Rangel alerta para riscos da IA no voto eletrónico

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

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A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, reviu os novos termos comerciais para contas empresariais depois de críticas que consideraram que a redação inicial poderia permitir à empresa recolher automaticamente (scraping) conteúdos de sites noticiosos para treinar os seus produtos de inteligência artificial (IA). A empresa retirou a palavra “treinar” do texto, mas os especialistas jurídicos ouvidos pelo Nieman Lab consideram que a nova redação continua a permitir uma recolha abrangente de conteúdos. Os termos entram em vigor a 30 de outubro.
Os novos termos comerciais da Meta abrangem quem usa as plataformas para fins empresariais ou comerciais: gerir páginas e grupos, publicar anúncios, enviar mensagens de marketing ou recorrer a ferramentas como o Meta Business Suite. Ao continuarem a usar estas contas, os titulares autorizam a Meta a “aceder, armazenar em cache, analisar, recolher, recuperar ou indexar os domínios, páginas web ou URL (e quaisquer conteúdos disponíveis através dos mesmos)” associados aos seus produtos ou serviços.
Na primeira versão, revelada pelo Nieman Lab na quinta-feira, a Meta reservava-se o direito de usar esses conteúdos para “fornecer, desenvolver, melhorar, realizar investigação, treinar e manter a integridade” dos seus produtos.
Para os especialistas jurídicos, esta redação dava à Meta argumentos para defender que estava autorizada a treinar os seus produtos de IA com conteúdos de sites noticiosos. “Trata-se de uma disposição notável para enterrar nos termos de serviço, tendo em conta que daria à Meta acesso a material que, num mercado de licenciamento, custaria provavelmente muitos milhões de dólares”, afirmou então Matt Topic, advogado especializado em media e propriedade intelectual na Loevy & Loevy.
Na sexta-feira, a Meta reviu a versão inglesa dos termos. A palavra “treinar” desapareceu e a redação do uso dos conteúdos recolhidos passou a “fornecer, desenvolver, melhorar, investigar e manter produtos de publicidade e empresariais” e a “manter a integridade e a segurança” dos produtos da Meta. Até ao momento, a versão portuguesa mantém-se inalterada e continua a incluir a palavra “treinar”.
Em declarações ao Nieman Lab, um porta-voz da Meta afirmou que a revisão ocorreu porque “não estava claro, na consolidação inicial dos termos, que as preferências definidas no robots.txt são respeitadas”. O robots.txt é um ficheiro que indica aos robôs que partes de um site podem visitar. “Os sites noticiosos, tal como todos os outros proprietários de conteúdos, continuam a poder desativar o crawler através de instruções no robots.txt. Sempre foi assim, e isso não mudou.”
Em comunicado, a empresa acrescentou que “não se trata de fazer scraping de sites noticiosos” e que as atualizações não lhe dão “novos direitos que se sobreponham a essas preferências”. A Meta garante ainda que a atualização apenas reúne num só documento disposições que estavam dispersas por vários termos de utilização.
Apesar da alteração, os especialistas ouvidos pelo Nieman Lab considera que os termos revistos continuam a permitir o scraping generalizado de sites. “A versão revista dos novos termos continua a permitir que a Meta use os conteúdos recolhidos para desenvolver qualquer ‘produto empresarial’. Não parece ser um termo definido, e é de presumir que a Meta esteja a desenvolver produtos empresariais de IA. Penso que ‘desenvolver’ é suficientemente amplo para incluir ‘treinar’”, argumentou Matt Topic.
James Grimmelmann, professor na Universidade de Cornell, considera que a expressão “desenvolver… produtos de publicidade e empresariais” continua “tão ampla que cabe lá tudo”. Além disso, a revisão “não restringe em nada” a referência a sites “associados” às contas, “que permitiria à Meta fazer scraping de sites inteiros”.
Segundo o Nieman Lab, os termos ainda em vigor previam a recolha de conteúdos de sites associados às contas empresariais quando estas utilizavam funcionalidades de IA generativa para criar anúncios, permitindo que os conteúdos recolhidos fossem usados para otimizar a publicidade. A nova versão alarga os usos previstos a todos os produtos de publicidade e empresariais.
Os termos revistos também não fazem qualquer referência ao robots.txt. Benjamin Sobel, professor na Universidade do Wisconsin, lembra que respeitar estas instruções é voluntário. “A menos que seja uma preferência legalmente vinculativa, pode continuar a ser ignorada na mesma”, argumentou.
Na versão revista, mantém-se a possibilidade de criar “credenciais de teste” para aceder aos sites. Segundo James Grimmelmann, isso permitiria à empresa “registar-se como um utilizador falso” para contornar barreiras de registo. A Meta não esclareceu se estas credenciais também poderiam ser utilizadas para ultrapassar paywalls.
Atualmente, não existe qualquer opção para as contas empresariais recusarem estes novos termos e manterem as contas. “Se não concordar com os termos atualizados, pode cessar todo o acesso ou utilização dos nossos produtos para fins empresariais ou comerciais”, pode ler-se.
Antes da revisão, o Conselho Europeu de Editores (EPC na sua sigla em inglês), anunciou que ia pedir formalmente às autoridades reguladoras europeias e à Comissão Europeia que analisassem os termos “com urgência, incluindo as suas implicações em matéria de direitos de autor, equidade contratual e abuso de poder de mercado”.
No Reino Unido, a News Media Association pediu a intervenção do Governo. O presidente executivo, Theo Bamber, classificou a medida como “uma tentativa descarada” da Meta de se apropriar dos conteúdos dos editores. Nos EUA, a News/Media Alliance considerou a atualização “escandalosa e provavelmente ilegal”.
