por pessoas da própria comunidade.

Entre batidas eletrónicas e várias vozes, a composição se refere a Lula como “o velho que representa”, critica a oposição ao dizer “Avisa, o Bolsonaro é perigoso! só quer ferrar com o povo!”, além de vários convites a rebolar e “votar 13”.

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Taiwan antecipa fim de exercícios militares devido à chegada do tufão Champi

As Forças Armadas de Taiwan anunciaram hoje o fim antecipado de exercícios militares devido à aproximação do tufão Champi, que levou as autoridades a emitir alertas e cancelar dezenas de voos e ligações marítimas.

O ministério da Defesa taiwanês anunciou, em comunicado, que decidiu encerrar às 10:00 (03:00 em Lisboa) os exercícios militares ‘Lu Sheng 2’, iniciados em 14 de outubro e inicialmente previstos até sexta-feira.

As manobras envolveram duas brigadas de armas combinadas em operações de combate diurnas e noturnas, destinadas a reforçar as capacidades de “defesa prolongada” do território perante uma eventual invasão chinesa.

“Uma vez que o exercício ‘Lu Sheng 2’ decorre há nove dias e os principais objetivos de treino foram cumpridos, decidiu-se, após avaliação, encerrar as manobras para permitir que as unidades participantes se preparem para possíveis catástrofes”, indicou o comunicado.

O ministério sublinhou que a preparação para catástrofes é “fundamental” para a segurança da população e que, após regressarem às bases, as tropas vão iniciar operações de prevenção e mobilização antecipada de efetivos para responder aos efeitos do tufão.

A Administração Meteorológica Central (CWA) de Taiwan emitiu hoje um alerta terrestre para quatro regiões da ilha, perante a possibilidade de o Champi atingir a costa nordeste nas próximas horas.

O alerta abrange os condados orientais de Yilan, Hualien e Taitung, além de Pingtung, no sul, podendo ser alargado a grande parte do território.

Às 12:15 (05:15 em Lisboa), o tufão encontrava-se a cerca de 500 quilómetros a leste – sudeste do cabo Eluanbi, no extremo sul de Taiwan, com ventos sustentados de 183 quilómetros por hora e rajadas até 227 quilómetros por hora.

Segundo o meteorologista Lin Ping-yu, citado pela agência taiwanesa CNA, a área de ventos fortes do tufão aumentou ligeiramente nas últimas horas.

As previsões apontam para que o sistema atinja a metade oriental de Taiwan ou a península meridional de Hengchun na madrugada de sexta-feira.

O meteorologista advertiu que o tufão poderá abrandar ou mesmo permanecer estacionário ao aproximar-se da ilha, devido ao relevo montanhoso, não sendo de excluir que o centro da tempestade atinja Yilan ou o norte de Hualien.

Entre hoje e sábado, a CWA prevê precipitação acumulada entre 600 e 900 milímetros nas regiões montanhosas do norte, enquanto as zonas montanhosas de Taipé poderão registar até 700 milímetros.

O Champi, que poderá tornar-se o primeiro tufão a atingir diretamente Taiwan este ano, já provocou o cancelamento de dezenas de voos e de cerca de 30 ligações marítimas, além da suspensão das aulas e da atividade laboral nas ilhas Verde e Orquídea, ao largo da costa sudeste.

Na China continental, o ministério dos Recursos Hídricos ativou hoje uma resposta de emergência de nível IV, o mais baixo numa escala de quatro, devido ao risco de inundações em Xangai e nas províncias orientais de Jiangsu, Zhejiang e Fujian.

Segundo as previsões oficiais, as chuvas previstas entre 23 e 25 de outubro poderão provocar subidas significativas dos caudais dos rios da costa oriental, com risco de transbordo em cursos de água de pequena e média dimensão em Zhejiang e de enxurradas em zonas montanhosas.

Em Xangai, as autoridades meteorológicas preveem chuvas intensas entre sexta-feira e domingo, com precipitação acumulada entre 50 e 70 milímetros, que poderá atingir 120 milímetros nas zonas costeiras e 150 milímetros em pontos isolados.