A alteração surge pouco depois do lançamento do Meta One, um serviço de subscrição da Meta que inclui funcionalidades adicionais para utilizadores, criadores e empresas. Em paralelo, a empresa está a testar um limite ao número de links externos que algumas contas do Facebook e do Instagram podem publicar sem subscrição. Segundo a Press Gazette, que diz não ter confirmação da Meta, alguns editores de notícias estão, para já, isentos desse limite, embora já haja publicações de menor dimensão que o tenham atingido.

O Deutsche Bank acredita que até 2030 os modelos de inteligência artificial (IA) com melhor desempenho teriam as qualidades de “superinteligência”, ou seja, seriam superiores aos especialistas humanos em todos os domínios.
“Estes seriam modelos de ponta: usá-los seria exatamente como reunir os melhores especialistas humanos numa sala para resolver qualquer problema de negócio. E os equivalentes dos modelos topo de gama de hoje estariam disponíveis, literalmente, em todo o lado, suficientemente comprimidos para serem executados em qualquer telemóvel, tablet ou portátil”, projeta o banco alemão.
A mesma instituição refere que no início de 2026 já existiam exemplos do que uma IA altamente capaz pode fazer. “Dão uma ideia de um mundo com superinteligência, mesmo que a realidade represente um salto muito maior, tanto quantitativa como qualitativamente. Neste ponto, a superinteligência marcaria uma rutura de paradigma, não uma versão mais rápida do que já temos. Em vez de simplesmente executar o que os humanos especificam, só que um pouco melhor, ela especificaria a própria tarefa”, descreve a nota.
Quanto ao custo este poderá tornar-se uma restrição “cada vez menor”, à medida que a inteligência artificial cada vez mais avançada se torna “acessível a preços acessíveis”.
O Deutsche Bank salienta que entre as tecnologias analisadas, “nenhuma se tornou mais barata tão rapidamente” como a IA, com o seu preço a “reduzir-se quase para metade” a cada trimestre nos últimos três anos, em termos comparáveis, ou 13 vezes por ano, segundo dados da Epoch. “Se estes sistemas puderem ser amplamente disponibilizados, as empresas poderão comprar mais serviços complexos, dispendiosos e raros de análise, design e engenharia do que compram hoje”, sublinha.
“Atividades anteriormente antieconómicas poderão tornar-se viáveis e, num mercado competitivo, a poupança poderá ser passada para os clientes. O principal factor determinante será se a procura crescerá suficientemente rápido para preservar as margens de lucro. No entanto, uma capacidade superior, por si só, não conduz automaticamente à adoção de inteligência barata e abundante”, refere.
“Tarefas que ainda não se prestam à superinteligência, talvez por exigirem coordenação no mundo real, acabarão, por isso, por exigir preços significativamente mais elevados. Nesta altura, o trabalho cognitivo deixa de ser escasso e o estrangulamento passa a ser os ativos físicos e práticos que não podem ser criados apenas com mais poder computacional, como a eletricidade, os terrenos, o aço e as licenças”, perspetiva a instituição bancária.
O projeto-piloto de capacitação em inteligência artificial (IA) para micro, pequenas e médias empresas (PME) arrancou esta terça-feira em Leiria, abrangendo nesta primeira fase cerca de 50 trabalhadores.
Promovida pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), em parceria com a NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, a iniciativa será desenvolvida pela Shaken Academy e pretende ajudar os participantes a integrar ferramentas de IA no trabalho diário, através de exercícios práticos orientados para as necessidades das empresas.
Integrado no projeto “PME Digital+”, o programa terá duas edições, envolvendo um total de 100 participantes. A formação incidirá sobre a utilização de soluções de inteligência artificial generativa e a sua aplicação em contexto empresarial, incluindo a automatização de tarefas, a análise de dados e a produção de conteúdos.
“A tecnologia não é um fim em si mesma. A transformação digital deve traduzir-se em mais crescimento, mais valor, produtos e serviços inovadores e emprego mais qualificado”, afirma o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, citado em comunicado, salientando que “a inteligência artificial representa uma das maiores oportunidades de transformação económica das próximas décadas”.
Além da componente prática, o projeto prevê a recolha e partilha de metodologias e exemplos de utilização de IA que possam ser aproveitados por outras empresas. A iniciativa servirá também para avaliar os resultados deste modelo de formação intensiva e perceber em que medida poderá ser alargado a outras PME.
O objetivo é que este projeto-piloto abra caminho a um programa de maior dimensão, que pretende formar cerca de 100 mil trabalhadores de micro e pequenas empresas em todo o país ao longo de três anos, acelerando a adoção de ferramentas de inteligência artificial no tecido empresarial português.
Um passageiro perguntou ao chatbot da Air Canada se podia comprar um bilhete e pedir mais tarde o desconto previsto para viagens por morte de um familiar. O chatbot disse que sim. A companhia recusou depois o pedido, porque as suas regras não o permitiam. Em fevereiro de 2024, um tribunal canadiano responsabilizou-a pela informação errada e mandou-a indemnizar o passageiro.
O caso interessa a qualquer empresa que use um chatbot para responder aos clientes. Se uma resposta errada causar um prejuízo e a empresa tiver de indemnizar o cliente, o seu seguro de responsabilidade civil cobre essa indemnização? Ou precisa de uma apólice específica para os riscos da IA?