As rajadas de vento poderão ultrapassar os 100 quilómetros por hora na zona portuária de Yangshan.

Os tufões são frequentes nesta região durante o verão e o outono, quando as águas quentes do Pacífico favorecem a formação de ciclones tropicais que podem causar danos significativos e perturbar os transportes e a atividade económica.

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Parlamento da Argentina quer repor limite à venda de terras a estrangeiros

O Parlamento da Argentina avançou com a restituição dos limites à venda de terras a estrangeiros, uma lei que tinha sido revogada pelo Presidente Javier Milei no final de 2023, desencadeando uma longa disputa judicial.

A Câmara dos Deputados – câmara baixa do Congresso da Nação Argentina – aprovou na quarta-feira a restauração da Lei das Terras Rurais, aprovada em 2011.

Isto no âmbito de um projeto de lei, apresentado pelo Governo, que o próprio Executivo decidiu alterar, já após a aprovação no Senado – a câmara alta do Congresso – face a um intenso movimento de protesto popular.

O projeto de lei irá ser novamente enviado ao Senado para votação.

O recuo do Governo foi anunciado em 14 de outubro, face à possibilidade de a oposição conseguir os apoios necessários no Congresso para reverter o plano de desregulação económica de Milei, implementado em 2023, que incluía, entre muitas outras questões, o fim do limite à venda de terras a estrangeiros.

A eliminação das restrições à compra de terrenos rurais por estrangeiros foi inicialmente suspensa por uma providência cautelar proferida por um tribunal de segunda instância em março de 2024.

Em 29 de setembro passado, o Supremo Tribunal reverteu essa decisão judicial e confirmou o decreto de Milei que revoga o limite de 15% previsto na lei.

Mas, em 09 de outubro, após fortes críticas, o Supremo Tribunal voltou a suspender a eliminação das restrições, em resposta a uma ação judicial de 2024 interposta por uma organização ambientalista da Patagónia, no sul da Argentina.

O fim do limite à venda de terras a estrangeiros foi apresentado como parte de uma série de políticas para promover o investimento na Argentina.

Apesar de um clima favorável, em 2025 o investimento direto estrangeiro na Argentina foi o mais baixo entre as principais economias da América Latina, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Segundo a OCDE, a Argentina recebeu, em 2025, 3,13 mil milhões de dólares (2,79 mil milhões de euros) de investimento direto estrangeiro, enquanto o vizinho Brasil atraiu 76,9 mil milhões de dólares (68,4 mil milhões de euros).

Em 02 de outubro, a Argentina anunciou que vai conceder a cidadania aos estrangeiros interessados que invistam no país pelo menos 350 mil dólares (312 mil euros), um programa que entrará em funcionamento no final de 2026.

O programa de obtenção de cidadania em troca de investimento, anunciado pelo governo, propõe “dois mecanismos simples e transparentes”, como realizar “uma contribuição direta e não reembolsável para o Tesouro Nacional de 350 mil dólares ou subscrever um título público de 800 mil dólares criado especificamente” para o efeito, segundo um comunicado oficial.

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Proposta orçamental está entre inércia e transformação, refere bastonário dos Economistas

O bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, considera que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 “está entre a inércia e a transformação”, disse em entrevista ao podcast Lusa Extra.

Para o também ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, existe uma inércia relacionada com a rigidez em torno da elaboração do orçamento, enquanto, diz, a componente transformadora está pouco visível.

“Esta dimensão transformadora de um orçamento, ou seja, estar inserida num projeto de natureza mais ampla, de uma visão mais ampla de médio e longo prazo, tem que ser introduzida”, afirmou o bastonário.

O economista assumiu que “há muita rigidez em torno da elaboração do orçamento”, porque as despesas públicas já estão, em grande parte, afetadas a vários níveis, prestações sociais, vencimentos de funcionários públicos, apoio à educação, e também devido à envolvente externa.

“Há condicionalismos europeus, as regras orçamentais, também introduzem elementos de rigidez muito importantes”, acrescentou.

O orçamento “tem esta componente, sobretudo, muito forte de continuidade e, portanto, tem muitos riscos porque subordina muito ao equilíbrio e propõe-se manter o equilíbrio orçamental e até reforçar ligeiramente o excedente para 2027”, salientou.

Apesar da componente técnica ser forte, há uma série de problemas estruturais que não aparecem no documento, ou apenas de forma indireta, notou, numa altura em que é necessário saber qual é a visão que o país tem para o futuro e para fazer face aos problemas como a questão da habitação.

Há também outras questões como “o atraso em termos das infraestruturas públicas” e “vão-se colocar problemas também de natureza muito profunda, ao nível da própria reforma do ensino, do papel da inteligência artificial, como é que vamos apoiar e vamos incentivar a transformação da estrutura produtiva do país”, enumerou.

Segundo o bastonário, a resposta a estes problemas surge apenas com alguns investimentos que estão programados, ainda que não veja uma coerência de objetivos estratégicos a médio e longo prazo.

Isso “continua a faltar ao país”, defendeu.

No que diz respeito às perspetivas de crescimento económico, disse que “há um certo otimismo”, mas considerou que este, desde que não seja excessivo, é bom, já que transmite particularmente a investidores e consumidores “uma certa confiança” e a economia “também depende disso”.

A proposta de OE2027 prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% no próximo e contas equilibradas este ano e um excedente de 0,1% em 2027.

Quanto à previsão orçamental, disse esperar “que os grandes objetivos, particularmente em matéria de equilíbrio orçamental, sejam concretizados”, já que tal “é importante” para a imagem externa de Portugal.

A proposta orçamental vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro. A votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

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Juros da dívida sobem a dois, cinco e 10 anos

Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quarta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, bem como com os de França no prazo mais longo.

Às 08:20 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,950%, contra 3,938% na quarta-feira.

Os juros a cinco anos também subiam, para 3,515%, contra 3,502%.

Os juros a dois anos avançavam para 3,211%, contra 3,196% na véspera.

Os juros da dívida francesa subiam para 5,046%, um máximo desde julho de 2002, contra 5,012% na véspera.

Em sentido contrário, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, desciam, para 3,400%, contra 3,417%, bem como os dos Estados Unidos, que cediam para 5,078%, contra 5,121%.

O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, continuava a subir, para 164,7 pontos base, em máximos dos últimos 15 anos e acima dos de Itália, Espanha, Grécia e Portugal.

Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:20:

2 anos…5 anos…10 anos

Portugal

22/10…….3,211…3,515…..3,950

21/10…….3,196…3,502…..3,938

Espanha

22/10…….3,234…3,587…..4,084

21/10…….3,228…3,571…..4,076

Grécia

22/10…….3,332…3,878…..4,440

21/10…….3,320…3,846…..4,410

Itália

22/10…….3,613….4,082…..4,613

21/10…….3,574….4,043…..4,576

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

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Rússia vai enviar o primeiro navio-tanque com gasóleo rumo aos Estados Unidos

O primeiro navio-tanque carregado com gasóleo partirá na quinta-feira da Rússia rumo aos Estados Unidos, no âmbito do acordo assinado recentemente entre as autoridades dos dois países, declarou hoje o vice-primeiro-ministro russo.

“Prevê-se que o primeiro navio-tanque zarpe do porto amanhã [quinta-feira], 22 de outubro, rumo aos Estados Unidos”, declarou Alexander Novak à imprensa em São Petersburgo, o principal porto russo no Mar Báltico.

Depois de sublinhar que o primeiro navio-tanque transporta um total de 40 mil toneladas, garantiu que “outras remessas virão na sequência, sem qualquer dúvida”.

“Conforme acordado entre os dois países, iremos satisfazer a procura [de gasóleo] dos Estados Unidos dentro das nossas possibilidades”, afirmou, acrescentando que o processo de assinatura do acordo de fornecimento entre as duas nações “está na fase final”.

Novak referiu que, atualmente, a Rússia não está a exportar “o volume total, mas sim o que está dentro da capacidade das suas refinarias.