A resposta depende do que comprou. As apólices cobrem determinadas atividades e tipos de prejuízo. Uma resposta errada pode causar uma perda financeira sem provocar danos físicos ou materiais. Essa perda pode ficar fora da cobertura, mesmo que a apólice não exclua expressamente a IA. Ter um seguro de responsabilidade civil não garante que este erro esteja coberto.
Parte do mercado está a responder através dos produtos existentes. Em junho, a CFC anunciou a introdução de cobertura explícita de IA em sete apólices, incluindo responsabilidade profissional e responsabilidade de administradores. Esta opção permite esclarecer a proteção do cliente nos seguros que já contrata.
Enquanto analista de investimentos em insurtech, acredito que haverá também um mercado relevante para especialistas em responsabilidade por IA. Empresas como a Testudo e a Armilla já oferecem apólices dedicadas. Operam como Managing General Agents (MGAs), entidades que desenvolvem produtos e subscrevem riscos em nome de seguradoras, que assumem a obrigação de pagar os sinistros cobertos.
O que podem oferecer de melhor? Uma avaliação centrada nos usos da IA e coberturas escritas para os prejuízos que esses usos podem causar. A Testudo relaciona os sistemas utilizados pelas empresas com incidentes, processos judiciais e ações regulatórias. A Armilla combina esse tipo de informação com avaliações técnicas dos sistemas e dos controlos das empresas que os utilizam.
Pensemos em duas empresas que usam o mesmo modelo. Numa, o assistente de IA prepara respostas que um funcionário revê antes de enviar. Na outra, responde diretamente aos clientes, dando recomendações sobre os produtos que devem comprar. O modelo é o mesmo, mas as possibilidades de causar um prejuízo são diferentes. Essa diferença deve pesar no preço e nas condições do seguro.
Conhecer estes usos permite ao especialista avaliar riscos que uma abordagem mais genérica pode levar a recusar. Permite também definir com maior precisão o que fica coberto. A Testudo, por exemplo, apresenta cobertura para perdas financeiras causadas a terceiros por respostas erradas da IA. A Armilla inclui despesas de defesa e indemnizações por reclamações relacionadas com falhas dos sistemas. São respostas concretas à dúvida de quem utiliza estas ferramentas.
É por isso que vemos espaço para estas MGAs crescerem, mesmo que as seguradoras adaptem os seus produtos atuais. A especialização pode permitir-lhes cobrir atividades que outros recusam ou oferecer condições mais adequadas ao uso da IA de cada empresa. O resultado interessa diretamente ao segurado: saber que prejuízos estão cobertos, com que limites e em que condições.
Nem todas as empresas precisarão de uma apólice própria. Mas, à medida que entregam mais tarefas à IA, precisam de confirmar que o seguro acompanha as responsabilidades que estão a assumir. Acreditamos que os especialistas terão um papel importante em dar essa resposta.
¿Por qué hemos normalizado que el conocimiento universal se esté privatizando? Esta es una de las dudas, y alertas, que recorre el último Premio Anagrama de Ensayo, que en su edición número 54 ha premiado al investigador Xavier Nueno (Barcelona, 36 años). El doctor en Estudios Visuales y de Medios por la Universidad de Harvard y profesor en Lausana se ha hecho con los 10.000 euros del galardón con La revuelta de los copistas. Cómo el conocimiento perdió el juicio, una reflexión sobre la capitalización del saber y cómo los gigantes tecnológicos están robando el bien común de las bibliotecas para vendérnoslo a través de suscripciones a la IA. El texto llegará a librerías este miércoles 21 de octubre.

© Johanna Marghella (Editorial Anagrama)
A Anthropic e a Nscale estão próximas de fechar um segundo acordo de milhares de milhões de dólares para aumentar a capacidade de computação da dona do Claude. Segundo o Financial Times, a startup britânica especializada em infraestruturas de inteligência artificial, com uma presença relevante na Start Campus, em Sines, procura também reforçar a confiança dos investidores antes de uma oferta pública inicial (IPO) em Nova Iorque, com a qual pretende captar cerca de 35 mil milhões de dólares.
O novo contrato deverá permitir à Anthropic duplicar o compromisso de compra de capacidade de computação à Nscale e abrange um segundo centro de dados, com 460 megawatts de capacidade, no campus Monarch, na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos. O acordo deverá seguir os moldes do contrato de 45 mil milhões de dólares assinado pelas duas empresas em agosto, embora as negociações ainda não estejam concluídas.
A concretização do negócio poderá ajudar a Nscale a recuperar a confiança dos investidores, numa altura em que o setor dos centros de dados enfrenta dúvidas sobre a capacidade financeira das empresas para executar projetos de grande dimensão. A Microsoft abandonou recentemente os planos para um centro de dados no Reino Unido, enquanto a OpenAI desistiu de uma parceria com a Nscale em abril.
A pressão sobre a startup é agravada pelos resultados financeiros. A Nscale registou prejuízos líquidos de mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, durante o qual obteve receitas de 141 milhões de dólares. Além disso, a empresa ainda não garantiu o financiamento necessário para avançar com o primeiro centro de dados contratado pela Anthropic, podendo esta última abandonar o acordo se o dinheiro não estiver assegurado dentro do prazo estabelecido.
O projeto na Virgínia Ocidental enfrenta também obstáculos regulatórios. Algumas licenças ambientais continuam pendentes e o campus deverá recorrer a uma central própria a gás natural para produzir eletricidade, uma solução que aumenta os custos e a complexidade da operação, mas evita atrasos na ligação à rede elétrica. A Nscale pretende concluir a primeira fase do campus no primeiro semestre de 2028, com três edifícios que deverão exigir dois gigawatts de capacidade de produção elétrica para alimentar 1,37 gigawatts de capacidade de computação.