“Alcançaremos o nível previsto apenas no final do ano. A partir daí, outros países também voltarão a receber os volumes [de gasóleo] que recebiam anteriormente”, disse.

Hoje, o enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, agradeceu ao chefe de Estado russo, Vladimir Putin — em nome do Presidente dos EUA, Donald Trump —, durante uma reunião realizada em São Petersburgo, a decisão do Governo russo em enviar gasóleo para o seu país.

Os persistentes ataques ucranianos dos últimos meses contra refinarias russas prejudicaram a produção de gasolina e gasóleo, provocando um défice de combustível na Rússia — o que se refletiu no aumento dos preços destes produtos e em longas filas nos postos de abastecimento.

Há apenas um mês, o próprio Novak determinou ao Governo que aumentasse a produção e definisse os níveis de importação de combustíveis para estabilizar o mercado interno. Entre as medidas adotadas estava a proibição da exportação de gasolina e gasóleo, que foi parcialmente levantada para viabilizar o cumprimento do acordo assinado entre Putin e Trump.

Desta forma, a Rússia exportará, no imediato, mais de 300 mil toneladas de gasóleo para os mercados dos Estados Unidos e global; mais 500 mil toneladas durante o mês de novembro e um milhão de toneladas depois.

Anteriormente, Novak indicou que a Rússia poderia mesmo antecipar estes planos, chegando a exportar, até ao final do ano, cerca de 3,5 milhões de toneladas de gasóleo no âmbito do acordo assinado com os Estados Unidos — um volume equivalente a mais de 10% do mercado mundial.

Moscovo está disposto ainda a exportar “grandes quantidades” de fertilizantes para o mercado norte-americano, declarou hoje o Presidente russo.

“Poderíamos fornecer fertilizantes em grandes quantidades para o mercado norte-americano”, afirmou o líder russo durante o encontro com Witkoff, realizado no Palácio de Constantino, em São Petersburgo.

Putin salientou que Trump, em conversas telefónicas, manifestou o interesse dos Estados Unidos em comprar fertilizantes russos.

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UE vai aumentar para 700 milhões limite de licenças de emissão de gases poluentes

A União Europeia (UE) vai aumentar de 400 para 700 milhões o número máximo de licenças de emissão de gases poluentes em reserva, após se ter chegado a um acordo provisório, foi hoje divulgado.

Segundo um comunicado, o Conselho da UE e o Parlamento Europeu (PE) chegaram a um acordo provisório na terça-feira que aumenta de 400 para 700 milhões o número máximo de direitos de emissão que podem ser acumulados na reserva europeia, um mecanismo que guarda as licenças excedentárias para as poder devolver ao mercado quando necessário e que, de acordo com as normas atuais, elimina definitivamente as que excedem o limite estabelecido.

De acordo com o comunicado, esta alteração pontual a este mecanismo de reserva “aumentará a liquidez e a previsibilidade do mercado a longo prazo, protegendo simultaneamente a competitividade industria”l.

O acordo provisório precisa ainda de ser confirmado por ambas as instituições antes da sua adoção formal.

A reserva retira do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão (CELE) da União Europeia as licenças de emissão de gases com efeito de estufa em excesso, passando o limite de 400 milhões para 700 milhões.

Para os Estados-membros e o PE, o maior número de licenças reforçará a estabilidade a longo prazo do mercado de carbono da UE e proporcionará uma maior margem de proteção contra futuras flutuações do mercado, garantindo simultaneamente uma salvaguarda contra uma oferta excessiva de licenças.

Os colegisladores concordaram ainda com uma “redução gradual do limiar de invalidação no âmbito da revisão mais ampla do CELE, prevista para 2030, a fim de garantir uma abordagem global coerente”.

A Reserva de Estabilidade do Mercado, criada em 2019, regula o funcionamento do mercado do carbono, reduzindo a oferta de licenças no mercado quando há demasiadas em circulação e injetando licenças quando há escassez.

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Lucro da Iberdrola sobe 10% no terceiro trimestre

A Iberdrola, multinacional espanhola que atua no setor energético, fechou o terceiro trimestre do ano com um lucro líquido de 5,8 mil milhões de euros, o que se traduz num aumento de 10% face ao período homólogo.

De acordo com o comunicado da empresa, excluindo o impacto cambial, o lucro líquido ajustado da empresa cresceu 13%. Já o EBITDA ajustado subiu 7% para 11,9 mil milhões de euros, impulsionado por um crescimento de 15% no negócio de redes.

Durante o terceiro trimestre a empresa aumentou o seu investimento para 10,1 mil milhões de euros, o que se traduz num crescimento de 13%. Reino Unido, Estados Unidos e Brasil receberam 75% do total do investimento da empresa.

Do total investido, 6,3 mil milhões foram em redes, elevando a base de ativos regulados para um valor recorde de 56 mil milhões de euros. Enquanto, 3,6 mil milhões de euros foram aplicados em produção e clientes, o que permitiu adicionar 3.300 megawatts de capacidade face ao período homólogo.

O rácio da dívida líquida ajustada da empresa foi de 3,4x, com cerca de 80% da dívida contratada a taxa fixa.

O objetivo da empresa para os próximos anos é manter uma taxa média de crescimento anual de 10% do lucro líquido ajustado, tendo como meta que no setor redes a base de ativos regulados deve crescer em todos os países, ultrapassando os 90 mil milhões de ativos a nível global até 2030.

Ignacio Galán, presidente executivo da Iberdrola, afirma que “o desempenho da Iberdrola nos primeiros nove meses de 2026 dá-nos confiança para rever em alta as nossas perspetivas para o conjunto do ano, antecipando um crescimento do lucro ajustado de pelo menos 10%”.

“Mais do que nunca, estamos a liderar a nível global o investimento e o desenvolvimento das infraestruturas elétricas essenciais para a segurança energética e para o crescimento económico. Em todas as geografias onde operamos, uma procura sem precedentes está a impulsionar a expansão acelerada das redes elétricas até 2030 e para além dessa data”, refere.

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Juros da dívida sobem a dois, cinco e 10 anos

Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a terça-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia e Itália, bem como com os de França no prazo mais longo.

Às 08:40 em Lisboa, os juros a 10 anos avançavam para 3,904%, contra 3,884% na terça-feira.

Os juros a cinco anos também subiam, para 3,465%, contra 3,450%.

Os juros a dois anos avançavam para 3,174%, contra 3,153% na véspera.

Os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha, considerada a mais segura da Europa, mantinham-se em 3,399%, enquanto os de França subiam, para 4,962%, contra 4,929%.

O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, continuava a subir, para 156,8 pontos base, em máximos dos últimos 15 anos e acima dos de Itália, Espanha, Grécia e Portugal.

No mesmo sentido, os juros da dívida dos Estados Unidos a 10 anos subiam, para 5,112%, contra 5,111% na véspera.

Juros da dívida soberana em Portugal, Espanha, Grécia e Itália às 08:40:

2 anos…5 anos…10 anos

Portugal

21/10…….3,174…3,465…..3,904

20/10…….3,153…3,450…..3,884

Espanha

21/10…….3,209…3,535…..4,044

20/10…….3,200…3,520…..4,027

Grécia

21/10…….3,290…3,813…..4,376

20/10…….3,262…3,784…..4,350

Itália

21/10…….3,533….4,007…..4,553

20/10…….3,501….3,973…..4,518

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

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Moçambique quer atrair indústrias chinesas para produzir e exportar em África

O presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM) defendeu hoje em Macau a transferência de indústrias chinesas para o país africano, considerando que este mercado pode assumir um papel estratégico para a China na região.

“Moçambique poderia ser um país na região importante para a China. Primeiro, porque está bem localizado, segundo, porque penso que podíamos deslocar algumas indústrias da China hoje para Moçambique”, afirmou Lucas Chacine em declarações aos jornalistas à margem da abertura da 31.ª Feira Internacional de Macau (MIF).

Os setores do vestuário, a industria automóvel ou de maquinaria são áreas com potencial, apontou. Moçambique pode servir “como uma plataforma para produzir, nem que seja alguns componentes”, disse.