Para a Anthropic, o reforço da parceria permitirá aumentar os recursos computacionais disponíveis para acompanhar o crescimento da procura pelos seus sistemas de inteligência artificial, num contexto em que a empresa também se prepara para uma eventual entrada em bolsa. Ao abrigo do modelo contratual, a Nscale ficará responsável pela propriedade e operação do centro de dados e dos chips, enquanto a Anthropic pagará pela capacidade de computação à medida que esta for disponibilizada.
Me entristece ver cómo las protestas en Francia, que comenzaron con estudiantes reclamando más profesores y recursos para la educación pública, han terminado siendo noticia por los incendios y los destrozos. El incendio del Ayuntamiento de Limoges es injustificable, pero me indigna que una minoría radical haya conseguido desviar la atención de unas reivindicaciones que merecen ser escuchadas. Lo que empezó como una movilización por las condiciones educativas se ha convertido en un debate sobre violencia. Mientras tanto, los problemas que denuncian los estudiantes siguen ahí. Es una pena que quienes salieron a la calle para defender su futuro hayan acabado perdiendo el protagonismo frente a quienes recurrieron a la agresividad. Los disturbios no deberían hacernos olvidar que detrás de estas movilizaciones hay jóvenes que reclaman algo tan básico como una formación de calidad.

© Emma Da Silva (AP Photo/Emma Da Silva)

“O direito de autor é que nos salva.” Para Carlos Eugénio, diretor executivo da Visapress, entidade que gere coletivamente os direitos de autor dos editores de imprensa, este é o mecanismo que permite aos publishers fazer valer os seus direitos no ambiente digital, incluindo no desenvolvimento da inteligência artificial (IA). O problema, descreveu Ricardo Costa, chief product officer da Impresa, é que os “dinossauros” que dominam o mercado, como a Google e a Meta, viram chegar novos rivais e estão a “perder as maneiras e alguns cuidados que tinham”.
O debate “O Futuro dos Media Portugueses – Confiança, Inovação e Sustentabilidade no Jornalismo” foi um dos momentos centrais do Dia Nacional da Imprensa 2026, o encontro anual do setor promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa (API), na sexta-feira. Contou ainda com Carlos Rodrigues, diretor-geral editorial da Medialivre, Nuno Francisco, diretor do Jornal do Fundão, e James Hewes, consultor estratégico para os media.
Ricardo Costa recorreu a uma metáfora para descrever a mudança sentida nos últimos anos pela indústria. Durante anos, os media viveram num planalto dominado por “grandes dinossauros”, como a Google, a Meta e o TikTok, e iam “tentando comer algumas folhas” que estes lhes deixavam. “Dava para irmos sobrevivendo. Agora há uma alteração estrutural.” Com a chegada da OpenAI e da Anthropic ao mesmo planalto, a disputa pelas receitas publicitárias ganhou novos concorrentes.
É por isso, defende, que as grandes plataformas “estão claramente a perder as maneiras”. “A abordagem jurídica dos últimos meses da Meta e da Google mudou. É claramente mais descarada e mais perigosa.” Os modelos de IA precisam de conteúdos jornalísticos para funcionar, mas as tecnológicas “não pagam, não querem pagar, não vão pagar”.
James Hewes citou um responsável do New York Times, para quem eletricidade, computação, talento e conteúdos são os quatro pilares das plataformas de inteligência artificial, e que a indústria paga “preços incríveis” pela computação e pelo talento. “Não existe nenhum outro produto, em nenhuma indústria, em que uma das partes fundamentais não seja paga.”
As plataformas, sublinhou Ricardo Costa, “não estão fora da lei. Estão sempre à frente da lei”. O responsável da Impresa alertou ainda que às vezes introduzem nos contratos normas que só “um ou dois anos depois” se percebe para que servem.
Carlos Eugénio explica-o assim. “São eles que desenvolvem a tecnologia.” E recordou uma conversa de 2019. Depois de fechado o direito conexo, disse a um interlocutor da Google que o passo seguinte seria falar de inteligência artificial. A resposta foi “nem pensar”. “Em 2020 percebi porquê.”
“No ambiente digital, a única forma que temos de fazer valer os nossos direitos é mesmo o regime do direito de autor”
O exemplo mais recente chegou na véspera do debate. A Meta alterou, sem aviso, os termos das contas empresariais do Facebook e do Instagram. A redação inicial dos novos termos levantou receios de que a Meta pudesse recolher conteúdos de sites associados a contas empresariais e utilizá-los no desenvolvimento dos seus produtos de IA. “Má-fé pura e dura”, acusou Carlos Eugénio, que disse não ter “palavras para qualificar o quão violenta” é esta política e pediu às instâncias europeias que intervenham.
Ricardo Costa relacionou a mudança com o lançamento do Muse, o assistente pessoal de IA da Meta, e considerou que, para competir com modelos que vê como mais avançados, a empresa “precisa de muitos conteúdos”.
Depois da data do debate, a Meta reviu os termos e retirou a referência explícita ao treino de IA. Ainda assim, a nova redação continuou a suscitar dúvidas sobre a possibilidade de recolha e análise de conteúdos de sites associados a contas empresariais. A empresa contestou a interpretação de que os termos lhe conferiam novos direitos para recolher conteúdos jornalísticos para treinar os seus modelos de IA.
Para Carlos Eugénio, “no ambiente digital, a única forma que temos de fazer valer os nossos direitos é mesmo o regime do direito de autor”, e a IA “tem de cumprir esses requisitos”.