“É possível produzir em Moçambique, para consumir em Moçambique, mas também para exportar para o vasto mercado regional”, continuou.

Chacine destacou a disponibilidade de mão de obra no país, onde todos os anos entram cerca de 500 mil jovens no mercado de trabalho. O dirigente considerou que a cooperação entre os dois países deve evoluir de uma relação não apenas centrada no consumo para uma maior aposta na produção em território moçambicano.

Questionado sobre se a instabilidade em Moçambique pode afastar a China ou outros investidores, o presidente da CCM rejeitou a possibilidade.

O Banco de Moçambique identificou em junho a tensão pós-eleitoral e a instabilidade militar em Cabo Delgado como algumas das principais vulnerabilidades que afetaram a estabilidade financeira do país em 2025.

Os protestos que se seguiram às eleições gerais de outubro de 2024 durante os cinco meses seguintes provocaram mais de 400 mortos e a destruição de empresas e património público, afetando a atividade económica em vários setores.

Sobre esse contexto político, o Relatório de Estabilidade Financeira de 2025 do banco central moçambicano refere que “os efeitos da tensão pós-eleitoral sobre a maioria dos setores de atividade influenciaram o desempenho da economia”, afetando a circulação de pessoas e bens, reduzindo o volume de negócios e contribuindo para o aumento do desemprego.

“Moçambique é um país estável. Temos alguns focos [de violência] hoje no norte de Moçambique, bem identificados, mas temos um país em paz. Houve naturalmente aquela bolha pós-eleitoral, mas está totalmente controlada”, declarou Lucas Chacine.

Sobre a cooperação com os restantes países de língua portuguesa, representados na 31.ª MIF, o responsável indicou hoje que a CCM propôs recentemente a criação de uma plataforma conjunta das câmaras de comércio lusófonas para reforçar o diálogo empresarial e a abordagem comum a mercados como Macau e a China.

A plataforma, continuou o líder da CCM, deverá permitir aos países lusófonos aproveitarem as respetivas experiências de desenvolvimento e discutirem formas de entrada em novos mercados.

A China definiu em 2003 Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com universo lusófono. Nesse ano criou o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), que tem sido a plataforma executiva dessa estratégia.

Mais de duas décadas depois, o desígnio identificado em 2003 está agora a ser alargado aos países de língua espanhola. Sobre esta nova orientação, Chacine manifestou-se favorável, defendendo uma maior abertura económica e cultural, desde que exista reciprocidade no acesso aos mercados.

“Desde que não haja países que só servem para importar e os outros para exportar. Penso que se houver uma abertura em que os nossos países, as nossas empresas tenham também acesso a esses mercados, é positivo e é muito bem-vindo. Acho que temos de mudar esse paradigma”.

O responsável sublinhou ainda que Moçambique tem vindo a adotar medidas para promover a transformação de matérias-primas antes da exportação.

“Hoje a palavra de ordem é transformar pelo menos uma parte para podermos ver esses mercados, não apenas como fornecedores de matéria-prima, mas também de produtos manufaturados”, afirmou.

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Canal do Panamá bate recorde de carga graças a Ormuz e apesar do El Niño

O Canal do Panamá bateu o recorde anual de tráfego de mercadorias, impulsionado pelos problemas no Estreito de Ormuz, e apesar da quebra no tráfego marítimo provocada pela seca causada pelo El Niño.

Cerca de 521 milhões de toneladas de mercadorias foram transportadas através do Canal do Panamá no último ano fiscal (de 01 de outubro de 2025 a 30 de setembro de 2026), a bordo de quase 14 mil navios, segundo dados da Autoridade do Canal do Panamá (ACP).

Os Estados Unidos e a China são os principais utilizadores desta via de 80 quilómetros de comprimento, por onde transita, segundo as estimativas, 5% do comércio marítimo mundial.

“O canal registou, ao longo do ano, um ‘boom’ no tráfego marítimo devido às dificuldades de circulação no Estreito de Ormuz”, declarou à agência de notícias France-Presse a diretora do canal, Ilya Espino de Marotta.