As negociações com as plataformas, porém, mostram os limites desse caminho. O tráfego dos sites noticiosos “vem muito do Google, do Facebook e do Instagram”, lembrou o responsável da Visapress. “O Google ainda paga alguma coisa.” Já a Meta “sempre se recusou a negociar e a pagar o que quer que fosse”. Segundo Carlos Eugénio, a Meta transmitiu aos editores, quando a obrigação legal se aproximou: “Ou nos cedem os direitos de autor gratuitamente, ou deixam de poder publicar e de contar com o nosso tráfego.”
Segundo o próprio, durante as negociações, a Google, que Carlos Eugénio não nomeou — “começa por G e não digo mais” –, ameaçou retirar do motor de pesquisa todos os conteúdos dos editores se não houvesse acordo. Sem um mecanismo de arbitragem regulamentado em Portugal, os editores ficaram “numa posição muito enfraquecida”. “Se tivéssemos um mecanismo de arbitragem, as coisas seriam diferentes e poderíamos ter um valor de direito conexo mais significativo para distribuir.”
Em maio, o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que o direito da União permite um regime como o italiano, que prevê remuneração equitativa para os editores pela utilização online das suas publicações, bem como negociações sem redução da visibilidade dos conteúdos e a intervenção do regulador em caso de desacordo, desde que sejam respeitadas determinadas condições.
Segundo o relatório de transparência de 2025, a Visapress distribuiu nesse ano 247 mil euros de direito conexo. Somando o licenciamento e a compensação equitativa pela cópia privada, incluindo o que ficou por distribuir no segundo semestre, os valores distribuídos aos editores relativos a 2025 chegam a cerca de 1,94 milhões de euros.
Não vou parar o vento com as mãos. O que quero é que tenham as mesmas regras.
Mas nem tudo se explica pelas plataformas. Questionado sobre uma frase sua numa entrevista ao +M — “não há crise dos media. O que há é uma crise na gestão dos media“ –, Carlos Rodrigues manteve a provocação.
“Um negócio de media tem de ser gerido de tal forma que tenha mais receitas do que despesas” defendeu, criticando a “ilusão” de quem gere redações à espera dos “amanhãs que cantam”. “Há de vir a grande revolução digital, há de vir a grande revolução das assinaturas.” Mas “essas revoluções nunca chegam, ou, quando chegam, as receitas ficam algures, não necessariamente nos produtores de conteúdos”. O princípio, disse, aprendeu-o com Francisco Pinto Balsemão: “O jornalismo sem dar lucro não pode ser independente.”
Ricardo Costa subscreveu a ideia e lembrou que está inscrita nos estatutos editoriais da Impresa: “A independência económica precede a independência editorial.” Mas deixou um aviso: “Outra coisa é acharmos que as condições económicas e concorrenciais são as mesmas. Não são.” No caso das big techs, essas condições “pura e simplesmente não existem”, argumentou.
Para Ricardo Costa, a concorrência desigual sente-se sobretudo na publicidade. “O grande concorrente da SIC hoje não é a TVI, e o grande concorrente da SIC Notícias não é a CMTV.” São o YouTube, o TikTok e a Meta, e em breve a OpenAI, a Anthropic e a Perplexity, “porque disputam publicidade”.
Deu o exemplo do Mundial, transmitido em Portugal também no YouTube, através da LiveModeTV. A Sagres, patrocinadora da seleção, só pode anunciar na televisão a partir das 22h30. No YouTube “pode pôr às dez da manhã, e pode estar a ver uma criança de cinco anos”.
O mesmo acontece com as apostas. Ricardo Costa diz-se a favor da publicidade ao betting legal, mas recusa que haja regras para uns e, “literalmente ao lado”, nenhumas para outros. “Não vou parar o vento com as mãos. O que quero é que tenham as mesmas regras.”
Ricardo Costa defendeu que o Governo deve procurar condições concorrenciais mais equilibradas, adaptar a legislação e criar incentivos à modernização do setor.
“O papel não é um dogma. Não faço papel porque me apetece ou porque acho que a informação impressa fica mais bonita.”
Nuno Francisco trouxe a outra ponta do setor. O Jornal do Fundão, com 80 anos, foi comprado em 2018 por jornalistas e professores universitários que “juntaram as poupanças”. Hoje, o jornal mantém-se graças a cerca de 5.000 assinantes em papel e a alguns milhares de vendas em banca.
“O papel não é um dogma. Não faço papel porque me apetece ou porque acho que a informação impressa fica mais bonita. Faço-o porque há um público muito recetivo a isso”. Na imprensa regional, notou, “só dois ou três jornais exclusivamente digitais conseguiram vingar”.
O diretor alertou para jornais e rádios locais reduzidos a um único profissional, muitas vezes transformado em “repassador de notas de imprensa”, enquanto os gabinetes de comunicação de autarquias e empresas têm “cinco, seis, sete, oito ou nove profissionais”.
“Se estamos a gastar dinheiro a imprimir e distribuir um jornal feito de notas de imprensa, estamos a contribuir para este círculo vicioso, para a própria degradação da profissão. Ninguém compra um jornal para ler notas de imprensa”, afirmou. “O jornalismo tal como o conhecemos, e como queremos que continue, não pode funcionar nestas condições.”
James Hewes, que acompanhou jornais locais no programa APINext, vê nos conteúdos pagos a principal saída. É, disse, “the only game in town”. Na sua opinião, os jornais locais têm uma vantagem: são marcas conhecidas no concelho e não dependem tanto do tráfego do Google. O primeiro passo é conhecer a audiência. Deu o exemplo de um jornal que julgava ter 2.000 leitores e que poderia chegar a “15 mil ou 20 mil” se contabilizasse também seguidores nas redes sociais e contactos de e-mail. Depois mais facilmente se consegue desenvolver estratégias de conteúdos pagos.
Há mil e um exemplos de restrições à atividade publicitária nos media que estão completamente fora do mundo moderno.
Carlos Rodrigues disse não ter tempo para esperar que as grandes tecnológicas mudem, pediu às instituições europeias que “deixem de ser anãs” e preferiu deixar ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro, presente na sala, “pequenos passos” concretos.
O primeiro é a revisão da lei da publicidade. É “de tal forma urgente” que, se estivesse no lugar do ministro, seria “provavelmente essa a minha missão principal”. Admitiu, contudo, que a resistência será grande, por causa de uma mentalidade “conservadora” nos media, nas associações, nos sindicatos e no regulador “que, só de falar nisto, acredito que sobretudo um governo minoritário tenha logo dificuldade”. “Há mil e um exemplos de restrições à atividade publicitária nos media que estão completamente fora do mundo moderno”, argumentou.
Pediu ainda que se conclua rapidamente o processo de contratualização da distribuição de jornais. Defendeu também uma abordagem mais transparente à contratualização pública dos media. Hoje, quando um jornal organiza uma conferência com uma câmara municipal ou associação, “é aqui d’el-rei, que estamos a violar os princípios fundamentais do jornalismo”. “Se a inteligência artificial não acaba com o mundo, ai de certeza que aquela conferência vai acabar, porque põe em causa a independência jornalística”, ironizou.
Para Carlos Rodrigues, isso é “obsoleto”, pedindo uma intervenção legislativa “para que isto seja mais transparente e mais possível. Porque hoje em dia é uma via muito importante de viabilização dos media”. Pediu também a revisão da fatura que os grupos privados pagam à Lusa, “pesadíssima” no caso da Medialivre.
Sobre o Amália, o modelo de linguagem artificial do Estado, deixou um alerta: pagar pouco aos editores pelos conteúdos criaria um precedente junto das multinacionais. “Se vocês venderam ao Amália por dez réis, porque é que pedem à Google 3 milhões?”
Carlos Eugénio pediu ao ministro que lute em Bruxelas contra o regime de opt-out no digital — “uma total inversão daquilo que é a lógica do direito de autor” e “uma aberração que só prejudica todo o ecossistema”.
Defendeu ainda a revisão do Código do Procedimento Administrativo, argumentando que deixou de obrigar os organismos públicos a publicar decisões e contas nos jornais, o que, segundo ele, retirou receitas à imprensa e tornou o sistema menos transparente. Saudou também a lei aprovada nesse dia no Parlamento, que obriga as autarquias a publicar as suas deliberações na imprensa regional e local: “É um passo.”
Na intervenção de encerramento, o ministro António Leitão Amaro anunciou medidas em algumas das áreas discutidas. O Governo prepara um novo código da publicidade, assim como descontos de até 90% nos serviços da Lusa a partir de 2027, e está em negociações para que o Amália passe a utilizar conteúdos dos media em tempo real, mediante acordo de pagamento.
A fechar, James Hewes deixou uma nota otimista. Comparado com outros mercados europeus onde trabalha, o português tem “um grande talento”, confiança nas marcas noticiosas e uma pluralidade “impressionante”. “Vocês devem fazer passar isso lá para fora.”
A ferramenta de Inteligência Artificial chinesa já tinha sido identificada em ataques a instituições financeiras na Coreia do Sul, num contexto de emergência no ciberespaço japonês.

Quatro portugueses e a vontade de desenvolver uma solução que facilitasse o trabalho dos contabilistas certificados. Foi esta a receita para a criação do Kangaroo Files. Uma startup que, mais do que um arquivo digital legal, usa a inteligência artificial (IA) para ler as faturas linha a linha, sejam elas carregadas diretamente na plataforma ou enviadas por Whatsapp, preparando o seu lançamento e libertando estes profissionais de tarefas rotineiras que retiram tempo para exercerem a sua verdadeira função: serem parceiros estratégicos das empresas.
Foi há três anos que o Kangaroo Files foi criado. No início, o objetivo era resolver um problema de comunicação. “Os contabilistas trabalhavam muito e os clientes achavam que só mexiam em papeis, tratavam das faturas, e não percebiam porque é que a avença era tão elevada”, começa por explicar ao EContas Leonardo Domingues, CEO da startup e também um dos quatro fundadores: dois formados em Finanças pela Universidade Politécnica do Cávado e do Ave (UPCA) e dois em Ciências pela Universidade do Minho.

“Resolvemos atacar esse problema com a criação de uma área de cliente onde os clientes podiam disponibilizar a documentação diretamente para o contabilista, poupando telefonemas e emails, e o contabilista ao longo do ano vai preenchendo a área de cliente com o que anda a fazer. O cliente acaba por ver em tempo real o trabalho que o contabilista está a fazer. Desenvolvemos isto e tivemos um enorme sucesso. Tínhamos clientes em Lisboa, Porto, Algarve, Évora”, continua o responsável. Acabaram por ir mais longe.