Desde o início do conflito no Médio Oriente, no final de fevereiro, o Canal do Panamá aumentou o número de trânsitos diários de 36 para 41 “durante um certo período”, a fim de facilitar a passagem dos navios que procuravam uma alternativa segura para o transporte de hidrocarbonetos, acrescentou.

Um aumento que ajudou a compensar a redução posterior do número de passagens, que o canal centro-americano teve de implementar devido à escassez de chuva.

A via navegável opera graças à água doce armazenada em dois lagos artificiais, cujos níveis baixaram em consequência da seca provocada pelo fenómeno climático El Niño.

Consequentemente, desde o início de setembro, o número de travessias diárias foi sendo gradualmente reduzido, passando de 36 para 32, antes de ser ajustado para 33 graças a um aumento do volume de água disponível por efeito de chuvas.

O impacto do El Niño só foi realmente sentido durante os últimos quatro meses do ano fiscal, afirmou ainda Espino de Marotta.

O anterior recorde de tráfego no canal tinha sido estabelecido durante o ano fiscal de 2022, quando 518 milhões de toneladas transitaram pelas suas águas.

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Acordo Mercosul-Canadá pode transformar relações comerciais com Brasil

Um acordo de comércio livre entre o Mercosul e o Canadá poderá transformar as relações económicas entre o Brasil e o Canadá e abrir novas oportunidades de investimento, disse à Lusa um responsável brasileiro.

“Entendemos que pode mudar o patamar das relações entre Brasil e Canadá, claro, com todos os outros membros do bloco Mercosul, mas especialmente para o Brasil”, afirmou Igor Brandão, diretor de operações da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para a América do Norte.

Em declarações à Lusa, à margem da 19.ª edição da conferência Doing Business in Brazil, realizada na terça-feira, em Toronto, o responsável considerou que as negociações comerciais poderão reforçar a cooperação em setores como a agricultura, a indústria farmacêutica, a aviação e os produtos transformados.

“O obstáculo principal, o que eu diria, é o calendário. Precisamos acelerar as conversas, isso tem acontecido, já foram 10 rodadas de negociação, mas ainda há alguns capítulos a serem discutidos e concluídos”, explicou.

Segundo Igor Brandão, o acordo poderá beneficiar sobretudo setores de maior valor acrescentado, permitindo diversificar as exportações brasileiras para além das matérias-primas.

“Entendemos que na cadeia de fármacos, por exemplo, manufaturados, alimentos processados, são setores que serão beneficiados e pode gerar um novo perfil do comércio entre o Brasil e o Canadá”, acrescentou.

O responsável destacou a complementaridade das duas economias, apontando a produção canadiana de fertilizantes e a dimensão do setor agrícola brasileiro como exemplos de oportunidades de cooperação.

Também a indústria aeronáutica e os minerais críticos poderão beneficiar de uma maior aproximação económica.

“O Brasil é dono da segunda maior reserva de terras raras. Então, o potencial disso é gigantesco, considerando toda a agenda de transição energética, de economia verde”, salientou.

Igor Brandão sublinhou ainda a experiência canadiana na indústria mineira, considerando que a cooperação tecnológica e a partilha de conhecimento poderão contribuir para uma parceria estratégica de longo prazo.

De acordo com dados da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, as trocas comerciais entre os dois países atingiram cerca de 10,4 mil milhões de dólares norte-americanos (9,3 mil milhões de euros) em 2025, dos quais 7,25 mil milhões de dólares (6,5 mil milhões de euros) corresponderam a exportações brasileiras e 3,14 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) a importações provenientes do Canadá.

O investimento canadiano acumulado na economia brasileira situava-se em cerca de 33 mil milhões de euros no final de 2025, segundo os valores apresentados por Igor Brandão.

Apesar destes números, o responsável considera que existe uma margem significativa para aumentar as trocas comerciais, tendo em conta a dimensão das duas economias.