“A área de cliente trata de toda a documentação da empresa que não é faturação. Mas depois existe na lei portuguesa o arquivo digital legal para as faturas que permite desmaterializá-las. E pensámos: a IA está cá para ajudar neste tipo de situações. Acabámos por desenvolver um arquivo digital legal em que a IA ajuda a extrair informação dos documentos e com essa informação começámos a automatizar processos da contabilidade”, detalha Leonardo Domingues. Este é o produto atual desta empresa que tem os contabilistas certificados como clientes e que, por sua vez, a incorporam nas empresas com que trabalham.
Existe na lei portuguesa o arquivo digital legal para as faturas que permite desmaterializá-las. E pensámos: a IA está cá para ajudar neste tipo de situações. Acabámos por desenvolver um arquivo digital legal em que a IA ajuda a extrair informação dos documentos e com essa informação começámos a automatizar processos da contabilidade.
“O contabilista tem a sua carteira de clientes e começa a instalar a solução dentro do gabinete. Aquele processo de digitalização de cada cliente é feito dependendo do ritmo que o contabilista quiser e da vontade de digitalização de cada um dos clientes”, diz o CEO do Kangaroo Files, revelando que alguns destes profissionais têm carteiras com mais de 1.000 clientes.
De acordo com o responsável, o que difere esta solução de outras no mercado é o facto de a IA ajudar a ler as faturas linha a linha, classificando automaticamente cada uma das despesas. Quando há dúvidas, recorre sempre ao contabilista certificado, aprendendo e evoluindo de acordo com as suas indicações.
“Um contabilista quando está a fazer um lançamento contabilístico está – simplificando – a pegar numa despesa e a classificá-la. A forma como a maior parte dos softwares de contabilidade funciona é que permitem dizer assim: tudo o que vier deste fornecedor vamos assumir uma classificação. Por exemplo, somos um restaurante. Vou assumir que tudo o que vem da Makro é matéria-prima. Já dá uma ajuda aos contabilistas porque 99% das faturas da Makro vão ser matéria-prima. Onde perdem tempo é com a possibilidade de uma dessas faturas ter lá, por exemplo, um forno ou uma panela. Se em mil faturas pode haver uma que tenha um forno, os contabilistas vão ter de ver as mil”, refere.
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Onde é que esta solução entra? “Ao ler linha a linha e ter uma IA que percebe a atividade da empresa, vai avisar o contabilista. O contabilista chega ao programa, vê 999 faturas a verde e uma amarela. Só tem de ir ver essa e poupa tempo. Além de termos a IA a avisar, também sugere uma classificação”, continua Leonardo Domingues.
Esta plataforma, que tem um fee mensal de 59,90 euros a que se soma um valor adicional por cada cliente dependendo do número de documentos que passa pelo programa, permite ainda tirar uma fotografia às faturas e enviar diretamente por Whatsapp. De acordo com o responsável, “há um número de telefone do Kangaroo. Os empresários tiram uma fotografia à fatura e enviam para o Kangaroo como se fosse uma mensagem. Vai diretamente para o programa, que identifica a informação da fatura, extrai a documentação toda, prepara o lançamento e o contabilista chega lá e já tem o documento e o lançamento prontos. Basta clicar para aprovar. Os empresários conseguem usar a plataforma sem terem de entrar nela”.
Ao ler linha a linha e ter uma IA que percebe a atividade da empresa, vai avisar o contabilista. O contabilista chega ao programa, vê 999 faturas a verde e uma amarela. Só tem de ir ver essa e poupa tempo. Além de termos a IA a avisar, também sugere uma classificação.
A maior procura de novos clientes por esta solução, bem como a integração gradual de clientes já existentes, está a fazer com que a startup esteja a dar passos para desenvolver o software, aumentando a sua capacidade para analisar mais documentos. “Estamos a preparar-nos informaticamente para quando chegar a dezembro termos cerca de 250 mil documentos por mês a passar pela IA. Atualmente, diria que estamos com 100 mil documentos por mês”, detalha Leonardo Domingues.
Esta evolução acontece numa altura em que o “Kangaroo já é utilizado por gabinetes de contabilidade no tratamento da documentação de mais de 600 empresas” e tem como objetivo “alcançar as 1.000 a 1.500 empresas até ao final do ano”, com o CEO a apontar mais para o topo do intervalo. “A maior parte das empresas já reconhece que não devia ser a norma guardar capas, tanto do lado do contabilista como do lado dos empresários”, realça, notando também uma maior abertura por parte dos contabilistas certificados para adotar este tipo de solução criada tendo em conta os riscos associados à utilização das novas tecnologias.
O Kangaroo já é utilizado por gabinetes de contabilidade no tratamento da documentação de mais de 600 empresas e temos como objetivo alcançar as 1.000 a 1.500 empresas até ao final do ano.
“A IA é sempre utilizada dentro de uma estrutura de revisão. Vai ser tudo feito de forma determinística e a IA vai rever e dar a sua opinião e chamar, ou não, a atenção ao contabilista. Não podemos dar-nos ao luxo de termos um falso positivo, que é dizer que está tudo bem e não está. Temos de criar um equilíbrio entre a natureza probabilística da IA e um sistema determinístico. E conseguimos esse equilíbrio”, garante, revelando que é também com a ajuda das novas tecnologias que estão a desenvolver um software para as empresas que recebe faturas, extrai as informações e coloca-as no programa de faturação.
“As empresas também sentem necessidade de reduzir o trabalho manual no que se refere a colocar as faturas dentro do software. É um trabalho manual que ainda se faz e nós estamos na posição para o automatizar”, conclui.