Igor Brandão defendeu ainda que o Brasil e o Canadá devem desenvolver uma relação económica de longo prazo, independentemente das mudanças políticas em Washington, Otava ou Brasília, considerando que os dois países apresentam interesses e características económicas complementares.

A ApexBrasil prepara ainda três missões comerciais a Toronto e Montreal até ao final do ano, envolvendo empresas dos setores mineiro, alimentar, audiovisual e da economia criativa.

O responsável confirmou que não foram anunciados novos acordos durante a conferência, mas considerou que os contactos realizados reforçaram a confiança dos investidores canadianos no mercado brasileiro.

Por sua vez, Peter Hawkins, copresidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, identificou a proteção de setores económicos concorrentes como um dos principais obstáculos às negociações comerciais entre o Canadá e o Mercosul.

“Ambos produzimos carne e aço, e existe a preocupação de que um mercado possa prejudicar o outro”, afirmou à Lusa, apontando as reservas dos produtores de carne da província canadiana de Alberta relativamente à entrada de produtos brasileiros.

O responsável defendeu, contudo, que as diferenças entre os produtos e as tecnologias utilizadas poderão favorecer a complementaridade entre as duas economias, em vez de aumentar a concorrência.

Segundo Peter Hawkins, mais de metade das matérias em negociação já estará resolvida, embora subsistam questões importantes por concluir.

“Se houver a oportunidade de concretizar um acordo de comércio livre, poderemos aumentar exponencialmente as trocas comerciais”, afirmou, admitindo a possibilidade de gerar mais 6,2 mil milhões de euros em negócios adicionais.

O empresário destacou ainda os contactos estabelecidos entre empresas tecnológicas e representantes do setor agrícola durante a conferência, bem como a preparação de novas missões empresariais nos próximos meses.

Entre as iniciativas previstas está uma missão de empresárias e dirigentes canadianas a Florianópolis e São Paulo, além de contactos nos setores do vestuário, animação e alimentação.

A 19.ª edição do Doing Business in Brazil, organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá em parceria com a ApexBrasil, reuniu empresários, investidores e representantes institucionais para discutir oportunidades de investimento, comércio bilateral, infraestruturas, energia e minerais críticos.

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Operadores de telecomunicações unem-se e lançam APIs para combater fraudes

A NOS, MEO e Vodafone aderiram à iniciativa global da GSMA Open Gateway para disponibilizar novas APIs – Interfaces de Programação de Aplicações – para as suas redes, com o objetivo de dar resposta ao crescente desafio da fraude em Portugal.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, um dos principais riscos para os bancos é a fraude digital, tendo registado um aumento de 45% em Portugal no ano passado. Perante estes dados, as três operadoras de telecomunicações vão disponibilizar novas APIs para as suas redes, de forma a ajudar as organizações a combater a fraude.

As APIs permitem que as empresas e os programadores possam integrar estas funcionalidades nos seus serviços de forma uniforme e escalável, independentemente da operadora móvel utilizada pelos clientes.

Já a Nokia vai apoiar este lançamento com a sua plataforma «Network as Code», que agrega APIs de rede e liga as capacidades das operadoras aos programadores e aos ecossistemas digitais.

Inicialmente, as funcionalidades vão estar centradas na prevenção e deteção de fraudes, tendo como objetivo reforçar a segurança sem aumentar a complexidade da experiência do consumidor.

As primeiras APIs a ficarem disponíveis vão ser a Number Verification e a SIM Swap, que vão ajudar as empresas a verificar as identidades dos clientes e a detetar potenciais tentativas de apropriação de contas.

No início do próximo ano vai ser disponibilizada a Number Recycle, que vai ajudar as empresas a proteger as contas dos clientes e a impedir que informações confidenciais sejam enviadas à pessoa errada.

Henry Calvert, diretor de Redes da GSMA, afirmou “esta iniciativa contribui para o desenvolvimento de um ecossistema digital mais seguro e interoperável, preparado para suportar a próxima geração de serviços digitais. Ao mesmo tempo, abre novas oportunidades para empresas, programadores e organizações que procuram criar soluções inovadoras com base nas capacidades avançadas das redes móveis”.

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