Un niño construye una torre con piezas de colores. Coloca una pieza encima de otra hasta que, de repente, toda la estructura se viene abajo. Vuelve a empezar, cambia el orden, prueba con una base más ancha y descubre que esta vez resiste. Para él no ha sido más que un juego, pero durante esos minutos ha observado, experimentado y buscado soluciones. Es decir, ha puesto en práctica algunas de las habilidades sobre las que se construye el pensamiento científico, aunque el niño todavía no sepa qué significa la palabra ingeniería. La escena permite plantear una pregunta: ¿Hasta qué punto las experiencias infantiles pueden influir en las vocaciones profesionales? Y, sobre todo, ¿cómo preparar a los hijos para un mundo laboral que cambia a tal velocidad que muchas de las profesiones que ejercerán serán diferentes de las existentes hoy?

© SBenitez (Getty Images)

No está demostrado que la cara sea el espejo del alma, pero cada vez hay más estudios que indican que sí puede reflejar el estado de salud. Algunos esbozan que aparentar menos edad de la que se tiene está asociado con una mayor longevidad. Un nuevo trabajo publicado en The Lancet Digital Health va en esta línea mediante un ingente análisis elaborado con inteligencia artificial, que es capaz de extraer de una fotografía facial señales vinculadas tanto con la edad como con la supervivencia de pacientes con cáncer.

© Samuel Sánchez

© RITCHIE B. TONGO/EPA
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Portimão será palco, nos dias 29 e 30 de outubro, do XXXV Seminário Internacional de Comunicação Municipal – Principais Desafios em Tempos de Inteligência Artificial, que reunirá responsáveis políticos, técnicos da Administração Pública e profissionais da área da comunicação para dois dias de partilha de conhecimento, debate e reflexão sobre os desafios e oportunidades que […]
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prazo de 24 horas para que a Meta comprove que suas plataformas digitais oferecem tratamento igualitário às campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial. A determinação foi feita pelo ministro Marco Aurélio Bellizze nesta segunda-feira (19), após o magistrado considerar insuficientes as explicações apresentadas pela empresa.
A Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, poderá ter a multa diária elevada de R$ 500 mil para R$ 1 milhão caso não cumpra o novo prazo. Segundo Bellizze, a empresa não demonstrou satisfatoriamente que adotou as medidas exigidas pela Justiça Eleitoral para impedir favorecimento ou prejuízo artificial a qualquer uma das candidaturas.
Na decisão, o ministro criticou a tentativa da companhia de estabelecer prazos próprios para responder às determinações judiciais, além da apresentação de relatórios em inglês e documentos que, segundo ele, não esclareciam adequadamente as providências adotadas.
“Incumbe às partes cumprir com exatidão as decisões judiciais, e não criar embaraços à sua efetivação”, escreveu Bellizze.
A cobrança ocorre depois que o plenário do TSE confirmou, na sexta-feira (16), a decisão que obriga a Meta a assegurar condições equivalentes às duas campanhas em seus sistemas de distribuição de conteúdo, recomendação e inteligência artificial.
O caso chegou ao tribunal após a campanha de Lula denunciar supostas restrições à circulação de publicações relacionadas ao presidente nas plataformas da Meta. Os advogados do petista alegaram que os conteúdos da candidatura alcançavam menos usuários, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia em recomendações automáticas.
Outro ponto questionado foi o comportamento da Meta AI, ferramenta de inteligência artificial disponível no WhatsApp. Segundo a representação apresentada pela campanha de Lula, o sistema se recusava a produzir materiais eleitorais favoráveis ao presidente, mas atendia a solicitações semelhantes envolvendo o senador.
Mensagens internas da empresa obtidas pela Folha de S.Paulo também apontaram problemas que teriam prejudicado contas ligadas a Lula. Os registros mencionam restrições ao impulsionamento de publicações e a recomendação algorítmica do perfil de Flávio.
A Meta atribuiu os episódios a falhas técnicas e negou que tenha favorecido deliberadamente um dos candidatos. Em manifestação divulgada anteriormente, a empresa afirmou que os problemas não se restringiam ao Brasil e faziam parte de dificuldades técnicas de alcance global.
A determinação do TSE impede que a Meta reduza artificialmente o alcance de conteúdos político-eleitorais relacionados a Lula ou Flávio. A proibição inclui alterações na distribuição das publicações, retirada de recomendações, restrições aos resultados de busca e mudanças de métricas que possam prejudicar uma das candidaturas.
A empresa também deverá aplicar critérios equivalentes às duas campanhas em suas ferramentas de inteligência artificial. A ordem busca impedir que os sistemas ofereçam respostas diferentes a solicitações semelhantes em razão do candidato envolvido.
O ministro ressaltou que a apresentação de informações sobre a ausência de comportamento inautêntico coordenado não substitui a obrigação de demonstrar quais medidas foram efetivamente adotadas para cumprir a decisão judicial.
A discussão sobre a atuação das plataformas digitais ocorre em meio a outras denúncias envolvendo publicidade política na internet.
Um estudo da organização britânica Eko, divulgado em setembro, apontou que a Meta aceitou anúncios políticos direcionados ao público brasileiro, pagos por uma conta sediada nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, as peças utilizavam inteligência artificial sem a identificação exigida e apresentavam informações eleitorais falsas.
Outro levantamento, realizado pelo NetLab, laboratório de estudos de internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou anúncios políticos considerados irregulares no país e financiados a partir do exterior.
A decisão do TSE não representa, por si só, uma conclusão definitiva de que a Meta tenha interferido deliberadamente na eleição em favor de Flávio Bolsonaro. A empresa nega favorecimento, e o tribunal exige que ela demonstre o cumprimento das regras de igualdade entre as candidaturas.
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